joanabachmann Joana Bachmann

» SINOPSE: Quando crianças, os dois vizinhos brincavam juntos todos os dias. Park Jimin era Jeon Jungkook e Jeon Jungkook era Park Jimin, inseparáveis. No entanto, a vida do aspirante a psicólogo não foi fácil após perder seu amigo de infância. Sentiu-se perdido, sem propósito, preto e branco. Nada mais fazia sentido. No seu aniversário de 24 anos, todavia, recebe um presente inusitado da melhor amiga que muda o rumo dos seus sentimentos. Jimin terá que lidar com lembranças nostálgicas e a confusão inacreditável daquela coincidência aliada à sua personalidade psicologicamente instável. O futuro traz de volta o passado de maneira surpreendente. Park jamais imaginaria que um simples boneco tecnológico tornaria o seu mundo mais colorido.


Fanfiction Bandas/Cantores Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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De louco a psicólogo

13 de outubro de 2020


Dizem que quem escolhe psicologia normalmente possui “problemas psicológicos”. Além disso, você deve ser alguém calmo e que saiba dar conselhos. Entretanto, na realidade, isso não passa de um estereótipo, pois a ciência que trata dos estados e processos mentais é muito mais complexa do que simplesmente saber como orientar uma pessoa em seu momento obscuro. Na verdade, é uma loucura. E com certeza nós, futuros psicólogos, também seremos, de certa forma, loucos.

É como diz o ditado: “de psicólogo e louco, todo mundo tem um pouco”. Sinceramente eu não me importo. As melhores pessoas são loucas.

Para a grande parte das pessoas, o psicólogo é aquele que tem o dom de saber ouvir, de ter paciência, de entender os indivíduos. E sim, era o que eu pensava também, antes de ingressar nessa viagem maluca. Agora, apesar de ainda não possuir conhecimentos suficientes para definir uma verdade absoluta, entendo que a solução não está só em mim como (futuro) profissional de saúde mental, mas principalmente no próprio sujeito a quem me busca. Sou apenas um espelho.

— Bom dia, Park Jimin — disse a mim mesmo ao me levantar da cama e colocar-me de pé em frente à superfície lisa e polida que reflete minha imagem. — Como tá se sentindo ao completar vinte e quatro anos? — perguntei, analisando a pele semi-oleosa do meu rosto, e os cabelos tingidos de loiro totalmente bagunçados, parecendo o caos de um ninho. Cocei os olhos ao bocejar e então respondi com o tom de voz levemente alterado. — Estou me sentindo péssimo e preciso de um banho. — E então, tentei me animar um pouco. — Ainda assim, creio que sou bonito. Sim! Fico mais bonito a cada dia. — Fui sincero na primeira frase, mas acho que exagerei e forcei um pouco a segunda parte. Estou tentando acreditar na minha beleza e na minha capacidade, porém esse exercício, sugerido pela minha psicóloga, que faço todos os dias após acordar é mais difícil do que eu esperava.

Enquanto ia em direção ao banheiro para banhar-me, ouvi meu celular vibrar na mesa de cabeceira repetidas vezes. Como sou viciado nesse pedaço de tecnologia que nos deixa a cada dia mais inútil — ou mais inteligente, dependendo do ponto de vista —, fui obrigado a desviar minha caminhada e joguei-me mais uma vez sobre a cama e segurei o aparelho em minhas mãos logo em seguida.

O lado bom de morar sozinho é não ter que seguir regras. O que eu mais odiava em minha mãe era a sua insistente mania de me ordenar a fazer as coisas no horário específico pré-determinado por ela, esquecendo-se totalmente que também sou uma pessoa que possui planejamento pessoal. Por mais que os planos estivessem sempre dentro da minha mente apenas, eles ainda existiam.

Fazer as tarefas às 18h. Jantar antes das 20h e não se esquecer de lavar a louça. Dormir às 22h30. Acordar às 6h e logo em seguida tomar o café e arrumar-se para ir à escola às 8h. Almoçar 12h em ponto. E sem celular nas refeições. Ah, fala sério! Qual o problema em dormir às 23h30? Ou às 01h20 da madrugada? Por que eu não podia acordar às 7h? Quem precisa de 2h para se arrumar para a escola? Era terrível.

Não odeio minha mãe. Pelo contrário, amo Sunhee e a respeito muito. Mas ela precisa admitir que a distância fez bem para nós. Agora, me sinto livre. E não posso negar que por mais que a liberdade seja boa, é também muito difícil. Morar sozinho é extremamente trabalhoso — especialmente quando não há ninguém para dividir tarefas. E tudo isso, na grande parte do tempo, faz-nos sentirmos solitários. E é aí que mora o perigo.

Há cerca de oito anos fui diagnosticado com transtorno depressivo persistente. Sim, a famosa depressão. Foram anos de luta, pois minha mãe não dava a devida importância para a saúde emocional naqueles tempos. Para ela, era tudo apenas uma fase. Apenas drama adolescente. E só Jesus podia me curar. Naquela época, não tive acesso a um psicólogo ou a um psiquiatra, então fui obrigado a suportar todos os sentimentos melancólicos e sombrios da minha mente. Apenas Jimin e Park Jimin. E eu não sabia o que fazer para bloquear essa emoção dentro de mim — na verdade, sendo sincero, não queria que isso tivesse um fim, porque tudo o que eu mais desejava era sumir. Dar um jeito de juntar-me a ele. Nada mais importava. Eu precisava vê-lo de novo e a única chance de realizar esse sonho era privar-me da minha existência nesse mundo vazio. Cessar a dor.

Quando descobri que ele tinha partido para sempre, foi como se tudo ao meu redor tivesse desabado. As estrelas se apagaram. As constelações explodiram e a lua simplesmente... fugiu. A gravidade se extinguiu, levando consigo toda a minha sanidade. Foi o pior tsunami de sentimentos ruins que pude sentir na vida. Inundou o meu ser com apenas tristeza. Nada mais fazia sentido. Não havia propósitos. Tudo ficou preto e branco. Eu estava perdido. Perguntei-me por quê. Por que o mundo tinha que ser tão cruel? Por que pessoas boas eram levadas todos os dias? Por que o destino não deixou que ficássemos juntos pela eternidade como havíamos prometido um ao outro? Por quê? Eu realmente nunca compreendi. Até hoje continuo questionando os mesmos porquês.

Dor. Eu ainda a sinto.

Jungkookie era precioso. Ele era tudo o que eu tinha.

Mas o mundo dolorosamente o tirou de mim. E foi difícil encontrar alguma razão para permanecer aqui, vivendo.

Até hoje me pergunto: por que o mundo não me levou com ele? Não foi por falta de tentativas.

Naqueles momentos, tudo o que eu pensava era na felicidade que sentiria em poder reencontrar Jeon Jungkook. E reviver todas aquelas sensações únicas que somente o meu melhor amigo poderia proporcionar. Tal fato me incentivava a tentar o suicídio. Não me orgulho nada disso, mas, depois de um tempo, a morte passou a ser motivo de alegria, caso eu sucedesse em meus esforços. Todavia, me frustrava toda vez que algo impedia meus planos. Toda a coragem que eu reunia ia por água abaixo e então só o que restava era me isolar e ficar sozinho, solitário, com meus pensamentos soturnos. Projetando os próximos planos de suicídio.

Foram seis anos em depressão profunda. Há apenas dois é que comecei a superá-la aos poucos. Após me mudar de Busan para Seul, passei a frequentar terapeutas, conheci pessoas novas e mudei completamente de rotina. Tudo isso fez parte do meu tratamento, o qual de fato auxiliou-me consideravelmente. É claro, ainda não estou totalmente recuperado. Acredito que não há remédio capaz de curar totalmente a ferida do luto por alguém tão importante. Porém tornou-se mais suportável, ainda que haja recaídas. Dias melhores sempre chegam, não há como negar.

Escolhi a psicologia para entender a mim mesmo. Para entender os outros indivíduos. Conhecer a mente humana. E sobretudo, reproduzir o que me fez bem a outras pessoas. Provavelmente essa é uma das justificativas mais comuns ao se perguntar a um aluno de psicologia o porquê da sua escolha por este curso. Todavia, essa resposta acaba se alterando com o passar do tempo. É o que os professores nos falam.


NOTIFICAÇÕES


Fanfiqueira enviou um áudio.

(2 minutos atrás)


Fanfiqueira: hoje vai ter festinha sim, se prepare 💅🏻

(2 minutos atrás)


Seul-mate: Feliz aniversário, Minnie 🥳

(1 minutos atrás)


Seul-mate: Não se atrase, e não precisa tomar café da manhã...

(1 minuto atrás)


Olhei para a tela do smartphone percebendo as várias notificações dos meus amigos. Não me sentia muito bem recebendo tanta atenção deles, porém não pude deixar de abrir um sorriso mínimo em agradecimento com o quanto eles se preocupavam comigo. Sendo assim, desbloqueei a tela e abri a aba de conversas da Yoona primeiro, logo apertando o botão de play em seu áudio. A voz manhosa e alto-astral da garota ecoou pelo quarto.

“Parabéns, meu xuxuzinho. Te desejo um mundinho inteiro de felicidade, pois você é o garoto mais amável que conheci. Sei que vai conseguir conquistar todos os seus sonhos, meu bolinho. Você é capaz, você consegue!”

O tom agora parecia mais emocionado. Ela estava fungando?

“Lembre-se que você é o menino mais lindo desse mundo, e eu vou te encher de beijinhos e abraços mais tarde, ok? Te amo!”

Meus dedos foram ágeis em digitar uma resposta:


MENSAGENS

(Hoje 7:22 AM)


Você:

Obrigado, noona


Você:

Também te amo 💜


Você:

Te vejo daqui a pouco


Fanfiqueira:

venha mais cedo, meu amorzinho


Fanfiqueira:

estou com saudades 💙


Em seguida, respondi também a Taehyung, que mandou um vídeo de compilados das nossas danças como presente de aniversário. Bom, conheci o Kim assim que vim para Seul, pois me inscrevi em um curso de dança de rua, já que praticar esse tipo de exercício alivia o meu estresse, e ele foi a primeira pessoa que tive contato e consegui desenvolver uma amizade. Desde então somos bastante próximos e sinto como se ele fosse minha alma gêmea. Temos pensamentos muito parecidos e por vezes estamos sintonizados em sincronia. Suas opiniões sempre andam em conjunto com as minhas e é incrível o quanto ele me faz bem.

Taehyung foi como um dos melhores remédios para mim. Ele e Yoona me fazem muito bem. Se não fosse por eles, talvez eu não estaria mais aqui.

Quando descobri que o aspirante a fotógrafo estaria na minha turma de psicologia, foi um alívio. E foi ele quem me apresentou a morena escritora, pois ambos também já se conheciam. Desde então, somos melhores amigos inseparáveis. Como os três mosqueteiros. Um por todos e todos por um. De certa forma, receber o amor desses dois foi aos poucos ajudando a curar a ferida que a falta de Jungkook fazia em meu ser. Mesmo que a cicatriz ainda esteja lá, e nunca deixe de machucar, ao menos me sinto mais acolhido. Sei que terei alguém para me apoiar em meus momentos de fraqueza. Pessoas em que posso realmente confiar e revelar meus sentimentos mais profundos.

Desabafar é outra parte da minha rotina para o tratamento. Nem que seja para minha própria imagem no espelho. Desabafar é necessário. Acumular angústias dentro de si faz com que um dia tudo acabe explodindo. Era o que acontecia comigo quando eu ficava isolado em meu quarto, ainda em Busan. Meus sentimentos transbordavam ao ponto de agir por impulso e tentar tirar a própria vida, infelizmente.

Mas hoje eu não deveria pensar nessas coisas. Hoje era um dia especial; eu estava completando mais um ano de luta.


(🤖)


Depois de muito refletir sobre questões da vida, como de costume, decidi por fim tomar banho. Após me vestir, me arrumar e comer meus cereais crocantes de chocolate, estava pronto para ir à faculdade. Vestido em minha típica camiseta listrada de mangas longas, com uma simples calça jeans com rasgos na altura do joelho e All Star pretos, peguei a mochila pesada e dirigi-me à saída; todavia, um miado rouco e manhoso me fez estagnar. Olhei para baixo, vendo o pequeno ser peludo e preto de olhos verdes, esfregando-se na parte plana da porta que eu estava prestes a abrir.

— Bultan! — exclamei, um tanto irritado, pois já me encontrava “atrasado” na concepção de Yoona que não parava de mandar mensagens para me apressar. — O que você quer? Já dei comida suficiente e você não comeu um grão sequer.

Mais um miado prolongado e ele olhou para cima, na direção da minha voz, virando a cabeça levemente para a direção da cozinha, onde ficavam os potes da sua ração.

— Não! Já lhe dei petisco — ralhei, emburrado. — Não vai ganhar outro.

Dois outros miados foram proferidos pelo gato mimado e eu suspirei, vencido. Era difícil resistir ao olhar pidão do bichano; ele parecia o gato de botas versão negro. Apesar de glutão, era muito carinhoso e companheiro, então ele merecia. Sendo assim, agachei-me, e o peguei em meu colo, ouvindo o ruído adorável que ele fazia toda vez que o segurava. Era como um brinquedo de bebê quando se aperta a barriga. O coloquei em frente ao seu pote em formato de cabeça de felino e depositei o biscoito sobre a ração ali exposta. Afaguei sua cabeça e seu corpo, recebendo um ronronar de aprovação.

— Fique bem, viu? — despedi-me do meu animal de estimação esperando que ele não fosse se sentir tão sozinho por todas as horas que fico fora de casa. Suspirei, triste. Bultan precisava de uma companhia.

E então, finalmente saí, seguindo até o ponto de ônibus. Como sou sortudo, havia um muito próximo à minha casa. Era necessário apenas atravessar a rua. E como hoje era meu dia de sorte, o transporte público chegou em poucos minutos.

Ao chegar na universidade, direcionei-me para a sala de aula caminhando em um modo automático, como já estava acostumado, sempre olhando para a tela do celular, e desta vez aproveitando para verificar as diversas mensagens de feliz aniversário em minha caixa de entrada. Meus dedos digitavam respostas até que de repente esbarrei em algum aluno aleatório. O garoto murmurou um xingamento mesmo que eu tivesse pedido desculpas, mas dei de ombros. Estava ansioso para encontrar meus colegas portanto decidi não me irritar com as pessoas erradas. Subi quatro lances de escadas, até o segundo andar do bloco e por fim cheguei ao destino. Sala B-118, segundo ano de psicologia da Universidade de Seul.

Para minha surpresa, apenas dois alunos estavam presentes. Sim, Kim Taehyung e Min Yoona. E assim que adentrei o espaço, ambos começaram a cantar parabéns, e mesmo que estivéssemos apenas entre amigos, não tive capacidade de controlar a timidez, que fez com que meu rosto automaticamente queimasse.

— Shhhh! — Tentei calá-los. — E se mais alguém entrar aqui? E se o professor chegar?

— Vão cantar com a gente, ué — a morena de cabelos coloridos respondeu, dando de ombros. Ela abriu um sorriso sacana em seguida, como se estivesse tentando me provocar. E continuou cantando, agora cada vez mais alto, incluindo meu nome na típica melodia do “feliz aniversário”.

Aproximei-me dos dois, tentando a todo custo tapar a boca de ambos com minhas mãos, mas falhando miseravelmente ao que eles me abraçaram ao mesmo tempo, ficando esmagado no meio. Quando a canção finalizou, meus amigos me encheram de beijos em meio às risadas gostosas e tudo isso me fez sorrir espontâneo. Era uma sensação maravilhosa poder passar essa data tão especial com pessoas tão incríveis.

— Minnie. Seus olhos parecem sorrir junto com sua boca quando está contente. É lindo! — o maior murmurou enquanto passava as mãos em meus cabelos, ajeitando minhas madeixas. Seu sorriso marcante era bonito de se observar.

Sem saber o que responder, afinal elogios sempre me deixam envergonhado e sem jeito, apenas baixei os olhos, inflando as bochechas e mexendo os lábios. Taehyung então virou seu tronco para trás e quando se voltou para frente novamente, em suas mãos havia um pequeno bolo generosamente decorado com glacê, confeitos coloridos e uma velinha no topo. Minha reação foi simplesmente arregalar os olhos e erguer a mão para tapar a própria boca.

— Feliz aniversário! — os dois gritaram em uníssono, enquanto Yoona acendia a pequena vela com um fósforo.

Eu realmente tenho os melhores amigos do mundo.

— Vamos, Min Min... Feche os olhos e faça um pedido! — A garota deu a ideia, parecendo ansiosa. E provavelmente curiosa ao extremo para saber sobre o que seria.

Não compactuo muito com superstições, porém, naquele momento uma vontade súbita tomou conta do meu ser, e eu precisava colocá-la em prática. Fechei as pálpebras, imaginando as feições do meu amigo de infância. Seus cabelos castanhos bagunçados e sua franja bem aparada; seus olhos cor-de-chocolate e cheios de brilho; seu sorriso inesquecível...

“Desejo algum dia poder te ver pessoalmente de novo, Jungkookie!”

E logo meus pulmões trabalharam assim que inflei o peito e fiz o ar fluir pelos lábios, apagando a pequena flama sobre a vela.


(🤖)


Após quatro horas de aula, a fome já estava começando a me incomodar. Sou do tipo que fica com mau humor caso meu estômago esteja pedindo por comida; do contrário, bem alimentado, sou como um anjo. Afinal, um Jimin de barriga cheia não quer guerra com ninguém. Sendo assim, apressei Yoona e enrosquei meu braço no dela, fazendo com que parasse momentaneamente de tagarelar com suas outras colegas.

— Está com ciúmes, meu anjo? — provocou, lançando-me um sorriso sacana.

A analisei de cima a baixo, fixando o olhar em seu moletom favorito: amarelo de rosquinhas.

— Não?! — vociferei como se fosse óbvio. — Mas estou morrendo aos poucos e você nem liga. — Fiz drama, como ela já estava acostumada. — Vamos, preciso me alimentar.

Taehyung teve que ir para casa almoçar com os pais, como sempre, então no horário de almoço era apenas eu e Yoona. Depois de comermos, ficamos conversando por cerca de meia hora sobre assuntos aleatórios até que de repente, a mais velha sobressaltou-se como se tivesse se lembrado de algo.

— Seu presente! Espere aqui um pouco...

Tentei contestar, porém ela já tinha corrido para longe, provavelmente para o seu armário onde armazenava seus materiais e os infinitos cards de k-pop que colecionava. Enquanto esperava, entediado, mexi um pouco no celular e uma manchete de notícia chamou minha atenção.

“Robôs podem mesmo pensar e agir por si?”

Tal frase despertou minha curiosidade, porém quando estava prestes a abrir o link, Yoona já estava de volta.

A morena então virou-se e me estendeu uma caixa de cerca de meio metro embrulhada em um papel de presente colorido. Meus olhos se arregalaram de imediato. Não estava esperando receber algo pelo meu aniversário, muito menos algo que parecia grande e provavelmente caro.

Noona, eu disse que não precisava me dar presentes. Só um abraço já me faria feliz!

— Comprei com muito carinho. Assim que vi, pensei em você — a garota insistiu, balançando o embrulho para mais perto de mim. — É algo para te fazer companhia. Assim não vai mais se sentir tão solitário.

Os olhos grandes de Min Yoona imploravam para que eu abrisse logo o presente, pois estava ansiosa e curiosa pela minha reação. Mesmo me sentindo culpado por não querer que minha melhor amiga gastasse seu dinheiro suado com coisas banais para mim, suspirei e estendi as mãos, segurando o pacote por fim.

Era um tanto pesado, o que fez meus braços penderem alguns centímetros para baixo. Então voltei a sentar-me no banco e repousei a caixa sobre a mesa do refeitório. Olhei ao redor e fiquei mais tranquilo ao me dar conta que não havia mais ninguém ali além de nós dois. Analisei os detalhes do bonito papel, que com certeza era uma pena de se rasgar. Todavia, a visão da garota sobre mim era de expectativa, então meus dedos trataram de desfazer-se daquele embrulho o quanto antes.

Quando finalmente pude ver o design daquela caixa, meu queixo caiu.

Primeiro: à primeira vista, parecia aquelas embalagens de brinquedo chamativas, com slogans emoldurados por balões de fala similares aos usados em comic books.

Segundo: definitivamente era um “brinquedo” caro.

Terceiro: era um robô. Sim, um robô de verdade. Eu me encontrava totalmente embasbacado, perplexo. Porém, de repente, uma memória veio à minha mente de imediato, como um flash, fazendo meu coração se remexer inquieto.

“Jimin-ssi, eu queria poder ser um robô. Robôs são mais legais que humanos.”

E aquele boneco era extremamente parecido com a versão do brinquedo-robô que Jeon Jungkook possuía naquela época.

Um arrepio fez com que todos os pelinhos de meu corpo se eriçassem ao que meus olhos começaram a arder. Tentei a todo custo segurar as lágrimas. Era uma tarefa complicada toda vez que lembranças assim apareciam em minha mente.

— Min Min, o que aconteceu? Você não gostou do presente? — Yoona me despertou dos devaneios, e logo ergui o olhar para fitar sua expressão preocupada. Ela tinha o cenho franzido e sem demora sentou-se ao meu lado, segurando minha mão trêmula. — Se você não gostou, posso devolvê-lo sem problemas...

— Não. Não é isso — apressei-me em explicar, sendo traído por uma lágrima que escorreu por minha bochecha. Droga! Por que eu tinha que ser tão sensível? — É que esse robô me fez lembrar alguém — murmurei, atordoado, não querendo citar o nome dele, mesmo que Yoona provavelmente já soubesse de quem eu estava me referindo. Nesses dois anos de amizade, contei-lhe praticamente cada mínimo detalhe da minha vida, pois foi a primeira pessoa em que realmente pude confiar. Quando eu estava com ela, sentia que finalmente podia ser eu mesmo, sem qualquer tipo de máscara. A morena me entendia perfeitamente e me apoiava em todas as minhas ideias malucas, sem julgamentos. Ela era incrível. — Obrigado, noona. Eu amei ele. É muito fofo! — Permiti-me abrir um pequeno sorriso assim que ela me abraçou e acariciou meus cabelos.

Depois de minutos me consolando, a mais velha me incentivou, provavelmente extremamente curiosa com o produto.

— O que está esperando? Abra logo e ligue ele!

Voltei meus olhos para a caixa, percorrendo as palavras em inglês ali estampadas, as quais eu não reconhecia, afinal era péssimo em idiomas estrangeiros. Havia algumas ilustrações sobre as funções do boneco, e em uma das instruções pude perceber o desenho de um smartphone apontando com uma flecha.

— O que isso quer dizer?

— Você precisa baixar o aplicativo do robô. — Yoona analisou e traduziu, me explicando. — Aqui! Me deixe tentar! — exclamou ao tomar o celular do meu bolso, logo desbloqueando a tela com a senha que ela já conhecia, abrindo a câmera e apontando para o código QR estampado na lateral da caixa. Automaticamente o novo aplicativo começou a ser baixado, e em poucos minutos o download estava completo.

Enquanto isso, tratei de tirar o boneco do pacote, cortando a fita com minhas unhas e desamarrando os arames que o deixavam fixo dentro do compartimento. Ao finalmente tê-lo em minhas mãos, o fitei, perplexo. Era muito mais do que um simples brinquedo. Era feito de aço, e as cores variavam de branco com detalhes em azul. Seu rosto era como uma tela touchscreen, e que conforme as ilustrações da caixa, reproduziam as “expressões faciais” com imagens pixelizadas. Simplesmente adorável! Era razoavelmente grande para um boneco, visto que tinha cerca de quarenta centímetros de comprimento. E por conta do material também não era muito leve e pesava cerca de quatro quilos. Aproveitei para ler as funções principais no manual de instruções e surpreendi-me cada vez mais com tamanha tecnologia. Tratava-se de um robô bastante completo, uma inteligência artificial deveras avançada e complexa. Uma inovação, sem dúvidas. Nunca tinha visto algo parecido. Perguntei-me o quanto minha amiga havia gastado com aquilo, imaginando que não deveria ser algo barato. Resolvi não questionar, afinal era um presente.

Desviei o olhar para meu celular nas mãos de minha amiga, que iniciava o aplicativo “(Ro)boyfriend”. Ela então me instruiu:

— Você deve apertar o botão azul “ON” na parte de trás do boneco.

Assim que o pressionei, as luzes do pequeno ser se acenderam. Eram coloridas, porém o azul prevalecia. O robô mexeu os braços e seus traços como olhos e boca surgiram na tela arredondada que formava sua cabeça. A boca poderia se alternar em apenas um traço, uma linha curvada para cima ou para baixo, e o formato da letra “o” para expressar-se. Os olhos também não passavam de risquinhos que se mexiam à medida que piscava. E de repente, ele falou voluntariamente, sozinho, assustando-me brevemente:

— Olá! Sou o modelo J12122012JK. Por favor, escolha meu nome e digite-o no aplicativo — a voz mecanizada pronunciou e eu ainda me encontrava perplexo.

Yoona estendeu-me o smartphone e para poder segurá-lo, coloquei o boneco de pé sobre a mesa, de frente para mim. Sua expressão era neutra. Assim que mirei a tela, meus dedos coçaram, inquietos. Aquele pequeno ser me fazia apenas pensar nele, apesar de não conhecer sua personalidade — se é que robôs têm personalidades. Passei alguns minutos pensando em como chamá-lo. Entretanto, nada mais criativo surgiu. Por isso, tratei de digitar a primeira ideia que surgiu em minha mente: “Kook II”.

O robozinho levantou um dos braços como se estivesse abanando a mão em minha direção. Depois, inclinou o tronco para frente em uma breve saudação de reverência.

— Me chamo Kook II e serei seu robô para sempre. Por favor, cuide bem de mim! — Ergueu o corpo novamente e olhou na direção do meu rosto. Sua boca curvou-se para cima no formato de um sorriso. — Oh, e você deve ser Park Jimin, o meu namorado!

31 de Outubro de 2021 às 21:47 0 Denunciar Insira Seguir história
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