E
Erick D


A família Souza precisa urgentemente de uma reforma na casa, afinal a residência esta infestada de cupins. Felizmente o patriarca consegue alugar uma outra casa maravilhosa e totalmente em conta pra ficarem durante a reforma. Com o tempo descobrem que há inquilinos indesejados em todo lugar, e em alguns casos não são cupins.


Horror Histórias de fantasmas Todo o público.

#]
Conto
2
630 VISUALIZAÇÕES
Completa
tempo de leitura
AA Compartilhar

A Casa Antiga

A família Souza precisava urgente de uma reforma na casa em que moravam. Sempre moraram em apartamento mas com a chegada do segundo filho, por necessidade, foram obrigados a construir uma casa às pressas, pois o ar do apartamento deixava o bebê muito doente.

Há quinze anos morando naquela mesma casa nunca conseguiram reformá-la, por falta de dinheiro ou por procrastinação. Devido a construção ser de madeira,com o tempo foi recebendo hóspedes indesejáveis. Estava infestada de cupins. O maior culpado da procrastinação foi Jefferson, o patriarca da família. O que o fez iniciar o processo de reforma foi ter ganho uma promoção em sua empresa e se tornado gerente.

Depois de fazer os empréstimos necessários, ainda precisava gastar um pouco mais com aluguel de alguma outra casa pela região. Fechou um contrato de três meses com uma mulher de sessenta anos que há alguns anos tinha uma casa apenas para manter os pais, mas que naquele momento estava vazia, pois haviam acabado de falecer.


Finalmente havia chego o dia em que ficariam três meses longe de sua antiga casa e quando retornassem encontrariam um lugar diferente e estranho para chamar de lar. Mas o mais importante, sem cupim. Foram necessárias cinco viagens, e enquanto o restante dos móveis eram fretados Daniel e Annelise ficaram encarregados de deixar a nova casa aberta, decidindo a disposição de seus quartos e guardando alguns objetos.

A casa era protegida por um grande portão de metal emoldurado por arame farpado que percorria os muros adjacentes até se encontrarem no muro dos fundos. Esse muro era completamente impossível de se visualizar sem um pouco de atenção, além de ser recoberto de cerca viva, ficava escondido pelas árvores do jardim. Além do jardim ter várias plantas, era composto por seis árvores, três ao fundo e as demais. Essas árvores causavam a impressão de que o jardim era maior do que parecia. Ao lado do jardim se encontrava uma pequena casa composta por dois cômodos, um utilizado como lavanderia e o outro para guardar ferramentas e utensílios para o jardim. Logo mais à frente havia um largo corredor que terminava em uma enorme garagem, ali tinha uma pequena porta que estava trancada e dava em um porão baixo e escuro. A antiga dona havia dito que a porta estava emperrada e não conseguia de forma alguma abri-la.

Em frente ao jardim ficava uma pequena varanda acessada pela porta dos fundos da casa onde se encontrava uma larga cozinha com o chão de azulejos amarelos. À esquerda havia uma porta igual à anterior onde fica a despensa, à direita um pequeno corredor onde se encontrava o menor dos três quartos, Daniel escolheu esse quarto. Em frente ao quarto ficava o banheiro. A porta do meio dava para um enorme cômodo utilizado para sala de visitas. O chão era de carpete. Na esquerda havia duas portas, na primeira estava o maior dos quartos, escolhido pelas filhas Diana e Annelise, a segunda porta se encontrava o quarto mediano, utilizado pelos pais da família. Parecia um lugar ideal para se viver com tranquilidade e sossego.

Depois dos quartos escolhidos, Daniel e Annelise estavam relaxados no sofá que haviam arrastado para o lado oeste da sala.

- Por que o papai escolheu outra casa de madeira para ficarmos, essa não pode ter cupim também?

- Bom, segundo ele a madeira que foi feita nesta casa é anti-cupim - Daniel sempre adorava sanar as dúvidas da irmã - mas o que achou da reforma da nossa casa?

- Ah! Só espero que meu quarto seja maior que esse. E essa casa Dani, o que achou?

- Gostei, é uma casa bonita e espaçosa.

- Achei legal, mas essa casa é meio estranha.

- Como assim?

- Sei lá, sinto que alguém está nos observando, não sinto que estamos sozinhos.

- Besteira Anne, quem mais estaria aqui?

- Não sei, espíritos?

- Capaz, essas coisas não existem.

Assim que Daniel terminou a frase a porta da sala abriu e fechou com um estrondo.

- Não se preocupe Anne, foi o vento.

Apesar de ter dito isso, seus olhos não desgrudaram do carpete que fazia movimentos como se alguém estivesse andando por cima dele, os movimentos se transformaram em som de passos quando alcançaram a cozinha e logo o estrondo da porta dos fundos abrindo e fechando ecoou no cômodo.

- E isso! Foi vento?

- Claro. O vento entrou e saiu.

Annelise fingiu ter aceitado a resposta do irmão, estava com medo e tinha visto os movimentos no carpete e ouvido o som de passos.


Estavam há quase um mês morando na casa e acontecimentos como o episódio da sala ocorrido com os filhos mais novos ficaram piores e mais frequentes. Sentiam que na casa havia muitas outras presenças, além dos cinco. Lisiane, a mãe, mesmo percebendo as coisas e acreditando em seus filhos preferia não aceitar por simples medo, e o único que não percebia as coisas era Jefferson, já que por trabalhar muito e viajar bastante a trabalho apenas utilizava a casa para dormir. Os que mais presenciavam as atividades noturnas da casa eram os filhos, como passos vindos da entrada até os fundos, como se uma excursão estivesse ocorrendo ali. Panelas batidas, armários abertos, Diana escutava toda noite alguém cuidando do jardim e as janelas abrindo, algumas noites escutava a porta do quarto que dividia com a irmã se abrindo, mas não tinha coragem de abrir os olhos para ver o que era. Annelise vivia tendo pesadelos com um homem sem cabeça com olhos de fogo que a levava até o jardim para conversar em uma grande árvore, mas foi considerado pelos pais apenas como devaneios de criança.

Na madrugada de 31 de Julho, Daniel acordou e de praxe olhou no relógio para verificar o horário, eram duas horas, nada de surpresas, logo ouviria os passos e badernas recorrentes como toda noite e dormiria. Entretanto, um dos passos, ao invés de seguir o rumo para o jardim foi direto na porta de seu quarto, Daniel se escondeu entre as cobertas imaginando com todas as suas forças que isso o defenderia. A porta se abriu e os barulhos foram direto para sua cama e começaram a tocar nele de forma abrupta.

- Dani, acorda por favor - era Diana - a Anne está sonâmbula e foi andando direto para o jardim, temos que buscá-la.

O rapaz se levantou de imediato e saíram para fora pela porta dos fundos e se depararam com um jardim totalmente diferente do que estavam acostumados. Apenas se enxergava as árvores da frente do jardim, não dando para ver o fundo devido ao nevoeiro que se espalhava pelo jardim, dando a impressão que era uma floresta. Mesmo com medo Daniel e Diana entraram, afinal, precisavam acordar sua irmãzinha.

Logo que entraram se arrependeram. Não conseguiam enxergar um palmo de distância, e além de estar muito escuro, a névoa era densa, fazendo com que vissem apenas silhuetas de árvores. Quando decidiram voltar atrás e acordar seus pais, não conseguiam saber por onde haviam entrado.

- Agora que estamos aqui, vamos em frente Diana!

- Tudo bem, mas onde vamos encontrar a Anne.

- Bom, vamos caminhar reto, eu sinto que ela está próxima.

Continuaram sua caminhada sem enxergar nada, se arrependeram de não terem pego lanternas, se guiavam com as mãos. As silhuetas de árvores pareciam estar próximas, porém novas silhuetas começaram a aparecer, silhuetas humanas, outras nem tão humanas assim, essas tinham formas grotescas parecendo trolls gigantes. Depois de parecer que haviam andado por quase três horas, pararam para descansar e também para criar mais coragem.

- Dani, onde estamos?

- Soaria idiota se eu dissesse que estamos no jardim de casa?

- Com certeza. Olhe em volta não é o mesmo lugar, e irmão, estamos andando há horas, nunca vamos encontrá-la. E essas criaturas!

- Di, olhe.

Diana olhou para onde o irmão apontava e viu uma silhueta grande com olhos que brilhavam, aquilo os paralisava de medo, abraçaram-se e esperaram a morte. Quando a silhueta se aproximou mais, viram que eram seus pais.

- O que está acontecendo aqui? - gritou a voz autoritária do pai - Onde está a irmã de vocês?

- Ela levantou sonâmbula e veio direto para o jardim, mas não conseguimos encontrá-la.

- Diana, isso é alguma brincadeira?

- Não pai - disse Diana chorosa.

- Mas então quem é aquela? - disse apontando para frente onde havia alguém deitado.

Chegando na pessoa viram que era Annelise, porém ao lado dela havia um pequeno baú feito de madeira.

- Amor, por favor, pegue nossa filha, vou levar essa caixa.

Acompanhados dos pais, a saída se mostrou mais fácil do que antes. Quando alcançaram a varanda Daniel teve um vislumbre de uma casa muito diferente da que estava morando, com paredes muito velhas e esverdeadas de tanto limo e mofo, mas logo voltou ao normal. Olhou para a irmã e com um simples olhar percebeu que ela viu a mesma imagem. Entraram no quarto das meninas para colocar Annelise na cama.

- Quero explicações. Agora - gritou Jefferson.

- Pai, por favor, acredite em nós. A Anne simplesmente levantou e foi direto para o jardim e não conseguimos encontrá-la, pois o jardim estava estranho, você viu.

- Eu não vi nada, não me venham dizer coisas sem sentido, falando que são espíritos porque essas coisas não existem.

Nesse momento todas as janelas e portas que estavam trancadas foram abertas num estrondo e o pai os olhou com olhos arregalados de medo.


Depois do incidente do jardim, Jefferson passou a acreditar em seus filhos e pediu muitas desculpas. Tentou de todas as formas falar com a senhora que os alugou a casa mas não a localizou.as não importava, em uma semana deixariam aquele lugar e estariam em sua nova casa, e sem inquilinos indesejados, de nenhuma forma.

Finalmente chegou o dia em que deixariam aquela maldita casa. Daniel acordou mais cedo do que estava acostumado, arrumou suas coisas e ficou aguardando na sala os demais se levantarem, achou estranho a porta do quarto de seus pais estar fechada mas resolveu esperá-los. Passado um bom tempo Daniel decidiu acordá-los. Quando entrou no quarto viu que o baú que haviam encontrado no jardim estava aberto ao lado da cama onde seu pai dormia, e sua mãe não estava do outro lado da cama.

- Acorde papai, está na hora de irmos para nossa casa.

- Oi filho - Jefferson acordou de supetão, estava com os olhos vidrados - Para casa? Mas nós já estamos em casa!

- O que você quer dizer com isso pai? - enquanto o garoto falava andava para trás a passos curtos em direção a porta, estava com receio de que se fizesse movimentos bruscos seu pai avançaria. Mas logo foi obrigado a parar pois sentiu uma mão firme agarrar seu ombro.

- Olhe filho venha para casa com a gente!

Ao reconhecer a voz de sua mãe Daniel olhou para trás e viu a mulher sempre calma e tranquila com o mesmo olhar vidrado do pai, atrás dela estavam suas irmãs com o mesmo olhar. Na mão esquerda de sua mãe havia um objeto bem luminoso e quadricular, do tamanho de um melão.

- Venha! Basta você olhar.

Quando a mãe de Daniel ergueu o objeto luminoso na face do menino ele não teve nenhuma reação, afinal estava muito assustado com tudo o que estava acontecendo que nem os olhos dele reagiram à luminosidade forte do objeto. Daniel encarou aquele cubo por segundos, mas para o garoto durou uma eternidade.


Amélia entrou na antiga moradia de seus pais, sem anunciar sua chegada - sempre mantinha a chave original para eventuais problemas com os inquilinos. Havia dois anos que seus pais vieram a falecer e desde então fez o possível para manter a casa sempre cheia, pois isso fazia ela se recordar de quando era menina e seus pais eram vivos.

Sua mãe lhe ensinando a cozinhar e cuidando em noites de febres e resfriados, seu pai sempre cuidando do jardim que na época era repleto das mais inimagináveis frutas. Sentia falta até mesmo dos dois brigando com ela quando fazia algo que não era correto. Essas coisas aconteceram há muito tempo, mas para ela foi num piscar de olhos. Por isso, falou com seu mais recente inquilino que seus pais haviam recém falecido.

Logo que entrou na casa seus olhos embaçaram e começaram a lacrimejar, mesmo com móveis diferentes a sala ainda fazia ela lembrar de seus pais. Secou os olhos e conseguiu enxergar seus novos inquilinos, todos no sofá de cinco lugares com os olhos vidrados, olhando para o nada.

No colo do patriarca da família estava o objeto quadricular que podia ser chamado de tesouro, assim que ela pegou o objeto tomando o maior cuidado para não olhar diretamente, pois sabia muito bem o que aconteceria se desse uma leve espiada, os integrantes da família Souza olharam diretamente para o cubo e começaram a segui-la, à passos curtos.

Amélia conduziu os zumbis Souza pela casa até chegar à garagem, lá entrou na pequena porta com o tamanho suficiente para seus seguidores entrarem sem precisar se abaixar. A luz do tesouro fez com que revelassem pessoas acorrentadas em cada canto, a direita da porta estava uma família com duas irmãs mais velhas e um garoto de doze anos junto com os pais, as roupas estavam todas sujas e com alguns lugares rasgados aparentando serem os prisioneiros mais antigos.

Mais afundo, no canto direito, estava mais uma família presa, dessa vez com dois garotos adolescentes e uma garotinha de cinco anos, as roupas estavam apenas sujas, provavelmente fora a segunda família a chegar. No fundo do lado esquerdo tinha outro grupo de prisioneiros com dois homens velhos e três adolescentes idênticos aparentemente com a mesma idade, duas garotas e um menino, pareciam estar com os corpos menos fatigados que o dos demais.

Quando Amélia entrou com o tesouro, os prisioneiros pareciam esquecer o que eles eram, todos ignoravam que as correntes estavam machucando seus pés e pulsos, apenas pensavam em alcançá-lo e nada mais. Amélia acorrentou os Souza para o canto esquerdo próximo a família com os trigêmeos, o que aceitaram sem resistência, se certificou de que todos estavam amarrados e foi embora, trancando a porta do porão.

Ao sair da garagem entrou na casa novamente e foi direto para o quarto do Sr e Sra Souza, o antigo quarto de seus pais. No caminho precisou fazer um grande esforço para não penetrar seus olhos no tesouro, deixava sua mente apenas focar nas famílias trancafiadas em seu porão, todas haviam sucumbido à tentação de olhar para o objeto e de forma falsa viam seus objetivos e propósitos serem concretizados, enquanto seus corpos se desfaziam conforme o tempo. Prometeu a si mesma que iria tirar todos daquela situação, mas para isso precisava focar em seu objetivo fixo e real.

Inseriu o tesouro no baú que estava ao lado da cama do casal e foi até o jardim para deixar o objeto onde a próxima família encontraria. Andou pelas árvores totalmente diferentes das que os Souza haviam passado uma das noites, eram menores e nada sombrias. Ao chegar na maior árvore, ajoelhou-se para guardar o baú próximo a uma das grandes raízes da Yggdrasil, como seu pai a chamava. Ajoelhada começou a bradar.

- Delfos! Delfos! Você está aí?

- Sempre estou Amélia.

Um homem com um sobretudo e um capuz negro que cobria todo seu rosto, apenas dando para enxergar sua barba ruiva comprida que ia até os primeiros botões do sobretudo fazendo-o parecer um senhor gentil, surgiu de trás da grande árvore. Porém, em contraste, pequenos pontos vermelhos que pareciam ser seus olhos o deixavam com um ar sombrio e misterioso.

- Não deu certo novamente, não é mesmo?

- Infelizmente não garota, me desculpe! - apesar da presença sombria sua voz era amigável - Como eu já disse, acertar uma realidade no meio de milhões é muito difícil. Saiba que se quiser tentar de novo, estou aqui.

- Vamos sim, só preciso de um tempo. Quase não consegui resistir ao tesouro hoje.

- Cuidado garota. Sabe que virar mais um fantasma perambulando pela casa não vai ajudar seus pais em nada.

Ficaram um bom tempo em silêncio, Amélia pensando se conseguiria resistir à força sobrenatural que emanava do objeto, ou se aceitaria a zumbificação de mais uma família no universo. O ser encapuzado ficou apenas aguardando a mortal divagando com suas situações mundanas.

- Vamos - a senhora se levantou - obrigado por esperar!

- Sem problemas.

Delfos deu alguns passos para frente ficando entre Amélia e Yggdrasil e fez movimentos de pinça com as mãos, assim que as mãos foram abertas a mulher sentiu uma vertigem e seus olhos apenas viam escuridão, mas em um segundo ou mais, a cor verde do jardim voltou. Em frente estava a casa, só que dessa vez estava totalmente velha, as paredes de madeira da casa estavam todas mofadas e apodrecendo, dando a sensação de que Amélia morava em um pântano.

- Delfos você esqueceu um detalhe.

Com um simples estalo de dedos, o encapuzado transformou a velha casa em uma moradia simples e bonita, ideal para se viver com tranquilidade e sossego.




***OLA PESSOAL IAE O QUE ACHARAM? ESTE É A MINHA PRIMEIRA HISTÓRIA PUBLICADA, SE PUDEREM DAR UM FEEDBACK NOS COMENTÁRIOS, ACEITO ELOGIOS.... RSRSRS.... OBVIO, MAS TAMBÉM ACEITO CRÍTICAS, APENAS AS CONSTRUTIVAS, PONTOS A MELHORAR.***


ABRAÇOS











15 de Junho de 2021 às 02:07 0 Denunciar Insira Seguir história
3
Fim

Conheça o autor

Comente algo

Publique!
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a dizer alguma coisa!
~

Histórias relacionadas