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Aquele seria o primeiro Dia dos Namorados de Kakashi e Obito. O relacionamento era recente, e ainda se esgueiravam por aí em encontros sorrateiros para conseguirem pelo menos um beijo longe de curiosos ou moralistas. Mas naquele dia, Obito propôs algo a mais.


Fanfiction Anime/Mangá Para maiores de 18 apenas.

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Capítulo Único

Notas iniciais:

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One-shot para o evento de Dia dos Namorados que acontece no Spirit. Betagem: @Mitoyia

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Estar de castigo vinha sendo uma desgraça para Kakashi. Não que ele fosse o tipo de pessoa que não parava em casa, muito pelo contrário. Com seis meses de mudança, não tinha amigos nem no bairro e nem na escola, onde ganhou antipatia ao invés de apenas indiferença. A grande ironia é que a pessoa que mais implicava com ele era o motivo de estar de castigo, assim como o de estar tão inquieto. 'Olha o que você foi me arranjar, Obito!', reclamava quando pensava em como tudo tinha virado do avesso tão rápido. Num dia, ele era um dos meninos mais insuportáveis da turma; no outro, era a pessoa por trás dos livros que Kakashi recebia todo mês de uma espécie de admirador secreto. Tinha sido um verdadeiro deus-nos-acuda descobrir os sentimentos de Obito por ele, assim como os dele próprio — que ficou mexido e sem saber o que fazer num primeiro momento — e o fato de que a coordenadora testemunhou o primeiro beijo deles que foi um pouco picante demais. Aquilo trouxe advertência, notificação aos pais, castigos e boatos na escola. A única coisa boa é que em meio ao caos puderam se entender.

Agora eram namorados. Kakashi preferia ir com calma com a jovem relação, já que era uma situação atípica e pela qual ele nem esperava semanas atrás. E também, o pai nem queria ouvir falar do tal Obito. Levaria tempo para Kakashi tocar no assunto com ele, mais tempo ainda para que aceitasse o relacionamento. Talvez ele tentasse afastá-los, mas uma hora entenderia que não adiantaria. Kakashi estava cada vez mais envolvido com aquele menino pretensioso que parecia sempre pronto para roubar um beijo dele. Não que ele precisasse roubar, o contexto deles é que fazia parecer que o que viviam era proibido.

Na escola, mal se olhavam. Obito estava sempre cercado dos “amigos” babacas dele, e ficava impaciente quando começavam a zoar Kakashi. Todo mundo entendia que ele queria exclusividade e ninguém contestava. Melhor assim, Kakashi ainda não conseguia se divertir minimamente com o fato de que aquela gente esperava em vão pela menor faísca entre eles depois do episódio que resultou na ida à diretoria. Ele era bom em esconder a apreensão. Ninguém sabia o real motivo, só especulam uma briga inacabada ou pior. Os meninos da turma corriam os olhos por Kakashi em busca de um hematoma ou qualquer sinal de que teve um embate com Obito, mas era em vão. Pouco podiam fazer além de cochichar; Obito nada confirmava, só os mandava ficar quietos. Embora quisesse mais do que nunca mandar aqueles babacas que se faziam de seus amigos irem se foder, era inteligente esperar mais um pouco. Pelo menos a bênção das famílias deles deveriam ter antes de peitar o resto.

Enquanto isso não acontecia, o único momento em que podiam ter alguma intimidade era no quarto de Kakashi, e ainda precisavam ser cuidadosos. Ao menor sinal de que o pai estava acordado perambulando pela casa, segurava até a respiração. Já chegou a enfiar Obito debaixo das grossas cobertas enquanto não tinha certeza de que os passos de Sakumo sumiram do corredor. Caso desconfiasse e quisesse entrar, Kakashi não podia deixá-lo em espera, muito menos fazer mais barulho enviando Obito para baixo da cama, nem arriscando que ele caísse saindo rápido pela janela. Era o preço que pagava pela insônia do pai e pela mentira que estava sustentando há semanas. Todo cuidado era pouco.

Mentir para Sakumo pesava mais a cada dia a consciência de Kakashi. Nunca foi de agir pelas costas dele. Agora estava se envolvendo com o garoto problemático da escola, e o motivo de estar de castigo. Sakumo não tinha problema com a sexualidade do filho, ele só não queria como genro um irresponsável e pervertido. Pouco importava se a família dele tinha um bom status. Não queria seu único filho tendo qualquer tipo de relação com aquele imoral causador de balbúrdia, e achou que tinha tudo sob controle mantendo Kakashi de casa para a escola e vice-versa e o deixando um tempo sem celular. Para o azar dele, já estavam combinando o próximo encontro sorrateiro que cairia no Dia dos Namorados.

— O que eu vou ganhar? — Obito perguntou.

— Não sei como se embala um pouco de juízo, senão eu te dava. — riu.

— Poxa, nenhuma coisa romântica… — fez biquinho. — Lê tanto e nem pra soltar uma frase de parachoque de caminhão.

Realmente, Kakashi não era a pessoa mais romântica do mundo, nem a mais experiente em relacionamentos. Obito era o primeiro namorado dele. E pelo visto, gostava de ser mimado.

Não se encontraram até o Dia dos Namorados, mas trocaram presentes. Obito lhe trouxe mais um livro da lista que tinha pedido para Kakashi fazer, e dava um jeito de deixar para ele toda semana. Tendo um pai que trabalhava numa editora, não era difícil ter acesso aos lançamentos. Kakashi também o surpreendeu com seu presente. Não foi nenhuma frase de parachoque de caminhão ou de qualquer romance, como Obito achava que pessoas que liam muito fizessem. Claro que Kakashi era muito mais que um leitor assíduo, e seu namorado ainda não conhecia todas as suas habilidades. Assim, ficou surpreso por Kakashi fazer cookies para ele. Todo ano ele fazia cookies naquela data para si mesmo, então conseguiu caprichar agora que tinha a quem dá-los. E o melhor, sem atrair suspeitas de seu pai.

Deve ter sido a primeira vez que faziam algo especialmente para Obito por que gostavam dele, não para bajular ou por que era o trabalho da pessoa. A expressão animada e grata deixou bem claro o quanto algo tão simples era tão valioso.

— Vale um beijo? — Kakashi brincou, vendo que os cookies ganharam mais atenção que ele próprio.

O olhou levemente impressionado com aquela pergunta e a respondeu imediatamente. Um beijo calmo, como estavam habituados, muito diferente do primeiro.

— Tem certeza que um beijo é tudo que você quer? — perguntou ainda próximo a boca de Kakashi. — Podemos ir mais longe, se quiser. Estou sempre disposto a ir mais longe com você.

— É perigoso… E já tivemos problemas uma vez. — sussurrou de volta, mas não o afastou.

Devia Kakashi ser ainda mais imprudente do que vinha sendo? Era tão tentador. E não é como se ele já não tivesse cogitado antes avançar um pouco mais com Obito. Era tão perigoso! Aquele dia na escola foi uma irresponsabilidade sem tamanho. Seria o fim deles se fossem flagrados agora. Sakumo mataria Obito e depois morreria de desgosto por descobrir que o filho cometeu uma desobediência daquele tipo. Kakashi queria os lençóis manchados, mas não de sangue, nem de vergonha, ou arrependimento.

Obito parecia não ligar muito se seu sogro o mandaria para o outro lado mais cedo. Também não pressionava Kakashi. Sabia que a maior barreira entre eles era a culpa que Kakashi carregava nos ombros como se estivesse cometendo um crime hediondo. O desejo não podia se consumar junto de uma culpa tão grande, e levaria tempo para Kakashi reduzir o fardo dele e viver o que o esperava. Se pudesse conversar com sua amiga Rin, ela certamente lhe diria para transar com Obito sem pensar duas vezes, que estava em seu direito de tomar decisões que os adultos julgariam erradas por ser um adolescente. As coisas eram tão simples na cabeça dela e de Obito, como se dividissem o mesmo neurônio. Diferente deles, Kakashi pensava demais. E em todos os cenários de hipóteses sobre a primeira vez dele e de Obito acontecer agora, só via desgraça depois de gozar.

— É só a gente não fazer barulho — Obito sugeriu e o beijou.

De novo, Kakashi não o afastou. Correspondeu ao beijo nada calmo e não reclamou de mãos bobas, nem de seu zíper sendo aberto. Só por um momento ele estava deixando os receios de lado, confiando que não seriam pegos daquela vez. Obviamente, não poderiam fazer muita coisa para não dar sorte ao azar. Mas parecia satisfatório ter Obito entre as pernas, unindo as ereções num afago ainda mais erótico do que o daquele dia atrás do auditório.

Mordia os lábios para não deixar escapar nenhum gemido. Assim, só as respirações e os batimentos cardíacos estavam fora de controle. Ninguém poderia ouvi-los além deles mesmos, nem se estivesse à espreita na porta do quarto de Kakashi. Exatamente para conter o barulho, evitaram a cama de Kakashi. A parede era fria na pele do dono do quarto, um contraste Obito que mantinha seu tronco aquecido.

Obito se afastou apenas para abaixar-se e engoli-lo. A cavidade quente e receptiva, indo e vindo com tanta habilidade quanto as mãos tinham feito antes, fazia Kakashi revirar os olhos de prazer e agarrar os cabelos do namorado. Queria gritar enquanto ia cada vez mais fundo na garganta alheia, mas não tinha esquecido que precisava ter seu prazer de forma silenciosa. E assim, jorrou em Obito antes que pudesse avisá-lo. Nenhuma primeira vez era perfeita.


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Notas finais:

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Obrigada quem leu e deixou mimos.

13 de Junho de 2021 às 01:32 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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shikamaterasu • Uchiha stan • multishipper

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