verazz IzzA

Paranoias acabam sendo inevitáveis quando se está há muito tempo com alguém, mesmo Levi que sempre se dissera cético em relação a "sinais" e "premonições", se sentia agoniado com a possível mensagem que seu sonho poderia ter manifestado.


Fanfiction Anime/Mangá Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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.Foi só um sonho

Levi entrou no quarto completamente decorado com Action Figures, posters de filmes, duas estantes repletas de livros, mangás e quadrinhos. Não era uma surpresa ver tudo aquilo no quarto do filho, julgando que quem havia comprado metade daquelas coisas havia sido ele próprio ou o marido. Armin estava jogado na cama enquanto falava alegre ao telefone — provavelmente conversando com o namorado, Eren — o garoto se assustou ao ver o responsável na porta de seu quarto, e pela cara do pai provavelmente teriam uma conversa séria... Armin tentava buscar rapidamente em sua memória o quê poderia ter feito de errado agora; disse ao telefone que precisava desligar e logo mandava mensagem, confirmou-se ser Eren quando pode se escutar alguns "Eu te amo" vindo do outro lado da linha, logo sendo respondido com um "Também te amo" pela parte do loiro. Levi se sentou ao lado do jovem que havia se endireitado na cama fofinha e logo começou a falar:

— Armin, precisamos conversar sobre o seu pai — Proferiu calmamente buscando a mão do filho e a colocando junto a sua — Acho que Erwin está me traindo!

O corpo do jovem congelou ao passo que seus olhos se arregalaram completamente, rapidamente colocou sua mão livre junto a do mais velho, soltando sua respiração que acabou prendendo por impulso durante o choque da revelação.

— P-papai... Como Assim? Você viu alguma coisa? Como descobriu? — O garoto falava de forma apressada. — O pai nunca faria algo assim, ele te ama demais não é? Vocês estão à quase 10 anos juntos...

Os olhos azuis brilhavam em um sinal claro que ali haviam lágrimas; seus pais eram o maior exemplo de amor vivo para ele, desde pequeno admirava os dois e principalmente como lutaram para ficarem juntos diante de tanto preconceito ao terem adotado o pequeno Armin. Para ele o casamento dos dois era como uma história de amor que sonhava em ter quando menor ao ler os contos de fadas, onde sempre havia um final feliz.

— Seu pai tem andado tão distante, Erwin não é grudento, mas tem passado tempo demais no trabalho. Sei que ele tem dado aulas no período noturno, mas isso me soa tão estranho — Armin concordou, aquilo era verdade e chegava a ser estranho ver um professor de história chegar quase às dez da noite em casa — E também, eu sonhei!

O adolescente olhou confuso para o mais velho, toda raiva que havia começado a sentir da situação se dissipou rapidamente.

— Eu sonhei que ele estava me traindo, com uma mulher! Uma mulher Min, você consegue acreditar nisso? — A surpresa ficou ainda mais evidente no rosto juvenil, abriu a boca para perguntar o porquê daquilo mas imediatamente foi interrompido. — Aquele merdinha, foi tudo tão real, eu conseguia ver nitidamente os dois na nossa cama NO NOSSO QUARTO, e quando perguntava o motivo ele apenas negava e dizia que não estava acontecendo nada, NADA!

O garoto se assustou com a raiva repentina vindo do outro, mas logo tratou de acalmá-lo.

— Sei que o papai tem chegado tarde e isso me incomoda também, mas você não pode simplesmente ir confrontá-lo só porquê sonhou que ele estava o traindo! — Levi direcionou um olhar mortal para o pequeno, que parecia significar algo como "Você tá defendendo ele?". Armin logo tratou de se explicar perante uma situação perigosa como aquela, não queria deixar a pessoa mais intimidadora daquela família com raiva; principalmente em uma situação tão delicada.

— Não estou dizendo que você está errado em ficar com raiva, mas você está apenas alimentando suas paranóias, pai! Em algum momento você teve necessidade de desconfiar que seu casamento estava em risco? O papai todo santo dia fala que te ama e nem pense em negar porquê é verdade, mesmo que a forma dele falar isso seja preparar o seu chá preferido ou só não te acordar às seis da manhã — Esperou para um novo surto sendo acusado de encobrir algo que nem ao menos sabiam se estava acontecendo ou não, mas não recebeu nada além do silêncio cortante, resolveu então concluir seu raciocínio. — O melhor nessa circunstância é conversar com ele e explicar toda situação. Não quero ver vocês brigarem, isso acaba comigo, tudo bem?

Levi se acalmou brevemente perante as palavras proferidas. Armin era inteligente assim como Erwin e diferente de si, gostava de resolver tudo na conversa e sempre era o mediador de conflitos naquela casa. Ainda estava bravo com Erwin (mesmo que ao que tudo indicava, sem motivo para tal), mas não conseguiria ficar estressado com sua criança, apenas o puxou para um abraço forte.

— Tudo bem querido, desculpa gritar, prometo que vou pensar em tudo isso — Fez um carinho nos cabelos louros e longos que levavam o mesmo cheiro de quando Armin tinha apenas quatro aninhos, se fechasse seus olhos poderia visualizar a criança pequeninha e com dois enormes olhos azuis.

— Juro que se isso for verdade eu mesmo castro o papai e faço ele se ajoelhar na sua frente e se desculpar por tudo! — Levi riu divertido com a fala do jovem e tratou de concordar.

Já passavam das seis da tarde, Erwin havia chegado em casa mais cedo, logo acabou estranhando o silêncio do marido. Levi era uma pessoa completamente na dele, mas a casa estava quieta demais e para piorar não havia recebido ao menos um beijo de boas-vindas. O seu "boa noite" havia sido respondido apenas por um múrmuro e Levi nem havia direcionado o olhar a si. Naquela situação, a melhor forma de descobrir o que havia acontecido, era conversar com o sábio ancião ancestral, Armin Smith Ackerman.

O garoto estava jogando videogame enquanto comia salgadinhos e parecia bastante concentrado com seu headphone, as orelhas de gatinho implantada nos fones pareciam brilhar no semi breu. Pensou em não atrapalhar e conversar com ele apenas amanhã, mas julgou que talvez fosse tarde demais para tal. Entrou no quarto que estava iluminado apenas pela luz da televisão, que parecia maior do que já era, fechou a porta atrás e se direcionou ao abajur na cômoda ao lado da cama, ao acender a luz, Armin pausou o jogo e se virou retirando o objeto de seus ouvidos.

— Desculpe interromper, mas acho que precisamos conversar — Se sentou no chão ao lado do filho, que apenas concordou com a cabeça. Na realidade, Armin já imaginava que isso fosse acontecer de qualquer forma.

— Você sabe o motivo do seu pai está tão puto comigo? Nem boa noite ele me deu.

— Ah, ele tá puto porquê acha que 'cê tá traindo ele! — Havia sido direto demais? Talvez. Mas de nada adiantaria enrolar, se havia alguém que arrumaria aquilo tudo esse alguém era Erwin (bom, Armin estava colocando todas as suas expectativas nele pelo menos)! — Ele sonhou que você 'tava com uma mulher, segundo ele no quarto de vocês, e juntando as paranóias dele com o fato de quê você não para em casa direito a quase 2 semanas...

Erwin olhou incrédulo para o loiro mais novo, balbuciou incoerente sem saber o que responder, procurando as palavras certas para aquele momento. Armin, apenas olhava a situação de descrença do outro com um sorriso inocente no rosto.

— E-Ele te disse isso? — Não sabia como responder, estava completamente chocado com toda a situação, como Levi poderia pensar aquilo? — Min, você sabe que eu nunca faria isso né? Não me diz que você acreditou nisso tudo?!

— Relaxa... tá tudo bem, pelo menos comigo. Senta aí, você não precisa conversar com o papai agora — Levantou do chão e foi em direção a um pequeno armário abaixo da televisão, tirando de lá um controle extra. — Toma, joga um pouco comigo, depois você vai lá tirar todas aquelas doideiras da cabeça do senhor Levi Ackerman — falou rindo e entregando o controle ao mais velho, que aceitou de bom grado.

— Você tem certeza que tá tudo bem mesmo? Você sabe que se ele tiver contado alguma coisa, mínima que seja, ao seu avô eu estou morto, né?! — Erwin respondeu apreensivo enquanto se ajeitava no chão duro.

— Tenho certeza que ele não contou nada 'pro vovô Uri, muito menos 'pro vô Kenny. Ele não iria falar nada até estar com o divórcio assinado, daí só depois disso que talvez você estaria morto! — Armin falava com uma calma estressante, enquanto desconectava seus fones e adicionava um novo jogador ao console.

— Isso é bem reconfortante... — O mais velho riu nervoso. Resolveu que não adiantaria pensar nesse assunto agora, o melhor seria aproveitar o momento.

Levi assustou-se com o barulho inesperado atrás de si, olhou apressadamente para a entrada da cozinha e relaxou ao ver ser apenas Erwin. Logo tratou de colocar uma cara feia em seu rosto, precisava mostrar que não havia se abalado.

— Ele já está dormindo? — Perguntou recuperando seu smartphone que havia sido deixado em cima do balcão durante o susto, ligou a tela vendo que já passava das dez da noite.

— Sim, jogamos um pouco e depois que ele perdeu quatro vezes seguidas acabamos por assistir aqueles animes dele, está morto lá no quarto — Riu se encostando no mármore polido da bancada — Ele me contou o quê aconteceu, suponho que deviamos conversar...

Levi suspirou, sabia que Armin iria acabar contando ao outro, na intenção de evitar qualquer gritaria desnecessária. Só não sabia se estava preparado para demonstrar suas inseguranças tão abertamente no momento.

— Você sabe que poderia ter conversado comigo, certo?! E tenho certeza que também sabe que tudo isso não faz sentido — Olhou para o moreno que tentava a todo custo não mostrar interesse naquele diálogo. Erwin tinha um semblante sério e sua voz soava ameaçadora; sabia que o marido odiava aquilo, porém, naquele momento era algo necessário. — Min disse que você falou que íamos conversar, quando pretendia ter essa "conversa", Levi?

— Não sei... Talvez nunca? Não iria fazer diferença de qualquer forma, foi apenas um sonho Erwin, me deixei levar por paranoias idiotas, apenas isso! — Dirigiu seu olhar calmo para o outro. — Só esquece isso okay? Podemos fingir que nada disso aconteceu e seguiremos nossa vida normalmente — Levi levou-se ao encontro do esposo, como uma forma de confirmar aquilo que estava sendo dito.

— Entendo... Mas por favor nunca mais pense isso, sei que se chegou ao ponto de sonhar é porquê tem pensado frequentemente sobre tal assunto. Não quero que acredite que um dia poderia chegar a este nível, apenas confie em mim, meu amor! — Puxou suavemente o menor pela cintura e colou seus lábios em um selar. — Levi Smith Ackerman, eu te amo! A partir do momento em que você carrega o meu nome e eu carrego o seu, irei falar isso até que acredite em cada palavra. Eu te amo! Te conhecer, brigar e casar com você só fez com que uma parte de mim se completasse; ter o nosso filho só foi um bônus, uma extensão de todo nosso amor que pode ser compartilhada naquele pedaço de rolinho de canela.

Abraçou o corpo pequeno, logo sentiu os braços alheio se enroscarem em seu pescoço. Apertou um pouquinho mais o amante, sentindo uma chama quentinha se espalhar por seu peito. Levi fazia o mesmo, nem sempre fora bom em demonstrar afeto, diferente de seu filho e marido, e ficava completamente sem fala quando isso acontecia.

— Eu também... Também te amo Erwin. — Sussurrou próximo ao ouvido do amado, não era preciso nada mais que isso, o loiro sabia que era verdade.

Se separaram brutalmente ao verem um vulto do lado deles, olharam desacreditados para o bolo de cabelos loiros engrenhados, embrulhado em um cobertor salmão, com gatinhos amarelinhos sorridentes espalhados pela estampa.

— Desculpa, não queria atrapalhar eu só 'tô com fome. — Disse o embrulho com a voz embargada de sono, apontando para a geladeira no canto da cozinha.

— Você não comeu de novo antes de dormir, Armin? — Levi disse enquanto se afastava de Erwin para ir até o eletro, abrindo-o e tirando de dentro alguns potes de vidro, onde continham o restante do jantar. O loiro mais novo apenas acenou com a cabeça enquanto coçava de forma desajeitada os olhos.

— Não brigue com ele, poxa. Venha cá querido! — Erwin chamou o jovem enquanto sorria divertido. Armin ajeitou o coberto em seu corpo e foi de encontro ao outro, o abraçando em seguida, colocando sua cabeça apoiada no peito do mais velho. — Eu 'tô com sono, papai.

Levi que havia colocado um prato preparado no microondas, agora olhava a cena com um brilho nos olhos, amava aqueles dois demais e faria de tudo para protegê-los.

5 de Agosto de 2021 às 00:57 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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IzzA Escrevo por pura diversão, mas coloco cada pedacinho de meu ser em todas essas palavras.

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