northgreen North Green

A imortalidade pode vir a ser bastante monótona, e até enlouquecedora para alguns. Meredith é uma das Bruxas mais antigas, sendo imortal, apática e um pouco maluca. Ela já viveu incontáveis eventos de proporções cósmicas, viajou por milhares de mundos e de tudo fez um pouco, agora sua grande batalha é contra o interminável tédio que dominou sua existência amargurada. No entanto algo se aproxima, lembranças são despertadas, a fazendo sentir que sua enfadonha vida logo irá virar de ponta cabeça.


Fantasia Fantasia negra Impróprio para crianças menores de 13 anos.

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PRÓLOGO

Meus olhos dourados encaram um reflexo deprimente. Toda a esperança foi arrancada de dentro do meu corpo esguio, e destruída em sequência. Querida Meredith, ainda não sei como isso aconteceu, após tanto aguardo, finalmente conseguiu seu tão desejado final, me abandonou. Para mim o tempo é meramente ínfimo, não o sinto passar, é um conceito mortal ao qual nunca me acostumei por completo, entretanto, sei que para você foi uma tortura, longa e assustadora. O que para mim, foi o mesmo que dar dois passos para frente, para você foi a eternidade, pesando terrivelmente em seus ombros frágeis. Ainda lembro de seus primeiros passos, era debilitada, afetada por um nascimento não planejado, mas era bela em sua forma quebradiça.

Às vezes eu penso que deveria ter impedido nossa mãe. Ter lutado contra, mesmo que em vão. Talvez se você tivesse perecido jovem, ao lado de sua amada, isso não teria acontecido, você não se tornaria tão desgostosa com sua existência. Meu rosto não consegue esconder a dor, a saudade, mesmo com cabelo caindo sobre os olhos. Minha pele está mórbida, um pálido tom azulado, o que demonstra minha estabilidade emocional, estou encontrando dificuldade em manter minha forma física. Devo manter a calma, afinal, não posso fraquejar, não agora. Levanto de minha poltrona, tomando direção para fora de meu quarto pedregoso. Minha casa é apenas uma caverna bem decorada, com lâmpadas espalhadas pelo teto. Eu não preciso de um lugar como esse. Uma cama, roupas, cozinha, quarto, sala, biblioteca, televisão e comida, mas me conforta em minha solidão saber que tenho sempre um lugar me esperando. Vou precisar desse apoio emocional, principalmente depois de sua partida, querida Meredith.

Desço vários lances de escada, iluminando o caminho com minha lamparina, cobrindo tudo com sua luz esverdeada. Meus pés descalços sentem o frio do chão rochoso e meu manto negro se arrasta pelo solo, talvez devesse começar a usar sapatos, como ela já me aconselhou. Ao chegar no andar de baixo, ouço um breve bater de asas, com um vulto negro passando levemente por meus olhos. Uma voz masculina, de tom preocupado vem a mim, procurando minha atenção.

— Senhor. – Demiurgos, o fiel servo de Meredith. Seus olhos brancos e a pele cinzenta eram bastante chamativos. — Acredito que tenha algo que merece sua atenção.

— Entregue a Thanatos, o garoto é empenhado. – Minha voz é frágil e entristecida, pelo menos, mais do que o normal. – Ou a qualquer outro. Tenho algo a fazer.

Continuo seguindo, andando por um corredor iluminado, guardando minha lamparina no manto, fazendo sumir no tecido escuro. No final se encontra uma fonte de água cristalina, a qual ainda me lembro de ter criado.

— Senhor. – Insistiu Demiurgos. – Sei que ainda está abalado, eu também estou, mas tem algo que só o senhor pode resolver. A dor não tira sua responsabilidade.

— Demiurgos, você está certo. – Tento não encarar ele nos olhos, sinto vergonha de meu egoísmo. – Entretanto, devo encontrar minha mãe. Vou a seus portões, exigir uma vingança a qual talvez não consiga.

— Você está louco, deseja enfrentar a Rainha Fantasma? Ser apagado por aquele monstro não irá trazer Meredith de volta, e muito menos tornaria toda e situação melhor.

— Eu vou, jovem corvo. Talvez seja completamente sem sentido, mas é o que desejo fazer, alguém deve confrontar sua tirania. E se Meredith não pode, isso cabe a mim.

Ele suspirou decepcionado, e com razão. Minha atitude insensata não trará nada de bom, no entanto, eu preciso fazer isso, é necessário para eu aceitar a situação atual. E se nossa mãe me destruir, o destino será cumprido. Demiurgos ainda me olhava entristecido, sabe que estou acabado por dentro.

— Senhor, eu…

— Entretanto. – O interrompo. – Acredito que posso ajudá-lo uma última vez.

Ele sorriu, me entregando uma lasca de cristal brilhante. Era uma Pedra Guia, ela nos levaria a um local demarcado, antigo objeto de viajantes, seres que gostavam de mapear outros universos. Faz muitos anos que não vejo uma. Ela brilha como uma estrela, branqueando minha visão, e logo depois, me vejo parado em frente a uma rua, em uma noite escura e quieta. Era um lugar cheio de casas parecidas, pequenas e coloridas, com cercas brancas e gramado verdejante. Consigo sentir um distúrbio no lugar, algo afetando toda a membrana que separa o mundo físico do espiritual. É poderoso, suponho que chegue a transcender meus domínios.

— Por aqui Senhor. – Demiurgos me tira de meu transe. – Eu não consigo entender, mas provavelmente está dentro de suas capacidades.

— Não seja bobo, meu jovem. Não existe nada fora de minhas capacidades.

Digo isso com confiança, pois geralmente estou certo disso, mas esse distúrbio… não é comum. Demiurgos anda comigo pela rua iluminada apenas por poucos postes, alguns defeituosos piscando. Quanto mais nos aproximamos, sinto uma energia densa percorrendo meu corpo, e meus olhos enxergam um grupo de seres translúcidos parados em frente a uma casa rosa com alguns enfeites de natal sobre ela. Os seres não se mexiam, apenas olhavam, alguns voavam por cima dela, outros estavam sentados sobre o teto, e alguns estavam até de joelhos.

— Estão sendo atraídos por uma rainha… – Digo descrente. – Ou mais provavelmente por algum fragmento de uma.

— Mas seria impossível, uma rainha entre humanos?

— Onde estamos, meu caro amigo?

— Londres.

— Devemos averiguar. O mundo humano não deveria ficar tão exposto assim.

Seguro no ombro dele, fazendo entrarmos no local instantaneamente. Vejo apenas um quarto escuro, com brinquedos espalhados pelo chão. Alguns novos, outros rasgados e quebrados. Demiurgos para em frente a uma parede, olhando pequenas gravuras de girafas sobre ela. A energia aqui era forte, e poderia esmagar humanos apenas com a pressão se adentrar o plano material. É uma energia familiar, extremamente poderosa, no entanto, diferente de alguma forma. Ouço um bebê resmungar, algo como um pequeno barulho de desconforto. Ao ver um pequeno berço de grades brancas, e pequenas mãos pálidas as agarrando, fico atônito por poucos instantes. Chego a vê-la por inteira quando me aproximo. Encontro um curto cabelo negro, pele clara e pequenos olhos de uma cor âmbar quase dourada. Eram como os meus, mas não possuíam o mesmo brilho ainda. Tiro a coberta rosa que cobria um pouco de sua cabeça, e encontro pequenas orelhas pontudas.

— É ela? – Pergunta Demiurgos, olhando ao lado. – Tem as mesmas orelhas…

— Não. – Respondo entristecido. Tem a mesma fonte de Meredith, mas é um tanto diferente. – Ela está morta, essa criança é apenas um resquício, como um fragmento de sua alma. No fim das contas, ela não conseguiu se apagar por completo.

— O que faremos, senhor?

— Ficaremos de olho. Ela não é Meredith, pelo menos, não a mesma, consigo sentir seu núcleo, ela é… diferente, mesmo que semelhante. Minha mãe não pode saber se sua existência – Coloco meu braço no berço, e vejo suas pequenas mãos pegá-lo. Sinto um calor em meu coração, cujo qual não sentia há muito tempo. – Não se preocupe, querida irmã, eu lhe protegerei daqui em diante.

12 de Junho de 2021 às 00:15 0 Denunciar Insira Seguir história
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