samara-fritzen Samara Fritzen

Annica precisa desesperadamente lembrar de seu passado, mas enquanto isso, ela precisará lidar com uma missão que poderá causar sua ruina, ela irá sobreviver ao Conclave?


Fantasia Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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Meu nome é Annica, pelo menos é o que me disseram quando acordei...


Não sei quem eu sou, onde estou, ou quem eu era antes de acordar, nada, absolutamente nada.

O quarto a minha volta é elegante e rustico, uma parede inteira com livros a minha frente, com um buraco no centro onde uma escrivaninha está perfeitamente encaixada. Luminárias acesas iluminam dos cantos do quarto, e a janela indica a noite afora.

Eu toco meu próprio corpo por instinto, mas nada parece errado, sem dores de cabeça, sem machucados. Pego um espelho pequeno que está na cômoda ao meu lado e tento ver os pontos que não enxergo. Nada.

Então por que não lembro de nada?

Antes que eu pudesse levantar, uma mulher entra pelo quarto, ela parece preocupada, e me olha aliviada.

- Annica, finalmente. Como se sente?

Ela é alta, magra, o cabelo castanho claro, pele extremamente pálida e rosto indiferente, velha, mas surpreendentemente sem marcas de expressão... mas seus olhos, são seus olhos que me chamam atenção. Amarelos como o mais brilhante sol, sábios e afiados, como se pudesse ferir apenas com um olhar.

- Quem... Quem é você? - Só então percebo um homem atrás dela, com armaduras por todo o corpo, quase não vejo seu rosto pela noite. Ele não é tão alto quanto a mulher, e parece entediado.

- Como assim, Annica? - A mulher tem um sorriso divertido no rosto, como se eu tivesse dito algo engraçado. Mas vendo minha confusão, ela fica séria, rígida, o que imediatamente me faz encolher.

Ela sai sem dizer mais uma palavra sequer. O homem continua ali, parado a porta, de guarda.

Só então, me levantando e olhando o quarto eu percebo a linda espada embainhada na cabeceira da minha cama, algo em meu interior me chamava para ela. Sua lâmina brilhante e reluzente.

Antes que pudesse experimentar seu peso, a mulher entra no quarto de novo, dessa vez com um livro.

Ela meche na penteadeira, até retirar de lá uma tiara. Uma tiara com uma pedra no centro, laranjada como meu cabelo e o brilho da minha pele.

- Isso vai ajudar você a se lembrar. É mais complicado que isso na verdade. - Ela pausa um momento, e olha nos meus olhos enquanto senta na escrivaninha - Se algo do que viver a partir de agora for semelhante ao seu passado, então se lembrará desse pedaço semelhante. Mas precisará usar isso se quiser ter essa possibilidade.

Ela abre o livro, cuja capa, eu vejo, é negra com duas luas minguantes azul fluorescentes, cheio de detalhes adornando- as.

A mulher cita palavras que sinto não ser a primeira vez que as escuto, e aquela pedra laranjada na tiara brilha, antes de voltar ao normal. A mulher caminha até mim, e com extremo cuidado prende o diadema no contorno da minha testa, logo depois de me passar o espelho. Por algum motivo me sinto mais completa.


E olhando para ela novamente, lampejos de memória me percorrem a cabeça, e eu finalmente reconheço minha mãe.

*


Não demorou muito para que eu percebesse que sou uma princesa, ou algo desse tipo. Todo o luxo, tanto na casa como na aparência, não eram de fato "comuns", e demorou umas horas para entender que todos me serviam não apenas porque eu era a coitada sem memória. Mas minhas expectativas só foram mesmo confirmadas quando recebi uma reverência de um soldado.

Meu pai aparentemente, um líder nato, o rei, e minha mãe, uma das maiores estudiosas da história. Eu tinha quase certeza que parte dos livros no meu quarto são de responsabilidade dela, e alguns até mesmo levam meu sobrenome na capa.

Minha mãe passou o resto dos dias seguintes testando minha memória, saber o que eu ainda me lembrava. Fizemos testes físicos e de inteligência também. Aparentemente ainda sou fortemente habilidosa com uma espada e um arco e flecha, apenas enferrujada pelo tempo que passei dormindo, já que criaturas como eu não dormem.

Aquela espada, descobri também, ser uma das minhas maiores relíquias, apesar de ninguém me dizer de onde ela veio ou como eu tenho ela, e acreditem, nem mesmo minhas pesquisas sobre tais espadas foi de grande ajuda. Mas percebi que ela contém um veneno quase mortal em sua lâmina, que causa dor e agonia, e um efeito de meu desejo, como lentidão e cansaço. Admito quase ter ficado com pena do guarda que acabei golpeando para descobrir isso...


Depois de mais testes de leitura e conhecimento, minha mãe começou uma parte... nova.

Magia.

Não entendia seus conceitos no começo, mas tudo me fascinava, e não demorou para que ela viesse diariamente me ensinar mais coisas, até que eu as fizesse com extrema excelência.

Quase não saia da mansão, ou sequer de meu próprio aposento, dias e dias lendo e praticando magias, acertando alvos a distâncias inimagináveis da minha própria e enorme janela.

Tentei perguntar algumas vezes sobre como perdi a memória, mas eram tantas respostas diferentes que eu ficava confusa, e com o tempo desisti de questionar, sabendo que não receberia muitas informações de qualquer forma. Sendo assim, passava dias e mais dias lendo e praticando, estudando línguas e raças, cartografias e múltiplos cálculos. Era tanto conhecimento que as vezes me apavora saber que nunca conseguirei saber de tudo... Que tem tanta coisa que jamais saberei, livros que jamais lerei, descobertas que serão feitas após minha morte, estudiosos e heróis que surgirão sem que eu sequer saiba seus nomes...


Mais de duzentos anos vivendo assim. Jamais reclamei por ficar trancada, jamais questionei, gostava dessa calma, meu próprio caos interno me dá as aventuras que preciso viver. Vinte e quatro horas por dia aprendendo mais, quase sem parar.

Mas então... uma noite, quase sem estrelas, os sons de armaduras e espadas sendo empunhadas percorreu os andares abaixo. Quase no mesmo instante, um guarda apareceu a minha porta.

- Venha imediatamente.

Eu ignorei o fato de um guarda me dando uma ordem, e o segui até os aposentos de minha mãe. Ela estava deitada, ferida, uma poça de sangue se formando no chão. Me aproximei devagar, com o mesmo olhar preocupado e rígido que ela me dirigiu uma vez. Antes de falar qualquer coisa, ela me entrega aquele livro com duas luas.

- Tudo que aprendi... na minha vida... está ai. - Sua voz falhando quase me fez dobrar os joelhos, mas eu entendia o que estava acontecendo, e não podia ceder.

Um olhar para meus olhos, e em seguida, para a pedra em minha testa.

Suas últimas palavras para mim não foram de conforto, ou despedida, mas uma última ordem.

- Se lembre, Annica.


O guarda me guiou por túneis escondidos que eu sequer sabia que existiam, e me arrependi por nunca ter estudado a planta da mansão.

- Vá princesa, pegue isso - Disse o guarda enquanto me acomodava em Arion, meu cavalo.

Ele me entregou uma mochila, simples demais para meu gosto, mas prática e grande, minha espada já presa nela, junto com diversos outros suprimentos que eu sabia que continha em seu interior. Antes que eu pudesse cavalgar para a escuridão da floresta atrás de nós, ele segurou meu pulso, o que só não considerei um insulto devido as circunstâncias.

- Jamais diga seu sobrenome a ninguém. - E então ele sumiu de novo, para dentro do castelo, já tirando sua espada, tão inferior a minha, de seu coldre.


E esse foi o inicio para que meu destino me levasse ao Conclave.









9 de Agosto de 2021 às 21:05 0 Denunciar Insira Seguir história
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Leia o próximo capítulo Sessão 1 - O Conclave

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