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Min Yoongi foi responsável por uma das carreiras mais memoráveis na patinação; seus pódios foram incontáveis no começo de sua carreira, e ninguém poderia superar Min Yoongi em seu auge perfeito. Ele estava disposto a arriscar em uma coreografia; tentaria um salto extremamente perigoso para o qual sentia que estava pronto. Entretanto, não foi como o esperado: Yoongi sofreu uma luxação no tornozelo. Aquele foi o fim de sua carreira como patinador. Muitos, com o passar do tempo, acabaram se esquecendo do quão bom Min Yoongi era, de todas as suas conquistas e grandes vitórias, mas Jimin nunca se esqueceria daquele que o inspirava.


Fanfiction Bandas/Cantores Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Patins número 38

Escrito por: @Min_Sleep/@MinSleep

Notas Iniciais: Oi oi, pessoal ^^

Então, inicialmente eu queria dizer o quão satisfeita eu estou com a postagem dessa fanfic. Ela é especial pra mim e espero que ela se torne especial pra vocês também.

Os agradecimentos nas notas finais, okay?

Boa leitura <3


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Yoongi estava no pódio ― estava no auge, afinal, ele era o melhor de todos, e ninguém conseguia vencê-lo naquela época. Entretanto, nem toda a glória do mundo foi capaz de salvá-lo de uma queda tão violenta como a que teve. Ele se arrependia amargamente de ter tentado um salto arriscado, mas o arrependimento não curaria sua luxação grave no tornozelo ou faria seu pódio glorioso voltar como no passado. Yoongi julgou a vida como injusta, injusta por derrubá-lo justo quando estava bem. Tal queda fez com que o Min ficasse amargo, irredutível e impassível ― até mesmo com os familiares que se dispunham a ajudá-lo.

Entretanto, nem todos esqueceram do quão glorioso Min Yoongi foi. Park Jimin jamais se esqueceu do seu ídolo, nunca deixou de acompanhá-lo ou de adorá-lo. Desde os seus doze anos, adorava o Min. E mesmo quando Yoongi desapareceu, ainda assim, continuou gostando dele e de tudo que o envolvia, afinal, era alguém que amava.

Jimin apenas continuou com seus sonhos graças ao Min, que, de forma indireta, continuou a cultivar as aspirações dentro do seu coração. Ele era toda a sua vontade de viver. O Park passou anos difíceis vivendo na casa da tia, que muitas vezes pegava seu dinheiro para comprar revistas ou bebidas, mas, mesmo sofrendo naquele lugar, Jimin se recusava a ficar abalado.

Desde os doze, Jimin vivia com a tia e era obrigado a se virar, já que ela se negava a cuidar de alguém além dela. Perder os pais foi algo que o tirou dos eixos por quatro anos. Nenhum dia parecia ter sentido e qualquer coisa que fizesse aparentava ser inútil, nada era igual sem os pais ― nem mesmo viver. Aquele foi o único tempo em que Jimin se permitiu ficar sem chão, sem rumo; nem mesmo patinar lhe dava aquele brilho que antes tinha.

Mas, certa noite, quando observava os cartazes e algumas medalhas na parede de madeira, Jimin pareceu ser liberto do passado. Ver a foto de Yoongi estampada ali fez com que um lado seu despertasse novamente. Não foi apenas a imagem, e sim o significado que ela tinha; era uma lembrança boa. Jimin prometeu aos pais que faria de tudo para realizar o sonho que idealizaram para ele, algo que tanto gostava por incentivo deles.

O Park pareceu renovado quando finalmente acordou no dia seguinte. Seus ombros não estavam mais pesados como um dia chegaram a ser verdadeiramente; o desânimo apareceu brevemente, mas logo se foi, já que Jimin simplesmente pulou da cama e correu atrás de um emprego em um lugar que poderia ajudá-lo em seu objetivo.

Desde então, Jimin trabalhava na pista de gelo da cidade como faxineiro e o salário era suficiente para que ele se mantivesse. O pouco dinheiro que restava para si no final do mês era poupado para que pudesse comprar patins novos e pagar sua futura inscrição na competição que tanto sonhava.

Seu serviço não era tão desinteressante, trabalhava apenas pela noite e um pouco pela manhã, porém terminava mais cedo apenas para poder patinar um pouco antes de sair ― algo que muitas vezes causava indignação nos alunos e pagantes que visitavam a pista pela manhã, uma vez que o Park não deveria praticar de graça por ser um faxineiro sonhador.

Jimin sempre preferiu a noite, visto que, já que era o momento que o silêncio reinava, podia esbanjar um pouco do seu talento sem ser julgado.

O Park revirava os armários em busca dos patins de número 38. Para entrar no gelo, precisava deles, era o único par que servia em seus pés corretamente. Ele sentiu o corpo ficar tenso quando pensou na possibilidade dos patins terem desaparecido de vez, alguém ter roubado ou levado por puro engano.

― Eles precisam estar aqui… ― Seu tom continha um certo desespero. ― Eles não estão em lugar algum ― resmungou, já se conformando que os patins não estavam em nenhum dos armários. ― Vou ser demitido justo agora que estou tão perto. ― Puxou os fios loiros para trás enquanto se sentava.

Jimin olhou de relance para os tênis que lhe ofereciam normalmente para seu serviço. Odiava aqueles calçados, eles apertavam seu calcanhar e eram pesados. Não tinha outra opção.

Já calçado, seguiu em direção à pista de gelo. Iria começar pela de tamanho médio, que dava mais trabalho. Alguns pagantes usavam o banheiro dela para fazer coisas proibidas em banheiros públicos. O Park suspirou baixo, abrindo a porta com certo nojo, imaginando a situação trágica que aquele lugar estava.

Entretanto, sua atenção foi desviada quando escutou um ruído conhecido: um salto e os sons das lâminas cortando finamente o gelo grosso. Receoso, Jimin resolveu caminhar na direção do som.

Apenas algumas pessoas de confiança e funcionários tinham acesso às pistas naquele horário.

Jimin passou pela porta que dava passagem para os bancos da plateia; alguém estava na pista de gelo fazendo uma coreografia simples. A pessoa se movia com tanta leveza que parecia flutuar. O Park tirou aqueles sapatos para descer as escadas e, parando atrás das divisórias, permaneceu observando o desconhecido.

Apesar de não enxergar muito bem, Jimin reconhecia aqueles passos: era uma das coreografias de Min Yoongi, uma que ele apresentou no começo de sua carreira. Sentou-se em uma das cadeiras mais próximas e começou a assisti-lo patinar, decidido a aguardar que terminasse. Assistiu àquele homem se aproximando da divisória, tornando-se mais nítido aos olhos do loiro, que ficou atônito ao perceber quem era ele.

Jimin segurou o grito eufórico na garganta, apenas deixando que aquele momento acontecesse. Sem nem mesmo perceber, o Park se aproximou da divisória e admirou aquele que tanto adorava.

Min Yoongi estava patinando como nos seus tempos de jovem, sentindo o vento gélido batendo contra seu rosto e o nó em seu corpo se desfazendo, com seus problemas sendo cortados, assim como o gelo em contato com as lâminas daqueles patins de número 38. Yoongi arriscou um salto, caindo perfeitamente sobre sua perna boa.

O Park ainda tinha os olhos fixos em Yoongi, admirando-o como se fosse a coisa mais preciosa para ele ― e realmente era, afinal, nele estava toda a sua força. Deixou que algumas lágrimas escorressem, apoiando o queixo em suas mãos unidas.

Um sentimento bom aqueceu o peito de Jimin quando Yoongi parou em sua pose final, erguendo os braços graciosamente e logo os descendo para descansar. Ele não conteve a animação ao ver que, como sempre, o Min abriu os olhos para olhar em volta, já que sempre patinou com eles fechados por pura confiança em si mesmo.

Rapidamente, Jimin se aproximou da porta entre as divisórias e aplaudiu brevemente.

― Eu sabia que você não estava como muitos diziam! ― Jimin começou, mal cabendo dentro de si tamanha emoção. ― Ainda está como antes, na verdade, bem melhor que antes… Aquele salto não existia na versão original, eu me lembro que era um simples giro e… ― interrompeu a própria fala ao ver o homem perder o equilíbrio e cair com força no chão da pista.

Espantou-se com aquilo, visto que havia assustado alguém a ponto de derrubá-lo. Não pensou muito antes de entrar no gelo para ajudá-lo, pouco se importando se estava meramente com uma meia fina.

― Venha, por favor. ― Jimin ajudou o homem a ficar de pé e o levou até o portão das divisórias. ― Desculpe por isso. Você está bem? ― Ele segurava as mãos alheias e analisava áreas que pudessem estar feridas.

― Não deveria assustar as pessoas assim, garoto ― falou de forma rude, saindo da pista com seu habitual mancar. ― Poderia ter causado algo mais grave. Imagine: se fosse alguém de idade? Poderia tê-lo matado! ― pontuou, virando-se de costas.

Jimin o analisava, tentava ao máximo compreender cada parte de sua figura, entretanto, o entusiasmo de estar próximo a ele não lhe permitia tal coisa, já que fantasiou com aquele encontro durante dez longos anos. Todos os sentimentos estavam misturados e pareciam se embolar cada vez mais.

― Desculpe pelo susto, não foi minha intenção… ― explicou após sair do transe.

― Agora que já me assustou, poderia me deixar? ― Yoongi perguntou enquanto se sentava na arquibancada. Jimin não havia notado antes as coisas escondidas debaixo do primeiro banco, a bolsa e o sapato de cores escuras. ― Por favor, saia.

― Senhor Min, por favor! ― Jimin quase gritou. ― Por favor, me ensine tudo o que sabe! Meu sonho é ser como o senhor, subir em todos os pódios que subiu. ― Enquanto ele falava, Yoongi soltava os patins com calma para calçar os sapatos. ― Por favor, eu quero entrar na competição de patinação, e somente você pode me ajudar!

― Não posso ajudar ninguém, garoto. ― Yoongi ficou de pé, apoiando-se na bengala. ― Deixe esse seu sonho de lado, não vai te trazer nada bom. ― Suspirou, ao passo que começava a caminhar. ― Só glória temporária. Mais tarde, todos vão esquecer de você.

― E se isso não acontecer? ― Jimin franziu o cenho. ― Eu não vejo assim. ― Yoongi parou ao ouvir aquilo, virando-se novamente para o mais novo. ― Por favor, senhor Min!

― Eu não posso te ajudar. ― Ele se achegou, colocando as mãos nos ombros do menor. ― Espero mesmo que desista disso ou que encontre alguém que esteja disposto a tal coisa, eu não sou ideal para isso. ― Sorriu minimamente, vendo os olhos castanhos ficarem ainda mais escuros e nublados de lágrimas.

Jimin o observou sair a passos lentos. Com ele, ia uma pequena parcela da esperança que tinha de participar de algum campeonato ou, quem sabe, das tão almejadas Olimpíadas. O Park limpou o rosto mais uma vez naquela noite e voltou ao trabalho, sem ânimo algum.

Havia depositado muita expectativa no mais velho. Entretanto, Jimin viu nele a figura de alguém que poderia lhe oferecer algum tipo de ajuda; não enxergou apenas Min Yoongi atleta, patinador e conquistador de pódios ― e corações ―, mas também alguém que poderia ser um auxílio para seu caminho até seus sonhos, estes que pareciam tão distantes agora.

Durante a noite toda e parte da manhã, ficou remoendo as palavras do mais velho, cada uma delas sobre ele não poder ajudá-lo como ele queria. Até mesmo em casa, elas se repetiam como um CD arranhado, atormentando-o.

O banho que tomou após chegar aliviou um pouco sua tensão. A água pareceu levar tudo de ruim que tinha em seu corpo, além de lhe causar sono. Jimin pôde dormir por algumas horas antes de sua tia chegar, entretanto, seu sono foi leve e inquieto.

Mesmo acordado, não quis sair da cama, afinal, estava escondido em seu canto de paz e pretendia ficar ali até que tivesse que trabalhar de novo. Sua relação com a tia era extremamente conturbada, então tudo que não precisava era ouvir as palavras ácidas dela, pelo bem da própria saúde mental.

Às seis horas em ponto, Jimin desceu até a sala, onde normalmente a mulher estava dormindo segurando uma garrafa de uísque. Passou sorrateiramente para evitar qualquer diálogo desagradável. Já do lado de fora, Jimin inspirou profundamente e soltou lentamente o ar pela boca.

Normalmente, ele saía de casa por volta das nove, porém queria buscar mais um pouco de paz fora de casa ― por isso patinaria antes de começar o trabalho ― e evitar que os pensamentos ruins voltassem com força total. Por sorte, naquele horário, ninguém costumava ficar na pista.

Como esperado, estava vazio, somente Taehyung estava ali, cuidando dos patins e anotando os nomes de quem pegava qual número.

― Trinta e oito ― Taehyung interrompeu o garoto antes mesmo que ele falasse algo. ― Está reservado para você. ― Ele se virou e pegou os patins, depositando-os sobre a mesa.

― Obrigado, Taehyung. ― Jimin os pegou sobre o balcão e suspirou pesado. ― Há alguém na pista média? Quero ir lá.

― Ninguém.

― Obrigado.

Ele seguiu até a pista e sentou-se na arquibancada para calçar os patins, não demorando para seguir em direção ao gelo. Na mesma calma de sempre, deixou que a música em sua mente o comandasse.

O vento frio batia de leve contra o rosto do Park, causando-lhe arrepios leves. Seus movimentos eram sutis e faziam-no parecer que flutuava.

Por puro costume, Jimin fechou os olhos. Tinha uma certa familiaridade com aquela pista em específico e reconhecia suas partes deterioradas e irregularidades.

Aquela tranquilidade almejada veio após alguns minutos. Tal sensação era alcançada apenas quando Jimin se entregava por completo à pista e patinava com toda sua vontade, assim como seus pais lhe ensinaram. Jimin era extremamente agradecido a eles por colocarem essa paixão em seu coração, por terem cultivado esse desejo que cresceu no formato da mais bela gardênia, que, mesmo no frio, continuava encantadora e viva.

Do alto da plateia vazia, Yoongi o observava deslizando pelo gelo tão naturalmente, como se aquele fosse seu habitat natural. Jimin fez com que ele se lembrasse dos seus tempos de glória. Ele tinha a mesma paixão, o mesmo afinco que o garoto. No entanto, Yoongi, naquele momento, era diferente: estava amargo e cheio de feridas que afetavam as pessoas à sua volta.

― Desde quando está aí? ― Jimin indagou num tom alto, fazendo sua voz ecoar pelo local, parado no meio da pista.

― Tempo suficiente para ver o que eu precisava ― contou enquanto se afastava da barra de segurança. ― Você não tem a menor preparação para isso ― mentiu, querendo saber qual seria a reação alheia. Jimin estava bem mais do que pronto.

― Então me ensine o que sabe! Eu quero estar pronto, senhor Min! O que eu disse ontem é verdade, eu quero ser grande.

― Por que você ainda insiste? ― Yoongi desceu as escadas com a ajuda da bengala. ― Já dei a minha resposta.

Jimin ficou em silêncio. Ele tinha um motivo pessoal para isso: havia feito uma promessa aos pais, promessa essa que parecia cada vez mais difícil de ser cumprida.

― Tenho um motivo para isso, senhor Min ― Jimin sussurrou, lembrando-se dos pais. ― Algo muito importante.

― Diga-me, o que é esse “algo”? ― Novamente, o mais novo nada respondeu. ― Infelizmente, não posso ajudar, se não responder. ― Yoongi deu as costas ao menor, pronto para subir as escadas outra vez.

― Eu fiz uma promessa para pessoas muito importantes para mim ― confessou.

― Peça ajuda a elas, já que as prometeu. ― Yoongi sugeriu com aspereza. Jimin reprimiu os lábios, sentindo o nó na garganta. ― Não jogue a responsabilidade em alguém que não tem nada a ver com isso.

― Eles estão mortos. ― E se xingou internamente por falar daquela forma. ― Não posso pedir ajuda a eles. Caso estivessem aqui, pode ter absoluta certeza que não estaria incomodando o senhor.

― Qual é o seu nome? ― perguntou ainda de costas.

― Park Jimin.

― Você tem potencial para isso, Park. ― Virou-se para o garoto. ― Só acho que não seria capaz de acompanhar minhas instruções.

― Eu sou! ― Jimin franziu o cenho.

― Então prove isso. Somente assim irei treinar você. ― Sorriu envaidecido. ― Virei aqui todas as noites a partir de amanhã, verei como está se saindo e até mesmo se está cumprindo suas obrigações aqui dentro. ― Yoongi sabia que não se decepcionaria, pois enxergava potencial nele; ainda assim, queria manter sua pose rigorosa. ― Tem três dias, Park ― aconselhou enquanto subia as escadas finalmente.

― O senhor está falando sério?! ― Jimin perguntou, quase gritando de animação.

― Três dias! ― lembrou-o. ― Não me decepcione.

Jimin permaneceu imóvel na pista de gelo, ainda processando a informação de que seria o primeiro ― e único ― pupilo de Min Yoongi. Aquela ideia, para si, era algo incrível, quase surreal, afinal, sua insistência e seu sonho o levariam, sim, para algum lugar bom e vasto de oportunidades.

Seu objetivo parecia mais próximo após aquela proposta, mas sabia que, para ter um vislumbre ainda maior, teria que dar o melhor de si naqueles três dias. Por isso, procuraria por coreografias mais elaboradas e entraria mais cedo para usar seu tempo para breves treinos. As ideias sobre o que fazer começaram a brotar e criar raízes fortes permanentes.

Durante aqueles três dias, Yoongi e Jimin tinham um encontro marcado às dez. O Min foi rigoroso e bem crítico nas primeiras horas, mas logo percebeu que, a cada palavra sua, Jimin se dedicava e se entregava de corpo e alma aos movimentos. Os três dias foram extremamente tensos para o mais novo; as palavras de Yoongi tinham um peso considerável para Jimin, afinal, ele absorvia com toda a facilidade do mundo as frases e palavras. A tensão corria o corpo de Jimin, deixando-o ainda mais ansioso e paranoico com tudo que o mais velho falava, até mesmo os sorrisos enigmáticos o deixavam de tal forma.

Jimin sentia a ansiedade correndo por seu corpo, o que fazia o Park roer as unhas desde que chegara na pista. Yoongi havia dito que estaria ali no mesmo horário dos outros dias, entretanto, estava atrasado há meia hora, causando uma certa aflição no mais novo.

― Onde ele está? ― Jimin olhou para o ecrã do celular mais uma vez, notando que não tinha nenhuma notificação e vendo o horário avançado. ― Será que isso é uma resposta? ― questionou a si mesmo enquanto puxava os fios para trás de forma nervosa.

― Falando sozinho, Park? ― Ele deu um sobressalto ao ouvir a voz de Yoongi. ― Sabia que você me escondia algo. ― Riu.

Jimin ficou de pé rapidamente, virando-se para o mais velho.

― Pensei que não viria hoje, senhor Min. ― Jimin apertou os próprios dedos. ― E então, qual é a sua resposta?

― Está ansioso demais, não acha? ― Yoongi riu ao passo que caminhava lentamente com o auxílio de uma bengala, que dessa vez era prata e tinha uma rosa de enfeite na ponta. ― Eu quero saber algo antes. ― Jimin soltou um longo suspiro, olhando-o.

― Sobre o que quer saber? ― perguntou.

― Sobre a sua promessa e para quais pessoas você a fez. ― Yoongi se sentou ao lado dele, deixando que sua perna ruim descansasse, pois estava dolorida demais devido ao esforço. ― Quero saber.

― Isso é algo muito pessoal, senhor. ― Jimin abaixou os olhos ao ouvi-lo suspirar.

― Park, para termos uma boa relação como professor e aluno, eu preciso saber dos seus objetivos para poder saber qual dos meus métodos devo usar contigo. ― Yoongi tocou o ombro dele. ― Eu quero que confie cegamente em mim, Park Jimin. Entregue todos os seus receios, objetivos e promessas em minhas mãos. ― Ele não conseguia manter por muito tempo aquela sua casca grossa em frente ao mais novo. Jimin o deixava frágil. ― Eu vou te ajudar em seus treinos. Você é quase um “eu” do passado. Quero te tornar o melhor de todos e imparável, só que, para isso, deve confiar em mim.

― Senhor Min, às vezes você diz palavras tão frias, mas às vezes também diz algumas tão bonitas.

Jimin tinha os olhos marejados e a voz embargada pelo choro. Estava emocionado por saber que iria receber a ajuda que precisava e sentia que poderia chorar no colo do mais velho o dia todo enquanto o agradecia de todas as formas possíveis.

― Eu vou contar ao senhor. Espero que entenda, já que não lembro de muitas coisas. ― Ele passou as mãos no rosto, tirando as lágrimas dos olhos e aliviando um pouco a voz. ― As pessoas para quem eu fiz a promessa foram meus pais. Eles morreram quando eu tinha doze anos, num acidente de carro. Na época, passou em todos os veículos de comunicação.

Jimin lembrou-se da visão dos pais mortos nos bancos da frente do carro.

― Meu pai tentou desviar de algo enquanto falava com a minha mãe, mas ele não notou o quão próximos estávamos de uma ribanceira, que ficava ao lado das pistas. O carro desceu e capotou algumas vezes antes de bater de frente com uma árvore. ― Ele ergueu um pouco o braço e o inclinou, mostrando a posição em que o carro ficou. ― Eu acordei depois de ouvir algumas batidas e conversas; estava enxergando apenas de um olhos, já que o vidro entrou no outro e acabou cortando algumas partes. Ver meus pais pendurados foi horrível. Aquela foi a última coisa que eu vi antes de acordar no hospital.

Jimin pensou um pouco nos pais e no que passou sem eles.

― Eu perdi trinta por cento da minha visão direita, enxergo mal com esse olho. ― Apontou para o olho citado. ― Eu me mudei para cá depois de alguns meses em um abrigo. Lembro que nevava muito e eu tive que chegar sozinho na casa da minha tia, porque ela esqueceu de me buscar na ferrovia.

Yoongi escutou as palavras do Park com atenção enquanto se lembrava das notícias que ouvira quando o acidente ocorreu. Havia acontecido uma semana após seu acidente na pista. Recordava-se de ter ouvido o sobrenome dos Park várias e várias vezes durante um dia, entretanto, não cogitou que Jimin fosse o garoto do acidente.

― Eu não saí de casa nos primeiros meses, não enxergava muito bem e precisava de um tampão para proteger minha visão ― murmurou, olhando para os dedos e girando um dos anéis. ― Com dezesseis, eu me lembrei do que disse aos meus pais antes que fossem enterrados: eu lhes prometi uma vitória no gelo, afinal, também era o sonho deles. ― Ele não conteve o sorriso pensando nos patins que ganhara no aniversário daquele ano, seu último presente. ― Depois da morte deles, eu fiquei sem chão… Eles fazem muita falta, eu os amo muito e espero cumprir minha promessa. Ou ao menos... tentar.

― E você vai ― Yoongi assegurou. ― Eu vou te ajudar, Jimin. Confie em mim.

― Eu confio no senhor, senhor Min. ― Sorriu fraco e segurou timidamente a mão do mais velho. ― Eu espero não decepcioná-lo.

“Tenho certeza que não vai”, Yoongi pensou, porém se expressou com apenas um sorriso.

― Jimin, vamos começar na próxima semana. ― Yoongi rapidamente puxou um assunto quando notou que cairiam em silêncio. ― Pode fazer seu trabalho hoje e descanse bem no sábado e domingo. Quero você novo em folha para minhas aulas. Vou alugar essa pista todas as noites para você. ― Jimin ergueu os lumes, assistindo ao mais velho ficar de pé. ― Descanse bem, certo? Até segunda-feira, no mesmo horário de sempre.

Yoongi caminhou lentamente em direção à saída.

― Até segunda, senhor Min!

Jimin esperou que o mais velho saísse do salão para soltar seu grito de animação e bater suas costumeiras palminhas. Estava feliz e se sentia completamente realizado em um leito das mais belas rosas (ou gardênias).

Puxou os patins escondidos debaixo do banco, não tardando a colocá-los nos pés e seguir para a pista, onde pretendia repetir todas as coreografias que sabia e, quem sabe, improvisar algumas. Nada tiraria aquele sentimento do seu peito, nem o sorriso do seu rosto, ambos iriam permanecer intactos naquela noite.

Yoongi sabia que estava quebrando todas as suas regras, contudo, não tinha como não ajudar Jimin. Via algo especial vindo do mais novo, uma certa luz que precisava ser bem trabalhada. O Min se sentia satisfeito e traído por si mesmo, afinal, estava deixando que seu coração falasse mais alto outra vez. Sabia que aquele garoto era necessário. Já o outro lado, o mais sensato, dizia que Jimin não aguentaria nem mesmo uma semana de treino, que ele era despreparado para qualquer competição. Ele parecia gritar e vencer qualquer resquício do Yoongi de anos atrás.

Estava triste por pensar que talvez Jimin não conseguisse sequer lhe acompanhar, mas queria ao menos tentar, entender o que fazia o Park patinar e desejar tanto aquela vitória para pessoas que nem estavam mais vivas. Era assim desde que sofrera o acidente e era algo que não conseguia mudar. Queria ajudar Jimin a conquistar aquele sonho, torná-lo melhor do que um dia fora. Quem sabe, fazê-lo o maior de todos.

― No que está pensando? ― A voz grave de Jungkook, seu motorista, o puxou de volta para a realidade. ― Parece distante.

― Meu velho amigo, eu estou em uma guerra comigo mesmo ― Yoongi comentou abertamente. ― Estou confuso com o que quero, mesmo já tendo respondido.

― Por que você não apenas aceita de uma vez? Poderia acabar com essa sua indecisão, Yoongi. ― Ele analisou cada palavra com precisão. ― Não seja turrão.

― O Park é o motivo de eu estar assim. ― Puxou os cabelos para trás. ― Ele me deixa bagunçado.

― Está apaixonado? ― implicou, logo recebendo um leve golpe da bengala. ― É por aquele garoto loiro que você tem ido ver desde o começo da semana? Qual é a idade dele? Você pode ter problemas com a polícia, Yoongi. ― O Jeon riu, provocando ainda mais o amigo. ― Amor à primeira vista.

― Por que eu ainda não te demiti? ― resmungou. ― Não seja ridículo, Jeon. E ele já é maior de idade, então não terei problemas com a polícia.

― Por que estaria preocupado, afinal? Você mesmo disse que não o ama. ― Jungkook estacionou o carro na garagem da casa e saiu primeiro para ajudá-lo. ― Vai mudar de opinião?

― Fique quieto, você está acabando com minha paciência ― Yoongi resmungou enquanto passava pelo mais alto. ― Por que não tira o resto da noite e a metade do dia de amanhã de folga? Não vou sair mais, pode voltar para casa.

― Está tentando se livrar de mim? ― perguntou após fechar a porta do carro.

― O que você acha? ― Yoongi zombou, seguindo caminhando com a bengala em direção às escadas. ― Vou ligar, caso precise de você.

― Você tem meu número?! ― Jungkook brincou. Sabia que seu número era o primeiro da lista dele.

― Em minha lista de rejeição automática. ― Yoongi se virou para o amigo, quando chegou no topo da escada. ― Vá embora ― mandou, mas não era verdadeiro, pois queria uma companhia.

Mesmo assim, Yoongi o observou sair. A partir daquele momento, estava mais uma vez sozinho na mansão que comprou para se esconder de todos durante aqueles anos. O Min entrou na casa e respirou profundamente, sentindo falta de alguém para conversar ou simplesmente lhe fazer companhia. Estava completamente sozinho, como normalmente gostava, mas naquela noite não.

Em seu rotineiro banho antes de dormir, Yoongi refletiu novamente sobre Jimin e o seu lado negativo que se recusava a ensiná-lo. Nem mesmo a música clássica acalmou suas divagações. Seus pensamentos não eram mais seus, eram todos de Park Jimin e de como poderia ajudá-lo; entretanto, eram mais voltados ao jeitinho do garoto e em como ele conseguia facilmente aniquilar seu lado negativo.

Ao som de sua tão adorada música clássica — Beethoven era o melhor para que conseguisse manter a calma —, Yoongi pensou em Jimin enquanto se afundava na água cheia de espuma. Pensou nos movimentos do corpo dele sobre o gelo, e até mesmo na forma como ele falava com animação sobre seus objetivos e sonhos. Yoongi ainda não acreditava que lhe restava um fã, nem que iria treiná-lo para competições e vitórias futuras.

Enquanto a noite de Yoongi foi tranquila, a madrugada de Jimin foi coberta de coreografias e limpeza, já que o Min foi bem claro que ele precisava cuidar das duas coisas e manter o equilíbrio entre elas, afinal, a responsabilidade era algo que prezava e exigia.

O Park apenas voltou para casa quando já haviam se passado exatos trinta minutos que sua tia tinha saído. Ele não apreciava nem um pouco a companhia dela, nem mesmo gostava de chegar quando ela estava em casa. Sua convivência com a mulher era extremamente conturbada, sufocante, e apenas ouvir a voz dela lhe causava sensações ruins.

Como sempre, Jimin preparou algo para comer antes de subir ao quarto para descansar, embora achasse impossível. Estava tão cheio de alegria que poderia rever todos os passos.

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Notas Finais:

10 de Setembro de 2021 às 02:28 0 Denunciar Insira Seguir história
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