thaymonike thayla Morgado

Bianca Piper tem 17 anos, é leal, cínica, e não acha que nem de longe é a mais bonita de suas amigas. E ela também é esperta demais para cair no papo de Wesley Ruch, o cara gato da escola. Na verdade, Bianca o odeia. E quando ele a apelida de Duffy, ela joga Coca Cola na cara dele. Mas as coisas não estão muito bem em casa agora. Desesperada por uma distração, Bianca acaba beijando Wesley. E ela gosta. Ansiosa para escapar, ela se joga em uma relação —inimigos com benefícios— com Wesley. Até que tudo fica terrivelmente errado. Acontece que Wesley não é ouvinte tão mau, e sua vida é bastante confusa também. De repente, Bianca percebe com horror absoluto que ela está apaixona pelo cara que ela achava odiar mais do que ninguém.


Ficção adolescente Todo o público.
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Capítulo 01

Aquilo estava ficando chato.

Mais uma vez, Casey e Jessica estavam fazendo papel de bobas, sacudindo o traseiro como se estivessem dançando em um clipe de rap. Mas acho que os garotos adoram essa idiotice, não adoram? Sinceramente, dava para sentir meu QI despencando enquanto me perguntava, pela centésima vez naquela noite, por que tinha permitido que minhas amigas me arrastassem para esse lugar outra vez.

Toda vez que vínhamos ao Nest, era exatamente a mesma coisa. Casey e Jessica dançavam, flertavam, atraíam a atenção de todos os homens do lugar e acabavam sendo tiradas dali por sua melhor amiga protetora — eu —, antes que algum daqueles cães excitados se aproveitasse delas. Enquanto esperava pelo fim previsível, eu me acomodava no bar, tagarelando com Joe, o bartender de trinta anos, sobre “os problemas dos jovens nos dias de hoje”.

Supus que Joe se ofenderia se eu dissesse que aquele maldito lugar era um dos maiores problemas. O Nest, que costumava ser um bar de adultos, havia sido convertido, há três anos, em um clube noturno para adolescentes. O balcão de carvalho, meio bambo, tinha sido mantido, mas Joe servia apenas bebidas da Coca-Cola enquanto garotos e garotas dançavam na pista de dança ou escutavam bandas ao vivo. Eu odiava aquele lugar porque ele fazia minhas amigas, que eram bem bacanas na maior parte do tempo, agirem como idiotas. Mas, em defesa delas, devo dizer que não eram as únicas. Metade dos alunos do ensino médio da escola Hamilton aparecia ali nos fins de semana, e ninguém deixava o Nest com a dignidade intacta.

Sério, onde estava a graça nessa história toda? Dançar a mesma batida techno uma semana depois da outra? Claro! Talvez, quem sabe, eu esbarre naquele jogador de futebol americano suado e meio tarado. E talvez tenhamos discussões significativas sobre política e filosofia enquanto nos esfregamos na pista de dança. Eca. É, até parece.

Casey despencou no banco do meu lado.

— Você devia vir dançar, B! — disse ela, sem fôlego pela sua agitação. — É tão divertido!

— Ah, deve ser mesmo — murmurei.

— Ai meu Deus! — Jessica ocupou a banqueta do meu outro lado, seu rabo de cavalo loiro balançando contra seus ombros. — Vocês viram aquilo? Vocês viram mesmo aquilo? Harrison Carlyle está dando em cima de mim! Vocês viram? Ai. Meu. Deus.

Casey fez uma careta.

— Harrison perguntou onde você comprou as suas sandálias, Jess. Ele é completamente gay.

— Harrison é lindo demais pra ser gay.

Casey fingiu que não ouviu, mexendo o dedo atrás da orelha como se fizesse cachinhos no cabelo. Era um hábito que tinha desde antes de adotar seu corte atual, bem curtinho.

— B, você devia dançar. Trouxemos você aqui pra passar um tempo com você… Não que o Joe não seja divertido — ela piscou para o bartender, provavelmente esperando conseguir algumas bebidas de graça —, mas somos suas amigas. Você devia mesmo vir dançar. Né, Jess?

— Ah, é, claro, claro… — concordou Jessica, ainda de olho em Harrison Carlyle, sentado do outro lado do bar. Ela fez uma pausa e se virou na nossa direção. — Espera aí… O quê? Eu não estava prestando atenção.

— Você parece tão entediada, B. Quero que também se divirta.

— Estou bem — menti. — E estou me divertindo. Vocês sabem que eu não sei dançar. Só vou atrapalhar. Vão… Podem ir, façam umas coreografias engraçadas, sei lá. Vou ficar bem, aqui.

Casey estreitou os olhos cor de avelã na minha direção.

— Tem certeza? — perguntou.

— Claro que sim.

Ela franziu a testa, mas depois de um instante deu de ombros e puxou Jessica pela mão, rebocando-a até a pista de dança.

— Ei, pelo amor de Deus! — reclamou Jessica. — Vá mais devagar, Case! Você vai arrancar meu braço! — Então, animadas, abriram caminho até o centro da pista, sincronizando sua dança com a batida techno.

— Por que você não contou a elas que está triste? — perguntou Joe, empurrando um copo de Coca Light na minha direção.

— Eu não estou triste.

— Você é uma péssima mentirosa — respondeu ele, antes que um grupo de calouros começasse a pedir bebidas, fazendo baderna na outra ponta do balcão.

Dei um gole na minha Coca-Cola, de olho no relógio pendurado na parede do bar. O ponteiro de segundos parecia estar paralisado, o que me fez rezar para que aquela coisa maldita estivesse quebrada ou algo assim. Não pediria a Casey e Jessica para sairmos dali antes das onze da noite. Qualquer horário mais cedo, e eu seria considerada uma estraga-prazeres. Mas de acordo com o relógio não eram nem nove horas, e eu já podia sentir uma enxaqueca se instalando, alimentada pela música techno e pela luz estroboscópica. Trabalhe, ponteiro dos segundos! Ande com isso!

— E aí?

Fiz uma careta e me virei para encarar o intruso inoportuno. Isso acontecia, às vezes. Algum garoto, quase sempre chapado ou suado e nojento, vinha se acomodar do meu lado e tentava, desajeitado, puxar conversa. Isso sempre deixava claro que o sujeito não tinha herdado o gene da observação, porque meu rosto e minha linguagem corporal deixavam claro que eu não estava a fim de gracinhas com menino algum.

Mas, por incrível que pareça, o garoto sentado ao meu lado não cheirava a maconha ou suor. Na verdade, o que farejei no ar poderia até ser loção pós-barba. Acontece que minha birra só fez aumentar quando me dei conta de quem era o dono da loção pós-barba. Eu preferia que fosse um maconheiro chapado.

Wesley. Babaca. Rush.

— O que você quer? — perguntei, sem me preocupar em ser educada.

— Como você é amigável — disse Wesley, cheio de ironia. — Na verdade, vim bater um papo com você.

— Bem, então você tem um problema. Não estou conversando com as pessoas esta noite. — Dei um gole ruidoso no meu refrigerante, esperando que ele captasse a dica-não-tão-sutil e sumisse da minha frente. Não tive essa sorte.

Ainda podia sentir seu olhar cinza-escuro percorrendo meu corpo. Ele podia pelo menos fingir estar me olhando nos olhos, não podia? Credo!

— Fala sério — Wesley me provocou. — Não precisa ser tão fria comigo.

— Me deixe em paz — sibilei, trincando os dentes. — Vá tentar esse teatrinho barato com alguma vagabunda com baixa autoestima, porque eu não caio nessa.

— Ah, não estou interessado em vagabundas — afirmou ele. — Esse não é meu tipo.

Eu ri.

— Qualquer garota que lhe diga as horas, Wesley, é definitivamente uma vagabunda. Nenhuma pessoa com bom gosto, classe ou dignidade acharia você, de fato, atraente.

Tudo bem. Isso foi uma mentirinha.

Wesley Rush era o riquinho pegador mais repugnante a manchar a reputação da escola Hamilton… Mas ele era meio que um gato. Talvez se você conseguisse obrigá-lo a calar a boca… e se lhe cortasse as mãos… talvez, e só talvez, ele pudesse se tornar tolerável. Caso contrário, ele era um merda. Um babaca cheio de tesão.

— E você, suponho, tem gosto, classe e dignidade, né? — perguntou ele sorrindo.

— Isso mesmo.

— Que pena.

— Você está tentando me passar uma cantada? — perguntei. — Porque se está, falhou. Miseravelmente.

Ele riu.

— Minhas cantadas nunca falham. — Ele correu os dedos pelo cabelo escuro, encaracolado, e aumentou seu sorrisinho falso e arrogante. — Só estou sendo amigável. Tentando estabelecer uma conversa gentil.

— Desculpe. Não estou interessada. — Dei as costas e tomei outro gole da minha Coca Light. Mas ele não se mexeu. Nem um centímetro sequer. — Você pode ir agora — falei com firmeza.

Wesley soltou um suspiro.

— Tudo bem. Você está sendo mesmo muito pouco gentil, sabe? Então acredito que devo ser honesto com você. Você é mais inteligente e mais obstinada que a maior parte das garotas com quem converso. Mas estou aqui por um pouco mais que uma conversa sagaz. — Wesley voltou sua atenção para a pista de dança. — Eu, na verdade, preciso da sua ajuda. Olha, suas amigas são gatas. E você, querida, é uma Duff.

— E isso significa alguma coisa?

— Uma sigla em inglês para Designated Ugly Fat Friend, ou seja, a amiga feia e gorda — explicou ele. — Sem querer ofender, é isso que você é.

— Eu não sou uma…!

— Ei, não fique na defensiva. Não que você seja uma ogra ou coisa assim, mas comparada a elas… — Ele encolheu os ombros largos. — Pense no seguinte: por que suas amigas insistem em trazê-la se você não dança? — Wesley teve a cara de pau de se aproximar de mim e dar um tapinha no meu joelho, como se estivesse me consolando. Eu me afastei, e ele ergueu a mão para tirar alguns cachos do rosto. — Olha só — recomeçou —, você tem amigas lindas… Amigas muito lindas. — Wesley fez uma pausa, desviando o olhar para a pista de dança por um instante, antes de me encarar mais uma vez. — O lance é que os cientistas já provaram que todo grupo de meninas tem um ponto fraco, a Duff. E garotas bonitas tendem a se dar bem com garotos que se enturmam com as suas Duffs.

— E agora todos os drogados estão autorizados a chamar a si mesmos de cientistas? Isso é novidade pra mim.

— Não seja rancorosa — disse ele. — Só estou dizendo que garotas bonitas, como suas amigas, acham inspirador quando os garotos mostram alguma sensibilidade e são gentis com a Duff. Então, conversando com você, eu duplico minhas chances de conseguir transar esta noite. Por favor, colabore. Converse um pouquinho comigo e finja estar se divertindo.

Eu o encarei, boquiaberta, por alguns instantes. A beleza era mesmo uma coisa superficial. Wesley Rush até podia ter o corpo de um deus grego, mas sua alma era tão sombria e vazia como o meu armário. Que babaca!

Com um movimento ligeiro, fiquei de pé e joguei o que restava da minha bebida na direção de Wesley. O jato de Coca Light o atingiu, manchando sua camiseta polo branca que parecia cara. Respingos do líquido escuro salpicavam seu rosto e manchavam seu cabelo castanho. Seu rosto brilhava de ódio, e ele trincava os dentes.

— Ei! Por que você fez isso? — gritou Wesley, limpando o rosto com a mão.

— O que você acha? — gritei de volta com os punhos fechados.

— Sinceramente, Duff, não tenho a mínima ideia.

A raiva fez meu rosto ficar vermelho.

— Se você pensa que vou deixar alguma amiga minha sair deste lugar com você, Wesley, você está muito, muito enganado — afirmei. — Você é um pegador nojento, babaca, e eu espero que minha Coca-Cola tenha estragado sua camisa polo de riquinho. — Antes de me afastar, olhei por cima do meu ombro e acrescentei: — E meu nome não é Duff. É Bianca. Estamos na mesma turma desde o ensino fundamental, seu idiota presunçoso.

Nunca pensei que eu fosse dizer isso, mas graças a Deus a maldita música techno tocava alto pra caramba. Ninguém, com exceção de Joe, testemunhou meu pequeno chilique, e ele provavelmente achou a coisa toda engraçadíssima.

Precisei empurrar um monte de gente para avançar na pista de dança lotada até alcançar minhas amigas. Ao encontrá-las, agarrei Casey e Jessica pelos braços, puxando-as em direção à saída.

— Ei! — reclamou Jessica.

— O que foi? — perguntou Casey.

— Estamos indo embora deste lugar — respondi, arrastando seus corpos relutantes comigo. — Explico tudo no carro. Mas não aguento ficar neste buraco infernal nem mais um segundo.

— Eu não posso nem me despedir do Harrison? — resmungou Jessica, tentando livrar o braço.

— Jessica! — Dei um mau jeito no pescoço quando me virei para olhá-la.

— Ele é gay! Você não tem a mínima chance, desista logo dessa história. Eu preciso mesmo sair daqui. Por favor.

Eu as arrastei por todo o estacionamento, onde o ar gelado de janeiro parecia congelar a pele de nossos rostos. Cedendo, Casey e Jessica se juntaram a mim. Devem ter achado suas roupas, que pretendiam ser sexy, insuficientes para protegê-las do frio. Caminhamos juntas até meu carro, só nos separamos quando alcançamos o para-choque dianteiro. Acionei o botão de destravar no meu chaveiro para que pudéssemos entrar sem demora no Golf, que começava a ficar aquecido.

Casey aconchegou-se no banco do passageiro e perguntou, batendo os dentes:

— Por que estamos indo embora tão cedo? B, são só, tipo, nove e pouquinho da noite.

Jessica, emburrada no banco de trás, enrolou-se em uma manta antiga, como se estivesse em um casulo. (O aquecimento do meu carro era um lixo, raramente funcionava, então eu deixava algumas mantas no banco de trás.) — Eu discuti com uma pessoa — expliquei, enfiando a chave na ignição com mais força do que o necessário. — Atirei minha Coca-Cola na cara dele, e não quis ficar por ali esperando a resposta.

— Com quem? — perguntou Casey.

Eu estava com medo dessa pergunta, porque sabia a reação que as meninas teriam.

— Wesley Rush.

Dois suspiros sonhadores foram a única resposta que recebi.

— Ah, fala sério — reclamei. — Wesley é um babaca. Eu não suporto ele.

Dorme com qualquer coisa que se mexa e guarda o cérebro dentro da calça, o que significa que tudo ali é minúsculo.

— Duvido muito — disse Casey, suspirando mais uma vez. — Meu Deus, B, só você pra encontrar alguma coisa errada em Wesley Rush.

Eu a encarei com irritação quando virei a cabeça para dar ré no estacionamento.

— Ele é um imbecil.

— Isso não é verdade — retrucou Jessica. — Jeanine contou que ele falou com ela recentemente, em uma festa em que estava com a Vikki e a Angela.

Disse que Wesley se aproximou e se sentou ao lado dela e que foi bastante gentil.

Aquilo fazia sentido. Jeanine, sem sombra de dúvida, era a Duff quando estava com Angela e Vikki. Eu me perguntei qual delas foi embora com Wesley naquela noite.

— Ele tem charme — acrescentou Casey. — Você só está se comportando como a Pequena Miss Cética, como sempre. — Ela me deu um sorriso gentil do outro lado da cabine. — Mas o que diabos ele fez pra fazer você jogar sua Coca-Cola nele? — Agora ela parecia preocupada. Até que enfim. — Ele disse alguma coisa errada pra você, B?

— Não — respondi, mentindo. — Não foi nada. Ele só me tirou do sério.

Duff.

A palavra piscava em minha mente quando acelerei pela rua 5. Não consegui contar às minhas amigas sobre o novo e maravilhoso xingamento que acabara de ser incorporado ao meu vocabulário, mas, quando vi meu reflexo no espelho retrovisor, a fala de Wesley de que eu era a acompanhante (ou melhor, a seguidora) pouco atraente e indesejável parecia correta. O corpo perfeito, em ampulheta, e os olhos castanhos e doces de Jessica. A pele perfeita e as longas pernas de Casey. Eu não poderia me comparar a nenhuma delas.

— Bom, então digo que devemos ir a outra festa, já que ainda é tão cedo. — sugeriu Casey. — Soube de uma em Oak Hill. Alguns universitários estão em casa para as férias de Natal e decidiram fazer uma farrinha. Angela me falou dela hoje de manhã. O que vocês acham, vamos?

— Sim! — Jessica se aprumou debaixo da manta. — Claro que devemos ir!

Nas festas universitárias há garotos universitários. Isso não seria legal, Bianca?

Dei um suspiro.

— Não. Pra ser sincera, não.

— Ah, pelo amor de Deus. — Casey se inclinou na minha direção e sacudiu meu braço. — Dessa vez não vamos dançar, tudo bem? E Jess e eu prometemos manter todos os garotos lindos longe de você, já que evidentemente você os odeia. — Ela sorriu, tentando me fazer ficar de bom humor.

— Não odeio os garotos lindos — falei. — Só aquele. — Depois de um instante, suspirei e peguei um retorno, para seguir pela rua principal. — Tudo bem, vamos. Mas vocês duas me devem um sorvete. Duas bolas.

— Fechado.

26 de Julho de 2021 às 00:17 0 Denunciar Insira Seguir história
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