g-s--santos Guilherme Santos

Ele jurou não ser o culpado... Digo... Ele jurou que não seria o culpado caso existisse algo para ele ser acusado. Em uma suposta tentativa de reverenciar a narrativa do grandioso Douglas Adams em "O Guia do Mochileiro Das Galáxias"


Ficção científica Distopia Todo o público.
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O Suspeito

Antes de ser o responsável pelo grande filtro planetário, Marlian era um planeta exótico, não por estar fora da via láctea, e também não por conter nitrogênio, oxigênio; pouco gás carbono, metano, nitroso e vapor de água. Não por ter a quantidade exata de todos os elementos que nós humanos achávamos complicados de mais para ser um grande acaso.


Marlian tinha vida? Perguntaram-me, não respondi de imediato, e nem depois, e até hoje não liguei para aquele aluno que tinha me perguntado. Mas agora eu respondo. Quer dizer, responderia se pudesse. Que fique claro uma coisa: eu queria poder dizer que sim, ou que não.


Ainda é uma incógnita, não o fato da vida em Marlian, mas sim o fato de um planeta poder viajar, sair de sua galáxia, andar por ai como uma nave. Passear pelo universo como as ondas de radio do Hubble.


Digamos que. Hipoteticamente, eu pudesse supor de que exista algum tipo de vida em Marlian, ou melhor, supor que um dia existira vida em Marlian. Eu poderia fazer isso certo? Não seria crime federal especular sobre algo, mesmo que eu não tenha supostamente passado por Marlian alguma vez, ou supostamente de forma hipotética tenha ficado hospedado no hotel cinco estrelas entre a avenida oito e a rua nove que dava de frente para o shopping. Deus, aquela pracinha parecia mesmo algo de outro mundo. E na verdade era. Quer dizer, supostamente era.


Hipoteticamente os habitantes de Marlian seriam caso existissem, um pouco parecido com os humanos, digo, sua forma de andar pareceria um pouco com os humanos caso tivessem pernas. O modo de falar seria parecido com os humanos caso tivessem boca, assim como o sistema digestivo funcionaria igual o sistema humano caso eles tivessem um sistema digestivo para parecer com os humanos.


Tinham uma forma que poderíamos dizer que era gasosa talvez? Não sei se poderia dizer isso, pois, não eram feitos de matéria. Porém, eles existiam isso eu posso afirmar. Quer dizer, poderia afirmar se isso não fosse uma situação hipotética.


Eram supostamente feitos de cores, sim, cores. Em Marlian as cores agiam de forma semelhante á matéria que conhecemos. As pessoas tinham diferentes tons, com diferentes misturas de cores formando cada individuo único. Foi difícil acostumar com a falta de alguns recursos em minha estadia lá; caso claro, eu tivesse ido para Marlian realmente.


Imagine acordar e ver um tom de azul passeando com um tom de roxo um pouco menor que supostamente andaria em quatro patas caso tivesse patas para se colocar em cima.


As casas de Marlian supostamente seria igual as casas que temos aqui no planeta terra, digo, que teríamos no planeta terra se ele ainda existisse. Como eu disse: “O grande filtro planetário” lembram?


Antes de dizer sobre o filtro, me deixe em paz, e me deixem falar mais um pouco sobre como era Marilian. MERDA! COMO SERIA MARLIAN!


Para meios de simplificação, digamos que toda vez que me referir ao planeta viajante eu esteja supondo, certo? Ótimo, Marlian era um planeta pequeno, você poderia dar a volta em todo o planeta em apenas dois dias Marlianos. Digo, poderia se você fosse como os habitantes em Marlian, pois cada hora terrestre lá eram novecentos e quarenta e oito bilhões de anos no antigo planeta terra. Por isso quando eu digo “pequeno” me refiro a perspectivas dos Marlianos.


Talvez estejam perdendo o foco, as casas... As casas de Marlian, elas eram coloridas, muito coloridas, e só.


Imaginem viver dentro dos olhos de um animal terrestre que tivesse olhos coloridos, caso fosse possível. Digo, mais colorido que o normal. Ou como era antes no normal da época em que a terra existia.


Pois assim era Marlian. Cores, muitas cores.


Quando cheguei lá, me jogaram dentro de uma maquina que supostamente me faria ser igual aos Marlianos; mas por algum motivo, a quantidade de complexidade exagerada nas cores de Marlian, não era compatível e nem aceita pela minha composição orgânica, não poderia ser aplicada ao meu corpo, e nem no meu “ser”, caso “ser” fosse algo importante. Pelo o que me foi dito, existia algo que eles chamavam de otiecnocerp anticolorido. Apenas depois de menos de um milésimo Marliano percebi que deveria ter lido otiecnocerp ao contrário. Lembro de gritarem algo no fundo da sala onde estava a máquina, algo como “ “ não saberia dizer como, mas fui descobrir logo depois em menos de um outro milésimo Marliano que estavam xingando a raça humana.


Então por longos meio segundos Marlianos vivi em Marlian. Até que um grupo de astronautas de roupa não muito colorida invadiu Marlian a minha procura. Não sei quanto tempo passou fora de Marlian, mas deu a entender que tivera sido bastante, pois a terra já não existia mais. E nem o sol, e nem a lua da terra, e nem Júpiter, nem Marte, pra maior simplificação não existia mais o “sistema solar”. Digo, a tal da via láctea não existia mais, parecia que Andrômeda tinha se chocado com ela, mas por algum desinteresse político acabaram entrando em uma guerra universal que teriam mandado centenas de jovens para as trincheiras estelares. Tudo por causa de uma gripezinha se não me falha a memoria.


Não seria hipócrita e dizer que sinto falta de Marlian, era difícil ver tantas cores e ser o único descolorido daquele lugar. Durante meio segundo me alimentei de apenas pedaços de coisas coloridas que pareceriam com pedaços de animais coloridos caso existissem animais lá.


Bom, este é meu testemunho, e quem quer que seja o juiz que ira me julgar. AFIRMO! Eu não fui o culpado pela descolorização do universo. Juro, foram os astronautas sem cor, eles fizeram atrocidades em Marlian. Se não fosse por eles, o universo seria ainda colorido, e Marlian não teria apagado toda a cor, digo, caso eu soubesse mesmo de tudo isso, vossa excelência. Caso Marlian existisse, assim seria Marlian, não poderia eu ser condenado ao incolor se apenas especulasse sobre como teria acontecido o que dizem que supostamente aconteceu.

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- Dr. Havensovry. Professor PHD em ciências da suposição de caso certas coisas acontecessem. Suspeito de descolorir o universo.

- Para minha suposta filha laranja que tive na viagem de volta com uma linda cor de rosa que resgatei da prisão dos astronautas, todo meu amor e admiração.

12 de Julho de 2021 às 01:13 1 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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Guilherme Santos Apenas mais um entre os milhões que criam novos universos...

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Isabella Medeiros Isabella Medeiros
Devo dizer que não sei avaliar um livro ou um conto. Pra mim, um livro tem que ser muito ruim a ponto de eu ler e pensar "mas o que eu estou lendo? Por que estou lendo isso?" pra eu conseguir dar sequer uma estrela. Dito isso, minha nota pra Descolorização fica em 5 estrelas. Acontece que para mim esse conto funcionou. Eu ri nas partes malucas e engraçadas, fiquei curiosa quanto a esse planeta doido e colorido. Fiquei me perguntando como seria se o universo fosse de fato descolorido. Se existe um planeta nele que é parecido com o descrito aqui. Gostei da ideia de o protagonista repetir e repetir que não sabe nada sobre o tal planeta mas na verdade saber basicamente sobre tudo. Gostei também das pequenas referências que encontramos durante o conto todo, que você le e comenta "ops, eu sei sobre o que é isso!". Acho que o Douglas Adams gostaria desse conto. E diria algo maluco e com total sentido sobre ele. Só sei que eu gostei.
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