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lslauri Liura Sanchez Lauri

Depois de matar Jean Grey, Logan se embrenhou nas matas canadenses durante seu momento de luto e, lá, ele teve uma revelação profunda sobre sua relação com a ruiva e sobre seus sentimentos quanto a Marie. ==== NOTA: as cores dos olhos dos personagens são as dos quadrinhos, ok? Apesar da trama pegar muitas referências dos filmes dos X-Men ====


Fanfiction Filmes Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#x-men #wolverine #jean-grey #vampira #marie
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Oneshot

Eu não sabia o motivo de sempre me perder naqueles olhos verdes... Quando pensei a ter visto pela primeira vez, numa espécie de escola pra esquisitões – como eu – eu não consegui disfarçar o quanto ela me cativou, aquelas duas esmeraldas...

As mesmas esmeraldas me disseram o quanto as garotas flertavam com os ‘bad boys’ mas acabavam se casando com os mocinhos, aquele balde de água fria!

E elas ainda estavam presentes, quando finquei minhas trincas em seu peito e o efeito Fênix desapareceu, deixando somente seu sorriso de gratidão pra mim. Como ela pôde?! Agradecer por eu ter matado ela?! Mas, foi aquilo que Ororo disse e ela também sabia: só eu seria capaz de fazer isso por ela, de conseguir chegar tão perto e, naquele momento, me sentir livre para declarar todo meu amor e fazer o que devia ser feito! Deus! Como eu me odiei naquele momento. Como eu TE odiei naquela hora! Se eu fosse religioso, ia questionar o motivo de tantas provações, mas eu não vou tão longe assim...

Embrenhado na floresta. De volta às minhas origens. Apesar do ambiente, eu não conseguia esquecer por um segundo o motivo de minha ida: estar longe da civilização, me afastar dos X-Men pra não precisar matar mais nenhum deles! Todos que eu me aproximo, acabam mortos... Ou por mim, ou pelos meus inimigos... E, naquela mansão, eu tinha muito a perder. – A imagem de Vampira assalta minha mente, obrigando a focar novamente no momento da morte de Jean Grey.

As noites na floresta eram encurtadas por pesadelos massivos, cheios de culpa. Será que não havia mais nenhuma ampola de soro espalhado por todo aquele chão? Eu não podia ter aproximado o mutante Sanguessuga dela? Matar era a única solução?...

Contudo, numa das noites, depois de precisar reforçar a construção da cabana para a neve que viria e tendo assistido um pôr-do-sol espetacular, os pesadelos deram uma trégua. Minha mente foi buscar alguma espécie de redenção, me mostrando uma imagem totalmente nova, desconhecida desta realidade mas, ainda assim, muito real em seu tempo.

Na década de 70, durante os experimentos da Arma X, houve um momento em que eu, dentro da cela onde estava, senti um cheiro tão adocicado quanto amêndoa, ouvi três vozes discutindo sobre o que havia dentro da prisão onde estava, se um animal ou um homem e ouvi sua doce voz afirmar: ‘não é um animal, é um homem, eles o transformaram em algum tipo de arma’. Em seguida, a porta se abriu e fiz o que sei fazer melhor, matei todos que cruzaram meu caminho, estava focado em encontrar o odor do Stryker e matar o calhorda também, mas eu o perdi, minutos depois de conseguir o rastro mais fresco até aquele momento, era alguma sala de comando! Estava com tanta raiva, ódio pra ser mais exato, não saber quem eu era, não ter lembranças boas em minha cabeça pra me guiar nesse momento de pura tensão.

Encontrei uma porta que dava pro exterior e antes de a abrir totalmente, senti o cheiro dela de novo. Me virei e, quando ia fazer uma chacina, algo quente invadiu minha mente, algo quase feito de fogo, era possível sentir seu calor, mas sem se queimar e foi quando senti sua voz dentro da minha cabeça, dizendo ‘posso te ajudar’.

Instintivamente, todo meu corpo se acalmou, recolhi minhas trincas, mas fiquei alerta. Aquilo tudo podia ser mais uma encenação para me prender e fazer outras coisas horríveis comigo. Foi quando seus olhos caíram sobre os meus, a primeira vez – de verdade – em que me perdi na imensidão verde da alma de Jean Grey, naquela época, uma jovem adulta. Ela poderia fazer de mim o que quisesse, poderia me pedir o que quisesse e eu teria feito tudo por ela, qualquer coisa, ao invés disso, ela me deu o maior presente desde que todo aquele inferno começou! Ela recuperou a lembrança do momento onde eu cortava lenha para o fogão da Rose e, junto com essa lembrança, várias pequenas se seguiram, preenchendo meus sentidos, me fazendo entender que nem tudo tinha sido só sofrimento e dor. Eu agora sabia um pouco da minha origem e podia tentar encontrar aquele lugar e as pessoas daquelas recordações! Agradeci com o olhar a ela, embriagado por seus olhos, tão parecidos com as florestas que eu tanto amo e parti, sem olhar para trás! Meu cérebro, depois de tantos anos, me deu de presente essa memória, a memória do primeiro encontro entre a Arma X e Jean Grey...

Claro, na época eu não sabia que quase um século havia passado e todas aquelas pessoas estavam mortas! Mas de algumas coisas eu sabia, graças a ela: meu nome era Logan e eu era um mutante. Depois disso, estive entre lobos, vagando antes de topar com a Tropa Alfa, por alguns anos; saí por não concordar em ser manipulado pelos políticos engravatados e acabei indo de bar em bar, arrumando briga por dinheiro e, algumas vezes, até sem ganhar nada por isso, hehe. Fato é que não me sentia parte de nada e o crescente pavor pelos mutantes só aumentava minha ira pela raça humana... Até que naquele último bar, antes de conhecer os X-Men, conheci a Vampira.

Acordei desse sonho, se é que posso chamar assim, com a nítida sensação do quanto aquelas esmeraldas, de todas elas, Rose, Jean e Vampira, me guiaram até o momento atual. E, antes delas, o verde das florestas, sempre presente em minha vida. Ainda estou sonolento, mas com uma sensação tão boa dentro de mim, como se o verde das florestas fosse a continuidade daquelas que se foram e a presença daquela ainda tão viva em mim.

Não esqueço o modo como Vampira descreveu o fato de me sentir dentro dela, enquanto discutíamos se ela daria uma chance pro pessoal da mansão... Eu queria muito ter me perdido naquelas esmeraldas aquela hora, mas pensei no problemão que isso seria pra ela, porque eu podia entrar em coma na frente daqueles humanos, dentro do trem. Simplesmente a abracei e, então, Magneto chegou e a raptou, sem que pudesse cumprir minha recente promessa de não deixar nada de ruim acontecer à guria...

Eu podia ter perdido a Rose, podia estar ainda em luto pela Jean, mas a Vampira estava viva! A última vez que a vi, dei um conselho de amigo: ‘se quiser buscar a cura mutante, faça isso por você e não por algum garoto’, eu não a impedi, e agora sei que foi pelo imenso desejo interno de conseguir tocar ela!

Lá fora ainda estava escuro, a Natureza ainda dormia, mas eu não quis esperar pela manhã. Sai correndo até a van, rumo ao Instituto Xavier para Jovens Superdotados e cheguei nele logo no horário do café da manhã. Entrei furtivamente, conhecia todos os pontos de vigilância do lugar. Vi vários rostos, senti muitos cheiros, mas não tive a recepção que esperava, Marie não estava ali para me encontrar...

Quando senti o cheiro do Bob, corri até ele e, quando os estudantes deram conta de mim, se assustaram pela minha aparência tão selvagem. Eu, realmente, não estava no melhor dos meus dias.

- Cadê a Vampira, guri?! – perguntei entredentes.

- Logan! Você voltou! Uau, bom te ver também... – ele respondeu, debochado.

- Não vem com papinho pra cima de mim, cadê a guria? Eu não sinto o cheiro dela, Bob!... – reclamei, mais pra mim mesmo...

- É porque ela não está na mansão, Logan. Desde que você desapareceu, ela tem estado a sua procura, vacilão... – ele disse, enquanto seu punho ficava com cor de gelo e, antes que eu pudesse adivinhar, um soco bem dado me acertou na mandíbula.

Os estudantes saíram correndo, assustados, da cozinha. Enquanto eu percebia, pela cara de dor do garoto, o soco tinha doido mais nele do que em mim.

- Que porra, Logan! Depois que voltou da cidade, ela estava sem os poderes. Eu disse que não devia ter feito aquilo, que eu não queria aquilo... Ela respondeu que não tinha feito por mim e me beijou. – ele explicava, enquanto massageava a mão, já de carne e osso – E depois terminou nosso namoro! Perguntou de você em seguida e eu, muito enciumado, comentei da sua fuga por ter matado a Jean. – rosnei do modo trivial como ele falou aquilo. Como se fosse algum tipo de vingança, com ênfase no “matado”. Depois disso ele se encolheu, pediu trégua. – Eu errei, ok? Peço desculpas... Mas não pensei que ela fosse tão decidida atrás de você! Eu só queria que ele desistisse... bom, de você... pra ficar comigo.

- Acontece que essas coisas a gente não controla, né, guri? A reação das pessoas é uma coisa individual... Faz tempo que ela partiu?

- Faz sim, eu nunca a vi tão decidida sobre alguma coisa – o Homem de Gelo comentou, vencido.

- E tu não foi atrás dela porque, moleque? Agora ela tá indefesa, cê não se importou?

Ele não respondeu verbalmente, sacudiu a cabeça enquanto a abaixava, de vergonha. Grunhi alto, fazendo ele olhar pra mim e soltei:

- Se algo aconteceu com ela, eu vou voltar, ok? Por isso, acho bom cê rezar... – e sai antes de ter uma resposta ou desculpa qualquer. Corri na direção do Labmed, se alguém podia me ajudar, essa pessoa era o Hank.

Encontrei o ‘bola de pelos’ entretido com algum livro, pendurado pelos pés a uma barra do teto. Estava de costas pra porta, mas nem por isso demorou pra reconhecer meu cheiro:

- Minha Santa Aquerupita, Logan! Por onde você tem andado não tem chuveiro, meu caro?

Era a primeira vez em meses que tinha alguma superfície reflexiva pra me olhar e, realmente, entendi o motivo dos olhares dos estudantes na cozinha:

- Tô tomando banho de rio, Hank. Por lá não tem desodorante não...

E foi então que ele se desprendeu do teto, fechou o livro e me encarou:

- Como está, meu amigo? Em que posso ajudar?

Era isso que eu curtia no azulão. Ele nunca julgava – a não ser pelo meu cheiro – e estava sempre pronto a ajudar:

- Ainda tô de luto, mas percebi que tem algumas coisas, e pessoas, na vida pelas quais vale a pena voltar pra sociedade, Hank... Preciso saber se tem algum telepata nessa escola, capaz de localizar uma humana pra mim, saca?

- Hum... Isso é bom, muito bom, meu amigo. Essa humana não teria uma mecha de cabelos brancos, teria?

Eu sorrio diante da perspicácia do grandão e aceno positivamente com a cabeça.

- Nesse caso, não precisaremos ir tão longe, meu caro. Ela deixou um número de celular e pediu que só usasse caso você retornasse para a mansão. Então, podemos dizer que ela o entende melhor do que todos nós juntos, não? Pois eu pensei que jamais fosse colocar os pés aqui novamente...

Arregalei os olhos e deixei minha boca num ricto, esperando que ele fizesse a tão necessária ligação.

- Oh! Claro! A ligação. Acho melhor você mesmo conversar com ela, Logan. – e puxou o celular do bolso, enquanto buscava o número, me entregando o aparelho já no meio da chamada e indo para outro canto do Labmed.

- Alô, Hank? Que aconteceu? Notícias dele? – era possível captar a ansiedade em sua voz.

Fiquei mudo por um tempo, ouvindo sua respiração como uma sinfonia até que ela quebrou o silêncio:

- Logan?... – perguntou baixinho.

Respirei fundo e lancei uma frase conhecida de nós dois:

- Tá fugindo de novo, guria?...

E ela começou a chorar do outro lado, balbuciando palavras soltas, mas que no geral queriam dizer que ela sabia do meu retorno e o quanto isso a deixava feliz.

- Onde cê tá? Eu preciso te ver, Marie... – lancei, apavorado com a resposta, que podia ser uma distância maior do que minha ansiedade poderia aguentar.

- Chama o Hank, Logan, ou coloca no viva-voz, por favor!

Estranhei o pedido, mas acatei, colocando no viva-voz enquanto chamava o azulão pra perto:

- Você pode chamar a Ylliana, Hank? Eu estou há alguns dias de Westchester, mas acho que ela consegue ajudar a gente, né?

- Bem pensado, minha cara! Vou agora mesmo atrás da irmã do Colossus.

Levantei uma sobrancelha, desde quando o Colossus tinha uma irmã? E matriculada na Escola?

- Posso fazer uma chamada de vídeo, Logan? – a voz ansiosa da sulista questionou.

- Claro, guria, claro.

E não demorou nem um minuto pro celular tocar novamente. Atendi, também ansioso em ver seu rosto. Ambos nos incomodamos com o que vimos:

- Logan, o que aconteceu com você? Onde esteve?

- Eu também fiquei preocupado contigo agora, guria! Tá tudo bem? Eu... estive perdido, sabe? Mas agora vou conseguir entrar nos eixos de novo, com sua ajuda...

Ela sorriu diante da minha afirmação. Se existia alguma dúvida sobre meu retorno pra mansão, agora ela não tinha mais. Seu rosto, segundos antes envelhecido e cansado, se iluminou e eu pude reconhecer a Vampira que tinha deixado passar pela porta atrás da ‘cura’.

- Agora está tudo bem sim, Logan... Espero conseguir te ajudar e, também, conseguir ajuda. Toda essa situação de ser normal é muito estranha pra mim, sabe? Porque, apesar de poder encostar nas pessoas, eu ainda sinto aquelas que tive contato, o Cody, você, Magneto, o Bob... e é como se vocês fossem parte daquilo que eu sou também, é muito esquisito.

Hank aparece, acompanhado de uma mutante magra e loira. Ele nos apresenta e explica a situação. Vampira fala com ela pelo celular e, enquanto acenava com a cabeça, ela comenta:

- Olha, Vampira, eu entendi tudo que você me disse sim, mas como te conheço um pouco, acho melhor esse cara aqui tomar um bom banho antes de encontrar contigo. Ele tá cheirando fezes de alce com baba de urso e eu não acho que você mereça isso, amiga...

Enquanto ela dizia essas palavras eu fui me indignando e só não fiquei muito puto com a loirinha porque isso soltou uma autêntica risada da Marie, daquelas que eu adorava ouvir, pela sua raridade:

- Vai lá, cara, toma um banho, troca de roupa e, quem sabe, dá um trato nessa barba e nesse cabelo, vai... – Ylliana soltou, me passando de volta o celular onde eu via a cara de espanto da morena.

- Logan, desculpa... Eu tinha esquecido de dizer o quanto a Ylliana é sincera, sabe? Eu não ligo pra nenhuma dessas coisas, e a gente sabe que não adianta dar um trato na barba e no cabelo que ele volta a crescer em seguida, mas se você achar que precisa do resto, até pra dar uma baixada na nossa ansiedade, o que acha? Você se prepara daí e eu me preparo daqui, hein?

Soltei uma rosnada de satisfação e concordei com a cabeça:

- A gente se vê, guria. – entreguei o celular pro Hank e perguntei se ainda tinha o quarto de hóspedes, fui até minha van, peguei a única troca de roupas limpas de lá e, realmente, deixei minha ansiedade ir embora com a água do banho. Penteei meu cabelo e barba, aceitei um perfume do Hank e, em menos de 40 minutos, estava pronto pra encontrar aquelas joias verdes novamente e não largar por nada desse mundo!

Saio do banho e caminho um pouco até perceber que a mutante loira estava sentada na penteadeira, me esperando:

- Ah! Agora parece gente, e não um porco do mato! Nem meus demônios cheiravam igual a você, sr. Logan!.... – e ela soltou uma estridente gargalhada.

- Mas que diabos, guria?! Tu não sabe com quem tá falando, não? – perdi as estribeiras, pedindo um mínimo de respeito – E que papo é esse de ‘demônio’?

- Claro que eu sei, senhor. Falando com o mutante ao qual, provavelmente, devo minha vida, não é? Todos devemos, mas também, a maior parte de nós sentimos pelo sacrifício feito, gratidão... Tem uma aula da profa. Ororo só sobre o senhor. – sorri diante dessa afirmativa – E, talvez em parte por minha culpa, tinha uma imagem idealizada que quase foi destruída quando entrei no Labmed! E, sabendo o quanto a Marie gosta do senhor, não queria que ela o visse em seu pior momento, sabe? Posso ter usado os meios errados, mas os fins estão satisfatórios. Agora eu sei que ela vai encontrar com o ‘cavaleiro na armadura’ que tanto deseja. E não com o bode dele! – eu rosno diante dessa última frase. Estava quase aceitando as desculpas quebradas dela... – E quanto aos demônios, bem eu estou atualmente governando o Limbo, então, vivo cercada de demônios quando estou por lá. Na verdade, sou um deles quando naquela realidade... Através da Espada Mística – e ela a materializou diante de mim – eu consigo me teleportar para qualquer lugar, desta e de outras dimensões, por isso, com as coordenadas que a Marie me deu, estaremos com ela num piscar de olhos. – e ela então, ‘cortou’ a realidade na nossa frente com a espada e, ao entrar naquele novo ambiente, sua roupa mudou para uma armadura preta, com um capacete com chifres, um forte cheiro de enxofre atingiu minhas narinas e eu a segui, tendo um vislumbre muito rápido do limbo, enquanto ela refazia o movimento e me deixava no estacionamento de um motel:

- O quarto dela é o 13A, sr. Logan. – apontando para um quarto no térreo, há poucos metros de nós – Nem preciso dizer o quanto ela é especial pra mim, né? Eu vou ficar de olho... – E seus olhos, antes azuis, ficaram amarelos, com as bordas vermelhas e um sorriso maléfico tomou conta de seus lábios, desaparecendo em seguida.

Fiquei muito contente em saber que, se eu faltasse, por qualquer motivo, Marie não estaria desamparada. Mas, agora eu estava ali... então, porque meus pés não conseguiam sair do lugar, minhas mãos suavam e meu coração estava tão taquicárdico que eu pude ter a sensação do que é ter um infarto? Engoli em seco, porque não tinha mais saliva alguma e, se fosse seguir meus instintos, teria saído correndo dali! Como o momento não era de luta, então sobrava a fuga pra tanta adrenalina.

*música “desire”, Ryan Adams*

A luz acesa do quarto me deixou ver a silhueta dela, terminando de arrumar o cabelo e, como não ia conseguir fazer aquilo sozinho, gritei seu nome, o som saindo falhado, mas audível. Ela apareceu na janela, um sorrisão no rosto. Aquilo serviu como combustível pro meu corpo conseguir se mover, diminui o espaço entre nós enquanto ela abria a porta e saía no corredor.

Nos abraçamos, eu estava de regata e ela com uma blusinha de alça. Nossas peles se tocando sem perigo, pela primeira vez. Dei uma cheirada forte no pescoço dela que a fez rir e afastar um pouco o rosto:

- Isso faz cócegas, Logan!

Eu não conseguia falar. Assim que a olhei, emudeci diante do quanto seus olhos emanavam de maturidade e beleza. Ela era radiante! E essa radiação dela passava pra mim e me fazia sentir fraqueza nos joelhos. Percebendo algo diferente, ela se separou por completo do abraço e lançou, alterando o olhar para tristeza:

- Sinto muito pela Jean, Logan... – e não conseguiu segurar uma lágrima, enquanto eu não consegui segurar mais o peso do meu corpo e cai de joelhos diante dela, chorando também, abraçando sua cintura. Depois de um curto tempo ela acariciou meus cabelos e me abraçou mais forte, sussurrando que tudo ia ficar bem e que aqueles que amamos realmente deixam uma saudade doída.

Exorcizei meus demônios naquele momento e, respirando fundo, levantei a cabeça para encarar seus olhos novamente:

- Eu tô há tempos me escondendo no passado, saca? Não quero mais viver nele, Marie, foi por isso que fui te procurar na mansão. Posso ter perdido muitos amores, por ser quase imortal, ou por escolhas, que ainda não sei se certas ou erradas, mas eu não quero te perder por um medo idiota de te machucar! Eu prometi cuidar de você antes, e continuo firme na minha promessa, guria!

Ela sorriu de lado, parou de sustentar as esmeraldas em mim e lançou o olhar para frente:

- Você me entende melhor do que ninguém, Logan... E me deu muito que pensar com aquela sua conversa de amigo sobre a ‘cura’, sabe? – e voltando a me olhar, ela sentencia: Mais do que nunca, eu vou precisar que cuide de mim, que tenha paciência comigo e me permita, também, passar pelo meu luto atual, porque sem meus poderes, parece que eu perdi algo muito importante!

Me levanto, mexo na mecha branca dela enquanto a sulista coloca sua mão sobre a minha, me fazendo encostar em seu rosto e fechando os olhos, me obrigando a mudar o foco para sua boca tão vermelha e bem talhada. A puxo, de modo grosseiro, para perto e ela solta um gritinho, enquanto a beijo, no início com alguma ansiedade, mas depois o contato com ela vai me acalmando, a ponto de eu parar de beijar e somente a abraçar, de leve, era algo tão corriqueiro pras outras pessoas, mas conseguir ficar assim, pele com pele, durante tanto tempo, sem riscos, era uma sensação tão boa pra mim:

- Eu podia ficar assim o resto da vida, guria... – sussurrei no ouvido dela, respirando profundamente depois, me alimentando do seu cheiro quase cítrico, único.

Ela não responde verbalmente, aconchega ainda mais o rosto no meu peito enquanto suas mãos, antes paradas, começam a massagear levemente minhas costas, soltando um risinho abafado e comentando:

- Eu também poderia, Logan, se minha vida não fosse tão mais curta que a sua e eu não tivesse tantas curiosidades pra saciar, meu querido...

Levanto uma sobrancelha, enquanto sorrio de lado. Ela só parecia indefesa e com um quê de inocência, mas já era uma jovem mulher, uma das mais assertivas que conhecia. Eu não me movo pra ver qual seria seu próximo passo, apenas relaxo um pouco o abraço, dando espaço para ela se movimentar melhor e seus braços então deslizam pelos meus, sua mão esquerda entrelaça na minha e ela se desprende, me levando pra dentro do quarto e me sentando na cama, enquanto trancava a porta; fazia tudo isso com uma calma que me deixava somente mais desejoso. Tirou a blusinha e se aproximou de mim, ficando entre minhas pernas, enquanto eu colocava minhas mãos em sua cintura, sentindo seus feromônios, ouvindo sua respiração e seu coração acelerarem, a percebo corar enquanto suas mãos não sabem direito onde tocar:

- Guria, não tem certo ou errado agora, faz o que tiver no seu coração, eu prometo ir devagar, mas não tem do que ter vergonha, saca? Cê só precisa ter mesmo certeza do que quer.

Ela então levantou o rosto, novamente as esmeraldas me encaravam, mas por trás delas havia uma faísca que eu nunca tinha visto em Marie, suas mãos foram até meu cinto, o soltando com firmeza, enquanto buscavam minha camisa para tirar e isso aproximou nossos rostos, sem que nossos olhos buscassem nada mais, ela sussurrou, vencida:

- Tenho certeza!

Eu não precisei de mais nada, a ajudei a tirar minha camisa, enquanto ela acariciava meu tórax e eu me levantava para que minha calça caísse e para que eu pudesse tirar a dela.

Apesar da urgência, pelo desejo represado de tanto tempo, estar com ela me mantinha calmo como eu nunca tinha estado antes. Passamos a noite e o dia seguinte nos conhecendo de várias formas até adormecermos nos braços um do outro, com nossas pernas enroscadas, trocando o calor dos nossos corpos.

Fui o primeiro a acordar, mas imaginava o quanto, sem fator de cura, ela devia estar cansada e respeitei seu descanso. Não me cansava de olhar pra ela, mesmo de olhos fechados e, depois de quase uma hora, ela acordou, sorrindo primeiro pra abrir os olhos depois. Aproveitei para acariciar seu cabelo comprido enquanto ela se espreguiçava:

- Bom dia, Logan!

- Marie. – cumprimentei com a cabeça.

Ela trouxe seus lábios até meu olho e o beijou, delicadamente:

- Parecia que eu estava no mar das delícias, quantas vezes me perdi dentro desses olhos azuis, eu quero mais, quero sempre... – e soltou um risinho de contentamento.

Fiquei encabulado com aquela declaração. Mas se ela queria mais, não ia me fazer de rogado. A beijei novamente e ia recomeçar a amar a guria quando ela bateu de leve no meu peito nu:

- Eu também quero muito recomeçar, mas acho que preciso comer alguma coisa antes, Logan e não sei se um frigobar será suficiente...

Foi quando me dei conta de não saber onde estava, apesar de não achar aquele lugar e aqueles cheiros totalmente estranhos.

- Onde estamos? Esse lugar não me é totalmente estranho...

Ela sorriu, enquanto se enrolava no lençol para procurar as roupas:

- É mesmo... Você veio por teleporte. Estamos no Canadá, em Dundurn. Eu recebi uma pista de que você poderia estar em Alberta, então estava indo pra lá. Mas antes disso, já tinha percorrido meia América atrás de você. Não devia ser tão difícil assim de encontrar, senhor...

Sorrio genuinamente pra ela, essa tinha sido a coisa mais incrível feita por alguém por mim. Sinto meu rosto aquecer:

- Ah, guria, meu passado me obrigou a ser bom em apagar meus rastros... Já que não eram lindas mulheres que estavam a minha procura, mas assassinos e mercenários!

- Ah! Então se fossem lindas mulheres você se deixaria encontrar? – sem esconder os ciúmes na voz.

Ri alto, como há tempos não fazia. Aquela deusa podia ter qualquer homem da Terra, mutante ou não, tinha me escolhido e ainda conseguia ter ciúmes de mim? Será que eu tinha morrido? Até pelo Limbo eu passei... Ou será que isso era alguma alucinação de um mutante sádico?

- Marie, cê não precisa ter ciúmes. Se fosse no meu passado, antes de te conhecer, com certeza eu deixaria lindas mulheres me encontrarem. Agora, eu só tenho olhos pra você, não se preocupe, vou continuar escondendo muito bem meus rastros.

- Hum, sei... – e ela foi caminhando pro chuveiro, enquanto deixava o lençol cair, num claro convite pra que eu a acompanhasse. Que mulherão!

- Achei que estivesse com fome... – parti para o chuveiro com ela.

- Eu estou, mas confundi do quê... Tenho quase certeza de que é de você, gatinho!

Rosnei de prazer e enquanto fazíamos amor, ela sussurrou meu nome, dizendo que me amava. A minha concordância foi tão rápida que até eu me assustei. Minhas convicções e certezas cediam diante daquela mulher e eu não me via fraco ou reduzido por isso, ao contrário. Pensar em alguém como ela me amando me dava mais força pra lutar por um mundo onde isso nunca acabasse. E onde outros mutantes e humanos pudessem ter o que nós temos...

Ela terminou de se lavar, me banhou também e antes de sairmos para comer alguma coisa, eu soube, quando os olhos dela, com ruguinhas de sorriso olhavam pra mim, que a partir de agora, a esmeralda era minha coisa predileta. E que o mundo podia encolher, crescer ou acabar, desde que eu tivesse refúgio nos seus olhos e na sua pele.

26 de Novembro de 2021 às 16:53 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Liura Sanchez Lauri Gosto do universo dos quadrinhos. Em especial aquele onde está inserido o Wolverine. Apesar de ter gostado de alguns filmes, os quadrinhos são mais ;)

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