thaymonike thayla Morgado

Logan parece viver uma vida de sonhos. Com um talento incrível para jogar hóquei e um charme inato para conquistar mulheres, ele é uma das maiores estrelas da Universidade de Briar. Mas por trás do característico sorriso maroto, ele esconde duas grandes angústias: a primeira, estar apaixonado pela namorada de seu melhor amigo; a segunda, saber que sua vida, após a formatura, se tornará um beco sem saída. Um dia, por acaso, ele conhece Grace, uma garota tão encantadora quanto intrigante. Tudo nela parece ser original e deliciosamente contraditório: tímida, mas ao mesmo tempo vibrante; doce, mas ao mesmo tempo forte e confiante. A cada encontro, Logan se vê mais e mais envolvido. Mas um grande erro colocará o relacionamento desses dois jovens em risco. Agora, Logan terá que se esforçar para reconquistar Grace - nem que para isso ele precise amadurecer e encarar suas questões mais profundas e doloridas.


Romance Erótico Para maiores de 18 apenas.

#hot #rock #amizade #Faculdade #virgem
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Capítulo 01

LOGAN


Abril

Estarr a fim da namorada do melhor amigo é uma merda.

Primeiro, é estranho. Tipo, pra caralho. Ninguém quer sair do quarto e dar de cara com a garota dos seus sonhos depois de ela ter passado a noite com o seu melhor amigo.

Depois, você fica com ódio de si mesmo. É meio difícil não se achar um babaca quando se fantasia com a pessoa que seu melhor amigo acredita ser o amor da vida dele.

Por enquanto, estou na fase estranha. O maior problema é que moro numa casa com paredes muito finas, o que significa que posso ouvir cada gemido ofegante que escapa da boca de Hannah. Cada suspiro e arquejo. Cada baque da cabeceira na parede enquanto outro cara transa com a garota que não sai da minha cabeça.

Superlegal.

Estou deitado de costas na minha cama, olhando para o teto. Já até parei de fingir que estou procurando alguma coisa na biblioteca do iPod. Coloquei os fones de ouvido na intenção de abafar os sons de Garrett e Hannah no outro quarto, mas ainda não apertei o play. Pelo jeito estou a fim de me torturar esta noite.

Não sou idiota. Sei que ela está apaixonada por Garrett. Vejo o jeito como olha para ele, e como os dois ficam quando estão juntos. Faz seis meses que estão namorando, e nem mesmo eu, o pior amigo do planeta, posso negar que são perfeitos um para o outro.

E, cara, Garrett merece ser feliz. Ele dá uma de machão, mas a verdade é que é um santo. O melhor jogador de centro com quem já joguei e a melhor pessoa que conheço. E estou seguro o suficiente da minha masculinidade para dizer que, se jogasse no outro time, não só pegaria Garrett Graham como casaria com ele.

O que torna a situação um trilhão de vezes mais complicada. Não posso nem odiar o cara que está pegando a garota de quem gosto. Não posso nutrir fantasias de vingança, porque não odeio Garrett, nem um pouco.

Ouço um ranger de porta e passos ecoando no corredor, e peço a Deus que nem Garrett nem Hannah bata no meu quarto. Ou abra a boca, aliás, porque ouvir a voz de qualquer um deles agora só vai me machucar ainda mais.

Por sorte, a pancada forte que faz o batente da minha porta tremer vem do outro cara que mora conosco, Dean, que entra sem esperar por um convite.

“Festa na Phi Omega hoje à noite. Você vem?”

Pulo da cama muito rápido, de um jeito que beira o patético, porque, neste momento, uma festa parece uma excelente ideia. Encher a cara é um jeito infalível de parar de pensar em Hannah. Na verdade, preciso encher a cara e comer alguém. Assim, se só uma dessas coisas não for o suficiente para não pensar em Hannah, a outra serve de apoio.

“Tô dentro”, respondo, já procurando uma camiseta.

Visto uma limpa e ignoro a fisgada no braço esquerdo, que ainda está dolorido da entrada violenta que tomei na final do campeonato, na semana anterior. E valeu a pena — pelo terceiro ano consecutivo, o time de hóquei da Briar ganhou o Frozen Four. Aparentemente três não é demais, e todos os jogadores, inclusive eu, ainda estão colhendo os louros do tricampeonato nacional.

Dean, que joga na defesa comigo, chama a fase que estamos vivendo de “Três Fs da Vitória”: festa, fama e foda.

E ele acertou em cheio, porque tenho feito todos os três desde a grande vitória.

“Você é o motorista da vez?”, pergunto, enquanto visto um moletom preto e fecho o zíper.

Ele deixa escapar uma risada. “Como é que é?”

Reviro os olhos. “Foi mal. Onde eu tava com a cabeça?”

A última vez que Dean Heyward-Di Laurentis esteve sóbrio numa festa foi nunca. Sempre que sai da casa, o cara enche a cara e fica completamente doidão. E se você acha que isso afeta o desempenho dele no gelo, está muito enganado. Dean é uma dessas raras criaturas que consegue se divertir como o antigo Robert Downey Jr. e, não sei como, ser tão bem-sucedido e amado como o atual Robert Downey Jr.

“Não esquenta, Tucker vai dirigir”, diz Dean, referindo-se ao outro membro da nossa república. “Ele ainda tá de ressaca de ontem. Disse que precisa de um tempo.”

Não culpo o cara. A pré-temporada só vai começar daqui a umas duas semanas, e estamos todos aproveitando a folga um pouco além da conta. Mas é o que acontece quando você vem de uma onda de vitórias no Frozen Four. No ano passado, fiquei bêbado por duas semanas depois que ganhamos o campeonato.

Não estou ansioso para voltar a treinar. O esforço e o condicionamento físico para se manter em forma são cansativos e se tornam ainda mais desgastantes quando você trabalha dez horas por dia. Mas não tenho escolha.

Preciso treinar para continuar no time, e o trabalho, bom, fiz uma promessa ao meu irmão e não posso pular fora, não importa o quanto me atrapalhe. Jeff vai me esfolar vivo se eu não cumprir minha parte no trato.

Quando Dean e eu descemos, o motorista da vez já está esperando na porta da frente. Seu rosto parece ter sido devorado por uma barba castanho-avermelhada que dá a ele uma pinta de lobisomem, mas Tucker está determinado a seguir com o visual desde que uma garota que conheceu numa festa na semana anterior disse que ele tinha cara de criança.

“Você sabe que essa barba de Abominável Homem das Neves não deixa você mais macho, né?”, pergunta Dean, animado, ao sairmos de casa.

Tuck dá de ombros. “A ideia é parecer mais rústico.”

Contenho uma gargalhada. “Tá longe disso também, bebezão. Você tá parecendo um cientista maluco.”

Ele me mostra o dedo do meio enquanto caminha para a porta do motorista da minha caminhonete. Sento no banco do carona, e Dean pula para a caçamba, dizendo que quer um pouco de ar fresco. Acho que ele está tentando imitar o visual descabelado que faz as meninas ficarem doidas. Dean se acha, mas tem a maior cara de modelo, então talvez esteja certo em se achar.

Tucker liga o motor e eu batuco com os dedos sobre as coxas, ansioso para começar a noite. A arrogância do pessoal das fraternidades universitárias me irrita, mas estou disposto a deixar para lá… Se organizar festas fosse um esporte olímpico, as irmandades e fraternidades da Briar seriam medalhistas de ouro.

Tuck engata a ré e meu olhar repousa sobre o Jeep preto de Garrett, brilhando na vaga, enquanto o dono passa a noite com a garota mais legal do planeta e… E chega. Essa obsessão por Hannah Wells está começando a me enlouquecer.

Preciso pegar alguém. Logo.

Tucker está excessivamente tranquilo no caminho até a festa. Parece estar franzindo a testa, mas é difícil dizer, considerando que alguém raspou todos os pelos do corpo do Hugh Jackman e colou na cara dele.

“Por que o silêncio?”, pergunto, na boa.

Ele vira o rosto na minha direção com um olhar azedo, então volta a atenção para a estrada.

“Ah, qual é? É por causa da barba?”, pergunto, exaltado. “Essa é a primeira lição do Manual da barba, cara: se quiser virar um homem das cavernas, seus amigos vão tirar sarro de você. Fim de papo.”

“Não é isso”, murmura ele.

Franzo a testa também. “Mas você está chateado com alguma coisa.”

Quando ele não responde, insisto um pouco mais. “O que aconteceu com você?”

Seus olhos irritados encontram os meus. “Comigo? Nada. Com você? Tanta coisa que não sei nem por onde começar.” Ele xinga em voz baixa. “Você tem que parar com essa merda, cara.”

Fico confuso, porque, até onde sei, tudo o que fiz nos últimos dez minutos foi ficar empolgado com a festa.

Tucker percebe a confusão em meu rosto e esclarece, num tom sombrio:

“Essa história com a Hannah”.

Embora meus ombros fiquem tensos, tento manter uma expressão vaga no rosto. “Não sei do que você tá falando.”

Pois é, escolhi mentir. Que novidade. Parece que tudo o que faço desde que cheguei à Briar é mentir.

Certeza de que vou virar um jogador profissional!

Adoro passar o verão sujo de graxa na oficina do meu pai. A grana é ótima!

Não estou a fim de Hannah. Ela é namorada do meu melhor amigo!

Mentiras, mentiras e mais mentiras, porque, em todos esses casos, a verdade é um pé no saco, e a última coisa que quero é que meus amigos e a galera do time fiquem com pena de mim.

“Guarda essas desculpas para o G.”, retruca Tucker. “Aliás, sorte sua ele estar distraído com toda aquela baboseira romântica, senão ia ter notado como você tá se comportando.”

“E de que jeito eu tô me comportando?” Não consigo afastar a irritação da voz ou a forma defensiva como minha mandíbula se fecha. Odeio que Tuck saiba que sinto alguma coisa por Hannah. Odeio ainda mais que ele tenha tocado no assunto, depois de todos esses meses. Por que não pode deixar quieto? A situação já é ruim o suficiente sem ninguém me dando bronca.

“É sério? Quer que eu diga? Tudo bem.” Ele começa a recitar todos os detalhes que fazem com que eu me sinta tão culpado. “Você sai da sala toda vez que eles aparecem. Se esconde no quarto quando ela passa a noite em casa.

Quando você fica na mesma sala que a Hannah e acha que não tem ninguém olhando, fica olhando para ela sem parar. Você…” “Tá legal”, interrompo. “Entendi.”

“E isso sem falar na pegação desenfreada”, resmunga Tucker. “Você sempre foi mulherengo, mas, cara, só esta semana já ficou com cinco.”

“E daí?”

“E daí que ainda é quinta-feira. Cinco meninas em quatro dias. Faça as contas, John.”

Merda. Ele me chamou pelo primeiro nome. Tucker só me chama de John quando está irritado de verdade.

Só que agora é ele quem me deixou irritado, então entro no jogo dele. “E qual é o problema com isso, John?”

Pois é, nós dois nos chamamos John. Acho que deveríamos fazer um pacto de sangue, fundar uma fraternidade ou algo assim.

“Tenho vinte e um”, continuo falando, irritado. “Posso ficar com quem eu quiser. Aliás, é isso mesmo que eu tenho que fazer, porque estamos na faculdade.

A ideia é se divertir, transar e zoar antes de cair no mundo real e a vida virar uma merda.”

“Até quando vai continuar fingindo que essas garotas todas são parte da experiência universitária?” Tucker balança a cabeça, em seguida deixa escapar um suspiro e suaviza o tom de voz. “Você não vai esquecer a Hannah assim, cara. Pode dormir com cem mulheres hoje que não vai fazer diferença. Tem que aceitar que não vai rolar nada com ela e seguir em frente.”

Ele tem razão. Sei muito bem que estou alimentando minha própria dor e depois fazendo sexo a torto e a direito só para me distrair.

Também sei muito bem que tenho que parar de beber até cair. E preciso abrir mão desse resquício de esperança de que algo aconteça e aceitar a realidade.

Amanhã, quem sabe?

Mas hoje à noite vou seguir com o plano original. Ficar bêbado. Pegar alguém. E que se dane o resto.




GRACE


Entrei na faculdade virgem.

Estou começando a achar que vou me formar virgem também.

Não que isso seja um problema. E daí se logo faço dezenove anos? Estou longe de ser uma solteirona e não vou ser humilhada em praça pública por ainda ter um hímen intacto.

Além do mais, oportunidades não faltaram. Desde que vim para a Briar, minha melhor amiga me arrastou para mais festas do que sou capaz de contar. E os caras dão em cima de mim. Alguns tentaram me levar pra cama. Um deles até me mandou uma foto do pau com a legenda “Todo seu, gata”. Isso foi… bem nojento, na verdade, mas se eu gostasse dele poderia ter me sentido, hum, lisonjeada com o gesto. Será?

Mas eu não estava interessada em nenhum deles. E, infelizmente, os que me atraem nem reparam em mim.

Até hoje.

Quando Ramona falou que íamos à festa de uma fraternidade, não tive grandes esperanças de conhecer alguém. Parece que todas as vezes que vamos a uma dessas, os garotos só querem saber de pegação. Mas hoje conheci um cara de quem meio que gostei.

Ele se chama Matt, é bonito e até agora não deu uma de babaca. Está levemente sóbrio, usa frases completas e não disse “caralho” nem uma vez sequer desde que começamos a conversar. Ou melhor, desde que ele começou a falar. Eu não contei muitas coisas, mas estou satisfeita em ficar aqui de pé, ouvindo, porque isso me dá tempo de admirar seu queixo perfeito e o jeito fofo como seu cabelo faz cachos perto das orelhas.

Para ser sincera, talvez seja melhor eu não falar nada. Garotos bonitos me deixam nervosa. Parece que meu cérebro dá um nó. Fico sem filtro e, de repente, estou contando que fiz xixi nas calças durante uma excursão no terceiro ano, que morro de medo de marionetes ou que tenho um transtorno obsessivo-compulsivo leve e começo a arrumar o quarto de outra pessoa no instante em que ela vira as costas.

Então é melhor só sorrir, concordar e, vez ou outra, soltar um “Sério?”, para que eles saibam que não sou muda. Só que, às vezes, isso não é possível, especialmente quando o cara bonito em questão pergunta algo que requer uma resposta de verdade.

“Quer ir lá fora fumar isso?” Matt tira um baseado do bolso da camisa e o ergue na frente do meu rosto. “Eu acenderia aqui, mas os caras da fraternidade me expulsariam por isso.”

“Ah… não, obrigada”, respondo sem jeito.

“Você não fuma?”

“Não. Quer dizer, já fumei, mas não muito. Me deixa meio… aérea.”

Ele sorri, e duas covinhas lindas aparecem no seu rosto. “Esse é meio que o objetivo.”

“É, acho que sim. Mas fico cansada também. E sempre acabo lembrando de uma apresentação de PowerPoint que meu pai me obrigou a ver quando eu tinha treze anos. Era cheia de estatísticas sobre os efeitos da maconha no cérebro e como ela é altamente viciante. Depois de cada slide, ele me olhava e perguntava: Você quer perder os neurônios, Grace? Quer?”

Matt fica me encarando por um tempo. Na minha cabeça, uma voz grita “Para com isso!”, mas já é tarde demais. Meu filtro falha de novo, e as palavras continuam jorrando da minha boca.

“Mas acho que não é tão ruim quanto o que minha mãe fez. Ela queria ser descolada. Quando eu tinha quinze anos, me levou para um estacionamento vazio, tirou um baseado do bolso e disse que íamos fumar juntas. Parecia uma cena de The Wire — bom, eu nunca vi The Wire. É sobre drogas, né? Enfim, fiquei sentada lá, em pânico, convencida de que íamos ser presas, enquanto ela ficava me perguntando como me sentia e se estava ‘curtindo o bagulho’.”

Meus lábios enfim param de se mexer, como que por milagre.

Mas os olhos de Matt já estão vidrados.

“Ah, tá… legal.” Ele balança o baseado desajeitadamente no ar. “Vou lá fumar isso então. Vejo você depois.”

Consigo conter o suspiro até ele se afastar, e então solto o ar de forma brusca. Droga. Nem sei por que tento falar com eles. Começo todas as conversas nervosa com a possibilidade de passar vergonha e acabo de fato passando, porque sempre fico nervosa. Estou fadada ao fracasso.

Com outro suspiro, desço e procuro por Ramona. A cozinha está cheia de bebida e garotos. A sala de jantar também. A sala de estar está lotada de caras bêbados e barulhentos demais e um mar de garotas seminuas. Fico impressionada com a resistência delas, porque lá fora está um gelo, e a porta da frente abre e fecha a todo instante, mantendo o ar frio dentro da casa. Eu estou bem quentinha vestindo calça skinny e blusa de gola alta.

Não encontro Ramona em lugar nenhum. Com um hip-hop ensurdecedor estourando as caixas de som, pego o celular na bolsa para ver a hora e descubro que já é quase meia-noite. Mesmo depois de oito meses na Briar, ainda sinto uma pontinha de alegria toda vez que fico na rua depois das onze, que era a hora que eu tinha que estar em casa quando morava com meu pai. Ele era um defensor fervoroso do toque de recolher. Na verdade, é um defensor fervoroso de tudo.

Duvido que já tenha quebrado uma regra na vida, o que me faz pensar em como ele e minha mãe conseguiram ficar tanto tempo casados. Ela é um “espírito livre”, o oposto do rigor exagerado dele, mas acho que isso só prova que a teoria de que os opostos se atraem tem algum mérito.

“Gracie!”, grita uma voz feminina por cima da música. Ramona aparece e me dá um abraço apertado.

Quando se afasta, basta uma olhada em seus olhos reluzentes e nas bochechas coradas e sei que está bêbada. Está tão agasalhada quanto a maioria das meninas na sala: a saia curta mal cobre as coxas, a frente única vermelha exibe um decote avantajado. Os saltos das botas de couro são tão altos que não entendo como consegue andar. Mas está linda e chama muita atenção quando entrelaça o braço no meu.

Tenho certeza de que, olhando nós duas assim, lado a lado, as pessoas se perguntam como podemos ser amigas. Às vezes, eu me pergunto a mesma coisa.

Na época do colégio, Ramona era do tipo que gostava de se divertir e quebrar as regras fumando escondido, e eu era a menina comportada que editava o jornal estudantil e organizava todos os eventos de caridade. Se não fôssemos vizinhas, provavelmente nem teríamos nos conhecido direito, mas caminhar para a escola juntas todos os dias levou a uma amizade de conveniência, que acabou se transformando num vínculo verdadeiro. Tão verdadeiro que, quando estávamos considerando para qual faculdade iríamos, tomamos o cuidado de nos candidatar para as mesmas e, quando entramos na Briar, pedimos ao meu pai para conversar com o pessoal do alojamento e dar um jeito de sermos colegas de quarto.

Mas, apesar de a nossa amizade ter começado o ano com força, nos afastamos um pouco. Ramona está obcecada pela ideia de ser popular aqui também. Ultimamente, tenho achado a coisa toda meio… irritante.

Droga. Só pensar nisso faz eu me sentir uma amiga de merda.

“Vi você indo para o andar de cima com Matt!”, ela sussurra em meu ouvido. “Vocês ficaram?”

“Não”, respondo, desanimada. “Acho que o assustei.”

“Ah, não. Você contou que tem medo de marionetes?”, ela pergunta, antes de soltar um suspiro exagerado. “Você tem que parar de mostrar que é louca logo de cara. Sério mesmo. Guarde para depois, quando estiver namorando o cara e for mais difícil ele fugir.”

Não consigo segurar o riso. “Obrigada pelo conselho.”

“E aí? Quer ir embora ou ficar um pouco mais?”

Olho ao redor mais uma vez. Meu olhar recai num canto, onde duas meninas de jeans e sutiã estão se agarrando, enquanto um dos caras da fraternidade filma com um iPhone.

A visão me faz sufocar um gemido. Aposto dez dólares que o vídeo vai acabar num desses sites pornográficos gratuitos. As meninas não vão saber de nada por anos, até uma delas estar prestes a se casar com um senador e a imprensa desenterrar seu passado “vergonhoso”.

“Topo ir agora”, admito.

“É, eu também.”

Levanto as sobrancelhas. “Desde quando você aceita sair de uma festa antes da meia-noite?”

Ramona franze os lábios. “Não tem muito sentido continuar aqui. Ele já pegou outra.”

Nem pergunto de quem está falando — é o mesmo cara de quem fala desde o primeiro dia.

Dean Heyward-Di Laurentis.

Ramona está obcecada pelo cara desde que esbarrou nele num café do campus. Ela tem me arrastado para quase todos os jogos do time, só para vê-lo em ação. Tenho que admitir que ele é maravilhoso. Diz a lenda que pega geral, mas, infelizmente para Ramona, não se envolve com meninas do primeiro ano.

Nem dorme com elas, que é o que minha amiga quer, na verdade. Ramona nunca ficou com ninguém por mais de uma semana.

A única razão pela qual ela quis vir à festa era que tinha ouvido que Dean estaria aqui. Só que o cara leva sua própria regra a sério: não importa o quanto Ramona se ofereça, ele sempre sai da festa com outra.

“Posso dar um pulinho no banheiro antes?”, pergunto a ela. “Encontro você lá fora.”

“Tá, mas não demora. Falei para o Jasper que estamos indo, e ele está esperando no carro.”

Ela vai em direção à porta da frente, me deixando com uma pontada de ressentimento. Legal ter me perguntado se eu queria ir embora depois de já ter tomado a decisão por nós.

Engulo a irritação, lembrando que Ramona sempre foi assim e que isso nunca me incomodou antes. Se ela não tomasse as decisões e me obrigasse a sair da minha zona de conforto, eu teria passado o ensino médio inteiro na sala do jornal, escrevendo a coluna de aconselhamento sem jamais ter experimentado nada por mim mesma.

Ainda assim… às vezes, queria que Ramona ao menos me perguntasse o que eu achava de alguma coisa antes de decidir por mim.

O banheiro está com uma fila gigante, então navego por entre a multidão e subo até onde Matt e eu estávamos conversando antes. Quando chego ao banheiro, a porta se abre e uma loira maravilhosa sai dele.

Ela leva um susto ao me ver e, em seguida, abre um sorrisinho presunçoso e ajeita a barra de um vestido que só pode ser descrito como indecente. Dá até pra entrever a calcinha cor-de-rosa dela.

Com o rosto ardendo, desvio o olhar, envergonhada, e espero até que tenha chegado à escada antes de pegar a maçaneta da porta. Mal encosto nela e a porta se abre de novo, então outra pessoa sai.

Meu olhar se choca com os olhos azuis mais vivos que já vi. Só preciso de um segundo para reconhecer de quem são. Quando isso acontece, meu rosto fica ainda mais quente.

John Logan.

Isso mesmo, John Logan. A estrela da defesa do time de hóquei. Sei disso não só porque faz meses que Ramona está correndo atrás de um dos melhores amigos do cara, mas também porque seu rosto sexy e perfeito foi capa do jornal da universidade na semana passada. Desde que ganharam o campeonato, o jornal tem entrevistado todos os jogadores, e não vou mentir: a matéria com Logan foi a única em que prestei atenção.

Porque o cara é lindo demais.

Assim como a loira, ele leva um susto ao deparar comigo no corredor, mas, também como ela, recupera-se depressa e abre um sorriso para mim.

Então fecha o zíper da calça.

Ai, meu Deus.

Não acredito que ele acabou de fazer isso. Meu olhar cai involuntariamente sobre sua virilha, mas Logan não parece se importar com isso.

Ergue uma sobrancelha, dá de ombros e vai embora.

Nossa. Então tá.

Só isso já deveria bastar para me deixar enojada. Não estou nem falando do sexo no banheiro. A fechada de zíper já o colocaria direto no rol dos babacas.

Mas saber que ele acabou de transar com aquela garota no banheiro dispara uma onda de ciúmes em mim pela qual não esperava.

Não estou dizendo que quero fazer sexo aleatório no banheiro, mas… Tá, mentira. Eu quero, e muito. Com John Logan, pelo menos, quero.

Pensar em suas mãos e seus lábios no meu corpo desencadeia uma onda de arrepios quentes pela minha coluna.

Por que não posso me divertir com um cara no banheiro? Estou na faculdade, droga. Deveria estar aproveitando a vida, fazendo besteira, “me encontrando”, mas não fiz merda nenhuma o ano todo. Vivo através da Ramona, que se arrisca e tenta coisas novas, enquanto eu, a santinha, fico aqui, me agarrando ao ideal de vida regrada que meu pai me impôs desde quando eu ainda usava fralda.

Estou cansada de ser cautelosa. E boazinha. O semestre está quase no fim.

Ainda preciso estudar para duas provas e escrever um trabalho de psicologia, mas quem disse que não posso tirar um tempinho para me divertir também?

Faltam só algumas semanas para o primeiro ano de faculdade acabar. E sabe de uma coisa? Vou fazer bom uso delas.

20 de Setembro de 2021 às 17:00 0 Denunciar Insira Seguir história
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