rosabellaw Isabela Paula

Começar a faculdade é um momento glorioso, pelo menos o primeiro semestre. Aquele momento antes de você entrar em cena como um personagem de The Walking Dead que é movido a café e cheira guaraná em pó. Posso dizer que não usar uniforme, sair de sala sem precisar de permissão e parar em um barzinho ao final da aula era o meu sonho de consumo. E seria tudo maravilhoso se o mundo não entrasse em colapso bem no meu momento de brilhar. Era necessário entrarmos em uma pandemia justo quando eu consegui uma nota aceitável no Enem?


Fanfiction Livros Todo o público.

#faculdade #EAD #romione #hermione #rony #harry-potter
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As regras do EAD é que não há regras.

Uma das coisas que a vida universitária nos traz é que devemos ser extremamente adultos.

Ao ponto em que fui obrigado a colocar RonaldWeasley67 no meu e-mail depois de mais uma vergonha no EAD.

-Quem caramba é Charmander004? - o professor Alastor Moody perguntou ao olhar a lista de e-mails da turma, senti meu rosto esquentar, mas não soltei um pio.

Era o segundo dia de aula, não podia perder a minha pouca credibilidade por usar o mesmo e-mail que fiz na época do Orkut para jogar Colheita feliz.

-Ninguém vai responder? - ele perguntou novamente e recebeu o silencio em resposta. - Ok, aviso que Charmande004 perderá os pontos dessa atividade já que não poderei identificar o aluno. - minha vontade era de chorar e apesar dos meus divertidamente gritarem não, eu liguei o microfone.

-Sou eu professor, Ronald Weasley. - respondi tentando parecer tranquilo para a câmera ligada, mas sei que minhas orelhas queimando me entregaram.

-Sério? Vocês estão na faculdade. - ele dizia me encarando. - Vocês serão contatados por profissionais pelos seus e-mails quando se formarem, não podem usar nomes de Pokémon.

-Me desculpe, irei trocar. - respondo e fecho o microfone achando que o assunto está encerrado.

-É cada uma. - ele dizia revirando os olhos e voltando para a lista. -Shaolin Matador De Porco? É sério isso? Como que vocês querem que eu identifique vocês? Flavinho do pneu? Nem tem um Flavio nessa turma.

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Lá vamos nós.

¨Notebook carregado? Ok.

¨Um caderno e uma caneta? Ok.

¨Uma blusa apresentável? Ok.

¨Um lanchinho para passar o tempo? Ok.

¨O espaço onde a câmera pega está arrumado? Ok.

Enfim, estou pronto para começar mais uma aula, em casa.

-Boa noite pessoal, tudo bem? - logo vejo Pamona Sprout, a professora de bioestatística aparece junto com as diversas imagens dos integrantes da minha turma.

-Boa noite prof. - algumas pessoas respondem pelo microfone ou pelo bate papo.

-Alguém pode me dizer onde paramos? - O silencio reina, achava que era impossível uma sala ficar calada, mas o EAD veio para nós surpreender.

É literalmente um olhando para a cara do outro esperando que um corajoso responda. Aí você se pergunta, porque corajoso?

Bem, temos uma lista para entregar hoje, mas pelas mensagens no grupo da sala, a grande maioria não conseguiu fazer.

Na verdade, entregar é uma palavra muito forte, no máximo colocamos no Drive ou enviamos por e-mail.

-Acho que a senhora estava terminando de explicar as técnicas de amostragem ... - responde Lilá, a típica loira odonto que dirige um HB20 branco, dando a deixa para grande parte da sala abrir o microfone apenas para concordar.

-Bem, então vamos terminar para começarmos a nova matéria. - a professora logo começa a compartilhar na tela o slide e consigo ver o pessoal suspirando em alivio pelas câmeras, mas é interrompida antes de completar a ação.

-Ué, não tinha lista? - Simas Finnigan pergunta com a voz estridente ocupando a tela e olhando para a câmera confuso. - Dino, não acredito que você me deixou desesperado atoa.

O pouco animo que um calouro pode ter se desfez neste exato momento. Rapidamente vou lá e silencio o grupo da sala, já posso ver que o Simas vai ser escorraçado no intervalo, com direito a áudios e figurinhas de baixo calão.

Pois as únicas coisas que universitário tem de sobra é matéria acumulada, seminários, paracetamol e figurinhas.

-Obrigada por me lembrar Simas. - a professora sorri como se adorasse o caos que será instalado. - Alguém se candidata a receber as listas e coloca-las em uma pasta no Drive da turma?

Vejo os olhares desesperados que as câmeras não deixam escapar e sorrio internamente, pois dessa vez não irei afundar nesse barco.

Dedicarei meu TCC ao Brainly, o cara que nunca me abandonou nos momentos obscuros.

-Eu posso. - logo a imagem é tomada por minha nova obsessão.

Pelo menos é o que minha irmã diz desde o dia em que ela entrou no meu quarto e eu tinha colocado a câmera de Hermione Granger para ocupar toda a tela do meu computador.

Para a minha defesa, o Neville estava apresentando trabalho e eu prefiro ver os óculos de Hermione escorregando pelo seu nariz do que ver um marmanjo gaguejando.

-Obrigada querida, vou tentar lançar as notas até semana que vem. - e enfim o slide é compartilhado.

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Agora irei lhe explicar uma coisa meu pequeno gafanhoto, o universitário em plena pandemia sempre está com medo e não é do Corona.

Simplesmente porque a pessoa que está na faculdade não tem tempo nem para tomar um sol, quem dirá de ir num supermercado e entrar em contato com outras pessoas.

O medo do universitário são os dois botões que geralmente ficam na parte inferior da tela de aula, pois esses botões ligam a câmera e o microfone.

Eu não me importo de as pessoas verem minha cara de paisagem, mas outra coisa é elas ouvirem o que eu estou pensando alto ou a minha mãe me xingando por não ter levado o cachorro para dar uma volta.

Não me esqueço da vez em que estava admirando a garota certinha.

Ela mordeu os lábios prestando atenção na explicação e eu soltei um “assim tu mata o papai” em meio a um suspiro, talvez eu tenha assistido o filme Rio nessa época.

E percebi que algo estava errado, pois até o professor parou a explicação e encarou a câmera com cara de interrogação, aí eu olhei para baixo me deparando com o microfone aberto e pedi para morrer.

Essa é uma das pérolas do EAD.

Depois disso criei coragem para conversar com a Granger, agora estamos flertando e marcando de sair para beber se a pandemia acabar e não acontecer mais um desastre natural.

E como é de praxe, no segundo horário uma musiquinha bem conhecida invadiu nossos ouvidos em meio a explicação do trabalho do semestre.

“Savage love
D
id somebody, did somebody break your heart?
Lookin'
like an angel but your savage love
When you kiss…”

Meu coração de TikToker dá um salto, não que eu grave vídeos, mas lá tem vários interessantes, como o jeito certo de abrir o miojo ou memes de Naruto.

-Córmaco, seu microfone está aberto. - a sala cai na gargalhada enquanto Luna é única que se compadece pela causa e avisa.

Talvez porque isso também já aconteceu com ela no passado, a única diferença é que ela foi dar faxina enquanto assistia a aula e a câmera estava aberta.

Ela passou a aula inteira lavando o banheiro e o que me assustou foi ela ter esfregado os cantinhos com uma escova dentes.

Mas posso dizer que ela fez um ótimo trabalho, jogou tanto produto que quase senti o cheiro do Pinho Sol aqui em casa.

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O ponto alto do EAD é a comodidade.

Você assiste a aula na sua casa e uma das coisas que despertou dentro do universitário, foi a vontade de desbravar novos cômodos.

-Foi uma resposta bem resumida, mas para o seu intelecto deve ser suficiente. - diz professor Snape, o carrasco que decidiu aleatoriamente dar uma prova oral e sua vítima da vez foi Cho Chang. - Sua vez Draco Malfoy.

Já estava me preparando mentalmente para ter a imagem daquela coisa loira na minha tela, mas a única coisa que recebemos foi o silencio. Dei até uma olhada na lista dos participantes achando que ele não estava presente, mas seu nome estava lá.

-Draco. - o professor fez uma voz mansa. - Hoje você não quis participar? - ele pergunta tranquilamente, pois Deus tem seus favoritos. - A aula passada já foi o suficiente? - mas logo após essa pergunta, a resposta que veio deixou todos atormentados.

-Eu tô tomando banho. - ele simplesmente respondeu.

-Como assim, Draco? - o professor perguntou em choque com a cara toda retorcida. Cho, que ainda estava com o microfone aberto soltou uma sonora gargalhada que contagiou a todos.

-Não, parou tudo aqui. - o professor ordenou fazendo com que todos fechassem os microfones. - Draco, como você está tomando banho com o celular? - ele perguntava desacreditado, o que aumentava ainda mais a vontade de rir. - Draco, você não levou a gente pro banheiro pra tomar banho não, né Draco?

-Quem nunca? - Luna joga na roda sem ligar para o perigo. - Eu já fiz isso. -e uma nova onda de gargalhadas se espalha na aula.

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Mas uma coisa que nunca irei esquecer é a vez em fomos fazer uma chamada de vídeo no Zoom para definir o tema de um trabalho.

-Ok, então agora só falta o embasamento teórico. - Hermione dizia compartilhando sua tela.

Estava aberta a página do Word onde podíamos ver os passos para a construção do artigo em questão.

-Podemos procurar os artigos e revistas essa semana? - pergunto anotando alguns tópicos.

-E juntar tudo na próxima quarta. - Harry dizia enquanto brincava com um lápis.

-Fechado. - Hermione concorda. - Até mais garotos.

Nos despedimos, mas Harry se levanta antes que possamos sair da sala e temos a visão da sua cueca verde.

-Harry. - vejo Hermione gritar desesperada com o rosto vermelho tentando chamar sua atenção. - Você ainda está na sala.

Ela olha para mim que já estou me contorcendo, no fim não aguenta ficar séria e me acompanha nas risadas.

Tentávamos nos recuperar, mas só de olharmos para a cena de Harry andando pela casa de cueca conversando no telefone despreocupadamente, nos encarávamos de novo e caiamos na gargalhada.

Depois de uns dez minutos que consegui alcançar o celular e me tremendo liguei para o ser que estava sentado com as pernas abertas no sofá.

-Já está sentindo a minha falta? - ele atende em um tom sarcástico.

-Como poderia sentir se ainda estou te vendo? - pergunto retoricamente, logo eu e Hermione desatamos a rir novamente.

Ele levanta sem entender, mas é só direcionar o olhar para a mesa que dá de cara com a gente rindo feito duas hienas. Assim o vemos em uma corrida destrambelhada antes que a ligação termine.

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Mas é lógico que a senhorita perfeição não poderia escapar de passar uma vergonha.

As regras do EAD é que não há regras.

Estávamos despreocupadamente apresentando um trabalho para nosso querido professor Remos Lupin, esse eu tinha até gosto de assistir aula.

Mas quando Hermione encerra sua parte e chega a minha vez de me pronunciar, só vemos pela câmera um vulto preto desordenado voando em sua direção.

-Ai meu Deus. - escutamos o seu grito e em uma fração de segundos ela já está em cima da cama que fica de frente para a câmera, se debatendo e gritando em plenos pulmões.

-Misericórdia, o que aconteceu menina? - logo o meu possível futuro sogro aparece no quarto com os olhos arregalados.

-Ba...Barata. - Hermione tentava dizer entre os soluços ainda se debatendo.

-Onde? - o senhor perguntava olhando para os lados tirando a havaiana do pé para acertar a dita cuja.

-Eu não sei. - ela chorava agoniada, enquanto isso a turma toda e o professor prestavam atenção na cena como se estivesse passando Vingadores: Ultimato. - Ela voou em mim, talvez esteja em mim. - e ela voltou a se debater só com essa possibilidade.

-Calma. - o senhor dizia fazendo uma vistoria pelo quarto, até que abriu um sorriso ao puxar a cadeira para o lado. - Te achei. - e logo só foi escutado o estalo do chinelo.

-Pronto. - e rapidamente como entrou, ele saiu com a maldita barata.

Hermione desceu da cama ainda se tremendo um pouco e se sentou na cadeira. Seu olhar estava aterrorizado, ainda podíamos ver as marcas de lagrimas e possíveis arranhões feitos por suas próprias unhas.

-Ron, pode prosseguir com a apresentação. - ela disse soltando um suspiro.

Realmente, as pérolas do EAD.

12 de Junho de 2021 às 22:35 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Isabela Paula Uma estudante de Psicologia meio avoada e profundamente apaixonada por livros, series, filmes, animes e musicas. Completamente eclética quando o assunto são gêneros textuais e cética que historias podem ser portais para se viver uma inesquecível aventura, basta brincar com as palavra e saber que não há limite para a sua imaginação. Escreva e leia aquilo que te faz sentir algo, sejam borboletas no estômago ou arrepios, o importante é se sentir tocado de alguma forma.

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