veneravel_yu Paloma Nunes

Após muitos anos longe de casa, Wu Ming e Lu Feng retornam a sua cidade Natal e num ímpeto, Wu Ming se recorda seu último momento na cidade que não o aceitou.


Conto Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#drama #yaoi #boyslove #inverno #lembrança #contogay
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Uma lembrança no frio inverno

Wu Ming certo dia decidiu voltar.

Naquele dia, completavam três décadas desde que ele e seu amante, Lu Feng, decidiram viver em reclusão. O escândalo envolvendo seus nomes afetou muito a sociedade marcial. Independente de suas posições, o quão poderosos eram e quão importantes eles eram para o mundo, as pessoas começaram a se afastar com nojo.

Primeiro foram seus dois irmãos jurados e o líder da seita. Logo depois, seus discípulos começaram a se rebelar e cortaram o laço existente entre eles. Seguindo pelos discípulos da seita, onde eram personagens de extrema importância. E aos poucos até mesmo pessoas ligadas a ele por fora afastaram-se.

Wu Ming perdeu as contas de quantas vezes se perguntou qual era o problema de amar alguém. Bem, a resposta era que não havia problema algum. O problema estava na mente das outras pessoas. Elas não podiam aceitar um tipo de amor diferente deles.

Wu Ming, no entanto, não se acovardou com todos esses problemas até quando Lu Feng foi ferido. Um ancião da seita, encontrou-o sozinho em frente ao pátio que compartilhavam. Ele aproveitou dessa oportunidade e de seu cultivo de uma estrela maior para feri-lo gravemente.

"Uma aberração como você não devia estar aqui!"

O grito foi ouvido por toda as três picos da seita e Wu Ming nesse dia, descontrolou-se e assassinou brutalmente cinco dos sete anciãos que tinha após uma intensa batalha desfavorável a ele. Enquanto o sangue escorria pela grama e pintava-a em tons macabros, agarrou Lu Feng pelo braço e o carregou até o Monte Kulun e ali estabeleceram-se.

A reclusão do casal espalhou-se pelo mundo, assim como a queda de sua antiga seita. Essa mudança drástica fez com que o Clã do Diabo avançasse às Seitas Ortodoxas. Os dois pilares do taoísmo haviam caído. Wu Ming e a Seita do Lótus Dourado.

Centenas de vezes, houve líderes ortodoxos gritando no pé do Monte Kulun enquanto a guerra entre as duas facções acontecia, implorando pela ajuda desse homem.

"Wu Ming, sua obrigação é com o mundo marcial!"

"Wu Ming, você quem provocou tudo isso, tome responsabilidade!"

"Wu Ming, tome responsabilidade!"

"Wu Ming, tome responsabilidade!"

Se não fosse por Lu Feng o impedir, ele teria descido ao sopé da montanha e teria os ajudado. Afinal, em partes, foi ele quem causou aquilo. Lu Feng, porém não o deixou e o fez lembrar de tudo o que aquelas pessoas fizeram com ambos. Convenceu-o a deixá-los de lado e seguir em frente, pois no fim, foram eles mesmos que cavaram sua própria cova e deixaram se enterrar nela.

Eles se abraçaram por horas e Lu Feng não o deixou enquanto o choro e a mágoa ainda pesavam em seu coração. Aquele abraço caloroso aos poucos o acalmou e o fez adormecer como nunca antes. Às vezes, Lu Feng cantava baixinho e por outras vezes sussurrava sânscritos budistas para acalmá-lo.

Wu Ming tinha feito certo ao escolhê-lo. Entre os braços aconchegantes, reafirmou seus votos em pensamento. Ele nunca iria deixá-lo. Em sua mente, Lu Feng fez o mesmo. Esse grande bebê em seus braços tinha obrigação e por vontade própria a cuidar dele. abraçou-o, beijou-o, até o momento em que o pôs na cama e o viu adormecer tranquilamente.

Às margens congeladas do único lago na montanha, Wu Ming olhava para o horizonte, sem pressa de retornar para sua humilde pavilhão a alguns metros. Devido a altitude, nevava durante quase todo o ano e ele não se importava com a temperatura ou a umidade ao se sentar. Há muito tempo, devido sua alta cultivação, frio ou calor não interferiam em sua vida. Vestir-se conforme a época tornou questão de hábito.

"Querido, no que está pensando?" Wu Ming não precisou de virar para adivinhar quem era o dono da voz. Lu Feng e ele eram os únicos humanos vivendo em todo o Monte Kulun, até bestas mágicas eram raramente vistas.

Wu Ming chamou, "Lu Feng..."

"Sim!?" Ele respondeu com um sorriso.

"Quero voltar até lá, uma última vez."

Lu Feng pareceu atordoado, seus cabelos prateados esvoaçavam levemente pela brisa gelada.

"Xian... sinto saudades de casa. Quero comer aqueles bolos salgados mais uma vez."

Sua expressão suavizou e Wu Ming abriu um sorriso brilhante. Lu Feng encarou os lábios rosados, não conseguindo resistir a puxar aquele homem para um doce e gentil beijo.

Ainda receoso, Lu Feng perguntou: "Tem certeza que deseja voltar à Xian?"

Wu Ming abraçou suas pernas e colocou o queixo sobre os joelhos.

"Estou bem com isso. Faz algum tempo que comecei a sentir falta de pessoas ao meu redor. Essa montanha é muito solitária e parece que o conflito com os demônios terminou. Acho que é um bom momento para fazer uma visita."

"Mas, você tem a mim, não basta?" Depois dele dizer, Lu Feng fez beicinho.

Wu Ming riu. "Idiota! Você sabe o que eu quis dizer! Não acha o mesmo?"

Lu Feng passou o braço pelo seu ombro acomodando-se para perto. "Irei aonde quiser ir, querido. Seja no sopé da montanha ou no fundo do mar. Gostaria ainda mais se fosse para a cama."

Wu Ming apenas sorriu em resposta. Esse homem era bom demais com ele.

"Certo, que tal agora?"

"Só apague o fogo na fornalha." Wu Ming esticou o braço e em menos de um segundo, havia uma espada em suas mãos. "E pegue sua espada também. O homem da casa, não pode deixar seu pequeno marido carregá-lo nas costas."

"Querido, acho que não entendeu minhas intenções..."

"Apague o fogo..." Num impeto, Lu Feng avistou apenas as costas de um homem e seus cabelos negros farfalhando em sincronia com as roupas pelo vento em cima de uma espada.

"Filho da p..."

Ele suspirou e correu atrás do patife com um sorriso no rosto.

A viagem até Xian durou apenas oito dias.

Quando Wu Ming parou diante do grande portão da cidade, quis desistir de sua ideia. Era ridículo querer visitar um lugar ao qual o fez miserável. Seu corpo suava frio e brisa gélida do inverno ocasionou um arrepio nas costas. Suas pernas quase cederam quando quis se mexer, mas já era tarde, tarde demais para voltar atrás. Wu Ming só se acalmou quando uma mão quente se entrelaçou na sua e o puxou para dentro.

Nada havia mudado desde a última vez. Talvez a diferença seja a estação, pois quando saíram rechaçados dali, o verão estava no ápice e a cidade estava muito movimentada pela época de colheita. Havia inúmeros comerciantes com frutas, vários legumes e diversas mercadorias.

Nesse dia em especial, ele notou que não havia quase nenhuma mulher nas ruas, o que ocasionalmente achou muito estranho. Wu Ming desceu a montanha para comprar nêsperas, Lu Feng havia reclamado de irritação na garganta por alguns dias e ele detestava tomar pílulas ou chás amargos, mas adorava nêsperas. E segundo, o que havia escutado uma vez no pico das pílulas, a fruta podia ser usado para amenizar esse tipo de irritação.

As pessoas olhavam-no enojadas. Não era que homossexuais nunca tivessem existido. Em bordéis e em cantos escuros podia-se notar nos cantos escuros homem e mulheres se agarrando em seus parceiros, sempre atentos aos olhares alheios. Mas, alguém que vinha a público desse jeito, eram poucos e todos eles, logo desapareciam do mundo. Ninguém aguentava muito tempo essa pressão absurda vinda de todos os lados. Ou elas viviam em reclusão ou recusavam-se a viver.

Wu Ming, tinha escolhido a terceira opção: ignorar todos e continuar sua vida como qualquer outro. Ele não esperava ser tão difícil quanto foi. Sempre haveria alguém cochichando ou apontando o dedo, mas como ele era alguém poderoso ninguém o enfrentava as claras. Ele se agradeceu por isso, seria difícil viver com pessoas diferentes batendo à sua porta pedindo um duelo todos os dias. Wu Ming recusava a se esconder e Lu Feng sempre manteve a mesma ideia que a dele.

O vendedor de nêsperas quase fugiu ao ver o 'homem pervertido' vir a sua barraca. Seus lábios ficaram franzidos o tempo todo e apenas falou menos que o mínimo necessário, mas como ele era alguém que precisava de dinheiro não recusou. Mas, assim que seu cliente virou as costas, a mulher da barraca ao lado, gritou: "Velho Fei, não aceite dinheiro dessa aberração! Provavelmente será dinheiro sujo!"

"Não me importo com que seja dinheiro sujo, apenas quero dinheiro! Como você acha que vou pagar o médico para minha filha?" Velho Fei respondeu.

Wu Ming, naquele momento parou e se virou. "Sua filha está doente? Posso ajudar em alguma coisa?"

Nesse mesmo momento, uma fruta podre voou nas suas roupas. Uma idosa que vendia ervas jogou a fruta fétida no homem. A ansiedade podia ser vista no olhar de cada uma delas, quem se atreveria a fazer isso com um cultivador sendo apenas um humano comum? E se esse homem quisesse retaliar? Porém, a cena que se seguiu os surpreendeu. "Se tiver qualquer coisa em que eu possa ajudar, é só chamar este homem na porta da seita que o ajudarei de bom grado." O homem não apenas ão revidou, mas simplesmente ignorou a idosa e continuou a falar com o vendedor.

A atitude do homem encorajou essas pessoas. Contando com que ele não iria revidar, os vendedores começaram a pegar frutas podres de suas barracas e começaram a jogar nele. Muitas delas, sequer sabiam sobre o motivo, apenas seguiram o instinto. Um chuva de frutas emboloradas, podres e escorrendo chorume voava sem fim sobre Wu Ming. A roupa branca sujou-se a ponto de trocar sua cor, mas ele continuava ali, parado, sem mover um mísero músculo, esperando o rancor dessas pessoas se esvaírem. Quando tudo acabou, ele deu um salto e desapareceu da visão dessas pessoas.

Nenhuma lágrima caiu, ele não tinha lágrimas para serem choradas por isso. Suas lágrimas deviam ser libertadas apenas por alegria. Ele jurou a fazer isso. Wu Ming olhou as nêsperas sujas, ainda teria que lavá-las antes de entregá-las a Lu Feng.

A mágoa continuava lá, enlaçada no seu coração.

Logo, ele fingiu que não havia acontecido nada e trocou a roupa antes de ir lavar as frutas.

Porém, enquanto lavava as nêsperas uma grande flutuação espiritual surgiu do seu pavilhão. Lu Feng nesse horário ainda estava dormindo, dificilmente acordava antes das dez da manhã. Se ele estivesse rompendo, a energia não estaria tão furiosa. Seu coração se apertou e ele largou tudo e correu para seu pavilhão.

A espada cortou o ar num flash e quase imediatamente sentiu o cheiro de sangue. Um mau pressentimento tomou conta do seu corpo. Ele acelerou e apenas imagens residuais poderiam ser notadas e com dez minutos enfim chegou ao seu pavilhão.

Energia espiritual violenta e diversas colidiam por todo os lados, bestas mágicas rugiam uma atrás da outra liberando habilidades. Mas, uma energia em especial se destacava e essa era de Lu Feng.

Do alto, Wu Ming viu sete dos nove anciãos da seita e suas respectivas bestas mágicas contratadas atacando Lu Feng, além de quase quarenta discípulos que ele não conhecia. Wu Ming riu, liberando sua pressão, que quase esmagou pelo menos quatro anciões. Eles se ajoelharam cuspindo sangue, o restante tinha uma expressão de desgosto em seus rostos.

"Bom, bom. Eu já estava no limite mesmo!" Wu Ming disse, com um sorriso no rosto.

No céu ele pareceu um deus descendo à terra. Lindo, gracioso, mas extremamente perigoso. A malícia em sua voz, pôde ser sentida até mesmo em Xian, que ficava a mais de vinte quilômetros de distância. As pessoas se arrepiaram e rezaram em suas mentes. Wu Ming desembainhou sua espada assim que seus pés tocaram o solo e a pressão que exalava dele, aumentou ainda mais.

"Você... Você escondeu propositalmente seu poder?" Um dos anciãos perguntou incrédulo de medo. Ele era apenas um cultivador do reino imperial em seu auge, como lutaria com alguém a dois reinos de distância.

Wu Ming riu impaciente, "Venham!"

A espada que quase nunca saía se sua bainha devido a sua perversidade e descontrole, ficou animada como nunca, sentindo o seu mestre a bera de sucumbir ao ódio. Ela fatiava carne e ossos como se fosse um pedaço macio de tofu, o sangue espirrava pela grama verde pintando-a com um tom escarlate. Cabeças rolavam uma a uma pelo chão e a porta do seu pavilhão já não se sabia o que era madeira ou o que era sangue. O uniforme da seita que usava era branco, mas já havia perdido a cor há muito tempo.

De manhã foi o chorume, a tarde foi o sangue.

Gritos de horror podiam ser escutados por toda a seita. Anciãos e discípulos imploravam por suas vidas, quando Wu Ming os esquartejava ainda vivos. Ele só parou quando um grito veio da porta do pavilhão.

"WU MING O QUE ACHA QUE ESTÁ FAZENDO?"

Esse era o líder da seita, que há muito tempo havia se esquecido seu nome. Ele olhava-o com horror. Wu Ming nesse momento parecia um deus asura que veio cobrar as dívidas com os pecadores. Nenhum resquício da pessoa pacífica sobrava nele. Foi nesse momento que também se acalmou e jogou um corpo decepado para longe bufando. Ele embainhou sua espada e foi até Lu Feng, carregando o homem ferido nos braços.

"Estou saindo da seita. Estaremos entrando em reclusão. Não se aproximem do monte Kulun ou eu arrancarei seus olhos."

O líder da seita ficou paralisado por muito tempo até dar a ordem de limpeza. Muitos vomitaram ao ver o rio de sangue e um pequeno monte de membros esquartejados na escada do pavilhão. O choque foi tão grande, que foi depois de alguns dias fez seu primeiro xingamento à seu antigo shidi.

"No que está pensando?" Lu Feng perguntou abraçando-o.

Eles estavam sobre a ponte do canal que ligava Xian ao mar. Algumas pessoas ainda os reconheciam, elas olhavam horrorizadas para ambos.

"Em nada especial... na verdade... esse foi o lugar em que você me deu nosso primeiro beijo." Wu Ming sorriu envergonhado. Seu rosto estava corado até as orelhas.

Lu Feng afastou-o apenas para puxá-lo num beijo profundo e duradouro. O homem só o soltou quando sentiu o outro ficar sem ar. "Naquela esquina, perto do distrito da luz vermelha, foi onde eu te puxei para fazer um oral em você. O telhado da Taverna Yun, foi onde eu rasguei seu robe externo e te deixei quase nu em nossa primeira batalha. No quarto da pousada da senhora Lin, foi onde entrei em suas calças pela primeira vez..."

"Lu Feng..." Um homem pouco mais baixo que ele, estava todo vermelho, emburrado e raivoso. Poderia passar mil anos, mas seu Wu Ming parecia que nunca mudaria. "Sem vergonha."

Lu Feng gargalhou. Fazia tempo em que não escutava seu amante o repreendê-lo. Ele agarrou sua mão e puxou seu amado Wu Ming pela cidade a procurar bolos salgados. Nenhum deles se importou com os olhares e nem se importou de demonstrar seu afeto em público. Seus sorrisos eram muito valiosos para serem suprimidos por pessoas desconhecidas.

As lanternas em cascatas nos telhados das casas, lembravam-nos das boas lembranças juntas. Para cada uma delas, uma aventura e uma vergonha poderia ser contada. No final, quando deu a noite e eles bebiam sobre o telhado de uma construção qualquer, Wu Ming declarou: "Lu Feng, não quero mais me esconder."

"Posso já ter lhe dito, mas estarei com você aonde estiver. Tome o melhor rumo ou o pior rumo, estarei contigo." Lu Feng o agarrou e deixou um beijo em sua testa.

Com esse beijo, o mundo se tornou mais bonito e aquilo que lhe assombrou por décadas, dispersou em apenas uma lembrança qualquer no frio inverno...



******************


Um pequeno teatrinho!

Na frente de um templo abandonado


Lu Feng: Querido, podemos relembrar os tempos na taverna da senhora Lin?

Wu Ming: Por que diabos você está tirando minha roupa? Estamos em um templo!

Lu Feng: Qual o problema? Ainda é um lugar fechado, da última vez nos fizemos numa árvo...

Wu Ming: Cale a boca! Sai correndo para o templo***

Lu Feng: Querido...(╥﹏╥)


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A autora tem algo a dizer:
Essa é a primeira vez que escrevo um conto, espero que tenha ficado legal. Então é algo bem novo para esta humilde escritora. Sobre os personagens tenho uma curiosidade sobre o nome de Wu Ming, seu nome basicamente significa "sem família", já Lu Feng, não tem nada em especial, sorrateirmente eu vi um ator com este nome e gostei. Heheeh... Já Xian, é uma cidade real, podem pesquisar. E por fim, este conto foi feito para um desafio do grupo Recanto dos Escritores. RecantoDosEscritores


Até um próximo encontro!



3 de Setembro de 2021 às 14:41 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Paloma Nunes A verdade é que as estrelas são mais belas se você olhá-las de seu próprio coração. Visite também nosso site: https://salaodolotus.wixsite.com/lsdl

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