biana-v Biana Vendramini

O príncipe Doretarf de Kovir e Poviss viu seu pai ser assassinado em sua frente pelo próprio conselheiro do rei e seu tutor de maior confiança, o poderoso mago, Terorah de Nazair. Em busca de vingança, ele percorre o Continente a procura de aliados para retomar o seu trono. Exilado a própria sorte, Doretarf conseguiria realmente retomar seu reino? Em sua árdua jornada ele conhecerá indivíduos que serão cruciais para alterar o rumo de seu destino, dentre eles, Cerys an Craite e Geralt de Rívia, mas duas mulheres em especial que mudarão completamente sua essência como pessoa, a bruxa Siana de Narok e a princesa élfica Ellinfirwen. Alianças improváveis precisarão ser firmadas em meio a uma incessante guerra entre humanos e as raças ancestrais, enquanto demais guerras territoriais entre os reinos do norte e sul se sucedem incansavelmente. Contudo, amores improváveis também podem surgir diante de tantas adversidades, provando que ódio, vingança e poder não são as únicas motivações para se lutar por algo. "A espada do destino tem dois gumes, o da sobrevivência e o da morte e escolher um lado muitas vezes tem um preço alto a se pagar." Notas da História: ⚜️ Esta fanfic trata-se do primeiro volume de uma trilogia. 1° - A Espada do Destino 2° - O Legado dos Elfos 3° - (Ainda não definido) ⚜️ História original, mencionando alguns eventos dos livros, série e jogos de The Witcher com conexão direta em sua maioria com os acontecimentos canônicos. ⚜️ O universo de The Witcher assim como seus personagens pertencem a Andrzej Sapkowski, exceto OC's de nossa propriedade criados especificamente para esta fanfic. ⚜️ Muitos que acompanham fics de The Witcher ou já leram os livros devem saber que o vocabulário do idioma Hen Llinge (também conhecido como língua antiga, ancestral ou élfica) é muito precário então não há tradução para a maioria das palavras. Por tanto para adaptar o idioma em algumas falas e frases eu necessitarei traduzir algumas palavras para o Galês e Irlandês que são uns dos idiomas base do Hen Llinge. Então a tradução na fic não é cem por cento de acordo com a linguagem criada pelo Andrzej Sapkowski, pois o vocabulário canônico deste idioma de fato não existe por completo. Por tanto será necessário adaptações. Todas as traduções de palavras e frases utilizadas em cada capítulo serão deixadas nas notas finais. ⚜️ Tentaremos ao máximo sermos fiéis a personalidade dos personagens canônicos. ⚜️ A fic não é movida á reviews, mas saiba que qualquer comentário, seja ele sugestão, elogio ou crítica, com tanto que seja construtiva, será muito bem vindo. Pois através deles podemos saber se realmente estamos trazendo um conteúdo de qualidade aos leitores. A sua opinião é muito importante e me ajuda muito no desenvolvimento da fic! Aprecio muito a colaboração dos queridos leitores ♥️ ⚜️ As imagens são meramente ilustrativas apenas para representar a aparência física dos personagens não tendo qualquer relação com outros fandons. ⚜️ Plágio é crime, não copie. Crie!


Fanfiction Livros Para maiores de 18 apenas. © O universo de The Witcher assim como seus personagens pertencem a Andrzej Sapkowski, exceto OC's criados para esta história e de propriedade das autoras deste projeto.

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Kovir e Poviss

Ergueu a espada de aço e a espada de prata,

Como lhe foi ensinado a se aventurar,

E lutou contra o declínio sombrio, para subir e se reacender.

“A Noite Escura — Lorenzo Trolde”


A noite chegava lentamente enquanto o rapaz retornava ao palácio, cavalgando em seu corcel de pelugem marrom-avermelhada, a armadura reluzente manchada pelo sangue dos inimigos, a plumagem em seu elmo balançava enquanto seus cabelos negros prendiam-se as suas têmporas pelo suor. Suas irises azuis-celestes concentravam na estrada, enquanto seus homens vinham logo atrás, exaustos e abatidos pela batalha.

Em pouco tempo de cavalgada, o príncipe avistou sua morada, Pont Vanis, capital do reino de Kovir e Poviss durante o verão, que localizava-se na Baía de Prakseda. Uma pequena monarquia geograficamente, mas um gigante da economia, e o maior exportador de minérios do Continente. As bandeiras vermelhas balançavam, com o símbolo dourado de sua casa — a roda de leme. Enquanto os sentinelas avisavam de seu retorno, abriram de imediato os portões da fortaleza, aos poucos os homens adentraram com um suspiro de alívio por chegarem sãs e salvos. O príncipe, por sua vez, caminhou apressadamente para dentro do castelo, deixando seu corcel aos cuidados de Gimbli, seu mais antigo amigo. Ao adentrar a sala do trono, o arauto anunciou:

— O príncipe Doretarf Troideno de Kovir e Poviss.

O rei imediatamente interrompeu a prosa com seu conselheiro e mago fiel para voltar a atenção ao seu filho, agora perto o suficiente para sentir o cheiro de sangue em suas vestes. O monarca exprimiu um semblante de nojo levando a mão as narinas, seus anéis dourados brilharam de encontro com as tochas acesas fincadas nas paredes.

— Vejo que obteve sucesso na batalha — observou o Gedovius.

— Sim, pai — confirmou o príncipe afastando-se um pouco do trono. — Eram apenas cinco mil soldados. Redânia e Kaedwen foram massacrados em um instante.

— Você diz em um instante, no entanto, levou três dias para tal — disparou o rei em tom sério. — Quantos de nossos dez mil soldados sobreviveram?

— Sete mil, meu rei.

— É um bom número. Radowid e Henselt devem tomar-me por tolo — Gedovius cerrou os punhos. — Aqueles patifes, conspirando pelas minhas costas, subestimando minhas riquezas e minha influência, seus soldados de araque tiveram um fim digno. Mas agora não há tempo algum para tratar de assuntos militares, Crach na Craite nos convida a Skellige, entretanto recusei o pedido levando-o a vir para Kovir. Ainda não sei do que se trata a negociação, por isso que ele venha para a cova do leão, jamais permitiria o contrário. Lave-se, troque-se e prepare-se, pois nossos convidados atracaram a pouco em nosso porto.

— Sim...

O príncipe deixou o salão.

— Vossa majestade, seria mesmo sábio não colocá-lo a par dos acontecimentos deste palácio? — indagou-lhe o mago.

— Não se preocupe, Terorah, o rei ainda sou eu. Não o preocupe a respeito de Nilfgaard, pois pretendo não me envolver nesta guerra.


(...)


Doretarf estava mergulhado em água ensaboada, com as costas apoiadas na borda escorregadia da tina de madeira. A navalha encostada na garganta deslizava dolorosamente sobre seu pomo de adão, subindo na direção do queixo. O barbeiro deu mais uma raspada para finalizar e lhe secou o rosto com uma toalha. Ele levantou-se permitindo ao criado que derramasse água sobre seu corpo com um balde, sacudiu-se e saiu da tina, deixando marcas de pés molhados no piso de lajotas.

Encobriu-se da cintura para baixo com uma toalha, caminhando em direção ao seu quarto.

— Vossa alteza, o rei pede que se apresse — revelou-lhe o castelão. — Os convidados de Skellige já se instalaram no castelo e o rei exige sua presença no banquete, sem delongas.

— Certo — o rapaz verificou suas vestes sobre a cama e arqueou uma sobrancelha. — A meu ver, o rei está mesmo receptivo com nossos convidados.

— Vossa majestade quer expressar que suas riquezas não são apenas para a batalha, mas que há também imponência nas vestimentas reais.

— Meu pai quer impressioná-los com nossas riquezas, disto tenho minhas dúvidas, ele simplesmente quer humilhá-los.

Doretarf apressou-se em vestir-se com a ajuda do criado e acompanhou o velho castelão ao salão de banquete. Ele trajava um gibão vermelho adornado com detalhes em ouro, desenhos circulares por toda a extensão que contrastavam com a iluminação do ambiente. Em suas botas negras haviam pequenos diamantes sobre suas bordas. Em seus dedos, anéis com pedras preciosas, safiras, esmeraldas e rubis. E sobre seus cabelos a coroa em prata adornada com diamantes.

Apesar de achar extremamente extravagante suas vestes, o príncipe não renegava sua riqueza, na verdade, ele não saberia viver sem tais privilégios, afinal era o filho único e o herdeiro de Kovir e Poviss e tudo o que ele desejasse ele teria em suas mãos. Foi assim antes e assim seria para sempre, pelo menos em seus pensamentos. Juntou-se ao seu pai na mesa defronte aos convivas, junto a Terorah e o castelão.

— O duque Crach an Craite de Skellige — anunciou o arauto.

O skelligano aproximou-se com um sorriso de orelha a orelha saudando o rei e cumprimentando aos demais sentados. Trajava um gibão colorido em verde-oliva com cáqui e um leve tom de marrom, em sua cintura uma medalha dourada apertando-lhe a barriga, em sua barba ruiva havia resquícios de cerveja e comida.

— Estou muito agradecido pelo convite vossa majestade — começou Crach. — Em nome do clã an Craite nós o saudamos.

— A honra é toda minha — saudou Gedovius erguendo sua taça em um brinde. Os demais o acompanharam.

O rei vestia um gibão dourado brilhante, botas marrons com adornos de ouro, anéis de prata e ouro com pedras preciosas. Sua capa vermelha continha detalhes em prata e em seus cabelos marrons estava a coroa de Kovir e Poviss dourada, adornada de safiras e diamantes. Seus olhos azuis-celestes estavam compenetrados em Crach an Craite e relembrou-se da conversa que tiveram mais cedo antes do banquete.


(...)


— O duque Crach an Craite de Skellige — anunciou o arauto abrindo os portões para o salão do trono.

O homem ruivo caminhou com confiança até encontrar o dono dos frios par de olhos azuis sentado no trono. Ele agachou-se reverenciando o rei, sentado com a mão sobre o queixo.

— Levante-se Crach, és meu convidado de honra — anunciou Gedovius. — Acredito que deva ser um assunto de extrema importância, caso contrário tu não se curvarias a mim, mas sim a Calanthe de Cintra que consideras como a Rainha de todo o Norte. A Leoa de Cintra como a chamam. Então por que adentrou em meus domínios?

Crach levantou-se e encarou-o com seriedade.

— Venho em nome de Skellige, peço seu apoio na guerra contra Nilfgaard. Emhyr var Emreis já dominou Ebbing, Maecht, Metinna e Nazair no sul. Agora marcha com força total para o Norte, a guerra em poucos dias baterá em sua porta antes que perceba e como vassalo de Cintra, as ilhas de Skellige pede seu apoio financeiro.

— E quanto aos seus recursos? — indagou o rei endireitando-se no trono.

— Nossos recursos foram esgotados no inverno, não há comida e nem mantimentos de guerras que possam defender Cintra, por isso recorri ao reino mais poderoso. Proponho uma aliança nesta guerra.

Gedovius fitou seu conselheiro de soslaio antes de pronunciar-se:

— Tenho certeza de que nada me vale seus tesouros, estão falidos e sem esperança. Pouco me importa a guerra de Cintra e Nilfgaard. Calanthe não ouve uma só palavra em nossas reuniões de monarquia, aquela mulher tampouco disponibilizou-se em receber meus minérios, prefere negociar tais recursos com a Redânia. Então, por que cargas d’água eu deveria estender-lhe a mão?

— Meu rei, seria mais sábio não recursar esta proposta, o duque em pessoa veio ao seu reino e ajoelhou-se sobre seu tapete. Estenda-lhe a esperança, salve-o e ele o venerará — sussurrou o mago em seu ouvido.

— Um an Craite jamais depositaria sua fé em outra pessoa a não ser Cintra — disparou com amargura o rei.

— Eu ofereço meus navios e minha filha mais nova como atributo a vossa majestade, a garantia desta nova aliança — propôs o ruivo. — Somos os mais velozes em regiões fluviais, nossas embarcações são resistentes e aguentam cinco toneladas, poderia lhe ser útil em seu comércio. E em suas guerras, disponho de trinta deles, no entanto, serão seus se conceder-me apoio contra Nilfgaard.

Gedovius pareceu refletir acerca do que lhe fora ofertado, afinal aqueles naviosser-lhe-iammuito úteis tendo em vista que suas embarcações de carga demoram pelo menos uma semana até chegar ao seu destino. Os navios de Skellige eram de fato os mais velozes de todo o Norte, podendo acelerar ainda mais a economia de Kovir e Poviss.

— Pois bem, aceitarei de bom grado seus dotes, faremos um acordo diplomático. Tragam-me um papiro e tinta — ordenou o rei a um de seus criados.

Pouco tempo depois o criado estava de volta segurando uma bandeja de prata com papiro, tinta e um bico de pena, além do carimbo oficial do reino.

— Eu, rei Gedovius Troideno de Kovir e Poviss, concederei trinta e cinco barris de ouro para as ilhas de Skellige em troca do remanejamento de trinta navios para meu reino. Além de uma proposta de casamento. Acordo este que fiz com o próprio Javali do Mar, Crach an Craite — declarou em auto e bom-tom enquanto redigia as palavras no papiro e por fim assinou o papel. Em seguida estendeu o bico de pena ao duque que fez o mesmo. Derramou o líquido vermelho ao final do documento e o carimbou. — Não podes quebrar este acordo Crach, caso contrário cairá sobre você a ira de Kovir e Poviss, o contrário também servirá para mim.

— Um an Craite não volta com sua palavra ou a quebra, majestade.

— Que assim seja.


(...)


O rei koviriano visava a neutralidade na guerra contra Nilfgaard que se estendia no sul, mas repensou após a proposta de Crach em dispor-lhe navios velozes para aumentar sua riqueza. A ganância o dominou por completo, e Gedovius ambicionava o ouro e o comércio acima de tudo e todos, nem mesmo seu único filho conseguira tirar-lhe da ganância.

Eles brindaram.

— Peço a atenção de todos — começou o soberano. — Há tempos procurava uma esposa digna de meu filho, Doretarf e parece que os deuses atenderam meu pedido.

O príncipe congelou em seu assento. Ele pretendia casar-se algum dia, porém não esperava que fosse repentinamente e tão prematuramente, no auge dos seus vinte e cinco anos, principalmente após ter seu noivado de infância anulado anos atrás por questões políticas. Fora pego completamente de surpresa.

— Cerys do clã an Craite, a Águia de Skellig — Gedovius ergueu novamente o cálice preenchido com vinho. — Que os deuses saúdam essa aliança entre Kovir e Skellige, agora devemos nos deleitar com nossas especiarias culinárias, por favor meus convivas, fiquem a vontade.

O clã an Craite comemorou bebendo e comendo, enquanto o duque juntou-se novamente com eles sobre a mesa retangular. Doretarf olhou seu pai de soslaio, mas nada disse. De repente, o bater de uma caneca de prata que caiu fazendo o líquido espalhar-se no chão de mármore. A algazarra cessou subitamente, a mulher de cabelos ruivos atados em uma trança levantou-se, seu corpo era bem definido, seus seios levantados por um espartilho de couro sobre uma túnica em tom bordô. Trajava calças de couro e botas de montaria marrom. Em sua cintura avantajada, uma espada embainhada se fazia presente. Crach olhou-a severamente, mas a jovem mulher não lhe deu atenção a medida que caminhava em direção da mesa do rei. Desembainhou a espada e apontou-a ao príncipe, fazendo Terorah levantar-se abruptamente, no entanto, fora interrompido por Doretarf. Gedovius a fitou com desdém.

— O que significa isto, sua insolente? — inquiriu Terorah pronto a disparar seus fleches de magia.

— Seus acordos diplomáticos pouco me importam — disparou Cerys an Craite sem tirar os olhos do príncipe, suas írises castanhas ora transitavam para o vermelho, ora voltavam a sua cor natural, o fogo realmente realçava sua beleza. — Eu proponho um combate pela minha mão, em Skellige se há algo que não gostamos, nós lutamos para matar. Vamos príncipe, desembainhe sua espada e lute comigo.

— Mas isto é um absurdo! — protestou o mago.

— Está tudo bem, Terorah — apaziguou o jovem príncipe. — Eu Doretarf de Kovir e Poviss aceito o seu desafio, pela honra ao acordo, eu tomarei a sua mão à força — declarou levantando-se, retirou a coroa da cabeça deixando-a sobre a mesa e alcançou a espada de um dos guardas presentes no salão.

Os combatentes ficaram em uma distância significativa, fitando-se como duas feras prontas para o bote, circulavam esperando o primeiro movimento. Foi então que Doretarf rasgou a espada no ar, girando-a, Cerys por sua vez parou o ataque em direção de sua garganta empurrando-o contra um dos guardas. O príncipe parou o empurrão colocando força em sua perna esquerda, que estava logo atrás. Assaltou novamente, mas desta vez a mulher desviou movimentando-se para baixo e com um corte rápido em meia-lua, rasgou o gibão dele. O rapaz com reflexos tremendos esquivou-se para trás para evitar um ferimento maior.

Cerys surpreendeu-se com a rapidez, no entanto, logo recuperou sua concentração avançando, as espadas se chocavam com vigor, os espectadores estavam apreensivos, principalmente Crach pela insolência de sua filha. Se o rei não fizesse jus ao acordo, provavelmente Cintra acabaria sendo tomada por Nilfgaard, ele já havia explicado isso a Cerys, mas a jovem era determinada e teimosa em suas próprias convicções, não iria se entregar facilmente se houvesse uma maneira de se sair daquela imposição.

Doretarf desviou das investidas aguentando a espada acima da cabeça, ele ficara de joelhos, pois levou uma rasteira surpresa de sua futura esposa. Girou a espada, fazendo a ruiva dar-lhe uma abertura, mas antes que pudesse assaltá-la levou um chute razoavelmente voraz em seu estômago. O príncipe caiu de costas levando seu corpo alguns centímetros para frente. A mulher fora rápida golpeando-o sem piedade, todavia, ele desvencilhou-se rolando para o lado, segurando a espada firmemente.

— Vamos lá príncipe de Kovir, ainda não me fez um arranhão. Deve estar se superestimando, não é mesmo? — provocou ela ainda o golpeando. — Uma mulher não pode ganhar de um homem. É isso que deve estar pensando, enquanto rola nesse chão?

Cerys ergueu a espada acima da cabeça pronta para decepar a de Doretarf, vendo-o encurralado sobre o pilar. Ele já não tinha mais para onde correr. Sem esperar por sua sentença, o rapaz chutou-a na perna direita, atingindo-a na tíbia. A ruiva recuou alguns passos abatida pela dor e deixou sua lâmina fraquejar por um instante, o koviriano aproveitou-se desta abertura para levantar-se. O ferimento em seu abdômen, apesar de ser superficial, não deixou de sangrar. Ele não se conteve e lançou golpes contra a skelligana que defendia-se como podia e então a exaustão alcançou-a, estava ofegante demais para defender-se dos golpes com precisão. Até que após mais alguns minutos, a espada em sua mão despencou com o último golpe do príncipe, ela fitou-o com ressentimento, mas admitiu a derrota vendo a ponta estendida para seu pescoço.

— Você decide aonde iremos nos casar, já que foi privada de escolher seu noivo — falou o príncipe jogando a espada no chão. — E você mostrou-se digna de ser do clã an Craite, nada me daria mais honra do que desposá-la.

A filha de Crach apesar de frustrada, não deixou de esboçar um breve sorriso. Ambos voltaram as suas mesas, comeram e beberam pelo resto da noite.


(...)


Ao amanhecer, os skelliganos partiram de volta ao arquipélago levando parte do tesouro fornecido pelo rei. Cerys havia informado a Doretarf que pretendia se casar em Skellige, na fortaleza de Kaer Trolde. O casamento ocorreria em um mês, antes que a primavera chegasse. O príncipe apenas concordou e despediu-se com um beijo depositado no dorso de sua mão. Não tendo mais nada a tratar a respeito de seu reino, Doretarf aventurou-se nos bordéis acompanhado de Gimbli, afinal aquele seria o último mês de solteiro, deveria aproveitar enquanto fosse apenas um príncipe disfarçado de camponês.

Enquanto isso Gedovius aborrecia-se com notícias perturbadoras, enquanto a Primeira Guerra do Norte eclodia, ele furtivamente forneceu a Sigismund Dijkstra um empréstimo e com tal recurso o redaniano criou a unidade de mercenários chamada “Companhia Livre”. No entanto, Terorah relatou que a companhia estava dizimada, após rebelarem-se contra Radowid V e Dijkstra, o mentor do ataque estava desaparecido. Há quem diga que ele se tornou o rei do submundo do crime em Novigrad não desistindo de sua vingança contra Radowid, todavia aquilo pouco importava a Gedovius, tudo o que ele queria era seu ouro de volta e aquele era o dia do pagamento, ao anoitecer, mas Dijkstra nunca apareceu.

— Aquele comerciante de quinta! — esbravejou o rei. — Como ousa desonrar nosso acordo? Maldito seja, que a peste o leve deste mundo! — levou a mão sobre as têmporas tentando acalmar seus nervos.

— Vossa majestade — Terorah surgiu de repente ao lado do trono por meio de um portal.

— Diga-me que encontrou aquele patife de quinta.

— Não, meu rei... trago notícias ainda mais preocupantes — revelou o mago com certa aflição. — Há pouco o Capítulo informou-me que dois reis do Norte foram assassinados, o Rei Demawend de Aedirn e o Rei Foltest de Temeria, o assassino ainda é desconhecido, mas especula-se que se trata de um enviado de Nilfgaard, meu senhor. Devemos colocar contra-medidas no castelo.

— Você teme por minha vida, Terorah? — inquiriu o monarca de forma desconfiada.

— Certamente, foi incumbido a mim proteger o rei de Kovir e Poviss, mesmo que isso custasse minha vida.

— E por quais motivos acha que serei o próximo?

— Por ser o rei, meu senhor.

— Achas que sou um tolo? — rebateu Gedovius arqueando a sobrancelha enfaticamente.

— Mas claro que não, vossa majestade.

— Tu apareces repentinamente em meu salão trazendo-me notícias perturbadoras de sua ordem dos feiticeiros após eu ter firmado um acordo com Skellige, vassalo de Cintra. Os únicos a saberem desta loucura somos eu, você e Crach an Craite. Aquele homem pode ser um tolo, mas não um mentiroso ou um desonrado, ao contrário de ti — o rei cerrou o olhar gélido em direção ao feiticeiro. — Vós me entregastes ao Capítulo, assim como os conselheiros de Foltest e Demawend, não tomarás o meu reino assim tão facilmente — assegurou erguendo-se a medida que desembainhava sua espada. — Devo concordar que tiveras um plano terrivelmente ardiloso dispersando minha guarnição.

Terorah gargalhou descontroladamente.

— Devo admitir que não se tornou um rei à toa. Eis a verdade senhor rei, o Capítulo não deseja lutar contra Nilfgaard, devemos ser aliados nesta guerra ou pereceremos, o veredito já foi dado. E devo acrescentar que fora tolice sua estender a mão aos skelliganos, pois Cintra já deve estar sendo invadida neste exato momento. As frotas das ilhas de Skellige não resistirão à magia dos feiticeiros que os aguardam.

— Você é uma cobra traiçoeira! — praguejou o rei desembainhando a espada na cintura, pronto para o embate, porém, fora jogado aos pés da escada em uma velocidade sobre-humana.

O poder do mago atingiu-lhe em cheio, fazendo-o quebrar o pescoço de imediato com o impacto. No mesmo instante, Doretarf avistou a cena com uma mistura de espanto e horror. Seu olhar foi de seu pai já desfalecido para seu algoz. Esqueceu-se do álcool em seu sangue e disparou para cima do mesmo completamente desarmado. Terorah ergueu sua mão e com palavras indecifráveis conjurou um feitiço no príncipe. O jovem príncipe instantaneamente caiu de joelhos, incrédulo pela investida, sentiu o poder percorrer-lhe o corpo, queimando-o por dentro. Não conseguiu resistir e despencou pela indescritível dor, contorcendo-se, mas rastejando em direção do trono. Sua visão embaçava à medida que se aproximava, viu então o feiticeiro sentar-se no trono. Cuspiu uma bola de sangue, espalhando-o no chão, em seguida, não sentiu mais nada que não fosse a dor. Assim, abraçou a escuridão...

13 de Junho de 2021 às 00:28 2 Denunciar Insira Seguir história
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Isís Marchetti Isís Marchetti
Olá, Biana! Tudo bem com você? Faço parte do Sistema de Verificação e venho lhe parabenizar pela Verificação da sua história. Não, não consigo acreditar nisso tudo braseal! Eu já estava tanto nos encantos do príncipe, achei ele simplesmente maravilhoso, e quando ele meio que não teve saída sobre se casar, mostrou para Cerys o quanto ele era digno e que ia fazer com que aquilo desse certo, fiquei simplesmente encantada. Apesar de parecer muito rude da parte dele ter lutado contra ela, ele sabia que esse era o tipo de pessoa que ela era, por isso acabou aceitando aquele desafio meio louco. Esse fim de capítulo simplesmente me arrasou, pelo menos não era o que eu esperava que iria acontecer. Bom, vamos lá. A coesão e a estrutura do seu texto estão ótimas. Fiquei simplesmente encantada com a forma que, mesmo que eu não conhecesse sobre The Witcher (ainda não consegui assistir), eu não tive dificuldade nenhuma em entender tudo o que estava se passando, assim como a ambientação foi tão bem escrita, que eu simplesmente me senti imersa nesse mundo e encantada como tudo simplesmente fluiu. Quanto à sinopse, eu a achei simplesmente fantástica, e de longe desperta aquela curiosidade no leitor, fazendo com que cada paragrafo fosse devorado por mim. Quanto aos personagens, como comentei, não estou familiarizada com nada, mas só de saber que você disse que tentaria manter eles o mais normal possível, eu já percebi o quanto cada um tem sua particularidade. A gramática do seu texto está simplesmente maravilhosa, proporcionando uma leitura muito gostosa. Sua história só despertou em mim mais ainda a vontade de conhecer esse universo e seus personagens. É uma história ótima, e eu simplesmente amo de paixão esses temas como reinados e poderes. Foi um imenso prazer ter tido a oportunidade de lê-la. Abraços.
July 14, 2021, 13:47

  • Biana Vendramini Biana Vendramini
    Muito obrigada pelo maravilhoso comentário, ganhei meu dia kkkkkkk Eu fico muito feliz que a história supriu as experiências de prender o leitor desde o primeiro capítulo. E minha intenção foi realmente escrever algo que mesmo aqueles que não leram os livros ou assistiram a série possam ler e entender o universo sem muitas dificuldades. E super recomendo a série tbm kkkkkk Ainda mais agora que logo logo estreia a segunda temporada. 😉 Mais uma vez obrigada 😍 July 16, 2021, 04:17
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