deadedeb_ de ane

Há milhares de anos atrás quando nossos ancestrais viviam em harmonia com os elementos do mundo, o povo era um só e viviam em paz. Até que a Praga assolou o planeta, dizimando a maioria da população. Os sobreviventes precisaram se reerguer e lutariam por isso, era matar ou morrer. Há 500 anos vivemos em guerra, vivendo na miséria e separados por muros, cegos por um rio de sofrimento, esperando o mundo voltar a ser o que costumava ser, o que ninguém viveu.


Fantasia Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#fantasia #distopia #l #preconceito #revolução #governos-autoritários
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Tempos difíceis no mundo dos homens

Estava sentada atrás do balcão, quase mofando de tédio, esperando que alguém precisasse de pelo menos algum botão. As pessoas não costumavam frequentar muito aqui, os ricos usam qualidades inatingíveis e os pobres têm coisas mais importantes para se preocupar.
O pequeno armarinho da sra. Grammpin ficava numa avenida bem movimentada, mas infelizmente não se comparava com aqueles que vendem sedas importadas caríssimas como a boutique do outro lado da rua.
Olho atentamente para o relógio na parede, e conto cada tic toc até que seja 17:30.
Ás cinco e trinta, levanto mais do que de pressa e começo a contar o dinheiro no caixa, e anoto o lucro do dia - que não passam de 15 moedas de bronze -, e começo a desligar as luzes e o pequeno ventilador. Após trancar o estabelecimento corro para o ponto de ônibus, é preciso de 3 para chegar ao nosso bairro e os motoristas não são exatamente o que eu chamaria de prestativos ou pacientes. O ônibus está lotado de trabalhadores cansados, suados e apertados.
Descendo do último ônibus do dia ainda é preciso andar 1 quilômetro, a cidade já está começando a esfriar. Por que é assim que é, de dia um sol escaldante e a noite, um frio de tremer até a unha do pé.
Vejo os gêmeos, Louis e Lewis, engraxando sapatos. Passando por eles falo, baixo o suficiente para que apenas os dois ouvissem, — Terminando aí vão pra casa, sr. Grammpin já vai chegar.
Já em casa, tiro meus sapatos e passo um pano úmido pelos braços.
— Estou em casa sra. Grammpin. — Digo levando minha bolsa até o quarto e indo ajudá-la a por a mesa.
— Querida, que bom vê-la em casa. Hoje você não vai cantar naquele lugar, vai? — Ela diz com sua voz carinhosa como sempre, e nego com a cabeça.
— Só noite de sexta senhora. — Distribuo os pratos na mesa.
— Meninos, tirem os sapatos! — Gritou — Ah querida Maya, já disse que não gosto que você trabalhe lá. É muito longe e você volta muito tarde, além do frio!
Apenas concordo, já tínhamos conversado sobre isso.
— Maya, boa noite! — A imagem alta do sr. Grammpin se faz presente — Amélia, minha querida que saudades! — Disse beijando a bochecha rechonchuda de sua esposa. — Humm... sopa de ervilhas, minha favorita! — Uma mentira, ninguém gostava dessa mistura de ervilhas amassadas, água e sal, mas todos elogiavam pois fora fruto dos esforços de cada um.
— Hoje temos pães que servirão a semana toda. — Falou Amélia, orgulhosamente, enquanto todos sentavam.
— Hoje eu e Lewis conseguimos 10 moedas de prata! — O gêmeo mais velho comemorava.
— E o senhor barrigudo da tenda da esquina disse q amanhã vai vir outra vez. — Emendou Lewis.
— Isso é ótimo meninos, e você Charles? O trabalho foi muito cansativo?
— Não querida, tudo ocorreu tranquilamente. — Outra mentirinha do bem, seu cabelo bagunçado e olhos exaustos o entregavam. — E você Maya, como foi seu dia?
— A loja não foi muito movimentada, no caixa temos 20 moedas de prata e 15 de bronze. — Por minha vez, eu não sou nem um pouco boa em mentiras solidárias.

— Está tudo bem Mayazinha, dias melhores virão. — Ela me dá um sorriso reconfortante e todos voltam a conversar.

Essa é a única representação de família que eu tenho, a senhora e o senhor Grammpin me adotaram quando eu tinha seis anos, pois achavam q não podiam ter filhos, mas pouco tempo depois os gêmeos nasceram. Eu fiquei com medo de ser devolvida, claro, mas não aconteceu. Eu faço parte da família mesmo que às vezes - em momentos como esse - eu me sinta uma intrusa.
— Pode deixar que eu lavo a louça. — Disse logo após o jantar.
O resto da noite passou tranquilamente, sem tempestades para nos preocupar, separei minha roupa para o próximo dia e ensaiei algumas músicas para o espetáculo de amanhã a noite.

Eram quase 3 da manhã quando abri a janela, mas a fechei rapidamente quando vi um grupo de cinco jovens na rua, seja lá o que estavam fazendo, eu não gostaria de ver.



Já na loja, às 6:00 em ponto, começo a abrir o estabelecimento assim como todos os outros comerciantes da rua. Vejo alguns bêbados desmaiados nas calçadas sendo - rudemente - expulsos por guardas locais.
O país inteiro está quebrado, mas ainda escondem o lixo em baixo do tapete.
— Os Yanomi estão invadindo nosso país e roubando nossos empregos. — A mulher de meia-idade falava para sua amiga enquanto andavam pela calçada. — A taxa de desemprego do país cresceu em 28% nesse mês, e a maioria dos desempregados são os puros. Pode ver! O próprio supremo comitê disse na entrevista! — Logo após ela agarrou a amiga e cruzou a rua, mas ainda pude ouvir o que disse.
"Não olhe para trás, tem uma mista logo ali. Dizem que eles são tão sujos que contaminam nossa alma com seus pecados."
Esse era o grupo que eu estava. A mestiça profana. A escória da sociedade.

Já estava sentada atrás do balcão lendo uma revista de três meses atrás quando ouço a fina voz de Hazel Woods, a única pessoa a quem chamo de amiga, entrando no armarinho.
— Maya, queridinha! Alguma novidade para mim? — Hazel era uma das poucas clientes da lojinha.
— Nada desde antes de ontem.
— Ah, tudo bem então. Até porque euzinha aqui resolvi ter um novo hobby, pode anotar aí. Hazel esculpidora. Esculpista? — Demorou um pouco olhando para o vazio, raciocinando. — Escultora! Vou levar argila, ok?!
— Sim, senhora! 5 moedas de prata.
— Tchauzinho, Maya! — Disse logo após pagar.

O resto do dia foi razoável, duas moças levaram várias linhas e agulhas de crochê, uma senhora idosa levou várias agulhas de bordado alegando sempre esquecer onde as deixava, e algumas crianças comprando chiclete.


Fecho o local na mesma hora de sempre, 17:30, e caminho até o bar no fim da rua. Além do meu trabalho no armarinho, também canto no bar Olive Oliver's, agora apenas às sextas, para ajudar na renda, recebo 35 moedas de prata por noite. Gostaria de cantar mais vezes na semana, mas a senhora Grammpin é totalmente contra. É um lugar cheio de más influências, como ela diz.
— Boa noite, Maya. — Senhora Ursula diz logo na entrada, ela cheira a tabaco e álcool. — Seu figurino já tá no camarim.
— Boa noite, senhora. Obrigada.

Após algumas horas o espetáculo acabou, e logo depois, às 23 horas, a banda de jazz começou a tocar.

— Maya, tem uns rapazes te chamando, na mesa 23. — Andrea me alertou.
Terminei de prender meu cabelo e estava indo até a mesa, quando fui interrompida pela gerente Ursula.
— Maya! Graças a Deus! 10 moedas de ouro se você servir de garçonete até às 5. — Ursula dizia apressada.
— A senhora sabe que Amélia desaprova essa idéia.
— Eu sei! Mas o garçom teve que ir, sua esposa deu a luz. Só dessa vez, eu juro!
— Tudo bem! 10 moedas de ouro e o meu salário de cantora. — Fiz questão de que ela me ouvisse.

Agora, às 4:30, com apenas umas 15 pessoas no bar, um garoto alto e mestiço como eu, moreno de olhos típicos Yanomi, subia no palco.
— Os ventos estão mudando! Uma guerra está por vir, vamos todos morrer se não lutarmos! — Ele olhava para todos no local. — Vamos trazer o mundo de volta ao que era antes, e nunca mais abaixaremos a cabeça para os ricos outra vez.
E olhando ao redor, percebi que todos eram diferentes, a mistura de algo. O meu grupo de pessoas, os profanos.
Por Deus! Eu estava no meio de uma reunião revolucionária ou algo do tipo. Se um oficial do governo ouvisse isso serão todos executados. Eu serei executada!
Com passos leves como uma pena, tentei escapar de lá o mais rápido possível.
Infelizmente não sou uma pena.
— Você! Maya, filha adotiva dos Grammpin. — A voz do rapaz soou ainda mais alta. E de repente todos olhavam para mim. — Mestiça tal como eu, não está cansada de tanta humilhação?
— Acordada desde as 5 da manhã passada, qualquer um ficaria cansado. — Solto uma risada nervosa e tento pelo amor de todos os santos abrir a porta da cozinha. Sem sucesso.
— Ela tem senso de humor. — Um deles respondeu, rindo.
— Não precisa disso, querida. Estamos te observando há um bom tempo. — O garoto no palco falava. — E pelo visto você também, nos olhando pela brecha da janela.
Droga! Óbvio que aquilo era encrenca.
— Só para constar, as portas estão trancadas. — Uma garota extremamente branca aparece ao meu lado.

6 de Setembro de 2021 às 05:12 0 Denunciar Insira Seguir história
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