doublepistolz Nyx The Scribe

"Havia uma comoção no centro do convés. Todos no Moby Dick pararam o que estavam fazendo para ver o desenrolar da situação. E é óbvio que eu não seria uma exceção. Caminhei entre a multidão de homens até ficar ao lado da cadeira do Pai, esperando para testemunhar o que quer que estivesse prestes a acontecer. Até onde eu sabia, Marco finalmente havia retornado com parte de sua divisão da ilha da qual estávamos próximos, trazendo alguns suprimentos. Mas, aparentemente, não era só isso. Ele trouxe outra coisa para o Pai. Na verdade, outra pessoa."


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

#oc #romance #imagine #Portgas-D--Ace #one-piece
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A Escriba

Memórias de Ace


Havia uma comoção no centro do convés.

Todos no Moby Dick pararam o que estavam fazendo para ver o desenrolar da situação. E é óbvio que eu não seria uma exceção. Caminhei entre a multidão de homens até ficar ao lado da cadeira do pai, esperando para testemunhar o que quer que estivesse prestes a acontecer. Até onde eu sabia, Marco finalmente havia retornado com parte de sua divisão da ilha da qual estávamos próximos, trazendo alguns suprimentos. Mas, aparentemente, não era só isso. Ele trouxe outra coisa para o pai. Na verdade, outra pessoa.

O refém em questão estava amarrado, as mãos atrás das costas e um saco de estopa havia sido colocado sobre sua cabeça. O estranho se recusava a cooperar conforme Marco o arrastava convés adentro, resistindo contra a força dele e resmungando. Pelo sons que emitia, podia adivinhar que a pessoa também estava amordaçada sob o saco. Quando os dois finalmente chegaram ao centro do convés, Marco se dirigiu ao pai:

— Acho que encontrei algo do seu interesse-yoi.

— É melhor que seja mesmo. Caso contrário vou ficar bem chateado que você trouxe alguém para este navio sem autorização — o Pai respondeu, franzindo um pouco o sobrolho enrugado.

Marco apenas deu de ombros antes de tirar o saco da cabeça do refém, revelando, para a surpresa de todos os presentes, uma moça. Como eu presumi, havia uma faixa de pano de aspecto muito sujo amarrado sobre sua boca, abafando qualquer som que ela tentasse emitir, e o seu longo cabelo estava todo bagunçado por conta de seus movimentos sob o tecido. Ela não podia ser muito mais velha que eu, e ninguém além do pessoal do Marco parecia ter uma pista sobre a identidade da garota.

O Pai, por outro lado, soltou uma longa risada.

— Estive te procurando por um bom tempo, mocinha. Você é bem difícil de encontrar — ele disse, enquanto Marco desamarrava a mordaça da senhorita e depois começava a cortar as cordas em seus pulsos.

— Talvez seja porque eu estive fugindo de você esse tempo todo — ela disse em tom afiado, sorrindo sarcasticamente.

Sua voz era suave, mas estava rouca, o que me fez pensar por quanto tempo Marco a manteve amarrada. Ela não parecia maltratada, pelo menos não haviam machucado seu rosto, e não estava muito suja. Talvez tivessem capturado-a pela manhã.

— A língua tão afiada quanto a mente, eu vejo — Pai riu outra vez, se divertindo com a irritação da garota.

— É, pode ser — ela murmurou, finalmente livre de suas amarras, e esfregou os pulsos. — Era realmente necessário me amordaçar e me vendar para me trazer até aqui? — Ela lançou um olhar de esguelha para Marco, agora ao seu lado. — Eu reconheceria este navio a quilômetros de distância de qualquer maneira.

Marco deu de ombros outra vez, cruzando os braços:

— Protocolo.

Ugh — a moça revirou os olhos. — Podia pelo menos me amordaçar com um pano limpo.

O pai riu outra vez, atraindo a atenção da jovem. Ela o encarou novamente, como se estivesse com raiva por ele ter interrompido seu diálogo com Marco, e colocou as mãos na cintura.

— Então, Newgate. Quer dizer que você mandou seus lacaios me caçarem e me arrastarem até o seu navio para termos a nossa... reunião de negócios?

— Bem, já que você não respondeu ao meu último convite, eu disse ao Marco aqui para te convidar de uma forma... alternativa — ele respondeu, apontando para meu irmão que agora tomava um lugar ao meu lado.

— Pensei que o meu silêncio tivesse expressado minha recusa de forma bem clara — a garota disse em tom frio, levantando o queixo. O movimento fez com que seu rosto ficasse exposto diretamente à luz do sol, revelando seus traços.

O formato de seu queixo era levemente pontudo e as maçãs do rosto suavemente destacadas. A ponta de seu nariz curvava-se levemente para baixo, lembrando vagamente o bico de um pássaro, e seus lábios eram rosados, de aspecto macio, muito charmosos. Suas sobrancelhas eram arqueadas, de um profundo tom de preto, combinando com a cor de seu cabelo, mas que pareciam emoldurar a parte mais surpreendente de seu rosto: seus olhos. Olhos amendoados, com a íris de um amarelo-dourado impressionante, tão vivo quanto as chamas de uma fogueira. Fiquei preso neles por alguns instantes, impressionado com a sua cor. Era algo que eu nunca tinha visto antes, em nenhuma outra pessoa.

— Você não está em posição de dizer "não" ao Barba Branca, sabe-yoi? — A voz de Marco ao meu lado me despertou do meu transe. Aparentemente, eu não era o único que havia sido hipnotizado pela aparência da moça, porque muitos dos meus irmãos ainda a encaravam intensamente.

— Então, eu só não tenho escolha? — A jovem soltou um risinho, cruzando os braços sobre o peito. — Típico. Shanks saberá disso, Newgate, pode ter certeza.

O pai apenas soltou outra risada longa, porém soando mais sarcástico dessa vez. Eu podia sentir que a afirmação da jovem o deixara irritado. Quanto a mim, fiquei confuso. O que Shanks tinha a ver com aquela garota?

— Seu patrono não me assusta, Escriba. Não passa de outro pirralho aos meus olhos — o Pai disse, em um tom menos amigável.

Isso explicava alguma coisa.

A garota revirou os olhos e abanou uma das mãos despreocupadamente na direção de meu pai, aparentemente entediada. Quem quer que fosse a forasteira, era muito corajosa em suas atitudes. Ou muito burra.

— Que seja. Em todo caso, eu já lhe disse isso uma vez, Barba Branca, mas vou repetir já que você é velho e tende a esquecer as coisas — ela retomou o tom de superioridade. — Não negocio com peixe grande. Vocês já têm poder demais sobre o mundo — colocou as mãos sobre a cintura.

— Um Yonkou e um Corsário não são "peixe grande", então? — Thatch, que esteve quieto até aquele momento, se pronunciou de seu lugar, do outro lado da cadeira do pai.

Aparentemente eu era o único comandante que não fazia ideia de quem era aquela tal "Escriba". Que ótimo.

— É diferente. Estou pagando uma velha dívida — a garota retrucou, lançando um olhar irritado ao moreno. Depois franziu as sobrancelhas. — E de que Corsário você está falando? Essa é novidade pra mim.

— Dracule Mihawk.

Ah — o rosto da jovem se contorceu em desgosto. — Não tenho mais ligações com esse daí.

— Não é o que seus olhos me dizem, mocinha — o pai interveio, lançando um olhar avaliador à moça, o que apenas a irritou ainda mais. — A propósito, fui avisado pelo seu mentor que você trabalha com trocas. Também estou ciente de que seus preços são consideravelmente altos — ele fez uma pausa. — Diga, garota, qual o seu preço? Tenho certeza de que posso lhe fornecer algo que ninguém mais pode.

A partir disso algo se transformou em seu olhar, como se uma chama tivesse se ascendido atrás de seus olhos, e seus lábios se repuxaram em um sorriso sagaz, quase malicioso. Ela juntou as pontas dos dedos das duas mãos na frente do corpo, e começou a caminhar lentamente de um lado para o outro, sem tirar o olhar lupino do pai. Inconscientemente levei a mão à faca no meu cinto, mas Marco segurou tranquilamente meu braço para sinalizar que estava tudo bem.

— Ah, sim. É claro que têm algo que eu quero, Newgate — ela parou novamente em frente ao pai, girando sobre os calcanhares para encará-lo. — Mas acredito que a questão aqui seja o que você quer de mim, não é?

Ela sorriu ferozmente outra vez e meu pai endireitou a postura, o seu rosto se enrugando em uma expressão muito séria. Ele limpou a garganta antes de dizer:

— Estou interessado no livre acesso ao seu Arquivo.

A Escriba soltou uma risinho sarcástica.

— Sinto dizer, mas acredito que isso esteja fora de negociação — o sorriso desapareceu de suas feições e o rosto assumiu uma expressão sombria. — Ninguém é permitido dentro do meu Arquivo. Somente eu sei a localização e nem você ou nenhum dos seus lacaios idiotas jamais chegará perto dele — Sua voz era baixa, e ela mantinha um tom ameaçador. — O Arquivo permanece completamente escondido da Marinha e de piratas imbecis, e eu tenho a intenção de que continue dessa maneira.

Antes que meu pai, que ostentava uma expressão de puro espanto, pudesse dizer qualquer coisa, a garota completou:

— Não insista, velho. Não há nada que você, ou a Marinha, ou os malditos Dragões Celestiais possam me oferecer que me faça mudar de ideia.

Pela expressão no rosto do pai, pela forma como ele ficou completamente imóvel em sua cadeira encarando a garota que ainda o observava como se ele tivesse acabado de insultar todas as gerações passadas e futuras de sua família, eu pude ver que a atitude da jovem o convenceu de que ele não conseguiria o que queria. Também percebi que aquela Escriba não era qualquer uma. Ela era poderosa, se tinha algo que o Pai cobiçava tanto assim.

A jovem inspirou profundamente e soltou um longo suspiro, fechando os olhos. Quando os abriu novamente, havia recuperado a compostura, voltando o olhar para o horizonte, como se observasse algo muito além do mar.

— Você possui, entretanto, algo do meu interesse — ela fez uma breve pausa, na qual o silêncio recaiu sobre o Moby Dick. — Existem rumores, muito realistas, à propósito, de que você sabe da identidade do filho de Gol D. Roger. Desde que deixei a ultima base da Marinha na qual me infiltrei, estou interessada nesse pequeno pedaço de informação. Extremamente interessada. Para ser honesta, essa é única razão para que você sequer saiba como me contatar. E este é o meu preço.

Meu coração afundou com a declaração. Mas que porra?! Ela queria... meu nome?! Por que? Por que ela precisava dessa informação, de qualquer maneira?! O que ela estava planejando?! Ela queria me entregar?! O que ela ganharia com isso?! Minha cabeça girava com tantas perguntas que achei que ia vomitar.

— Por que quer saber isso? — A frase escapou de meus lábios antes que eu pudesse contê-la. O olhar da jovem recaiu sobre minha figura, e podia jurar que uma de suas sobrancelhas se moveu imperceptivelmente para cima.

— Curiosidade terminal — ela sorriu sem mostrar os dentes.

Ela queria que eu acreditasse nisso?!

Ela se voltou novamente para meu pai, que permanecia quieto, sem ousar olhar em minha direção. Ele parecia hesitar, sem demonstrar um mínimo de alteração enquanto eu surtava internamente. Ele não podia estar pensando em me entregar.

— Em troca, vou lhe fornecer três anos dos meus serviços de escriba, assim como as informações do meu Arquivo que desejar. Veja bem, as informações guardadas no Arquivo, e não o acesso a ele. E se preferir pode me pagar somente depois de completado um ano dos meus serviços, como garantia — a jovem continuou, como se não tivesse acabado de pedir minha vida ao meu próprio pai. — O que acha, Barba Branca? Não é um ótimo negócio? Um nome em troca de três anos de informações do Arquivo?

O pai continuava hesitante, as rugas em seu rosto haviam triplicado conforme ele considerava cuidadosamente as possibilidades. Eu o encarava de esguelha, descrente de que ele me entregaria, mas o fim provou que eu acreditei na coisa errada. Ele lançou um olhar muito breve na minha direção com o canto dos olhos, inspirando profundamente antes de dizer:

— Muito bem, Escriba. Temos um acordo.

Meu coração parou de bater.

— Sempre soube que você era um velho sábio.

Eles apertaram as mãos. A Escriba sorriu.

Meu sangue corria disparado por minhas veias.

Meu pai havia acabado de vender minha alma àquela garota.


A/N: Antes de mais nada, queria dizer que qualquer erro de formatação se deve ao fato de que publico originalmente no Spirit, e que tenho preguiça de arrumar. Outra coisa: Nyx se pronuncia 'Niks' mesmo hehe
22 de Outubro de 2021 às 00:30 0 Denunciar Insira Seguir história
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