noiranna Giovanna Graziela

Há seis anos, em uma pequena cidade do interior, havia dois melhores amigos correndo um atrás do outro pela praça central do bairro. Pietro tinha cabelos ruivos, e normalmente era o que corria atrás do outro garoto, Andrew, um pouco mais velho de cabelos castanhos escuros, que, sob os raios solares de uma tarde de primavera, aparentava ter fios de ouro espalhados pelo couro cabeludo. Naquela tarde, os dois se sentaram embaixo de um Ipê-amarelo enquanto observavam o céu azulado. Ali, foi feito um acordo e uma promessa que fortaleceria aquele laço para sempre. Pietro seria o Sol de Andrew, enquanto Andrew seria a Lua da sua noite escuro de Pietro. Porém em um dia chuvoso de outono, um dois após aquele dia, Pietro viu a sua noite ficar cada vez mais escura enquanto o céu chorava de tristeza. O garoto tinha perdido, naquele dia, a sua preciosa lua. Aquilo fez com que seus raios se apagassem aos poucos, perdendo o seu brilho. Pietro só tinha a sua guitarra, e durante quatro anos, nutria a única chama restante no seu corpo com a breve esperança de reencontrar sua amada lua novamente. Com a ida forçada pelos seus pais para uma nova cidade, Pietro viu aquela chama crescer involuntariamente, sendo alimentada com uma falsa esperança de encontrá-lo naquele novo colégio. O jovem sabia que precisava se livrar dessa chama antes que ela o queimasse por inteiro, mas ao mesmo tempo queria acreditar que a sua amada lua realmente estava ali, o esperando.


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Prólogo

“Seus cabelos me lembram um pouco da escuridão da noite, mesmo que em ti não tenha nada de obscuro, e seus olhos tem um brilho natural como as estrelas. Seu olhar e seu jeito de ser me guiaram pela escuridão do meu próprio ser e por isso gosto de chamá-lo carinhosamente de minha lua. Há anos venho lhe procurando, tentando não esquecer nossas melhores memórias. Noite após noite, olho para aquela lua pálida e lembro da nossa promessa sob a luz do crepúsculo. Você é a minha lua e eu sou o seu sol, nunca pararei de te procurar, afinal, somos feitos um para o outro. Eu sou seu e sempre serei, então volte logo para casa, minha pequena luz do luar.” — Pietro Rossi.

A lembrança daquele dia chuvoso ainda assombra meus pensamentos. O céu estava chorando há um bom tempo, e pela aparência das nuvens, choraria pela noite inteira. Eu vi o pôr do sol cair melancolicamente, dando espaço para aquela noite escura e barulhenta. Tentava achar a minha lua no meu daquelas nuvens negras, e depois de horas procurando, percebi que ela realmente havia ido embora.

Estava em uma noite eterna, sem lua ou estrelas. Vênus, um pouco egoísta, se negava a brilhar para mim. Mesmo sendo o centro do seu sistema solar, eu não conseguia mais produzir minha própria luz, pois agora meus raios eram inexistentes sem sua presença. Nutria apenas uma única chama de esperança, que protegia muito bem para não se apagar.

As tardes em Jolies Fleurs eram dedicadas a proteger essa chama. Todos os dias, levava minha guitarra para aquela praça e, sentado sob a sombra do enorme Ipê-amarelo, esperava ansiosamente pelo retorno da minha lua. Porém, como está muito frio lá fora, hoje serei obrigado a substituir a sombra daquela árvore pelo meu aconchegante quarto. Faz apenas dois dias que minhas férias começaram, então inconscientemente me permiti lembrar alguns dos nossos melhores momentos. Claro que no final, tudo voltava para aquele dia.

Fecho os olhos e começo a tocar para me acalmar um pouco. Acabo escolhendo a melodia que compus há cinco anos, posso ter mudado algumas coisas aqui e ali, mas continua sendo a mesma no fundo. Com ela, lembro daqueles colares que trocamos há muito tempo.



— Você é como o sol, Pietro — Andrew disse enquanto se deitava no gramado verde da primavera.

— O sol? Por quê? — Perguntei me sentando ao seu lado.

— Bem… Você tem cabelos ruivos.

— Só por isso?

— Não apenas por isso — Ele disse suspirando, e logo acrescentou enquanto mexia nos cachos do seu cabelo: — Se observamos direitinho… O sol é laranja, como o seu cabelo. Além de que você chama a atenção de todos por onde vai e consegue ser bem chato e egocêntrico.

— Eu não sou chato! — Refutei — E o que é egocêntrico mesmo?

— É quem exibe atitudes ou comportamentos voltados para si mesmo, de modo relativamente insensível às preocupações dos outros — Andrew falou enquanto olhava para o céu, um pouco orgulhoso. Provavelmente havia decorado aquilo — O sol é o centro do nosso sistema solar... E várias pessoas dizem que ele é egocêntrico.

Era a minha vez de suspirar.

— Onde você aprendeu isso?

— No livro da minha mãe que peguei emprestado — O garoto de cabelos castanhos respondeu um pouco receoso.

— Eu não sou egocêntrico — Um pouco sério, falei desviando o olhar.

— Muitas pessoas falam que você é — O garoto completou.

— Mas eu não sou! — Respondi um pouco irritado, voltando a lhe observar. Porém, desta vez era eu que estava sendo observado.

— Eu sei — O menino de cabelos cacheados sorriu calmamente enquanto me olhava e disse: — Mas você é o centro do meu sistema solar, então isso te faz ser o meu sol, não é?

— Andrew… — Eu disse surpreso, sentindo minhas bochechas enrubescendo aos poucos. Ao perceber isso, desviei novamente o olhar e cobri o rosto com um dos braços — Não fale coisas assim do nada!

— Você fica tão fofo assim! Faz de novo, Pietro! — Pelas brechas que meu braço deixava, podia ver Andrew sentado com um largo sorriso no rosto, enquanto tentava tirar meu braço para ver meu rosto.

— Por que você é assim, hein? — Falei irritado, retirando o braço da frente do rosto e olhando diretamente para ele.

— Você não quer ser meu sol, Pietro? — O menino de cabelos castanhos perguntou, um pouco cabisbaixo.

Ah, eu odeio ele. Andrew sabe muito bem como tocar nos meus pontos fracos, isso me irrita.

— Eu não sou egocêntrico — Respondi tocando em um dos seus cachos — Mas se for para ser apenas seu sol, eu posso pensar sobre.

— Sério? — Ele me olhou rapidamente, seus olhos brilhavam como um diamante recém lapidado.

— Sim…

O garoto de cabelos castanhos sorriu como se não houvesse amanhã e me abraçou. Senti minhas bochechas arderem ainda mais com aquela ação.

— O que você seria? — Perguntei tentando fazer ele me largar, o que no final, funcionou.

E então, Andrew respondeu sorrindo:

— A lua, é claro. Minha mãe falou que minha personalidade bate mais com isso, apesar dela ter dito que eu poderia ser metade dos dois… Mas fico feliz sendo a lua, afinal você é o meu sol. Não é legal? Eu sou a noite e você o dia.

— Sim, eu acho… — Desviei novamente o olhar. Hoje estava difícil lidar com Andrew.

Vi de relance o garoto voltar a olhar para o céu, então segui o seu exemplo. Naquele momento, o céu exibia um lindo degradê com cores em azul, rosa e laranja. Ficarei paralisado observando as nuvens participarem aos poucos daquela festa de cores que nem percebi Andrew deitando a cabeça em meu ombro e, quando finalmente notei sua presença, ele propôs um pouco animado:

— E se eu comprasse colares para nós?

— Tipo de amizade? — Perguntei um pouco deslocado.

— Isso! Tipo de amizade. Eu compro um da lua para mim e um do sol para você — Andrew disse sorridente, como sempre.



Lembro que naquele dia a mãe de Andrew veio buscá-lo um pouco mais cedo para o jantar e eu fiquei mais um pouco na praça, observando o crepúsculo enquanto várias perguntas surgiam dentro de mim. Coisas que, para um garoto de onze anos, eram demais. Naquela época eu olhava para o horizonte e me perguntava o que faria se Andrew não existisse ou se nossa amizade acabasse, mas no fim, eu nunca tinha uma resposta. Doía apenas pensando nessas possibilidades.

Eu sabia desde o início que não deveria ter me apegado a ele, mas fiz mesmo assim. Agora, estou sofrendo com essas consequências.

— Acho que deu por hoje — Falei para mim mesmo, levantando da cama e colocando a guitarra no suporte próximo a escrivaninha.

Olhei para a janela e vi o pôr do sol alaranjado. Suspirei, pegando a jaqueta que estava jogada na cadeira e saí do quarto, limpando o rosto com o antebraço.

— Pietro? Aonde está indo? — Escutei minha mãe perguntar da cozinha assim que desci as escadas.

— Estou indo tomar um ar — Respondi pegando as minhas chaves que sempre ficavam na mesinha de centro da sala.

— Não volte tarde! — Ela avisa de antemão — Seu pai disse que tem uma novidade para contar no jantar.

— Mal posso esperar — Falei sem muita motivação, saindo pela porta da frente em direção a rua congelante de inverno.

12 de Junho de 2021 às 21:27 0 Denunciar Insira Seguir história
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Conheça o autor

Giovanna Graziela ⠀⠀⠀ 保留 : ❪ 𝐖𝐄 𝐀𝐑𝐄 𝐇𝐄𝐑𝐄 ❫ ⠀⠀⠀tɑke ɑ seɑt ɑnd just ɯɑtch ⠀⠀⠀ ɯhen wɑs stɑrtıng₊ 𝟏𝟗𝟕𝟖 𝗌|𝗁𝖾𝗋. ★ pt/br. 🇧🇷🏳️‍🌈 K1LL3R AFFECT1ON! mars, marte, m(arte). GRAZIELA, giovanna.

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