vvieiras Vitória Vieira

Uma coincidência inimaginável reune Raphen a uma moça que conheceu quando era jovem, entretanto ela não se lembra dele, assim como nada de seu passado. Ela que foi capturada como escrava de guerra, depois de seu vilarejo inteiro ser incendiado. Raphen a leva como sua escrava prometendo-a de que a ajudaria a trazer suas memórias de volta, entretanto a garota se vê constantemente desconfiada, mas sem ter a opção de recusar ela o segue para onde quer que ele planeja a levar.


Fantasia Épico Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#bruxos #Historiasoriginais #fantasia # #magia #Reino
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• 01 •

O Palácio estava longe de estar silencioso, guardas e soldados corriam para todos os lugares, alguns ainda prendendo as armaduras e outros ainda sonolentos por terem sido acordados às pressas durante a noite.

Havia indícios de que alguém ousara invadir o castelo, os guardas mortos no pátio do castelo provavam essa hipótese, logo tudo se tornou uma bagunça caótica e barulhenta.


Todas as saídas secretas foram checadas, afinal a vida do Rei vinha em primeiro lugar, se a situação se desenrolasse para algo que comprometesse a vida dele, seus deveres como guardas reais era levá-lo para fora do castelo por uma dessas passagens. Mas logo perceberam que todas as passagens estavam seladas, então não tiveram outra opção senão dobrar a segurança em volta dos aposentos reais.


O Rei se permaneceu calmo, sentado diante de sua escrivaninha em seu luxuoso quarto, ele ainda estava acordado quando toda essa confusão começou no Palácio, quando soube de uma possível invasão ele correu e buscou por sua espada, devido tudo isso ele não conseguiu se concentrar novamente em seu trabalho, apenas ficou ali olhando em direção a porta, atento a qualquer movimento suspeito que viesse do lado de fora de seus aposentos. Duas horas se passaram desde então, mas fora os guardas mortos no pátio nada mais suspeito aconteceu.


O rei não baixou a guarda por completo, mas relaxou um pouco de sua postura defensiva, uma vez que o Palácio se tornou silencioso mais uma vez.


De repente um grito de falcão cortou a noite, vindo de uma das torres de vigias que circundava o terreno do castelo, os guardas ali perto olharam em sua direção, perplexos, uma vez que essa ave não era típica da região.


Ao mesmo tempo sons de galopes se tornaram audíveis do outro lado dos portões da muralha, os guardas se posicionaram esperando algum sinal vindo das torres, mas ele não veio. Foi então que outro grito de falcão soou do lado de fora, os guardas perceberam tarde demais que esse era o início do ataque inimigo.


Pang!


Inesperadamente os pesados portões da entrada se abriram com uma facilidade imensa, fazendo os guardas perderem a postura, chocados.


Um grupo montado a cavalo passou pelos portões, havia por volta de quinze indivíduos, todos cobertos por uma capa negra e uma máscara que lhes cobriam o rosto.


Os guardas que estavam mais perto correram em suas direções brandindo as espadas, tentando ao máximo interceptar os invasores, mas esses pareciam nem se importar com a presença dos guardas, o mascarado que liderava o grupo estava montado em um lindo cavalo branco, ele trocou alguns golpe de espadas com alguns guardas antes desses se afastarem abruptamente gritando de medo ou desmaiarem sem mais nem menos.


Logo a entrada do castelo estava empanturrada com corpos e mais corpos, o grupo desceu de suas montarias e correram em direção da porta do castelo, o líder do grupo fez um movimento com os braços, como se empurrasse algo, o ar se agitou em volta de seus braços e uma lufada de vento disparou em direção às portas e as escancarou, os guardas que estavam mais próximos delas voaram para longe devido a pressão do ar que se chocou contra seus corpos.


Por algum motivo os guardas congelaram quando o líder mascarado pisou no enorme hall, eles sentiram arrepios percorrerem seus corpos, um medo avassalador os consumiu e alguma coisa dentro deles diziam para correrem e se salvarem. Então ao em vez de atacarem o lider os guardas apenas dispararam contra os outros mascarados do grupo.


Deixando assim o caminho livre para o líder que foi em direção às luxuosas escadas de mármore branco, ele subiu os degraus indo em direção ao próximo andar, mais guardas correram em sua direção, os mais corajosos conseguiram se manter conscientes e o enfrentou, trocando alguns golpes antes que o mascarado lhes desse o último golpe fatal.


Os degraus foram tingidos de vermelhos conforme esse avançava de forma rápida, sua esgrima era impecável e seus movimentos não eram desperdiçados, isso mostrava que esse desconhecido mascarado era muito experiente em batalhas, para ele esses guardas não eram um problema, e devido ao seus corações fracos muitos fugiam com o rabo entre as pernas, com isso ele logo chegou a onde queria.


Havia muitos guardas barrando o corredor que levava aos aposentos reais, quando viram o indivíduo máscarado se aproximar eles imediatamente se colocaram na defensiva, o intruso avançou sem fazer movimentos abruptos, mas novamente a troca de golpes se iniciou mais uma vez, diferente de antes esses guardas pareciam ser muito mais fortes e habilidosos, afinal eles eram encarregados da proteção do Rei, era de se esperar, eles não recuaram diante do inimigo, apenas sentiram um estranho formigamento no couro da cabeça.


O mascarado sorriu por de baixo da máscara, embora estivesse empolgado com seus adversários e quisesse continuar com a luta ele não tinha tempo para se divertir com isso, ele recuou o mais longe possível dos guardas que pararam e o olharam atônitos quando ele guardou a espada na bainha.


O intruso ergueu as mãos na altura do peito, as palmas viradas para fora, um sinal de rendição. Os guardas se colocaram na defensiva mais uma vez, mas não atacaram apenas observaram cautelosamente o invasor.


— Você está se rendendo? — Um dos guardas perguntou com a voz firme e apontou a espada para frente.


— Mas é claro… — A voz que veio de trás da máscara era grave e melodiosa, seu tom era de zombaria. — Que não.


O mascarado empurrou suas mãos para frente o ar se agitou mais uma vez em volta de seus braços, logo uma rajada de ar disparou pelo corredor atingindo os guardas e os jogando contra as paredes com muita força, ao ponto da parede ornamentada ganhar rachaduras novas. Os que ainda conseguiam se levantar dispararam mais uma vez contra o inimigo, mas desta vez a luta não se estendeu, não muito tempo depois a entrada para o quarto estava livre.


Toc Toc.


O mascarado bateu na porta e esperou.


Toc Toc.


— Eu sei que vossa majestade está aí dentro, então abra por favor — pediu o mascarado do lado de fora.


O Rei não esperava que conseguissem chegar até seus aposentos de maneira tão rápida, também não esperava que todos seus melhores guardas cairiam, ele segurou sua espada, mas não ousou se aproximar da porta, podia sentir uma aura pesada vinda de fora de sua porta, seu coração estava acelerado por algum motivo.


— Estou entrando, vossa majestade — gritou mais uma vez o invasor do lado de fora. — Com sua licença.


Dito isso um estrondo veio da porta, alguém chutou a porta que em seguida se escancarou, pedaços da fechadura voaram para longe, passo ecoaram lentamente indo em direção ao Rei que estava perplexo demais para dizer alguma coisa.


— Desculpe a hora, vossa majestade— o homem coberto com uma capa preta dos pés a cabeça disse o reverenciando em respeito.


— Quem é você?! — Perguntou o Rei rudemente com a voz áspera.


— Você não me reconhece, vossa majestade?


O intruso levantou a cabeça, revelando então uma máscara de porcelana branca com o formato de um rosto sorridente, entretanto abaixo das fendas dos olhos havia algo parecido com lágrimas de sangue que escorriam até pouco acima dos lábios da máscara, o vermelho fazia um contraste assustador com o branco.


— Você é o "cão sorridente" — afirmou o rei arregalando os olhos e apertando mais ainda a mão ao redor do punho da espada. — O que você veio fazer aqui?!


O mascarado riu sem humor.


Por favor, vossa majestade, não me chame assim essa alcunha é ridícula demais, não sei quando começaram a me chamar assim, mas isso é inaceitável — a voz era impregnada de sarcasmo. — Eu estou aqui porque o lunático me pediu, ou melhor, ordenou.


— Nós já aceitamos essa guerra! Thohand não consegue lutar justamente pelo menos uma vez sequer? — O rei estava incrédulo com tamanha ousadia. — Vocês pensam que todos os países vão se curvar silenciosamente diante de seu império?


O mascarado suspirou.


— Sabe, senhor, eu estou aqui sob ordens e não tenho muita escolha sobre isso — deu de ombros, em seguida caminhou até a escrivaninha e como se não quisesse nada se apoiou nela, cruzando os braços e continuou. — Eu também acho que Thohand foi bem injusta de invadir desse jeito seu país sem avisar, mas infelizmente temos que acatar as ordens do nosso imperador maluco.


— Entendo. Então você está aqui para me matar.


— Na verdade vai depender de sua escolha, vossa majestade.


— Como assim? — Perguntou sem entender, mas manteve o tom sério.


— As ordens dada pelo louco foram "conquiste aquele reino em menos de cinco meses", ele não especificou se queria ou não a cabeça de vossa majestade. Podem me chamar do que quiserem, mas nunca me chamem de injusto, por isso vou te fazer uma proposta é cabe ao senhor aceita-la ou não.


— Que bonzinho você, não? — O rei estreitou os olhos suspeitando.


— Não é bondade, vossa majestade. O fato é que eu não suporto ser comparado com aquele maluco, de preferência eu queria não mata-lo, mas se eu deixar o senhor ir embora sem ao menos fazer um acordo, tenho certeza que você voltaria para se vingar diante de tamanha humilhação.


— Você está certo.


— Abaixe a arma por alguns instantes, vossa majestade — pediu. Sua voz era tão gentil que nem parecia que ele estava ali para cometer um assassinato. — Se eu quisesse matar o senhor de imediato já teria feito isso desde a hora que entrei aqui, então por favor, abaixe isso é vamos conversar.


O rei pareceu bastante relutante quanto a isso, seu olhar correu do homem para a espada, da espada para o homem, depois de um tempo analisando a postura do homem, viu que ele estava relaxado demais, sua espada estava embainhada e ele não sentia hostilidade vinda dele, naquele momento o que mais era perturbador era aquela máscara que o sujeito usava.


Você poderia tirar essa coisa do seu rosto? — Pediu o rei, por fim baixando a lâmina. — Ela me desconcentra.


— Ah, sinto muito, vossa majestade. Mas só os mais próximos de mim podem ver o meu rosto, não uso essa máscara a toa. Espero que o senhor possa me entender.


— Na verdade não entendo, mas vamos logo ao ponto, qual a proposta que o traz aqui, cão?


— Obviamente eu terei que mata-lo, vossa majestade, caso você recuse. Mas sou muito benevolente e vou te dar a chance para se defender.


Vá logo ao ponto.


— O Senhor é muito impaciente, vossa majestade — retrucou com a voz risonha. — Mas o senhor está certo, não tenho tempo a desperdiçar — ele ajeitou a postura e continuou em tom sério. — Entregue o país sem resistência, assim pouparei o senhor e sua família, só para sua informação seus filhos estão sob a custódia dos meus homens.


Os olhos do Rei se arregalaram em surpresa, até então ele pensava que seus filhos estavam lutando na guerra. Ele fez menção de abrir a boca para discutir, mas o mascarado ergueu a mão e prosseguiu:


— Ao invés de morrer o senhor terá o seu título de nobre rebaixado, eu me certificarei disto, o imperador não vai se importar em te dar tal título se o senhor jurar lealdade a ele e der tudo o que ele deseja.


— Você acha que isso é fácil? Não basta só a mim essa decisão, eu e a corte precisamos entrar em um consenso, e você já deve saber qual seria o resultado.


Você não está entendendo vossa majestade, estou falando do senhor, a corte não é meu problema. Se o senhor se render e entregar o país de Oriah, o máximo que vai acontecer é o senhor perder algumas propriedades e ter seu título rebaixado, você ainda vai ser uma das pessoas mais influentes do império, você só tem que jurar lealdade ao louco e a bandeira do império de Thohand. Eu estou sendo muito generoso com o senhor, caso me pergunte.


O rei pareceu ponderar, mas não disse nada, apenas coçou o queixo pensativo.


— Essa guerra já está perdida vossa alteza, seu exército não é páreo para Thohand, eu notei que até mesmo civis foram convocados, não é justo que mais e mais pessoas inocentes se envolvam nessa guerra — a voz carregada de sentimentos surpreendeu ao Rei.


— Você está certo sobre a guerra. Mas eu posso realmente confiar em você? A final você é o cão do imperador.


— No momento só posso dizer para que o senhor confie em mim, não terei escolha se mais tarde ele me pedir para mata-lo, vossa majestade. Mas se o senhor cooperar darei o meu máximo para proteger o senhor e os príncipes, lhe dou a minha palavra. Então, por favor, pense a respeito ou então pegue a sua espada e venha.


O rei parou e pensou por mais alguns minutos, não lhe agradava o fato de ter que se curvar diante daquele imperador louco, mas, como muitos, ele sentia medo ao pensar em morrer, ou em ver seus filhos mortos. Ele já era um homem de idade e não tinha mais tanta força para lutar, se entrasse em um duelo naquele instante, ainda mais com tal oponente, suas chances de sair vivo eram nulas.


Apesar do homem parado em sua frente ser protagonista de muitos rumores horrendos, agora o vendo de perto o rei pensou que ele era bem diferente do que nas histórias que eram contadas sobre ele e sua personalidade não era tão distorcida quanto os rumores diziam. Por algum motivo o rei sentia que realmente podia confiar nele, por isso não hesitou mais e jogou a espada no chão.


Acho que um título rebaixado é melhor do que morrer, também irei jurar lealdade ao império de Thohand. Apenas peço que o senhor cumpra com suas palavras.


O rei não pode ver, mas um sorriso se formou por baixo da máscara.


O Senhor é uma pessoa muito sabia, vossa majestade. Assim como disse antes, irei cuidar de tudo a partir de agora.

24 de Julho de 2021 às 03:11 0 Denunciar Insira Seguir história
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