couvemanteguinha Nana Bebelly

Amar não é fácil, difícil mais ainda é conseguir. Gael, um garoto sem mãe, com pai ausente e uma faca no peito. Raviel, um garoto com mãe e pai que o trata muito bem, e um brilhante sorriso. Única coisa em comum são as empresas. Deste de muito novo Gael teve que amadurecer sozinho, aprender sozinho. Seu pai sempre foi um covarde que não conseguiu superar a morte de sua mulher, era oque ele pensava. Este garoto nunca conseguiu esquecer a cena da morte de sua mãe, deixando com ele um capacete como lembrança. Raviel tinha a vida de conto de fadas, os pais cuidavam e o amavam como a única coisa mais preciosa do mundo, mas o mundo não lhe daria nada de graça. Na sua pré-adolescência, ele descobriu sua doença pulmonar, incurável, rara. Seu mundo desabou. Um garoto com a vida perfeita,outro com a vida amaldiçoada, acabam se apaixonando, tendo que lidar com vários assuntos enquanto enfrentam as circunstâncias sozinhos. Quando Gael acidentalmente descobre sobre quem causou a morte da sua mãe e o envolvido, seus pés perdem a instabilidade. Raviel caminha por um local em que só há escuridão. Com sua saúde despencando, ele estava alcançando seu objetivo. "Eu prefiro morrer do que me parecer com ela...me diz, você me odeia?!" "..." "Você me odeia?! Me responde Gael Layers Magno!"


LGBT+ Impróprio para crianças menores de 13 anos. © Não aceito nenhuma ação sem os devidos créditos. Conversar comigo antes de qualquer ação que envolva esta história.

#drama #romance #lgbt+ #bl
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Inexistente Fadário


2003.

''Mãe?'' Uma voz baixa como uma bela melodia calma é ouvida assim que adentra o closet.

''Ravi?'' A mulher de estrutura média, cabelos naturalmente ruivos, pele clara, olhos cianos com lábios vermelho vivo de cor de um morango amadurecido e doce. Se vira, se deparando com o pequeno garoto de cabelo ruivo e liso, pele clara com um tom bronzeado, junto a lábios pintados de vermelho levemente rosado.

''Onde está os meus remédios de anemia?'' O pequeno garoto leva a mão em frente a boca e tosse.

''Está no seu quarto, não?'' A bela mulher se agacha na frente da escultura belamente desenhada parada em sua frente.

"Eu já procurei por lá, mas não encontrei.'' Ravi solta um suspiro pesado de desânimo, acostumado com o que iria vir a seguir.

''Já perguntou para o seu pai? Ele que arruma o seu quarto quando você está ensaiando no estúdio.'' Maya leva a costa da sua mão na testa de Ravi, a fim de saber o porque o garoto estava tossindo.

''Eu vou lá perguntar...'' Ravi sorri levemente e se vira para encontrar seu pai.

Ravi desce as escadas lentamente, sem ânimo. No último degrau ele pode avistar uma cabeleira escura mexendo em alguns papéis que estariam na mesa de centro.

''Pai, você está ocupado?'' Ravi pergunta enquanto caminha cambaleando levemente para o sofá e se senta.

''Ravi?'' O homem de cabelo negro alisado, moreno e com olhos castanhos vivos que transmitiam uma áurea de cuidado, responsabilidade e paz, disse. ''Pode perguntar ou dizer o que você quiser.''

Ninguém mais e ninguém menos que o pai de Raviel, Noah.

''Você guardou os meus remédios de anemia?'' O desânimo já estava o consumindo junto com a tosse que rompeu seus pensamentos, fazendo logo após soltar um suspiro pesado.

''Está na gaveta do seu criado mudo... você está se sentindo bem?'' O tom de Noah saiu preocupado, como se ele já estivesse prevendo algo ruim.

''Sim, eu já estou indo.'' Ravi se levanta e caminha até o maior, deposita um beijo em sua testa, quando sua cabeça fica mais pesada, o corpo perdendo suas forças e suas mãos segurando com suas últimas forças o braço forte de seu pai.

''Ravi?!'' Noah segura seu filho com os seus braços fortes, pega com cautela no colo e o deita no sofá.

Preocupado e com o desespero roendo todas as suas partes nervosas que doía até os ossos, Noah liga para o médico responsável pelo caso do Ravi.

''Sr. Futher?"A voz pacífica de um homem equilibrado havia caído em um abismo de preocupação.

''Sou eu. Oque está acontecendo?"A voz do outro lado da linha era suave e firme, de um homem que acabará de atingir a sua idade madura.

''O Ravi não parecia bem, ele estava tossindo e também pálido..." A calma estava sendo impossível de ser alcançada na voz de Noah. Aliás, nenhum pai ficaria calmo ao ver seu filho perdendo a consciência na sua frente.

''Entendi. Traga ele no hospital. Estou fazendo plantão, enquanto isso faça o método que lhe ensinei.'' A ligação foi encerrada depois de alguns segundos de silêncio. Neste período, Noah já havia notificado Maya do ocorrido, que veio correndo até onde os dois se encontravam. Maya pegou seus documentos, a chave do carro e disparou para a garagem junto ao seu marido e o filho desacordado. Um tempo depois, rapidamente chegaram ao hospital.

''Dr. Futher?'' A voz desesperada da mãe foi ouvida nos corredores silenciosos do hospital.

"Já preparamos a sala para ele" Um homem negro de aproximadamente 26 anos chega correndo até o garoto com uma maca. "Cuidaremos a partir daqui."

Os olhos aflitos de Noah desabaram em um precipício de medo, o medo de sempre que seu filho entrasse ali uma vez, ele poderia nunca mais voltar. Isso atormentava sua mente, como se ele estivesse vivendo um pesadelo no qual ele nunca quis começar a viver. Maya estava com um olhar abalado, era muito doloroso e complicado lidar com uma doença desconhecida, sem remédios certos e vendo seu filho tão jovem, sofrer com algo que não poderia se comprar com uma fratura óssea.

Depois de 1 hora, Maya foi guiada para tirar sangue, enquanto isso, Noah adentra a sala. Lá estava o seu sorriso, a sua alegria, sua paz, e tudo o que se dedicou deste que o casamento se realizou. Agora, estava em uma maca, pálido, cansado, destruído e muito magoado. O coração de Noah foi esmagado por uma dor indescritível, a vontade de Noah era poder salvar o filho de todo aquele sofrimento, mas cada dia estava mais impossível.

"Ravi, você se sente melhor?" Noah se aproxima dolorosamente da maca e pega sutilmente na mão do filho.

"Um pouco... só as vezes que eu sinto dor como se fossem facadas nos pulmões." Ravi diz em um tom baixo e fraco. Uma voz irreconhecível. "Cadê a mamãe?"

''Você perdeu muito sangue, então ela está tirando sangue para fazer a transferência para você.''

''O doutor conseguiu descobrir o que eu tenho?'' Pela primeira vez Sr. Noah ouviu a voz do filho carregada de dor e decepção, por saber que talvez não teria respostas, assim como todas as vezes que passou pelos médicos.

''Sim. O doutor Andrew descobriu.'' Noah deixou as palavras saírem em um tom baixo, que mostrava confusão entre estar feliz em saber ou ter medo de ser algo extremamente grave.

"É grave?..."

"Ele não nos revel..." A conversa foi interrompida quando a porta foi aberta e logo veio a se ouvir a voz suave, mas grave do médico pedindo licença.

"Estou atrapalhando?'' Pergunta com um leve sorriso no rosto por finalmente poder ajudar esse jovem garoto.

"Não. Dr... meu pai disse que o senhor descobriu o que eu tenho, mas não o revelou.'' Os olhos de Ravi estavam brilhando de esperança e alívio.

"Sim, eu descobri. Ravi, você tem 'Síndrome Hemorrágica de Alveolar Difusa.' "

''É grave?'' Ravi pergunta fraco e vira sua cabeça em direção do médico.

''Temos a hemorragia recorrente e a persistente. A sua é a persistente... a doença consiste mais frequentemente em doenças autoimunes.'' Futher diz de uma forma mais leve, para não abalar os presentes.

"Tem tratamento, doutor?" O coração do Ravi deu um grande pulo de nervosismo enquanto esperava uma resposta que podia o fazer perder as esperanças e uma notícia que poderia alimentar ela.

''Sim. O tratamento das causas autoimunes envolve a supressão do sistema imunológico com corticosteroides e frequentemente ciclofosfamida ou rituximabe'' Futher disse dando um sorriso em seguida, aliviando o peso do pequeno coração de Ravi. ''Ele provavelmente não poderá praticar esportes, iria exigir demais do corpo dele, fazendo com que ele fique sem ar e causem desmaios."

Com as últimas palavras, tudo despencou com uma força que caiu sobre o coração do Ravi, porque dançar era o que mais gostava de fazer, era o que o incentivava a viver mais além do seu pai. Mas de repente a cor que marcou a sua vida, deu um fim à o que mais gostava, foi o vermelho.

A cor do sangue...

A cor do sofrimento...

A cor que importunou e enfraqueceu tanto Ravi...
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Ser pai não é apenas criar. É educar, brincar, aconselhar e participar. Este é o caso de Gael, um garoto que é deixado como segundas opções. Criado apenas com um pai. Gael poderia dizer que tem a vida como descritas em conto de fadas, mas como diz o ditado: dinheiro não compra carinho ou atenção.

"Bryan?'' Olhos aflitos procuravam por seu pai. Um garoto de cabelo cacheado de cor negra, olhos verdes, pele parda e com belos lábios rosados pairava pelo escritório enorme de seu pai.

"'Gael?''Um rapaz de 1,68 com belas ondulações nos cabelos castanhos, uma pele um pouco clara com dois pares de olhos escuros e cativantes que combinava bem com seus belos lábios desenhados, saia da sala de descanso.

''Joseph, você sabe onde está o senhor Bryan?'' Gael levanta sua pequena cabeça para poder visualizar o rosto do secretário a sua frente.

''Ele está na sala de descanso, quer que eu o chame?'' Joseph agacha até ficar na altura do garoto e arruma os cachos brilhosos de seu cabelo.

''Não...melhor não.'' Gael dá um sorriso para Joseph, que deposita um beijo na sua testa.

''Melhor não oque, Gael?'' Um homem de 1,81 saí da sala de descanso. ''Se tem alguma coisa para pedir ou falar, apenas siga em frente. Não precisa hesitar em me chamar.''

''Sr. Bryan.'' Joseph se levanta e faz as referências indicando respeito.

''Bryan, o sr. Vai voltar para o jantar?'' O garoto se ergue mais para tentar achar a linha de visão do pai.

''Quando vai parar de me chamar de Bryan? Eu sou seu pai, Gael.'' Bryan nota a dificuldade do garoto e se agacha na sua frente, ficando da sua altura. ''O papai promete que em breve vai poder jantar com você.''

Os olhos do garoto vagaram um pouco para longe, ele já estava acostumado a chamar seu próprio pai pelo seu nome. Com tantas pessoas na empresa, ele adquiriu esse costume de tratar seu pai de tal forma.

''ah...então não precisa...''Gael olha seu relógio de pulso, vendo que já estava quase na hora do jantar.

''Joseph, pode ir com ele?'' Bryan se ergue novamente encarando o pequeno garoto.

''Eu queria ir com você, Bryan.'' Os olhos do garoto brilhou um pouco, e Bryan sorriu pequeno para a criança.

Deste que a sua mulher se foi, ele não conseguirá superar a perda. Então, para ocupar a cabeça e não pensar nela, ele trabalha constantemente na empresa de jogos que ele criou para o seu garoto se divertir e impulsionar sua criatividade. Para uma empresa de jogos, sempre seria bom uma mente jovem em que pudesse estar sempre por dentro da tecnologia.

''Papai promete que no seu aniversário, nós vamos fazer algo incrível!'' Dizia Bryan com entusiasmo."Joseph, jante com ele hoje.''

''Sim, senhor. Irei levar seu filho para jantar esta noite.'' Joseph pega na pequena mão do garoto.

O pequeno garoto apenas suspirou e segurou a mão do secretário de seu pai, em um humor deprimente, eles saem da sala após se despedirem.

''Como vai na escola, pequeno urso?'' O rapaz dirigiu seus olhos por poucos segundos ao garoto.

O silêncio reinou nos corredores e ele não ouviu nem uma resposta vinda do garoto, nem ao menos um ruído. Assim que saíram da empresa, eles entraram no carro, e Joseph começou a dirigir assim que terminou de pôr o cinto de segurança.

''Você está chateado porque eu tenho que sair sempre com você do que com o seu pai, né?''

''Ele usa o trabalho como desculpa para não sair comigo?'' O garoto interrogou olhando o retrovisor do carro.

''Não. Talvez ele esteja tentando lutar contra uma dor...você tem os mesmos traços que sua mãe, pequeno Gael.'' Mesmo sabendo a dor que o Sr. Bryan estaria sentindo, ele não deveria de modo algum deixar essa criança os cuidados de Gaia¹.

''Isso é uma desculpa, tenho certeza.'' Gael debateu essa questão várias vezes em sua cabeça, mas nunca tinha chegado ao ponto de dizer em voz alta.

''Porque você não esquece isso e vamos aproveitar a noite? Quer ir em algum outro lugar?'' Joseph sorri pegando a mão do garoto, estava fria, fria como seu coração.

''Você pode me levar para patinar?" O brilho nos olhos dele refletia pelo retrovisor do carro.

''Sim. Você gosta de patinar?'' Joseph abriu um sorriso no rosto.

''É...eu gosto.'' Gael respondeu sem ânimo.

Depois de 35 minutos, eles chegam no local. Joseph pega seu celular e disca o número nele.

"Quem é que você vai ligar?" Gael se sentiu um pouco inseguro com a ação do rapaz do seu lado.

''Vou ligar para o Heitor. Preciso falar que não vou poder ver ele.'' Respondeu levando o celular a orelha.

Depois de poucos segundos, o celular é atendido. Joseph coloca no viva voz, afasta o aparelho da orelha e começa um diálogo.
''Jose?'' Uma voz gentil ecoou pelo carro.

''Oi, eu liguei para avisar que não vou poder te ver hoje.'' Joseph disse com a voz um pouco cansada.

"Porque? Deixa eu adivinhar. É o Gael, o garoto sentado do lado direito do carro. O seu chefe pediu para sair com ele?" Deu para se ouvir uma leva risadinha do outro lado da linha.

''Você vai cuidar bem assim dos nossos filhos?''

''Sim, estou com o Gael, o Sr. Bryan disse para ir jantar com ele. Heitor, já falamos sobre isso. Não faça esse tipo de brincadeira. Seu trabalho está te deixando louco."

''Oi, Heitor...'' O garoto finalmente tomou coragem para cumprimentar o homem do outro lado da linha.

''Oi. Você é o Gael, não é mesmo?'" A voz parecia um pouco surpresa.

''Sim, sou eu...''

Joseph notou o desconforto e insegurança do garoto ao seu lado e resolveu tomar uma atitude sobre. ''Nós precisamos ir Heitor, te vejo amanhã!''

''Tudo bem, até lá Joseph.''

A linha é encerrada por Joseph. Os dois saem e entram no restaurante. Olham o cardápio e fazem seus pedidos, aguardando na mesa.

''O que o Heitor é seu?'' Gael pela primeira vez inicia um diálogo entre os dois.

''O Heitor Santiago?'' Joseph se demonstrou um pouco hesitante em querer responder o garoto.

"Tudo bem, não precisa responder." O garoto apenas abaixa a cabeça e olha para as próprias pernas.

Joseph sabia que para conseguir mais a confiança do pequeno Gael, ele deveria dizer toda a verdade. Joseph estava se tornando o pai daquele garoto de forma indireta.

''Ele é meu amigo... nós sempre nos provocamos. É que as vezes as pessoas confundem as coisas.'' Dizer tudo aquilo para o Gael não foi tão difícil, mas seria incapaz uma criança entender.

''Mas como confundem se dizem que é errado namorar o mesmo gênero?" O olhar do pequeno Gael sobe e encara os olhos escuros de Joseph.

''Gael, todas as formas de amor são válidas. O amor é capaz de fazermos enxergar além dos gêneros, não ouça essas idiotices que as pessoas falam. O importante é saber amar, saber o que é amor, e não se importar com o gênero. Suponho que se apaixone por um garoto lá na sua frente, você deixaria ele apenas porque a sociedade julga como ''errado''? "Joseph responde encarando os olhos aflitos da criança a sua frente.

''Não...porque eu ia impedir a minha própria felicidade?'' O garoto diz um pouco confuso.

''Conseguiu entender um pouco sobre?'' Joseph pega a mão do garoto que estava escondida em baixo da mesa.

''Sim, acho que sim.'' Gael sorri pequeno, era tão bonito que Joseph poderia se perder em uma ilusão. Ele só pode imaginar quanto atraente esse menino seria quando atingisse a puberdade.

E foi assim que a noite começou, onde tudo começou. Assim que terminaram de jantar, Joseph levou Gael para patinar, assim como havia pedido mais cedo.

''Vem Jose!'' O garoto chamava ele animado, como se fosse sua primeira vez vindo a este lugar.

''Calma! Eu não tenho experiência nessa área.'' Joseph o lembrou enquanto sorria animado e tentava dar mais alguns passos de patins.

Gael se sentia feliz em sair com o Joseph. Ele tinha que se acostumar, porque cada vez mais, seu pai recusava a sair com ele. Não era de propósito que Bryan se recusava a acompanhar o filho, com a perda recente da esposa, seu corpo ainda estava em choque, e em pensar em olhar sua criança que é parecida com sua mulher, causava uma dor insuportável, a qual rasgava seu peito com toda força. Porém, mesmo assim, não é certo deixá-lo de lado, Bryan sabia que estava sendo covarde demais para enfrentar a dor que estava passando. Gael não se sentia amado, e até Joseph já havia percebido isso, menos Bryan.

...

2020.

A sala estava um pouco cheia. Haviam 10 pessoas, entre elas, estava Ravi. A contagem de um à dez era calma e clara, a sensação de relaxamento dos músculos era um processo doloroso, mas caso não o fizesse, era capaz de sofrer um acidente. O alongamento demorou menos de dez muitos,e logo todos iniciou o aquecimento com uma música.

"Ei, Ravi, não se esforce muito. Lembra que você ficou com falta de ar a última vez?'' Uma das garotas presentes no local alertou.

''Certo. Vou me lembrar de não exagerar.'' Ravi disse tirando o celular do bolso traseiro e colocando em cima da mesa, perto do notebook. Olhando para o espelho, notou-se dois olhos brilhantes o encarando como se fosse um aviso que seria arriscado demais. ''Você me assusta assim, Isaac.''

''Você realmente vai fazer isso?'' O garoto de cabelo loiro e pele clara se virou para encara-lo.

''Eu já disse,Isaac. É a última vez que estarei dançando, só não parei de imediato porque já tínhamos pegado a coreografia em grupo e seria complicado refazer as posições.'' Ravi responde colocando a mão no ombro de Isaac e sorrindo fraco.

As luzes em direção ao palco brilharam, revelando 10 adolescentes com figurinos complicados. Os olhos de Ravi arderam ao sentir aquela luz forte se direcionar a sua visão. Caminhando para sua posição, o garoto direcionou o leque para frente do seu rosto,cobrindo seus lábios e seu nariz. Seus olhos oceanos destacou com a sua regata branco- pérola e sua jaqueta de texturas silvestres com renda.

A música foi inicada, a grande roda em volta de Ravi se abriu, levando seus leques para o lado direito enquanto se curvavam um pouco. O belo fan véu² das mãos de Ravi, foi rodado uma vez tornando um circulo perfeito de vermelho e laranja. Seguindo a batida, Ravi firmou o pulso e deixou que o véu de seu leque caísse com calma antes que todos do círculo se movimentasse para trás do garoto ruivo e abrissem seus leques, desenhando um 'U' de ponta cabeça. Tremendo seu fan véu,seus passos eram calmos e sutis.

Com um pulo delicado para o lado, com seus pés cruzados e leque fechado,ele levantou calmamente enquanto seus colegas seguiam seus passos. Assim que se levantou, Ravi abriu o leque, o véu rapidamente caiu começando a tremeluzir enquanto os belos dedos do garoto ruivo segurava o leque com firmeza. Trocando a posições dos seus pés com um giro, aquelas cores vivas voavam como um círculo de fogo ardente. As luzes apagaram, a platéia fez alguns barulhos entusiasmados, gritando até seus pulmões doerem. As luzes se acenderam,e havia mais de 10 pessoas agora no palco. Uma música começou a tocar. Todos os participantes presentes estavam em harmonia enquanto os movimentos seguiam o ritmo.

A cor viva que o palco havia ficado com aqueles leques tradicionais e aquele belo fan véu dançando nas mãos de Ravi realmente foi uma cena impressionante,deixando a platéia animada, cheia de fervor deste que a abertura passou. Enquanto encerava seus passos com a música, faltava o último passo, Ravi correu enquanto seu colegas deitados no chão exercia força e pulavam formando uma escada enquanto Ravi passava por cima das costas deles. Quando chegou ao chão sentiu seu pulmão doer, com falta de ar, ele fechou os olhos fortes e se levantou, logo em seguida com três batidas forte todos se posicionaram, encerrando a apresentação com sucesso. O grupo agradeceu enquanto gritos e aplausos fervorosos estavam preenchendo o local.
Ravi desceu rapidamente as escadas para a sala onde todos haviam se arrumado. Isaac notando seus passos apressados, quebrou o sorriso do rosto e foi atrás do ruivo.

Se sentindo tonto pela falta de ar, o garoto se sentou no sofá na lateral da porta e tentou respirar o máximo possível, mas tudo que conseguiu foi tossir,mais e mais. Isaac entrou na sala sem deixar que os outros tivessem visto, fechou a porta e foi até o ruivo.

''Ei, Ravi?'' O garoto a sua frente não estava reagindo, ele apenas olhava para ele enquanto o sangue começou a escorrer do seu nariz. A cor pálida foi tomando seu rosto e o sangue sujando suas belas roupas. 'Raviel?!' Sem esperar muito tempo,o garoto loiro começou a limpar seu rosto com alguns lenços. Sem se importar suas mãos iriam sujar, Isaac limpou a bochecha de Ravi com a palma da mão quando viu o garoto perder a consciência em seus braços. O pânico consumiu a face de Isaac. Não importa quantas vezes ele tenha visto Ravi desta forma, nunca saberiam se ele iria conseguir abrir os olhos novamente.

Um som ecoou na sala silenciosa. Isaac se levantou rapidamente,correndo e quase tropeçando nas coisas que haviam no chão. Após ver o nome, sua mão tremeu levemente.

''Alô, Ravi, a apresentação já encerrou? Estou te esperando aqui em frente da entrada'' A voz de Noah estava tranquila e serena.

'' Já, o Ravi passou mal e desmaiou, pode estacionar do lado de trás? Vou levá-lo pelos fundos, não quero chamar atenção!'' Isaac disse em um tom rápido e trêmulo.

''OQUE?!'' A voz de Noah alterou assim que ouviu a notícia. "Venha rápido!"

''Certo.'' Isaac desliga o celular,coloca no bolso, vai ate Ravi e o pega no colo. O movimento já estava começando a aparecer, sem tempo para pegar as outras coisas, Isaac apenas saiu e levou Ravi no colo até o carro de seu pai.

''Ravi!'' Noah avistou Isaac com seu filho no colo e abriu rapidamente o banco dos passageiros. Com cuidado, Isaac colocou Ravi no banco. ''Obrigado.''

''Vou pegar algumas coisas dele que não consegui. Não vá ainda.'' Isaac se virou e correu em direção a porta que acabará de sair.

_____

"Seus gostos são peculiares.'' Um garoto de cabelo cacheado o olha.

"Oque? Não acha interessante a apresentações deles? Você é realmente difícil de agradar, Gael!"

''Achei a primeira interessante. A sincronia foi impecável, só acho que o garoto central não parecia bem.'' Gael diz se levantando da cadeira.

"Próxima vez, te levo para um rodízio de pizza." Joseph se levanta e começa a caminhar do lado do garoto.

"Se era para comer, porque não me levou antes?'' Gael perguntou com um tom irrelevante.

''Quem foi embora antes de os pedidos chegarem e cancelou da última vez?!'' A voz do mais velho saía com um tom raivoso.

"Não precisa me arrastar para um tipo de dança do ventre³"Um sorriso saiu daqueles lábios que pareciam frios.

"Exagero. Vamos, entre.'' Joseph abriu a porta do carro e esperou Gael entrar, antes de bater a porta com um pouco de raiva.

Gael puxou o cinto de segurança e o prendeu, vendo que Joseph estaria ainda entrando, pegou o celular e começou a mexer em sua rede social. Rolando pelas as postagens, um perfil aparecereu como sugestivo. A foto de perfil era de um garoto que não gostava tanto de Gael, interessado, ele adentrou o perfil e entrou na página criada pelo o usuário. A última atualização foi uma foto sua entrando no carro. Assim que deslizou mais um pouco, percebeu que não era apenas essa foto,e sim várias. A página se tratava dele!

Era tarde demais para se arrepender de ter socado ele por assediar uma garota de duas séries mais nova que ele?!

- Flashback -

Era intervalo, o pátio estava cheio de alunos conversando. Gael estava sentado em um dos bancos, longe dos outros. Sua visão caminhava por todos que ali estavam,mas oque lhe chamou atenção foi um rapaz atrás de uma garota. Seu rosto estava tranquilo, mas o da garota pairava um ar aflito. Gael encarou um pouco aquela cena. Seus olhos rolaram para baixo e viram uma mão apalpando a coxa da garota e deslizando para a virilha interna.

A garota se virou para o rapaz e o acertou na virilha, mesmo sentindo dor, o garoto segurou seu pulso forte enquanto a puxava para si.

''Me solta, filho da puta!'' A garota gritou xingando o garoto enquanto se debatia.

Algumas pessoas apenas ficaram olhando sem fazer nada, alguns até filmaram. Gael se levantou, caminhou perto de um garoto que gravava, bateu sua palma no pulso dele, fazendo o celular despencar e se despedaçar no chão.

O garoto levantou a mão para acertar a garota, mas algo o impediu. Assim que olhou para frente, se deparou com um par de olhos frios ameaçadores como de um felino com fome, pronto para te estilhaçar em pedaços e comer com uma felicidade incalculável.

''Está louco? Oque está fazendo?!''

Gael não disse nada,apenas o acertou com um soco. O garoto cambaleou um pouco para trás enquanto colocava a mão na bochecha, sentindo a dor aguda percorrer todos seus tecidos.

''Preste atenção nas suas ações, cretino.''

Sem demora,a garota se virou e saiu dali com raiva, aliás, nenhuma garota gostaria de ser assediada por um homem mais velho, é nojento.

Gael se virou e saiu dali. Seu punho ainda estava dolorido por ter acertado aquele garoto.

-

Não, realmente ele não deveria tê-lo socado, mas pelo menos deveria ter quebrado uma costela dele.

Gael olhou uma última vez para o celular antes de joga-ló no painel do carro, frustrado.

______________

"Pode entrar.'' Uma voz firme e grossa ecoou de dentro de uma das salas do hospital.

Isaac ajudou Ravi a entrar na sala junto com Noah. O médico que estava ali já fora substituído a algum tempo. Os olhos de Isaac olhou imediatamente para o nome no jaleco.

Doutor Andrew Futher.

''Okay. Houve alguma mudança, Ravi?'' Andrew disse olhando de relance para Isaac, mas mesmo assim concentrado nas informações.

''Não.'' Ravi disse em um tom baixo.

''Sim, doutor...''

Andrew deixou um sorriso leve sair pelos seus lábios. Aquele garoto tinha algo que chamava a sua atenção. ''Já que o Ravi não quer dizer o que está acontecendo. Prossiga, garoto.''

''Meu nome é Isaac, amigo do Ravi. Então, hoje ele apresentava febre alta nos treinos, além de muita insuficiência para respirar." Disse em um tom sério enquanto encarava o médico.

''Sendo assim, irei colocar um aparelho respiratório em você Ravi, como eu havia dito na última consulta.'' Responde enquanto escreve em uma folha. Andrew não pôde evitar olhar algumas vezes para o garoto ao lado de Ravi.

''Andrew, isso me permitiria poder fazer esportes?'' Ravi pela primeira vez disse e um tom firme e equilibrado.

''Ravi, isso irá te ajudar a respirar, se conseguir praticar esportes com o aparelho, então talvez.'' Sorri levemente. ''Venha até a maca.''

O ruivo vai até a maca, e deita sobre ela. O mais velho pega o suporte respiratório e começa a colocar no garoto deitado na maca.

''Dr. Andrew, você vai passar algum remédio para o Ravi?'' O garoto loiro pergunta preocupado enquanto assistia o médico fazer o seu trabalho. Aquele jaleco branco e luvas o deixava mais seguro.

''Imunossupressores, eles são usados para o corpo aceitar um novo órgão, mas no caso dele, é um tratamento para a doença autoimune.'' Andrew responde depois de ter colocado o suporte no Ravi. ''Como se sente?''

''Estou respirando bem melhor.' responde fraco.

"Você deve ficar aí por alguns minutos, tudo bem?'

"Sim, tudo bem."

O médico se dirige a sua mesa novamente e olha o Isaac.

'' Você convive bastante com ele?'" Andrew encara Isaac.

''Um pouco, estudamos na mesma escola.'' Dá um leve sorriso para aliviar a tensão.

''Pode me dizer o que tem acontecidos com ele?''

''Sim. Ultimamente ele se cansa muito rápido quando anda ou faz algumas coisas. Ele reclama de dor nos pulmões quando tosse, ele compara como se fosse facadas. Febre vai e vem também, mas tem dias que não acontece nada.'' Aos mínimos detalhes, Isaac dizia ao médico o encarando na sua frente.

A maneira atenciosa que o Dr. Ouvia e escrevia era uma áurea confiante, apenas de estar perto ele sentia que ele era responsável e um bom profissional.

Noah ficou em silêncio o tempo todo, ele só havia entrado porque eles eram de menor,e precisava de um responsável acompanhar. Nesse período, ele tinha sido como oxigênio, invisível.
_______

06:30

Ravi chegou na escola e caminhou para sua sala, sentado em um dos bancos, estava um garoto de cabelo preto,liso e sedoso. Sua pele tinha o tom caramelizado e agradável de se ver.

''Isaac disse que você passou mal ontem na apresentação.'' Os olhos escuros do garoto caminhavam pelo rosto pálido de Ravi.

''Vocês realmente não conseguem não falar sobre mim entre vocês?'' O garoto ruivo caminha até ele e para na sua frente.

''Ravi, meu assunto favorito!'' Seu tom saiu sarcástico.

''Estou mesmo desconfiando, Levi.'' Ravi empurra as pernas dele para o lado e se senta no banco.

''Ei, não precisava me empurrar. Tinha espaço ainda!'' Levi se afasta mais um pouco.

''Isaac não veio ainda?''

''Quem não veio ainda?'' Isaac caminha até os dois com um sorriso. ''Levi, você tinha que ver ele apresentando! Aquele leque,aquelas cores! Vem cá eu tirei várias fotos dele em movimento,nem parece um cadáver ambulante!'' A animação na voz do garoto loiro era explosiva. Era como ser acolhido com várias flores quando se acorda com mau-humor.

''Nossa, bonito mesmo! Você mandou bem, mano.''

''Tirando o fato que quase morri de tanto tossir.'' Sua voz era tão baixa que foi difícil definir oque ele havia dito.

''A platéia ontem estava em êxtase. Os aplausos explodiram quando o Ravi já tinha agredecido e saído.'' O sorriso do rosto de Isaac ainda permanecia intacto.

''Deve que foi bem intenso. Ravi, você mudou de médico?'' O garoto indígena virou o rosto para lhe olhar.

''Sim. Agora é o Andrew que cuida do meu caso.''

''Quem é ele? Nunca ouvi falar.'' Isaac inclina um pouco a cabeça em dúvida.

''É filho do doutor Futher,ou seja, é o pai dele.''

''Oh.''

''Vamos entrar, daqui a pouco o professor chega.''

As aulas se passaram rápido, menos a de Física, quanto mais o professor falava, mas o relógio demorava,até finalmente ter o intervalo.

"Poxa,professor falou demais, fiquei até com sono.'' Levi leva mão na boca enquanto boceja.

''Achei legal o conteúdo. Agora vamos comer que eu estou com uma fome desgraçada.'' Isaac interrompe pegando no pulso dos dois e correndo para a o refeitório.

''Não corre anim...aii Isaac!'' O garoto ruivo bate o rosto nas costas do Levi.

''Papaleguas, esse fominha.'' O garoto indígena solta o pulso da mão do garoto loiro.

''Desculpa...uau, você é gato para caralho!'' Sua voz saiu explodindo como uma onda de confetes como em uma festa surpresa.

''Ah, obrigado.'' O garoto a sua frente sorri dócil.

''Último na fila?'' Isaac caminha um pouco para fora da fila e olha.

''Eu estou com fominha, Isaac!'' Dois braços deslizou pelo seu ombro e segurou em seu pescoço, deitando o queixo no ombro dele.

''Não vou lanchar hoje.'' Levi acariciou seus fios sorrindo.

''Pega para mim?'' O garoto se vira e deixa um sorriso sair do seus lábios. Era tão lindo que brilhava como um raio de sol.

''Claro.'' Levi levou a mão até a bochecha cheia de sardas de Ravi e sorriu de volta.

O sorriso chamou a atenção de um par de olhos jabuticabas,que o olhava de uma forma intensa.

''Oque? Eu sou bonito?'' Arquea a sobrancelha.

''Atraente. Nunca vi pessoas da sua raça quando cheguei aqui.''

''Claro, ele é indígena. Arco-flecha, saia de palha.'' Ravi riu em divertimento.

''Cala a boca. Vamos, sua vez.''

Assim que pegou o lanche,os três caminharam para uma mesa do refeitório e se sentaram. O som de conversa estava alto, todos ali pareciam animados.

''Passa para cá. Quer um pouco, Isaac?''

''Óbvio!'' Aproxima o copo de plástico.

Levi divide o lanche entre os dois e deixa apenas um pouco para tomar.

''Tomou seus remédios hoje cedo?'' O gosto do iogurte invadiu suas papilas gustativas, nem tão doce, e nem tão azedo, perfeito.

''Sim.'' Ravi leva a mão na frente da boca enquanto responde.

''Onde foi parar sua prima?'' Isaac sorriu leve.

''Ela não veio? Ela não me avisou nada.'' Levantou os ombros.

''Está perguntando porque huh? Quer pegar sua prima, Raviel.'' Logo duas risadas começaram a se formar.

''Oque? Não!'' O garoto loiro se apressou em explicar. ''É que ela sempre esta com você.''

''Eu sei. Estávamos brincando.'' Ravi limpa a lateral dos lábios.
_____

''Calma.'' Dois belos dedos esguios pardos deslizavam pelo aquele rosto claro como jade.

''Eu deveria ficar calmo com você me tocando assim?'' O garoto tinha o cabelo grisalho e duas cores haviam em suas irís. Uma com cada cor.

''Porque não desviou da bola?'' A pomada estava um pouco gelada,oque fez os olhos do garoto a sua frente fecha-los em contato com o produto gélido.

''Era para ter acertado a cesta, mas quem diria que você acertaria o meu rosto!''

''Certo,certo, desculpa de novo!'' O pedido era sincero,mas sua voz ainda era rígida e fria. ''Pronto.'' Gael tapou a pomada e guardou dentro de um bolso de sua mochila. ''A vermelhidão vai passar.''

''Okay.'' Foi a última sentença antes do garoto se virar para sair quando voltou e lavou as mãos perguntando. ''Você é o garoto que acertou aquele que estava passando a mão na coxa,na virilha e na bunda da garota?''

''Por que? Planeja me bater?"Arquea a sobrancelha esquerda enquanto olha ele pelo espelho.

''Não posso perguntar?'' Olha ele com um tom duvidoso. ''Fez algo a mais?''

''Não.'' Gael apertou o sabão e lavou as mãos.

''Tão áspero!"Com essas últimas palavras de Floyd, Gael se retirou do banheiro e caminhou para longe, até sumir do campo de visão.

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Notas: [1] Refere se a mitologia grega, onde Gaia(representante da terra e toda criação) cuida de Zeus dando lhe alimento,roupas e água.

[2,3] Fan Véu é basicamente um leque em que possui um véu nas laterais dele, a origem é das danças coreanas e japonesas. Também é usada em dança do ventre.( Por isso o Gael disse que parecia uma espécie de dança do ventre)

2 de Agosto de 2021 às 11:31 0 Denunciar Insira Seguir história
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