allera Milena Amaral

Ao se mudar para Coreia, Luhan, desejava começar uma nova vida. Vivendo na grande Cheongdamdong, o bairro que redefine o conceito de exclusividade bem a leste de Gangnam. Trabalha como garçom na conceituada empresa de roupas e modelos, EXODUS, no qual é comandada pelo grande CEO, Oh Sehun, com quem não esperava acabar se envolvendo e inesperadamente engravidando. Seria possível nascer um amor entre um simples empregado e um homem poderoso no meio da mídia coreana?


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

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Capítulo 1 - O céu noturno da cidade de Seoul tem estrelas escuras

Suas mãos tremiam.

Era uma visão na qual já havia se deixado acostumar, tremer daquela forma.Somente havia acontecido durante sua infância. Pânico, medo e desespero. Era o queLuhan conseguia pensar enquanto olhava para aquele objeto em mãos.

– Droga... – Murmurou sentindo o chão sumir debaixo dos seus pés.

Duas linhas.

Positivo.


UM MÊS ATRÁS


Tudo o que queria fazer era poder gritar.

Podia sentir seu corpo se afundar cada vez mais naquela escuridão no qual não conseguia escapar. Seu ar sugado. O som do seu coração disparado, era o único som que podia reconhecer por soar cada vez mais alto.

Fechou seus olhos com força.

Enquanto a bile chegava até sua garganta, mesmo forçando para não deixá-la sair.

– Abra os olhos.

Podia sentir os toques leves e sujos por seu corpo, trilhando lentamente, a respiração pesada e quente impregnar em seu pescoço enquanto ouvia sussurros obscenos ao pé do ouvido.

Não queria ver.

– Abra seus olhos.

Ditou, dessa vez, respirando perto de seu rosto. A língua áspera lambendo sua bochecha como se fossem uma fruta, os toques mais apertados e precisos em seu corpo. Queria gritar. Mas quem ouviria?

Lágrimas começavam a deslizar pelo seu rosto, misturando-se com a saliva, e antes mesmo que a pequena gotícula pudesse cair, seu rostofoi segurado com tamanha força pela mão daquele que surgia da escuridão.

– ABRA OS OLHOS, LUHAN!

Imediatamente, seus olhosforam abertos e por sorte não encontrou a escuridão que esperava ver, nem sentiu os toques que deslizavam por seu corpo causando repulsa.

Não havia nada.

Mas podia sentir seu coração disparado e sua respiração ofegante por causa do pesadelo. Tão real que sentia vontade de chorar enquanto encarava o teto de seu apartamento desnorteado. Ergueu sua mão direita encarando os dedos trêmulos. Era como se pudesse ainda sentir todas aquelas sensações, podia sentir a saliva ainda em seu rosto, os sussurros ao de pé de seu ouvido, tudo.

Luhan se ergueu da cama puxando o ar para seus pulmões e inspirando com calma, precisava disso, não queria fazer um alarde por causa de um pesadelo. Se havia aprendido uma coisa quando criança era que os pesadelos iam sendo esquecidos conforme o dia passava, e isso servia como um grande consolo.

Seis e meia da manhã. Era o horário que marcava no relógio ao lado da cama, fazendo Luhan levantar em direção às janelas e afastando as cortinas brancas. O sol já estava presente, porém nada tão forte, mas sim uma sensação agradável no qual aos poucos o deixava mais calmo em relação aquele pesadelo.

... Apesar de ainda ser cedo, o trânsito encontra-se calmo e sem qualquer congestionamento, algo raro nesse mês em Seoul. – Dizia o rádio, narrado por uma mulher, que foi ligado por Luhan enquanto preparava seu café.

Não sabia ao certo se outras pessoas ainda ouviam o rádio, mas havia se tornado parte da sua rotina ligá-lo enquanto preparava seu café antes de sair pra o trabalho. Fazia pouco tempo que havia se mudado do interior da China para movimentada Seoul em Cheongdamdong,ainda se sentia um passarinho fora do ninho.

Entretanto,sua vontade de comer era nula, talvez fosse por causa do pesadelo que o tinha deixado com o estômago embrulhado, mas não poderia sair de casa com a barriga vazia e acabar desmaiando na frente do chefe.

– Seria vergonha demais. – Murmurou, com um risinho só em imaginartal possibilidade.

Pegou sua xícara branca e despejou o café, sentia-se mais feliz por esse adorável aroma, não deixaria que esse pesadelo retornasse e se apossa-se de si. O esqueceria conforme o dia passasse... Droga!

O trabalho! Já estava dando sete horas.

– Merda! – Praguejou virando o copo num gole, na verdade vários goles, e correu para se arrumar. Havia perdido muito tempo com seus pensamentos.

Em cada parte da etapa que fazia para searrumar ficava olhando o relógio e se xingando pela sua falta de atenção com o horário, já que hoje precisava estar lá pontualmente.

Trabalhava em um famoso restaurante chamado El Dorado e ele pertencia a uma famosa marca de roupa e modelos chamada EXODUS.

– Aaah, cadê? – Remexia suas roupas procurando pelo seu uniforme de garçom – Vamos. Onde está? Aaaah achei!

Geralmente levava seu uniforme em sua bolsa para se trocar lá, já quecaso houvesse um incidente no caminho, o primeiro uniforme que dão é de graça e o segundo você acabapagando como uma “punição”, pois as roupas foram feitas por grandes estilistas.

Não demorou muito para sair do apartamento e pegar seu ônibus, no qual quase partia, tendoque correr para alcançá-lo, mas o que importava era que já estava atrasado. E para completar havia passado do seu ponto de descer, pois pela falta de atenção acabou indo direto e como ainda se confundia com as ruas teve que descer e correr o máximo que podia.

– Está atrasado. – Kim Minseok, dono do restaurante, declarou já em pé na entrada, com as mãos na cintura tentando manter uma expressão séria, mas sorria sem mostrar os dentes.

– Desculpe, foi minha culpa. Acabei passando da minha parada e tive que vimcorrendo o resto do caminho. – Explicou fazendo uma reverência, ainda ofegante e corado.

– Pelo visto ainda não se acostumou com Cheongdamdong.

– Talvez nunca me acostume. – Respondeu com um sorriso sem graça.

– Eu acheique pelo fato da China ser mais populosa, você ia se dar bem aqui. – Minseok comentou.

– Isso porque eu morava no interior da China, bem distante da capital. – Luhan respondeu, dando um sorriso só em lembrar-se da sua cidadezinha.

– Eu faria de tudo para morar longe de Seoul – O dono fez um adorável bico cansado. – Bem, que seja, vá logo se trocar que temos que estar no desfile em dez minutos.

– Estou perdoado pelo atraso? – Indagou, sabendo que Minseok não era alguém de guardar sentimentos negativos.

– Não. – É, talvez tenha se enganado.

– Que maldade, chefe.

Minseok riu enquanto ajudava outros garçons a transportar seus matérias para a van. Hojecobririam um desfile da EXODUS com seu pré-lançamento de coleção e precisavam servir vários convidados presentes. Não demorou muito para todos estarem prontos para sair em direção ao Dongdaemun Design Plaza, onde aconteceria o evento, um dos lugares considerado a joia antiga numa tradicional área comercial em Seoul. Se você passasse por ali pela noite, veria um sistema de cores de LED envolver a estrutura do lugar.

Assim que todos chegaram, imediatamente, se puseram em suas posições, tanto chefes em preparar incríveis e belas refeições, como os garçons colocarem seu uniforme e uma devida postura diante de tantas celebridades sem cometer qualquer erro. Luhan se observou no espelho do banheiro dos empregados enquanto alguns ainda se arrumavam e podia notar que começava surgir marcar roxeadas em seus olhos, isso era ruim, não podia ter uma péssima imagem quando tinha que lidar com outras pessoas.

– Pelos menos meu cabelo continua bonito. – Comentou, observando os fios loiros que se mantinham todos em seus lugares. Não se considerava feio,nada perto de Byun Baekhyun, mas orgulhava-se de suas características chinesas, principalmente o rosto fino.

– Vamos! Todos prontos para servir. – Um dos supervisores avisou, batendo na parede para chamar a atenção.

O mundo da moda era respirado em Cheongdamdong.

Era o que Luhan pensava enquanto servia os convidados antes do inicio do desfile. Obtinha fones em seus ouvidos para qualquer ordem ou erro que cometesse, o que até agora estava tudo em ordem, mas o menor não conseguia deixar de observar todas aquelas pessoas e aquele lugar enorme, muito enorme, rodeado pelo luxo.

Esse era o público da EXODUS.

Roupas de grife enfeitam as celebridades enquanto emergem de carros a toda velocidade em Cheongdamdong, o bairro que redefine o conceito de exclusividade bem a leste de Gangnam. Com outdoors piscando por todos os lados e looks repletos de peças de grife, a área mantém sua postura, e seus preços, nas alturas. Quando chega a noite, gente famosa aparece nos restaurantes e boates mais hypados de Seul. Para os jovens, ricos e famosos, esse é o lugar onde o visual vale mais do que mil palavras.

Mas entre as lojas respeitadas e conhecidas para o grande público, havia uma que se destacava por sua versatilidade, EXODUS, o principal departamento de moda e modelos fundadas por Soo Man no fim dos anos 80, tendo seu objetivo em modelos masculinos, mas com um estilo de roupa unissex. Uma jogada perfeita do fundador já que produzia as próprias roupas, assim como tinha seus próprios modelos sem a necessidade de outra empresa, era um lucro grandioso que fazia uma grande empresa no reconhecimento global.

– O desfile vai começar. – Foi o avisado através do fone. -Todos se retirem do salão.

Luhanreverenciou enquanto saia do local e voltoupara a cozinha, para ajudar os demais chefes em arrumar tudo para o próximo intervalo, mas antes que saísse daquele salão, virou-se para trás edeixou-se observar a sensação do desfile, a iluminação mudando de cor para uma mais escura, uma mistura de vermelho vinho e o preto, fumaça ao redor da passarela e a introdução da música que começava lentamente com uma enorme carga de mistério até o nome da marca, EXODUS, ser projetado em forma 3D na passarela paraentão ser quebrado, igual a vidro.

E o modelo principal entrando, Byun Baekhyun, uma onda de aplausos invadiutodo aquele salão, parecia ecoar por todo Dongdaemun Design Plaza junto dos seus passos firmes. Luhan riu como um bobo, então era assim a sensação de ver algo tão importante? Oglamour parecia brilhar por toda aquela passarela junto de Baekhyun. Já tinha ouvido falar dele, e como tinha ouvido falar, a joia da EXODUS, o modelo que todos amavam,tanto pela beleza, como seu jeito elegante e um tanto afiado com suas palavras.

– Luhan? Onde você esta?– A voz de Minseok soava pelo fone, não parecia com raiva, mas preocupado.

– Já estou chegando. – Respondeu antes de sair do salão, ainda podendo ouvir os aplausos.



– Como anda a próxima sessão da edição de Setembro? – Oh Sehun, CEO da EXODUS, indagou ao seu secretário com uma expressão firme.

Naquele momento, longe do grande desfile, se encontrava em uma reunião no qual havia convocado os principais profissionais dedepartamento da marca. Não estava rodeado por vários homens e mulheres, mas sim três pessoas em quem gostava de depositar confiança no seu trabalho.

– Tivemos que adiar até a próxima segunda, quando os novos equipamentos vão chegar, senhor. – O secretário, Huang Zitao, respondeu, checando o que estava anotado na sua agenda preta enquanto na outra mão mantinha uma caneta já preparado para os detalhes do chefe, algo que era bem ocorrente.

– Por que desse atraso?

– Bom, o senhor Kim quem fez os pedidos. Aqui está o recibo. – Disse puxando o papel cor amarela pastel e entregando ao maior.

– Jongin... – Sehun o chamou com um tom de quem não havia gostado de saber somente agora, enquanto observava o valor e os equipamentos comprados, depoisentão devolvendo-opara secretario. – Guarde, por favor.

– Culpado. -Jongin declarou, mostrando um sorriso singelo.

Jongin é um renomado fotógrafo, conhecido mundialmente no meio fashion, onde suas fotos haviam ganhado o mundo e favoritismo de várias celebridades. Um aspecto único de ousadia e mistura de cores fazia sua marca. Atualmente, ele trabalhava exclusivamente para EXODUS, ato que outras marcas famosas lamentavam.

– Já é a terceira vez que faz novas demandas. – Kim JunMyeon, vice-presidente, mencionou, ajeitando seus óculos redondos sobre seu nariz enquanto analisava seus papéis.

– Eram EOS Rebel. – O fotógrafo comentou, brincando com a canetacomo uma criança que foi pega fazendo o que não devia.

– E também são caras. – Boah, Produtora de Moda, rebateu encarando o fotógrafo. – Caso não saiba.

– Caso não saiba, são minhas fotos que fazem a imagem desse departamento. – Disparou contra a Produtora.

– O que caso não saiba, sua comprinha, pode acabar atrasando essa edição. – A mesma continuou provocando o moreno.

– Parece que eu tenho que lembrá-la da edição de Março? – Jongin indagou com uma olhar desafiante. – Seu atraso foi de duas semanas! Que comparar com o meu? É muita coragem, Boah.

A Produtora disse as mesmas palavras do fotografo com caretas, mas sem soar som, algo que fez o moreno arregalar os olhos com atitude da mesma.

– Acho que não os chamei aqui para começarem uma discussão. – A voz grossa de Sehun interrompeu o clima entre os colegas, os olhando com reprovação. – Estamos apenas vendo como anda a produção e se nada estáfora do eixo. Entenderam?

Todos balançaram suas cabeças, voltando à postura condescendente que Sehun esperava e adorava ver em seus funcionários.

– Agradeço. – Disse então, virando-se para o fotógrafo. – Jongin, avise a JunMyeon quando fizer alguma compra desse tipo novamente.

– Sim, senhor. – O moreno respondeu.

– E JunMyeon, leia os pontos principais de hoje, tirando o desfile no Plaza.

O Vice-Presidente concordou, ajeitando seus óculos redondos de grau em seu rosto, enquanto pegava seus papéis separados e pedidos por Sehun. Leu atentamente cada nome que envolvia a EXODUS, todas as propostas feitas por outras marcas como, Alexander McQueen, o que não impressionava rapidamente o CEO, que gostava de fechar acordos do seu jeito. Apesar da sua idade, vinte e sete anos, ele sabia exatamente como comandar a marca e todos acreditavam nele.

– Bom, pelo visto é só isso. – Comentou ajeitando os papéis a sua frente e entregando para Tao, os revisaria mais uma vez depois. – Falta algo mais? –Perguntou, pousando suas mãos abaixo do queixo.

– Senhor, precisamos definir os detalhes finais da festa beneficente da EXODUS.– Tao o lembrou de um jeito apressado, quase esquecendo esse ponto.

– Achei que Yifian já tinha cuidado disso. – O CEO respondeu franzino o cenho.

– Ele teve que ir a Milão negociar nossa comercialização. – Jongin respondeu.

– Entendo, me avise quando ele retornar, Tao. Voltando ao evento, o que falta? – O CEO indagou, mostrando-se bastante concentrado.

Tao entregou uma folha ao moreno,explicandoos detalhes finais. As festas beneficentes da EXODUS eram simbólicas em Cheondamdong, não só por ser de tamanha classe, mas com propósito em ajudar jovens de baixa renda arealizar seu sonho na moda e dar um passo no ramo. Esse projeto, criado por Sehun, conseguiu reunir vários estilistas talentosos, que também ajudavam na causa assim como em outros tipos, como desabrigados e pessoas especiais.

A reunião demorou mais do que havia previsto, já que havia alguns detalhes que devia acrescentar em relação à festa beneficente e também sobre o que ocorria com o desfile no Dongdaemun Design Plaza, e se havia algo que Sehun perdia a cabeça era quando seus planos não seguiam com os conformes. Mesmo que fosse conhecido pela sua gentiliza, também era conhecido por comandar com seriedade, a EXODUS, era seu desafio e fracassar nele era algo que não fazia parte dos seus planos.

Por fim, agradeceu a todos que lentamente se retiraram da sala de reunião, enquanto o maior levantava-sede seu lugar para encarar a vista lá fora através do vidro espelhado. Um longo suspirou saiu de seus lábios.

Já fazia cinco anos que havia assumido o lugar de seu pai na empresa, sendo o filho mais velho, já era de se esperar, mesmo sendo tão jovem. Com apenas vinte e sete anos conseguira assumir com precisão e competência à EXODUS. Era adorado por todos os funcionários, assim como também era educados com todos, gostava de ser gentil quandoprecisava, mesmo que tal atitude revirasse os olhos do pai.

Checou seu relógio dourado no braço,já estava na hora de seu próximo compromisso, mesmo que sentisse seu corpo inteiro renegar, sabia seus deveres. Pegou seu celular e o paletó,deixou a sala de reunião e imediatamente seu secretário se pôs ao seu lado, pronto para mais uma tarefa.

– Tao, estou indo almoçar com minha noiva. Voltarei no máximo em uma hora. – Avisou, soando firme assim como seu olhar pelos corredores que passava recebendoreverênciastípicas coreanas.

– Sim, senhor.

– Conseguiu falar com Yifan?

–Eu entrei em contato com Senhor Wu e ele estáchegando hoje na Coréia. Disse que virá para empresaimediatamente. – Respondeu enquanto tentava acompanhar os passos do chefe.

– Pode dizer que estarei esperando por ele.

– Mas a sua agenda estarácheia assim que voltar do almoço.

– Bem, não é nada diferente do habitual. – Disse com sorriso de canto assim que chegaram à entrada e trouxeramrapidamente o carro do jovem empresário,parando em sua frente. – Volto em uma hora.

O secretário ficou observando o chefe entrar no carro e sumir na próxima rua.

– Como uma família dessas até eu não voltaria para casa. – Comentou dando de ombros.


O sinal havia soado, dando para alguns um suspiro de alívio, o professordispensou os alunos, que saíram da sala devidamente comportados e em silêncio. Na Coréia há vários tipos de escolas, desde as mais privilegiadas até asmenos, a Escola Coreana de Cheongdam, se encaixava em um patamar acima das demais.

Filhos de celebridades, filhos de empresários e magnatas se encontravam ali.Todas com um sobrenome que fazia seu caráter e os comentários sobre eles de que não havia ego maior do que tal instituição.

Mas sempre haverá frutos bons no meio dos abatidos, não? Oh Kyungsoo era um deles. O garoto de aparência frágil e olhosque encantavam pelo brilho que ali havia, o cabelo ruivo se assimilava com suas pequenas e quase invisíveis sardas no rosto e um sorriso que parecia se formar um adorável coração. Mas não era por essa aparência pelo qual era conhecido,sim por sua família, como todos ali.

O menor saiu da sala, desviando do caminho do refeitório e seguindo para um corredor vazio que dava para o terraço, já abandonado pelos outros alunos, e ali deixou-sesentir o vento frio contra sua pele, observou o céu azul,provavelmente choveria. Tocou o bolso da sua calça e tirou seu celular,a hora que indicava ser meio dia. Seus dedos discaram o número conhecido, praticamente o primeiro da linha de discagem e esperou enquanto sentava-se perto da parede.

– Não devia estar na aula? – A voz grossa soou do outro lado fazendo Kyungsoo rir com o comentário sem mostrar os dentes.

– Você esta parecendo o papai, Sehun. – Respondeu com sarcasmo.

– Nossa, essa doeu, Kyung. Me ligou para dizer isso?

– Alguém tinha que contar uma hora ou outra.

– Sim, concordo, mas essa pessoa não devia ser você. – Sehun respondeu, o som do trânsito podia ser ouvido através do aparelho.

– Nunca viu Star Wars? Sabe, Darth Vader e Luke Skywalker?

– Não tenho tempo para seu momento nerd e esse exemplo é totalmente desconexo. Você por acaso é meu pai?

Kyungsoo não conseguiu deixar de rir daquele comentário do irmão mais velho, adorava isso nele.

–Vai, fala logo o que é. - Sehun indagou com uma pontada de ironia, dando uma leve risada.

– Estou ligando para avisar que a situação do papai com Yixing está ficando insuportável.

Yixing era o segundo filho por parte da primeira mulher de Soo Man, assim como Sehun que era o mais velho, após casar-se novamente com uma mulher que já tinha um filho, Kyungsoo, no qual passou a fazer parte da família Oh. Mas voltando, Yixing era o filho “revoltado” em seus vinte e três anos e vivia em confronto com seu pai, o mesmo já havia feito parte do exército, já tendo sido até mesmocomandante, mas por seu comportamento explosivo e briguento, acabou sendo afastado por tempo indeterminado.

– Você já deve imaginar. Mamãe tem me contado que Yixing tem passado mais tempo fora de casa, voltando bêbado e trazendo mulheres. – Kyungsoo continuou. –Ele parece uma criança.

– Não, ele age como um imbecil. – Uma pontada de decepção tornava-se notável na voz do mais velho.

–Essa manhã, papai, cortou todo o dinheiro dele. Cartões, conta bancária, básicamente tudo.

– Odeio admitir, mas ele está certo.

– Não acha que isso só vai aumentar as brigas? – Kyungsoo indagou, erguendo a sobrancelha – Mamãe teme que acabe piorando com essa decisão

– É possível, mas Yixing tem que perceber que está errado e assumir. – Sehun não gostava de ser duro com o irmão, mas ele estava passando dos limites. – Já é grande o suficiente para fazer isso.

– Você vai para casa hoje? – Indagou trocando o celular de posição.

– E quando eu deixei de ir? Por acaso já jogaram meus pertences fora?

– Estou quase fazendo isso! Você fica até tarde na EXODUS que eu nem vejo quando volta para casa. – Reclamou, era um fato que o incomodava demais.

– Você está parecendo a Ji Woo. – Disse em referência a mãe de Kyungsoo, sua madrasta. – Kang, no próximo cruzamento.

Kyungsoo ficou em silencio ouvindo o irmão falar com seu motorista.

– Está indo pra uma reunião?

– Não, ér... estou indo almoçar com a JooHyun.

Bae Joohyun é a noiva de Sehun, desde o ano passado foi previsto uma união entre eles já que a mesma vinha de uma família ligada ao meio de modelos e também era ótimo pra imagem do CEO, pelo menos era o que seu pai dizia.

Sehun só ouviu o bufar do irmão menor pelo aparelho.

– Eu sei, eu sei, ok?

– Sabe que não aprovo essa união que o papai planejou só para esconder o fato de que você é gay.

– Você diz isso todo santo dia.– Sehun comentou dando um leve riso.

Kyungsoo sempre fazia questão de deixar óbvia a raiva que tinha sobre Joohyun e também sobre sua sexualidade.

– Eu sei aonde você quer chegar, está bem? Mas isso não é algo que eu possa deixar de lado. A EXODUS, apesar de não me dar bem com o nosso pai, ainda assim tenho respeito pelo o que ele criou. – Sehun explicava para o irmão com seriedade, mas entendia seu lado.

Kyungsoo ficou em silêncio se controlando para não explodir com o belo discurso do irmão mais velho. Somente a família sabia da preferência sexual de Sehun e era algo que Soo Man abominava,era algo que não aceitaria e Kyungsoo sentia seu coração se quebrar por ver o irmão ser reprimido pelo próprio pai.

– Certo, não vou falar mais disso. Agora eu tenho que ir antes que me peguem no terraço. – Disse, se levantando do chão e balançado a poeira da calça.

– Vejo que já esta na sua fase rebelde. Oh, como cresceu tão rápido.

– Aish, cala a boca. – Respondeu, desligando o celular enquanto ria.

O menor guardou o aparelho de novo emsua calça, havia uma politica sobre o uso de celulares na escola, mas não era como se fizesse tal atitude constantemente. Apenasquando precisava falar com seu irmão sobre Yixing e também porque sentia sua falta. Ele era seu melhor amigo e quase não o via mais em casa devido ao trabalho, sabia disso, mas as constantes brigas do pai com o irmão pareciam ser a única coisa que tinha que ouvir.

Voltando para os corredores em direção à sala, com o sinal jásoando,os alunos retornando do refeitório. Kyungsoo caminhou lentamente devido à quantidade de pessoas a sua frente, todas elas conversando animadas, mas isso não foi o que chamou sua atenção,sim o garoto parado no fim do corredor cercados pelo que devia ser seus amigos, e Kyungsoo sabia quem era.

In Sung, o representante de sala e adorado pelos alunos e professores, lhe observava. Não de um jeito cheio de desdém, como estava acostumado, porém com malícia.



O restaurante, Palais de Gaumont, foi o escolhido por JooHyun. É um dos mais antigos restaurantes franceses da Coréia. Ele é localizado em um edifício elegante que se parece com um castelo pequeno, e seu luxuoso interior é decorado com veludo vermelho e lustres. Uma refeição para duas pessoas pode custar centenas de dólares.

O que combinava perfeitamente com sua noiva, que notouse encontrava atrasada enquanto observava o relógio no pulso. Típico. Era como se adorasse fazê-loesperar. Havia conhecido sua noiva na época que faziam faculdade de administração, seus pais são grandes amigos e ambos atuavam no mundo da moda, o que parecia ser perfeito para uma união familiar e, claro, também para abafar a sexualidade de Sehun.

Um dos motivos pelo qual seu pai não se dava bem com Sehun, porém reconhecia sua capacidade em administrar a EXODUS.

– Demorei? – A doce voz de JooHyun interrompeu os pensamentos do CEO que levantou seu olhar aover sua noiva que sentava-se a sua frente.

– Nada fora dos costumes. – Sehun respondeu, sorrindo em ironia.

JooHyun também sorriu como se tal comentário não lhe atingisse nem um pouco, apenas pegou o cardápio e procurou por algo que pudesse pedir. A beleza que a mesma carregava era notável, já que os olhares sobre si eram totalmente percebidos por ela, que apreciava. Oslongos fios do cabelo loiro deslizavam por suas costas, assim como orosto perfeito ocontornado, juntamente aos olhos castanhos encantadores.

– Eu dei uma passada no Dongdaemun e o desfile estava maravilhoso. – Comentou após ter feito os pedidos. – Boah quem planejou?

– Sim, ela trabalhou bastante nesse desfile. – O maior respondeu, enquanto um garçom se aproximava e servia o vinho. – Provavelmente já deve estar lá agora.

– Pelo visto essa edição de Setembro vai ser grande.

– Sempre, é a edição mais trabalhosa e corrida. Ainda mais que a festa beneficente vai ocorrer nesse mês.

– Tao já me enviou os pré-convites. – Comentou pegando sua taça, provando da bebida.

– Você irá? – Sehun indagou, enquantoseus pratos foram colocadosna mesa.

JooHyun não respondeu imediatamente, apenas pegou sua faca e cortou a carne com um rosto sereno.

– Como sua noiva é meu dever estar ao seu lado, não? – Indagou, sorrindo ao maior.

– Aconteceu alguma coisa? – Perguntou, segurando a taça entre os dedos.

JooHyun parou seus talheres e levantou seu olhar a ele, sempre haveria algo atraente na loira, desde o modo de encarar até o rosto inexpressivo.

– Isso tudo é apenas uma máscara, Sehun. – Ela respondeu com a voz calma e firme e com o sorriso ainda ali.

– Levou bastante tempo para perceber. – O maior brincou.

– Falo sério.

– Eu também. – Respondeu, mudando seu tom de voz e expressão. – Sei que é, JooHyun.Eu sinto mesmo que tenha que passar por isso.

– Oh, querido, não sinta. Não vou pedir seu amor, não vou pedir que leve café na cama para mim ou que me faça uma surpresa no trabalho. Tudo que peço é que mantenha sua palavra nessa união, como um dever.

Sehun virou a taça rapidamente, querendo desviar sua atenção daquele diálogo, com aquelas palavrasjá ouvira várias e várias vezes. JooHyun não se importava desde que casasse com o jovem,assumindo ao seu lado como esposa do dono da EXODUS.

– Eu apenas peço que siga com os conformes, é claro. – A loira continuou, bebendo um gole do vinho. –Hum, esse é um dos melhores.

– Não se preocupe com isso. – Sehun respondeu, tentando se manter firme como se estivesse em uma reunião muito difícil.

– Excelente. Acho que deveria se orgulhar da noiva que tem, sabe, estamos fazendo um favor ao outro.

– Acho que favor tem a ver com facilidade em algum aspecto. – O CEO disse, sem querer esconder o sarcasmo.

– Mas é claro que tem facilidade, tolinho. – A mesma riu,como se uma piada tivesse acabado de ser falada. – Por exemplo, haverá um grande crescimento em nossas empresas, principalmente para mim, enquanto a você, esconderáo fato de que prefere... Homens.

A expressão do maior se fechou enquanto encarava a sua noiva, que ainda mantinha aquele risinho indestrutível, segurava sua taça com tanta força que temia quebrá-la.

– Mas não se preocupe, deixarei que tenha um amante. Ah, isso é maravilhoso, não é? – JooHyun continuou, dessa vez terminando a comida que tinha em seu prato. – Sehun, você mal tocou sua comida.

– Perdio apetite. – Respondeu seco.

– Oh, mas já ia pedi a sobremesa, querido. Você vai adorar o Tarte Tatin.

– Vamos agora. – O maior ditou colocando a taça na mesa, pronto para se levantar.

– Oh Sehun, você não vai deixar sua noiva sozinha nesse restaurante, onde todos que conhecemos estão aqui. – JooHyun falou, dessa vez séria, mas fingia um sorriso como se demonstrasse estar tudo bem aos demais.

– Então você tem duas opções; Uma é você se levantar agora e ir embora comigo ou ficar aqui sozinha com todos que conhecemos. – Disse mostrando que toda sua paciência, quase completamente esgotada. – Que tal?

JooHyun foi deixando seu adorável sorriso morrer com tais ordens domaior, odiava ordens que não fossem dadas por si mesma. Então lentamente ajeitou sua bolsa no ombro, enquanto o mesmo colocava o dinheiro sobre a mesa e saiu sem ao menos esperá-la ao seu lado.



Luhan só foi voltar para o restaurante pelo fim da tarde quando toda a equipe já havia terminado no desfile, que foi um sucesso, não houve qualquer momento dramático em relação à comida ou ao serviço, como Minseok havia dito, todos foram perfeitos. Agora, já no restaurante, o loirinho ajudava os demais garçons a trazer de volta os utensílios da cozinha até a mesma.

– Nunca tinha visto tanto luxo de perto. – Luhan comentou, carregando uma caixa cheia de talheres.

– Fala do edifício? – Doyoung, um dos garçons, indagou, referindo-seao Dongdaemun Design Plaza.

– Não, falo das pessoas mesmo. Quase fiquei cego. – Dizia rindo só em lembrar.

– Espero que na minha próxima vida eu seja um deles.

– Eu queria mesmo era ser o Baekhyun. – O chefe de cozinha participou da conversa. – Como é possível alguém ser tão bonito?

– Oh, está apaixonado Chefe Hyuk? – Luhan implicou, dando um sorriso malicioso, fazendo o mais velho corar e todos os outros garçons rirem do mesmo.

– Baekhyun pode até ser bonito, mas quem é o melhor, sem duvida, é o CEO. – Uma das ajudantes comentou, mostrando-se com os olhos brilhando.

– Oh Sehun? – Luhan indagou.

– E quem mais? Aquele cabelo preto sedoso e uma altura que parece um monte que com certezaeu escalaria. Quando ele vem aqui eu só falto me jogar aos seus pés!

– Ainda não tive essa sorte em vê-lo. – O loirinho comentou com desdém.

– Ele raramente vem por aqui, apesar de ser o dono, mas às vezes tenho sorte de vê-lo quando entrego algo na empresa.

Luhan concordou com ela e então voltando para ajudar os demais na van, mas antes que saísse de novo do restaurante, um dos garçons se aproximou do loirinho.

– Luhan, Minseok está te chamando no escritório dele.

O menor assentiu e rapidamente se dirigiu ao lugar devido do chefe no segundo andar. Chegando lá, encontrou o mesmo sentado já lhe esperado com seu sorriso sereno. O escritório de Minseok tinha muita cor marrom, parecia até com o do Poderoso Chefão, mas sem a atitude do mafioso.

– Me chamou? – Indagou, fechando a porta lentamente.

– Sim, Luhan. Pode se sentar. – Disse, indicando umas cadeiras a frente da mesa. – Ainda estava ajudando os rapazes?

– Sim, já estamos quase terminando. Quer que eu fique para repor o estoque?

– Não, não é sobre isso que eu quero falar.

– Não me diga que meu atraso pela manha vai me fazer ser demitido? – O loiro se exaltou encarando o chefe à frente.

– Também não é sobre isso. – Minseok garantiu, reprimindo uma risada. – E antes que pergunte qualquer outra coisa, eu vou propor algo a você.

– E o que seria? Se for casamento já vou logo recusando – Disse encenando a recusa.–Tenho amor a vida e não quero queJongdae acabe com ela.

Minseok não conseguiu conter a risada com esse comentário do mesmo referindo-se ao seu namorado, Jongdae, quetrabalhava com Relações Publicas.

– Como sabe nosso antigo empregado, Haechan, era do turno da noite e como ele estava no sétimo mês de gravidez e eu tive que lhe dar sua licença. Nosso turno da noite é praticamente servindo na EXODUS e aos demais que ficam trabalhandoaté tarde. – Explicou calmamente ao loirinho.

– E você quer que eu faça parte desse turno? – Indagou.

– Exatamente.

– Mas meu turno é pela manhãaté à tarde, assim, temo que fique pesado demais para eu manter o dia inteiro.

– Eu poderia lhe manter somente no terceiro turno, pois temos muitos garçons no primeiro, mas de noite é bem pouco os que ficam para cuidar na EXODUS.

O primeiro turno significa pela manhã enquanto o segundo e terceiro representavam tarde e noite.

– Bem, poderíamos apenas retirar o primeiro turno e ai eu ficaria com os outros dois. – Luhan propôs.

– Então você pretende mudar? – Minseok indagou, franzido o cenho pela rápida aceitação. – Não quer pensar primeiro?

– Se você confiou a mim para fazer parte, então eu confio em você, chefe.

Se havia alguém que Luhan confiasse cem por cento, esse alguém, seria Minseok, já que o mesmo o tinha ajudado desde o momento que pôs os pés na Coréia e ele havia lhe chamado para tal destino, o faria.

– Você começa hoje. – Disse sorrindo orgulhoso.

Mas também porque não queria dormir tão cedo essa noite.



Tao olhou o relógio que já marcava oito horas e viu que já estava na hora de ir embora, seu turno já havia acabado, mas esperaria Sehun sair de outra reunião para lhe avisar pessoalmente. Enquanto isso arrumava sua mesa e os papéis sobre ela. Tao é um adorável chinês,que veio para Coréia com quatorze anos. Agora, aos vinte e quatro, seguia como secretário de um grande empresário e comparado com sua vidaantigamente, isso era algo que jamais imaginou conseguir.

Ajeitou seu cabelo castanho atrás da orelha, notando que logo devia corta o cabelo já que esse estava cobrindo todo seu pescoço.

Ouviu o barulho do elevador que se abria e levantou seus olhos, achando que Sehun já havia retornando, mas havia se enganado, Na sua frente surgia Wu Yifan, em seu clássico terno preto, cabelo da mesma cor, porém raspado nas laterais tornando assim,visível a tatuagem no pescoço. Ele lhe encarava com um sorriso de canto, mas Tao apenas sustentou o olhar enquanto sua mão deslizava até o telefone.

– Sim, Tao. – Sehun falou assim que atendeu.

– O senhor Wu acabou de chegar.

– Ótimo, leve-o até minha sala, estou apenas terminando aqui.

– Certo.

Tao desligou, pondo o aparelho em seu devido lugar, enquanto se levantava.

– Por favor, me acompanhe. – Disse a Yifan, que ainda mantinha seu olhar e seu sorriso, seguindo até a sala do CEOao lado da sua.

Abriu a porta dupla, dando passagem para o maior passar. Tao se considerava alto, mas Yifan lhe ultrapassava completamente.

– O senhor Oh pediu que esperasse aqui, ele está em uma reunião no andar de cima, mas logo retorna. – Explicou, enquanto fechava à porta.

Imediatamente sentiu seu corpo ser puxado para os braços do maior e sua boca tomada pelo mesmo,e mesmodesnorteado,retribuiu o beijo com sabor de licor, enquanto sentia a mão de Yifan apertar sua cintura com força.

– Na minha casa ou na sua? – Ele indagou entre pausas no beijo querendo se deliciar mais do secretário.

Como se lentamente a pele de Tao fosse ficando cada vez mais quente com cada toque do maior sobre si, suas mãos deslizavam até o membro dele, massageando por cima da calça.

– Na sua. – Murmurou entre gemidos abafados.

Mas se deu conta que estava no escritório do seu chefe que a qualquer momento retornaria, por isso se afastou dos braços de Yifan.

– Estarei esperando. – Respondeu.

– Senti sua falta. – Yifan disse com um sorriso de canto.

Na mesma hora, Sehun, entra na sala cumprimentando Yifan com um grande sorriso. O maiorfez o mesmo enquanto Tao se despedia, saindo do local. Ainda podia sentir seus lábios quentes e o sabor do licor.

–- Como foi Milão? – Sehun perguntou,sentando-se na sua cadeira.

– Milão é fantástica, é realmente a cidade da moda, mas nada se compara em estar de volta em casa. – Respondeu com o pensamento em apenas um lugar.

O tempo que seguiu foi uma conversa prolongada, contendo todos os detalhes da comercialização de Yifan e também por vários papéis de proposta e acordos dos quaisSehun já sentia que ficaria mais tempo a cada vezque seus dedos deslizavam pelas folhas depapel, um por um. Havia se tornado bastante comum ficar até tarde na EXODUS na companhia de apenas alguns funcionários que aos poucos iam indo embora com o decorrer do tempo, às vezes voltava para casa, às vezes dormia em um hotel perto, já que era o que tinha de mais em Cheongdamdong.

Quando olhou para o relógio, já marcavam quinze para as onze e Yifan já havia ido embora. Levantou-se de seu lugar,tirando o paletó e desabotoando alguns botões enquanto olhava pelo vidro e via a cidade iluminada por milhares delugares diferentes juntamenteos carros lá embaixo. Haviam estrelas, porém parecia que cada uma delas ia perdendo seu brilho para o céu de Seoul.

O celular vibra em seu bolso. Tateou até pegar o aparelho e ver que recebia uma mensagem de JooHyun. Suspirou, mas a abriu mesmo assim.


“Acabei de jantar com seu pai. Uma pena você não poder está aqui, querido.

PS - Seu pai e eu achamos que seria maravilhoso marcamos a data do nossocasamento após a festa beneficente.

– Sua futura esposa”


Suas mãos envolveram o aparelho com tamanha força que parecia que na verdade apertava seu próprio pescoço. Não era o tipo de pessoa que perdia a calma facilmente, mas era impossível marcar algo para esse mês, pois era Setembro, o mês em que o mundo da moda e EXODUS mais produziam e ela sabia disso, seu pai sabia disso!

– Desgraçada! – Gritou batendo o punho na sua mesa, que imediatamente ecoou pela sala.

Uma batida tímida soou do outro lado da porta fazendo Sehun erguer seu olhar para a mesma e franzir o cenho.

– Entra. – Ditou sem mover um músculo de sua posição.

E lentamente pode ver uma cabeleira loira surgir pela porta com certo receio, ele parecia assustado já que, provavelmente, havia escutado seu grito de alguns segundos atrás.

– Boa noite, senhor. Eu me chamo Luhan e... e eu sou do restaurante El Dorado. – Declarou puxando o carrinho preto com os utensílios para fazer bebidas ou qualquer outro tipo de pedido.

– Ah. – O CEO por um breve momento esqueceu que garçons serviam a empresa pela noite. – Onde esta o outro garoto? O Haechan.

– Licençamaternidade. – Respondeu imediatamente.

– Já era hora. – Comentou forçando uma risada.

– Se quiser eu posso voltar depois.

– Não há necessidade, pode entrar e fechar a porta. – Disse, se jogando novamente em seu lugar e largando o celular de lado,provavelmente o quebraria a qualquer momento se continuasse o segurando.

Luhan olhou pelo canto do olho o maior e fechou a porta. Por um breve momento sentiu-se assustado com o que poderia vira seguir. Não sabia como Sehun era, sua personalidade, mas agora se sentia mais aliviado por ele não estar surtando consigo para descontar algo. Talvez sua ideia sobrechefes estivesse completamente errada, pensava a mesma coisa de Minseok.

Puxou o carrinho preto para mais perto, enquanto pegava um pano limpo para polir o que usaria ao mesmo tempo em que olhava o escritório ao seu redor.

– O que o senhor gostaria? – Perguntou sem hesitar, quem sabe ele poderia comentar sua performance com Minseok.

– Qualquer coisa com álcool. – Respondeu sem olhar para ele, apenas tentando focar nos papéis que Yifan trouxe.

Luhan formou um adorável bico com a escolha do CEO. Ao seu vê-lo,ele parecia realmente cansado,e pelo grito que havia escutado antes de entrar na sala, irritado seria o de menos. Olhou para o Whisky com as demais garrafas e sua mão foi em sua direção a mesma, pois considerava a melhor opção. Mas quando levantava seus olhos e observava o maior, algo maior exaltava.

– Desculpa, mas penso que álcool não é a melhor opção para o senhor agora. – Masque porra estava fazendo?

– Como é que é?

Sehun franziu o cenho fitando o garoto loiro, enquanto deixava os papéis em mãos completamente de lado. Estava surpreso. Pois o antigo garçom servia tudo que pedia e mesmo quando passava da conta, ele continuava a ouvir seus pedidos.

– O álcool o desviará de seu foco e também pode lhe deixar desidratado. – Luhan respondeu mostrando um adorável sorriso. – Mas, se o senhor quiser, posso fazer um chá de whisky.

– Acaba de dizer que eu não deveria beber e então me oferece um chá com whisky. – Sehun comentou dando uma risada da proposta. – Isso não é contraditório?

–Ah, não senhor. Eu apenas irei misturar cravos-da-índia, uma colher de chá de gengibre,cardamomo, uma pitada de noz-moscada e dois bastões de canela – Explicou mostrando-se animado ao olhos do CEO. –Eentão adiciono um pouco de whisky.

– Jamais ouvi tal coisa. - Balançou a cabeça.

– Isso também ajuda com qualquer tipo de resfriado caso aconteça.

Sehun ficou fitando o garçom por alguns segundos,aoseu ver, ele não parecia estar hesitante com sua presença, já que era a primeira vez que se encontravam e geralmente as pessoas tinha um padrão em relação aos CEO’s, como se fossem sempre ignorantes e pretensiosos.

Mas Luhan não agia assim.

– Então que seja o chá de whisky. – Disse por fim.

O loirinho sorriu sem mostrar os dentes. Sua atenção se voltou para seu chá, que não era lá muito difícil de fazer. Entretanto, precisava apenas de tempo para deixá-lo a seu devido sabor, mesmo que vez ou outra confundia-sequanto aquantidade de ingredientes.

– Qual é mesmo o seu nome? – Sehun indagou enquanto voltavasua atenção novamente para os papéis.

– Han? Ah, é Luhan.

– Luhan. – Repetiu, gostando de como o nome soava. – Bem, Luhan, peço desculpas por ter lhe assustado ao entrar no escritório.

Nesse momento, o menorsegurava os dois pauzinhos de canela paramisturava ao chá, mas ficou imóvel. O loirinho fitou o CEO, jamais imaginando que ele diria tal coisa, na verdade nem lembrava mais dessa situação.

– Que nada... – Sorriu, levemente constrangido – Não precisa pedir desculpas. Obviamente o senhor é alguém que tem motivos para se estressar.

– Põe motivos nisso. – Sehun concordou, só em imaginarquantos enquanto fazia umas anotações rápidas.

– Viu? – Luhan disse enquanto voltava ao preparo do chá. – Ninguém fica até mais tarde no trabalho sem se estressar um pouco.

– E você se estressa por esta aqui? – O CEO indagou, levantandoo olhar por alguns instantes.

– Nem um pouco.

A reposta fez Sehun rir. Seus olhos observavam os papéis de proposta, já rabiscados por sua anotações.

– Quer dizer, Minseok ofereceu essa vaga para mim, é o mínimo que posso fazer por tudo que ele já fez por mim. – Continuou misturando os ingredientes formando uma cor marrom claro.

– A quanto tempo trabalha no restaurante?

Luhan observou o maior ainda focado em seu trabalho, parecia se concentrar perfeitamente, mesmo que estivesse conversando consigo.

– Não muito, quase quatro meses. Eu vim da China e Minseok me ajudou bastante a me estabelecer aqui.

– China, hein. E por que veio para a Coréia? – O cheiro do chá aos poucos preenchia o escritório.

Luhan agradeceu mentalmente que o CEO estivesse olhando para aqueles papéis enquanto se agachou perto do carrinho buscando o whisky. Os ingredientes para formar o chá já estavam prontos só faltava coar e misturar.

– Tentar a sorte.

O maior levantou sua cabeça para olhar o loiro e pode ver no exato momento que ele sorria, mas não aquele tipo de sorriso sonhador, mas sim doloroso. Sentiu uma pontada em si, fazendo-oquererindagar se havia algo mais, porém mal o conhecia e não tinha tal direito.

– Só um minuto – Disse enquanto coava o chá e misturava um pouco de whisky. – Logo vai está prontinho.

Sehun concordou apenas observando a preparação, realmente o cheiro do chá parecia ser bem saboroso, geralmente quando os garçons do El Dorado vinham somente tinha preferência pelo álcool e nada mais.

– Terminei! – Luhan exclamou animado.

Sehun levantou de seu lugar aproximando-se do garçom que lhe oferecia a caneca eergueu a sobrancelha, olhando parao chá e então para Luhan, que se mostrava ansioso para que provasse. Eassim o fez.

E tinha um gosto maravilhoso!

– Isso está fantástico! – Disse, tomando mais um gole.

– Que bom! O gosto da canela vai se sobressair sobre o whisky, ainda assim é um pouco alcoólico, mas quase nem sente o gosto. – Explicou bastante animado por ele ter gostado.

– Realmente. – Concordou, ainda provando da bebida. – Obrigado por ter escolhido por mim.

– Estou às ordens, senhor.

Luhan ficou alguns segundos olhando o CEO tomar seu chá, lhe deixando motivado, já que era sempre bomver as pessoas apreciando o que você fez com bastante empenho. Virou-se para arrumar o carrinho e ajudar os demais garçons que estavam lá fora.

– Já vai? – Sehun perguntou tão rapidamente que até estranhou depois de tê-lofeito.

– O senhor precisa de mais alguma coisa? – O loirinho indagou já pronto para ir.

– Não, apenas... – Seus dedos seguraram a caneca com força, estava hesitando, isso o fez ajustar sua postura como se voltasse a se comportar como o CEO que era. – Eu apenas apreciei seu chá e sua companhia.

E dessa vez foi avez de Luhan ser pego de surpresa por aquele elogio.

– Obrigado, eu quem deveria agradecer, mas... foi uma honra que o chefe do meu chefe, sendo que o senhor também é meu chefe, me elogiar no meu primeiro dia. – Dizia enrolando-se com suas palavras.

Fazendo mais uma vez Sehun rir.

– Então, bom trabalho, Luhan. – Disse, estendendo sua mão ao garçom.

– Igualmente. – Rapidamente apertou a mão do maior. – Quem sabe da próxima vez possa trazer mais alguma coisa diferente.

– Estarei esperando. – O CEO respondeu, mesmo que seu olhar estivesse sério, ainda assim estava ansioso por isso.

E no momento que Luhan saiu do escritório, empurrando o carrinho, foi como se Sehun pudesse perceber que seu coração batia bem rápido. Reprimiu-se. Pois o foco mudou para pensar nos olhares que seu pai e sua noiva fariam se visse toda essa cena de elogios entre um CEO e um empregado.

Bebeu todo o resto do chá, voltandopara seus papéis.

20 de Outubro de 2021 às 18:23 0 Denunciar Insira Seguir história
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