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A avó de Jimin costumava dizer que o Halloween era a noite em que nossos espíritos ficavam mais sensíveis ao "outro lado", seja lá o que ela queria dizer com isso. Ele nunca realmente acreditou nesse tipo de coisa, mas havia algo que não dava para negar; Min Yoongi e Park Jimin pareciam ter algo com o Halloween. Os dois se conheceram em 31/10/2005 enquanto pediam doces na rua, deram o primeiro beijo em 31/10/2010 na festa do Dia das Bruxas do colégio e se separaram no dia 31/10/2012, também uma noite de Halloween. Agora, sete anos depois, eles se reencontram, no dia 31/10/2019, enquanto Park Jimin leva seu filho para pedir doces na casa dos vizinhos. Ou Ao abrir a porta para ouvir mais um "doces ou travessuras" e entregar mais doces as crianças, Min Yoongi não esperava se deparar com um garotinho que parecia a cópia de seu antigo amor e, logo atrás dele, Park Jimin, que o tinha largado exatamente sete anos atrás em uma noite de Halloween.


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

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Capítulo Um

Escrito por: sugaqueparktiu / @sugaqueparktiu


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A avó de Jimin costumava contar a ele que o Halloween era a noite em que os espíritos ficavam mais sensíveis ao “outro lado”, seja lá o que ela queria dizer com isso. Ele nunca realmente acreditou nesse tipo de coisa, quer fosse no outro lado ou no tal “poder da noite do Halloween”. Mas havia algo que não dava para negar; Min Yoongi e Park Jimin pareciam ter algo com o Halloween.


31/10/2005 — Quando eles se conheceram.


A noite estava fresca, o ar do outono fazia com que a caminhada pela vizinhança para pegar doces fosse ainda mais agradável, embora Jimin estivesse triste por estar sozinho enquanto as demais crianças estavam acompanhada de seus amigos ou irmãos.

Jimin já deveria estar conformado, seu irmão tinha apenas dois anos, não poderia acompanhá-lo já que mal sabia andar e, por ter acabado de se mudar para o bairro, ele ainda não conhecia ninguém. Mas isso não o fazia desanimar, ele já estava com a sua bolsa cheia de doces dos mais variados formatos, tamanhos e sabores, e não planejava ir para casa tão cedo.

— Por que você está tão sozinho? — Jimin se assustou com a voz vindo de trás dele. — Desculpe, não queria te assustar, é só que eu e meus amigos estávamos te vendo assim tão sozinho e ficamos tristes.

Jimin observou o garoto que o tinha assustado. O garoto era provavelmente alguns anos mais velho que ele, já que era maior e parecia mais esperto que os garotos de sua escola. O mesmo usava roupa normal, não parecia estar fantasiado, o que o fazia parecer tosco na opinião de Jimin, que por sua vez estava fantasiado de abóbora.

— Hm, oi? — chamou o garoto, vendo que Jimin não o tinha respondido.

— Ah, oi, desculpe. Eu só me assustei um pouco. — Jimin deu seu melhor sorriso.

— Por que está tão sozinho? — O garoto voltou a perguntar.

— Eu me mudei há dois dias e meu irmão é muito pequeno para vir comigo, mas eu realmente queria pegar doces.

— Ah! Você é o menino da mudança legal! — disse um outro menino, vestido de Homem-Aranha, vindo em direção aos dois. — Eu sou o Jungkook — disse o garoto, levantando a mão como se esperasse um hi-five.

— Mudança legal? — Jimin riu, mas ergueu a mãozinha para bater contra a do outro garoto.

— Sim! Tinha vários brinquedos irados! — disse o garoto animado com seus grandes olhos brilhantes. — Qual é o seu nome?

— Jimin. — Ele corou, vendo que recebia a atenção dos três garotos.

— Vocês estão deixando o menino com vergonha. Só digam que queremos andar com ele e pronto — disse o terceiro garoto, que estava atrás de Jungkook e, aparentemente, também não usava fantasia, aproximando-se e estendendo a mão para Jimin em seguida. — Eu sou Yoongi, irmão mais velho do Jungkook.

— Eu sou Jimin! — respondeu, apertando a mão do garoto.

— Eu sei, Abobrinha. — Yoongi sorriu forte, suas gengivas rosadas aparecendo.

— Abobrinha? — perguntou o menino que tinha abordado Jimin.

— Sim, ele está fantasiado de abóbora, então é o Abobrinha. — Deu de ombros como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.

— Posso perguntar o porquê de vocês dois não estarem fantasiados? — perguntou Jimin, olhando de cima a baixo os dois.

— Nós estamos fantasiados. — Yoongi apontou para o maior dos três e disse: — O Namjoon é o Sam e eu sou o Dean.

— E quem são esses? — Jimin ergueu as sobrancelhas olhando para os dois.

— Hello? Os irmãos Winchesters? — Yoongi olhava para Jimin como se tivesse nascido um terceiro olho no menino.

— Quem são esses? — perguntou o menor dos quatro, ainda sem ter a menor ideia do que Yoongi falava.

— Você nunca ouviu falar em Sobrenatural? A série de terror que estreou mês passado?

— Ele é muito novo, Yoongi-hyung. Provavelmente os pais dele não o deixam assistir essas coisas — disse Namjoon e deu de ombros.

Yoongi analisou Jimin por um tempo. No final, suspirou e disse:

— Nem todos podem assistir uma série legal, uma pena. Agora venha, vamos pedir mais doces.

E, simples assim, Jimin arrumou seus primeiros amigos do bairro.

Namjoon vivia ao lado da casa de Yoongi, o que era três casas abaixo da de Jimin, por isso não foi muito difícil eles sempre estarem juntos e formarem uma daquelas amizades incríveis que não dava para desgrudar.

No ano seguinte, na noite de Halloween, Yoongi obrigou Jimin a assistir o primeiro episódio de Sobrenatural com ele e os dois tiveram que dormir juntos, já que, mesmo querendo dar uma de corajosos, os dois estavam morrendo de medo.


31/10/2010 — O primeiro beijo


Jimin estava nervoso. Ele e Yoongi tinham planejado três semanas atrás que não iriam à festa de Halloween do colégio, preferiam ficarem em casa comendo besteira e assistindo mais episódios de Sobrenatural, mas Yoongi tinha mudado de ideia de uma hora pra outra e tinha convidado Jimin na noite anterior para ir como seu par. Resultado: um Park Jimin correndo aflito de um lado para outro à procura de uma fantasia decente para a noite. Ele não queria ir com as mesmas fantasias bobas de sempre, dessa vez queria que Yoongi realmente o visse.

— Eu já disse, Jiminie, vai de vampiro. Não tem nada mais sexy que vampiro — disse Taehyung quando saíram da quarta loja de fantasias sem nenhuma sacola em mãos.

— E eu já disse que não quero algo que grite “quero que você me beije”, preciso de algo como “eu sou bonito o suficiente pra você me querer, talvez” — respondeu o Park já com um bico enorme no rosto, irritado por nada parecer bom o suficiente.

— Você nunca vai entender que o hyung é apaixonado por você, né? — Suspirou, parando na frente do amigo e colocando a mão em seus ombros para olhar diretamente nos olhos de Jimin. — Entenda que ele gosta de você e que, se te chamou para essa festa, é porque vai te beijar, independente do que esteja vestindo.

— Mas Tae…

— Nada de Tae. Vamos, temos a tatuagem quase perfeita em casa e só precisamos de algo que possamos fazer parecer cicatrizes — disse animado, puxando o amigo de volta para a loja.

— Que tipo de fantasia atraente tem cicatrizes? — perguntou Jimin, já não esperando uma resposta.


*


— Eu ainda não acredito que concordei com isso — resmungou Jimin, olhando-se no espelho.

— Isso sim é uma fantasia decente. Eu sou mesmo brilhante, hm? — O sorriso de Taehyung era tão grande que Jimin teve que se segurar para não sorrir também.

— É hoje que o meu irmão morre — murmurou Jungkook do cantinho do quarto onde estava jogado na cama de Taehyung.

— Só quero que ele me beije, nada de mortes por favor. — Jimin sorriu, tentando ser confiante em si mesmo pelo menos por aquela noite. — Vocês têm certeza que não querem ir? Vai ser legal.

— Nah, vamos ficar em casa e assistir filmes de terror, bem melhor — disse o mais novo, fazendo careta; ele sempre odiou a ideia de ir a festas.

— Se vocês dizem. — Deu de ombros e se virou, não querendo mais encarar seu reflexo no espelho.

— Vamos para a sala, o Namjoon já chegou com o Hobi-hyung, então é provável que o Yoongi logo chegue também — anunciou Tae, puxando os dois meninos para fora de seu quarto.

Acontece que Yoongi já tinha chegado. Ele estava fantasiado de Draco Malfoy, o que fez Jimin quase cair da escada ao ve-lo. O Min havia pintado o cabelo, um tom de loiro tão claro que quase parecia branco, o que deixava seu tom de pele ainda mais atraente aos olhos de Jimin.

— Park Jimin, você é o anjinho mais fofo desse mundo — disse Hobi animado, indo ao encontro do menino que corou violentamente ao perceber que todos os olhares se voltaram para ele.

— Isso porque você não viu atrás — disse Tae animado, dando pulinhos enquanto batia palmas. — Vira, Jiminie, mate-os com sua beleza.

— Taetae, para com isso — disse envergonhado, dando um tapa de leve no braço do amigo. — Não é nada demais!

— O que tem aí atrás? — perguntou Yoongi, sua voz agora muito mais grossa do que cinco anós atrás, o que sempre fazia Jimin corar mesmo quando não queria.

— Não é nada, hyung. Vamos? Não quero me atrasar. — Tentou mudar o foco.

— Se atrasar para o que, hyung? É uma festa, o ideal é chegar atrasado — disse Jungkook jogado no sofá; um hábito dele, se jogar em qualquer lugar.

— E o que você sabe sobre festas, hm? Você só tem 13 anos, Jungkook-ah — disse Namjoon brincalhão, bagunçando o cabelo do mais jovem.

— Joonie, deixa meu irmão em paz — disse Yoongi, indo em direção aos dois, fazendo todos rirem. — Não está vendo que ele está mais rosa que o Jimin quando fica bravo?

— Eu não fico rosa quando estou bravo! — protestou o que estava fantasiado de anjo.

— Fica sim, e todos sabem disso. Agora me deixa ver o que tem nas suas costas que o Tae disse — exigiu Yoongi indo até Park.

— Vira, todos queremos ver — pediu Hoseok animado.

— Vocês são chatos, não sei por que ando com vocês — resmungou Jimin, corando pelo que parecia a décima vez desde que tinha se olhado no espelho minutos antes.

Mesmo protestando Jimin se virou, mostrando a abertura em sua camisa branca e grandes cicatrizes — onde ficariam, supostamente, suas asas caso fosse um anjo de verdade — feitas com látex e a maquiagem barata que os amigos tinham comprado na loja de fantasia. A camisa só ficava presa ao corpo de Jimin graças os dois fios que se encontravam em um laço delicado no pescoço.

— Oh, meu Zeus, ele é um anjo caído! — exclamou Hoseok animado.

— Fala que não ficou perfeito?! Eu sou um gênio! — Taehyung se glorificou.

— Jimin naturalmente já tem a aparência de um anjo, não é difícil fazer essa fantasia, Taetae. Mas as cicatrizes ficaram ótimas. — A voz de Yoongi estava próxima demais, o que levou Park a se arrepiar e sorrir com as palavras.

— Eu gostei do seu novo visual, hyung. Do cabelo loiro, digo. — Jimin ofereceu o elogio.

— Você gostaria do visual dele mesmo se ele estivesse parecendo um cachorro molhado, Jiminie-hyung — disse Jungkook rindo.

— Não deu a hora de criança dormir, Jungkook-ah?


*


Jimin estava feliz por ter aceitado ir à festa com Yoongi. Aquele seria o último ano de Yoongi no colégio, já que ele tinha completado 17 anos no começo daquele ano e teve notas ótimas durante todo seu colegial, então Jimin tentava aproveitar cada pequeno momento que tinha com Yoongi. Sabia que o amigo iria se mudar para a Seoul, onde iria para a faculdade de Arquitetura que tanto sonhava. Mesmo que Busan não fosse tão longe assim, eles se veriam muito menos, já que não poderiam mais simplesmente bater na porta um do outro para passarem a tarde toda juntos como costumavam fazer desde quando se conheceram cinco anos atrás, na noite de Halloween de 2005.

— Acho que o Namjoon está bêbado — comentou Yoongi, balançando a cabeça no ritmo da música.

— Não deveríamos ter deixado ele beber aquele ponche. — Jimin concordou sem olhar para Namjoon, focado demais no rosto calmo de Yoongi.

— Sim… — disse Yoongi como se quisesse dizer algo mais, porém parou por ali.

— Mas tudo bem, o Hobi-hyung vai cuidar dele — brincou Jimin.

Eles pararam a conversa por aí.

Já tinha mais de uma hora que tinham chegado, o salão de esportes do colégio estava todo enfeitado com várias aranhas de plástico, fantasmas de pano, morcegos de papel, luminárias de abóboras e caldeirões com gelo seco para dar um ar de mistério ao local, que tinha a luz baixa apesar da música alta.

Assim que tiraram a foto em grupo na entrada do ginásio, os amigos foram logo sentando na mesa que tinha a melhor visão para a pista de dança. Depois que beberam e comeram, mais do que provavelmente deveriam, Hoseok e Namjoon se levantaram e foram direto para a pista de dança, não se importando com alguns olhares que recebiam enquanto balançavam o corpo no ritmo das músicas animadas que tocavam.

Yoongi e Jimin continuaram sentados, bebericando suas bebidas geladas e trocando pequenas conversas como sempre faziam quando estavam nervosos com algo.

— Quer sair daqui? — Jimin tomou a iniciativa de perguntar, quase não acreditando que tinha dito aquilo em voz alta.

— Pra onde iríamos? — Yoongi sorriu.

— Quer ou não sair daqui? — Tentou não corar.

— Quem vai cuidar dos dois? — perguntou o mais velho, indicando os dois amigos que rebolavam ao som de uma música agitada.

— Eles são bem grandinhos, Yoonie. Acho que não precisam de alguém cuidando deles.

— E você, Jiminie? É mais novo e menor, precisa que alguém cuide de você?

Park não sabia se aquilo foi uma brincadeira, uma provocação ou um flerte, vindo de Yoongi poderia ser qualquer coisa. Mas ele escolheu acreditar que eram os três e se levantou com as sobrancelhas arqueadas, indo em direção à saída. Ele sabia que o Min iria atrás dele.

— O que quer aqui fora? — perguntou Yoongi quando eles se sentaram em um banco um pouco afastado do colégio, mas não o suficiente para ser perigoso, já que era noite de Halloween e a maioria das ruas estava movimentada.

— Acho que você não iria me beijar no meio daquela gente toda — disse Jimin, sem coragem o suficiente para encarar Yoongi.

— E o que te faz pensar que eu vou te beijar? Hm? — perguntou Yoongi, aproximando-se do amigo, pegando na mão dele.

— Você não vai, hyung? — perguntou com a voz mais inocente que conseguia fazer, sabia que Yoongi não resistia a isso.

Yoongi não respondeu com palavras, apenas sorriu e se inclinou em direção a Jimin. Ele usou a mão que estava livre para segurar o rosto do mais novo e trazê-lo para mais perto ainda.

— Eu vou te beijar agora, Jiminie — sussurrou e acabou com a distância entre eles.

O beijo foi lento e calmo, era o primeiro dos dois, eles sentiam cada pedacinho do corpo reagindo àquele toque. Por mais clichê que pudesse ser, parecia que se encaixavam perfeitamente, como se eles tivessem sido feitos um para o outro.

Talvez, após aquele dia eles pensariam como era besteira acharem que tinham encontrado alguém que os completasse perfeitamente, era muito fácil fazer essa afirmação aos 15 e 17 anos. Mas eles realmente preferiam não pensar naquilo por agora, então apenas se beijaram até dar a hora de irem pra casa e passaram a madrugada toda assistindo Sobrenatural enquanto trocavam carícias e sorrisos.

Halloween era o dia favorito de Park Jimin, e Park Jimin era a pessoa favorita de Min Yoongi.


31/10/2012 — A separação


— Podemos não sair hoje? — pediu Jimin, jogando-se na cama de Yoongi, deixando seu corpo todo relaxar ao ser envolvido pelo cheiro do namorado.

— Por que não? Nós saímos na noite do Halloween há sete anos — perguntou um Yoongi confuso, colocando a camiseta da atlética de seu curso. — É tipo nossa tradição.

— Eu sei, mas realmente quero aproveitar minha última noite com você. — Jimin engoliu em seco, sentindo o peso daquelas palavras.

— É a última noite do trimestre que você fica comigo. — Yoongi revirou os olhos, mas havia um sorriso dançando em seus lábios. — Não nossa última noite — completou, deitando-se ao lado do namorado, segurando o rosto delicado do garoto com sua mão grande e absorvendo com os olhos toda a beleza que seu namorado tinha antes de se aproximar e depositar um beijo calmo nos lábios do mesmo.

A verdade é que aquela realmente era a última noite deles. Nos últimos dois anos, Jimin sempre passava uma semana a cada três meses com Yoongi. Isso acabou chamando a atenção do pai de Jimin, que começou a investigar e descobriu que essas visitas não eram pelo filho ser muito apegado ao amigo, mas sim por ser seu namorado — coisa que o Sr. Park não aceitava de forma alguma.

“Gay, Jimin? Conta outra. Você nem sequer tem idade para gostar de alguém, é uma criança.” O pai do garoto tinha dito na noite em que descobriu.

Depois de difamar Yoongi de todas as formas possíveis, falar que o que Jimin tinha era doença e fazer o próprio filho se sentir como um lixo, o Sr. Park exigiu o fim do namoro e, quando Jimin se recusou, ele riu da cara do garoto.

“E vai fazer o que, hein? Vai morar com ele em Seoul? Vai se sustentar como? Eu tiro cada centavo que já te dei, Jimin, te deixo sem nada além das roupas do corpo. Filho meu não vai ser viado”, gritou, empurrando o garoto contra a parede. Jimin nunca tinha visto o pai agir daquela forma, não sabia como se sentir em relação aquilo tudo. “E se você ainda cogitar ir contra meus dizeres, mesmo eu tirando tudo seu, eu vou atrás dele, Jimin. Eu tiro a bolsa de estudos da universidade dele e também a bolsa permanência. Ele vai virar um perdido, igual ao pai. E a culpa vai ser sua por ter tirado a oportunidade de ele crescer, achando que um amor adolescente realmente duraria.”

Naquela noite, Jimin se sentiu tão impotente que sequer conseguiu responder o pai. Não sabia o que dizer, como se defender ou tentar mudar a situação. Ele sempre soube que o pai era homofóbico, mas não esperava que ele descobrisse tão cedo, ou que fosse reagir daquela maneira.

Mas não havia nada que Jimin pudesse fazer. Por mais que ele acreditasse que ficaria com Yoongi para sempre, ele não podia colocar a carreira do namorado em risco. Ele não sabia do que o pai era capaz e não queria arriscar. Por isso aquela seria a última noite dos dois.

Jimin tinha decidido passar a última semana com Yoongi no Halloween, para fecharem o ciclo que havia começado anos atrás naquela mesma data. Foi horrível saber que após o Halloween ele provavelmente nunca mais veria Min Yoongi, mas Jimin simplesmente não podia suportar a ideia de que poderia atrapalhar o futuro de Yoongi. Ele precisava deixá-lo ir, por mais que doesse.

— Por que ficou calado do nada? — perguntou Yoongi, tirando Jimin do transe.

— Hm?

— Você está meio tenso. Tá tudo bem? — perguntou Yoongi, acariciando o rosto de Jimin.

— Sim, só realmente não quero sair, podemos ficar aqui, comer besteira e só ficarmos juntinhos? — pediu, fechando os olhos, não confiando em si para manter as lágrimas longe.

— Tem certeza que está tudo bem, Minnie? Sabe que pode falar sobre qualquer coisa com o hyung, sim? — Yoongi trouxe o rosto do mais novo para seu peito, passando os dedos pelos fios macios do cabelo de Jimin.

— Está tudo bem — mentiu Jimin.


*


A última noite deles foi a preferida do Park. Eles ficaram a noite toda assistindo filmes de Halloween enquanto comiam e trocavam pequenas conversas. Quando estavam ficando cansados demais, desligaram a televisão e se aconchegaram embaixo das cobertas.

— Hyung, podemos fazer… aquilo? — perguntou Jimin sem levantar a cabeça do peito de Yoongi.

— Aquilo o que, Minnie?

— Você sabe o quê! Não me faça falar isso em voz alta! — disse envergonhado, escendondo-se ainda mais no peito do namorado.

— Amor, como você quer fazer isso se nem consegue falar o que é isso? — perguntou Yoongi, puxando o rosto do namorado para que pudesse ver os olhos dele.

— Hyung! — Corou violentamente tentando não desviar o olhar do de Yoongi.

— Diz, aí podemos fazer.

— Yooongi… — O Park amava quando o mais velho sorria para ele daquela forma, como se Jimin fosse a pessoa mais preciosa do mundo. — Faz amor comigo? — pediu em um sussurro tão baixinho que mal se ouviu, mas sentiu seu rosto corando como corou na primeira vez em que se beijaram, dois anos atrás.

— Claro, Abobrinha — respondeu o Min com um sorriso tão grande que Jimin se perguntou se a bochecha de Yoongi não estava doendo.

Eles fizeram amor durante toda a noite, o clichê mais perfeito que já tinham presenciado, seus corpos se encontrando em um estado de prazer físico e emocional tão grande que eles não conseguiam segurar apenas em palavras e gestos, Jimin acabou deixando lágrimas escorrerem por seu rosto, as quais Yoongi limpou com beijos e, apesar de não ter chorado, o futuro arquiteto também ficou com olhos marejados.


*


No dia seguinte, Jimin chorou ao se despedir de Yoongi, o que acontecia todas as vezes em que ele ia embora. Era difícil só ver o namorado de três em três meses, mas dessa vez era ainda pior, porque dessa vez era para valer. Eles não se veriam mais.

Jimin tinha deixado uma carta no travesseiro de Yoongi, pedindo para que o namorado não o ligasse mais. Inventou a desculpa de que queria focar nos estudos e de que não aguentava mais aquele relacionamento a distância, pediu desculpas e implorou para que Yoongi não o odiasse, mas que o esquecesse.

No trem em direção a Busan, Jimin chorou tanto que sentiu um pedaço de seu coração se quebrar, mesmo que ele soubesse que aquilo não era possível. As memórias dos últimos sete anos assombraram Jimin por todos os lugares em que o trem passou, ele via Yoongi em todos os borrões.

Jimin só podia pedir para que a força que os uniu a sete anos atrás fosse forte o suficiente para uni-los em um futuro menos cruel.


31/10/2019 – Doce reencontro


— Ele provavelmente é a pessoa mais fofa desse mundo, Tae — disse Jimin alto o suficiente para o amigo ouvir do outro lado da linha, levando em consideração a distância em que ele estava do celular.

— Provavelmente? Ele é o ser humano mais lindo e iti malia que já pisou nesse planeta, Park Jimin — respondeu seu amigo, analisando a fantasia do garotinho.

— Eu vou morrer de amores, não acredito que fui eu que fiz essa preciosidade. — disse Jimin com a voz que usava para falar com o filho, Park Minjoon. — É o menino mais lindo desse mundo todinho! — exclamou, apertando as bochechinhas gordinhas do filho.

— Papai, isso dói! — disse Minjoon com um biquinho.

— Eu não tenho culpa se você é a criança mais adorável desse mundo todinho, meu anjinho — disse, distribuindo beijinhos pelo rosto do filho.

— Joonie, vem morar com o tio Tae que ele não fica fazendo essas maldades com você.

— Taehyung, vai te catar, meu filho me ama. — Jimin revirou os olhos.

— Papai falou palavrão — falou Minjoon com a risada sapeca de sempre.

— Garoto, você não devia prestar atenção nisso. — Jimin cerrou os olhos e, em seguida, começou a fazer cócegas na barriga do filho, que se jogou na cama, tentando fugir dos dedos do pai.

— Tio Taetae, vem me salvar — disse o pequeno entre risadas, com suas palavras ainda não pronunciadas perfeitamente.

— Eu amo vocês dois. — Jimin ouviu o amigo dizer, a voz de Taehyung estava um pouco diferente de segundos atrás e, por conhecê-lo há dez anos, Jimin sabia que Tae estava prestes a chorar.

— Tae, não acredito que está emocionado comigo e o Joonie.

— E por que eu não estaria, Jiminie? Vocês são tão fofinhos. Eu não me aguento…

Jimin deixou o amigo chorando de emoção e foi terminar de fazer sua maquiagem, já que tinha finalizado a fantasia do filho que ficou conversando com Taehyung sobre algum desenho que eles tinham começado assistir juntos.

— O que acha? — perguntou Jimin vinte minutos depois, posando para mostrar sua maquiagem pronta, de Jack Skellington.

— O Estranho Mundo de Jack?! Você é o rei das abóboras? E o Joonie é uma abobrinha? Essa é a melhor fantasia do mundo! — exclamou o amigo animado, tentando ver um pouco mais da fantasia de Jimin.

— O Joonie tá apaixonado pelos filmes do Tim, ele disse que queria o primeiro Halloween aqui na cidade como a “abóbora do Jack”. — O pai deu de ombros, observando o filho admirar sua fantasia no espelho.

— Eu ainda não acredito que vocês estão morando em Seoul, vou sentir tanta falta de poder caminhar até a casinha de vocês e brincar com o Joonie todos os dias — murmurou triste.

— Você pode sempre vir me ver, tio Taetae — respondeu um Minjoon com a carinha triste.

— Eu vou aí semana que vem, meu pequeno, eu tô com tanta saudade!

— Taehyung, têm literalmente três dias que a gente se mudou. — Jimin riu do drama.

— Shiu, me deixa sofrer.


*


Jimin já não aguentava mais andar pelo bairro, já era a terceira rua que eles iam e Minjoon provavelmente tinha mais doces do que conseguiria comer durante o resto do ano, mas era a primeira vez que o filho saía para pegar doces, e Jimin realmente não queria estragar a noite só porque não tinha a mesma disposição que o filho.

— Filho, acho que já está bom, não? — perguntou, segurando a mãozinha gordinha de Minjoon.

— Podemos passar pela rua da nossa casa? — pediu com os olhos cheios de esperança, sabendo que Jimin não iria resistir.

— Ok, só vamos descer a rua e depois vamos pra casa, ok? Já está tarde pros pequeninos ficarem na rua.

— Você também é pequenino, papai.

— Minjoon!

— Jimin! — provocou o garotinho, rindo.

A última casa da rua não estava muito decorada, tinha apenas as clássicas luminárias de abóbora em cada lado da porta e alguns morceguinhos. Minjoon foi logo batendo na porta, pronto para pegar os últimos doces da noite.

— Doces ou travessuras! — gritou o garoto assim que a porta se abriu.

Jimin sentiu seu mundo parar. Era como se toda sua infância e adolescência tivesse voltado em apenas um segundo. Min Yoongi estava ali, na sua frente, estendendo uma bacia de doces para Minjoon, ainda sem levantar o olhar para Jimin.

O Park não sabia o que fazer, seu coração estava tão acelerado que poderia ter um ataque cardíaco a qualquer hora.

— Olha, papai! São chicletes de abobrinha! Igual a minha fantasia. — Jimin desviou os olhos para o filho, sentindo o olhar de Yoongi agora em si.

— Jimin? — Aquela voz. Deus, aquela voz que não tinha mudado em nada.

~~


Notas finais: Formulário de doação de plot:

https://docs.google.com/forms/d/1tOSdfwNurEPiRD6XyJGrH6xqRLAcWZDgbwZF8ZR9Zhk/viewform?edit_requested=true

20 de Outubro de 2021 às 22:04 0 Denunciar Insira Seguir história
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