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O CHOQUE QUE MUDOU VIDAS

O CHOQUE QUE MUDOU VIDAS


Uma bela noite do mês de Maio de 2015 como de costume, entrávamos em atividade em uma Base Central de serviço no bairro de Vila Mariana, na qual depois de uniformizados recebíamos de um técnico imediato a programação de local e serviço a ser executado.
Nossas atividades sempre foram realizadas em grupos de dois ou três oficiais experientes, competentes e muito unidos, sempre dividindo as tarefas para ninguém ficar sobrecarregado, estressado a ponto de comprometer a segurança e o desempenho da atividade a ser realizada.
Da preparação das ferramentas, o deslocamento até a região de Vila Madalena, o acesso ao local da atividade, o equipamento se destacava em um espaço iluminado e até confortável, não fosse pela noite quente que fazia, tudo corria de forma natural e corriqueira, afinal era uma atividade regular feita constantemente de acordo com suas programações prévias.

A diferença de situações anteriores, era que o serviço seria executado com o painel energizado a pedido do técnico e nossa ciência, e não seriam limpos os barramentos.
O oficial de elétrica ficava responsável pela limpeza dos barramentos que diga-se de passagem, estavam muito sujos, contatos e contatores e o oficial de mecânica ficava responsável pela estrutura do painel em geral, ambos desenvolvendo suas tarefas normalmente bem distribuídas.
Em um dado momento difícil se explicar até hoje, ocorreu um acidente com o eletricista que tomou um tranco/choque de 440V e mesmo sem forças saiu em busca de socorro do parceiro de serviço, que nesse momento se fazia presente à frente do painel elétrico.
Sem condições de pedir ajuda devido a falta de sinal de antena de celular, ramais telefônicos instalados no local, não completavam a chamada, e ao mesmo tempo sem poder deixar a vítima sozinha, um caos completo.
Uma cena assustadora, que não se tornou uma fatalidade graças a DEUS e aos instintos de um amigo/pai que parecia presenciar um filho desfalecendo em seus braços e que foi usado por ELE para prestar os primeiros socorros.



A cena aterrorizante não dá pra ser esquecida e é um pouco difícil descrever, o oficial um jovem profissional de 27 anos, com a língua enrolando na boca, as veias dos pescoço estufadas, começando a ficar roxo, momento em que o desespero fala mais alto.
Utilizando técnicas que provavelmente seriam reprovadas em qualquer curso de salvamento como respiração boca a boca e pancadas no peito na tentativa de mantê-lo respirando, agindo por puro instinto de não querer perder alguém muito querido, o impossível começou a acontecer, o momento crítico passou dando lugar a uma lucidez momentânea e até um pouco de riso incontrolável, pós desgraça.
Com a chegada da lucidez, e após um pouquinho de descanso, precisavam agora chegar a um hospital para o devido atendimento, mesmo com a falta de prática com o veículo da empresa, sem autorização para dirigir e nervoso, mas com o apoio da vítima, manobraram o carro e partiram rumo ao socorro.
Não respeitava sinalização, afinal um amigo precisava ser socorrido, pararam no estacionamento do pronto socorro e ao informarem o ocorrido na recepção, foram prontamente atendidos, o médico presente se encarregou de medica-lo e encaminha- lo a internação.
O pior havia passado, precisava agora comunicar a família, a chefia e os outros amigos de trabalho que dividiam a noite turbulenta e aguardavam anciosos o desfecho do ocorrido.
A família foi informada e tranquilizada logo ao amanhecer, pedido feito pela vitima que não queria deixá-los em choque à 01:00h da madrugada e se comprometeram a comparecer ao hospital, o mais breve possível, a chefia tomaria as providências cabíveis junto ao departamento de segurança e os amigos se incumbiram de concluir a atividade pendente, normalizando assim o sistema operacional.
A recuperação do jovem profissional, aconteceu em tempo satisfatório, após acompanhamento médico e psicológico sem deixar traumas, o que o qualificou as atividades de campo rapidamente, sempre alerta, cauteloso.
No âmbito familiar, casou, se tornou um ótimo pai e marido e vive intensamente cada dia como uma nova oportunidade dada por DEUS.
A amizade entre os envolvidos se tornou mais forte, brindam hoje por não terem virado estatística triste nas placas de acidente de trabalho, aquelas que ficam localizadas na entrada das empresas.
Agradecem a DEUS todos os dias e pedem pra nunca mais passarem por nada parecido, pois, essas coisas deixam marcas invisíveis e só quem tem sabe o incômodo.


Ailton




31 de Outubro de 2021 às 01:39 0 Denunciar Insira Seguir história
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