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Marisa Gabrielle


Zahara, uma menina extrovertida e divertida passa por aprovações durante toda sua vida, sofre com a morte de sua mãe e odeia segundas-feiras, ela é uma adolescente que está prestes a fazer 18 anos quando tem um dia desastroso que muda o rumo da sua vida .


Ficção adolescente Todo o público.
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O amargo gosto da vergonha

acordei com algo apitando do meu lado, era meu despertador, estava marcando 7:40 no ponteiro , tentei raciocinar o que havia acontecido na noite anterior, eu havia virado a noite, e agora estava atrasada para a escola, eu odeio segundas-feiras.

- isso é idiotice - reclamava um garoto com uma menina enquanto eu passava pelo corredor, ele estava sendo agressivo com ela, estava cheia de problemas naquela manhã, apenas ignorei e segui em frente naquele corredor barulhento cheio de salas de aulas assustadoras com professores de olhares intimidadores do tipo " vou te mandar pra coordenação " , a escola era um lugar assustador, mas , apesar disso, eu amava aquele lugar, quando enfim encontrei minha sala , apenas visualizei um menino chorando enquanto corria na minha direção e pedia desculpas, eu não estava entendendo, ele era pequeno e tinha em média uns 5 anos, apesar de nunca ter o visto, sua aparência era familiar para mim.

quando enfim percebi que ele carregava um caco de vidro na mão e uma folha enxarcada de água me abaixei e tentei o acalmar, até que em meio aquela situação frustrante, consegui falar algo

- O que aconteceu , pequenino? -eu tentei soar o mais calma possível, mas quando vi, minha voz já estava em um tom de desespero .

- desculpe... por favor não me castigue! não foi minha culpa! - o menino tentou olhar nos meus olhos mas desviei o olhar para dentro da sala tentando encontrar respostas em um meio de olhos arregalados e arrependidos de algo que eu ainda não havia entendido, era ainda mais frustante, todos estavam virados para mim, e eu ...não sabia oque fazer.

Peguei na mão do menino em um gesto rápido e suave , levando-o para dentro da sala para senta-lo em uma cadeira e o acalmar, ele estava em estado de choque, apesar de ser pequeno e não entender muito, era muito comportado e obediente, ele me seguiu até a sala enquanto eu abria espaço pelos meus colegas de classe , ele se sentou e quando me virei, havia entendido oque estava acontecendo.

Havia uma foto minha, rasgada ao meio, com o porta retrato dela quebrado em cacos minúsculos de vidro, na foto eu estava me balançando em um balanço no parque, e havia alguém atrás de mim, com o rosto rasgado, era a parte que estava na mão do menino, logo reconheci a foto, a pessoa na foto era minha mãe comigo, ela estava me balançando, mas a foto estava molhada e enxarcada de água, era minha única foto com minha mãe... eu tentei me conter, mas as lágrimas vieram logo em seguida, minha mãe havia morrido quando eu tinha 7 anos, já faz 10 anos que ela não estava comigo, e aquela era a minha única foto que tinha com ela, coloquei minha bolsa na primeira cadeira que vi e tentei entender o que havia acontecido ali, logo percebi que havia uma garrafa de água caída do lado da foto, peguei ela rapidamente e virei para encarar todos aqueles olhos sem me importar com meu rosto patéticoe com meus olhos transbordando de lágrimas, eu queria saber quem era o culpado por aquilo.

-Desculpe, foi minha culpa e eu... - um menino com olhos culpados apareceu na porta, ele aparentava ter minha idade, eu nunca me vi naquela situação, apenas fui na direção dele e lhe dei um tapa que estalou e desfez o barulho que havia na sala.

-Zahara, ele não teve culpa. -falou minha professora atrás de mim, ela entendia minha situação, ela apoiou a mão no meu ombro suavemente, eu a dispensei.

- Me desculpe Zahara... não foi de propósito, mas era só uma foto, não é? - o mesmo menino olhou na minha direção ainda com a marca da minha mão na sua cara, eu não estava pensando, apenas o dei um soco, ele esquivou-se e deu um grito de dor, fui puxada brutalmente por alguém para me afastar dele, senti minhas bochechas queimarem de raiva , não dele, mas de mim, por perceber oque havia feito, ele saiu com os olhos lacrimejando e com a mão no olho roxo, ele olhou pra mim, mas não era de raiva , era como um pedido de perdão, apenas senti as lágrimas escorrendo pelas minhas bochechas.



Depois daquilo, fiquei triste pelo resto do dia, principalmente pelas minhas atitudes, eu odiava ser grossa com alguém, principalmente alguém que não tinha culpa de nada, eu mal sabia o seu nome, eu estava na aula de história, não consegui me concentrar, repassei cada segundo daquela manhã na minha mente , acordei do meu próprio mundinho quando ouvi o sinal tocar, levantei da cadeira e coloquei a bolsa rapidamente nas minhas costas, ouvi alguém se aproximar de mim, era uma menina com cabelos trançados até a cintura, pele morena e uma aparência perfeita da cabeça aos pés, tentei lembrar do nome dela, apesar de ser extrovertida, não conheço muitas pessoas da minha escola, mas eu conhecia ela.

-Zahara! fiquei sabendo do que aconteceu, você está bem? - ela falou com um tom de voz tão doce que tratei de esboçar um sorriso no rosto, sem me importar com a situação que estava.

-Estou sim Char, obrigada pela preocupação, além de estar me sentindo mal pelo que fiz com aquele garoto, afinal, quem era ele? - o nome dela é Charlotte, ela é minha amiga de infância, me ajudou muito quando minha mãe ..se foi.

-ele é um ano mais velho que nós, não é daqui, veio hoje de visita na escola.- ela falou em um tom tranquilo, mas sabia que estava escondendo algo, eu não quis questionar a falta de informação e prossegui.

-que ótimo, não terei que olhar mais na cara dele, ficaria morta de vergonha. - na mesma hora que falei aquilo, Charlotte diminuiu a velocidade do passo e tentei acompanhá-la, até ela parar por completo e eu quase cair, Charlotte olhou nos meus olhos e corou, ficou parecendo uma pimenta.

- Charlotte? o que aconteceu ? me fale.

- ele me mandou te entregar isto... - ela tirou da bolsa uma carta e um pequeno pacote estampado de flores, eu gelei na hora. - abra em casa Zahara, por favor, sei que tem raiva dele, mas ele é um bom rapaz, ia ser bom você fazer amizade com ele.



cheguei em casa transbordando de emoções, raiva, vergonha, arrependimento, tudo! , eu decidi que não ia aceitar aquilo que estava dentro da caixa, tentei jogar fora, até joguei, mas voltei pra pegar todas às vezes, não sabia o que estava lá dentro? uma bomba, não irei abrir, eu prometi pra mim mesma.









2 de Outubro de 2021 às 20:18 0 Denunciar Insira Seguir história
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