maridawn Maridawn

O copo de whisky vazio, a música a ser cantada por uma sedutora voz, e logo após a escuridão do quarto a esconder desejos. Vhope!


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

#drama #oneshot #hoseok #lemon #songfic #taehyung #vhope #pwp #taeseok #vope #hopev #stigma #v-hope
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Capítulo Único


A sombras da noite se envolviam no clima frio de inverno em uma pequena cidade coreana, as estrelas dançavam por trás das nuvens carregadas enquanto a lua cantava uma melodia calma e acolhedora. No bar localizado no centro conseguia ser mais escuro e misterioso do que o imenso céu acima de todos. As luzes fracas propositalmente apagavam o rosto de quem entrava, o Jazz na voz de uma elegante mulher coberta por um longo vestido branco brilhoso, com um timbre doce que ecoava por todo o bar e atravessava as conversas quase inaudíveis dos clientes.

O vazio copo pequeno e largo de whisky descansava no balcão do bar, os dedos de uma mão magra e veias saltadas batucavam na madeira lentamente em um ritmo contínuo ao lado do vidro. Os ponteiros do relógio de marca em seu pulso indicavam exatamente 2hs40min, sua vestimenta social de blusa branca, paletó e calças pretas acompanhadas de sapatos bem polidos da mesma cor apresentava um homem requintado e organizado. O cabelo escuro em um perfeito penteado para cima, revelando sua testa. O rosto de queixo destacado em uma linha perfeita de 90° quando virado de lado, os lábios de linhas delicadas possuíam um pequeno sinal na parte superior lhe dando um charme a mais para sua boca, o nariz fino e levemente arrebitado era diferente dos padrões de seu país e os olhos puxados um pouco arredondados de íris negras transmitiam tranquilidade interior.

O barman enchia seu copo com o líquido alcoólico transparente, os dedos que batiam no ritmo da música cessaram ao serem erguidas em um sinal para que o homem parasse de despejar a bebida no copo. Um simples gesto de formalidade ao curvar-se para o cliente, sendo retribuído com um aceno de cabeça pelo mesmo. O copo a repousar sobre um pano para não manchar a madeira robusta foi erguido e levado até a boca já seca pela espera prolongada da bebida, molhando e queimando sua garganta com o líquido puro.

Sempre ao fim de seu expediente gostava de ir naquele bar relaxar a mente com uma melodiosa música e embriagar seu âmago com uma boa bebida. Visitar este lugar havia virado parte de sua rotina, não faltava muito para converter-se em um cliente veterano.

O som parou, uma nova música iria ser tocada para a noite seguir em frente. O toque arrastado do piano deu-se início, batidas lentas e repetitivas entrou para dar a harmonia do toque e uma voz masculina se fez presente.


"Eu tenho escondido isso, vou te contar uma coisa

Apenas para deixar enterrado

Agora eu não posso mais suportar isso

Por que eu não podia dizer, então?

Tenho estado ferido, de qualquer maneira

Realmente, eu não posso suportar isso"


Era calma e grossa, sussurrava as palavras melancolicamente chegando a ser agradável aos ouvintes. O homem, que antes tinha seus olhos focados no copo quase vazio outra vez, deu sua atenção para quem estava tanto o chamando.


"Agora chore, é só que eu realmente lamento muito por você

Mais uma vez, chore, porque eu não consegui protegê-la"


As batidas pararam e o piano era acompanhado de instrumentos que pareciam estalos. A voz se tornava mais elevada, as mãos a segurar firme o microfone que estava preso no pedestal mostrava certa insegurança. Os olhos negros do homem eram analistas e curiosos para o cantor.


"Mais profunda, mais profunda, a ferida só fica mais profunda

Como pedaços de um vidro quebrado que eu não posso reverter

Mais profundo, é apenas o coração que se machuca todos os dias

Você, que foi punida em meu lugar

Você, que era delicada e frágil"


Suas pálpebras se fecharam e sua hesitação se esvaiu de si, permitindo-se que a música o levasse. O toque do instrumento de sopro invadia a melodia dando forças para a canção, contudo a voz do jovem homem conseguia ser mais chamativa que o próprio. A pausa do canto lhe deu a permissão para molhar a garganta e os lábios. Seus fios de cabelos castanhos estavam todos sobre a testa, lisos e grandes que chegavam a alcançar seus olhos, que permaneciam fechados.


"Pare de chorar, me diga uma coisa

Tente dizer a mim, a quem não tinha coragem

Por que você fez isso comigo, então?

Me desculpe"


O silêncio dos instrumentos para as duas últimas frases sussurradas destacavam unicamente aquela parte da letra, sentindo-a profundamente.


"Esqueça

Que direito eu tenho

De te dizer para fazer isso ou aquilo?"


Do grave para o agudo ele levava sua voz facilmente, seguindo a melodia pouco agitada que ganhava mais atenção da clientela.


"Mais profunda, mais profunda, a ferida só fica mais profunda

Como pedaços de um vidro quebrado que eu não posso reverter

Mais profundo, é apenas o coração que se machuca todos os dias

Você, que foi punida em meu lugar

Você, que era delicada e frágil"


O soletrar da última palavra do verso era firme e a música parecia perto do seu fim.


"Me desculpe, me desculpe

Me desculpe, meu irmão

Mesmo que eu tente esconder ou ocultar, isso não pode ser apagado

Você está me chamando de pecador?

O que mais eu tenho que dizer?"


A forma que se desculpava na canção dava a entender que era real o que cantava, assim como sua expressão aparentar amargurada a sentir a angústia da letra. O modo que proferia cada pergunta parecia emocionar-se a si mesmo.


"Me desculpe, me desculpe

Me desculpe, minha irmã

Mesmo que eu tente esconder ou ocultar, isso não pode ser apagado

Então chore

Por favor, seque meus olhos"


O arranco de sua voz, novamente do grave para o agudo, impressionou muitos que estavam assistindo a sua apresentação. A nota alta saia perfeita, as vozes atrás de si continuavam a canção por ele enquanto sua voz ecoava audível e agradável. O homem que lhe admirava sentiu-se tocado pela música através de sua voz, a noite estava sendo diferente para o mesmo.


"Essa luz, essa luz, por favor ilumine meus pecados

Onde eu não posso voltar o sangue vermelho está fluindo

Mais profundo, sinto que estou morrendo todos os dias

Por favor, deixe-me ser punido

Por favor, me perdoe pelos meus pecados

Por favor"


O final foi recebido por aplausos, mais do que outros artistas amadores a passar por aquele palco pequeno. Seus olhos abriram-se e não pode deixar de sorrir grandioso pelo trabalho bem feito e do resultado inesperado. Curvou-se formalmente agradecendo a todos pela atenção lhe dada, entregando o lugar de volta para a bela mulher contratada para a noite.

O copo novamente estava seco a espera do barman. O moreno retornou a sua posição de antes, com uma voz ouvida minutos atrás ecoando em sua cabeça. Confessava que não reclamaria de ficar a escutar o dia todo, tranquilizava sua alma mais do que vários copos de whisky. O homem de pano sobre o ombro surgiu a sua frente com sua tão desejada bebida. Um perfume doce se fez presente no ar, que apenas carregava o odor alcoólico, e uma presença brotou ao seu lado, que não o fez duvidar de quem era.


– Um Martini, por favor.


O tom suave e grave invadiu os tímpanos do homem, lhe dando certeza de seus pensamentos sobre o dono da voz que cantava em sua mente.


– Não recomendaria esse tipo de bebida para uma comemoração. – Comentou, levando seu copo até a boca para ingerir um gole do seu whisky.


– Bom, então o que me propõe para beber esta noite? – Virou-se para o seu comentarista, vendo que este não olhava para si, apenas degustava do líquido transparente sem gelo. A pouca iluminação não o permitia visualizar perfeitamente a face do vizinho.


Um levantar de mão para chamar o barman, que estava prestes a começar a preparar o pedido do jovem ao lado, o deu a entender que era para cancelar o mesmo.


– Um Veuve Clicquot.


O jovem de cabelos castanhos ergueu as sobrancelhas deduzindo ser realmente uma boa escolha. A taça posicionada à sua frente e o champanhe espumante a despejar e preencher o vazio do mesmo, possuía a atenção do cantor. Agradeceu ao barman e envolveu a palma de sua mão no vidro, aproximando-se dos lábios pequenos, parando por um momento para sentir o cheiro peculiar e bom do champanhe.


– Não vai beber também? – Perguntou esperando uma resposta para que pudesse sentir o sabor da bebida, achando que iria ser acompanhado pelo outro.


– Um whisky pra mim já está de bom tamanho.


A leveza de seus movimentos ao finalmente se virar para o jovem, direcionando-o um sorriso pequeno e encantador, chegou a tirar o ar do mesmo por alguns segundos ao enfim vislumbrar o dono de todo um charme que levava em sua fala. Era bonito, elegante e simpático.

Estava contente por ter cantado para alguém como ele, que sequer o conhecia e já o havia lhe seduzido com míseros detalhes.

Saudou em comemoração a sua conquista, sendo seguido pelo moreno que mantinha o sorriso atraente em seus lábios. O gole no champanhe o fez fechar o olhos para apreciar o líquido escorregar por sua garganta, aparentando ter o gosto exato da vitória. Nunca uma escolha de estranho o agradou tanto.


– A sua voz encanta facilmente um público. – Quebrou o silêncio que havia se formado entre eles.


– Obrigado. – Agradeceu um pouco envergonhado. Receber elogios nunca foi fácil.


– Por acaso magoou sua irmã? – Bebericou da sua bebida, curioso.


– Não, não... – Riu levemente tímido. – Acredito que esteja se referindo a música. Minha imaginação dramática fez o trabalho para compor uma história.


– Então me admira ainda mais ver que você consegue ser um ótimo ator.


Aquele homem o deixava completamente sem jeito de uma forma que conseguia gostar, o olhar que ele lançava para si e o analisava sem nenhum pudor lhe queimava o corpo por baixo do enorme sobretudo marrom. Seu copo igualmente ao dele estava quase seco. Deduzida que o teor alcoólico correndo pelas veias de seu sedutor estavam altíssimas, enquanto nas suas apenas começando a serem contaminadas.


– Eu sou Kim Taehyung. – Estendeu a mão livre, recebendo o aperto na mesma pela mão quente do outro.


– Jung Hoseok.


– É um prazer conhecê-lo, Hoseok. – Arriscou chamá-lo pelo nome.


– O prazer é todo meu. – Curvou os lábios levemente para cima em um sorriso um tanto invisível, gostando de como seu nome saia agradável na voz do jovem.


As mãos ainda se seguravam firmes no aperto aconchegante que transmitiam, sendo-as separadas quando o Kim percebeu estar tempo demais daquele jeito. Hoseok passaria, se pudesse, a noite toda com ela envolvida pela sua. A maciez que essa continha o fez ter pensamento pecaminosos, imaginando a sensação de ter as palmas do mesmo em si. O último gole pela quinta vez de seu whisky derramado no copo poderia ser o último da noite também.

Repousou o vidro sobre o pano dobrado e passou a observar novamente o jovem homem ao seu lado, que desfrutava do champanhe sugerido por si. A boca de traços delicados, brevemente carnudos e rosados, abria-se para que a bebida passasse por entre eles. A língua saía de dentro da sua boca e passava vagarosamente pelos lábios para retirar resíduos do líquido, arrancando um desejo incomum em Hoseok de ter ela colada a sua. Finalmente havia conseguido saber a cor daqueles olhos que tanto permaneceram fechados ao cantar. O tom acastanhado claro quase se igualava a cor dos seus cabelos, lhe dando uma característica própria de difícil esquecimento para quem o visse.

E eram aqueles olhos peculiares que lhe fitavam descaradamente. Hoseok presumiu que o deixaria constrangido encarar tanto, só que este também lhe retribuía na mesma intensidade. Mesmo que as bochechas alheias estivessem em uma coloração rosada, o olhar do mesmo sobre si queimava-lhe equitativamente. Não sabia se era o álcool que estava impulsionando Hoseok a imaginar despindo o não tão desconhecido ao lado, ou se ele propositalmente estava o seduzindo ao passear a língua pela boca incansáveis vezes.

A excitação era visível para quem fosse perspectivo. Aqueles dois estranhos se paquerando revelavam o líbido que ambos sentiam.


– É sua primeira vez aqui? – De novo cortou o silêncio. Não deixaria que se prolongasse o bastante para que seus ouvidos sentissem falta da voz sedutora que o Kim possuía.


– Sim. – Descansou a taça vazia no balcão, oferecendo toda sua atenção para Hoseok. – Vim apenas apresentar o meu trabalho. E você?


– Não, já sou bem velho neste lugar.


– E por que frequenta tanto aqui?


– Apenas para beber um pouco e procurar alguém interessante.


– E já conseguiu encontrar?


– Se você me der a honra de ser essa pessoa. – Sorriu tirando um riso baixo de Taehyung. Ser direto combinava com seu estilo, confessava que estava curioso como o Jung seria em muitas outras coisas que poderiam ser descobertas pelo resto da noite.


– Para onde iria depois daqui?


– Caso você fosse meu acompanhante? – Ergueu a sobrancelha direita duvidoso.


– Digamos que hipoteticamente eu seja seu acompanhante, para onde me levaria? – Pousou seu cotovelo no balcão, deitando a cabeça em sua mão aberta. Seus cabelos caíram para o lado, mostrando um pouco da sua testa e sobrancelhas.


– Minha casa e talvez o meu quarto. – Pronunciou tranquilamente, deleitando-se com o jeito risonho do castanho.


– Hm... "Talvez"? – Soltou no ar.


– Na verdade, não sairíamos do carro dependendo da intensidade do meu apetite depois do primeiro beijo. – Sua sinceramente excitava Taehyung, que sorriu e ficou em silêncio fitando os olhos que lhe encaravam.


Os dedos de Hoseok continuavam a bater na madeira sem perder o ritmo da música, o corpo ao seu lado sentado na banqueta estava virado para si desde o início da conversa, enquanto o seu permanecia no mesmo lugar. Taehyung desceu o olhar descaradamente para as pernas abertas de joelhos dobrados do Jung, contemplando as coxas grossas que tinham o tecido da calça as vestindo. O moreno sentiu falta do seu whisky descendo em sua garganta para controlar a vontade que tinha de agarrar aquele homem que lhe devorava com os olhos, mas ele não ficava para trás. A pele alheia do pescoço exposto naquele frio lhe atraía, desejando tatuar seus dentes por toda a extensão.

O calor de uma mão abrigou a sua, fazendo-o parar com os dedos. Direcionou o olhar para o dono daquela mão calorosa, que escorregava as digitais por seu pulso e subiria mais caso o relógio não estivesse no caminho.


– Quer descobrir onde iremos parar? – O sorriso tentador dançava em seus lábios, seus olhos expressavam pura luxúria.


Totalmente contrário do homem a cantar sofridamente e inserto de seu talento.

Da banqueta do bar para o estacionamento. Os passos ecoavam pelo ambiente a irem em direção ao carro preto de porte baixo estacionado quase no fim do local, estavam sozinhos e o escuro cada vez ficava maior tendo somente a luz do celular clareando o caminho. Hoseok ia na frente com o seu aparelho em mão enquanto a outra procurava a chave de seu carro no bolso esquerdo da calça. Logo atrás o Kim tentava ver melhor o corpo a sua frente, mas a falta de luz dificultava. Parou seus passos ao escutar o carro destravar e o mesmo ser aberto. Pensou que a luz provinda do veículo fosse iluminar ainda mais o próprio quando aberto, só que continuou escuro, assim como a única fonte de luz foi apagada, ficando a apenas escutar os ruídos que Hoseok fazia.

Uma silhueta surgiu a sua frente, a respiração quente bateu em seu rosto e um braço envolveu sua cintura, aproximando seu corpo suavemente do dele. Fechou os olhos ao sentir os dedos passearem em seu queixo brevemente. Seu dedo percorria a borda de seu rosto e seguia caminho para o pescoço, deslizando delicadamente por aquela região, logo descendo de mãos abertas para o braço suspenso ao lado do seu corpo mole. Seu coração palpitou ansioso ao sentir o ar cálido da respiração alheia soprar em seu pescoço, suspirando nitidamente quando este aproximou-se de sua orelha. Os fios de cabelos que repousavam à frente da orelha se assanharam pelo riso soprado proferido por Hoseok, sentindo o Kim queimar por baixo da roupa.


– Melhor em casa. – Era caloroso o ar que saia de sua boca a cada palavra dita.


Taehyung protestou mentalmente após perceber que o corpo de Hoseok já estava longe do seu, seguindo em direção ao carro novamente. Aquele homem conseguia ter a proeza de o deixar sem fôlego com um simples colar de corpos e gestos serenos em sua pele.


– Sente-se aqui, o meu motorista não deve demorar. – Acendeu a luz do automóvel e abriu bem a porta para que o Kim pudesse sentar no banco. Este não recusou, suas pernas haviam ficado bambas com a aproximação repentina do Jung. – Não quero arriscar a vida de um futuro cantor. – Sorriu.


O corpo alheio ficou a sua frente, com um braço apoiado sobre a porta aberta na espera de seu motorista, que perceberia onde estariam pela lanterna do celular acima do carro. Os olhos castanhos voltavam a analisar o homem que parecia muito sofisticado para estar em um bar como aquele. Jung conseguia ser extremamente sexy em qualquer pose. A maneira que repousava o braço ao alto fazendo com que seu paletó revelasse uma parte do tronco coberto pela blusa social, assim como a mesma era bem engomada, tendo suas bordas sob a calça e do cinto de couro a apertar bem seu quadril. Detalhes que poderiam passar despercebidos para alguns, entretanto para Taehyung eram pequenas maravilhas.

O caminho não foi tão longo, os sapatos deixados na porta e o silêncio na enorme sala só indicava que o quarto abrigava dois indivíduos que estavam febris em apenas trocar olhares. O corpo de Jung a uma distância tortuosa da de Taehyung escorado na porta, as respirações misturavam-se pelos rostos aproximados, mas em nenhum momento se tocavam.


– Não tem medo de eu ser alguém perigoso? Sua mãe nunca lhe ensinou a não aceitar convites de estranhos? – O hálito cheirando a álcool chocava-se no rosto do Kim que formou um sorriso libidinoso em seus lábios.


– Eu gosto de aventuras. Acredito que você também, já que se aventuraria bêbado dirigindo as ruas da cidade se não fosse a minha presença. – Disse, arrancando um riso do outro.


– Te levaria nessa loucura se eu não visse futuro em você.


– Mas me trouxe para outra... – Mordeu o lábio inferior, levando seu rosto para mais perto, descendo seus olhos para a boca centímetros da sua. – Conseguimos chegar ao seu quarto, por que ainda não me beijou?


– Estou esperando que você mesmo faça isso. – Sussurrou, embriagado pelo álcool em suas veias e do perfume gostoso que Taehyung tinha.


As bocas quase criaram vida própria para gritarem uma pela outra na necessidade de união. Taehyung enfim cedeu à tentação e colou seus lábios nas de Hoseok, que abriu sua boca para receber a língua, que tanto viu brincar sobre os lábios do castanho, e para a sua ser aceita também por ele. O ósculo era lento, exploradores atenciosos. Hoseok puxou o corpo alheio para se juntar ao seu, o braço rodeou a cintura aparentemente fina uma segunda vez naquela noite, enquanto sua outra mão segurava cuidadosamente o lado do rosto de Taehyung. O beijo casto já havia se transformado em selvagem quando ambos sentiram o volume se formando por baixo de suas calças.

Hoseok desceu sua boca para o pescoço que tanto havia lhe chamado a atenção, sentindo com seus lábios a maciez que a pele amorenada possuía. Beijos arrepiavam os pelinhos de Taehyung, a língua morna lambia a região a prepará-la para uma mordida leve sendo seguida por um sugar que arrancava suspiros semelhantes a um gemido. O sobretudo caia de seu corpo com a ajuda das mãos de Hoseok, que tanto estavam na procura de tirar aquela peça, acabando por revelar um jovem esguio que vestia uma camisa preta por baixo. Taehyung também queria despir o Jung, ver o que guardava sob as roupas elegantes. O moreno voltou seus braços para trás, facilitando para que o Kim pudesse retirar seu paletó, deixando-o no chão igual o sobretudo.

Ardentes eram os olhos que se encaravam enquanto mãos eram rápidas a desabotoar a blusa branca de Hoseok, que ao ser retirada foi logo acompanhada da camisa de Taehyung. O fogo que emanava de cada um fez com que o quarto virasse o próprio inferno.

Sem desviar o olhar do outro a brilhar em pura volúpia, Taehyung através de suas mãos de dedos largos e finos sentiu cada parte do peito que subia e descia em uma velocidade média, escorregaram para o abdômen levemente malhado do homem à sua frente até estacionar no cós de sua calça. Os dedos eram ágeis a retirar o cinto, o baque do mesmo a cair no chão ao ser jogado para longe ecoou e o botão da calça quase foi arrancado para que o zíper pudesse deslizar e revelar ainda mais o volume coberto pela box preta. Deduziu que a cor fosse a preferida do moreno.

Hoseok passava seu indicador pelo braço de Taehyung, gostando da textura que sua pele continha. Seus desejos só aumentavam pela forma que as mãos alheias pegavam fogo, deixando rastros de brasas por onde passavam. Um selar em sua boca pelos lábios macios do Kim quebrou o olhar que tanto estavam segurando. Os beijos breves desceram de sua boca, pescoço e parecia querer ir mais além quando o Jung viu o corpo abaixar-se diante de si, sentindo que os lábios tocavam seu peito e cessaram ao chegar em sua barriga. Sua calça já estava em seus pés e a peça íntima ia se resvalando por suas coxas torneadas até que parasse sobre o outro item já caído.

Um gemido rouco escapou de sua garganta quando teve seu pênis abrigado pela boca agradável de Taehyung. A destra agarrou os fios sedosos e o apertou brevemente quando sua glande foi sugada com vigor, sua cabeça pendeu para trás e seus olhos se fecharam em legítimo prazer. A língua branda era morna e deveras curiosa, lambia toda a extensão cheia de energia, fazendo uma trilha de saliva que escorria para os testículos. E quando estes eram chupados, Hoseok ofegava o dobro e gemia arrastado em deleite. Passaria horas e horas apenas sentindo a boca de Taehyung no seu membro, gozaria se apenas quisesse aquilo, contudo seus planos eram outros. Afastou o rosto do castanho da sua virilha, que o mirou sem entender. As feições eram de extremo pecado, os olhos quase inocentes a lhe fitar de baixo e da boca melada entreaberta somente cresceu a vontade de fazer muitas coisas com aquele jovem, que talvez não desse para fazer em apenas uma noite.

Taehyung ergueu-se do chão sugando os próprios lábios para tirar o excesso da saliva. A mão de Hoseok segurou-lhe a nuca e o levou para um ósculo afoito, onde mal percebeu que a outra trabalhava em arrancar sua calça e cueca. Seu corpo ferveu cada vez mais quando o peito do Jung colou-se ao seu e as mãos corriam por suas costas. Os passos que o moreno deu para frente, o fazendo andar para trás, quase o fez despencar por tropeçar nas suas roupas caídas em seus pés. O gelo da parede branca contra o seu corpo ardente lhe arrancou um suspiro surpreso, que se misturou com os outros que saiam em forma de gemidos ao ter seu pescoço sendo devorado e mãos a lhe apertar a carne pelo Jung.

Uma breve distância dos dois para que Hoseok virasse o corpo alheio, encostando o tronco do Kim na sua parede. Surreal era o nome certo para a visão que teve do corpo esbelto bem a sua frente. As costas de ombros caídos, do quadril avantajado de nádegas arredondadas e das coxas grossas que dava uma perfeita combinação de suas canelas gordinhas e proporcionais.

Imaginava que havia ganhado na loteria por encontrar alguém com um corpo que era o seu tipo ideal.


– Não fique só olhando, Hoseok... – O maldito sorriso lascivo e da forma que seu nome soou sexy na voz rouca, que só ajudava no ato, o fez se sentir um homem forte por ter segurado sua líbido.


Malandro foi o sorriso que Hoseok lhe direcionou também, dando alguns passos para se aproximar da cômoda, procurando em sua gaveta um vidro de lubrificante no meio dos utensílios eróticos que guardava não tão secretamente. Aquilo era uma das coisas que queria fazer com aquele desconhecido, mas no momento gostaria de conhecer o corpo alheio, mesmo que não houvesse outra chance de tê-lo.


– Te incomoda eu não prepará-lo?


– Nenhum pouco.


Aquela resposta junta daquele sorriso safado, Hoseok realmente viu em suas mãos uma fortuna da luxúria.

Os olhos de Taehyung eram atentos a cada passo de Hoseok. O líquido viscoso era despejado no pênis ereto do Jung, que espelhou cuidadosamente por toda a extensão, masturbando-se brevemente. Um arrepio subiu por sua espinha enquanto borboletas batiam asas dentro de sua barriga, ansioso para o sentir dentro de si. Virou sua cabeça para a parede quando o moreno se aproximou, arrepiou todo o pelo de seu corpo causado com o choque térmico do frio do lubrificante a tocar na sua pele quente. Sentia este escorrer por entre as nádegas bem arrebitadas propositalmente, engoliu a saliva que se formava em sua boca quando os dedos de Hoseok ousaram tocar seu ânus e ameaçar a entrar. O calor que o Jung transmitia fez Taehyung perceber que o corpo alheio estava próximo do seu. A mão segurou forte a banda direita da sua bunda, afastando da outra, e notou o membro alheio se posicionar na sua entrada.

O desejo que Hoseok tinha de enfiar com tudo seu pênis não passou em nenhum momento, contudo queria que a noite fosse boa para o outro também. Sua glande se espremia a cada centímetro que ia entrando, era delicioso o aperto em seu membro. A forma que estava sendo sugado pelo orifício anal, que já tinha sua glande engolida, conseguia ser uma das melhores partes para si no sexo. Vez ou outra um gemido sofrido saia de Taehyung, só que o mesmo não queria que parasse. Hoseok revirou os olhos quando seu pênis estava todo dentro do Kim, soltando um gemido prazeroso por ter seu membro acolhido. Era quente o interior de Taehyung e o sentia pulsar por toda parte.

Exploratórias eram as mãos de Hoseok pelas costas de Taehyung, que foram por cima do quadril e subiram em uma espécie de massagem pela coluna até a altura do peito. Elas deslizaram para as laterais do corpo, descendo lentamente para sentir cada curva saliente que o castanho possui. Suas palmas pararam em cada lado do quadril colado a sua pele, segurando firme. Afastou sua pélvis, retirando quase por completo o pênis dentro de Taehyung. Um gemido rouco e audível escapou da garganta do castanho quando Hoseok o estocou forte, começando uma série de investidas que estava tirando seu fôlego. O som das carnes se chocando ecoavam pelo quarto iluminado o bastante para que Hoseok pudesse ver seu quadril bater contra a bunda do Kim, do mesmo jeito que os gemidos misturavam-se nesses ruídos e formavam um só.

O corpo se desencostou da parede que já tinha se igualado a temperatura do mesmo, e Taehyung teve sua nuca beijada e mordida pela boca do homem que não parava de entrar e sair de si. Arrepios eram constantes ao ter as mãos correndo por seu corpo, o apertando em um abraço por trás. O suor já formado no peito colado nas suas costas era uma sensação gostosa, queria que sua pele se banhasse no seu e no do Jung até o fim da noite. Suas pernas estavam cansadas e trêmulas pelo prazer que lhe deixava fraco. Retirou-se de Hoseok, virando para o mesmo e capturando os lábios que chegava a fazer falta pros seus.

Hoseok foi empurrado pelo outro, que o fez sentar-se na poltrona afastada da cama. Talvez o castanho não quisesse ir para lá tão cedo. A figura do corpo bem feito de pé a sua frente deixou seu apetite ainda mais intenso, principalmente quando este rastejou-se para cima de si. De joelhos com cada perna para o lado de Hoseok, Taehyung situou o membro abaixo para sua entrada. Jung segurou os lados do quadril, ajudando-o a sentar sobre seu pênis. A sensualidade dos movimentos com a bunda sobre seu membro lhe dava ondas de prazer, arrepiava-se por completo a simples lentidão desses.

A carne da bunda foi agarrada pela palma quente de Hoseok, que apertava ao deliciar-se com tamanha satisfação. A outra mão passava pela coxa farta e as unhas alheias arranhavam levemente ali. As bocas se juntaram, mas foram separadas pelo gemido que Taehyung soltou quando a mão do Jung subiu e agarrou seu membro, iniciando uma masturbação que arrancava mais e mais lamúrias do castanho. As penas dobradas se impulsionaram para cima e um sobe e desce começou lento, ficando mais intenso com a ajuda da mão de Hoseok abaixo de sua bunda, o dando forças para que a dinâmica ficasse bem mais divertida.

Taehyung apoiava-se nos ombros de Hoseok e este apreciava as feições em deleite do mesmo. Novamente aqueles olhos fechados, desta vez não era por medo como no bar, Taehyung sentia-se muito bem a cavalgar em Hoseok. A boca aberta saia os sons agradáveis de gemidos arrastados e breves, uma melodia ainda mais aprazente do que o canto normal. O suor escorria pelas costas de Taehyung, o peito de Hoseok encontrava-se um rio. As testas molhadas pelo líquido que derramava pelas têmporas e continuava a descer pela lateral dos rostos; o suor de Hoseok pingava sobre o próprio peito já encharcado e o de Taehyung escorria pelo pescoço.

O ápice já estava bem perto do seu ponto de chegada, as investidas do sobe e desce do corpo esbelto ia cada vez mais rápidas e bem mais profundas e fortes. A cabeça pendeu para trás e um gemido alto vindo de Hoseok deu a entender que havia gozado, logo sendo acompanhado pelo de Taehyung, que parou os movimentos assim que o líquido branco saiu de seu pênis, melando quem estava abaixo de si. O corpo ficou sem forças e despencou sobre o outro que se encontrava no mesmo estado.

As respirações descompassadas e o odor de sexo revelavam um fim de uma noite bem produtiva. Hoseok se perguntava de o porquê estar tão cansado até para falar, já que não havia feito tanto esforço e muito menos praticado ao seu modo. Um riso fraco quebrou o silêncio, o tronco de Taehyung se ergueu e o sorriso malandro estava sua boca novamente.


– O que foi? – Hoseok conseguiu perguntar, querendo saber o que era tão engraçado para o outro.


– Você realmente não tem noção do perigo... – Balançou a cabeça negando de um jeito brincalhão. – Por acaso ficaria surpreso se eu dissesse que tenho AIDS?

Hoseok riu, tampouco preocupado.


– Na verdade o louco é você por aceitar transar sem camisinha, talvez quem tenha AIDS sou eu e agora você tem também. – Brincou, sorrindo do mesmo modo.


– Oh, Deus! – Fingiu surpresa. – Você tem?


– Não. Você?


– Graças a Deus que não.


Os dois riram em uníssono e suas vozes misturaram-se em mais noites seguidas que tiveram. Felizmente aquela não foi a primeira noite que uniram seus corpos e trocaram conversas, um laço se formou após mais encontros no bar e uma amizade um tanto exótica se criou. Taehyung aprendeu que sempre que quisesse ver Hoseok, poderia ir no mesmo bar que se apresentou em qualquer dia da noite fria que o acharia por lá. Nunca soube porque um homem bem-sucedido vivia bebendo, e este apenas ria e tomava outro gole no seu amado whisky quando o Kim perguntava. Hoseok nunca quis revelar seus segredos, porém adorava saber as de Taehyung.

Noite após noite cheias de prazeres, descontando as frustrações do dia a dia e algumas vezes para comemorar notícias boas também. Taehyung não conseguia saber muita coisa de Hoseok, mas havia descoberto um lado sádico daquele homem tão tranquilo e simpático. Já o Jung tinha conhecimento de quase tudo sobre si, não conseguia dizer não para as perguntas feitas por ele e passou a gostar de contar todas as novidades que aconteciam consigo.

Hoseok adorava escutar Taehyung falar e não havia escondido este fato para o mesmo, que pareceu se acomodar melhor na sua presença. Aquela figura de personalidade única, beleza rara, de um toque enlouquecedor e voz apaixonante havia se tornado secretamente o motivo de sua ida para o bar. Aquele lugar era o ponto de encontro dos dois, fora dele apenas a casa de Hoseok era a parada final depois de uma transa repleta de novidades com as brincadeiras feitas pelo próprio dono.

De mãos nos bolsos da calça, o homem com irresistível cabelo preto em um firme penteado para trás, trajando sua tão apresentável roupa formal sem gravata, com alguns botões da blusa social preta abertas, passou pela porta do bar como de costume, sempre no mesmo horário. Seus passos sem pressa para o assento, onde o barman já sabia que era seu, foi parando aos poucos a avistar uma outra pessoa sentada na banqueta a qual praticamente era reservada para si. Porém não era uma pessoa qualquer, conhecia aqueles cabelos e poderia até mesmo sentir o cheiro deles. Ao parar por trás de quem estava em seu lugar, esperou este se virar, lhe lançando um sorriso sincero e empolgado.


– Por acaso meu relógio se atrasou? – Perguntou, não deixando de ficar curioso por ver Taehyung chegar mais cedo que si. Sempre foi ele a esperar pelo Kim, não o contrário.


– Não. Queria te fazer uma surpresa. – Suspirou alegre.


Hoseok ao ver toda aquela euforia contida antes não vista por si, estranhou. A sensação de que a noite seria diferente das outras se tornou cada vez maior. Sentou-se ao lado, já que Taehyung não parecia querer dar o lugar, sentindo-se um pouco esquisito. O barman chegou com o copo e a bebida ao qual já sabia que era pra ser servida, enchendo o recipiente até a medida que sempre foi ordenado para o primeiro copo.

Os olhos de Hoseok refletiram a taça na mão de Taehyung, o champanhe Veuve Clicquot recomendado por si para o outro na primeira noite que se conheceram estava ali novamente. A taça estava cheia e Taehyung parecia estar esperando sua presença para comemorar algo, se é que estava certo. O sorriso do castanho aparentava orgulhoso do próprio, os olhos brilhavam em pura exaltação em sua direção. Ansioso era a palavra certa. Hoseok levou o copo até a boca, mas foi impedido de tomar pela mão a segurar seu braço.


– Espera, quero primeiro te contar algo para brindarmos. – Disse.


– Sou todo ouvidos. – Sorriu.


– Hoje me apresentei em um shopping, por sorte havia um olheiro por perto e me viu.


– Oh! Que bom. – Surpreendeu-se. – O que ele disse?


– Ele falou que tenho talento com o canto e para compor.


– Posso dizer que isso não é nenhuma novidade para mim, e me admira ele não ter dito que é bonito também. – O jeito safado que sorriu para o Kim arrancou risos do mesmo. – Então... O que aconteceu depois?


– Conversamos bastante e ele me contou sobre um contrato de 3 anos de uma empresa internacional para seguir carreira por lá. E eu aceitei! – Revelou, bastante animado. – Amanhã ele irá me levar a uma filial daqui e me mostrará o contrato para assinar. Estou tão feliz!


O sorriso de Hoseok havia sumido aos poucos, nem Taehyung percebeu o quão abalado o moreno ficou com a notícia. 3 anos parecia longo demais para poder vê-lo de novo, se é que depois ele iria voltar.


– Hoseok, estou prestes a conseguir realizar um grande sonho. Não imagina o tanto da felicidade que estou sentindo, acho que vou explodir.


– Também estou contente por você. – O sorriso que forçou em seus lábios pareceu convencer a si mesmo de que estava tudo bem, mas no fundo seu âmago dizia que não. – Bom! O que estamos esperando para brindarmos?


Os vidros no ar se chocaram em comemoração àquela grande novidade. A pressa que Hoseok tinha para saudar era apenas para sentir o álcool descer ardente por sua garganta, acabando com sua sede inexplicável. Beberia muitas como todas as noites, seu corpo já havia se acostumado e ficado bem resistente ao ponto de não demonstrar estar bêbado. Ficou verdadeiramente feliz por Taehyung está finalmente construindo seu sonho em um ambiente com excelentes vantagens, que dão bastante atenção para solistas. Desejava o maior e melhor sucesso de Taehyung, que consiga ser amado por todos que ouvirem sua voz e sua música, assim como o mesmo encantou a si.

O sexo naquela noite havia sido intenso, sem brincadeiras, apenas o prazer que ambos poderiam dar com as próprias atitudes na grande cama foi o suficiente para satisfazer. A despedida mais bem-feita e deliciosa que os dois quiseram oferecer para cada, terminou bem mais tarde do que as noites anteriores. O cansaço depois do esforço e deleite recebido, Taehyung foi o primeiro que adormeceu deitado de bruços. O branco lençol fino de seda cobria somente a traseira volumosa de Taehyung, enquanto suas costas estavam descobertas, mostrando os leves arranhões avermelhados ali.

Sentado no outro lado da cama com os cotovelos apoiados nos joelhos dobrados, Hoseok observava o sono profundo do homem deitado ao seu lado. Os cabelos castanhos assanhados cobriam pouco o rosto belo e sereno, permitindo que o Jung admirasse mais uma última vez aquela face desenhada por deuses. A falta de seu sono era exatamente para não poder perder um minuto da presença do Kim, pois não iria vê-lo mais depois de hoje.

Desviou seu olhar covardemente da figura ao lado, seus dedos pentearam os cabelos negros arrepiados para trás e levantou-se da cama sem nenhum movimento brusco para não acordar o outro. Vestia somente a cueca preta e não se importava com o frio, seus pés descalços seguiram caminho até a cômoda que portava garrafas de vários whiskies e logo ao lado o conjunto de copos para a bebida. Já fazia bastante tempo que não tocava no seu minibar. Com o copo cheio, sentou-se em sua poltrona virada para a cama, voltando a olhar para o corpo adormecido.

O gole que tomou não foi o suficiente para amenizar aquela angústia dentro de si. Seus pensamentos estavam nas várias noites a explorar cada pedacinho do corpo de Taehyung, de saber cada detalhe de seus gostos, suas habilidades e até mesmo os defeitos. Hoseok sabia de tudo isso, havia estudado sem ao menos perceber o jeitinho do outro. Tudo isso sem nem precisar ficar com Taehyung 24 horas, apenas 7 horas de cada noite foi o suficiente para conhecê-lo. Por isso que por algum motivo doía em sua alma pensar que não o teria mais por perto, que Taehyung iria embora e que tinha grandes chances dele não voltar. E caso voltar, não lembrar-se de si.

Novamente passou a mão pelos fios pretos de seu cabelo, chegando a puxá-los levemente, descontando uma frustração incompreensível que passou a sentir. Mais uma vez tirou sua atenção de Taehyung e ergueu a cabeça, seus olhos fitavam o teto acima de si. A única luz que vinha do lado de fora da janela não chegava a iluminar muito o quarto, apenas a cama onde o Kim estava. Hoseok havia se enfiado na escuridão a qual escondia a feição entristecida do mesmo, assim como todo o resto de si.

Os olhos de íris negras se fecharam, aprofundando-se na tristeza que o deixava confuso por estar sentindo-a. Seus dedos ficaram em um tom embranquecidos ao apertarem o copo que segurava, os ossos de sua garganta subiram e desceram com certa dificuldade parecendo estar entalado com a saliva que se formou em sua boca. Não entendia a vontade de chorar, não conseguia compreender o porquê de se importar com alguém que havia passado pouco tempo em sua vida e principalmente por estar indo embora. Os olhos se abriram revelando as lágrimas seguradas para que não caíssem, seus cílios encharcados pesavam e sem que percebesse uma lágrima teimosa escorreu de seu olho esquerdo.

Riu de si mesmo, limpando a gota que escorria em sua bochecha. Não queria se render a esse sofrimento confuso de perda, não queria ser fraco sem motivos maiores. Levou o copo para a boca e permitiu que o álcool destruísse os sentimentos que queiram fluir de si, enquanto chorava internamente e mantinha em segredo tudo que estava sentindo.


••°••


O céu estava limpo, a primavera já havia chegado e as nuvens carregadas foram embora, revelando a dança de brilho das estrelas e da lua no céu. O conhecido bar não mudava seu tom escuro e calmo, assim como a clientela ser quase sempre a mesma. A voz da noite era masculina. O elegante homem de cabelos loiros bem tratados em um penteado de lado, sua figura pequena com vestimenta social e voz aguda era o contratado da noite. As batidas variavam e o jazz não era necessariamente em algumas músicas, mas o estilo obrigatoriamente era lento para que o clima do ambiente não mudasse.

A cena se repetia como sempre do homem sentado na banqueta em frente ao balcão. Trajava algo menos formal, tendo apenas o colete preto sobre a blusa social da mesma cor, a calça e os sapatos, jamais perdendo sua graciosidade. Os dedos a bater seguindo o ritmo da música sobre a madeira, do copo de whisky quase vazio e do silêncio que andava consigo era observado pelos olhos do barman, que secava algumas taças com o pano. Hoseok continuava a frequentar o bar mesmo depois de Taehyung ter ido embora, apesar do mesmo nunca ter sempre sido o verdadeiro motivo do Jung visitar aquele lugar.

Esvaziou o copo ao beber o resto do líquido, então a voz parou de cantar e uma nova música começou. Os pensamentos vazios foram preenchidos pelo toque conhecido, seu coração palpitou forte e um riso saiu de sua boca. Realmente Taehyung havia conseguido ser reconhecido por seu talento, suas músicas tocavam por toda a Coréia, mas nunca tinha escutado aquela em uma rádio. Não imaginaria que ela seria tocada justamente naquele bar, assim como a primeira vez cantada pelo próprio Kim, que agora estava na voz de uma outra pessoa.

Seu copo estava cheio novamente, sua boca era preenchida pelo líquido alcoólico que descia posteriormente pela garganta. A face do homem de cabelos castanhos não saia de sua mente, o sorriso de formato peculiar e encantador sempre foi difícil de arrancar dos seus pensamentos. A música que tocava fazia seu inconsciente substituir a voz atual pela a de Taehyung. Aparentava ser impossível, mas o moreno conseguia escutar perfeitamente o Kim a cantar, assim como a imaginar o mesmo naquele pequeno palco como na primeira vez.

Jung já tinha conhecimento agora que jamais esqueceria do corpo esbelto e sensual de Taehyung e principalmente da voz doce e melodiosa em seus vários tons e jeitos. Ele havia percebido bem mais tarde que todos aqueles sentimentos egoístas que sentiu com a ida de Taehyung, a qual não conseguia entender, era simplesmente por ter o amado sem querer e perceber. Entretanto, mesmo depois de confessar para si mesmo que estava apaixonado, permaneceu em seu lugar a guardar mais um segredo a qual nunca revelaria para alguém; nem mesmo para Taehyung, se um dia encontrá-lo de novo.


Por que você fez isso comigo? – Acompanhou aquela parte da música.


"Me desculpe"


– Está desculpado.


Riu, achando ridículo e ao mesmo tempo divertido conversar indiretamente com o Kim através de uma canção, mas só assim poderia alimentar o sentimento. Talvez se culpasse mais uma vez secretamente por ter afastado um amor recém descoberto, pois não imaginaria que ajudar na carreira de Taehyung fosse carregar o mesmo para tão longe de si, tampouco acharia que sofreria por isso.

E de mais um gole do whisky, deixou-se levar pela música a qual seus dedos repetiam as batidas da melodia sem se cansar.



14 de Agosto de 2021 às 23:10 0 Denunciar Insira Seguir história
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