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Tridente de Chamas é uma poderosa arma pertencente à Kim Taehyung, um demônio que devido à desobediência sem fim, é submetido a ficar enclausurado por cem anos completos no sexto círculo do inferno, este comandado por Min Yoongi. Ao se ver livre do castigo, Taehyung é informado de que seu bem mais precioso está nas terras celestiais há algum tempo, e em razão a isso, acaba embarcando em uma viajem ao paraíso, onde conhece Jeon Jeongguk e Park Jimin, ambos anjos que por um descuido e muitas intenções do Kim por trás, são expulsos após uma série de acontecimentos.


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

#yoongi #jungkook #jimin #vkook #taekook #taehyung #yoonmin #sugamin #minimini #suji #2min #minmin #sujim #2minpjct
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A queda da vergonha e dor

Escrito por: @kooeinho

Notas Iniciais: Oii :) sim, sou eu novamente (mas dessa vez com um recorde de palavras).

Tridente de chamas estava mofando no meu google docs, e eu vi a oportunidade perfeita pra ressuscitar ela, espero muito muito que vocês gostem. AVISOS:
Essa fanfic tem como tema anjos X demônios / céu X inferno, se for um tema que te deixa desconfortável e você não se sinta bem para ler, por favor, não leiam; tem outras fanfics no meu perfil e no SnowTK que talvez te agradem, elas estão só esperando por uma chance sua :)

O tempo no inferno/céu é diferente do tempo na terra (nosso tempo), por isso não se assustem com as idades, ok? Nessa fanfic é comum anjos e demônios possuírem idades humanamente impossíveis; aliás obrigada Babi por ter me lembrado de explicar isso aqui.
Meus agradecimentos para a Mariana (@vmissues_) pelo design lindo de Tridente de chamas e para a Babi (@taquiomorfria) por ter betado esses 15k de palavras (e também pra Sarah @softaeggukz que me ajudou com o lemon, já que eu morro pra escrever 5 palavras de qualquer lemon) Depois de muito falar, eu vou deixar vocês lerem kkk

Boa leitura e acompanhem as lindas fanfics do SnowTK e do 2minproject :)


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Seus pés batiam num ritmo terrivelmente entediante e enlouquecedor para qualquer anjo caído que pudesse ouvir, sem ao menos descansarem por míseros segundos. Os dedos longos e esguios arranhavam a mesa de prata com uma força brutal, criando rastros vermelhos efervescentes com direito a fumaça, que pintavam o objeto com uma cor tão rubra quanto os olhos cheios de maldade e impureza de qualquer demônio com o poder de fogo; exceto, claro, o de Lúcifer. Enquanto possuía uma forma material, nenhuma palavra, som ou figura poderia descrever a intensidade dos orbes escarlates do líder de todo o inferno, jamais.

Tão veloz quanto as gotas de sangue pingavam sobre a prata brilhante, elas também desapareciam a tempo suficiente para um humano comum e vivo fechar as suas pálpebras e nem sequer perceber que aquele líquido que precisavam para sobreviver esteve ali em algum momento. Taehyung quase não sentia dor alguma em fazer aquele ato um bilhão de vezes, sistematicamente. Poderia arrancar os seus dedos, quebrá-los, cortá-los ao meio e sempre pareceria uma simples cócega que efeito algum surtia em si.

A impaciência era apenas uma das condições que se intensificavam quando se tornava um anjo caído. Havia outros milhões de conjunturas que aumentavam a ponto de se tornarem insuportáveis para qualquer ser, vivente ou não, e o ódio e ganância eram ótimos exemplos disso. No entanto, a impaciência ainda conseguia se superar em uma quantidade absurda nas veias do Kim de fios tão dourados quanto ouro maciço, que queria destruir toda aquela sala branca apenas com a força do olhar.

Taehyung desejava incendiar cada pedacinho daquela ala do sexto círculo do inferno apenas para que nunca mais precisasse olhar para aquele lugar novamente; e faria sem pensar duas vezes, caso estivesse com seu tridente em mãos, a arma mais poderosa, depois do sabre curvo de Lúcifer, de todo o inferno. A arma do soberano daquele lugar sem fim era tão única e tão letal, que nem ao menos poderia ser comparado a algo já existente. Com um só olhar, a espada poderia destruir toda a galáxia e fazer surgirem mares de sangue.

Qualquer ser com inteligência o suficiente naquele lugar para raciocinar teria medo daquela arma com toda a sua vida e obedeceria a Satanás em absolutamente qualquer missão ou norma que fosse imposta por si.

Exceto, claro, Kim Taehyung.

Como ele mesmo dizia, afirmava e gritava aos quatro ventos sem um fio de medo, estava pouco se fodendo para tudo e para todos. O demônio loiro não suportava normas ou missões, e qualquer pedido feito para si que não o agradasse, fazia questão de mandar o indivíduo para a puta que pariu, fosse ele Lúcifer ou não. O Kim ainda não possuía conhecimento sobre o porquê de não ser expulso ou simplesmente morto por seu líder em razão da grande imprudência — talvez porque não houvesse como ser mais uma vez excluso, já havia sido expulso do céu até o inferno, não havia como ser expulso do inferno para outro lugar —, mas sabia que descobriria alguma hora, nem que precisasse gastar sua eternidade inteira para isso.

E por ser tão rebelde como era, o Kim estava sem sua preciosa arma consigo, devido a uma desobediência que seu líder não tolerou por nada.

Tudo por poder e luxúria.

Não era à toa que o demônio fora designado ao segundo círculo do inferno; o círculo do vale dos ventos. Se a palavra luxúria existia, certamente era com o propósito de ser atribuída a Taehyung em algum momento da história.

Por incontáveis atos banhados de luxúria e prazeres carnais em seu curto período de vida na terra material, o anjo caído fora condenado ao tormento de furacões e ventanias por um tempo que perduraria a eternidade inteira, pois, mesmo depois de receber sua última chance de ter a alma salva para desfrutar do paraíso como quisesse e merecesse, ele havia desperdiçado o perdão na primeira oportunidade que teve, por pouco não criando uma enorme contenda no céu.

A mais pura verdade era que Kim Taehyung não estava interessado nas regalias que o paraíso poderia oferecer para si. Não estava satisfeito em ter que viver a perenidade cercado de amor, obediência e luz; ele gostava bem mais do que o inferno tinha a lhe ofertar. A luxúria; o poder sobre toda e qualquer coisa; a avareza e a vaidade eram como suprimentos injetados diretamente em cada artéria de seu corpo; suprimentos ruins que jamais poderiam permanecer nas terras do senhor da luz.

Como nada vindo de Lúcifer era feito sem intenções monstruosas e horrendas por trás, com aqueles proveitos momentâneos não era diferente. Todas as almas que escolhessem as transgressões ao invés das prudências uma hora teriam de pagar devidamente conforme as vontades do dono da perversão; e os preços a serem cobrados eram altos, desde mergulharem por todo o rio de lava a ter a cabeça decepada por Cérbero um milhão de vezes.

Quando expulso do paraíso, Taehyung estava totalmente seguro de que teria que cumprir com as consequências de suas escolhas, mais cedo ou mais tarde. No entanto, surpreendendo-o mais uma vez, haviam seiscentos mil e trezentos anos que nenhuma punição fora imposta a si por escolher o mal.

No momento em que abriu seus olhos e percebeu estar no inferno, o demônio de fios dourados logo fora designado para o segundo círculo, onde — segundo as leis — deveria sofrer para sempre, mas não foi exatamente assim que as coisas ocorreram. Taehyung foi treinado por incontáveis dias e depois de estar capacitado, recebeu o seu Tridente de Chamas. Ele podia ouvir as vozes sôfregas dos anjos que eram atormentados e torturados todos os dias, porém mais uma vez não conseguia compreender o porquê de o senhor das trevas não agir da mesma maneira consigo, e ainda por cima lhe dar um poder tão grande como o que tinha.

Mas, para o Kim, estava tudo bem daquela forma, não desejava mudar nada ou ter outra oportunidade de ter a alma salva.

Queria apenas viver cercado pela luxúria e poder.

— Aproveitou bem seus cem anos de aprisionamento, Kim? — Taehyung ouviu a voz monstruosa atrás daquela porta de rubi vermelho, revirando seus olhos de fogo como se a pergunta sarcástica não tivesse surtido efeito algum em si. Já estava para lá de acostumado com o comandante do cemitério de fogo tentando lhe tirar a paciência que não existia, mesmo sabendo que poderia ser morto pelo loiro a qualquer instante.

Em seguida, a mesma porta foi desintegrada com um estalar de dedos e a figura do demônio de asas vermelhas surgiu em sua frente, fazendo-o rolar seus orbes mais uma vez.

Min Yoongi continuava tendo o poder para deixar qualquer um que o visse com o queixo caído, sua aparência de jovem inocente, que, no fundo, escondia os segredos mais obscuros e imprudentes de todo o universo, era base para milhões de especulações de outros demônios no inferno. O sorriso debochado no rosto e o semblante de quem poderia ficar ali soltando provocações por mais cem anos irritaram Taehyung de uma forma que ele sequer poderia explicar.

— Não seja tolo a ponto de me fazer chegar ao limite. Sabe muito bem que, com a ira que estou, posso destruir sua ala de ponta e ponta e ainda lhe deixar aqui dentro para que queime mil vezes — ameaçou o demônio mais velho, que possuía mais tempo de vivência e experiência nas terras das trevas. O loiro considerava o Min uma criança perto de si, já que ele tinha apenas seus duzentos mil anos como um anjo caído.

— E como irá fazer isso? Você está vulnerável nesse momento, meu amado Taehyung. Sem sua arma não és absolutamente nada — vociferou Yoongi, aproveitando-se da instabilidade de seu rival para atacá-lo como sempre quis.

O ódio por Taehyung não era tão grande a nível de querer matá-lo; e mesmo que desejasse, seria humana e espiritualmente impossível de fazê-lo, devido à grande proteção e poder que seu o deus das trevas dava ao garoto. Apenas o Min e seus outros oito aliados, escolhidos de Lúcifer, sabiam o motivo pelo líder do inferno o tratar diferente das demais anjos condenados, mas não tinham permissão para falar sobre aquilo com ninguém até que o tempo certo chegasse. Porém, de qualquer forma, o vendo tão instável naquele momento, não iria perder a oportunidade de atiçá-lo.

Os olhos negros de Yoongi eram amaldiçoados por conta de não ter acreditado em nenhum ser espiritual que estivesse acima dos seres humanos enquanto vivo. O acinzentado não possuía fé em Deus e tampouco no Diabo — quem era seu atual líder —, e essa escolha o levou diretamente para o sexto círculo do inferno, onde foi tratado da mesma forma superior que Taehyung, descobrindo toda a verdade sobre si anos depois. Como consequência de sua desobediência, o Min era condenado a ver o sangue de demônios mesmo depois que o líquido desaparecesse, por toda a eternidade; exatamente como estava vendo naquele lugar.

O sangue de Taehyung estava por toda parte da sala, que — sem a maldição — deveria enxergar como branca, pintando-a de vermelho em cada canto visível. O loiro havia mesmo se torturado e automutilado diversas vezes durante os anos que ficara preso sem ter absolutamente nada para fazer. Yoongi até sentiria pena, caso ele não estivesse tão bonito e saudável como sempre esteve; poderia dizer que até mesmo mais belo.

Os fios loiros e macios haviam crescido e estavam na altura do cóccix, contrastando perfeitamente com a pele dourada como ouro e a tatuagem de espinhos que cobriam toda a parte esquerda do seu pescoço e maxilar. Seus olhos rubros pareciam tão vivos quanto de um ser humano, embora claramente ele não tivesse mais vida em si; não havia olheiras, sinais de cansaço ou rugas que pudessem tirar um milésimo da beleza de seu rosto, no entanto, algo estava diferente.

As asas de Taehyung não se encontravam nas boas condições em que sempre estiveram, estavam caídas e murchas igual a uma rosa seca. O acinzentado duvidava que ele pudesse voar majestosamente como habitualmente sem antes treinar por bons dias.

— E por qual circunstância não estás com o que me pertence? Deveria ser uma responsabilidade tua trazê-la para minhas mãos novamente quando viesses me libertar. — Taehyung jogou seus longos cabelos dourados em direção à parede que estava atrás de si, eles executaram movimentos tão perfeitos como o das ondas de um mar agitado, para então se levantar da cadeira de prata e caminhar tranquilamente até o garoto de cabelos acinzentados, fazendo-o recuar alguns passos. Ele sabia perfeitamente que, para sua desvantagem, Yoongi estava certo quanto a não estar correndo perigo, já que o Kim não tinha seu precioso tridente para poder atacá-lo. Sobretudo, o temor para com o demônio mais velho ainda presente.

— Porque o que te pertence está bem longe dessas terras. — O loiro apertou seus dedos com força, sentindo todas as suas artérias queimarem de tanta ira e descontento.

— O que quer dizer com isso? — questionou, cerrando seus olhos vermelhos e apertando sua destra com um pouco mais de força.

— Lúcifer lançou o Tridente de Chamas para o céu cinco anos atrás — contou o mais novo, deixando despontar um sorriso ladino em seus lábios. Ele sabia que a tarefa mais árdua para uma alma em todo o inferno era ir até o céu, por motivos óbvios: os dois seres mais poderosos de toda a galáxia eram definitivamente os maiores arqui-inimigos já existentes. Para Taehyung, poderia ser um pouco mais ameno, já que ele era um dos seres mais potentes das trevas, todavia, ainda assim, seria complicado.

— Aquele desgraçado deixou claro que traria meu tridente assim que minha punição se encerrasse — vociferou Taehyung, tão alto que o lustre de rubi preso ao teto se desprendeu e espatifou pelo chão, fazendo os cacos da pedra preciosa entrarem aos montes em sua perna; não era como se ele sentisse dor com aquilo.

— Seiscentos mil anos no inferno e nunca aprendeu que a mentira e a injustiça reinam por aqui... Me surpreende, Kim — comentou Yoongi, retirando um pedaço enorme de rubi que acabou por entrar em seu abdômen. — Mesmo que seja importante para Lúcifer, ele sempre irá mentir, enganar e roubar. Não fora escolha sua viver cercado por isso?

— Cale a boca! — O Min pôde ver com clareza os orbes de sangue brilharem como mil faróis acesos; Taehyung estava, no mínimo, muito puto. — Eu quero o Tridente de Chamas agora!

— Simples. — Um semblante horrivelmente sádico surgiu no rosto do demônio de asas vermelhas. — Vá buscar.


[...]


Assim que o Kim enxergou as nuvens tão claras como neve, suspirou fundo e aumentou a velocidade em que suas asas negras estavam batendo, pretendendo chegar ao céu o mais rápido possível para que, assim, tivesse sua arma consigo novamente depois de longos cem anos. Havia seis meses que estava “sobrevivendo” no inferno sem poder algum, apenas treinando suas asas com intuito de usá-las para uma viagem tão desgastante como aquela em que estava. Os anjos caídos que, secretamente, mantinham aversão pelo loiro adoraram a notícia, mas, ainda que com essa desvantagem, ninguém ousou enfrentá-lo.

A distância entre as trevas e a luz era surrealmente extensa, sobretudo para quem estava subindo que a quem estava descendo. Taehyung voava há dias seguidos e, pelos seus cálculos, baseados em quando foi expulso do paraíso, estava bem próximo da entrada do céu.

Até o momento, não havia muitos anjos sendo expulsos. Vez ou outra o loiro podia enxergar um ou dois, mas nenhuma demanda muito grande que pudesse realmente chamar sua atenção. Raríssimas coisas eram dignas de prender a concentração do demônio, quando o Kim estava concentrado em fazer algo, ele fazia sem olhar para a direita ou para a esquerda.

Desse modo focado, visando unicamente ter seu bem mais poderoso consigo, Taehyung, por pouquíssimo, não passou direto pelos portões do céu. Sua sorte fora o brilho imenso que o objeto emitiu a longa distância e as correntes monstruosas de vento que surgiram instantaneamente em volta de si.

Soltou um riso soprado e cheio de sarcasmo.

Em um milésimo de segundo, o paraíso havia se tornado um verdadeiro caos, repleto de enormes redemoinhos e correntes de ar tão fortes que impediriam qualquer demônio inferior de se aproximar dos portões de ouro; no entanto, o nível de poder que o loiro carregava era altíssimo.

Taehyung possuía a total certeza de que aquela mudança repentina, de um ambiente pacífico para uma anarquia, estava ocorrendo devido à sua presença indesejável ali. Claramente não era bem-vindo ao céu novamente, e isso estava muito longe de ter alguma relevância capaz de fazê-lo se importar, muito pelo contrário, a única coisa que almejava era seu incalculável tridente; e talvez também desejasse tomar para si a figura que estava parada atrás da entrada do paraíso.

Um anjo.

Literalmente um anjo.

Seus cabelos negros e lustrosos se harmonizavam sublimemente com a pele delicada e alva, que, quanto mais Taehyung se aproximava, mais podia ver detalhadamente o quanto era formosa. Suas belas asas eram emplumadas e batiam-se contra o vento num ritmo sincronizado, ainda que o garoto jovem não estivesse se movimentando. Os lábios tão vermelhos quanto a tonalidade de um morango podiam ser considerados a arte mais bela de todo o universo.

O loiro se encontrou sem palavras naquele instante.

Aquilo sim era digno de sua total atenção.

— Como posso te ajudar? — questionou o anjo, com sua voz tão melodiosa como notas de uma harpa demonstrando tanta inocência e pureza que instantaneamente fez o loiro abrir outro sorriso; dessa vez com todas as segundas intenções possíveis. Taehyung adorava garotos puros e inocentes, que sabiam perfeitamente como esconder as obscuridades dentro de si tão bem quanto um baú trancado. — És uma alma recentemente enviada ao céu?

— Oh, eu realmente pareço uma alma virtuosa? Devo levar isso como um elogio? — respondeu-o Taehyung com outra pergunta, usando o seu tom mais grave e deixando propositalmente que um vislumbre passasse rapidamente em seus orbes vermelhos como fogo, demonstrando que havia em si intenções tão sujas quanto todo o pecado carnal do inferno.

A ventania ainda estava forte no local onde o demônio estava parado, soprando seus fios áureos para trás e retirando parte do pano que cobria suas tatuagens de espinho; ora, quem diria que no céu houvesse um vendaval tão agressivo como aquele?

O anjo não o respondeu verbalmente, apenas o observou com os olhos de ônix em cada detalhe visível. Olhou para a pele acobreada; para os desenhos sistematicamente feitos que iam do pescoço até o maxilar do indivíduo; não deixou de notar os cabelos loiros nos quais havia marcas de corte e chegavam à altura dos ombros e, muito menos, os olhos rubros que pareciam pedras preciosas de rubi. Com aquela breve análise, concluiu que ele era do mundo inferior, mas não esperava que pudesse ver uma criatura tão bonita como aquela, que pertencia às trevas.

Taehyung logo notou a encarada nada discreta do garoto, então sua incansável luxúria se fez presente mais uma vez.

— Vim em busca do Tridente de Chamas, espero que seu soberano tenha presumido que eu viria buscá-lo — contou o Kim tranquilamente, arrancando algumas cutículas de suas unhas e se esforçando para não ser tão direto quanto aos seus desejos e acabar assustando o ser imaculado à sua frente. — Sabe onde está?

O anjo rapidamente levantou sua mão esquerda e, em uma distância segura de si, fez surgir o objeto de três dentes: a primeira ponta feita em ouro, a segunda em prata e a terceira em diamante; todas em labaredas de fogo. Visando não se machucar ao tocá-lo, ele ergueu um pouco mais o tridente.

— Isto? — indagou o garoto e Taehyung deixou que um sorriso imenso surgisse em seu rosto, devido a estar vendo sua arma pela primeira vez depois de tantos e tantos anos enclausurado. Suas mãos formigavam para pegá-lo. — É um objeto muito bonito, preciso dizer. Por qual motivo está aqui e não sob sua posse?

— Também é uma tarefa sua saber o porquê? — perguntou o Kim, não de forma ignorante, mas sim sensual e sugestiva, aproximando-se mais ainda e deixando seu rosto simetricamente bonito bem perto das grades de ouro; consequentemente, perto da criatura de alvas asas.

— Na verdade, não. No entanto, é um desejo meu saber a razão por esse belo tridente estar em minhas mãos e dentro do paraíso — contou o anjo atrevidamente, não demonstrando medo ou temor perante Taehyung.

— E se não for do meu desejo lhe contar?

— Então será realmente uma pena para você. Posso admirar essa arma por toda a eternidade, na calmaria do paraíso, enquanto tens o tempo do mundo espiritual inteiro para decidir dizer o motivo ou não. — O loiro abriu seus lábios totalmente surpreso, gostando da maneira mais impura daquele atrevimento e coragem que o garoto possuía.

Almejava saber se ele agiria daquela mesma forma arisca caso estivesse embaixo de si, tendo aquelas madeixas tão escuras sendo puxadas por suas mãos grossas e aquela pele branquinha sendo pintada por inúmeras marcas de dedos; como gostaria de saber.

— Lúcifer o arremessou aqui como uma forma de castigo a mim — contou Taehyung, por um milagre cedendo à curiosidade alheia.

— Satanás… — A ventania, que já se encontrava forte do lado de fora, de repente aumentou com uma força sobre-humana, em razão do nome proferido inconvenientemente pelo anjo. — Digo, o senhor das trevas lhe puniu? — Mordeu seu lábio vermelho, um pouco intrigado com aquela resposta. Se aquele servo possuía uma arma tão bonita como aquela, deveria ser alguém bem importante e para ser punido severamente, carecia de um bom motivo. — O que de tão grave fez para que isso ocorresse?

Mais uma vez, o demônio de asas negras riu soprado.

— É alguém muito curioso, meu anjo — comentou Taehyung sugestivamente, tentando surtir algum efeito diferente no moreno. — Se desejar, eu posso mostrar a você detalhadamente o que me levou a ser punido. — Ele sorriu repleto de malícia. — Seu mestre se importaria caso eu lhe roubasse por um momento?

— Como ousa se referir ao meu Deus para dizer iniquidades?! — proferiu o anjo firme, na esperança de assustar o demônio ou fazê-lo se sentir culpado; porém falhou. Taehyung reagiu à pergunta tão serenamente quanto uma noite no paraíso.

— Ousando, o que irá fazer em relação a isso? Me mandar para o inferno? — ironizou o loiro, começando a sentir leves resquícios de irritação com aquela demora para receber sua arma de volta. — Aliás, como você se chama?

— Jeon Jeongguk, sou um anjo principiante e encarregado de receber todas as boas almas que chegam até o céu — contou ele, retirando parte de sua franja ondulada dos olhos bonitos. No momento, o desejo de Taehyung por tomar aquele garoto para si era enorme, só não mais que a vontade de tocar em sua arma flamejante, claro. — Não que seja do meu sumo interesse, mas e quanto a você? Como se chama?

— Kim Taehyung... Olhe só, eu não tenho muito tempo disponível. Sou forte, mas esses redemoinhos estão me tirando a paciência, então se você puder apenas devolver o meu tridente e me deixar tomar esses lábi-

— Kim Taehyung?! — interrompeu o Jeon totalmente horrorizado, como se tivesse ouvido a coisa mais medonha de todo o mundo espiritual.

Ele havia aprendido minuciosamente sobre as criaturas mais perigosas e temidas de todas as trevas, e o nome que acabara de ouvir era um dos principais. Com base em seu rico conhecimento, Kim Taehyung era líder do segundo círculo do inferno — o círculo da luxúria —, porém o demônio de madeixas douradas recebeu tanto poder de seu soberano que tinha capacidade para liderar todos os nove círculos do submundo, caso assim desejasse.

Era alguém muito temido.

Jeon também fora instruindo a nunca manter contato com nenhum daqueles seres maldosos, sob qualquer circunstância ou necessidade, caso contrário a punição imposta era a expulsão do paraíso.

— Exato, Kim Taehyung.

— Saia daqui imediatamente! — disse Jeongguk firme, tentando convencê-lo a se retirar e fazendo gestos com sua destra, embora não estivesse tão seguro interiormente. Taehyung pôde ver perfeitamente o quanto o anjo estava desesperado e com medo, compreendendo, de certa forma, aquela reação hiperbólica; também estava assustado quando fora expulso do céu pela primeira vez. — Por favor, vá embora agora. Eu serei condenado à escuridão caso nos vejam.

— Você só precisa me devolver o Tridente de Chamas. — O loiro estendeu a mão em direção ao objeto, mas poucos centímetros o impediram de alcançá-lo. Por mais estranho que fosse, não era sua intenção causar a queda do anjo de fios negros. Era mais que óbvio que desejava se relacionar intimamente com o garoto, mas não estava planejando nada daquela vez. — Se o deixa conformado, já fomos vistos desde o momento em que eu surgi por entre essas nuvens. Não me diga que se esqueceu sobre seu Deus ser onipotente, onipresente e…

— Onisciente — completou o anjo, sem conseguir esboçar reação perante ao que estava acontecendo.

Temor e ansiedade lhe preencheram por completo quando ouviu um soar alto de trombetas; as mesmas trombetas que só eram tocadas para a queda de um anjo importante.

Não havia mais o que questionar, Jeongguk estava oficialmente sendo expulso do paraíso com apenas cem anos sendo um anjo de luz

E tudo por culpa do maldito Kim.

— Tarde demais para eu ir embora antes que você seja pego. — Taehyung deu de ombros, notando quando os portões de ouro começaram a se abrir vagarosamente. As nuvens, que segundos atrás estavam tão alvas como neve, se transformaram em grandes névoas negras, escurecendo totalmente o ambiente. Jeongguk realmente deveria ter sido um anjo importante para que aquela cerimônia de expulsão estivesse ocorrendo com tantos detalhes e acontecimentos raramente vistos. — Terá que vir junto a mim. — Estendeu sua destra ao encontro do garoto.

Jeongguk pareceu hesitante em concordar com aquilo tão rapidamente, mas devido ao momento e à situação presente, não tinha tempo suficiente para cogitar o que fazer ou não, então apenas segurou firme a mão do amorenado, aceitando seu destino, que havia mudado tão repentinamente. Sendo um anjo de luz e Taehyung um demônio das trevas, as peles de ambos deveriam queimar com aquele contato proibido, no entanto, isso não ocorreu devido o processo de transição por qual o moreno estava passando.

O garoto de olhos da cor de ônix podia começar a sentir as próprias asas se desprendendo de suas costas, como se apenas estivessem coladas ali o tempo todo. Ele tinha ciência de que nasceriam outras no lugar assim que fosse aceito como um servo das trevas, porém, vermelhas ou pretas.

— Você é um desgraçado de merda! — permitiu-se xingá-lo e descontar toda ira que estava voltando a sentir em si, desencadeando aqueles sentimentos de algum lugar onde deveriam estar todas as outras coisas ruins.

— Está mesmo usando esse linguajar inadequado no céu? — questionou o loiro, batendo suas asas tranquilamente sob a ventania forte enquanto segurava firmemente Jeongguk com a mão esquerda para que ele não caísse, já que estava temporariamente perdendo as asas. — Eu sempre sei quando garotos que parecem santos, como você, escondem os pecados.

Logo atrás dos dois, uma legião de soldados celestiais surgiu do absoluto e completo nada, correndo em alta velocidade com lanças douradas em suas destras. Taehyung pensava que o batalhão de soldados e as nuvens negras no céu fossem mitos, mas agora, seiscentos mil anos após sua morte na terra, estava vendo com seus próprios olhos.

Era quase ilusório.

Mas que caralhos… Jeon, você é algum semideus? Qual a razão de todo esse show apenas para expulsar um anjo? — O demônio de asas negras finalmente tocou em Tridente de Chamas outra vez, manuseando-o com maestria e, num majestoso reflexo, criando um portal direto para o inferno. Gostaria que sua queda tivesse ocorrido daquela forma tão simples, como estava sendo para o anjo.

O círculo de fogo, que se assemelhava a um buraco negro, parecia tão irreal aos olhos brilhantes de Jeongguk; não acreditaria caso alguém tivesse lhe contando que aquele tridente, além de causar muita destruição, também podia abrir portais nas terras celestiais.

— Está pron-

— Jeongguk! Espere por mim! — Ambos ouviram a doce voz quando estavam prestes a passar pelo portal. Taehyung pôde ver um outro anjo de fios loiros lutando para se manter em pé, em razão das asas douradas, que estavam caindo. Assim como Jeon, ele era muito bonito e possuía traços tão delicados quanto esculturas de um museu, porém, em seus olhos, era perceptível o medo.

— Jimin?! O que está fazendo? E as suas asas? — Jeongguk pensou em ir ajudá-lo sozinho, mas parou quando percebeu que se soltasse a mão do Kim, cairia. A legião de soldados estava cada vez mais próxima, e diferente dos dois anjos, Taehyung não estava com um resquício de temor; até daria gargalhadas caso não tivesse que pensar sobre o que fazer em relação ao anjo loiro. — Volte para dentro!

— Eu não posso, fui expulso assim que pensei em ir com você — contou, percebendo seu corpo pesar para baixo.

— Taehyung! Ajude-o agora mesmo — ordenou Jeongguk raivoso, querendo pegar o Tridente de Chamas e exterminar aquela figura bonita em sua frente.

— E por que exatamente eu faria isso? — perguntou. — Eu nem o conheço.

— Você é o culpado por tudo isso e também não me conhece — vociferou mais uma vez. — Ele é Park Jimin, meu melhor amigo desde sempre.

— Eu? — questionou o loiro sobre a acusação, com uma falsa incredulidade.

— Omitiu para mim o fato de ser um demônio, fez com que mantivéssemos um diálogo e, assim, fui expulso — cuspiu, tentando puxá-lo em direção ao seu melhor amigo.

— Eu não omiti absolutamente nada, você é quem não foi capaz de perceber quem eu era. Olhos vermelhos, espinhos no pescoço e asas negras, é notável para qualquer um que sou um demônio — disse Taehyung sombriamente, ainda parado no mesmo lugar.

— De qualquer forma, não importa mais, vamos ajudá-lo. — Jeon segurou a destra do amorenado com as duas mãos, colocando mais força para que ao menos o fizesse se mexer um pouco, o que não aconteceu.

O vento e a escuridão estavam tão grandes que o outro anjo era jogado de um lado para outro, começando a perder de vista o demônio que segurava Jeongguk. Park Jimin não conseguia raciocinar em mais nada a não ser no abismo embaixo de si, no qual em breve cairia se não recebesse ajuda.

O Kim suspirou fundo e voltou a bater as asas firmes para longe do portal que abriu, em direção ao garoto.

— Segure isto. — Jogou o seu tridente para Jeon, que, em um reflexo preciso, o segurou. As chamas de fogo que envolviam o objeto não o queimaram, pois a poderosa arma só podia machucar aqueles que Taehyung ordenasse.

Entre os fortes redemoinhos que surgiam com a intenção de atacá-lo, Taehyung sobrevoou e desviou de todos como se estivesse apenas brincando de pega-pega. Seus olhos rubros estavam focados unicamente em encontrar o anjo que havia desaparecido entre a escuridão, e, quando o viu novamente, estava sem asa alguma e desabando por entre as nuvens.

Rapidamente voou até ele e o segurou com a mão desocupada, conjurando algumas palavras incompreensíveis ao seu tridente, que logo se balançou nas mão de Jeongguk e, pelo dente de ouro, soltou inúmeros raios de fogo, transformando-se em uma enorme barreira que impedia qualquer um de passar, até mesmo os redemoinhos. Os soldados celestiais que lideravam todo o grupo, ao encostarem na barreira, viraram cinzas, fazendo os outro recuarem instantaneamente para trás.

— Eu não sei quem eram Jeon Jeongguk ou Park Jimin — disse o Kim autoritário para todos ouvirem, emanando um temor tão forte que até mesmo os dois que se seguravam em suas mãos se encolheram perante a voz grave do demônio —, mas, a partir de agora, desde que os expulsaram dessas terras, eles se tornaram meus aliados! E qualquer um que sequer pensar em fazer algo contra os dois terá que se resolver pessoalmente comigo.

Após isso, ele voltou a voar calmamente para o portal, desfazendo a barreira de labaredas que seu tridente havia formado.

Nenhum soldado ousou perseguir o poderoso demônio novamente, e, dessa forma, o viram entrar pelo círculo de fogo e sumir.


[...]


— Passou dias em uma viagem para buscar o Tridente de Chamas e voltou com dois anjos caídos — pontuou o demônio de asas vermelhas, olhando atentamente para o rosto dos dois garotos que pareciam terrivelmente assustados por estarem ali. Miravam com extrema atenção o chão repleto de rachaduras; a eterna escuridão do ambiente que nunca desapareceria e a imensa cascata de lava, que se despejava no rio de magma, responsabilidade do barqueiro Caronte. — Está fazendo um bom trabalho corrompendo almas boas, papai irá adorar.

Yoongi era alguém extremamente observador, gostava de perceber silenciosamente o que realmente estava acontecendo em cada situação, e, naquele momento, ele podia notar dois detalhe com extrema convicção: o primeiro era que o intitulado Park Jimin possuía uma beleza tão incomparável e doce que, se respirasse como um ser humano vivo, certamente perderia o fôlego. O segundo detalhe era que Taehyung visivelmente estava interessado no anjo de fios negros, muito interessado. Desde que havia encontrado os três indivíduos ali, o loiro de asas negras estava secando o garoto sem nenhuma vontade de esconder seu desejo.

— Não é uma missão minha corromper almas boas, Yoongi — respondeu Taehyung à farpa. — O que ocorreu foi um mal-entendido.

— Um mal-entendido muito bom para você, não é? — Ele sorriu, erguendo as sobrancelhas, deixando claro que tinha a certeza que o demônio mais velho tinha gostado daquela queda; o que não era de todo mentira.

— Se me permite, eu tenho que guiar Jeongguk até o segundo círculo. — O Kim o ignorou, varrendo os arredores com seus orbes vermelhos.

Os outros anjos caídos estavam olhando atentamente para o quarteto parado ali, morrendo de curiosidade sobre quem eram aqueles que haviam chegado junto ao demônio mais temido e desejado do inferno.

Somente quem tinha o conhecimento sobre a recente história da queda de Jeon e Park era o porteiro do submundo, que designou os dois aos seus devidos círculos. Jeongguk, ao segundo círculo, por façanhas do Kim; e Jimin, ao sexto círculo, devido a sua falta de crença em Deus quando estava vivo; coincidentemente o mesmo círculo o qual era comandado pelo Min de asas vermelhas.

— E você deveria fazer o mesmo com Jimin, ele parece desconfortável aqui.

— Por que ele tem que ir para um círculo diferente do meu? — manifestou-se Jeongguk de repente, assustando o anjo loiro ao seu lado, quem permanecia calado em toda aquela situação.

— Porque Minos o destinou ao sexto círculo, que é liderado por Yoongi — explicou o Kim. Ele simplesmente estava adorando toda aquela falta de temor e coragem que Jeon tinha, o garoto era como uma cascavel, que mordia suas presas sem medo algum, fosse maior ou menor que si.

— E se ele fizer mal a Jimin? — perguntou novamente.

— Não está nos planos dele, Jeongguk. Acredite — disse Taehyung, erguendo sua sobrancelha sugestivamente para o outro demônio.

Yoongi encarou o anjo de madeixas claras a sua frente, sendo prontamente retribuído no ato. Jimin não tinha uma opinião formada sobre o garoto de asas escarlate, já que sequer o conhecia, mas apesar de saber que ele era um demônio, o Min não estava demonstrando olhares de maldade ou ira para si, tranquilizou-se com isso.

Ambos se analisaram intensamente por alguns longos segundos, observando cada mínimo detalhe um do outro.

— Não precisa me temer. — Yoongi direcionou a fala para o Park, hipnotizado por aquele contato visual tão denso que estavam trocando. — Não irei fazer absolutamente nada para você que não esteja em sua concordância, certo? Nós podemos ir agora?

O loiro semicerrou seus olhos pequenos em busca de alguma falha capaz de dizer que ele estava mentindo para si, agindo de forma tão gentil e calma para um ser que deveria agir totalmente ao contrário, no entanto, não encontrou.

As palavras soaram verdadeiras, sem uma intenção maldosa por trás.

— Ficará bem, Jeongguk? — perguntou Jimin ao amigo, sem desviar o olhar do demônio bonito por um segundo sequer, nem mesmo para fazer a pergunta ao Jeon.

— Eu acho que sim… — O anjo de olhos da cor de ônix virou o rosto para Taehyung totalmente inocente, este que já estava o observando há alguns bons minutos, fazendo uma pergunta silenciosa sobre seu bem estar dali para frente.

— Vamos. Eu lhe vejo depois, Gukkie.

Viram os dois caminharem um ao lado do outro em direção ao sexto círculo do inferno, o qual Jeongguk não fazia a mínima ideia de onde se localizava. Seu conhecimento sobre o submundo se limitava apenas aos demônios mais importantes e, claro, Lúcifer. O mapa do inferno ou detalhes sobre os nove círculos ainda eram incógnitas para si, mas estavam em sua lista para aprender minuciosamente sobre tudo.

— Tenho certeza de que há muitas dúvidas em sua cabeça nesse exato momento — comentou o Kim, como se lesse os seus pensamentos. — Mas acho que já passou por muita coisa hoje, devemos ir o quanto antes.

Jeongguk concordou com a cabeça, sem ter mais o que dizer.


[...]


Naquele quarto, havia uma enorme cama de casal bem no centro, forrada por lençóis de cetim vermelhos que brilhavam de tão limpos que estavam. A escuridão do ambiente era amenizada por um lustre de diamante que estava pendurado no teto branco. Também havia um guarda-roupa de carvalho preto no canto direito, com as alças trabalhadas em rubi, e uma mesa de prata na outra extremidade do cômodo, que era enfeitada com duas almofadas de pluma.

Sentia que estava andando sob magma, devido ao chão ser feito em cristal e permitir que a lava do rio de Caronte passasse debaixo de si.

Era estranho.

Fazia muito tempo desde que Jeongguk vira um quarto feito para humanos pela última vez, como aquele, pois no paraíso não sentia cansaço ou necessidade de dormir, assim como sabia que aquilo também funcionava para as criaturas das trevas; afinal nenhum ser espiritual possuía vida. Aquele quarto era bem maior e mais luxuoso do que todos que já tivera enquanto vivo, no entanto, não sabia exatamente o que fazer com aquilo.

Estava tão perdido quanto a vez em que chegou ao céu.

— Você gostou? — O garoto deu um pequeno sobressalto ao ouvir a pergunta sendo entoada por aquela voz tão grossa, lembrando-se de que o Kim de fios dourados estava ali.

Não demoraram muito para chegarem ao Vale dos Ventos, mas Taehyung explicou brevemente para Jeon que todos os nove círculos eram localizados a dois mil metros um ao lado do outro, e não sobrepostos igual um funil, como ele havia aprendido durante sua estadia no paraíso; apenas para sanar minimamente a curiosidade do garoto.

— É... muito bonito — disse ele sincero, virando-se um pouco para frente a fim de enxergar o demônio de asas negras com mais precisão. Taehyung estava encostado na porta com os braços cruzados e ele era tão lindo que não podia negar aquilo nem se fosse um desejo seu. O loiro olhava intensamente para si, fazendo Jeon ficar um pouco desconcertado. — Muito bonito mesmo. — À essa altura, o anjo já não sabia mais dizer se aquela afirmação estava sendo dirigida ao quarto ou ao Kim. — Mas eu não consegui compreender o porquê de um quarto, não vejo um propósito se não precisamos repousar.

Taehyung riu soprado, descruzando os braços e caminhando lentamente em direção ao garoto de olhos brilhantes, mantendo um semblante inexpressivo. Ele sabia que Jeongguk podia atuar muito bem sendo um garoto tão inocente — e não que ele não fosse, mas também podia enxergar uma parcela de iniquidade em si —, no entanto, era questão de segundos para que aquela fachada caísse.

— Você está a par de que aqui é o círculo da luxúria, não é, anjo? — questionou ele e Jeongguk recuou alguns passos para perto do guarda-roupa, em razão do receio do resultado daquela aproximação. Estava incerto sobre o que fazer, mas ainda assim não deixou nem por um segundo de manter o contato visual intenso com o Kim. — Logo, a última utilidade que esse quarto poderia oferecer é repouso. Não acha que há muitas coisas que podem ser feitas aqui dentro? — Taehyung observou o moreno bater suavemente suas costas na mobília de carvalho, fazendo o garoto concluir que não havia mais para onde recuar.

— A-Ah, eu compreendi… — disse ele totalmente perdido enquanto via o loiro dar seu último passo e apoiar a mão esquerda sobre a madeira do guarda roupa, encurralando-o ali. Quase desfaleceu no chão ao perceber que, na proximidade em que estavam, podia enxergar os orbes rubros e acesos de Taehyung envoltos por cílios longos e volumosos; o nariz perfeitamente simétrico que carregava um sinal na pontinha estava encostando ao seu próprio, criando um contato conhecido pelo moreno, mas que não sentia há muito tempo; a boca escultural chamava pela sua semelhante. Se respirasse, Jeongguk certamente deixaria um suspiro profundo sair de si. — Taehyung? — chamou ele.

— Sim?

— Você já me mostrou a maior parte do segundo círculo e meu quarto… — disse o anjo, a última palavra com um leve tom de singularidade, não iria acostumar tão cedo com o fato de que possuía um quarto. — Então, por que ainda está aqui? — Seus lábios tocaram por um milésimo de segundos os de Taehyung devido ao espaço quase inexistente, e aquilo lhe fez ter um pequeno choque. Fechou os olhos.

O loiro desceu sua canhota que estava apoiada na madeira até o rosto do garoto mais novo que si, deixando um breve carinho na pele macia.

— Porque aqui, entre essas paredes de quartz, eu posso lhe tocar como desejo desde o minuto em que te vi — contou ele calmamente, tendo a consciência de que a ausência de reações negativas quanto àquele contato era uma permissão silenciosa. — E você pode fazer o mesmo, Jeonggukie. Não há portões ou barreiras entre nós. — Suas pernas bambearam ao ouvir o apelido sendo chamado pelo Kim de fios dourados, o Kim que o inferno inteiro temia.

Taehyung notou quando o moreno abriu suas pálpebras lentamente, deixando seus olhos da cor de ônix aparecerem mais uma vez e relaxando da tensão que estava sentindo.

— Eu… — Jeongguk estendeu o braço direito, sentindo sua hesitação se esvair. — Posso mesmo o tocar, Kim Taehyung? — perguntou, começando a despontar a iniquidade dentro de si. Quando recebeu uma resposta afirmativa, o anjo logo levou sua destra até o pescoço de Taehyung, em direção à tatuagem de espinhos, e então passou com desejo suas curtas unhas pela derme alheia, deixando alguns sinais de arranhão ali. — Dessa forma?

O amorenado riu soprado, ficando ainda mais ansioso com aquele ato repentino.

— De todas as formas que você quiser, Jeonggukie. — Taehyung se inclinou apenas um pouquinho e mordeu fraquinho os lábios de morango a sua frente, sentido o moreno enlaçar os dois braços em seu pescoço como se estivesse esperando para fazer isso; como se presumisse o que estava por vir. — E inclusive dessa. — Puxou com cuidado a nuca do mais novo, eventualmente chocando seus lábios e quase se derretendo com aquilo.

Há mais de cem anos Taehyung não sentia uma textura igual à da boca vermelhinha de Jeongguk, aveludada, talvez porque ela realmente fosse única; talvez por estar beijando uma criatura tão intensa como ele; não sabia dizer, mas nem havia adicionado a língua naquela equação e já estava se sentindo entorpecido; e aquilo era muito preocupante para si.

Sentiu o mais novo explorar curiosamente seus lábios, algumas vezes parando para mudar a posição da cabeça e voltando a esmagar as bocas com intensidade, mas nunca demonstrando querer quebrar aquele contato de vez. Jeongguk, em muitos anos, desejava mais do que era correto a se desejar; ansiava por poder tocar cada pedacinho do demônio a sua frente e senti-lo chamar por si de forma desesperada, e apenas por si; queria que Taehyung fosse unicamente seu, mesmo que tivesse conhecido o loiro há muito pouco tempo, tinha sede por aquilo como um ser humano tinha por querer ser um melhor do que o outro.

Jeongguk tinha total consciência de que o que estava sentindo era errado, sujo; sabia com convicção que ter relações com um demônio era ainda mais proibido. O pecado carnal não deveria estar em si naquele momento, na realidade, deveria estar agindo de forma prudente e firme, para conseguir passar pelos oito círculos restantes e ser encaminhado ao purgatório, a fim de ser perdoado e salvo mais uma vez.

O problema se dava à razão de, pela primeira vez, Jeongguk achar bem mais atraente os lábios e o corpo de um demônio que a ideia de ser perdoado mais uma vez.

Estava gostando de agir de forma imprudente; de fazer e sentir o que era inadequado e condenável.

O Kim entreabriu um pouco mais os lábios, finalmente pedindo passagem para beijá-lo de verdade, de forma erótica. Sentiu as línguas se encontrarem e rapidamente se enlaçarem com maestria, provocando os sons mais iníquos que Jeon já ouvira junto a gemidos completamente roucos, os quais o loiro estava fazendo propositalmente para lhe tirar a sanidade.

Taehyung desceu suas mãos grandes até a cintura delicada do anjo, apertando-a com certa pressão e intensidade.

— Seja meu… Jeongguk — disse ele autoritário enquanto descia os seus beijos para o pescoço intocado e, até então, sem nenhuma marca de desejos de outra pessoa ali. Sorriu.

— Apenas… se você for meu, Taehyungie — respondeu o moreno na mesma altura, jogando contidamente sua cabeça para trás e soltando um pequeno gemido ao que sentia a boca macia do demônio percorrer por aquele lugar tão sensível de seu corpo.

Taehyung parou o ato quando raciocinou sobre a fala do garoto, olhando intensamente com seus orbes vermelhos para o anjo. Ele já estava uma completa bagunça devido ao ósculo trocado anteriormente; os cabelos estavam em desordem e os lábios minimamente inchados e mais vermelhos que o normal.

Não precisava pensar em uma resposta, o Kim era convicto sobre todas as suas escolhas; fora da mesma forma quando optou por viver eternamente no inferno.

— Como você desejar, meu anjo. Pode me ter da maneira que quiser e quando quiser — disse ele, voltando a beijá-lo mais uma vez. Jeongguk pegou impulso para subir no colo do tatuado, que rapidamente o segurou e o fez prender as pernas em sua cintura.

Ambos já estavam tomados por luxúria e desejo. O moreno não conseguiu conter o grunhido quanto seu membro desperto se friccionou com o de Taehyung, e o surpreendeu quando ondulou o quadril uma vez, causando outra onda de choque com o contato.

— Jeonggu-

— Não se faça de desentendido, Kim. — Ele o cortou, inclinando-se para frente e deixando seus lábios perto do ouvido do demônio. — Eu não quero que você seja meu e de outros mil, eu quero que você seja meu e apenas meu — sussurrou. — Você escolhe, sabe que eu também posso ser de outros mil ou de ninguém… — Ele parou de falar por um instante quando o loiro começou a caminhar em direção a cama, ainda lhe segurando com firmeza. — ... ou apenas seu.

Taehyung o deitou com cuidado sobre a cama, ficando por cima do corpo esbelto do moreno, porém coberto por um fino pano de seda branco, o qual ele ainda estava usando desde que chegara do paraíso. Era uma espécie de túnica que chegava até os pés do garoto e impedia majoritariamente que o corpo dele fosse exposto; era um saco. Ainda por cima, o demônio tatuado se arrumou melhor, colocando sua perna direita entre as próprias do Jeon.

— Mas pensando bem, não me parece uma má ideia ter vários corpos e várias bocas — disse ele afiado, começando a desabotoar os primeiros botões da camisa alheia.

O Kim vestia uma camisa social preta com espaços atrás, para que as asas negras pudessem ficar livres — as golas de cetim brilhavam cada vez que a pouca luz do quarto refletia em si —, e, na parte de baixo, usava uma calça do mesmo pano e mesma cor, embora quisesse arrancá-la o mais rápido possível.

Jeongguk sabia que no mundo das trevas era permitido usar qualquer tipo de roupa, forma, tamanho e cor, ou apenas não usar nada, havia diversos anjos caídos que não usavam absolutamente pano algum para esconder o corpo; e tinha a certeza de queTaehyung fazia o mesmo, talvez ele usasse aqueles tecidos somente para ficar mais charmoso, não sabia, e, no momento, não lhe importava.

— Acho que vou reconsiderar a minha proposta, experimentar essas diversões que o inferno nos oferece. — Ao terminar de dizer aquilo, ele recebeu um tapa estalado em sua bunda, seguido por um aperto na coxa de uma forma enciumada, em razão a sua fala.

Meu Jeonggukie! — declarou Taehyung firme, aproximando-se do lóbulo de sua orelha e passando a língua quente na derme do garoto. Jeongguk abriu um sorriso de total satisfação, gostando pecaminosamente daquela ação e, principalmente, daquela fala. — Não existe a palavra reconsiderar aqui. Eu aceito sua proposta; serei apenas seu, beijarei e tocarei apenas os seus lábios e o seu corpo, meus olhos estarão sempre em você… E eu desejo que os seus também estejam apenas em mim. Está bem?

Por um instante, Jeongguk entrou em um curto estado de pane, parando o ato de retirar os botões das casas e olhando fixamente nos olhos vermelhos do demônio. Ele realmente não estava esperando que o Kim fosse aceitar aquilo, não havia se preparado para receber uma resposta afirmativa e sim um semblante debochado e provavelmente um "isso é um absurdo", mas Taehyung havia concordado em ser seu.

Tinha o demônio mais poderoso daquele lugar apenas para si, o homem mais cobiçado pelos outros anjos caídos estava aos seus pés, e não fazia a mínima ideia do que fazer com aquela informação. Jeongguk sabia que também era especial no paraíso, precisava contar para Taehyung quem realmente ele era e o porquê de sua cerimônia de expulsão ser tão grandiosa, mas, ainda assim, era novo se relacionar com alguém que possuía tanto poder quanto si, e de uma beleza tão imensurável quanto a sua.

— Jeongguk, está tudo bem? — chamou Taehyung depois de um tempo, percebendo que o garoto estava levemente avoado e ainda continuava parado na mesma posição.

— Ahn… Está sim, eu só… — Ele balançou suas madeixas negras, retirando de uma vez a camisa preta do loiro e jogando-a em qualquer lugar do quarto, Taehyung não deu a mínima. Salivou ao ver o tronco acobreado completamente exposto para si, que ainda carregava o desenho de um espinheiro do ombro e desaparecia por entre as calças do Kim.

Jeongguk se questionou silenciosamente se realmente estava no inferno, pois aquela visão era um completo paraíso.

Porra — xingou ele em um sussurro, passando suas curtas unhas pela pele amorenada do mais velho mais uma vez. Queria arranhá-lo por completo, deixar todas as marcas do prazer que estava sentindo apenas o observando sem vestimenta. — Você é um gostoso de merda, Taehyung. Eu quero sentar em você até perder o movimento das pernas — disse Jeon alto a frase, de maneira totalmente perversa.

Taehyung riu do comentário, levando sua destra, que até então estava parada, até os fios negros e macios do garoto, enroscando-a ali e puxando com vontade.

Aproveitou a ousadia alheia para retirar a túnica branca que o garoto usava, procurando pelo zíper e o levando para baixo quando encontrou. Devido à largura da roupa, não fora nenhuma missão de outro mundo deixá-lo nu; diferente de si, Jeongguk realmente não usava pano algum nas partes íntimas e isso o deixou completamente exposto em questão de segundos.

Era fácil de perceber que a pele macia do anjo era sensível a alguns toques, inclusive àqueles que realmente tinham a intenção de deixar marcas de prazer. Era como um quadro em branco à espera de um artista que pudesse fazer uma arte digna, e Taehyung desejava mais que tudo ser esse artista.

Viu o membro completamente teso e úmido de pré-gozo do mais novo, desesperado por uma atenção que só ele podia dar.

— Tae, eu posso te chupar? — pediu Jeongguk manhoso, tocando seu próprio pênis ereto e gemendo alto com a sensação que aquele contato o proporcionou. Ansiava por ter as mãos grandes do demônio fazendo aquilo por si, mas também não desejava parecer desesperado por aquilo; no fundo, o Jeon de cabelos negros estava começando a despontar o orgulho novamente.

Os olhos vermelhos do loiro emitiram o brilho da luxúria enorme que estava sentindo enquanto observava a cintura fininha e definida a sua frente. Sabia convictamente que as suas mãos se encaixavam com perfeição ali, como se tivessem sido feitas exatamente com esse propósito, porém, só para se deleitar com aquele fato, ele posicionou cada uma de suas mãos naquela região do formoso corpo, apertando mais uma vez e se agraciando.

— Eu tenho uma ideia melhor, meu Jeonggukie. — Taehyung se levantou rapidamente e arrancou as calças e a roupa íntima do corpo sem nenhuma cerimônia, sendo observado curiosamente pelo mais novo, que o olhava sem entender o que ele estava planejando.

Seus olhos quase saltaram dos orbes quando notou o tamanho e a grossura do pau de Taehyung. Definitivamente ele era o cara mais gostoso do submundo inteiro, foi capaz de projetar várias cenas em sua cabeça que iria tratar de torná-las realidade.

O tatuado instruiu Jeongguk a ficar por cima de si e a empinar as nádegas em direção ao seu rosto de forma que ambos ficassem em lados opostos, numa posição que favoreceria a masturbação. Jeon seguiu as ordens sem pensar duas vezes, ansioso por poder sentir o gosto do Kim.

Taehyung segurou as duas bandas da bunda redondinha de Jeongguk, estapeando-as com força, deixando inúmeros apertões e marcas de seus dedos esguios ali, antes de separá-las e se agraciar com a visão do buraquinho pulsante do moreno. Sentiu seu membro fisgar de uma forma que lhe dizia exatamente o que queria.

Iria fodê-lo como nunca fodeu ninguém antes.

O Kim passou lentamente a língua quente e molhada na região estreita, sem piedade alguma do garoto, sentindo quando ele se contraiu em cima de si e soltou um grunhido arrastado por receber aquele toque novo.

— Você é tão apertado, Jeongguk. — Ele parou, por um segundo, o ato de explorar o ânus do mais novo, para comentar aquele fato. Deixou algumas mordidas agressivas na carne de Jeongguk, que naquele ponto só sabia gemer e implorar internamente para ser fodido deliciosamente pelo demônio. A marca da arcada dentária de Taehyung pôde ser vista ali, mas ele não deu muita importância e apenas voltou a usar a boca para beijar o orifício do moreno, dessa vez incluindo seu músculo quente e o dedo indicador, que deslizaram para dentro sem problema algum e sem nenhuma reclamação de dor.

— S-Sabe o que também é apertado, hyung? — disse Jeon com dificuldade, devido à libido que o fazia querer gemer em vez de falar. O tatuado de fios loiros teve espasmos ao ser chamado por aquele honorífico que não era usado no inferno, devido à falta da relevância que a idade possuía ali, no entanto, quase uivou de prazer quando sentiu seu pênis ser abrigado pela boca alheia, tão apertada e quente quanto o cuzinho de Jeongguk, que estava explorando minuciosamente com seu dígito, visando dar deleite ao anjo.

O moreno sugou com vontade o pau do Kim, movimentando-o firmemente para cima e para baixo, enquanto engolia com rapidez cada centímetro que sua boca garganta permitia, raspando levemente seus dentes na base e espalhando sua saliva por todo canto.

Acabou se engasgando quando o pênis tocou sua amígdala, então voltou a chupar a glande.

— Não seja guloso, Jeonggukie. — Taehyung o estapeou nas nádegas outra vez, observando o sangue se concentrar e formar a marca de sua destra ali. Aproveitou para segurar o pênis esquecido do garoto de olhos da cor de ônix e iniciar movimentos suaves, aumentando a sensação prazerosa. — Gula é um dos sete pecados.

Em razão à repreensão e a mais um dedo sendo inserido dentro si, que estavam em uma velocidade constante, o mais novo voltou a engolir todo o pau do mais velho com ganância, sugando com vontade e tremendo ao sentir Taehyung gemer enquanto devorava o seu buraquinho com a mesma vontade.

Jeongguk era teimoso, guloso e atrevido quando se tratava do Kim, apenas para fazê-lo lhe punir da forma que adorava.

Quando sentiu que iria desfalecer com aquele beijo grego, o moreno avisou ao loiro que estava perto do orgasmo, então Taehyung encerrou a masturbação para que pudessem chegar ao ápice somente depois de transarem de todas as maneiras possíveis.

Jeongguk se levantou e voltou a ficar de frente para o tatuado, observando o quanto ele estava duro e desorganizado, tendo os fios dourados emaranhados, os olhos vermelhos acesos como faróis e os lábios inchados. Por reparar no último detalhe, se dispôs a puxar a nuca do dito cujo e juntar necessitadamente as bocas novamente, sentindo a mistura das salivas e o próprio gosto virarem um só.

Embrenhou as línguas de maneira desajeitada, quase tendo um orgasmo quando seu próprio pau se chocou ao de Taehyung.

— Você pode cavalgar em mim, uh? — Mal deu tempo para o mais velho formular a pergunta corretamente e Jeongguk se levantou da cama rapidamente, notando o vidro do chão abafado e escorregadio devido ao calor absurdo que estava fazendo naquele cômodo.

— Ah-ahn… — Ele negou com a cabeça, caminhando de costas em direção à mesa de prata que estava no canto direito do quarto. Taehyung observou o movimento calado, segurando-se para não voltar a sentir o corpo do mais novo ao seu mais uma vez. Queria senti-lo para sempre e a todo momento. — Ainda não. Eu tenho uma ideia melhor, meu Taehyungie.

Jeongguk subiu cautelosamente sob a mesa, apoiando suas costas na parede e ficando de frente para o loiro; sabia que naquela posição estava exposto e provocando o mais velho.

— Vem aqui, hyung. — Ele levou sua destra até o pênis sensível, gemendo baixinho e arrastado com o toque. — Você precisa cuidar de mim, não acha?

Taehyung sorriu sedutor, usando suas asas negras para sobrevoar até o anjo.

— Sabe… Você é um garoto muito teimoso e atrevido, Jeon. — O Kim de fios loiros posicionou seu membro na entrada de Jeon, a qual havia sido preparada anteriormente, enquanto segurava a cintura delicada com a canhota do garoto que se remexeu ansioso. — E sabe que garotos desobedientes recebem punição, não é? — Taehyung o penetrou minimamente, colocando somente a sua glande e gemendo rouco junto ao mais novo.

— T-Tae-

— Mas você pode se redimir começando a se comportar, o que acha? — Ele apertou a banda esquerda da bunda redondinha de Jeongguk.

— Eu sou teimoso, hyung, e sei que você gosta disso. — O buraquinho apertado do moreno engoliu mais um pouco de Taehyung, que estava usando uma força sobrenatural para não jogar tudo para os ares e comê-lo como estava desejando há tempos.

— Acha que irá conseguir alcançar o seu propósito dessa forma, Jeonggukie? — perguntou o mais velho.

— Meu único propósito é que você me foda em todos os cantos desse inferno inteiro, que você me coma deliciosamente e me faça gemer a porra do seu nome para que todos possam ouvir e perceber o quão bem você me fode, e só a mim. — Os olhos de Taehyung se acenderam no mesmo momento em que Jeongguk terminou a fala, indicando que ele havia ficado completamente possesso de desejo. — Minha teimosia não irá interferir, porque é exatamente disso que você gosta, hyung, que eu te diga de forma manhosa o quanto eu desejo que você me coma em todas as posições possíveis.

— Jeon Jeongguk. — Taehyung levou a destra até o pescoço do dito cujo, onde segurou e apertou sem muita força enquanto introduzia ferozmente o seu pênis dentro do cuzinho do moreno. — É isso que você quer? — Ele saiu e entrou várias vezes em curto espaço tempo, com estocadas fundas e rápidas que provocaram sons altos e levavam Jeon ao paraíso novamente.

— Sim... T-Tae…. Hyung. — O anjo gemia loucamente devido às investidas que, no ritmo e intensidade que estavam, logo acertaram sua próstata e socaram-na sem piedade alguma. — M-Mais.

O Kim estapeou mais uma inúmera vez a bunda de Jeongguk, enquanto aumentava o ritmo das estocadas e ondulava o quadril para dar mais intensidade ao ato, como lhe foi pedido. Vendo o anjo revirar os seus olhos negros e apertar as duas almofadas com força, ele apenas ganhou mais desejo em saber que o anjo estava tão entregue a si.

Segurou o falo teso de Jeon e iniciou outra masturbação rápida, sem nunca parar de investir com vontade nele.

E, dessa forma, os minutos foram se passando, os gemidos escandalosos e os sons altos que indicavam o que estava fazendo podiam ser ouvidos além da porta que deveria isolar qualquer barulho. Os anjos caídos que estavam próximos se perguntavam quantas vezes mais iriam ser público das transas de Kim Taehyung, já que agora o demônio tatuado havia encerrado seu castigo de cem anos.

Provavelmente mais do que podiam contar

— T-Tae, acho que eu v-vou… — Jeongguk não foi capaz de terminar a frase, sentindo sua alma sair do corpo e chegar ao céu mais uma vez. O líquido branco jorrou com força, sujando cada pedacinho de seu abdômen e a destra de Taehyung, que não perdeu tempo em levar o sêmen até a boca e prová-lo como se fosse um doce.

— Você é delicioso, meu Jeonggukie — comentou o loiro malicioso, percebendo quando o garoto desabou em cima da prata lustrosa. Estava começando a sentir indícios de que iria chegar ao seu próprio clímax, então permaneceu fodendo Jeon na mesma intensidade que antes.

— Goza dentro de mim, hyung — conseguiu pedir ele, mesmo que ainda estivesse sob o efeito do primeiro orgasmo daquela noite, que estava sendo intensificado com as estocadas ritmadas. — Eu quero sentir a sua porra quente me preenchendo.

Como se controlasse o tempo em que seu ápice chegaria, Taehyung acabou realmente gozando dentro do buraquinho pulsante do mais novo, vendo estrelas e quase morrendo de tanta libido enquanto desacelerava a velocidade gradativamente até se retirar de dentro do moreno.

Apoiou suas duas mãos na mesa de prata e fechou seus olhos rubros, sentindo-se extasiado pelo efeito que aquela transa lhe proporcionou. Nunca havia se sentido daquela forma, totalmente entregue ao prazer; ninguém nunca havia lhe satisfeito cem por cento, mas Jeongguk conseguiu sem esforço algum.

O tatuado segurou o corpo molenga do mais novo e caminhou até a cama, já que estava quase sem forças para usar as asas. Jogou no chão o as outras roupas que estavam em cima da mobília, apagou a luz do lustre de cristal, escurecendo mais ainda o quarto, e também se deitou, percebendo a cama macia lhe sugar a tensão e lhe renovar as energias.

— Taehyung? — Ouviu a voz melodiosa o chamar com curiosidade, então levou a mão para a cintura dele, respondendo silenciosamente. — Vem mais para cá. — Jeongguk o puxou para mais perto, sentindo o demônio se aconchegar melhor em seu pescoço e o abraçar com mais precisão. — Eu tenho que te contar uma coisa.

— Pode contar. — Ele lhe beijou no maxilar.

— Bom… — Jeongguk retirou o cabelo grandinho que estava em seu rosto, olhando calmamente para os olhos vermelhos Taehyung. — Você sabe que depois de um milhão de anos, um anjo é substituído por outro para que possa descansar pela eternidade, não é? — O Kim concordou com a cabeça. — Eu fui escolhido para ser o sucessor do anjo Miguel, mesmo com pouco tempo de experiência nas terras celestiais, então minha importância no paraíso era enorme. Por isso toda aquela cerimônia de expulsão.

— Anjo Miguel… — Taehyung arregalou seus olhos vermelhos, um pouco surpreso. O anjo Miguel estava em um dos cargos mais importante de todo o céu, assim como o próprio Kim era de enorme relevância no inferno, e Lúcifer odiava que apenas pronunciassem aquele nome. Certamente iria repudiar a relação do loiro; e o tatuado não podia ligar menos. — Você é mesmo muito especial, Jeonggukie — comentou ele alegre, voltando a colar os lábios no pescoço alheio.

— Eu gosto da ideia. Um sucessor do anjo Miguel e um dos nove demônios se entendendo tão bem como nós dois; se entregando um ao outro, dando prazer um ao outro. É louco… — Num movimento rápido, Jeongguk rolou para cima de Taehyung, apoiando suas duas mãos ao lado da cabeça de fios dourados do Kim. — Mas muito bom. — Sua voz doce se tornou sexy como da água para o vinho.

Taehyung voltou a segurar a cintura fina do garoto, apertando e começando a sentir novos indícios de tesão.

— Agora, sim, eu posso cavalgar, hyung.


[...]


Tenso.

Era a palavra capaz de explicar exatamente o estado em que Jimin se encontrava, sentado sob o sofá de veludo vermelho, olhando para as paredes brancas que lembravam um hospício e evitando qualquer contato visual com o dono daquela sala devido à timidez controlada que estava sentindo.

No caminho para o sexto círculo do inferno, o Cemitério de Fogo, o loiro pôde ver outros inúmeros anjos caídos que estavam pagando pelos seus pecados da devida forma, sendo sepultados e queimados dentro de túmulos abertos que possuíam uma profundidade consideravelmente grande. De início, o Park pensou que aquele seria seu destino dali para frente, carbonizar em chamas; imaginou que o demônio que lhe acompanhava iria simplesmente abrir uma cova naquela área e o jogar imediatamente, sem nenhuma piedade. Porém, Min Yoongi apenas o guiou até aquela sala branca, dizendo para si que era comandante do sexto círculo inteiro e, logo, precisava de um lugar confortável para manter tudo em ordem.

Jimin não questionou mais nada, no entanto, ainda estava pensativo se iria ter de receber aquele castigo ou não.

Podia ouvir o barulho da caneta sendo usada constantemente para assinar a pilha de papéis, os suspiros longos e profundos que o grande líder do Cemitério de Fogo soltava e, entediantemente, os ritmos com que seus dedos batiam no braço do sofá.

Queria acabar com aquele silêncio.

— Você pode apenas relaxar, sabe disso, não é? — O anjo levou um baita susto quando ouviu a voz perto de si, dizendo quatro palavras que pareciam responder perfeitamente aos seus pensamentos anteriores. Viu Yoongi sentado em seu lado oposto, observando-o com um olhar escuro e inexpressivo. Há um segundo, o acinzentado estava atrás de sua grande mesa de ouro, vasculhando alguns papéis que Jimin não fazia ideia do que se tratavam, então concluiu que o demônio havia usado suas asas rubras para se locomover com tanta rapidez; sentiu falta de suas próprias asas, já que as havia perdido há pouco tempo.

— Não tem como relaxar — respondeu ele, mirando o rosto bonito do garoto pálido. Não precisava analisar muito para perceber que, assim como Taehyung, Yoongi possuía uma beleza quase surreal. Perguntou silenciosamente a si mesmo se os outros sete demônios responsáveis pelos demais círculos eram tão formosos quanto os dois que havia conhecido. — Eu estou na escuridão da ignorância, não sei o que irá acontecer comigo, por que estou nessa sala ou até mesmo por que ainda não abriu um túmulo para mim.

— Por que eu abriria um túmulo para você? — questionou Yoongi, observando minuciosamente Jimin cruzar os seus braços e o olhar como se implorasse por respostas. Ele podia ver um pouco de sangue na lateral da nuca do loiro; por um breve momento, pensou em perguntar, mas talvez fosse melhor esperá-lo responder sua própria pergunta.

— Porque eu sou um anjo caído, deveria receber a punição como todos os outros. Não acha?

— E você deseja ser punido? — perguntou mais uma vez o demônio de asas vermelhas, mantendo seu olhar indecifrável, porém abrindo um pequeno sorriso devido à pergunta que poderia ser interpretada de outra forma.

— Não — disse o loiro, vago, não era difícil responder aquilo. — Ninguém quer.

— Eu lhe disse que não iria fazer nada que você não concordasse, sou um homem de palavra. Se não quer receber a punição, não receberá — contou Yoongi, espreguiçando-se de forma cansada na mobília.

As fichas informativas dos dois novos anjos caídos ainda não haviam chegado em suas mãos, portanto não sabia nada sobre Jimin, além do que podia perceber a olho nu. Notava que ele era um pouco tímido, mas tinha a noção de que era por conta da falta de intimidade, já que o loiro não parecia acanhado com Jeon Jeongguk.

— Jimin, desculpe-me a pergunta, mas como você morreu?

— Acidente de carro, um trágico acidente de carro. — Ele não pareceu tenso por tocar naquele assunto. A morte de Yoongi também fora deveras trágica, ainda com seus vinte e dois anos, ele havia colocado fogo em seu apartamento e, dessa forma, veio a carbonizar e falecer. — Eu e Jeongguk morremos juntos, estávamos indo para uma festa.

— Você e… Jeongguk? — questionou Yoongi e o loiro concordou com a cabeça. — Vocês tinham algo?

— O quê?! — O Park franziu as sobrancelhas com indignação ao ouvir o absurdo. — Claro que não, nós sempre fomos somente amigos. — Após a resposta, um silêncio perdurou pela sala por alguns instantes. O Min não possuía mais questões para fazer, por isso apenas se calou. — Então, o que eu irei fazer aqui? — Jimin formulou mais uma pergunta.

— Você pode me ajudar a manter esse lugar organizado e nos eixos, até poder ir para os outros círculos e depois para o purgatório — sugeriu o acinzentado, simples.

— Esses privilégios são para todos os que chegam aqui ou….

— Você é o primeiro — contou Yoongi rapidamente, sem hesitar a reação alheia. Não queria dizer que havia feito aquilo por se sentir diferente quando o viu, mas também não desejava que o garoto pensasse que estava apenas sendo atraído e usado como um qualquer, pois não estava.

— E… há algum motivo para isso? — indagou Jimin, usando seu resquício de coragem para se aproximar um pouco do mais velho.

— Nenhum em específico, eu só… — O de fios pratas parou de falar quando percebeu a aproximação repentina que separava ambos por poucos centímetros. O Park lhe olhava profundamente nos olhos, como se pudesse descobrir com facilidade o que ele estava sentindo ou planejando; e isso fez uma mínima preocupação surgir em si, já que, diferente de Taehyung, Yoongi não costumava deixar seus desejos óbvios.

Jimin era tão formoso.

Os lábios carnudos, os olhos definidos e as bochechas macias fizeram o demônio se perder em sua própria cabeça por alguns segundos. Desceu seus olhos cautelosamente para clavícula do garoto, tentando ignorar o sangue que podia ver devido a sua maldição, cada detalhe do Park lhe deixava mais encantado.

— Você só...? — O anjo o incentivou a continuar, tirando-o de seu pequeno transe.

— Ah, eu só…. — Yoongi olhou para baixo, um pouco constrangido. Qualquer um dos anjos ou demônios que habitavam o inferno seria incapaz de reconhecê-lo naquele momento. Ninguém diria que aquele era o líder do sexto círculo do inferno, o cara que fazia surgir túmulos de fogo com apenas um estalar de dedos e que podia enxergar sangue em qualquer lugar por qual passasse. Naquela sala, sentado no mesmo sofá que o anjo de fios claros, Yoongi parecia apenas um garoto inofensivo, sem intenções maldosas ou cruéis. — Eu não tenho uma resposta concreta para essa pergunta, me desculpe.

— Pare de se desculpar, talvez… essa seja a resposta concreta. — De repente, Jimin puxou a nuca do acinzentado e colou seus lábios com calma, fazendo-o dar um pequeno sobressalto para trás. A textura era tão macia quanto campos de algodão, que lhe tocava gentilmente com o máximo de cuidado possível; poderia dizer que a doçura se comparava ao chocolate mais açucarado e saboroso do mundo, mas essa descrição não seria capaz de explicar aqueles lábios, nada seria capaz.

O Min não se afastou, mas, devido ao choque, permaneceu imóvel durante o contato raso que perdurou por alguns instantes, e isso fez o loiro se afastar com insegurança no olhar.

Pensou que deveria ter perguntado antes de simplesmente o beijar, ou ao menos analisar com mais atenção se aquele era realmente o desejo do demônio, se ele estava lhe enxergando daquela forma.

— Me… desculpe, eu-

Fora o próprio Yoongi quem o impediu de continuar com o pedido de perdão, segurando delicadamente em sua nuca e o trazendo para outro beijo doce, que, dessa vez, ganhou uma intensidade bem melhor.

Jimin almejou derreter quando sentiu a língua quente do Min se enlaçar à sua, como se conhecessem uma a outra há anos; quando notou as mãos delicadas se perderem por seus fios loiros e fazerem moradia ali por um bom tempo.

Não estava pensando em mais nada quando levou suas próprias mãos para o peitoral coberto do demônio, onde dedilhou e explorou aquela região às cegas, sem parar por nenhum momento o ósculo intenso que trocavam. Não estava martirizando-se com o que aconteceria dali para frente, ou com o que não aconteceria, só desejava sentir os lábios de pêssegos de Yoongi para sempre.

— Aqui há algumas regras para você que precisa saber — disse o moreno, baixo, com os olhos fechados, enquanto apoiava sua testa na semelhante de Jimin.

— Regras para mim? — Não iria verbalizar, mas estava se sentindo exclusivo. Era o primeiro a não receber a punição corretamente do demônio da heresia, e agora também existiam regras apenas para si. Insanidade ou não, estava gostando daquilo.

— A primeira: nunca peça desculpas por me beijar quando sabe que esse é exatamente o meu desejo.

— Mas-

E mais uma vez o loiro fora silenciado por outro beijo, que lhe faria perder o ar caso tivesse.

— Segunda regra: no mínimo cinco beijos, um é tortura. — Jimin gargalhou enquanto percebia seus olhinhos se fecharem gradativamente.

— Por favor, não me diga que existe um limite para isso.

— Não existem limitações para as coisas que eu gosto — disse Yoongi simples, estava longe de cogitar limitar os beijos entre ele e o anjo caído de fios dourados.

— Isso é ótimo, ainda bem que nós não precisamos de fôlego.

E dessa forma, voltaram a se entregar um para outro através daquele contato íntimo demais. Era imaturo, perigoso, insensato, mas os dois não estavam com um fio de preocupação perante todos os julgamentos e rótulos do que era certo ou errado;

Queriam apenas sentir um ao outro e aproveitar a intensidade do momento.

[...]

Todos os nove demônios presentes naquela sala permaneciam inexpressivos enquanto aguardavam pacientemente a chegada do soberano de todo o inferno, quem havia os convocado para uma reunião imediata na sala Judeca. O chão congelado era composto por inúmeros e inúmeros anjos caídos, que estavam submersos e pagando por seus pecados de traição. Eles podiam enxergar, raciocinar e talvez ouvir, já que estavam conscientes, mas não podiam se mexer ou falar, estavam congelados.

A imagem era perturbadora para qualquer um que visse, exceto para demônios; e por esse motivo nenhum deles pareciam se importar com o que acontecia abaixo de seus pés.

Nenhuma das punições impostas no inferno causava qualquer efeito de comoção nas criaturas temidas do submundo, fosse mais leve, como viver na completa escuridão, ou tão cruel quanto ferver na lava e ser picado milhões de vezes por cobras. Não importava, não sentiam pena alguma por quem havia feito mal e escolhido o inferno; por vezes existiam pequenas exceções, mas era algo raro.

Lee Minho, sentando na primeira cadeira do lado esquerdo da grande mesa de ouro, permanecia calado e imóvel. Ele usava uma faixa de cetim preta com o objetivo cobrir seus olhos, que já não possuíam mais valor algum. Para poder receber a liderança do Limbo, o primeiro círculo do inferno, Minho teve que horrivelmente arrancar os seus olhos e aceitar ser condenado a eterna escuridão, dessa forma representando o local no qual aqueles que não se batizaram em vida eram fadados a permanecer.

Taehyung nunca havia trocado palavras com ele, não fazia muita questão.

— Eu espero que seja algo importante, estou em horário de alimentação — fora Oh Sehun a dizer. O homem de cabelos negros era responsável por Lago da Lama, terceiro círculo do inferno, onde eram condenadas as pessoas que viveram e praticaram a gula. Estava sentado ao lado esquerdo do Kim de cabelos dourados, enquanto devorava cem pratos de comidas diferentes, sem modos e controle algum, parecendo desesperado e esfomeado como ninguém nunca esteve.

— E quando exatamente você não está em horário de alimentação? — A mulher de cabelos curtos ergueu as sobrancelhas, debochada, enquanto, assustadoramente, passava a língua sobre uma adaga de prata afiada, fazendo sangue escorrer do músculo vermelho e sujar a mesa de ouro.

Jo Yiseo, líder do sétimo círculo, onde a violência interminável reinava para sempre, Vale do Flegetonte. Apesar da aparência elegante e inofensiva, ela era o demônio que mais surtia temor naquela sala, claro, depois do Kim. Não havia um resquício de piedade em si, Yiseo era psicopata, sociopata, suicida e todos os outros derivados. Sentava-se de frente para o tatuado, no lado direito da mesa.

— Sinceramente, como ainda não explodiu de tanto comer? Parece até um porco.

— Isso não é da sua conta, Seo-ah — alfinetou Sehun de volta. — Como ainda está inteira cortando cada parte do seu corpo? Quer ficar parecida com um boneco de pano costurado?

— Seu desgraçado! — Yiseo bateu com força sua mão na mesa. — Sabe que posso enfiar essa adaga cem vezes em você agora mesmo, não é?

A resposta não fora com palavras, mas sim palmas e gargalhadas altas que ecoaram por toda sala, fazendo até mesmo Minho virar a cabeça em direção ao som.

— Sua ira me inspira, Jo Yiseo. — Jung Hoseok, ira era sua palavra favorita em toda a galáxia. Ele se sentia vivo quando presenciava uma cena de violência ou até mesmo diálogos banhados em ódio, aquele sentimento era seu alimento; e por isso escolheu Lúcifer como seu soberano, o pai de toda ira; em razão disso, foi promovido ao Rio Estigé, quinto círculo do inferno, fazendo total jus à raiva que borbulhava em todos os seres existentes. Com seus cabelos vermelhos como fogo, o Jung era capaz de fazer qualquer um perder a noção e ser cegado pela ira.

— Oras, seu-

— Já chega! Não fomos chamados aqui para brincar de adolescentes com hormônios à flor da pele. Enquanto não calarem a boca e não manterem respeito, Lúcifer não dirá nada — gritou Kim Seokjin, fazendo todos os sete demônios abaixarem a cabeça e se calarem; sete, pois Taehyung permaneceu com seu semblante comum, não demonstrando medo perante a fala. Jo Yiseo se sentou novamente e guardou adaga no bolso. — Eu ainda tenho muitas coisas a resolver nas Colinas de Rocha — finalizou ele, voltando a dedilhar a pilha de moedas, colares caros e pedras preciosas que jazia sobre a mobília de ouro.

Colinas de Rocha era o quarto círculo do inferno, lugar onde a ganância estava acima de tudo e de todos. Seokjin era o líder perfeito para isso, além de ser o demônio mais antigo e com uma parcela significativa de influência.

O lado esquerdo da mesa era ocupado, respectivamente, por Lee Minho, Kim Taehyung, Oh Sehun, Kim Seokjin e Jung Hoseok. Já no lado direito estavam Min Yoongi, Jo Yiseo, Kan Seulgi, líder do oitavo círculo do inferno, lugar onde os fraudadores e enganadores eram designados, e, por último, Kim Chunga, a mulher responsável pelo último círculo, Lago Cocite, o círculo da traição.

Realmente estavam todos presentes.

— Kim Seokjin fez uma boa ação interrompendo essa discussão extremamente tola — comentou Taehyung, abrindo a boca pela primeira vez desde que entrou por aquela porta. Direcionou seus olhos rubros e brilhantes para os três que estavam arrumando confusão e estresse na sala Judeca, notando quando todos os três baixaram ainda mais a cabeça e engoliram em seco. — Eu iria usar Tridente de Chamas para os transformar em cinzas.

"Meus nove fiéis comandantes do inferno, é um prazer revê-los após tantos anos."

Todos os demônios ouviram a voz monstruosa soar pela sala, indicando que Lúcifer pretendia começar aquela reunião o quanto antes.

Taehyung nunca havia o visto pelo simples fato de que o soberano das trevas não possuía uma forma concreta. Não era um ser humano, um animal ou um monstro; Lúcifer não era nada material, nada físico, era apenas uma voz que exercia poder e temor sobre cada canto do inferno, uma voz que possuía o poder de causar toda uma destruição.

Poder era algo muito prazeroso, porém perigoso no mesmo patamar. Não importava quem era, até mesmo a pessoa mais humilde de toda a existência se transformaria em um piscar de olhos caso recebesse poder. Quanto mais se tinha, mais desejava; aquele direito de deliberar, agir e mandar em tudo, se apoderava de cada artéria presente em alguém que possuía capacidade de raciocinar.

O poder ligava todos os sentimentos e, logo, todos os nove círculos do inferno. Descrença; luxúria; gula; ganância; ira; heresia; violência; fraude e traição, todos tinham algo em comum, domínio e autoridade.

A partir de toda essa reflexão, no inferno, estava acima de tudo e de todos quem mais possuía poder e influência.

Ninguém menos que Lúcifer, o próprio Satanás.

"Vocês cresceram tanto, estão exatamente do jeito que eu sempre planejei."

Taehyung revirou os olhos.

"Eu tenho muita coisa para fazer, assim como vocês também. Estou de olho em cada ação feita nesse lugar. Não vou tomar muito tempo. O motivo dessa reunião é simples: o período chegou ao fim, não resta mais nenhum grão de areia no lado de cima da ampulheta."

Todos ficaram tensos de repente enquanto olhavam para o Kim de cabelos dourados, que possuía um ponto de interrogação em seu semblante. Não estava entendendo onde Lúcifer queria chegar com aquilo.

— Que porra está acontecendo aq-

"Querido Taehyung, essa reunião está sendo realizada em prol de lhe esclarecer toda a verdade. O motivo por você ser o demônio com mais poder e prestígio; a razão por qual eu lhe dei tudo isso."

Nenhum dos demais demônios pareceu surpreso ao ouvir aquilo, o que fez o loiro concluir que era o único alienado sobre o assunto.

Não gostou daquilo.

— Pelo que vejo todos vocês já estão a par, não é mesm-

"Kim Taehyung, você é meu único filho legítimo."

— Como é que é?! — Seus olhos vermelhos se arregalaram o máximo que podiam, se o demônio tivesse um coração dentro de si para bombear sangue, certamente ele pararia de funcionar no mesmo momento.

O Kim tatuado sempre acreditou que era o único demônio a não ser filho legítimo de Lúcifer, por isso seu cargo e importância no inferno era uma incógnita para todos. Saber que além de ser filho legítimo de Lúcifer também era o único lhe dava certo receio, não sabia se desejava aquilo. Taehyung conheceu e amou incondicionalmente sua doce mãe enquanto estava vivo, nunca sequer imaginou que ela havia se metido com aquele tipo de coisa; queria poder voltar no tempo e perguntá-la o porquê.

"Saeyong era uma mulher encantadora, pura e qualquer um que a visse diria que era a criatura mais perfeita do mundo. Ela realmente poderia ser, no entanto houve uma falha que a fez cometer a maior loucura de sua vida. Infertilidade. Todos os dias, ela chorava por não conseguia gerar um filho, eu enxergava sua dor e desespero, desejos fracassados de ser uma mãe. Para sua última esperança, eu resolvi ajudá-la. Concebi-lhe, o garoto mais belo que já pisou na Terra, o pequeno Kim Taehyung que amava coisas de criança durante a infância, mas que conheceu e se apaixonou pelo pecado carnal na adolescência, a luxúria."

Quis vomitar.

Ele havia se aproveitado da dor de uma mulher para benefício próprio, como era de se esperar; era nojento.

"Em troca, após a morte, você seria meu maior servo e o demônio mais influente de todo o inferno. Meus planos saíram exatamente como imaginei, isso é incrível."

— Que inferno! — O loiro cuspiu, fazendo os demais rirem do sentido literal da palavra. — E os outros demônios? São filhos do vento? Fez uni-duni-tê para escolhê-los?

"Eles eram pessoas normais como as outras, eu apenas vi a capacidade de liderança em cada um. Todos aqui são responsáveis e possuem características de seus respectivos círculos, posso substituí-los a qualquer momento, assim como posso te substituir. Mas não faz parte dos meus planos, então, em comemoração a esse grande sucesso, não lhe punirei devido a estar começando a desenvolver sentimentos por aquele garoto. Ele é sucessor de Miguel, não é?"

Taehyung cerrou os olhos, incomodado por seu — agora — pai estar citando Jeongguk, não tinha boas intuições sobre aquilo; afinal, nada em que o diabo fosse remetente resultava em boas reações.

— Deixe Jeongguk em paz! — rosnou ele tomado por ódio.

"Não farei nada a ele, garoto. Apenas não me culpe se acabar machucado nessa história, Jeon pretende ter outra chance de ser salvo, diferente de você, que não pode e nem quer voltar a viver no paraíso. Um dos dois acabará de coração partido com essa partida", debochou. "E pela primeira vez, eu presumo que seja você, Taehyung."

— Mais alguma coisa, papai? — soltou o tatuado cheio de sarcasmo, segurando seu tridente com firmeza e se levantando da cadeira pouco confortável. Não queria permanecer ali por mais nenhum segundo, não queria ouvir Lúcifer falar sobre sua mãe ou Jeongguk, fazia seu sangue ferver.

Por mais que a escolha errada tenha sido de sua genitora, não a culpava, a mulher havia sido irresponsável e isso ninguém poderia mudar, mas Satanás era o único com intenções sujas e aproveitadoras de toda aquela história; ele, sim, merecia ser culpado eternamente.

"Não, meu querido filho. Pode ir, essa reunião está encerrada. Espero que continuem obedecendo Taehyung."

Apesar de ter toda a dominância e influência, Taehyung não usava disso para simplesmente mandar em todos os seres do inferno sem nenhum motivo. Não era desrespeitoso ou dava ordens extremas para aqueles que não faziam o mal, já os que adoravam e faziam o mal por pura diversão sentiam o poder do Kim.

Era contraditório para um demônio, mas o tatuado não dava a mínima.

Afinal, ele era quem fazia as regras.

Quando finalmente saiu da sala Judeca, o loiro caminhou até um corredor mais afastado e solitário daquela área, visando pensar sobre o que fazer com aquela informação horrível que havia recebido. Não prestou muita atenção no ambiente, mas pôde notar as paredes brancas como as de um hospício.

Ser o único filho legítimo de Lúcifer não mudaria absolutamente nada no comum. Continuaria sendo temido por todas as criaturas, infernais e até mesmo celestiais; seu poder não se tornaria maior ou menor por descobrir aquele fato; Tridente de Chamas continuaria sendo seu. Nada fora do lugar, porém agora iria fazer e possuir coisas tendo a consciência do porquê; sabendo o motivo da permissão para aquilo.

No fundo, saber ou não saber não fazia a menor diferença para si.

— Com o que está preocupado, V hyung? — Taehyung ouviu a pergunta repentina, encontrando Jeongguk parado à sua frente com o semblante sacana de sempre. Sequer percebeu o momento em que ele havia chegado, porém arregalou os seus olhos rubros.

— O que está fazendo aqui!? Sabe que é proibido — tentou argumentar com o mais novo, no entanto a única reação que recebeu fui um sorriso sagaz e um empurrão fraco contra a parede, seguido por uma aproximação perigosa.

— Nós dois sabemos que proibido é a nossa palavra favorita.

Jeongguk estava tão confiante e decidido que parecia outra pessoa, uma versão melhor de si mesmo, muito diferente de quando chegou ao inferno. Não possuía mais medo em seus olhos escuros, não estava assustado com possíveis consequências, punições e nem mesmo Lúcifer; o tempo lhe fez bem.

Suas novas asas já haviam surgido, tão lindas e tão peculiares que ninguém seria capaz de confundi-lo. Ao invés de se limitarem ao vermelho ou preto, como o padrão, elas haviam nascido douradas, assemelhando-se à ouro puro, os detalhes e formatos das penas davam inveja em qualquer um. Jeongguk havia cortado os cabelos negros — fato que, no começo, fez Taehyung lhe puxar a orelha — e usava a parte esquerda para trás, o que dava a ilusão de que ele havia raspado aquela parte. O garoto também decidiu fazer tatuagens pelo corpo e colocar argolas; e sua túnica havia se transformado em roupas de couro preto.

Ele estava tão lindo que o loiro poderia simplesmente passar a eternidade inteira lhe observando e admirando.

— Você é muito insolente, sabia? — Taehyung o puxou pela cintura, colando os corpos com uma velocidade de dar inveja. Por mais que os dias estivessem passando rápido, a sensação de ter o garoto em seus braços não havia mudado, sempre era como da primeira vez. O desejo um pelo outro só aumentava conforme a eternidade se esvaía de seu modo veloz. — Algum motivo específico por estar aqui?

— Nenhum… — O mais novo transformou seu semblante arteiro em inocente com o propósito de persuadir o loiro. — Talvez dar um passeio com o único filho legítimo de Lúcifer, que só tem olhos para mim — respondeu o anjo, gabando-se pela última frase e selando brevemente os próprios lábios aos do demônio, como habitualmente fazia há algum tempo.

— Você escutou tudo — concluiu o Kim. Jeongguk conseguia ser ainda mais rebelde e teimoso que si, se ele realmente estava almejando ser perdoado e voltar a habitar no céu outra vez, estava disfarçando o desejo com maestria.

— Do começo ao fim. Eu fiquei um pouco surpreso, você é literalmente o ser mais importante no inferno depois de… seu pai. Não quero que fique matutando sobre minha decisão de voltar ao paraíso, ainda há um tempo muito longo para nós dois. Ele apenas quer lhe tirar a paciência. — Jeon tentou tranquilizá-lo, embora Taehyung não estivesse realmente muito preocupado com aquilo. Não possuía apenas cinco anos no inferno para agir como um ser humano fútil e dramático, possuía longos seiscentos milênios de existência e aprendizagem no submundo; ele sabia muito bem respeitar decisões e escolhas alheias, não seria diferente desta vez.

— Está tudo bem, eu não estou matutando sobre isso. Ainda é muito cedo para debatermos sua purificação e volta ao céu. Para onde quer ir? — questionou, segurando com mais firmeza o tridente em sua mão dominante.

— Rio Estigé, ainda não fomos até lá — disse Jeongguk confiante sobre sua escolha. Junto com Jimin, havia estudado e lido sobre Jung Hoseok no tempo livre em que não precisava cumprir deveres no segundo círculo, já que também não era fadado a cumprir a punição; desejava conhecer o demônio da ira. — E depois eu quero visitar o mundo dos humanos mais uma vez, sei que eles não podem nos ver, mas seria interessante.

— Você é… ambicioso e corajoso, meu anjo. Hoseok não costuma ser alguém muito gentil — alertou Taehyung. O temperamento do demônio do quinto círculo não tendia a ser muito estável.

— É o que veremos, ninguém resiste ao meu charme.

O tatuado mais velho conjurou as palavras ao Tridente de Chamas, que obedeceu imediatamente aos comandos e, pelo dente de ouro, abriu um portal de chamas direto para o Rio Estigé, o círculo da ira.

— Pronto? — O Kim estendeu a mão para Jeongguk, que prontamente aceitou. — Quantas vezes mais vamos entrar em portais em lugares aleatórios?

— Quantas vezes o tempo permitir, meu Taehyungie.

Deste modo, ambos adentraram o portal que Tridente de Chamas havia criado, desaparecendo por entre as chamas e rumando para mais uma de suas aventuras.

Ao final das contas, a queda que deveria trazer vergonha e dor para Jeon Jeongguk havia se transformado em uma oportunidade de aprendizado e um provável romance proibido.

Talvez, num futuro distante, o anjo de cabelos negros cogitasse a ideia de viver a eternidade no mundo das trevas, ao lado do único descendente legítimo de Lúcifer, comandante do círculo da luxúria e dono do Tridente de Chamas.

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Notas Finais: Quem amou? Kk

Espero que vocês tenham gostado, de verdade, e caso se sintam bem para deixar um comentários, eu agradeceria muito (eu fico toda bobinha lendo os comentários)

Até a próxima e taekook namora.

28 de Novembro de 2021 às 23:06 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

2Min Pjct Projeto de fanfics do shipp Yoonmin (Yoongi & Jimin) do grupo sul coreano BTS. Nos encontre também no Wattpad (https://www.wattpad.com/user/2MinPjct), Spirit (https://www.spiritfanfiction.com/perfil/suji05), ao3 (https://archiveofourown.org/users/2minpjct) e twitter.

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