pcyooda Park Yooda

baeksoo | soulmate!au | red collection | DESAFIO 1 ANO BAEKSOOLAND: SOULMATE Byun Baekhyun e Do Kyungsoo se conheciam em todos os verões. A vida de ambos poderia parecer monótona em todos os 10 meses do ano, mas em Agosto, ela era perfeita. Tão perfeita e formidável quanto os dias de verão que passavam juntos em Jeju.


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#baeksoo #soulmate #90s #summer-love
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Verão de 1990

1990


A chuva batia contra a capa de lona preta do guarda-chuva de Do Kyungsoo, deixando seus óculos embaçados e cheios de gotículas sob a lente de grau. O garoto estava achando aquilo uma chatice, mas não tinha outra alternativa. Enquanto estava parado no portão em frente à casa de praia da família Park, Kyungsoo xingava a sua família até a décima geração, porque estava se sentindo incrivelmente burro naquele exato momento.

Na realidade, não fazia bem ideia se aquele era o endereço certo, porque o papel que segurava tinha um borrão de tinta enorme e molhado, que também estava se desfazendo nas suas próprias mãos enquanto ele remexia e torcia para tentar entender o que estava escrito ali.

Um burro desgraçado, era o que ele era. Principalmente, por ter deixado o papel no bolso como se fosse uma bala, e por não ter previsto que a chuva seria severa até que ele chegasse em Jeju.

Aquela ilha por si só era horrível. Kyungsoo odiava ir pra lá no verão, porque ventava muito e o clima era pavoroso. Quem é que gostava daquelas horríveis praias coreanas? Somente coreanos!

Alguém como ele, nascido e crescido na Califórnia, tinha pavor daquele lugar. Mas não era como se tivesse muita escolha. Era o único lugar agora que poderia ir, já que o seu primo, Park Chanyeol, era a única pessoa que lhe restou naquele mundo. E pior: do outro lado dele, bem longe do conforto do Sol californiano.

Kyungsoo suspirou fundo, tocando o interfone que estava posicionado na parede de tijolos repleta de plantas. Apertou o botão azul escuro, e ficou esperando até que alguém atendesse. Sabia que a casa ali era enorme, provavelmente teria uns sete ou oito quartos, suítes, piscinas e tudo mais. Seu tio Ryeowook era rico, e Kyungsoo sabia que a sua especialidade era construir casas. Por isso não ficou nada surpreso quando viu através do portão de ferro vazado, que o quintal também era enorme, com um gramado chique e com a entrada decorada com pedras. Ridículo. Coisa de gente rica de verdade.

Demorou cerca de quatro minutos até que uma governanta atendesse o interfone para colocá-lo para dentro da casa. O portão se abriu e Kyungsoo entrou pelo caminho de pequenas pedrinhas brancas que cortavam a grama verde bem aparada. Achou graça, porque aquele tipo de cenário só parecia ser real em filmes infantis. Talvez os pais de Chanyeol fossem amantes da Disney ou coisa assim, já que também tinha vários anões de gesso no jardim.

Ele foi arrastando a mochila e a mala de roupas, equilibrando um guarda-chuva como se ele tivesse três braços — o que ele não tinha. Pode enxergar a casa dos Park pela primeira vez agora, com todas as colunas brancas que seguravam a bancada de uma varanda enorme, onde provavelmente ficavam os quartos do casarão. Kyungsoo se lembrava da casa ser tão enorme quanto uma mansão, então não ficou nada surpreso para imagem parecia refrescar a sua memória: Chanyeol era rico e ele era pobre.

Não que ele já não soubesse, mas depois de sua mãe lhe enxotar para a Coreia para passar o verão ali depois de tantos anos, ele tinha um certo receio de ser jogado no meio de um mar de gente rica. Teria que dar um jeito para se comportar como um príncipe coreano, ou seus tios poderiam lhe expulsar dali também.

Com dificuldade, Kyungsoo colocou as malas na porta do casarão, e tomou o fôlego para bater na porta da frente. Mas nem ao menos precisou, pois a própria governanta já estava prestes a atendê-lo:

— Eoseo osibsio — disse a mulher, em coreano.

Kyungsoo arregalou os olhos, e demorou cerca de vinte segundos para que o seu cérebro reconhecesse a frase como “Seja bem-vindo, entre”. Seu coreano não era o melhor do mundo, e viver na América por tanto tempo havia feito com que ele esquecesse muitas coisas das quais estava acostumado — do tipo bons modos.

Kyungsoo se curvou em um cumprimento de 90 graus, como um bom menino que era.

— Olá, Senhora. Sou Do Kyungsoo, acho que os meus tios estão me esperando — ele também falou em coreano, mas com muito mais sotaque do que gostaria.

A mulher sorriu de lado, provavelmente achando graça da sua língua enrolada.

— Entre, criança. E deixe os sapatos para fora de casa.

Kyungsoo concordou, despindo os All Stars e meias molhadas. Deixou tudo no lado de fora perto de um banco bem ao lado da porta, como já estava acostumado. Os costumes asiáticos também faziam parte dos seus, apesar de ter nascido na América.

Ele seguiu para o casarão, sentindo-se minúsculo no mesmo instante que os pés descalços tocaram a madeira fria encerada. A sala era grande, com uma televisão enorme e sofás maiores ainda. Havia uma escada enorme de madeira que dava para o segundo andar do lado esquerdo da casa, e o resto parecia ter saído diretamente de um filme. Olhando tudo aquilo do auge dos seus catorze anos, Kyungsoo apenas pensou que gente rica vivia mesmo num mundo completamente paralelo.

— Seu quarto ficará lá em cima, pode deixar as coisas lá se quiser. — a governante lhe chamou atenção, apontando para a escada.

— Shut up! — ele disse, completamente surpreso.

— Desculpe? — a mulher respondeu, num misto de confusão e raiva.

Kyungsoo negou com um aceno, achando graça. Não deveriam ter o costume de falar daquele jeito quando se sentiam eufóricos.

— Eu quis dizer… Meu Deus! Eu… nunca fiquei num lugar assim antes.

A senhora ainda parecia desconfiada, mas apontou para a escada novamente, insistindo que ele fosse até o quarto. Kyungsoo se curvou em 90 graus, como um pedido formal de desculpas.

Seguiu até a escada no mais completo silêncio que poderia fazer. Tinha horror a qualquer coisa dali, se acontecesse de quebrar algo, jurava que poderia morrer.

Quando finalmente subiu as escadas, foi diretamente para o quarto que sabia ser o de hóspedes, pelo simples motivo que ele tinha uma placa ali. O moreno abriu a porta, já sentindo o cheiro de laranjeira com madeira. Sorriu quando percebeu que a decoração refletia muito bem o seu gosto por quadrinhos: em cada parede tinha um poster do homem aranha.

Deixou sua mala e mochila no chão com um baque, fazendo voar o resto do pó que havia se acumulado depois de meses sem mexer ali. Foi diretamente até a cômoda, procurando pelas revistinhas que sabia ter ali. Não se decepcionou quando abriu a gaveta e achou não só uma, mas três caixas repletas de revistinhas em quadrinhos.

— Puta merda, Chanyeol! — ele disse, já sentindo-se eufórico com tudo aquilo.

Tirou dali cerca de cinco revistas, uma de cada herói: Marvel, DC, e até mesmo alguma coisa do Japão, Kyungsoo estava maluco para ler todos eles. O menino se jogou na cama, sentindo o colchão afundar e fazer um estralo esquisito. Mas era tão macia, que ele nem ao menos ligou. Se perdeu em todas aquelas histórias, sem se dar conta de que ele ainda não havia falado com ninguém além da senhora governanta.

Quando se levantou da cama, o Sol já havia desaparecido lá fora. Seus olhos doíam, e Kyungsoo estava até mesmo se sentindo um tanto zonzo. Ele tinha que ir lá embaixo checar se os tios já haviam chegado do trabalho, ou se Chanyeol pelo menos voltara da escola.

Desceu as escadas com um tanto de euforia, mas quase caiu do degrau quando viu um garoto alto parado no meio da sala. Kyungsoo estava prestes a gritar, quando o garoto também olhou para si com os olhos arregalados.

— Quem é você? — ele perguntou em coreano, parecendo interessado.

— Uh… — Kyungsoo hesitou, porque fazia muito tempo que não usava a sua língua nativa. Algumas palavras às vezes lhe fugia, e sabia que o seu sotaque também não era o dos melhores. Por isso ele foi falando mais devagar, como se estivesse explicando alguma coisa.

— Eu… Sou Do Kyungsoo. Vim passar o verão aqui.

— Oh… — o garoto sorriu, — Você é o primo de Chanyeol? O da América? Ele vive falando sobre você lá na praia.

Kyungsoo torceu o nariz. A ideia de ter Chanyeol fofocando sobre si por aí não lhe agradava muito.

— E ele fala o quê?

O garoto deu de ombros.

— Sobre… coisas. Eu não me lembro, sabe. Provavelmente tem a ver com o fato de você ser americano. — ele sorriu, encarando Kyungsoo de cima a baixo como se ele fosse um esquisito.

Bem, talvez ele fosse mesmo. Mas não tinha a ver com o fato de não morar ali, Kyungsoo era esquisito em qualquer lugar que ele pisasse. Sabia bem disso.

— Qual o seu nome, hein? — Kyungsoo perguntou, sentindo-se incomodado com aquele olhar tão incisivo do rapaz de cabelos loiros.

— Oh Sehun. E o seu?

— Me chamou Kyungsoo.

— Sério?

Kyungsoo franziu o cenho.

— Como assim, “sério”?

— Você não tem um daqueles nomes, tipo, Paul, William, ou algo assim? Um nome americano.

Não compreendia se o garoto estava mesmo curioso sobre aquilo, ou se apenas queria ver Kyungsoo pagando um mico.

— Bem, sim, eu tenho um nome americano. É Kyle.

Sehun riu dele, em alto e bom som. É, ele queria mesmo zoar com a sua cara de Yanke.

— K.K.? Kyle Kyungsoo? Que pesadelo!

— Hey! — Kyungsoo lhe repreendeu, dando dois passos para a frente.

— Soo! — a porta da frente de repente se abriu, mostrando um Chanyeol de uniforme correndo na sua direção.

Kyungsoo piscou, e já sentia o corpo se elevar no ar. Seu primo era um doido, mas ele o amava mesmo assim. Principalmente porque Chanyeol era bom com abraços, e ótimo em fazê-lo se sentir acolhido. A montanha do seu abraço fez Oh Sehun sumir da sua vista, mas ainda conseguia ouvir a risada dele no fundo.

— Enough, Chanyeol. — Kyungsoo reclamou, achando que já estava ficando muito esquisito aquele abraço na frente de um estranho.

— Meu Deus, ele fala em inglês mesmo, Chanyeol. Olha só!

Chanyeol se afastou, olhando bem para Kyungsoo. Fazia cerca de três anos que não se viam, e muita coisa havia mudado. Mas a alegria de estar ali com ele ainda era a mesma, já que Chanyeol era um dos seus melhores amigos.

— Primo, que saudade de você!

Kyungsoo sorriu, achando graça.

— Sim… bem, eu vim aqui para isso. Agora vai ter que me aturar no verão inteiro.

Chanyeol sorriu com todos os dentes, da sua clássica maneira.

— Ah, vai ser demais, você vai ver só! Vamos nos divertir pra caramba.

— Sim, vamos sim. — Sehun concordou, chegando mais perto dos dois. — Posso até te dar algumas aulas de coreano, moleque.

— Sehun, ele é mais velho que você.

O menino arregalou os olhos, parecendo bem surpreso.

— Tá brincando? Ele? E desse tamanho aí?

Kyungsoo ficou irritado no mesmo momento.

— Tá brincando comigo, cara?

— Hey, Soo. Deixa isso. — Chanyeol interrompeu — Hey, vamos lá! Vamos lá pra cozinha que eu tô cagado de fome.

Kyungsoo achou graça, mas concordou. Era o primeiro dia dele ali naquela casa tão grande, e ele estava até um pouco nervoso sobre como as coisas iriam se desdobrar a partir dali.

Naquele dia, fizeram muitas coisas apesar da chuva. Kyungsoo pode ver que os amigos coreanos de Chanyeol não eram tão diferentes dele assim, e ele logo se sentiu mais acolhido por Sehun, apesar de ser mais novo — e bem mais boca grande que ele próprio. Trocaram muitas informações sobre cultura, quadrinhos e música. Kyungsoo ouviu sobre bandas que nunca tinha ouvido falar antes, e ele mostrara todos os seus CD’s do The Cure, New Order e Green Day.

Para um primeiro dia, Kyungsoo julgava que tudo havia sido perfeito e começado o verão como chave de ouro. Nunca imaginou que alguma coisa mais emocionante fosse acontecer naquele verão, além de conhecer pessoas novas e ler toda a coleção de quadrinhos de Chanyeol — os quais ele não tinha.

Não achou que nada demais aconteceria naquele verão, até que ele aconteceu.

Foi no dia 15 de Agosto de 1990 que Do Kyungsoo conheceu Byun Baekhyun pela primeira vez. Kyungsoo estava se acostumando com a Coreia do Sul, se acostumando com as maluquices daquele clima horrível da ilha e Jeju, e se acostumando com Sehun e Chanyeol pegando no seu pé a cada oportunidade que tinham. Estava se acostumando a viver normalmente, como todos os outros garotos de 15 anos (mesmo que ainda tivesse 14).

Então quando numa tarde não tinha ninguém disponível para ir do casarão até a praia consigo, Kyungsoo acabou indo sozinho. Levou algumas revistinhas, um contêiner com água, sucos e algumas latas industrializadas coreanas de sabores que ele nunca tinha ouvido falar. Tinha sorvete, kimbap, e um pote de kimchi. Para ele, tudo aquilo era o máximo que iria conseguir comer no curto período de tempo que planejou ficar na praia.

Foi andando até o calçado ali perto, e acabou montando um pouco longe da areia o seu próprio cantinho isolado do mundo. Kyungsoo podia ver ali vários adolescentes jogando badminton, e sentiu dentro de si a vontade de se juntar a eles. Aparentavam ser todos meninos da sua idade, ou talvez um pouco mais velhos. Vestiam camisetas justas ao corpo, além de bermudas já molhadas pela água do mar.

Kyungsoo se sentiu esquisito, porque ele estava usando moletom por conta da ventania que fazia em Jeju. Achava aquilo tudo muito esquisito, porque na sua cidade natal, em Santa Mônica, os surfistas andavam praticamente nus para expor seus tanquinhos. Na Coréia, parecia que a praia era só mais um lugar comum de recreação, e as pessoas ainda respeitavam as regras. Pelo jeito não teria a chance dever nenhum garoto sem camisa por ali, nem se ele quisesse.

Ele abriu a mochila, e ficou observando os rapazes jogar. Tinham raquetes na mão e uma bola esquisita feita de penas. Com muita dificuldade, podia ouvir alguma música ao fundo das risadas e gritos altos que eles estavam fazendo enquanto brincavam.

Inveja, era isso que Kyungsoo estava sentindo. Queria tanto estar ali entre eles que até mesmo era injusto. Não gostava do sentimento de timidez, mas esse era ele: uma pessoa insegura, principalmente porque ainda não tinha tanta noção sobre as regras coreanas de apresentação — já que era sempre Chanyeol que o apresentava para as pessoas. E por isso mesmo, ele ficou quieto.

Passou a comer a comida que havia trazido, observando o jogo como um curioso. Não estava tão longe, então poderia ver bem o que estava acontecendo apesar de sua miopia absurda. Era até engraçado, porque um deles, de cabelo loiro oxigenado, parecia ser o mais barulhento dos quatro. O tal Kim Jongdae vivia gritando “Baekhyun” cada vez que ele cometia alguma gafe, tentando aparentemente roubar no jogo. O que também fez Kyungsoo pensar “quem em sã consciência consegue roubar no badminton?”

Kyungsoo se divertiu vendo os quatro ali berrar por todos os cantos com o garoto chamado Baekhyun. Estava se divertindo muito as custas do outros, até que o improvável aconteceu: o mais bochechudo dos quatro levantou a raquete com raiva de Baekhyun, estava prestes a lhe acertar com a bola de propósito, quando a bendita vez uma curva com o vento. E foi diretamente até a testa de Kyungsoo.

Doeu. E muito. Kyungsoo sentiu a testa arder no mesmo momento que sentiu o corpo se inclinar para trás em reflexo. Ouviu gritos em sua direção, e de repente, tudo parecia arder como o fogo do inferno.

— Meu Deus… me perdoe. — uma voz disse, enquanto alguém tocava a sua testa.

— Você acha que ele morreu, Baek? — alguém mais novo perguntou.

Alguém riu, e Kyungsoo sentiu todo o seu corpo estremecer. Abriu os olhos devagar, tentando enxergar alguma coisa sem seus óculos de grau. Conseguiu ver uma figura borrada que aos poucos foi tomando forma. E que forma!

O rapaz era loiro. E lindo, mas tão lindo que apenas não conseguia desviar o olhar dos olhos de mel dele. Estava olhando para Kyungsoo com tamanha intensidade que o coração de Kyungsoo se apertou forte na mesma hora. Ele sentiu uma vontade súbita de chorar, uma tontura imensa, e uma onda de sensações tão forte que achou que iria morrer. Como se tivesse com o coração partido em mil pedaços.

— Baekhyun? — alguém perguntou, mas o rapaz ainda lhe olhava como se estivesse sentindo as mesmas coisas.

Kyungsoo não conseguia falar, não conseguia fazer nada além de olhar para ele, que tinha os dedos queimando na sua pele onde tocava. O rapaz abriu a boca uma e duas vezes, mas não falou nada.

— Você está bem? — um outro rapaz lhe perguntou, parecendo muito arrependido — Me desculpe, tentei acertar Baekhyun, mas acho que… errei a mira.

Uma outra risada soou ao fundo, bem exagerada. O rapaz loiro ainda tinha os olhos em si, quase como que hipnotizado. Você sentiu isso? Kyungsoo queria lhe perguntar, Está sentindo o mesmo que eu?

— Baekhyun… está passando mal também? Ele não está sangrando, e parece bem.

— Cale-se Jongin, o rapaz vai ficar com um galo enorme na cabeça. Precisamos levá-lo a um hospital.

— Estou ótimo. — Kyungsoo finalmente disse, desviando o olhar daquela intensidade.

Levantou-se, e Baekhyun também lhe imitou. Ainda olhava para Kyungsoo um pouco confuso, como se não entendesse o que tinha acabado de acontecer. Talvez achasse que os sentimentos era coisa de sua cabeça, o que Kyungsoo também passou a duvidar.

Se tudo aquilo fosse mentira, rapaz não teria reagido da mesma forma que ele. Então, o que era aquilo? Maresia? Falta de comida? O que poderia ser?

— Cara, você quer ir até o hospital? Acho que devemos te levar até o hospital. Eu tenho um carro, não iria demorar.

— Certo. Até porque você é um velho, né Minseok.

Minseok fechou os olhos, irritado.

— Cala boca, Dae.

Dessa vez Baekhyun riu, sendo a primeira coisa que disse desde quando apareceu ali para lhe socorrer.

— Olha a minha sorte, preso com os irmãos Kim mais uma vez. — Baekhyun dirigiu o olhar até o seu, ainda confuso — Você está bem mesmo? Talvez… talvez devêssemos ver a contusão.

— Aé, Baekhyun quer ser médico. Ele vai te ajudar!

— É enfermeiro, e não, não é sobre isso que eu estou falando Jongin. — Baekhyun fez menção de lhe estender a mão, mas puxou disfarçadamente.

Ele sentiu, Kyungsoo percebeu. Ele sentiu, e deveria estar morrendo de medo de fazer qualquer contato com Kyungsoo de novo. O que o garoto não julgaria — ele também estava com medo daquela sensação.

— Vamos para o carro, vamos levá-lo a um pronto-socorro. Com certeza vão saber o que fazer. — Minseok disse, fazendo o papel do mais velho.

Kyungsoo não disse nada, porque ainda estava atordoado pelos sentimentos dançando no seu peito toda vez que olhava para Baekhyun. Ele também parecia evitar o seu olhar, mas recolheu as suas coisas, e deu para Kyungsoo sem olhar.

Foram todos até o pronto-socorro fazer exames. Kyungsoo fez tudo o que tinha que fazer, com todos os quatro rapazes do seu lado sem deixá-lo sozinho por nenhum segundo. Baekhyun estava mais agitado, quase como se realmente se importasse com o seu estado de saúde.

Foi apenas depois do médico assegurar que nada demais havia acontecido, é que todas as crianças voltaram para a estrada.

— Você mora onde? — Minseok disse, enquanto dirigia o carro pelo litoral da ilha em que haviam estado horas atrás.

— Uh… no casarão dos Park. Não sei direito onde é.

— Meu Deus, ele é apenas uma criança Min.

— E você também, Jongdae. — Minseok franziu o cenho. — Sei onde os Park moram, mas… nossa, você vai ter que ir pra lá sozinho garoto. Acho que não nos deixariam entrar lá.

— Ah, tudo bem. Eles são meus tios.

Jongin arregalou os olhos, como se estivesse do lado de algum famoso.

— Meu Deus, ele é rico. — ele disse, inocente como era.

Baekhyun caiu na gargalhada no banco da frente. Apesar de ser um ano mais velho que Kyungsoo, tinha uma energia que não batia com a sua idade. Parecia bem mais responsável, como se tivesse vivido mais anos do que todos ali. Kyungsoo sentia muita curiosidade sobre a pessoa dele, mas não tinha coragem de fazer perguntas. Sentia-se muito criança para tudo aquilo, ou talvez fosse apenas intimidação pelos seus sentimentos anteriores em relação a ele .

Eles viajaram em silêncio até o casarão dos Park. Kyungsoo ficou envergonhado, porque ele não tinha muitos assuntos em comum com os garotos dali. Era fã de coisas americanas, e estava aprendendo a entender sobre as referências do seu país natal. Por isso ficou satisfeito em ouvir as músicas de pop coreano até o caminho da casa.

Quando enfim chegaram lá, já estava anoitecendo. Seus tios deviam estar malucos atrás dele, já que ele ainda não tinha decorado o telefone da casa para poder avisar que iria se atrasar.

Minseok estacionou o carro na frente do portão grande, e esperou até que Kyungsoo interfonasse. Baekhyun desceu do carro também, e parou do seu lado um pouco incomodado.

— Talvez fosse melhor a gente se explicar. Seus tios podem ficar mais tranquilos se conhecer as pessoas que estavam tomando conta de você.

Kyungsoo de repente se sentiu ridículo. Ele não era tão mais velho assim, então porque agia feito um adulto completo?

— Não é necessário. — ele disse, carregado de sotaque.

Baekhyun sorriu de lado.

— Você não é daqui, né? — perguntou, mas não obteve resposta.

O portão se abriu, e sua tia Yoona veio correndo pelo pequeno caminho de pedras do casarão, com um Park Chanyeol chorando em seu encalço.

— Do Kyungsoo! Quer me matar, menino? — ela o puxou para os braços, como uma mãe desesperada faria.

Baekhyun apenas observava, percebendo que o tal Kyungsoo era mesmo um garoto muito amado.

— É nossa culpa senhora. Kyungsoo estava na praia quando acabamos acertando uma bola na cabeça dele. Achamos melhor levá-lo ao hospital, e… demorou um pouco o atendimento.

Yoona assentiu com um aceno, parecendo reconhecer o feito dos garotos.

— Você é o garoto dos Byun, certo? Do restaurante?

Baekhyun abriu um sorriso largo.

— Sim, senhora. — disse, desviando o olhar para Kyungsoo por alguns segundos.

Kyungsoo sentiu aquilo novamente: como se toda a gravidade do mundo não fosse o suficiente para deixá-lo preso na Terra. Baekhyun era hipnótico, atraente e magnético. Não havia conhecido alguém como ele antes, e duvidava que um dia iria se esquecer do rosto dele: jovial, com bochechas altas, mas olhos pequenos; uma gargalhada marcante e o sorriso retangular que sobressaía cada vez que ele sorria.

Ele era bonito por si só e Kyungsoo o invejava por isso.

— Mandarei meus cumprimentos ao seu pai. Obrigada por cuidar de Kyungsoo.

Baekhyun concordou com uma reverência, e piscou um olho para o baixinho antes de voltar para o carro. Enquanto o veículo se afastava, sua tia lhe enchia de perguntas sobre o “acidente”, mas Kyungsoo não conseguia tirar os olhos dele . Sabia ser inútil, mas parte de si se perguntava, a cada distância que o carro se afastava, se teria um dia a oportunidade de vê-lo de novo.

Naquele verão de 1990, Kyungsoo não teve mais nenhum contato com Byun Baekhyun além do dia 15 de Agosto. Passou o resto da temporada brincando com Chanyeol e seu amigo Sehun, além de ter aprendido a surfar pela primeira vez. Foi uma ótima temporada, uma da qual jurou se lembrar para o resto de sua vida por todas as coisas que havia aprendido naquele lugar tão mágico quanto a Ilha de Jeju.

Mas também sabia haver algo dentro de si que mudou parte da sua vida naquele verão. E que de alguma forma, aquela mudança tinha relação com Byun Baekhyun.

21 de Setembro de 2021 às 00:26 0 Denunciar Insira Seguir história
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