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Jimin odeia Yoongi com todas as suas forças. Odeia a forma como ele o provoca, como o irrita, como deixa suas bochechas quentes e como faz seu coração ficar estranho. Ele definitivamente não o suporta. Mas quando alguns imprevistos acabam acontecendo, ele finalmente tem que confrontar seus sentimentos para dividir a cama com a pessoa de quem menos gosta no mundo todinho.



Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

#bts #yoongi #jimin #yoonmin #fluffly #sugamin #minimini #suji #2min #minmin #2minpjct #De-Inimigos-A-Amantes #tema-livre #Jimin-Bravinho #Nem-Tão-Inimigos #Sharing-A-Bed
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Imprevistos podem ser muito convenientes

Escrito por: Lua_Marchi / @bbmoonie


Notas iniciais: Oi! Como estão? :D

Essa história é bem levinha, puro fluffy e implicância kkkk. Ela é uma grande desculpa para fazer os dois dividirem uma cama.

Muito obrigada @YinLua/YinLua por betar com carinho <3 e @Yoonminishot / Yoonminishot pela capa maravilhosa!

Boa leitura! <3


~~

— Você está muito estranho, Jungkook.

— Estranho por quê? Eu só estou de bom humor e quis agradar o meu querido amigo.

Jimin sabia que o mais novo estava aprontando. Jungkook nunca comprava nada para ele sem querer algo em troca — principalmente um jantar inteiro com direito até mesmo à sua sobremesa favorita.

Ele sabia que ia vir bomba. Algo quebrado, um favor enorme, um pedido absurdo ou qualquer outra coisa que provavelmente o faria querer gritar com o colega de apartamento até perder a voz.

— Desembucha — resmungou, enquanto se esticava para pegar outro pedaço de pizza doce na caixa. — Eu sei que você quer alguma coisa. Só pede logo para eu já te dizer “não”.

— Você é mau! Eu nem falei ainda! — exclamou Jungkook, fazendo um bico irritado. — Eu vou esperar você comer bastante para ficar feliz e não brigar comigo.

O Park apenas revirou os olhos e voltou a comer. Ele ia curtir sua pizza doce na rara ocasião em que Jungkook se oferecera para comprá-la e ia aproveitar a paz enquanto ainda a tinha.

Mas esta paz não durou muito.

— Na verdade, eu queria te pedir uma coisa — começou o amigo, hesitante. — É muito importante, okay? Por isso estou te pedindo. É caso de vida ou morte. Você faria isso por mim, não é?

— Faria o quê?

— Você... você iria... sabe...

— Fala logo! — exclamou, irritado com a enrolação.

— Você iria para uma festa na casa do Tae comigo? Vai ser só para as pessoas mais próximas, para comemorar a primeira exposição dele. Vai ser super divertido! Vai ter bebida e comida e...

— Quem vai estar lá? — interrompeu-o, sem paciência para o que sabia que ia ouvir.

— Eu, ele, você, uns amigos dele e tal.

Ele vai estar lá?

Jungkook apenas o olhou, fingindo confusão enquanto tentava pensar em uma boa resposta.

— Jeon Jungkook — falou Jimin, com a cara fechada —, ele vai estar lá?

— Vai — respondeu, suspirando rendido. — O Yoongi vai estar lá. Mas vão ter outras pessoas também! Você nem vai precisar vê-lo!

— Você já sabe a minha resposta, não é?

O mais novo aumentou o bico, arregalando os olhos do jeito pidão que ele sabia fazer como ninguém; do jeito que ele sabia que conseguiria fazer Jimin ceder e lhe dar qualquer coisa que desejasse.

— Não, não. Nem vem com esse olhar para cima de mim.

— Por favor! Por favorzinho — murmurou manhoso, levantando-se e abraçando o mais velho pelos ombros. — O Tae vai ficar tão feliz se você for!

— Para, Jungkook! Não vale o estresse!

— Vale sim! Vai ser tão legal! Vai ter comida, bebida, gente legal...

— Para!

— Quem sabe tenha até pizza doce.

— Você realmente está tentando me comprar com doce duas vezes seguidas na mesma noite?

— Sim. E está dando certo, não é?

— Olha, Jungkook, se eu passar raiva um minutinho sequer dessa festa... — resmungou, em tom de ameaça.

— Oba! Vou falar para o Tae que você vai, então! Ele vai ficar tão feliz.

— Mas eu nem...

Jungkook o interrompeu novamente, com medo de que ele mudasse de ideia:

— Eu te amo muitão, você sabe. — Inclinou-se para dar um beijinho em sua bochecha, logo se afastando e correndo para fora da cozinha. — Obrigado, Chim!

Nem um minuto havia se passado, mas Jimin já estava se arrependendo de ter concordado.


[...]


Jimin só percebeu no que havia se metido quando chegou à casa do namorado de seu amigo na noite seguinte.

— Amorzinho! Jimin! — cumprimentou Taehyung, abraçando-os pelos ombros enquanto os puxava para dentro. — Que demais que vocês vieram!

Jungkook o cumprimentou com um selar rápido e Jimin o abraçou enquanto o parabenizava:

— Parabéns pela exposição, Tae! Vai ser incrível! Fico muito feliz por você.

— Obrigado! Você é uma fofurinha. — Sorriu, agradecido, apertando-o nos braços. — Entrem, entrem! O pessoal está na sala e na cozinha. Podem ficar à vontade, sim?

— Seus pais estão em casa, Tae? — perguntou apreensivo. Os pais dele pareciam o odiar, então Jimin preferia fugir para qualquer cômodo em que eles não estivessem.

— É claro que não. — Ele riu, revirando os olhos. Seus pais nunca o apoiavam, indignados ao vê-lo seguindo o caminho da arte e não da medicina, como eles. Era óbvio que eles não o deixariam dar uma festa para comemorar algo ligado à sua profissão. — Eles estão viajando. Então sem quebrar nada, certo? E cuidado para não derrubarem nada no tapete. Eles vão me matar se encontrarem uma manchinha sequer pela casa.

Os três riram, tentando descontrair, e seguiram para a sala, onde nem mesmo vinte pessoas se juntavam em pequenos grupos enquanto conversavam. Pessoas desconhecidas, com as quais o Park tinha certeza que não conseguiria se enturmar. Não quando todos pareciam se conhecer tão bem e já estavam inseridos em uma conversa em comum.

— Jungkook, não me deixa aqui sozinho de jeito nenhum — reclamou, sem perceber que o mais novo já havia saído com Taehyung, indo para algum outro cômodo para conversar em paz com o namorado. — Inferno!

Olhou em volta, procurando qualquer canto em que pudesse se encolher e esperar o tempo passar, mas acabou vendo quem mais queria evitar a noite inteira: Min Yoongi.

Revirou os olhos ao vê-lo em um dos melhores cantinhos do local e se afastou. Ele estava sentado em um dos sofás, mexendo no celular distraidamente, e apesar de desejar se sentar no lugar vago ao seu lado e fazer o mesmo, Jimin preferiu ir para o outro lado da sala, para se encostar na parede. Só a presença de Yoongi já era o suficiente para o irritar, então ele se recusava a ficar perto mais do que o necessário.

Mas com o passar dos minutos, fingir que estava interessado na galeria do celular estava ficando complicado. Nenhuma pessoa nova chegava para que ele pudesse tentar se enturmar, nenhum dos grupinhos de conhecidos parecia se importar o suficiente para sequer percebê-lo e suas pernas já estavam ficando cansadas.

— Que ódio, Jungkook — resmungou para si mesmo, jurando que o faria pagar quantas pizzas doces desejasse por deixá-lo sozinho ali.

Passando o olhar mais uma vez pela sala, percebeu ninguém havia se sentado no sofá. O lugar ainda estava livre, chamando-o. Logo a necessidade de se sentar e se acomodar em algum cantinho mais confortável gritou para que ele cedesse e se aproximasse, mas a ideia de ter que interagir com o homem fazia seu sangue ferver.

Céus, ele só queria ter sido forte o suficiente para ter dito “não” na noite anterior. Droga de olhar pidão fofo.

Suspirou, entrou de novo em todas as pastas da galeria, checou as novas mensagens inexistentes e finalmente decidiu que faria o sacrifício de aguentá-lo para poder descansar as pernas.

Juntando toda a força de vontade que tinha, Jimin andou até o sofá, rapidamente sendo observado pelo olhar afiado do Min, e se sentou ao seu lado, sem se dar ao trabalho de o cumprimentar.

Se fingisse que não havia o visto, talvez desse a sorte de ele fazer o mesmo.

— E aí? Entediado? — Yoongi o cumprimentou, acabando com suas expectativas e fazendo com que seus olhos automaticamente se revirassem.

— Não, não. Só me arrumei e saí de casa para ficar mexendo no celular no canto de uma sala cheia de desconhecidos porque eu gosto, mesmo.

O Min apenas riu, sorrindo de canto com a grosseria já esperada.

— Então você veio se sentar aqui do meu lado para se distrair, é?

— Eu vim descansar as pernas. E, de preferência, não falar com você.

— Entendi, entendi — murmurou, dando de ombros. — Então eu vou lá na cozinha, pode ficar tranquilo.

Os olhos de Jimin rapidamente desviaram da tela do celular para o homem que se levantava.

Que merda. Depois de todo o trabalho para se convencer a se aproximar, ele ia ficar sozinho no meio dos desconhecidos de novo.

— O quê? Por que está me olhando com essa cara assustada?

O Park apenas pigarreou e se ajeitou no sofá, olhando para as mãos em falso desinteresse.

— Que cara? Não estou olhando nada, não — respondeu irritado, sentindo o estômago embrulhar ao vê-lo realmente se afastando. — Idiota.

O que ele não esperava era a taça de champanhe que estava sendo estendida diante de si alguns segundos depois.

— Não precisa ficar nervosinho. Só fui pegar um pouco de bebida para gente.

Olhando-o desconfiado, pegou a taça e levou-a até os lábios, sussurrando rapidamente antes de beber:

— Obrigado.

Sem responder nada, Yoongi só voltou a se sentar e tirou o celular do bolso, também enrolando enquanto esperava o tempo passar.

Infelizmente, para os dois, cada segundo parecia durar longos e dolorosos minutos. Sem nada para fazer e sem Taehyung e Jungkook por perto para distraí-los, estar naquele lugar era uma tortura.

— Tá afim de falar sobre alguma coisa? — perguntou Jimin, quando o tédio parecia ter se tornado insuportável o suficiente.

— Achei que você não quisesse falar comigo, “de preferência” — debochou, imitando o que havia escutado alguns minutos antes, enquanto apoiava um braço no encosto e o olhava com a sobrancelha arqueada.

— Tá vendo? É por isso que eu não suporto falar com você! Você nem me responde de boa. Eu estava tentando ser legal, mas já perdi a vontade.

— Você quem está sendo dramático, Jimin. Eu só perguntei! Mas claro, vamos conversar sim.

— Já falei que perdi a vontade — resmungou, cruzando os braços. — Eu estava tentando bater um papo legal, não sei por que você sempre faz isso.

— Faço o quê?

— Brinca comigo desse jeito. Você é muito chato, Yoongi!

— Claro, claro — falou, revirando os olhos e bufando. — Eu sou o chato. Você quem veio até aqui para ficar com a cara fechada!

— Eu queria diversão, e não toda essa implicância! E nem esse tédio! Que saco, eu nem conheço ninguém aqui.

— Eu também não. Quero dar na cara do Taehyung por me deixar aqui sozinho.

— E eu na do Jungkook — concordou, ajeitando-se no sofá para olhar em volta, procurando-o. — Ele veio com essa história de que seria legal, mas sumiu assim que chegou.

— O Tae fez a mesma coisa. Eles sempre fazem isso! Sabe, acho que nós temos uma coisa em comum, Jimin.

— O quê? Nós?

— É. Nós dois somos deixados de lado por nossos melhores amigos em todos os rolês para que eles possam se pegar escondidos.

Jimin não conseguiu conter uma risadinha, logo escondendo a boca com a mão.

Não. Min Yoongi não estava o fazendo rir. De jeito nenhum.

— Pois é — murmurou, após se forçar a voltar para a mesma feição irritada de antes. — Quer saber, eu vou procurar eles dois.

— Eu vou com você!

Os dois se levantaram juntos, mas nem haviam saído do lugar quando o casal voltou a entrar na sala, ambos desarrumados e descabelados.

— Obrigado por comparecerem hoje! — falou Taehyung, com um sorriso animado no rosto. — A cozinha está aberta para vocês comerem e beberem, como já devem ter visto. E agora vou ligar um sonzinho para dar uma animada nisso aqui.

Alguns convidados exclamaram em concordância, mas Jimin só queria correr até os dois e enchê-los de reclamações até seus ouvidos doerem.

— Relaxa — sussurrou Yoongi, apoiando uma mão em seu ombro. — Deixa eles curtirem, vamos pegar alguma coisa para comer.

— Desencosta! — exclamou, puxando o ombro para o lado. — Eu não quero comer nada. Quero ir para casa.

— É sério, olha como eles estão animados. Essa porra está um saco, cheio de gente chata, mas vamos deixar eles se divertirem. — Ouvindo um resmungo de Jimin, apenas deu de ombros e foi em direção à cozinha, não conseguindo conter um sorriso debochado ao perceber que ele o seguia.

— Oh, tem uva! — comemorou Jimin, com os olhos fechadinhos por causa do largo sorriso que se abria em seu rosto ao ver a fruta que tanto gostava na mesa de aperitivos.

Yoongi arregalou os olhos e desviou o olhar, não conseguindo acreditar no quão fofo aquele homem esquentadinho conseguia ser, mesmo sendo tão grosseiro com ele.

— Você gosta de uva?

— Sério, Yoongi?

— O quê?! Eu só estou tentando puxar conversa!

— Vamos só comer quietinhos, tudo bem? Nem um pio.

Um silêncio estranhamente confortável se instalou entre os dois, mas minutos depois foi quebrado pelo casal animado que entrava na cozinha rindo.

— Que bonitinhos! Estão conversando.

— Bonitinho nada, Jungkook. Vocês são dois safados. Largaram a gente aqui e sumiram! Eu falei para você não me deixar sozinho.

— Ué, e vocês não podiam ficar conversando? Você não estava sozinho, o Yoongi estava aqui também.

— Pois fique sabendo que nem toda pizza doce do mundo me convence de fazer o que você pedir da próxima vez.

O mais novo apenas revirou os olhos e abraçou o amigo que tentava o empurrar, irritado.

— Desfaz essa cara de bravo, vai. A gente já vai para casa.

— Sério?

— Uhum. Eu vou te deixar lá e amanhã cedo a gente vem para ajudar o Tae a limpar.

— Tá brincando comigo? — perguntou, bravo. — Eu vou ter que ajudar a limpar?

— Por favor — pediu o Kim, juntando as mãos em um gesto exagerado de desespero. — Meus pais vão me fazer ouvir até o fim do ano se tiver uma baguncinha na casa.

— Não acredito nisso... Tá bom, saco.

— Você é muito mole, Jimin! — zombou Yoongi.

— Fica na sua!

— Você vem também, Yoongi.

— Eu?!

— Você mesmo. Você é meu melhor amigo! Tem que me ajudar a me safar das broncas.

— Você quem faz a merda e eu que tenho que arrumar?

— Por favorzinho — murmurou, fazendo um biquinho, que sendo logo acompanhado do olhar pidão de Jungkook, não dava outra alternativa para eles a não ser concordar. — Hoje foi um dia especial, okay? Eu precisava dar essa festa. Me ajudem a limpar, por favor!

Suspirando, Yoongi se deu por vencido:

— Tudo bem, tudo bem.

— Oba! Agora vamos logo antes que vocês mudem de ideia — falou o Jeon, puxando Jimin consigo em direção à porta. — Até amanhã, anjo!

— Até, amorzinho!

— Vocês são ridículos. — Jimin ouviu Yoongi dizer ao fundo e bufou ao perceber que, mais uma vez naquela noite, ele não podia deixar de concordar.


[...]


Alguns dias depois, Jimin, Jungkook e Taehyung estavam novamente juntos. O namorado de seu melhor amigo já era uma presença constante no apartamento, então ele mal se surpreendia ao vê-lo por lá.

Após almoçarem juntos, os três estavam jogados no sofá apertado, assistindo um filme qualquer que passava na televisão enquanto aproveitavam a preguiça e a barriga cheia.

Estava sendo uma tarde normal e tranquila, como muitas outras que haviam passado juntos, até que o Kim se ajustou no sofá, virando-se para encarar Jimin.

— Ei, tá afim de fazer um negócio legal?

O Park apenas o olhou de canto, desconfiando ainda mais do pedido quando viu Jungkook se levantar tenso.

— Nossa, acho que tem um pouco de louça na pia.

— Jungkook, você odeia lavar louça com todas as suas forças. O que vocês estão aprontando?

— Nada!

— Nadinha.

Jimin bufou e revirou os olhos.

— Vocês nem disfarçam — resmungou. — Olha, o que quer que seja, é ruim o suficiente para fazer o Jungkook lavar louça, então eu não estou afim, não. Obrigado.

— Mas vai ser tão legal!

— Da última vez que ouvi essa história, eu fiquei horas no sofá da sua casa tendo que aturar o Yoongi. Então, por favor, defina “legal”.

— Vai ser legal tipo... tipo... Vai ter comida! E bebida! E eu juro que não vão ter tantas pessoas quanto dá última vez.

— Ah, então você quer que eu vá para uma festa de novo?

— Não vai ser uma festa! Vai ser só um jantarzinho — murmurou, deixando a voz morrer com a apreensão.

— E quantas pessoas vão ter nesse jantarzinho? — perguntou Jimin, desinteressado.

— Quatro. Eu, o Kook, você e... e o Yoongi.

O Park estava com preguiça demais para sair de casa, ainda mais para se envolver em alguma festinha de Taehyung e Jungkook. O “não” já estava pronto na ponta de sua língua, então assim que ouviu quem mais estaria lá, não tardou em dizer:

— Não vou.

— Ah, não, nada disso! Por favor, Jimin!

— Eu disse que não tinha jeito — berrou Jungkook por cima do som da torneira aberta. — Ele é teimoso.

— E orgulhoso.

— É assim que vocês querem me convencer a ir nesse jantar?

— Então você ainda está disposto a ser convencido? — perguntou Taehyung, com os olhos brilhando com a possibilidade.

— Não foi isso o que eu disse.

— Mas, Jimin! É para comemorar nossa mudança!

— Mudança?

— É, eu e o Yoongi vamos dividir um apartamento, tipo você e o Kook. Então a gente queria fazer um jantarzinho para comemorar! Mas se eu só levar o Kook, o Gi vai ficar de vela.

— Ah, então é por isso!

— Não! — gritou Jungkook, correndo para o sofá e abraçando o amigo pelo pescoço. — É porque vai ser legal te ter lá! É um momento importante para eles e é bom comemorar coisas assim entre amigos.

— Parabéns de verdade pela mudança, Tae — falou Jimin, sinceramente, abrindo um sorriso pequeno. — É um passo muito grande. Mas, sério, sem chance.

— O que eu posso fazer para você concordar em ir?

— Olha, Taehyung, acho que nada. Eu nunca vou em algum lugar sabendo que o Yoongi vai estar lá para encontrar ele propositalmente.

— Você foi na minha festa.

— E na noite da pizza.

— E no cinema no mês passado.

— E no piquenique.

— E...

— Tá bom! — interrompeu, bufando irritado. — Eu já entendi!

— Então por que você fica tão irritado com o fato de o Yoongi estar lá?

— Eu não gosto dele.

— Uhum — murmurou Jungkook, com um sorriso debochado.

— Tá bom, Jimin, tá bom.

— O quê?! Eu estou falando sério! — exclamou, indignado, arregalando os olhos com a audácia dos mais novos. — Ele me irrita. Nós nos odiamos.

— Ele não te odeia!

— E o Jimin não o odeia. Ele só faz drama.

— Jungkook, para com isso!

— É sério, você nem tem motivo para ficar tão irritado com ele! O que ele fez para você?

— Ele é grosso! Eu não aguento gente grossa!

— Jimin, quem é grosso com ele é você.

— Mas ele foi grosso comigo primeiro! Sério, nas primeiras vezes que a gente se viu, eu tentei de todas as formas falar com ele, mas ele só me cortava. Eu não sou obrigado a gostar de gente fria assim.

— Ele não é frio, Jimin. Você já parou para pensar que esse pode ser só o jeito dele? Ele é tímido!

— Isso não tem nada a ver com ser tímido — retrucou, emburrado. — O Jungkook é tímido, mas nunca é grosso com ninguém.

— Ele só é fechado — explicou o Kim, já acostumado com o jeito do amigo após anos e anos de convivência. — Com o tempo ele vai se abrindo, você sabe disso. Sempre que vocês se encontram, ele tenta conversar com você, mas você é supergrosso com ele.

— Eu não sou, não! Ele quem me provoca!

— É sim!

— Jungkook, você é meu amigo, era para estar me defendendo!

— Desculpa, Jimin, mas nessa eu estou com o Tae. O Yoongi é bem legal, você só precisa conhecê-lo mais e superar que nem todo mundo vai te amar de primeira.

O Park apenas o olhou boquiaberto, surpreso com a verdade dita.

— Eu não acredito nisso.

— Eu não estou tentando ser mau com você, você sabe, não é? — perguntou o mais novo, aproximando-se e prendendo o amigo em um abraço ainda mais apertado, esfregando sua bochecha contra a dele. — Só dá uma chance para ele, tá bom? Ele é super legal e se vocês superarem essa briguinha boba, tudo vai ser mais tranquilo.

Jimin parou alguns segundos para pensar, refletindo sobre o que os mais novos haviam lhe dito. Talvez Yoongi não quisesse ser realmente grosso com ele. Talvez tenha sido tudo um mal entendido e um ego ferido.

Talvez...

Não. Yoongi era babaca e essa era uma das únicas verdades que mantinha para a vida.

Mas... mas não custava nada dar uma chance para ele. Por seus amigos. Não por vontade própria. Nunca.

Ele faria isso por Taehyung e Jungkook.

— Tudo bem.

— É sério? — perguntou o artista, com os olhos arregalados. — Você vai mesmo?

— Vou. Mas se ele começar a me irritar, o Jungkook vai me trazer de volta, fechado?

— Fechado!

— Quando vai ser?

— Hã... — Os namorados trocaram um olhar hesitante antes de Taehyung finalmente ceder. — Hoje.

— Hoje?! Por que vocês sempre deixam para me avisar em cima da hora?

— Porque dá menos tempo para você desistir.

Cerrando os olhos, o Park apenas os lançou um olhar indignado, mas não disse mais nada.

E entre os braços dos dois, Jimin só esperava que não fosse se arrepender tanto daquela vez.

Mas toda a esperança foi em vão quando ele finalmente chegou na casa do Kim algumas horas depois.

— Fica tranquilo por aí. Meus pais não estão em casa e o Yoongi já deve estar chegando.

E nem alguns minutos depois, o Min entrava pela porta da frente, vestido casualmente, como já era de costume.

— E aí?

— Yoongi! Faz companhia para o Jimin? Eu vou ajudar o Tae a trazer as coisas rapidinho!

— Nem pensar. — Antes que o mais novo pudesse se levantar, Jimin segurou a manga de sua camisa e o prendeu no lugar. — Você não vai para lugar nenhum. Toda vez que você vai “ajudar” o Taehyung, vocês somem por pelo menos uma hora.

— Eu não sei do que você está falando.

— Deixa que eu vou — disse Yoongi, rindo de leve com a briga dos amigos. — Eu o ajudo a trazer as coisas rapidinho.

— Poxa, Jimin... — resmungou Jungkook, franzindo o cenho. — Você não disse que ia dar uma chance para ele?

— A noite nem começou ainda! Vamos com calma, okay?

— Okay, okay — murmurou, rendido.

— Venham para mesa! — chamou Taehyung, da sala de jantar. — Vem logo, senão o Yoongi vai comer tudo.

— Fica quieto, Tae!

Dizer que o clima na mesa estava estranho era um eufemismo. Apesar de já terem saído juntos, Jimin e Yoongi nem sequer sabiam como começar uma conversa qualquer enquanto Jungkook e Taehyung tentavam falar sobre qualquer coisa que os fizessem começar a falar também.

— Quer saber? Isso aqui está um saco. Eu vou pegar um vinho — disse Taehyung, levantando-se rapidamente da mesa.

— Certeza, amor? Seus pais não vão ficar bravos?

— É por uma boa causa.

Jimin apenas revirou os olhos e voltou a remexer a comida.

— Vocês dois parecem duas crianças.

— Ei! Olha quem fala — retrucou Yoongi, com o cenho franzido. — O mais novo de todos nós.

— E sou mais maduro do que você, o mais velho de todos nós! Sério, se esforcem para pelo menos conversarem. Vai, Jimin, pergunta como foi o dia dele.

— O quê?! Por quê?

— Porque sim, deixa de ser orgulhoso.

O Park respirou fundo, controlando-se para não retrucar. Afinal, ele queria dar uma chance para o Min e aquela parecia ser uma boa oportunidade.

— Como foi o seu dia, Yoongi? — murmurou entre dentes.

— Hã... Foi okay, eu acho.

— Agora pergunta para ele — instruiu o Jeon.

— E o seu?

— Foi um saco, fiquei aguentando esses dois.

E pela primeira vez na noite, uma risadinha cúmplice surgiu nos lábios de ambos.

— Finalmente!

— Finalmente o quê? — perguntou Taehyung, chegando com a garrafa já aberta.

— Finalmente eles estão conversando como gente.

— Uau! Que grande começo! Agora vamos beber para deixar ainda melhor. Quero vocês dois superamigos no final desta noite.

Os mais velhos apenas reviraram os olhos, mas não recusaram as taças que o Kim os oferecia.

Taça essa que fora a primeira de muitas.

Garrafa atrás de garrafa, no início da madrugada, os quatro já estavam completamente bêbados. Os pratos já haviam sido esquecidos na mesa, as rixas já haviam sido deixadas de lado e a conversa rolava solta.

Taehyung e Jungkook estavam abraçados em uma das ponta do sofá, conversando embolado enquanto trocavam selares tímidos. Jimin e Yoongi estava na outra ponta, engajando em qualquer conversa que se iniciasse e que fosse os distrair do casal apaixonado ao lado.

— Eu tô falando super... — o Min fez uma pausa para pensar no termo certo antes de voltar a falar. — Super hiper sério. Aquele é o melhor miojo apimentado que eu já comi.

— Aquilo é quente! Apimentado! — exclamou Jimin, empurrando seu ombro sem cuidado.

— É por isso que é bom!

— É ruim!

— Você já comeu?

— Comi o quê? — perguntou confuso, bêbado demais para manter uma conversa coerente.

— O miojo!

— É claro que eu como miojo!

— Mas esse que eu tô falando, você já comeu?

— Qual?

— Jimin! — brigou Yoongi, embolando a língua para pronunciar seu nome.

A resposta que recebeu foram apenas uma risada e tapas no ombro.

— Ai! Por que você tá me batendo?

— Porque sim, ué.

Yoongi apenas riu, tentando segurar a mão de Jimin, mas sua coordenação estava tão ruim que, em vez de apenas pará-la, acabou puxando-a, fazendo com que o outro homem, também sem equilíbrio algum, caísse encostado em si.

— Me solta, seu chato.

— Mas eu nem tô te segurando!

— Uhum — murmurou Jimin, ajeitando-se mais contra o corpo do Min. — Quem mandou você ser tão confortável?

— Sei lá — sussurrou, observando confuso o mais novo se ajeitar, apoiando a cabeça em seu ombro.

— Eu vou ficar aqui, tá bom?

— Tá bom — respondeu com o corpo tensionado. Yoongi sentiu estômago se revirar, sem saber se era por causa da bebida ou por causa da aproximação rápida demais do outro. — Por que você briga tanto comigo?

— Isso do nada?

— É, eu quero saber. Você briga comigo, mas fica todo bobo assim.

— Eu não tô bobo! Tá vendo, é por isso que eu brigo com você!

— Mas eu nem fiz nada!

— Você me provoca! — Jimin fez uma pausa para soluçar, cobrindo a boca com a mão, enquanto revirava os olhos. — Para de fingir que não sabe do que eu tô falando.

— Provoco como?

— Eu sei lá. Você faz meu coração ficar todo estranho assim.

— Isso é muito injusto, então!

— Injusto por quê? — perguntou Jimin, resmungando enquanto se virava e passava uma perna sobre as do Min, ajeitando-se ao seu lado.

— Porque você me deixa do mesmo jeito e nem por isso eu sou grosso com você.

— Não, em vez disso você me irrita.

— Eu não sei do que você tá falando — disse Yoongi com um bico irritado, jogando-se contra o encosto. — Se eu te irrito, então desencosta.

— Por quê?!

— Porque você disse que eu te irrito, então me solta.

— Mas eu quero te abraçar, por que eu não posso te abraçar? — Os olhos do Park já estavam fechados e Yoongi lutava contra o sono que caía sobre si. Ele queria conversar mais, aproveitar mais o momento e a proximidade.

— Porque você disse que eu te irrito.

— Eu disse?

— Uhum.

— Sério?

— Uhum.

— Tá bom.

— Tá bom — respondeu o Min, finalmente se rendendo ao sono e fechando os olhos. Ele se ajeitou no sofá, caindo para o lado enquanto puxava Jimin consigo.

A posição não era nada confortável, mas foi boa o suficiente para mantê-los dormindo durante toda noite.


[...]


— Kim Taehyung! Que bagunça absurda é essa aqui?

A voz irritada da mãe do Kim tirou Jimin do sono profundo e confortável em que estava.

— Mãe? Você não ia voltar só de noite?

— Ah, então é isso que você faz quando eu digo que vou demorar? Dá festinhas? Eu vou chamar o seu pai aqui agora!

— Shh... Parem de barulho — murmurou uma voz debaixo do Park.

— Quieto, Jungkook. Mais cinco minutos — sussurrou de volta, irritado com o barulho.

— Mas eu estou quieto! — A voz do mais novo parecia estranhamente distante, mas esse foi um pequeno detalhe que passou despercebido em meio a tanto sono.

— Shhh...

— Para, Tae. “Shhh” para você também — murmurou de novo a voz.

— Acorde-os agora, Taehyung!

— Calma, mãe. Deixa eu tirar uma fotinho.

— Agora!

— Tae... — resmungou Yoongi, remexendo-se. — Caralho, minha cabeça.

— Jungkook fica quieto — murmurou Jimin, ainda sem conseguir vencer o sono.

— Mas eu estou quieto! — exclamou o mais novo do outro lado da sala, enquanto ajudava o namorado a limpar tudo às pressas.

— Ué, então... — O Park levantou o rosto, olhando confuso para o corpo debaixo de si e soltando um grito quando percebeu quem era. — Puta que pariu! Sai!

— Sai você! Você quem está em cima de mim!

Jimin se afastou o mais rápido que pôde, sentindo a visão escurecer.

— Que merda! Minha cabeça!

— Isso que dá vocês serem irresponsáveis e beberem assim! O que deu em vocês? Vocês estão malucos? — brigou a mãe de Taehyung, olhando para os quatro, irritada. — Para fora, já! Todo mundo!

— Espera, mãe! Eles acabaram de acordar!

— Já, Taehyung! Eu não vou falar de novo.

Em poucos segundos, Jimin e Yoongi já estavam na porta, esperando Jungkook se despedir do namorado com pesar.

— Tem certeza que não quer ajuda?

— Tá tudo bem, amorzinho. Não se preocupa, okay?

— Okay.

Os dois trocaram um último selar antes de finalmente se afastarem. Durante todo o tempo os outros dois homens tentavam evitar a todo custo o olhar um do outro.

— Tchau, Tae — sussurrou Yoongi, envergonhado.

Jimin se limitou a acenar.

— Tchau! Depois eu mando a foto para vocês — provocou, ganhando em resposta dois dedos do meio levantados.

A vergonha e a raiva se misturavam no Park. Ele se recusava a olhar para qualquer um dos garotos, com as bochechas quentes e a cabeça latejando.

— Dormiu confortável?

— Vai se foder — resmungou, irritado.

Jimin não queria ver Yoongi nunca, nunca mais.


[...]


Quatro dias definitivamente não eram “nunca mais”.

Após um dia corrido no trabalho, tudo o que Jimin queria fazer quando chegou à sua casa era tomar um banho e ir para a cama, mas, em vez disso, se deparou com duas figuras bastante conhecidas na sala do apartamento.

— Hã... Boa noite? — falou, confuso.

Taehyung e Yoongi olharam para ele surpresos, enquanto Jungkook brincava com a gola da blusa do namorado.

— Jimin! Oi!

— O que tá rolando?

Os três trocaram um olhar hesitante, como se estivessem tentando decidir em silêncio quem explicaria a situação, mas, no final, foi Jungkook quem juntou as forças para falar:

— Lembra daquele jantar na casa do Tae semana passada?

— É claro que lembro — resmungou, sentindo as bochechas esquentarem. Jimin não conseguia não pensar naquele dia. Por algum motivo, a sensação de acordar ao lado de Yoongi era algo que estava o assombrando incessantemente desde aquele jantar.

— Você lembra o motivo?

— Por que você está falando comigo como se eu fosse uma criança? É claro que eu lembro! Era por causa da mudança, não era?

— Isso mesmo — concordou Taehyung, baixinho.

Ele estava estranhamente tímido e Yoongi nem sequer havia tentado o irritar, então Jimin sabia que com certeza algo tenso estava acontecendo. Algo que ele certamente não ia gostar nem um pouquinho.

— Lá vem — sussurrou, fechando os olhos enquanto se preparava para a notícia que sabia que viria. — Qual é o problema?

— Então... — começou o Kim, hesitante. — O antigo dono acabou acertando um dos canos quando foi tirar alguns móveis.

— E...?

— E vai demorar uma semana para conseguirem arrumar tudo certinho.

— E...? — perguntou de novo.

— E eu queria saber se a gente pode ficar aqui enquanto isso. — Antes que o Park pudesse contestar, Taehyung voltou a falar, olhando-o com o mesmo olhar pidão de Jungkook. — Eu juro que vai ser só por essa semana! E nós nem vamos dar trabalho! Eu vou varrer todos os dias, o Yoongi lava a louça...

— Ei! — interrompeu o mais velho, olhando-o irritado.

— Fica quieto e me ajuda, Yoongi.

— Mas por que aqui? Por que vocês não voltam para casa? Sem querer ser grosso, mas não seria mais fácil?

— Ah, Jimin, você sabe como meus pais são. Se eu voltar para casa sem nem sequer ter saído direito, vou ter que ouvir pelo resto da minha vida todinha, e vai ser só uma semaninha! Não vale a pena o sofrimento.

— E ele? — perguntou, apontando para Yoongi, que olhava para o chão constrangido.

— Eu já encerrei meu antigo contrato, então eu... eu meio que não tenho para onde ir.

Jimin respirou fundo, esfregando os olhos. Sua cabeça já estava cheia após o dia cansativo e tudo o que ele queria era tomar um banho e ir para o quarto, não ter que lidar com a pessoa que menos queria ver por uma semana inteirinha — principalmente não depois de ter passado os últimos quatro dias pensando nele sem parar —, mas a ideia de dizer “não” para eles em uma situação como aquela o fazia se sentir um monstro.

Uma semana não custaria nada, não é? Ele nem precisaria conviver tanto com Yoongi. Talvez nos cafés da manhã ou nos jantares, mas não mais do que isso.

— Por favor, Jimin — pediu Jungkook, manhoso.

Abrindo os olhos, Jimin percebeu que não só ele como Taehyung também fazia o olhar ao qual ele não conseguia resistir.

Com os olhos arregalados e um biquinho nos lábios, os dois esperavam uma resposta dele.

— Vocês realmente se merecem! São iguaizinhos!

— Por favorzinho...

— Parem com isso, agora!

— Vai, Yoongi, você também — sussurrou Taehyung, cutucando-o com o cotovelo.

O olhar de Jimin rapidamente caiu sobre o Min. Algo em si desejava com todas as forças vê-lo sendo fofo como os outros dois, o que ele não conseguia fingir que não estava acontecendo. Não quando nem sequer conseguia desviar os olhos do mais velho.

Yoongi olhou para as próprias mãos enquanto brincava com os dedos, as bochechas se esquentando, os fios de cabelo caindo sobre os olhos.

Quando ele finalmente juntou coragem e conectou os olhares, Jimin sabia que não tinha mais forças para negar.

— Por favor, Jimin. Eu prometo que não vou te irritar em nenhum momento — falou, soando mais fofo do que o Park poderia imaginar.

E, céus, como ele poderia negar depois daquilo?

— Tudo bem, tudo bem. Mas você vai dormir no sofá!

— Okay! — O sorriso que recebeu em troca pareceu fazer a decisão valer a pena.

Forçando uma expressão irritada, bufou enquanto ia até o quarto, mas, no fundo, nem estava tão irritado quanto tentava parecer.

Afinal, o quão ruim poderia ser?


[...]


Aquela semana estava sendo uma das piores de toda a sua vida, ele tinha certeza.

— Quem largou a toalha na cadeira de novo? Olha a sujeira no chão da sala! — exclamou, irritado.

— Calma, vovó, eu já vou pendurar — respondeu Taehyung, revirando os olhos. — Você é pior do que os meus pais para essas coisas. Credo, Jimin.

— Eu não sou pior do que eles! Eu só sou organizado! — retrucou, irritado. — Eu nem posso imaginar a bagunça que vai ser o apartamento de vocês.

— Ah, a gente dá um jeito. Se deixarmos as toalhas nas cadeiras, por exemplo, vai ser menos um trabalho ter que ir buscar e as pendurar no varal.

— Pelo amor, vocês são dois preguiçosos!

— “Vocês são dois preguiçosos”, blá-blá — sussurrou o Kim, fazendo uma voz infantil, enquanto levava a toalha para fora.

Jimin apenas revirou os olhos e suspirou. Havia acordado não fazia nem uma hora e já estava passando raiva.

Ele não sabia onde estava com a cabeça para aceitar aquele pedido absurdo. Tanto estresse e bagunça em tão pouco tempo o deixavam completamente irritado.

Então, culpando o cansaço e a pressão dos três homens para que concordasse com aquilo, decidiu que tudo o que ele poderia fazer era esperar o tempo passar, mas a cada segundo um novo problema parecia aparecer.

Toda a organização que ele e Jungkook haviam trabalhado para criar e manter estava indo para o ralo. Roupas jogadas pelos cantos, toalhas esquecidas em móveis, louças que ficavam horas e horas na pia, e muitas outras coisas, grandes ou pequenas, que desestabilizavam sua rotina.

Suspirou, fechando os olhos e respirando fundo. Três dias. Só faltavam mais três dias.

Céus, ele não aguentava mais.

— Afasta essa perna para lá — bradou, enquanto empurrava as pernas do Min para se sentar no sofá, logo encostando a cabeça em um pano estranho, que descobriu ser uma das calças jogadas do mais velho. — Você tem que aprender a guardar suas roupas! Você tem cinco anos, por acaso?

Jogou a calça com força para cima do homem que se levantava com calma.

— Caramba, Jimin. Bom dia para você também — falou, meio grogue, ainda com sono. — Caralho, eu tô quebrado.

— Hum? — perguntou o Park, arqueando uma sobrancelha, enquanto o observava franzir o cenho e fechar os olhos em claro desconforto.

— Que sofá duro — sussurrou para si mesmo, massageando onde podia alcançar de suas costas. — Minhas costas estão me matando, puta merda.

Antes que Jimin pudesse responder, tentando disfarçar a rápida preocupação que cruzou sua mente, Jungkook gritou da cozinha:

— O café está coado na garrafa térmica para quem quiser tomar antes de sair.

Logo, todos se dirigiam para a apertada cozinha, em um dos poucos momentos do dia em que suportavam a presença um do outro para um bem maior.

— Jungkook, briga com o Jimin — resmungou Taehyung, bebericando de sua xícara. — Ele está arrumando briga comigo por causa de coisas bobas de novo.

— Coisas bobas? Taehyung, você faz mais bagunça do que eu e Jungkook juntos!

— Eu não sei do que você está falando! Eu só não sou fissurado por organização como você!

— O quê?!

— É verdade, ele me bateu com a calça que eu deixei em cima do sofá — provocou Yoongi, sorrindo contido enquanto esperava a reação irritada do Park.

— Eu só a joguei em você! E nem foi forte! Porra, qual é o problema de vocês?

— Você, seu chato — respondeu Taehyung, enquanto Yoongi apenas concordava, assentindo com a cabeça.

Revirando os olhos, Jimin empurrou Yoongi, que bebia o café ao seu lado, recebendo um resmungo dolorido em resposta.

— Tá tudo bem? — perguntou Jungkook, preocupado.

— Está sim, eu só estou dolorido.

— É o sofá, não é? Ele é superduro, me desculpa, Yoongi!

— Está tudo bem, não se preocupa!

— Você não tem nenhum colchão sobrando em casa, Tae? A gente pode tentar afastar a mesa e colocar na sala.

— Não — respondeu, com pesar, logo sorrindo de canto ao pensar em uma outra alternativa. — Mas eu sei de um colchão que ele poderia usar.

— Sabe? — perguntou Jungkook, confuso.

— Sei sim. Um colchão que com certeza tem espaço e aguentaria mais uma pessoa.

A cara de Jimin se fechou ao entender o que ele propunha.

— Bom, se você acha que o colchão do Jungkook aguenta... — desconversou, dando de ombros.

— Para de ser sonso, eu sei que você entendeu.

— E eu sei que você já sabe minha resposta.

— Por favor, Jimin! Não vai custar nada! Olha como ele está com dor nas costas, tadinho.

— Ei! Eu já disse que estou bem, Taehyung. Não precisa, não.

O amigo o ignorou e continuou a pedir:

— São só alguns diazinhos, as costas dele vão te agradecer muito.

— Nem pensar.

— Poxa, Jimin — murmurou Jungkook, com um biquinho nos lábios.

— Relaxa, eu nem queria dividir uma cama com ele mesmo. Credo — falou Yoongi, fazendo uma expressão de desgosto que fez o sangue do Park ferver.

— “Credo” por quê? Minha cama é superconfortável e quentinha!

— Mas a companhia é um saco. Não vale a pena.

Você é um saco! Pois continue dormindo no sofá!

— Não, não, nada disso! Ele vai ficar todo quebrado até o fim da semana. Por favor, Jimin.

— Qual é a sua, Taehyung? Ele mesmo já disse que não quer.

— O Yoongi é orgulhoso como você.

— Eu te compro pizza doce todas as sextas deste mês — ofereceu Jungkook, com um sorriso encorajador nos lábios.

— Para de tentar me comprar com comida! Eu já disse que não caio mais nessa. Não me interessa esse negócio de pizza.

Mas, poxa, depois de uma semana tão estressante, só imaginar uma pizza bem doce e gordurosa na sexta à noite já o fazia salivar.

— Um mês e meio?

— Não.

— Dois meses?

— Dois?

— Isso aí. Oito semanas cheinhas de pizza doce para você.

— Eu já disse que eu não vou, nem adianta tentar o comprar, Jungkook — falou Yoongi, bravo.

— Você vai ficar todo dolorido, então, porque de noite em noite aquele sofá só piora.

— E vocês nem precisam se ver! É só um dormir com a cabeça para cima e o outro para baixo.

— Nem ferrando, essa é a desculpa perfeita para ele chutar a minha cara! — exclamou o Min, revirando os olhos diante da ideia. Dormir com Jimin poderia ser um perigo maior do que dormir no sofá.

— Vai, por favor! Os dois vão sair ganhando!

— Tudo bem — disse Jimin, vencido. Ele não havia cedido por causa das costas de Yoongi, que passaria mais noites naquele sofá duro. Não, de jeito nenhum. Era pelas pizzas! Unicamente pelas pizzas. — Mas eu juro que, na primeira gracinha, eu te empurro para fora, Yoongi.

O Min apenas deu de ombros e saiu da cozinha, murmurando um baixinho “valeu” antes de se enfiar no banheiro.

— E vocês dois, um pio sobre isso e eu sumo com a sua toalha, Taehyung.

O casal levantou as mãos, em um gesto de inocência, mas assim que o Park saiu da cozinha, Taehyung e Jungkook trocaram um olhar cúmplice.

Era óbvio que o sentimento que Jimin e Yoongi tinham um pelo outro estava bem longe de ser ódio. E nada como um empurrãozinho para ajudá-los a entender isso também.


[...]


A leve batida na porta fez o coração de Jimin disparar.

Mesmo tendo tentado se preparar desde o momento em que chegara em casa, ele não podia deixar de se sentir tenso com o que estava prestes a acontecer.

Ele ia dividir a cama com uma das pessoas que mais odiava.

Devia ser essa raiva que estava fazendo seu estômago embrulhar e seu coração acelerar. Só podia ser.

— Entra!

— E aí? — cumprimentou Yoongi, colocando a cabeça para dentro do quarto. — Já vai dormir?

— Uhum.

— Posso vir também?

— Uhum.

Até mesmo aquela simples palavra parecia difícil de escorregar de sua boca. Por que tudo parecia ser tão mais difícil com Yoongi?

O tempo passava mais devagar, as palavras e gestos importavam muito mais do que deviam e até mesmo os olhares que trocaram pareciam carregar mais sentimentos do que parecia ser possível. E ele odiava aquilo. Odiava não saber o que era aquilo.

O ódio e a raiva nunca o haviam feito se sentir assim com mais ninguém e ele se recusava com todas as forças acreditar que aquele sentimento poderia ser qualquer outra coisa.

Com passos lentos, Yoongi se aproximou da cama. Jimin engoliu em seco quando ele se sentou hesitante em uma das pontas.

— Como... como a gente vai fazer isso? Você dorme para um lado e eu para o outro?

— Acho melhor não. Eu posso acabar te chutando sem querer e aí você vai reclamar um tempão.

O Min apenas revirou os olhos e puxou as duas pernas para cima da cama.

— Então a gente vai deitar um do lado do outro?

A mente de Jimin travou. Ele nem havia pensado naquilo. Não havia pensado na proximidade da qual tanto fugira dias atrás.

— Acho que sim — resmungou, tentando parecer indiferente, enquanto o coração acelerava no peito. — Você trouxe seu travesseiro?

— Trouxe — respondeu, aproximando-se do rosto do mais novo para ajeitá-lo na cama.

Jimin sentiu as bochechas esquentarem, então pigarreou e olhou para o outro lado do quarto, esperando Yoongi se deitar.

A distância de um palmo os separava, mas em sua cabeça, aquele era o mais próximo que já haviam estado em toda a vida — sem contar a trágica noite do jantar na casa de Taehyung, a qual ele tentava com todas as forças empurrar para o fundo da mente.

Seus corpos estavam tensos um ao lado do outro, as respirações controladas e os movimentos limitados. O que dizer? Como se ajeitar? Como dormir?

Tudo parecia ser mil vezes mais difícil e calculado.

Uma brisa fria vinda da janela aberta tirou Jimin de seus pensamentos, fazendo-o olhar de esguelha para o homem ao seu lado e perceber que ele estava vestido apenas com um pijama leve de flanela.

— Quer dividir a coberta? — perguntou, baixinho.

— Por favor.

Os dois saíram do estado nervoso por alguns segundos para estenderem ao cobertor, mas logo voltaram a deitar retos, encarando o teto.

— Eu estou desconfortável — sussurrou Yoongi.

— Então se ajeita.

— E se você ficar puto? É estranho, eu nunca dividi uma cama assim antes. Só, sei lá, deitar e ficar olhando o teto… é tenso demais.

— Tá falando sério? Você nunca fez isso? — perguntou, virando-se de lado para o encarar, incrédulo. — Nem com o Taehyung?

— Acho que não — respondeu, também virando-se de lado, para encarar Jimin. — Se eu me lembro bem, uma das únicas vezes que eu fiz isso foi com você, uns dias atrás no sofá do Tae.

— Não me lembra daquilo, Yoongi, inferno!

— Por quê? Nem foi nada demais. A gente só dormiu juntos, abraçadinhos.

— Yoongi... — sussurrou, fechando os olhos com vergonha. — Vai se foder.

A risadinha do Min o fez abrir um sorriso involuntário, que só aumentou quando abriu os olhos e viu os dentinhos fofos do homem ao seu lado aparecendo em meio a um sorriso largo.

— A gente não consegue ficar junto sem se provocar mesmo, não é?

— A culpa é sua! Eu estava quietinho, você quem começou a me encher com essa história.

— E por que é que você ficou tão irritado? Você está com vergonha, Jimin?

— Eu vou te socar! — exclamou, arrastando-se pela cama enquanto tentava o alcançar com os braços.

Yoongi, por sua vez, só aumentou o sorriso e se contorceu, tentando escapar das mãozinhas nervosas do mais novo, que tentava alcançá-lo incessantemente. Assim que conseguiu se aproximar sem ser acertado por um tapa, segurou em seus pulsos com cuidado, levantando o olhar.

Seus rostos estavam muito próximos um do outro. Cada detalhe, cada expressão, cada piscar podiam ser observados de perto, e isso foi o suficiente para fazer as bochechas de Jimin se esquentarem ainda mais.

— Você está com vergonha? — perguntou de novo, com um sorriso de canto, por já saber a resposta. — Não precisa, nós já ficamos assim antes.

— Você gosta mesmo de me irritar, não é? — sussurrou, fazendo um bico irritado.

— Eu só retribuo a sua grosseria.

— Eu não sou grosso!

— É sim, e eu nem sei o porquê.

— Eu só estou reagindo. Você quem foi assim comigo primeiro.

— Ah, é? — perguntou o Min, genuinamente surpreso. — Quando? Como?

— Quando a gente se conheceu! Eu tentei tantas vezes me aproximar e você só me afastava e me cortava! E depois começou a pegar no meu pé! Eu só retribuo os seus sentimentos.

— Eu duvido disso — sussurrou, repentinamente sério. — E eu nunca fui grosso com você por querer. Eu só não sou muito bom em lidar com pessoas novas, sabe? E você era todo fofo e animado... Eu não sabia como me aproximar.

— Eu estava tentando fazer essa parte por nós dois.

— Eu sou ruim com isso, Jimin. Eu não percebo os sinais, não consigo manter conversas longas — explicou, olhando-o nos olhos para tentar mostrar sua sinceridade. — Mas não tem problema. Eu já aprendi a me comunicar com você.

— Ah, é? Como?

— É só te provocar um pouquinho que você interage rapidinho.

— Você é insuportável! — bradou, virando-se de costas para esconder o sorrisinho que crescia em seu rosto.

— Tá bom, tá bom. Nós dois somos.

— Hum — murmurou Jimin, sentindo o corpo tensionar em surpresa ao sentir Yoongi se aproximar, ficando com a cabeça próxima a sua e o peito separado de suas costas por pouco.

— Tudo bem? — perguntou o Min, cuidadoso com a proximidade. Apesar de sempre o provocar e o irritar, a última coisa que ele queria fazer era deixar o mais novo desconfortável.

— Tudo bem.

Alguns curtos minutos se passaram enquanto os dois se acostumavam com a nova posição, até que Yoongi quebrou o silêncio:

— Ei, Jimin, você se lembra do que me disse aquele dia, quando estávamos bêbados?

— Eu disse que você era chato.

— Não, a outra coisa — sussurrou, aproximando-se do ouvido do Park, fazendo os pelos de sua nuca se arrepiarem. — Você lembra o que era?

Ele se lembrava. Lembrava-se muito bem das palavras que tanto tentara esquecer. Das palavras das quais vinha fugindo há dias.

— Você me disse que eu fazia seu coração ficar estranho, lembra?

Alguns segundos se passaram antes de Jimin juntar coragem para responder:

— Lembro. E você disse que eu fazia o mesmo. Por que está me perguntando isso?

— Porque você está deixando meu coração estranho agora, Jimin.

Os olhos do Park se arregalaram e sua respiração se acelerou. Ele não conseguia acreditar no que estava ouvindo.

Com o coração batendo acelerado no peito, ele repetia as palavras do Min em sua mente sem parar.

— Você está brincando comigo de novo? — perguntou, virando-se de supetão e pegando o mais velho de surpresa.

— É claro que não — sussurrou. Seus lábios estavam a poucos centímetros de distância, seus narizes quase se encostavam e seus olhares estavam presos um ao outro. — É só você sentir.

Com delicadeza, segurou na mão de Jimin e a colocou sobre seu peito, onde seu coração batia rápido.

— Que droga, Min.

— O que foi?

— Eu não acredito que você está fazendo isso comigo.

— Fazendo o quê?

O Park segurou a mão de Yoongi e a colocou sobre seu peito.

Agora os dois sentiam os batimentos um do outro. As respirações. Os sentimentos.

— Você faz eu me sentir assim, e eu odeio isso — respondeu baixinho.

— Por quê? Por que você odeia isso?

— Porque eu tenho medo de estar sentindo sozinho.

— Você não está, Jimin. Eu te garanto.

Os olhos de Yoongi escorregaram dos seus e se focaram em seus lábios, e ele não pôde deixar de fazer o mesmo.

— Eu quero te beijar — admitiu, com todas as forças que tinha.

— Então me beija. Eu também quero. Tanto…

Nem um segundo depois, suas bocas já estavam conectadas.

Seus lábios se tocavam lentamente, com selares suaves, enquanto eles se permitiam explorar, conhecer. E, céus, a mente de Jimin parecia explodir com todo o cuidado com que Yoongi o tocava.

O mais velho deslizou uma mão por sua cintura, puxando-o para mais perto de si e o segurando em seus braços, e, em resposta, ele estendeu uma mão até seus cabelos, onde acariciou de leve.

Após alguns longos segundos, separaram-se com selinhos rápidos, apenas para trocar um sorriso tímido e voltarem a se beijar com mais intensidade.

Jimin aproximou mais seus corpos, puxando seus cabelos de leve enquanto lhe dava uma leve mordida no lábio. A língua de Yoongi logo encostou na sua, fazendo-o suspirar enquanto apertava sua cintura.

E após longos minutos, finalmente se afastaram, olhando nos olhos um do outro, ainda em transe.

Quando as bochechas de Jimin se esquentaram pela centésima vez na noite, Yoongi não pôde conter um sorrisinho, dando um beijinho sobre cada uma delas.

— Você é fofo demais. Como pode?

— Yoongi! — sussurrou, envergonhado, virando-se de costas.

— O quê? Eu menti?

Nenhuma resposta veio, então ele apenas se aproximou mais, colando seu peito nas costas do Park e passando a mão sobre sua cintura de novo.

— Não precisa ficar com vergonha. Eu só fico com vontade de te beijar mais.

— Fica quieto e vai dormir.

Yoongi riu, dando um beijinho em seus cabelos.

— Tudo bem, mas amanhã eu vou ser a conchinha de dentro.

— Amanhã, é?

— É.

— E você vai me beijar de novo amanhã? — perguntou, aproveitando que estava de costas e ignorando a timidez.

— Você quer que eu te beije amanhã?

— Eu... eu quero.

— Então eu vou te beijar amanhã.

— Tudo bem.

— Tudo bem.

— Boa noite, Min — falou para não perder o costume.

— Boa noite, Park.

E dessa vez, por mais que quisesse, Jimin não podia negar que fora dormir com um sorriso no rosto, ansioso para que a noite seguinte finalmente chegasse.


~~


Notas finais: Foi isso ^^, espero que tenham gostado!

Os dois se irritam, mas no final é só para conseguirem a atenção um do outro skdjsk fofos.

Muito obrigada por terem lido! <3

22 de Setembro de 2021 às 21:47 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

2Min Pjct Projeto de fanfics do shipp Yoonmin (Yoongi & Jimin) do grupo sul coreano BTS. Nos encontre também no Wattpad (https://www.wattpad.com/user/2MinPjct), Spirit (https://www.spiritfanfiction.com/perfil/suji05), ao3 (https://archiveofourown.org/users/2minpjct) e twitter.

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