nancy-scarlett1565632961 Nancy Scarlett-Hayalla

Esta obra faz parte de um projeto do grupo Em Um Mês Um Conto, cuja meta é um conto de ficção científica inédito e dividido em três partes durante este mês! Numa Itália renascentista-futurista, a cidade ficticia de São Leonardo da Vinci tem a sua paz ameaçada por um tirano e seu exercito demoníaco de robôs. Para combatê-los, a Senhorita Clockwork terá de recriar os antigos Anjos Mecânicos.


Ficção científica Steampunk Todo o público.

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Parte 1

São Leonardo da Vinci é uma cidade curiosa, ao começar pelo seu nome. É uma homenagem ao seu idealizador, o inventor Leonardo da Vinci.

Logo após a sua morte, alguns de seus discípulos encontraram no meio dos seus esboços, o que seria um projeto urbanista um tanto peculiar... pelo o que notaram, parecia ser uma cidade totalmente movida por engrenagens e mecanismos de corda.

Assim nascia a Tecnologia Renascentista, baseada nas invenções de seu criador.

E centenas de anos depois, nasceu a maior metrópole da Itália, projetada para funcionar como se fosse um gigantesco relógio, desde as grandes maquinas até os pequeninos aparelhos portáteis. Tudo funcionava por meio de chaves de corda, e todos os seus habitantes aprendiam desde cedo, a trabalhar com esta pequena peça que fazia toda a diferença no dia a dia. Haviam centenas de relojoeiros em cada canto da cidade e entre um beco e outro, era possível encontrar vendedores avulsos de peças. Não é preciso dizer que alguns deles são ilegais e que a maioria dos produtos eram de segunda mão, falsificados, e em casos piores, roubados.

E esta atividade ilegal costuma atrapalhar o pequeno comercio de Mona Lisa, dona de uma pequena relojoaria de esquina, La Meccanica, onde trabalha como artesã de relógios e também conserta e vende peças dos mesmos. Para os seus melhores e únicos amigos Vênus e Davi, que trabalham junto com ela, era apenas Lisa.

A arte de construir e consertar relógios, utilizada em quase toda São Leonardo da Vinci, está em sua família a várias gerações. Era a única filha de um casal de artesãos que, assim como a maioria dos habitantes, eram descendentes dos discípulos do inventor. E antes do morrerem, passaram todo o seu conhecimento para ela.

E Lisa sabia muito bem como lidar com os vários tipos de metais para a criação de peças para relógio e manejava com destreza as ferramentas mais complicadas. Por isso que muitos a chamavam de Signorina Meccanica (senhorita mecânica ou de Senhorita Clockwork), o mesmo nome de sua loja e estava sempre com o seu avental de artesã, que pertenceu ao seu pai e foi reformado por sua amiga Vênus para ficar proporcional ao seu tamanho.

Durante o horário de almoço, aproveitou que estava sozinha para fazer uma limpeza no deposito localizado nos fundos da loja. Desde a morte dos pais, não entrava naquele espaço... e encontrou alguns papeis em meio as suas parafernálias e geringonças. Eram alguns desenhos de sua mãe para os projetos de seu pai. Reconheceu os traços dela e sorriu com a lembrança. Eles eram uma grande dupla, ela criava os designs para os modelos e peças de relógio e ele os projetava. Ela desenhava como ninguém naquela cidade. Quando era viva, seu trabalho era muito solicitado por inventores e até mesmo por outros artesãos.

Mas aqueles desenhos, ela nunca tinha visto. Olhou daqui, analisou dali e viu o que parecia ser um projeto para a construção de uma máquina, mas que lembrava um "ser humano". Pelo o que ela entendeu, era o desenho de um robô. E assim como todas as maquinas de São Leonardo da Vinci, também era feito de engrenagens e movido por corda.

Ela também notou que tinha alguma coisa muito estranha, embutida "nas costas" daquela máquina. Duas, para ser mais exato. Lembravam um par de asas. E junto com os papeis, tinha uma chave de corda da qual também nunca vira. Não sabia do que se tratava, mas guardou caso descubra...

Voltou aos seus afazeres, quando encontrou um grande caixote perdido nos fundos do deposito. Curiosa, abriu para ver o que era. E ficou muito surpresa ao descobrir o que havia lá dentro. Um robô, ou o que parecia ser, já que estava desmontado e deveria ter peças faltando. Bom, ela somente viu por alto, então não poderia ter certeza. Reparou que era o mesmo robô do desenho e se perguntou o porquê que aquilo estava guardado em sua loja. Seria algum projeto de seus pais ou pedido de algum cliente?

Teve os seus pensamentos interrompidos pelas badaladas do relógio, avisando que a hora do almoço havia terminado. Ela sempre o programa para não se atrasar. Logo depois, ouviu as vozes de Vênus e Davi, chamando por ela do lado de fora da loja:

_ Lisa, você está aí? _ Bateram na porta. A artesã foi abri-la com a chave de corda e pediu para eles entrarem logo.

_ Rápido tem algo que quero mostrar a vocês. _ Os levou para o deposito para mostrar o que encontrou. Os dois se perguntavam o que era. Deveria ser algo de extrema importância, a ponto de ela nem lembrar que tinha de abrir a loja. Quando viram do que se tratava, Davi se pronunciou muito surpreso:

_ É um dos lendários Angeli Meccanici! Como é você tem um desses aqui em sua loja e nunca nos contou, hein dona Mona Lisa?

As duas o olharam muito espantadas, principalmente a Senhorita Clockwork, que não gostou muito do seu tom. As vezes Davi era um tanto sarcástico e Lisa não gostava do deboche dele... outras vezes, ele também era. De repente lembrou dos desenhos de sua mãe, onde o robô realmente tinha asas em suas costas. São asas de anjo.

_ É claro! _ Pegou os papéis e mostrou aos seus amigos. Os três olharam para os esboços e Lisa perguntou ao Davi o que seriam esses Angeli Meccanici.

_ Oras, são anjos mecânicos...

_ Eu sei o que significa! _ O interrompeu já no auge da irritação: _ perguntei sobre a história deles que pelo jeito, você conhece muito bem.

Davi soube da origem dos tais anjos através das inúmeras histórias narradas por seu avô, que por sua vez soube pelo seu avô, que também soube pelo seu avô e assim por diante... sobre um projeto oculto de Leonardo da Vinci, do qual ele criou uma espécie de exército para proteger a humanidade...

_ Proteger do quê? De algum mal?_ quiseram saber Lisa e Vênus.

_ Provavelmente sim. Agora que mal era exatamente, ninguém sabe. Talvez nem ele sabia ou apenas ele sabia... também não se sabe se ele idealizou o projeto por conta própria ou foi pedido de alguma autoridade da época.

Uma dúvida pairava na mente dos três amigos: o que um projeto do maior inventor da história fazia encaixotado no deposito da La Meccanica? Não estaria guardado lá à toa. Por algum motivo, seja ele qual for, estava lá.

_ Seus pais nunca falaram nada sobre esse projeto? _ Vênus perguntou para Lisa.

_ Não... o que é estranho, pois eles sempre me contaram sobre os projetos que faziam, pelo menos a maioria deles. Cheguei a ajudar em alguns... _ tentou não ficar triste com a lembrança: _ mas este, nunca ouvi falar. Para falar a verdade, eu nunca soube nada sobre esses "Angeli Meccanici", até este momento.

_ Pode ser só uma coincidência, alguma encomenda de algum cliente, que não tem a ver com a história, que ninguém tem certeza se é verdadeira ou não. Alguém veio aqui para reclamar o porquê não foi entregue ou cancelar o pedido? _ comentou Davi.

Realmente desde o dia em que assumiu o comercio da família, Lisa não lembra de nenhum cliente comentar sobre algum "anjo mecânico". Vendo que não encontrava nenhuma resposta, decidiu guarda-lo e voltar ao trabalho. Mas a dúvida sobre o porquê aquilo estava guardado em sua loja, não se aquietava em sua mente.

E é claro que a Signorina Meccanica pretende descobrir o porquê.

27 de Setembro de 2021 às 13:53 0 Denunciar Insira Seguir história
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