naty_cris033 Náthale Morais

Com um único objetivo de começar uma nova vida, Ha-rin fez de Ulsan seu destino. No entanto a jovem vai perceber que nunca poderá esquecer seu passado. Gentil, Woo-ri sempre transmitiu em seus doces o amor que sentia pelo que fazia. O que ele não esperava era que uma pessoa de seu passado traria muito mais do que apenas sua paixão à tona. Desde sua ida para Ulsan, Him-chan sabia que enfrentaria muitos, por seus métodos de ensino diferentes, só não esperava que mais ocorrências viriam a acontecer. De coração bom, mas insegura demais consigo mesma, Sun-hee vê sua vida mudar completamente ao surgirem desafios que a tornem forte o suficiente para não aceitar as injustiças que nunca quis enxergar. Com uma vida estável, pais amorosos e uma irmã sem papas na língua, Ho-jin sempre viveu da forma que todos esperavam, até ser obrigado a rever seus conceitos, e se aceitar como realmente era.


Romance Chick-lit Para maiores de 18 apenas.

#romance #chicklit #kdrama #lgbtqia+ #coreiadosul
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Capítulo 1

— Omma, vem comigo, vamos morar em Ulsan — suplicou Ha-rin. Rapidamente o sorriso frouxo de Bong-sun se foi, e involuntariamente se afastou de Ha-rin.

— E... eu não posso, filha.

Após ouvir aquelas palavras, Ha-rin se calou, deixando um silêncio tomar conta do ambiente. Ao virar seu rosto, a jovem notou a tristeza estampada de Bong-sun e sentiu seu peito doer. Pois, não queria deixá-la, não queria magoá-la, mas também não conseguia viver perto daquela pessoa que só lhe fazia mal e nem queria que sua mãe também continuasse a passar por isso.

Antes que as lágrimas inundassem sua face, Ha-rin envolveu seus braços no corpo de sua mãe e deitou a cabeça em seu ombro.

— E... sinto muito, Omma — disparou.

Mesmo não vendo, a jovem pôde sentir a mão direita de Bong-sun afagar suas longas madeixas brancas, enquanto falava quase que num sussurro:

— Eu também... sinto muito por não ser tão corajosa quanto Ha-rin.

Ao notar a fila se formando na porta do ônibus, Ha-rin se desvencilhou e anunciou, enquanto secava as lágrimas:

— Tenho que ir agora.

— Ne, boa sorte, filha! — desejou a mãe, forçando um sorriso.

Em seguida a jovem caminhou até a fila do ônibus e após entrar olhou novamente para a sua mãe pela janela no ônibus, e acenou assim que o motorista deu partida.

🏖️

Durante o trajeto até Ulsan, Ha-rin sentiu suas pálpebras pesarem cada vez mais, e seu corpo implorando por descanso, não sabia ao certo, mas ela tinha quase certeza que era por conta do som da chuva, misturado com as vibrações do ônibus. Sem conseguir mais lutar contra seu cérebro, a jovem deixou se entregar ao sono.

🏖️

Jeogiyo! — chamou uma voz desconhecida.

Ao abrir os olhos, Ha-rin percebeu que já havia chegado ao local, e tratou de agradecer a jovem mulher que havia lhe acordado. Em seguida, desceu junto aos outros passageiros do ônibus.

— Finalmente! — pensou a jovem, sorrindo consigo mesma.

Apanhou o celular que estava em sua mochila, e telefonou para Sun-hee. Sem sucesso, Ha-rin tentou mais uma vez.

Aigoo! Porque ela não atende? — questionou a jovem enquanto tentava ligar novamente.

🏖️

“Sejam bem-vindos de volta, são exatamente 7h00 e você que já está a caminho do trabalho ou escola, está convidado a relaxar com mais uma música. Tenham todos um ótimo dia.”

Após a locutora dizer aquelas palavras, “Hello Tutorial” de Zion.t começou a ser tocada na rádio. E em questão de segundos, o jovem começou a cantarolar a música enquanto ajeitava os doces e bolos na vitrine.

Ao ouvir os sinos da porta tocarem, Woo-ri tratou de levantar para atender o cliente.

Annyeongha...

Antes que terminasse de falar, o jovem congelou instantaneamente, por mais que tentasse as palavras não saíam de sua boca.

Fazia anos que não via aquela pessoa, mas seus sentimentos por ela, pareciam não ter sido apagados de seu coração.

🏖️

Era uma tarde de verão, havia apenas um mês para a chegada das férias, algo que deixava Woo-ri aliviado, já que ficaria algumas semanas sem precisar ter de aguentar os colegas impertinentes que o atormentavam.

Por conta de sua baixa estatura e ser aquele garoto mais quieto, sempre foi o alvo preferido deles. Enquanto lanchava, Woo-ri ouviu passos de pessoas se aproximando.

— Vejam só, se não é nosso nanico — comentou Si-wan com seu amigo, Dong- pyo.

Woo-ri levou mais um pedaço de sanduíche à boca, sem dizer uma única palavra. Irritado com a atitude do jovem, Si-wan entrou em seu campo de visão e tomou o lanche de Woo-ri.

Aish! Que troço ruim! — reclamou após mastigar um pedaço do sanduíche.

— Aquela colle da sua Omma que fez isso?

Ao ouvir aquelas palavras, Woo-ri sentiu seu sangue ferver, podia aceitar que o ofendessem, mas desrespeitar alguém mais velho, principalmente sua mãe, era algo que não podia, em hipótese alguma, deixar passar. Sem perder tempo o jovem encarrou Si-wan e o empurrou enquanto avisava:

— Acho bom deixar minha omma fora disso.

Na mesma hora ele riu sarcástico, olhou para o lado e acertou um soco em Woo-ri, que o fez cair no chão. Sem esperar o jovem tentar se erguer, Dong-pyo lhe deu um chute na boca do estômago.

Mesmo sentindo uma forte dor, o jovem aguentou firme, enquanto tentava reunir forças para se levantar. Quando Si-wan e Dong-pyo estavam prestes a bater no jovem, algo, ou melhor, alguém apareceu.

— Que lindo encontrar pessoas desse tipo para agitar minha estadia em Ulsan. Por um instante Woo-ri pensou que havia enlouquecido ao ouvir aquela voz, mas bastou levantar a cabeça para poder perceber que era, de fato, uma garota. Pela primeira vez naquele dia, Woo-ri sentiu o espanto modificar o rosto dos jovens, enquanto eram prensados na parede.

Em contraponto, a garota continuava tão feroz quanto um animal. Seu semblante franzido e suas pupilas dilatadas só deixavam claro a ira que percorria pelo seu ser.

— Ha-rin? O que está fazendo? — indagou uma voz de repente.

Na mesma hora tanto Si-wan quanto Dong-pyo aproveitaram que a jovem ficou distraída e se desvencilharam dela.

Irritada, Ha-rin bufou e gritou para eles:

— Nossa conversa ainda não acabou!? Ouviram? Ssibal saekki! — A garota, cujo nome estava escrito em seu crachá, era Min Ha-rin, foi em direção ao jovem e estendeu sua mão para ajudá-lo a levantar.

Kamsahamnida! — agradeceu Woo-ri, mal conseguindo olhar diretamente nos olhos da jovem.

Aigoo! Ha-rin quer se meter em problemas no primeiro dia? — indagou Sun-hee retoricamente.

Aish! Sem sermão Sun-hee, já basta ter me distraído quando estava domesticando aqueles garotos. As duas caminharam em direção ao refeitório do colégio.

🏖️

— Sabe me informar onde fica? — indagou Ha-rin retirando-lhe de seus pensamentos.

Mworagoyo? — indagou confuso.

— Onde fica essa rua? — repetiu a jovem, mostrando o papel com o endereço.

— Siga pelo morro e vire na terceira rua a direita.

— Obrigada pela ajuda!

🏖️

Após sair do mercado, Sun-hee caminhou até Maseuteo Pai, estabelecimento que um colega do ensino médio havia montado após se formar na universidade da província onde viviam.

Annyeonghaseyo, Sun-hee-ssi! — cumprimentou Woo-ri-ssi ao vê-la.

Na mesma hora a jovem deu um sorriso e disse enquanto fazia a reverência:

Annyeonghaseyo, Woo-ri-ssi!

Ao ver todos aqueles belos e suculentos doces, Sun-hee sentiu um misto de emoções. Parte dela queria experimentar cada um deles, mas a outra parte ficava desapontada só de pensar em tal ato.

— Sun-hee-ssi? — chamou Woo-ri, afastando-lhe de seus pensamentos.

Ne, vou querer esse — afirmou apontando para um bolo de chocolate com peperos decorados e o rosto de um gatinho sobre as raspas de chocolate branco no topo.

Woo Ri apanhou o bolo e guardou em uma embalagem, Sun-Hee lhe entregou o dinheiro usando as duas mãos e agradeceu.

Annyeonghigaseyo!

No meio do caminho para casa, Sun-Hee sentiu seus joelhos doerem, e tratou de fazer uma breve pausa. Ainda curvada, e um pouco menos ofegante, ela ergueu o queixo. Notou uma pessoa bem familiar tocando a campainha, automaticamente falou:

— Ha- rin? — Em questão de segundos ela olhou em sua direção e suspirou aliviada.

— Finalmente, Sun-hee! Achei que nunca ia te encontrar.

— Pensei que havíamos combinado de nos encontrar no terminal quando chegasse — comentou a jovem confusa.

— Eu também, mas não atendeu as minhas ligações.

Na mesma hora Sun-hee verificou sua bolsa.

Aigoo! Mas eu não ouvi — notando a falta de seu celular, a jovem se lembrou que havia deixado em casa e se culpou novamente por se tão esquecida.

Como era sua melhor amiga, Ha-rin sabia bem disso e indagou:

— Deixe-me adivinhar, esqueceu ele no ônibus?

— Felizmente não. Dessa vez, deixei ele carregando mesmo.

Ao notar a feição debochada de Ha-rin, Sun-hee interveio dizendo:

— Ei, não me olhe assim, a Ha-rin também sempre esquece das coisas.

— Eu não falei nada — disse a jovem se defendendo.

Na mesma hora Sun-Hee olhou para a amiga com os olhos semicerrados e sorriu.

— Vamos? Comprei sunsalchikin para o almoço e bolo de sobremesa.

Ommo! Estou salivando só de ouvir — comentou Ha-rin, enquanto entravam em casa.

🏖️

Enquanto levava mais uma colherada de sorvete aos lábios, Ho-jin observava atentamente o filme Ohjik geudaeman, que era transmitido no KBS. Minutos depois do filme chegar ao fim, o celular do jovem tocou. Sem pensar duas vezes, Ho-jin apanhou o aparelho que estava sob a pequena mesa de vidro e atendeu:

Yeoboseyo!

Annyeong, filho!

Ao ouvir a voz de sua mãe, um sorriso formou-se nos pequenos lábios de Ho- jin. Depois de sair da casa dos pais, o jovem quase não conseguia ter tempo para vê-los.

Annyeong, omma! Que saudade! — disse o jovem alegre.

Aigoo! Se estivesse com tanta saudade, iria vir ao Rustic bakehouse! — afirmou a mãe de Ho-jin, dramaticamente.

Perplexo com o tom dramático de sua mãe, Ho-jin deu uma leve risada e disse:

Arasso, omma! Logo, logo estou aí.

Ye, kkeuno!

🏖️

Ao passar pela porta, o jovem notou o delicioso cheiro de café combinado com sua mãe correndo alegremente em sua direção. Antes que o jovem pudesse fazer a reverência ao cumprimentá-la, Da-in apertou as bochechas do jovem enquanto falava:

— Vejo que está se alimentando bem, suas bochechas estão gordinhas, iguais às de quando era criança.

Constrangido e levemente dolorido com o carinho da mãe, o jovem manifestou:

— Omma! Eu não sou mais criança.

— Para os pais, os filhos sempre serão crianças — afirmou Da-in, rindo.

— Omma, bap meogeosseo? — indagou Ho-jin. — Trouxe tteokbokki.

Ani, meu horário de almoço é daqui a pouco — respondeu Da-in, ajeitando a roupa do filho. — Mas fique à vontade filho, eu sei como gosta de ler.

Ne, até daqui a pouco, omma.

Sua mãe saiu rumo ao escritório onde trabalhava, Ho-jin aproveitou para comprar um livro.

Com diversos móveis cobertos por livros de todos os gêneros desejados, o jovem analisava cada um deles, em busca de algum que lhe despertasse o interesse.

Ao ler a sinopse e folhear algumas páginas do texto, Ho-jin decidiu levar “Ogsangeseo mannayo”. Em seguida voltou a observar outros livros, um em específico fez o jovem sorrir ao lembrar do ocorrido o envolvendo. Ho-jin sabia que “Amondeu” era um livro bem conhecido pelos leitores, e foi essa sua ingenuidade que o fez pensar, que finalmente sua irmã estava começando a se interessar mais ainda pelos livros, quando, na verdade, era porque o choeae da jovem estava lendo em um programa de variedades.

Jeogiyo! — disse uma voz fazendo Ho-jin voltar ao mundo real.

Na mesma hora o jovem apanhou um dos exemplares e deu espaço para a pessoa conseguir ver os livros, disse:

Chesonhamnida.

Naquele mesmo momento Ho-Jin sentiu seu coração acelerar ao observá-lo. Não sabia como se chamava, ou o que fazia da vida, ele era um completo estranho, mas havia de fato chamado sua atenção.

Enquanto o rapaz analisava o livro, sentado sobre uma das cadeiras da cafeteria-livraria, Ho-jin, de maneira disfarçada, observava seu rosto arredondado e como contrastava perfeitamente com o penteado crew cut que usava. Os belos olhos castanhos daquele rapaz pareciam nunca ter passado por uma cirurgia. Na visão de Ho-jin, aquela pessoa era completamente natural e ao mesmo tempo encantadora. No fundo o jovem se sentia completamente tolo de ficar tão mexido com um desconhecido, mas sua parte emocional não queria dar ouvidos à razão.

Continuava a folhear o livro, e aquele mesmo rapaz passou por Ho-jin, levando com ele um exemplar de “Amondeu”. Ao ver que observava outros livros, o jovem se atreveu a olhar o rapaz novamente, mas se arrependeu completamente ao vê-lo virar seu rosto em direção a ele. Sem pensar duas vezes, o jovem se levantou e correu em direção ao caixa para pagar o livro.

🏖️

Após colocar os brotos de feijão e rabanetes dentro do carrinho, Him-chan caminhou até um dos corredores do mercado.

"Gochujang, gochujang, onde está o gochujang?", cantarolou o jovem em pensamento, enquanto fitava a prateleira repleta de alimentos. Em questão de instantes seus olhos notaram diversos potes de gochujang sobre a prateleira. Ao esticar sua mão para apanhar uma unidade, Him-chan sentiu uma pequena mão tocar na sua.

Chesonhamnida — disse uma voz feminina ao seu lado.

À procura da dona daquela voz e mão, Him-chan virou seu rosto e notou de quem se tratava. Uma jovem com curtas madeixas escuras, pele clara e rosto condizente com os padrões de seu país.

O jovem pegou um dos potes e disse dando um sorriso sem mostrar os dentes: — Gwaenchanayo.

— Desculpe a intromissão, mas por acaso é o novo professor de história em Min Oh-seong haggyo? — indagou a jovem moça enquanto apanhava uma unidade de gochujang.

Confuso, Him-chan respondeu:

Ne, mas como...

Ommo! Esqueci de me apresentar, sou a professora de inglês de lá — comentou a moça ao notar a expressão confusa no rosto de Him-chan.

Na mesma hora, suas sobrancelhas se ergueram e sua boca abriu-se em formato oval enquanto ele falava:

Algesumnida.

— Tae-ri — disse a jovem se apresentando.

— Kim Him-chan.

Unnie! — chamou uma voz, interrompendo a conversa.

Tanto Tae-ri quanto Him-chan, olharam para frente e viram uma menina de aproximadamente dez anos, com um par de tranças que balançavam à medida que a jovem corria.

Aigoo! Onde está sua mãe, Ye-won? — questionou Tae-ri, se abaixando para ficar na mesma altura que a menina.

— Eu estava andando e não encontrei mais ela — respondeu a criança angustiada.

— Vamos encontrá-la, arasso? — afirmou a professora tentando acalmá-la. Em seguida, Tae-ri levantou e disse a Him-chan:

— Bem, tenho que ir agora.

Ne, nos vemos amanhã no colégio.

Na mesma hora Tae-ri deu um sorriso concordando e fez a reverência enquanto se despedia.

— Annyeonghigyeseyo!

— Annyeonghaseyo!

🏖️

Uma hora após chegar do Lotte Mart, Him-chan colocou as sacolas sobre a mesa da sala e seguiu para o quarto, onde apanhou uma calça e um moletom cinza e seguiu para o banheiro. Minutos depois, Him-chan caminhou em direção onde as sacolas estavam e as levou até a cozinha, retirou as compras e guardou na geladeira. Ao abrir a última sacola que faltava, o jovem notou que se tratava do livro que havia comprado. Por alguns instantes Him-chan fitou o livro, e pensativo relembrou do ocorrido na livraria.

🏖️

Enquanto folheava o livro, Him-chan notou algo estranho, foi preciso apenas alguns segundos para perceber que alguém lhe observava. Ou melhor, um rapaz. Depois Him-chan caminhou até a prateleira do lado direito ao do tímido rapaz. Movido a curiosidade, Him-chan olhou uma última vez para aquele rapaz, que ao notar, correu veloz e levemente atrapalhado. Sem ao menos pensar, Him-chan riu da situação.

🏖️

Quando se deu conta Him-chan estava novamente sorrindo.

Irritado consigo mesmo, o jovem questionou após soltar um suspiro.

— Por que continuo pensando nele?! Aish! Só posso ter enlouquecido.

🏖️

Após sair do banho, Ha-rin vestiu uma blusa branca de mangas seguido por um terno e uma calça cinza. Ao envolver suas madeixas em um coque, a jovem notou as tatuagens em seu pescoço, que diferente das do braço e pernas, não foram capazes de serem cobertos pela roupa.

— Aish! O que eu faço com isso? — indagou a jovem ao encostar nas tatuagens de seu pescoço. — Se bem que... é apenas tatuagem.

Ao falar aquilo a jovem deu de ombros e saiu sorridente do banheiro.

— Onde pensa que vai com essas tatuagens à mostra?

Involuntariamente seus olhos arregalaram-se. Ao pôr a mão no peito, Ha-rin pôde sentir seu coração descompassar e sem pensar duas vezes reclamou:

Aish! Quer me matar?!

Ainda de braços cruzados, Sun-hee caminhou até o banheiro, apanhou uma bisnaga de bb cream, e puxou a amiga para sala.

— Parece que não me ouve, eu não havia falado? Nada de tatuagens na entrevista de emprego, mas o que a Ha-rin faz? Exatamente o oposto do que eu falei — reclamou Sun-hee, enquanto aplicava o produto sobre a pele tatuada de Ha-rin.

Arasso! Arasso! Às vezes a Sun-hee me trata feito criança — comentou a jovem se levantando.

— Óbvio, a Ha-rin mais parece minha filha do que minha amiga.

Por alguns instantes as jovens se olharam, sem dizer uma única palavra, mas as duas sorriram uma para outra.

Hwaiting, Ha-rin — falou Sun-hee, ao ver Ha-rin caminhando até a porta.

🏖️

Ansiosa com a entrevista, Ha-rin ajeitava os pequenos fios soltos de seu cabelo preso em um coque. Se antes seu coração batia forte, tamanho nervosismo, tudo só piorou ao ouvir uma voz chamar ela e as outras candidatas. Em busca de controlar suas emoções, a jovem respirou fundo e seguiu até a sala ao lado. Durante a entrevista, assim como as outras candidatas, Ha-rin respondeu a todas as perguntas, no entanto, por mais que todas naquela sala respondessem de maneira criativa ou interessante, parecia que os recrutadores só tinham olhos para Min-seo-ssi.

Após o fim da entrevista, Ha-rin caminhou até o banheiro.

Aigoo! Viram a Min-seo-ssi?

— É obvio que ela vai ser escolhida.

— Como detesto essa injustiça, não entendo por qual motivo continuam nos iludindo. — Comentava as candidatas, sem notar, Ha-rin em uma das cabines do banheiro. Após saírem, Ha-rin abriu a porta e lavou as mãos, enquanto pensava positivamente “não fica assim Ha-rin, ainda tem muitas entrevistas pela frente”.

🏖️

— Bem foi uma escolha difícil, afinal além de terem se saído bem na entrevista, todas possuem currículos atraentes — explicou um dos recrutadores. — Mas a escolhida foi Min-seo-ssi.

Embora Ha-rin já soubesse que as pessoas que possuíam um “QI” na empresa sempre iam alcançar seus objetivos, e que o jeito era se acostumar com tal fato, no fundo, a jovem também concordava com as candidatas, era injusto.

Kamsahamnida — agradeceu a jovem alegre. — Prometo que não irei decepcioná-los.

🏖️

Depois de alguns alunos entrarem na sala, o alarme da escola soou e Him-chan sinalizou a representante de classe, que levantou da carteira e enunciou:

Baleuge jeol.

Todos os alunos, sem exceção, levantaram-se perante Him-chan e repetiram, junto à representante:

Annyeonghasimnikka.

Assim que todos os alunos voltaram a se sentar nas carteiras em que estavam, o jovem professor anunciou:

— Bem, antes de começar a aula, quero que cada um se apresente... Receoso de que sua aula, ficasse monótona e chata, Him-chan raciocinou por um breve instante e continuou:

— Mas... antes disso, quero que afastem suas carteiras e façam um círculo.

Inevitavelmente expressões confusas tomaram conta do rosto daqueles jovens estudantes, que ao notarem o professor apanhar uma das carteiras, trataram de se levantar e fazer o mesmo. Assim que as últimas carteiras foram afastadas, todos formaram uma grande roda na sala, enquanto Him-chan retirava de dentro da sacola, uma bola de plástico azul.

— Vamos jogar bola? — perguntou um de seus alunos, ao ver o objeto.

— Quase isso — respondeu Him-chan. — Muito bem... quero que cada um se apresente da seguinte forma. — No mesmo instante o professor olhou para uma aluna, que estava próxima dele e lançou a bola em sua direção. — Diga seu nome, idade e um filme, drama ou série favorito — disse Him-chan.

— Me chamo Go-eun, tenho 17 e meu drama favorito é “Miseu Ma: Boksooui Yeoshin”.

— Viram? É assim que funciona — comentou o professor, orientando os jovens. Seus olhos novamente se direcionaram a jovem, que ao entender, jogou de volta o objeto para ele.

— Me chamo Him-chan, tenho 29 anos e meu filme favorito é “Matilda”... quase me esqueci, sou professor de artes. — Após se apresentar, Him-chan, lançou a bola em direção a mais um aluno, dando início a uma grande confraternização entre alunos e professor. — Agora que todos nós nos conhecemos é hora do mais importante... estudar — avisou Him-chan, deixando os alunos que antes pareciam animados, agora chateados. — Ne, ne, não precisam me olhar com esses rostos, é hora de o professor “chato” chegar — disse Him-chan, enquanto caminhava até as janelas do lado esquerdo da sala. O jovem professor fechou as persianas dos dois lados do lugar, deixando a sala de aula, num completo breu. Feito isso, apanhou sua sacola, saiu do lugar e vestiu o hanbok colorido de mangas grandes e brancas. Como não havia conseguido os instrumentos, Him-chan conectou seu celular a caixa de som e assim que entrou pela outra porta da sala, deu o play em uma melodia usada no talchum, e começou a sua breve apresentação. Mesmo não podendo enxergar direito por conta da máscara, o jovem professor conseguia ver de relance as feições surpresas e, ao mesmo tempo, maravilhadas de seus alunos. — Alguém sabe dizer qual é o nome dessa apresentação? — indagou Him-chan após o fim da apresentação. Assim que um dos alunos levantou a mão, o jovem professor falou: — Ne.

Talchum.

— Ponto para o Joo-ho — disse Him-chan, concordando que o aluno havia acertado. — E sabe qual o personagem representa essa máscara?

Choegwari — respondeu uma aluna rapidamente.

— Ponto para Dae-hee também — repetiu o professor.

— Quando foi criado, o talchum era usado em rituais xamânicos, no entanto virou um meio da população menos favorecida criticar de maneira cômica a sociedade em especial os que possuíam mais poder. O Choegwari, por exemplo, representava os monges corruptos e libertinos que existiam durante a dinastia Goryeo.

Para jovens estudantes, que mais eram tratados como robôs em uma escola com raízes, ainda tradicionais, ter Him-chan os ensinando havia sido a melhor coisa que podia ter acontecido em suas vidas. Diferente do que normalmente acontecia, os alunos cada vez mais sentiam vontade de participar mais e saber mais sobre o assunto que seu professor explicava.

— Bem como nosso tempo está quase no fim, vou propor uma nova atividade — anunciou Him-chan ao olhar o horário em seu relógio. — Quero que criem suas próprias máscaras e um enredo para poderem montar uma peça de teatro.

Preocupado com a nova atividade, um dos estudantes falou:

— Mas seonsaengnim, o talchum, envolve dança, teremos que dançar também?

— Claro, afinal é uma das características do talchum! — afirmou o professor. — No entanto, lembrem-se, ao verem vídeos fotos ou qualquer coisa relacionada ao talchum, não quero que copiem, quero que tenham ideias, usem a imaginação. Misturem o antigo com o novo.

Também receosa com a ideia, uma jovem aluna explicou:

Seonsaengnim, não teria problema algum em escrever e criar as máscaras, mas dançar...

Aigoo! Assistem tantos vídeos de “Idols”, mas tem dificuldade em criar uma coreografia — comentou o professor sorrindo. — Eun-ran, Tae-woo venham cá...não, melhor...todos se levantem. Achando que não teriam mais surpresas naquela aula, mais uma vez os jovens estranharam, ao verem Him-chan pôr seus fones de ouvido e inusitadamente começar a dançar. — O que estão esperando? — questionou o professor enquanto escutava e dançava ‘filter do Jimin’. — Palli! Quero que coloquem uma música de sua playlist e dancem.

Mesmo confusos, todos apanharam seus fones e puseram uma música que gostava, porém, vendo como todos ainda estavam acanhados, Him-chan os alertou: — E mais uma coisa, nada de ficarem envergonhados. Se soltem, não tenham medo de se saírem mal...

Aos poucos todos criavam suas coreografias, algumas incríveis, outras nem tanto, mas para Him-chan tudo o que ele queria ver era uma turma que se conectasse não apenas entre eles, mas também com o professor, algo que o jovem sempre quis que acontecesse durante a época que estudava.

🏖️

Ao chegar no trabalho, Sun-hee andou animada até sua mesa e cumprimentou animada enquanto pousava seu sobretudo sobre a cadeira.

— Annyeonghaseyo!

— Annyeonghaseyo, sunbae! — disse Na-ri virando a cadeira em direção à Sun-hee.

O sorriso que antes reinava no rosto da jovem e de sua hoonbae, deu lugar a uma expressão confusa ao ver a colega Woo-young, caminhar furiosa até sua mesa.

— Que semblante é esse, Woo-young-ssi? — perguntou Sun-hee preocupada. No mesmo instante, a jovem respirou fundo, tentando controlar suas emoções e falou:

— Sabem aquela matéria que fiz sobre os trainees?

Ne — responderam Na-ri e Sun-hee em uníssono.

— O pyeonjibjangnim simplesmente levou o crédito em meu lugar — revelou Wooyoung, enquanto descontava sua raiva nas folhas de papel vazias ao seu lado. Irritada com o chefe, Na-ri exaltou. — Aigoo! Aquele mal...

Antes que pudesse terminar de falar, a jovem foi interrompida pela colega que sinalizou, ao vê-lo se aproximando. Ao notar um olhar malicioso vindo do chefe, Sun-hee sentiu-se como se estivesse nua. Não era a primeira vez que Yeon-jung a deixava incomodada, mas em sua mente, como eram apenas olhares, a jovem preferia não criar situações que a prejudicassem. Sem pensar duas vezes a jovem apanhou seu sobretudo e o vestiu novamente, numa tentativa de cobrir completamente seu corpo.

19 de Setembro de 2021 às 13:22 0 Denunciar Insira Seguir história
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