kabylr Ka Silva

Olhos tão negros como breu. A única escuridão que Will não teme, ele cai naquele abismo sem pensar. Ele pula e não se importa se a queda é profunda. Mike era como um lago, daqueles antigos cheios de limo. Você nunca sabe qual profundidade daquelas águas turvas. Você entra pensando ser raso e se afoga e sugando para escuridão sem fim e morre feliz por se tornar parte daquela imensidão.


Fanfiction Seriados/Doramas/Novelas Impróprio para crianças menores de 13 anos.

# #elmax #partido #mikewheeler #willbyers #lumax #Byler
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Penhasco


Mãos febris o puxaram para dentro do banheiro. Por segundo ele se assustou e um pequeno grito escapou de seus lábios.


Uma mão prontamente cobriu sua boca o impedindo de gritar.


— Shiu, sou eu.


Mike estende a outra mão e acende a luz e depois tranca a porta.


— Mike, você quase me matou de susto.


— Desculpa — ele disse, mas não parecia nem um pouco arrependido.


O sorriso em seus lábios se alargou. Se transforma em um sorriso que Will ainda tinha dificuldade de acreditar que era direcionado para ele.


Os dedos esguios e quentes de Mike estavam um pouco pegajosos quando ele esfregou sua nunca e subiu para embalar seu rosto.


Will fechou os olhos e se inclinou para o toque, não podia se conter e se derreter no calor que Mike lhe proporciona.


— Não queria assustar você — ele sibila enquanto seu dedo esfrega sua bochecha.


Will apenas zumbi, em apreciação sentindo sua capacidade de falar indo para ralo quando Mike esfregou seu nariz no dele.


— Não podemos demorar — ele se força a dizer.


A lembrar Mike que a ausência deles já estava levantando suspeita entre seus amigos.


Mike assentiu, antes de segurar sua nuca e beijá-lo suavemente.


Will não era tão experiente quanto Mike. Afinal ele foi seu primeiro beijo. Às vezes seus dentes ainda batiam, ele se esquecia de respirar pelo nariz.


Ele era um desastre. Mas Mike apenas sorria e dizia o quanto ele era adorável. O que fazia Will fechar a cara, tentando parecer menos ele.


Mike apenas sorria antes de espalhar beijos por seu rosto. Beijando tão suavemente que Will sabia que Mike seria sua morte.


Ele era impaciente e segurava o rosto do maior e puxava para ele. Mike sempre bufa e ri contra seus lábios da sua impaciência, mas nunca dá sua inexperiência. Ele assume o controle quando sente o corpo de Will trêmulo contra ele.


Quando Will ainda não sabia o que fazer com as mãos ou queixo.


Mike o engolia, consumia e ele ia de boa vontade. Ainda descrente com sua sorte.


Ainda se perguntando como Mike poderia amá-lo de volta.


Ele não dizia isso a Mike, não tinha coragem de demonstrar como tinha dificuldade de acreditar que não estava vivendo um sonho.


Talvez ele estivesse preso no Upside Down, ainda castelo sonhando com o que nunca poderia ter.


Mike desceu seus lábios pelo seu pescoço e se concentrou nas duas verrugas em seu pescoço. Will arfou agarrando um punhado do cabelo do paladino.


A outra mão de Mike pressiona sua cintura e o trás para ele e é demais.


Ele geme, inconsciente de si mesmo quando a língua morna de Mike chupa seu pescoço.


Alguém bate na porta e Mike pula para trás batendo as costas na pia.


— Você morreu aí dentro Mike?

— Vai se ferrar Dustin.


A risada de Dustin ressoa enquanto ele bate na porta. Will ofega, com as mãos no peito.


Mike bate na porta de volta e manda Dustin parar.


— Anda logo, vamos ir sem você.


— Já estou indo.


— Desinfeta isso quando terminar. O Will disse que iria ao banheiro. Aliás cadê o Will


— Como é que vou saber — ele grita de volta.


Will abre a torneira e lava as mãos e umedece a nuca e rosto.


Mike se aproxima dele novamente, circundando seu braço envolta de sua cintura. Ele apoia o queixo ossudo no ombro de Will e o encara pelo espelho.


— Está tudo bem?


Will sorri, apenas assente. Seu coração ainda está disparado e sua boca seca.


Eles quase foram pegos. Um dia seriam se continuassem assim.


— É melhor você descer.


— Você está bravo comigo?


— Não, Mike. Porque eu estaria?


Os lábios de Mike se cumprimem. Ele desvia o olhar para a porta e Will se lembra da briga no mês passado.


Quando Mike e ele se distraíram e se beijaram na sala do av , quase foram flagrados pelo professor Clarke.


Mike congelou e mau disse uma palavra para Will durante dois dias.


Will não insistiu, não ligou ou implorou para que Mike mudasse de ideia.


Porque ele esperava por isso.


Mike iria cair em si e perceber que gostava de garotas e que ainda amava El.


Will sabia que nunca deveria ter exposto assim , ele sabia que estava pondo seu coração a prova.


Mas como ele poderia ter dito não. Como ele podia resistir quando Mike o beija e diz que gosta dele de volta.


Às mãos de Mike o apertam levemente. Ele sorri para Will e beija seu rosto.


Will sorri e tenta se lembrar que Mike apareceu de madrugada e atirou pedras na janela, parecendo frenético e miserável enquanto implorava seu perdão.


Ele chorou no colo de Will, pedindo desculpas até adormecer por não ser mais corajoso.


Will o abraçou e beijou sua testa. Ele disse que entendia, realmente entendia.


Os pais de Mike não eram como Joyce Byers. Eles eram mais como Lonnie.


Karen podia ser legal, mas não aceitaria que seu filho se desviasse tanto.

Ela não era uma Joyce Byers.


Ela não reagiu surpresa, não houve gritos nem lágrimas de decepção porque ela sempre soube e de algum modo ela também sabia por que Will estava ansiando.


Ela o abraçou e disse que um dia Will iria encontrar alguém que o amasse como ele merecia.


Ele sorriu, mas no fundo sabia que esse alguém não existia.


Mesmo agora ele não acreditava. Mike poderia dizer que gostava dele, mas ele ainda gostava de garotas.


Ele não era como Will. Ele podia escolher e se Will pudesse ter escolha, ele não se escolheria.


Ele desce primeiro e ri com Dustin quando zomba da diarreia imaginária de Mike. Eles saem de bike para cinema com toda trupe ansiosa para assistir a hora do pesadelo.


Will não estava tão ansioso assim, mas não queria ser aquele que estraga o clima porque tem medo de um filme bobo.


Mike garante a ele que vai protegê-lo, segurar sua mão se ele sentir medo. Ele sussurra isso com sorriso suave que Will percebe que direcionado apenas para ele.


Ou gostaria de pensar que sim. Eles se sentam juntos e dividem a pipoca.


Will se assusta com o filme, mesmo tentando manter a bravata ele não gosta de levar susto.


Mas os dedos de Mike roçam o dele, seu braço se pressiona no encosto. Ele solta suspiro que não percebe que está guardando.


Mike se inclina e Will olha para os lados antes de se inclinar também.


— Você está bem, quer dar uma volta?


Dar uma volta era um código para; vamos em alguma cabine escura trocar saliva?


Will se enrijece quando percebe que Max está olhando para eles. Ela sorri de jeito estranho e Will nega com cabeça.


— Não, o filme está interessante.


Mike parece decepcionado, mas aceita. Ele continua a pressionar seu ombro no dele. Ele sorri, sem olhar para Mike. Porque sabe o que ele está fazendo.


Mike sabe como ele está nervoso, seu dedo mindinho se engancha com o dele e o seus ombros pressionados e distração suficiente para ignorar outra pessoa retalhado em cima de uma cama.


Eles vão à lanchonete que costumava ser do Bennie. El não se sente bem lá, ele percebe e resolve se sentar ao lado dela.

Ele segura sua mão quando percebe que ela está trêmula, El sorri e ele se sente bem por conseguir confortá-la. Ele apressa o partido para ir embora, eles vão ao cérebro com Dustin para falar com Suzie.


Todos gemem, e Dustin os acusa de serem péssimos amigos. Então eles vão e escutam Dustin e Suzie trocando frases pregas e juras de amor.


Will inveja Dustin. Inveja como nada nem ninguém pode deixá-lo inseguro sobre algo que ele acredita e ele acredita em Suzie.


Ele se senta na grama e observa o céu. Sente aquela coceira familiar de querer pegar papel e tentar desenhar as constelações.


Era um hábito que não podia evitar, tentar acertar constelações. Sejam as que ficam no céu ou aquelas no rosto de Mike.


Mike que estava com Lucas, Max e El rindo de Dustin. Pegando no seu pé e tentando contar coisas embaraçosas sobre ele para Suzie.


Ele sorri, mas não pode evitar aquela centelha de dor. Aquele sentimento amargo de ciúme quando percebe El esfregando o braço de Mike e encostando sua cabeça em seu ombro.


Ele sabe que está sendo mesquinho. Não há porque sentir ciúme, Mike garante.


El e Mike terminaram mutuamente pouco depois muita coisa mudou desde que eles partiram de Hawkins. E com o sequestro de El, volta de Hopper e descobrir outros como ela. Ela percebeu que precisava de espaço para crescer e conhecer a si mesma.


Eles eram bons amigos, eles tinham um vínculo e Will podia entender.


Ele entendia tão bem que sabia que um dia El voltaria atrás.


Afinal, era Mike.


Will entendia como ninguém como era amá-lo. Will esfrega os olhos e se levanta batendo a palma da mão nas pernas.


Ele decide ir embora e tenta sair despercebido. Ele sabe que eles irão levar El para casa em segurança.


Ele quer sua cama, as fitas de Jonathan para chafurdar em autocomiseração.


Mas é claro que ele notaria. Ele corre e alcança ofegante. Ele segura a roda de bicicleta.


— Ei, onde você está indo?


— Para casa.


— É você não ia me esperar, Will — El pergunta o alcançando. Ela faz aquilo com cabeça, inclina e olha para Will como estivesse vendo sua alma.


Ele sacode a cabeça e se concentra. El faz uma careta quando percebe que Will se fecha.


Mas ele não a quer em sua cabeça. E labirinto que nem ele gosta de acessar.


Mike e o restante se entre olham confusos


Eles não contaram tudo que aconteceu na Califórnia. Will não contou sobre a conexão estranha entre ele e El.


Não contou a eles como as luzes queimaram quando ele gritou desesperado no ringue de patinação quando levaram El.


Ele não teve coragem de dizer a ninguém que ele foi culpado por El estar em perigo quando teve uma crise de pânico e explodindo a energia do escola.


Ele não contou os detalhes disso nem mesmo para Mike porque não era algo que ele gostaria de pensar.


Não queria pensar em como Upside Down o transformou para sempre e como jamais poderia simplesmente esquecer essa parte de sua vida.


Porque além de El, agora havia coisas dentro dele borbulhando para sair.


— Eu estou com dor de cabeça El. Eu sabia que Mike e os outros acompanhariam você. Não queria acabar com a noite.


— Como se fosse deixar você ir sozinho também — Mike rebate parecendo aborrecido.


El sorri para Will e joga o braço envolta de seu ombro.


— Vamos para casa. Eu também estou cansada.


O partido os acompanhou até metade do caminho e depois partiram cada um para seu destino. Todos menos Mike que anunciou que iria dormir na casa deles pois estava cansado demais para pedalar de volta para casa.


Joyce não reclamou, pediu uma pizza e ignorou a carranca de Hopper que ainda implicava com Mike.


— Mãe, Mike vai dormir aqui hoje.


— É quando ele não dorme — Hopper resmunga e Joyce bate nele com pano de prato.


Mike sorriu presunçoso e se ofereceu para lavar a louça ganhando suspiros de admiração de Joyce e ganhando olhares hostis de Hopper El se junta a ele e ambos lavam a louça jogando água um no outro.


Will se afasta, ele entra no quarto pega uma muda de roupa e toma banho. Ele deixa a água quente o despertar.


Sua pele arde, mas ele gosta da sensação. Isso o lembra de que ele está aqui, está vivo.


Alguém bate na porta. Ele grita que já vai terminar. Mas demora uns bons minutos até reunir coragem para sair.


Ele se sente esgotado às vezes. Ele pode sentir um dia cinzento surgindo e se odeia por desejar que Mike não esteja lá para ver.


Mike está deitado em sua cama revirando as páginas de seu fichário de desenho.


Will sente vontade de arrancar o caderno de suas mãos, quando se lembra que Mike provavelmente já viu todos e os têm de cor.


Ele se força a lembrar que Mike não vai surtar com várias páginas dedicadas a ele, não mais.


— Ei — ele fecha o fichário e senta ereto. Ele mordisca os lábios — Você está bem?


— Hm, só com dor de cabeça.


— Quer que eu pegue uma aspirina…


— Não, já vai passar. O banho ajudou.


Will se senta na cama e esfrega a toalha na cabeça bocejando.


Mike hesita, mas pega a toalha da mão de Will.


Ele deixa que Mike seque as pequenas gotas espalhadas em suas costas e enxugue seu cabelo.


Quando ele termina ele o puxa contra ele e Will apoia sua cabeça em seu peito e ronrona como gato quando os dedos de Mike massageia seu couro cabeludo.


Mike não diz nada, ele não faz um milhão de perguntas. Ele não empurra, ele sabe até onde Will está disposto a deixá-lo ir.


Ele é grato por isso. Ele fecha os olhos e aperta seu braço em volta da cintura de Mike e se acalma escutando as batidas do seu coração.


Eles dormem entrelaçados, e é estranho como eles transitaram de melhor amigos para algo mais sem ser estranho.


Mas quando Will olha para trás ele percebe que os toque, a cumplicidade sempre estiveram lá.


Foi por isso que doeu tanto quanto Mike se apaixonou por El. Porque ele nunca precisou saber o que era viver sem aquele toque reconfortante.


Ele se inclina, se aninha no pescoço de Mike. Ele sabe que o pêndulo está batendo, que em breve as coisas podem mudar.


Um sapato pode cair a qualquer momento.


Mas ele é egoísta e ignora suas paranoias quando Mike o aperta em seu sono como se Will fosse um urso de pelúcia.


Ele zumbe satisfeito e feliz por ter isso, mesmo que seja por pouco tempo.


Hopper bate na porta, não com tanta gentileza como de costume e Will revira os olhos para a constante guerra fria entre ele e Mike.


Will acorda assustado e Mike xinga como caminhoneiro, ele tenta puxar Will de volta para o calor da cama. Mas ele já está alerta e não quer que Hopper abra a porta e os encontre assim.


Ele pode ser um cara legal, ele espera que ele seja já que vai se casar com sua mãe.


Mas Will não confia facilmente, não sabe como ele reagiria a dois garotos se aninhando no quarto ao lado.


Ele boceja, se espreguiça e beija a testa de Mike e empurra para o saco de dormir no chão.


— Ai, Will — choraminga esfregando o ombro.


— Desculpe — ele ri — Mas você precisa levantar logo, Hopper vai ficar impaciente e entrar sem bater na próxima vez.



— Ele não deveria. O quarto é seu, ele não tem esse direito.


— Mike.


— O que? É verdade. Ele não pode agir como se mandasse em tudo.


— Podemos, por favor, deixar sua guerra com Hopper e ir tomar café. Vamos nadar hoje, Max vai surtar se você nos atrasar de novo.


— Calúnia. Não foi minha culpa o pneu da bicicleta ter estourado.


— Na verdade é, quando você vê que ela está murcha e não faz nada a respeito e espera termos que sair para tentar e falhar em consertar o pneu.


Mike choraminga e puxa o travesseiro para cobrir o rosto. Will revira os olhos, mas não sem carinho.


Ele se agacha e puxa o travesseiro. Ele se inclina e beija as pálpebras de Mike, ponta de seu nariz. As maçãs de seu rosto, suas sardas.


Mike suspira e ergue a mão puxando Will para ele.

— Você não quer ir à pedreira, não é?


— Quero, claro que quero. Mas não tão cedo.


— Mike, você enrola tanto que quando chega já era hora de ir embora.


— Eu não me atraso de propósito, Will. Simplesmente acontece.


Will suspira antes de morder o queixo de Mike que ri.


Ele sabe que Mike não se atrasaria três vezes consecutivas sem motivo. Toda vez que o partido marcava um dia na represa, Mike arrumava uma desculpa e ou aparecia na hora de ir embora.


Will não queria pensar no porquê, apesar de desconfiar que motivo fosse ele.


Mike não queria escorregar na frente de seus amigos, não queria ser descoberto.


A imagem de seus olhos negros congelados de terror e do silêncio constante que veio a seguir quando o pequeno castelo deles ruia era algo que ele não poderia esquecer.


Então ele desiste de fazer Mike se aprontar e prepara uma mochila com uma muda de roupa, toalha e algum material para desenhar.


Ele prometeu acrescentar Max como zoomer no fichário de D&D agora que ela havia se juntado à turma.


Ele ainda estava em dúvida sobre como desenha-lá.


Ele iria acrescentar El e pensou em outro em especial com Steve, Robin, Jonathan e Nancy. Afinal eles também faziam parte do partido.


Ele ignorou as farpas entre seu padrasto e namorado. Ele comeu uma maçã e pedalou para a represa com Mike gritando para ele esperar.


Ele diminui a velocidade e pedala em silêncio com Mike ofegante.


Mike puxa assunto, sempre fala e Will escuta.


Essa era a dinâmica deles. Will nunca foi muito falador de qualquer maneira e preferia ficar horas e horas escutando as divagações de Mike.

Era patético querer ouvir isso pelo resto de sua vida?


Mike sorri e gesticula com mãos enquanto fala, ele quase cai da bicicleta no processo. Will o firma com pé.


Ele está nervoso, Will pode sentir isso. Mike fica frenético quando algo o incomoda.


E como se uma torneira de bobagens fosse aberta até que a última gota saísse e ele cuspisse o que realmente queria.


Will conhecia como a mente dele funcionava, por isso esperou pacientemente, ele sorriu e escutou cada palavra.


Porque sabia que Mike faria o mesmo por ele e seu voto de silêncio perpétuo.


Mike falaria, ou apenas ficaria com ele até que estivesse pronto para falar.


De longe ele podia ouvir a algazarra e sorriu ao ver os amigos espirrando águas um no outro brincando de luta de frango


Ele foi em direção aos amigos e não notou como Mike hesitou, quando ele percebeu sua falta Mike sorriu e apertou passo para alcançá-lo.


— Você está bem?


— Ei, essa pergunta é minha — ele desvia e sorri.


Will solta bike e se aproxima do Mike, estende a mão para apertar seu ombro. Mas hesita, sua mão cai inerte quando voz de Dustin os alcança.


— Olha quem resolveu nos agraciar com presença tão distinta.


— É culpa do Mike — acusa apontando para ele.


— Will!


— Nós já desconfiados Will, você nunca chega atrasado. Se bem que a convivência com Mike está contaminando você — Max acusa com sorriso condescendente.


Mike abaixa a cabeça e não rebate como Will esperava. Ele franziu a testa para o amigo e ignorou o buraco em seu estômago quando percebe um sorriso semelhante no rosto de El.


— O que importa é que eles chegaram e agora podemos brincar de Marco Polo, seja lá o que seja isso — El declara e arrasta Will para água.


Dustin é o encarregado de ensinar as regras para El que franziu o nariz em desgosto quando Dustin explica uma segunda vez mais lentamente.


— Eu entendi da primeira vez, Dustin. Não sou estúpida. Vamos começar de uma vez?


— Poderíamos se Mike entrasse logo.


— Eu já estou indo — ele anuncia rangendo os dentes. Will para de sorrir e brincar com Max e nada até borda.


— Ei Mike.


— Ei Will.


Mike se senta na borda estremecendo com água gelada. Ele enfia uma perna e depois outra.


— Tem certeza que está bem?


Mike sorri e então sem aviso mergulha. Ele desaparece na água e Will olha ansioso quando de repente sente uma mão segurar sua cintura e puxar para braço. Ele se assusta engoli água, mas ri empurrando Mike.


— Idiota.


Ele apenas ri e pisca para Will. E isso não deveria desconcertá-lo tanto. Mas seu coração nunca vai estar preparado para Mike Wheeler.


Eles espirram água um no outro. Will acerta os olhos de Mike que abre a boca em espanto.


— Vai se arrepender disso Byers.


— Eu vou?


— Ah vai! — garanto mergulhando novamente. Will ri enquanto nada para longe, mas não é rápido o suficiente e sente dedos se fechando contra seu tornozelo. Mike o puxa para trás e ele estaria mentindo se dissesse que lutou contra.


Mike o puxa, com suas pernas envolta das de Will eles o emergem para fundo. Mike o prende lá até Will sobrar bolas de ar na água. Então seu aperto se afrouxa eles submergem.


E pior acontece, Mike parece se esquecer de novo. Will não o culpa, e difícil não se perder naqueles olhos e difícil não se esquece que existem outros ao seu redor quando as mãos de Mike estão sobre ele o transformando em massa de vidraceiro


Mike encurta a distância e sabe lá Deus o que teria feito se tosse de Lucas não o despertasse.


— Hm, desculpa atrapalhar os pombinhos aí. Mas não íamos jogar?


Max pergunta e dá uma cotovelada em Lucas que ainda mantém a boca aberta. Dustin e El estão lado a lado olhando para todo canto que não eles, com uma expressão estranha. Eles parecem estar segurando o riso, mas Will não tem certeza de tão longe. Pode muito bem ser nojo.


Mike congela novamente e se afasta de Will. Nada para longe e se recusa a olhá-lo nos olhos.


Will sente frio. Sua pele se arrepia. Dessa vez ele sabe que não é nenhum efeito colateral do Upside Down ou esfolador de mentes, e Mike.


Mike que às vezes é como o sol e o aquece por dentro. Outras vezes é como Urano e congela.


O mantém de fora, distante. Se recusa a aquecer e o iluminar com seu calor.


Will se encolhe e se esforça para rir quando o jogo começa. Mike é vendado com uma camisa velha de Dustin.


Eles brincam, mas Will não consegue se concentrar. Ele é o que menos diz, mesmo assim Mike se aproxima dele.


Ele estende suas mãos e Will prende a respiração.

Ele olha para os outros e espera alguém dizer marco Polo e salvá-lo, mas ninguém diz isso.


Ele fica imóvel e Mike se aproxima mais. Ele implora a El que ajude. E ela o faz.


— Marco


Isso o desperta, ele olha para trás, mas sua mão ainda está a um centímetro do rosto de Will.


Max grita e Dustin também e ele se afasta. E Will sente que pode respirar outra vez.




Às coisas ficam estranhas. Todos percebem de certo modo. Hopper estranha o sumiço de Mike e comemora e Jonathan liga para ele perguntando como ele está.

Provavelmente Nancy deve ter dito algo porque Jonathan insiste e é implacável quando acha que tem que defender Will. Era irritante.


— Eu já disse que está tudo bem, Jonathan.

— É ele de novo não é?


Will suspira ao apoiar a testa na parede, ele enrola o dedo no fio do telefone e pensa se seria rude apenas desligar e fingir que a ligação caiu.


— Não é sobre ele, Jonathan.


Não é.


Mike não é culpado por ter medo. Por não querer ser como Will. Quem iria querer passar a vida sendo humilhado e agredido por ser diferente.


Quem iria querer passar o resto da vida se escondendo.


— Eu sei que você está pensando Will. Sei que deve estar se martirizado achando que você é culpado por seja lá qual for o drama de Mike dessa vez. Mas você não é!


— Você não sabe do que está falando Jonathan.


— Eu sei o suficiente. Eu estive lá quando ele esqueceu de você por todo verão. Você precisa parar de dar desculpas para comportamento de merda dele.


— Você não sabe de porra nenhuma Jonathan. Você não sabe de nada.


A linha fica muda e Will desliga sem esperar que Jonathan diga mais nada.


Ele se arrepende de ter contado a Jonathan. Ter chorado em seu ombro e se lamentando feito uma criança chorona.


Ele se tranca no quarto e apenas espeta as ervilhas quando tem que jantar. Ele desvia das perguntas preocupadas de sua mãe, da solidariedade de El e as tentativas de Hopper de animá-lo com suas piadas sem graça.


Tudo o que ele quer é deitar em sua cama para ser absorvido pelas cobertas.

Ele chora escutando as fitas de Jonathan e se sente pior quando o silêncio no supercom ressoa mais alto do Echo & Bunnymen.



No dia seguinte ele acorda sozinho, com recado na geladeira de seus pais e El. Eles foram fazer compras, algo que El adorava fazer.


Ela enche o carrinho de eggos e porcarias açucaradas que Joyce não tinha coragem de dizer não. Mas delimita uma certa quantidade de vegetais enlatados para equilibrar a balança.


Ele enche uma vasilha com Reese puffs e metade de leite e come enquanto assiste all my children.


Mike zombaria dele se o flagrasse assistindo isso. Mas El começou a assistir com sua mãe e quando ela trabalhava ela insistia que ele fizesse companhia a ela.


E ele gostou, então que o processem.


Will se esticou no sofá enchendo a boca de cereal derramando leite na camisa e não se importando nem um pouco. Ele fede um pouco, ele sabe. Mas não se importa.


Ele aprecia aquelas poucas horas de paz. Mesmo amando El como uma irmã ele sentia falta disso, do silêncio.


Jonathan era quieto como ele. Um velho no corpo de um jovem. Os Byers eram, ou costumavam ser.


Agora sua casa era preenchida com Madonna e Allan Jackson.


Cheia de risos de El e Max no quarto ao lado, esmaltes espalhados e elásticos coloridos na pia do minúsculo banheiro. Tudo mudou e ele tenta se adaptar ao novo e não desejar o velho.


Ele estava entretido na série, ou fingindo estar. Fingindo e falhando em não pensar em Mike e no que ele estaria fazendo naquele momento.


Provavelmente cuidado de Holly enquanto sua mãe estava na aeróbica.


Ele gostaria de estar lá. Ajudar Holly com seus desenhos e assistir desenhos animados com Mike pressionado contra ele. Segurando sua mão disfarçadamente quando Holly pegava no sono.


A batida na porta o paralisa. Ele derrama o resto do leite e pragueja correndo para a cozinha. Ele estende a mão e segura a maçaneta.


E se for Mike.


Ele alisa o cabelo para trás e limpa a boca com as costas da mão. Ele deve estar nojento. Ele pondera não atender. Correr para banheiro e lavar o rosto.


Mas batida fica mais insistente e ele abre.


O sorriso nervoso em seu rosto congela em seu rosto e se desmancha com a mesma rapidez que surgiu quando percebe quem é do outro lado.


— Uau, você parece péssimo.


— Obrigado Max e sempre bom contar com sua sinceridade.


— Não seja sarcástico, não combina com você, William.


Ela entra sem cerimônia, encosta seu skate na parede e se senta no sofá.


— Você assiste isso?


— Não! Claro que não — ele pega o controle e muda para mtv. Beat it preenche o silêncio de Max que apenas ri.


— Hm, vou fingir que acredito, Will.


Ele dá ombros e cruza os braços se recusando a encará-la. Ela bate seu ombro no dele quando ele se recusa a olhá-la.


— Vamos, pare de me ignorar. Você sabe o porquê estou aqui.


— Eu não faço ideia, a El não está aqui.


— Não seja ciumento, você sabe que não veio aqui só por ela. Você também é meu amigo, Will.



Ele apenas resmunga e ela circunda seu pescoço e puxa para ela.

— Não seja assim, Will. Eu não quero ser obrigada a dar soco em você. Seria como bater num filhote de cachorro.


— Eu não sei do que você está falando, Max.


— Ah sabe! É já que todos estão pisando em ovos e não querendo apontar o elegante na sala eu aponto com todo o prazer. Você e Mike…


— Não existe eu e Mike.


— Nem você acredita nisso.


— Não, Max. Realmente não há nada. Somos apenas amigos.


Ela revira os olhos e bufa impaciente.


— Qual é, Will. Sou eu, Max. Não precisa fingir para mim e nem para El. Nós sabemos.


— Não, não sabem. Vocês estão imaginando coisas.


— Imaginando você e Mike flertando o tempo todo, andando de mãos dadas e sussurrando no ouvido um do outro como dois amantes.


— Isso não…. Não é o que está acontecendo.


— Will, por favor — suplicou — Eu confessei uma coisa sobre mim. Algo que tinha medo, que me sentia diferente e escolhi você porque sabia que você entenderia.


— Max eu realmente…


— Eu gostaria de acreditar que você confia em mim também.


— Eu confio, mas é complicado. Isso não diz respeito apenas a mim.


— É, eu sei. O idiota do Wheeler está trancado no armário não tão metafórico assim, morrendo de medo de enfrentar a situação…


— É difícil para ele. Os pais dele não são exatamente liberais.


— Nem os meus! Você conhece o Neil, sabe exatamente como ele é. Você tem pai tão merda quanto meu padrasto e nem por isso trata os outros como merda.


— Ele não está me tratando assim — ele defende um pouco ficando na irritado.


— Ah não? Ignorar você sempre que as coisas ficam difíceis, sempre que algo o assusta. Will, você merece mais que isso.


— Não, eu não mereço! — ele grita e cobre o rosto.


Às luzes da sala piscam e Max ignora segurando sua mão e tenta tirar a outra do seu rosto.


— Will, você não pode dizer essas coisas sobre si mesmo.


— Eu posso! Porque é a verdade . Mike têm escolha, Max. Ele pode se apaixonar por uma boa garota. Quem sabe não seja até a própria El no futuro. Ele pode ter uma vida feliz.


— Espera aí, você realmente acha que ele tem escolha?


— Bem, sim. Ele gosta de meninos e meninas. Ele pode escolher o certo.


Max levanta inquieta e esfrega o rosto.


— Okay, você é mais burro do que imaginava.


— Ei!


— Agora eu entendo como você acabou se apaixonando pelo Wheeler. Você é estúpido como ele.


— Nossa , Max. Você realmente sabe como animar um cara.


— Cala boca, Will e me escute. Eu só vou explicar uma vez. Mike não tem escolha como você pensa. O fato dele gostar de meninos e meninas não muda o fato de quando ele se apaixona por alguém, ele se apaixona, entende?


— Não, eu não. Ele amava a El no mês passado praticamente e de repente eu devo acreditar que ele me ama também?


— Sim, Will. E não acho que ele amava a El, acho que ele pensou que sim. Ele acreditava que sim, porque se ele acreditasse se tornava real e ele não precisava confrontar a verdade.


Will observa Max andar pela sala em círculos coçando a cabeça e movendo as mãos exatamente como Mike.


— Ainda estamos falando do Mike, ou seria de você e seus sentimentos confusos sobre minha irmã?


— Não! — ela aponta o dedo — Não estamos falando de mim aqui Byers. Estamos falando de você e sua ignorância flagrante aqui. Eu não sou a maior fã do Mike e isso todos sabemos. Mas você está sendo injusto nisso. O fato dele ter gostado da El, não anula que ele está apaixonado por você.


— Max.


— Will, apenas pensei um minuto. Você conhece o cara a vida toda, conhece melhor que ninguém. Se ele disse que está apaixonado por você, ele mentiria sobre algo assim. Mentiria pra você?


Não, ele não.


— Ele nunca disse isso, Max.


— O que ele não disse?


— As três palavras temíveis. Ele nunca disse


Max grita e cobre a cara com uma almofada e se joga no sofá xingando baixinho.


— Sinceramente Will, o que você e El viram nele?


Will ri da expressão indignada, do rosto tão vermelho quanto seu cabelo.


— Você quer realmente saber?


— Hm, acho que não.


— Ótimo. Porque eu tenho uma lista enorme cheia de tópicos no meu caderno.


Ela geme e Will a abraça. Max o força a tomar banho e eles andam de skate pela rua, ou tentam porque Will é péssimo nisso.



Mas enquanto ele desce ladeira em cima do Skate ele esquece momentaneamente como seu coração está doendo por alguém que pode ou não amá-lo de volta.


Demora cinco dias para Mike sair do cativeiro que se trancou prontamente. Ele aparece como se nada tivesse acontecido quando eles se reúnem na Family Vídeo, eles escolhem Goonies e Pretty in pink com Dustin novamente indignado pela escolha burra Andie.


— É o melhor amigo. Ela deveria ter escolhido o melhor amigo. Não o idiota do Blane.


Mike se encolhi no sofá. Ele não tenta se aproximar de Will durante todo o filme e ele finge não se importar com a distância.


Ele escuta o monólogo indignado de Dustin e Max que dessa vez está contra Duckie.


Will a fuzila com olhar porque entende quem ela quer atingir com isso e mesmo estando chateado não quer que Mike se sinta mal.


Ele inventa uma desculpa para sair mais cedo e El e Max vão com ele, leais como sempre.


Elas passam o braço envolta dele e eles andam em zigue zag como bêbados eles cantarolam a música que Joyce escutou sem parar naquele dia.


Eles riem como idiota até chegar casa.


Quando Will cai em sua cama exausto ele adormece escutando os risos das garotas no quarto ao lado e sorri.


Ele está quase pegando no sono quando escuta o chiado.


— Will, você está acordado?


Will hesita antes de pegar o aparelho. Ele pensa em não responder.

Existe aquela vozinha crescendo e ganhando força dizendo a ele que podia dizer não.


Que Will merecia ser tratado melhor, merecia mais do que ser o pecado de alguém.


Mas Mike continua chamando o seu nome soando sôfrego e angustiado e ele nunca foi bom em negar nada a Mike


— Eu estou acordado Mike, câmbio.


Mike aparece vinte minutos depois suado e ofegante vestindo pijama listrado. Seu cabelo é uma bagunça de cachos rebeldes espetados em todas as direções.


Suas mãos coçam para arrumar, mas ele não faz. Ele cruza os braços para conter qualquer impulso estúpido.


O rosto de Mike está vermelho e mesmo sob a luz fraca do poste ele observa fascinado as sardas que ele tanto odeia.


Sardas que Will desenha a exaustão nunca ficando satisfeito com resultado porque era difícil capturar todas elas. Era tão difícil quanto capturar os olhos de Mike.


Olhos tão negros como breu. A única escuridão que Will não teme, ele cai naquele abismo sem pensar.


Ele pula e não se importa se a queda é profunda. Mike era como um lago, daqueles antigos cheios de limo.


Você nunca sabe qual profundidade daquelas águas turvas. Você entra pensando ser raso e se afoga e sugando para escuridão sem fim e morre feliz por se tornar parte daquela imensidão.


Mike funga e Will pisca. Percebe como se perdeu em sua cabeça. Fazendo sonetos e cânticos sobre os olhos de Mike.


Deus, ele podia ser mais patético.


— Will


Ele diz.


Ele já ouviu seu nome milhares de vezes. Por centenas de pessoas diferentes. William é um nome comum e tedioso, não há nada de especial e exótico em seu nome.


Mas quando Mike diz, soa como uma oração, é Will que nunca teve certeza sobre a existência de um Deus, cai de joelhos devoto.


— Will, eu sinto muito….


Lágrimas grossas deslizam por seu rosto. A represa que Mike guarda dentro de si rompe e Will estende os braços e o abraça.


Ele chora e soluça com a cabeça enfiada na curva de seu pescoço.


Suas lágrimas molhando seu suéter, sua respiração faz cócegas em seu pescoço e ele não se importa.


Ele esfrega as costas de Mike, acaricia sua nunca.


E Mike estremece, se desfaz em suas mãos porque sabe que Will não irá deixá-lo cair.


— Vai ficar tudo bem — ele promete.


— Eu não mereço você — ele sussurra desculpas desconexas que Will prontamente ignora.


Porque não se trata de merecimento. Amar não é sobre merecer ou não, ele percebe.


Amar e conhecer todas as partes e aceitar até as mais escuras. É ficar e resistir, mesmo quando dói.


Amar Mike dói como inferno. Mas ele não se importa nenhum pouco.


Ele beija o testa de Mike e o conduz para seu quarto. Ele abraça Mike e escuta seus lamentos, seus arrependimentos.


Como um bom clérigo, ele absorve seus pecados e cura suas feridas. Ao menos, ele espera que sim


No café da manhã ele cumprimenta a todos e ajuda a preparar panquecas, ignora o olhar exasperado que Hopper e Max compartilham. E devolve o sorriso de El e sua mãe.


Ele aperta a mão de Mike embaixo da mesa e sente apertar de volta.


….

Está quente e sua camisa gruda no corpo. O ventilador velho está nas últimas e não faz nada para aliviar o calor.


Will chupa gelo e deixa o gelo escorrer, aliviado pelo frio. Max e El estão reclamando do Calor e Dustin se abana inútilmente com seu quadrinhos do super man.

Lucas está devorando todos os picolés restantes da geladeira.


E quando Max explode é decide que quer ir à represa que coisa azeda


Will, que tinha visão verdadeira, não percebeu o mau presságio.


O sorriso provocador de Mike enquanto o observa o gelo derreter sobre Will se desfaz e o seu sorriso se espelha ao dele.


Will franziu a testa para Mike que parecia terrivelmente pálido de repente.


Quando todos decidem acatar a ideia, Mike diz que vai ao banheiro primeiro. Ele demora tempo suficiente para ser estranho.


— Anda logo Wheeler, ou vamos sem você! — Max grita — Porque ele sempre tem que fazer isso?


— Ele não gosta de lá — El explica olhando para a porta. Seu rosto terrivelmente sério.


— Porque ele não sabe nadar por acaso?


Dustin suspira antes de envolver as meninas com seus braços


— Ele quase se jogou de lá uma vez. Não me surpreende que não traga boas memórias.


— Como assim se jogou? — Will perguntou alarmado.


— Ah, eu esqueci que você não estava lá — Lucas aponta — Troy e James apareceram e fizeram o que fazem de melhor. Eles pegaram Dustin e o ameaçaram de arrancar seus dentes se Mike não pulasse.


— O que? — Max e Will gritam indignados.


— É Mike , ele pulou.


— Se El não não tivesse chegado e suspendido ele no ar. Ele teria… vocês sabem.


Quando Mike sai um silêncio pesado recai sobre eles como mortalha.


— Aconteceu alguma coisa?


— Não.


— Nada.


— Absolutamente nada.


Mike arqueia a sobrancelha e volta para Will que não disse nada. Seus olhos estão paralisados no rosto de Mike. Com imagem de Mike mais novo pulando de penhasco sem pensar duas vezes


Era nobre, deveria ser. Ele estava defendendo Dustin. Era corajoso.


Não, não era. Era estúpido. Egoísta pra caralho.


Will estremece e sente o ar quente mais espesso e difícil respirar.


A ideia de voltar daquele inferno é saber que Mike tinha partido. Caindo de um penhasco porque idiotas o desafiaram, não era heróico, não era nobre.


Era estúpido, idiota, assustador e impecessavel.


— Ei, você está bem?


Não, ele quer gritar. Ele quer sacudir Mike e perguntar que porra ele estava pensando, mas nada sai além de aceno de cabeça


Eles vão a maldita represa e é Will que age estranho dessa vez. É ele que mantém distância e que carrega um livro para evitar a água.

Mike nota, é claro. Ele não fica muito tempo na água, logo se senta ao lado de Will na sombra fácil de uma árvore.

— Esse livro deve realmente ser bom.


— Nem tanto — ele rebate sem tirar os olhos das páginas. Ele já leu aquela frase mais de cinco vezes.


Nada parece fixar, além de Mike pulando de penhasco.


— Hm, então porquê você não vem nadar um pouco?


— Eu esqueci o protetor, fiquei ardendo da última vez


— Eu trouxe um, achei no seu banheiro, aliás. Agradeça a sua mãe por mim.


Mike pega o frasco azul e espalha uma quantidade enorme nas mãos, ele se aproxima e Will não encontra voz para dizer não.


Ele usa o dedo para marcar o nariz e testa de Will como Joyce fazia quando ele era pequeno e isso o faz rir.


Ele tenta não. Porque ele está bravo e quer empurrar a mão de Mike que continua sorrindo.


E Mike nunca sorri muito quando estão ali.


Agora ele entende o motivo, mas não aceita mesmo assim


Mike espalha a coisa por todo seu corpo. Não hesitando em deslizar as mãos por suas costas, ombros e braços.


Seus dedos gaguejam quando chegam mais para baixo, ele morde o lábio inferior e isso atrai a atenção de Mike.


Ele lambe os lábios e Will arfa. Muito consciente daquele olhar no rosto de Mike.


Muito consciente de como estão próximos, como pode sentir o hálito de Mike contra seu rosto. Como o calor do seu corpo está emanando e super aquecendo Will como se estivesse numa sauna.


— Okay, acho que consigo passar…. No resto sozinho. Obrigado pela ajuda Mike.


Ele toma fraco sem muita gentileza e espalha nas pernas sem olhar para trás.


Ele sabe que seu rosto deve estar em chamas e sua respiração ofegante. Mas ele se recusa a cair na mesma armadilha


Eles entram na água, brincam de marco polo e tubarão, luta de frango que Mas sempre vence.


Eles se divertem. E Will se assegura de manter uma distância segura de Mike que se diverte também, que parece leve e despreocupado.


Em algum momento ele sai para fora com Dustin e Lucas. Provavelmente famintos para comer as porcarias que Dustin roubou de sua despensa.


Will permanece na água, ele relaxa e mergulha.


Ele afunda e brinca de prender a respiração. Isso ajuda a parar a espiral de pensamentos erráticos


Então ele afunda mais ele mergulha e mau sai para buscar ar.


Ele bom nisso, costumava brincar com Jonathan que tinha o fôlego de um fumante.


Ele era bom porque quando chorava quando pequeno seu pai o mandava segurar o choro. Ele segurava, ele prendia todo ar até ficar vermelho.


Até Jonathan e sua mãe terem que sacudi-lo para voltar a respirar.


Will não planejava se perder em sua cabeça de novo, vendo aquelas lembranças flutuando em sua memória enquanto a única coisa que podia ouvir era o som de seu coração batendo cada vez mais rápido para compensar o trabalho de seus pulmões.


Ele não queria assustar ninguém, principalmente ele.


Alguém o puxou em algum momento.


Sua cabeça doía e seus olhos estavam turvos. Ele sentiu as mãos segurando sua cabeça e lábios contra os seus sobrando ar.


Ele tosse e treme quando sente a lufada de ar, seu pulmão arde. Respirar dói, só não dói mais do que expressão que ele encontra quando sua vista se normaliza e focaliza o rosto pálido de Mike


Mike que está chorando que soluça enquanto aperta Will.


— Mike…


— O que porra você está fazendo? — ele grita.


Mike nunca gritou com ele antes, então isso o assusta. Ele abre e fecha a boca e as mãos de Mike descem para seu ombros.


— Que merda foi essa Will? Que porra foi essa?


Dustin e Lucas tentam acalmar Mike, tentam liberar o aperto de morte de suas mãos marcando o ombro de Will. Mas ele não solta, não o libera.


Ele continua gritando, com rosto vermelho, olhos arregalados injetados de vermelho enquanto ele chora


— Porque você fez isso, porque você fez isso porra?


— Mike, se acalma. Você está assustando ele — El diz e tenta puxar Will das garras de Mike que ri. Um som áspero e amargo.


— Eu estou assustando ele, eu?


Ele solta Will e mergulha saindo da represa.


Will demora a reagir, ele tosse e sente suas pernas pesadas, ele todo pesa uma tonelada.


Seu coração é uma bigorna comprimindo todo ar que ousa entrar.


Max o ajuda a sair. Ela esfrega suas costas e El joga uma toalha em cima dos seus ombros.


Mas Will não consegue sentir nada. Não consegue desviar seus olhos de Mike apoiando na árvore chorando como ele nunca viu.


Lucas e Dustin estão tentando acalmá-lo, sussurrando coisas que Will não entende.


Will se levanta e cambaleia, El o segura como se ele não pesasse nada. Ela o ajuda a chegar até Mike. Ele hesita, mas Lucas e Dustin o encorajam. Eles dão passo para o lado e permitem que Will se aproxime.


Quando sua mão pousou no ombro de Mike, seu corpo todo enrijeceu e ele quase tirou a mão, mas ele tentou ser corajoso o suficiente para não começar a chorar.


— Mike.. Eu sinto muito se te assustei. Eu não queria, eu juro.


— O que você estava fazendo Will? — sua voz é cascalho puro. Um tom que ele não reconhece, a suavidade que ele tanto ama inexistente.


— Mergulhando.


— Mergulhando? — indagou incrédulo, ele se vira e encara Will


Ele engoli seco e sente pequeno sobe escrutínio daqueles olhos. Não há brilho algum lá e Will se assusta com a escuridão que encontra.


— Vamos Mike. Você está exagerando. Will só estava brincando…

— Cala boca, Max! — ele explode lançando um olhar terrível para ela.


— Não me mande calar a boca Wheeler!


— Max, por favor — Lucas segura seu braço e El tem o mesmo olhar personalizado que Lucas.


Dustin também permanece calado olhando para o chão. Will sente que perdeu algo importante. Que fez algo que não deveria fazer.


Mike o encurrala contra a árvore. Uma de suas mais contra sua cabeça


Esse olhar é novo e assustador. Esse olhar parece animalesco, seus olhos estão imóveis. Mirando Will como um laser.


— Você tem ideia do que eu…. Você tem ideia…


— Eu sinto muito, Mike — ele choraminga e sente seus olhos arderem.


— Você não entende… não sabe como foi, como doeu porra!


Will se encolhi outra vez com grito, com dor na voz de Mike.


Ele estende a mão e segura o rosto de Mike com cuidado como se estivesse tentando acalmar um animal ferido.


Mike estremece e o repele, ele dá um passo para trás e agarra as mechas molhadas de seu cabelo com força suficiente para doer. Ele anda como louco e Will não sabe o que fazer. Não entende.


— Mike, por favor…


— Como você pode fazer isso comigo? — ele choraminga.


Lucas e Dustin abraçam Mike e o afastam dele. Porque Will fez aquilo, deixou Mike naquele estado.


Ele só percebe que está chorando quando El o abraça e ele chora com com sua cabeça apoiada em seu ombro.


Ele tenta se lembrar de respirar, enquanto engoli o choro. Ele não quer tornar tudo ainda pior.


— Will, ei. Fala comigo — El pede afastando Will e tentando ver seu rosto. Ele morde o lábio e segura, segura choro, segura o ar.


— Will pare com isso, respira — ela implora.


Max perde a paciência e sacode com violência.


— William seu idiota, para com isso!


Então alguém o puxa de Max . Ele mantém os olhos fechados o tempo todo. Ele quer estar em outro lugar, ele deseja realmente poder atravessar para outros mundos, encontrar algum em que ele não estrague tudo.


— Solta ele — Mike ordena — Você não vai ajudar assim.


— Ele não está respirando, Mike.


Ele sente as mãos segurarem seu rosto, uma desliza para sua nuca. Ele sente as pontas dos dedos batendo, massageando sua nuca.


— Ei, baby. Preciso que você respire pra mim, okay.


Ele solta o ar e seus pulmões ardem, ele tosse de novo. É uma bagunça de saliva e exaustão quando Mike o puxa em seus braços e o beija testa.


— Devagar, respira devagar. Pode fazer isso por mim?


Ele murmura desculpas e se agarra a Mike como coala. Ele aninha sua cabeça em seu pescoço e implora que ele o perdoe.


— Shhh, está tudo bem. Não há nada para perdoar.


Quando eles partem da represa, Will deseja nunca mais pisar o pé ali. Ele quer esquecer todo aquele dia, se sente cansado. Cambaleia e com ajuda de Mike igualmente cansado eles se arrastam para casa.


Sua mãe não leva nada bem. Hopper menos ainda, ele nunca o viu tão zangado. Ele se encolheu na cadeira se sentindo menor do que era.

— O que você estava pensando garoto? Você consegue imaginar como nós ficaríamos se algo acontecesse?


— Pai — El tenta deter a bronca. Mas ele olha para ela e maneia a cabeça. Ele merece punição pelo que fez.


— O querido — Joyce o abraça. Seu rosto vermelho de tanto chorar — Eu pensei que tinha parado com isso.

— Ele já fez isso antes?


Joyce não responde, apenas o abraça quando ele chora.


— Você parou de tomar seus remédios, Will?


— Não! Eu juro, eu os tomo todo dia.


— Talvez ele precise de uma nova dosagem, amanhã vamos à clínica — avisa Hopper. Will não ousa protestar, não com todos seus amigos e familiares olhando para ele como se ele estivesse quebrado.


Então Mike pigarreia. Ele tira a toalha de seu ombro e envolve Will e segura sua mão o puxando para cima.


— Acho que já é suficiente. Will precisa descansar agora.


— Nós não terminamos de conversar Wheeler, não se meta.


— Eu sinto muito Hopper — ele cospe — Mas vou me meter o quanto eu quiser.


— Mike, você não precisava fazer isso — ele suplica tentando se afastar, mas as mãos de Mike segurou sua cintura com aperto firme.


— Escute ele, Wheeler. Isso é assunto de família. Eu sei que você se importa, todos vocês na verdade. Mas o que Will fez foi muito sério.


— Jim, acho que Mike está certo. Podemos conversar amanhã quando as cabeças esfriarem.


— Não, Joyce. Você mesma disse que não é a primeira vez.


— Eu fazia quando criança, okay. Não faço mais isso, eu não faço.


— Então o que você fez hoje foi um caso isolado? Quase se afogar na represa e depois prender respiração até quase desmaiar.


— Deixe-o em paz — Mike grita — Ele não fez isso propósito, nenhuma dessas coisas.


— Não, eu não. Eu juro Mike. Eu não queria… sinto muito.


— Eu sei, baby. Eu sei.


Mike beija sua testa, suas pálpebras e as maçãs de seu rosto. Ele esfrega os dedos e enxerga suas lágrimas.


— Baby? — Hopper murmura — O que diabos está acontecendo aqui?


Will congela.


Ele quer negar tudo, empurrar Mike para longe e poupá-lo do que quer seja que Hopper dirá a seguir.


— O que está acontecendo é que eu estou tentando confortar meu namorado, coisa que não está facilitando.


— Mike, não!


Mike fecha os olhos e o aperta contra si. Quando ele abre os olhos, beija sua testa e olha para o partido. Will teme desviar os olhos e encontrar ódio e nojo.


Mas Mike esfrega suas costas e quando Dustin grita.


— Finalmente! Você me deve cinco dólares, Lucas.


— Espera aí, v-vocês estão bem com isso? — Will perguntou confuso, sua voz falha e ele gagueja quando Max apenas diz.


— Bem, dã. Não é como se vocês não fossem exatamente assim no cinema…

— Ou no porão — El lembra com sorriso genuíno no rosto.


— No Family Video


— É no fliperama. Não se esqueça de como Mike conveniente perde todos os jogos com gente pra jogar apenas com Will.


— Isso é calúnia!


Will ri, não pode evitar quando a sala se transforma em um falatório. Max e Mike apontando o dedo para cara um do outro e El e Dustin contando outros momentos embaraçosos que Will jurou que estava sendo discreto.


— Espera aí — Hopper diz e todos param de falar. Joyce está segurando o braço dele.


Will engoli seco, olha para sua mãe buscando alguma resposta. Ele vai precisar fugir, Mike precisaria.


— Você está me dizendo que está namorando Mike Wheeler?


— Hm, sim? - respondeu incerto.


— Ei. Sim, você está

— Mike cutuca suas costelas o fazendo chiar.

— Eu não me lembro de ouvir um pedido


Dustin e Max uivam zombando do rosto vermelho de Mike.


— Quando penso que estou livre, ele vai lá e namora outro dos meus filhos, Joyce. Eu não mereço isso, é castigo.


Joyce o arrasta para quarto rindo. Ela se desprende dele e volta para eles. Ela estende os braços e abraça Will.


— Eu estou muito orgulhosa de vocês dois — ela estende a mão — Venha aqui Michael, tem espaço suficiente para o meu genro favorito.


Mike ri sem jeito, mas abraça Joyce e para espanto de todos chora.


El e a primeira é se unir ao abraço e Dustin em seguida


Quando ele percebe está envolvido em abraço em grupo, com Mike ainda chorando.


Mas Will sabe que vai ficar tudo bem quando Mike segura sua mão.



Naquela noite, Hopper bateu na porta e se desculpou por sua explosão.

— Eu posso ter exagerado

— Você acha? — ele provoca com aquele sorriso zombeteiro. Will bate em seu braço o repreendendo.


— Deus me dê forças — ele belisca o nariz — Enfim, é isso.


Ele está prestes a sair quando segura a porta

— Eu já sei, três polegadas

— Na verdade são cinco e você vai dormir na sala

— Isso é besteira!

— Joyce — Hopper grita e sua mãe logo aparece com sorriso no rosto

— Sinto muito rapazes. Mas Jim tem razão. Se Mike estivesse com El, ele não dormiria no quarto dela e eu Nancy nunca permitiria que ela dormisse com Jonathan então…

— Mas nós sempre dormimos juntos — Mike protesta com beicinho. Will o beijaria se seus pais não estivessem no quarto.

— Como é que é?

— Quando eles eram criança, baby. Não agora.

— Eu acho bom mesmo porque não vou permitir…



— blá-blá-blá — Mike sussurra no ouvido de Will quando Hopper finalmente vai embora do seu quarto

— Você é impossível, Mike.


— É, mas você me ama mesmo assim — ele diz convencido enquanto se aproxima, seu nariz roça no dele e Will se derrete

— Hm, será que amo mesmo?

Mike ri e sem aviso captura e morde lábio inferior ganhando gemido em resposta.

— Mike

— Hm — ele geme enquanto beija seu pescoço.

— Eu sinto muito por hoje.

— Eu sei, Will.

— Eu não sabia que iria… perder o controle.

— Você tem que prometer que não vai fazer mais isso.

— Eu prometo — ele estende a mão sobre o peito e jura solenemente antes de Mike puxar sua mão e entrelaçar seus dedos.

— Mike, posso fazer uma pergunta?

— É claro!

— Dustin me contou sobre o incidente na pedreira, com Troy e James.


Mike demora a responder. E Will espera, ele engoli e desvia o olhar para janela. Seus dedos deslizam pelo braço de Will quase que inconscientemente.

— Quando eles acharam um corpo na represa eu não acreditei em nenhum momento que fosse você. Não poderia ser, não podia

— Ei, e não era — ele agarra seu rosto e encosta sua testa na dele. Eles dividem o mesmo ar em silêncio.

— Mas parecia você e todos diziam que era você. Fizeram o velório, Will. Você não imagina como foi, como me senti. Ninguém acreditava que você pudesse estar vivo além da sua mãe.

— Eu sinto muito, Mike.

— Não sinta, não é sua culpa. Eu deveria ter dito que havia más recordações daquele lugar. Mas nem todas foram

— Não?

—Hm, não. Quando íamos com Jonathan tirar fotos ou nas últimas semanas ver você tão feliz e despreocupado fez tudo valer a pena

— Até eu estragar tudo quase me afogando

— Porque você fez aquilo, Will. Eu não acredito que você estava apenas mergulhando.

— Eu estava, ao menos no começo — ele admite. Brincando com borda da camisa de Mike. — Mas o que Dustin me disse sobre você ter pulando do penhasco. A ideia de você ter… Eu não sei se teria aguentado voltar daquele inferno é descobrir que você partiu sem mim


Mike o abraça apertado. Eles choram, abraçados um no outro. E emocional, grudento. Will deve estar cheio de ranho e com rosto vermelho, mas Mike não está tão diferente.


Ele não está mais segurando nada, ele conta cada detalhe sobre aquele dia e como por um segundo a ideia de pular não era tão ruim porque ele podia encontrar Will do outro lado.

Desnecessário dizer que isso só fez chorar ainda mais.

— Você não precisa pensar em nada disso e nem eu. Porque estamos aqui, estamos juntos.

—Sim, loucos juntos, não é?

Mike ri e funga tentando conter as lágrimas.

— Sim, loucos juntos. Você é sempre será a melhor escolha que fiz, Will. Sinto muito por ter afastado você e agido feito idiota

— Não culpo você, Mike. Eu sei quanto é difícil

— Mas isso não é uma desculpa. Não é. Você passou por tanto e nunca perdeu a coragem ou fé de que as coisas melhorarem. Você me inspira, sempre inspirou e quero ser melhor para você

— Você já é perfeito pra mim

— Hm, seiva

— Você me ama, cala boca.


Ele para de rir e segura ambos os lados do seu rosto.

— Sim, eu amo.


Amar Mike não é fácil. Mas ele tem o seus momentos. Ele o surpreende com sua gentileza, com sua paciência infinita com deficiência e traumas de Will. Ele luta para aceitar as partes de si mesmo que costumava odiar. Will repete todos os dias as pequenas coisas que ama sobre ele, e brega é ele ri da lista que encontra em seu caderno e escreve poema de volta.


Ele o deixa fazer retrato do seu rosto e fica imóvel para que ele consiga desenhar todas as sardas em seu rosto. Ele pede o retrato e pendura em seu quarto.


Ele conta a Nancy no mês seguinte e ela é tão incrível quanto Will esperava. Ela age diferente envolta de Will agora, a uma cumplicidade que antes não existia e Mike a ama por isso.


Ele tenta não provocar Hopper todos os dias, ele não se esquece dos outros amigos de Will.


Nada realmente é tão diferente porque eles sempre foram muito mais do que simples amigos.


Mike segura sua mão e eles caem no penhasco sem medo do que vem a seguir porque eles têm um ao outro e isso é tudo que importa.

22 de Outubro de 2021 às 01:42 0 Denunciar Insira Seguir história
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