redmoinho Krys Cassimiro

Eles se amavam, porém eram diferentes demais para admitir. Sua tela era branca, sem vida, até ela chegar e colori-la com as cores certas formando uma bela aquarela. Seu jardim era repleto de flores comuns e sem graça, até ele chegar e criar um novo buquê com uma mistura perfeita das flores mais belas.


Fanfiction Todo o público.

#oneshot #romance #saino #sai #ino
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As cores das flores

Colors and Flowers

Por que te juntastes a mim, minha vida ganhou
mais cores, tem mais flores o meu jardim!
- Augusto Branco

Ele sabia, e ela também, de seus sentimentos. Sabiam que estavam apaixonados um pelo outro, porém não queriam admitir. Sabiam que as diferenças eram muitas. Ela possuía um clã, enquanto que ele não. Ela possuía uma família, e ele estava sozinho.

A única coisa que ainda mantinha Sai feliz eram seus pincéis e tintas. Ele gostava de pintar as mais belas paisagens que podia imaginar ou até mesmo ver. Era um verdadeiro artista e, como todo artista, ele adorava as cores e as coisas inspiradoras. Adorava passar seu tempo livre desenhando e pintando algo. Porém era tudo tão monótono que chegava a ficar sem graça, o que deixava Sai sem nenhuma inspiração. Foi então que se lembrou dela. Sua aparência tão amável e talvez um pouco durona. Seus olhos azuis num tom tão magnífico, seus cabelos louros que ao sol pareciam fios de ouro em conjunto. Suas maravilhosas curvas que deixavam as de um violão com inveja. Ela possuía as mais belas cores, todas juntas. Roxo, amarelo e azul. As cores que passaram a serem as favoritas de Sai. Queria desenhá-la. Queria pintá-la. Queria sentir o prazer de modelar aquela belíssima paisagem com seu pincel. Pegou uma tela em branco, os pincéis, potes de tinta e se pôs a desenhar.

Ino estava novamente cuidando da loja de flores de sua família. O dia estava quente como todos os dias de outono. Organizou as fileiras de vasos com flores, guardou os papéis de presente e as cestas em cima de uma das prateleiras e ficou atrás do balcão esperando que alguém adentrasse pela porta e pedisse algum arranjo de flores. Era sempre a mesma coisa quando não estava em missões. Ficava na loja o dia inteiro olhando todas aquelas flores tão comuns e sem graça de sempre. Tão entediante que achava que a qualquer momento dormiria ali mesmo. Gostava muito de flores, havia crescido com elas ao seu redor, mas eram sempre as mesmas. Queria expandir seu conhecimento. Foi aí que se lembrou dele. Sempre tão calado e, quando falava era sempre para dizer algo estranho, algo que ninguém falaria. Lembrou-se da primeira vez que se conheceram. Ele a chamou de gostosa na frente de seus amigos e colegas de equipe, o que a fez sentir um pouco de vergonha, mas, de certo modo a fez se sentir bem. Sorriu com as bochechas coradas e só então percebeu que havia uma senhora que a encarava do outro lado do balcão. Tentou se recompor e atendeu a mulher que antes a encarava estranhamente e agora sorria simpática.

Ino conseguiu fechar a loja mais cedo. Iria jantar com seus amigos do time dez e do time sete, coisa que não fazia há muito tempo. O que significava que veria Sai. Mal podia esperar para vê-lo, mas ao mesmo tempo estava com medo. Sentia um frio na barriga e não era por causa do clima frio da noite. Chegou ao restaurante e viu que Sakura também havia acabado de chegar. Entraram no local juntas e se sentaram à mesa em que Shikamaru, Sai e Choji se encontravam. Naruto se atrasou como sempre.

Estavam todos se divertindo e, por algum motivo, Sai não conseguia tirar os olhos da loira. Ela, por outro lado, não conseguia olhar para ele. Sempre que o fazia desviava o olhar.

O jantar acabou e todos foram para casa. No caminho, Ino jurou que estava sendo seguida. Não estava errada. Um grupo de ninjas se juntou ao seu redor. Estava em desvantagem. Lançou seu jutsu de controle mental em um dos ninjas o fazendo lutar contra os outros, porém estava desprotegida e seria atingida por um dos outros ninjas. Só que isso não aconteceu. Saiu da mente do homem que caiu no chão. Virou-se e viu Sai ali. Seu grande herói. Ficou feliz por vê-lo. Ele fez alguns rabiscos em seu pergaminho. Um tigre saiu do papel e atacou os ninjas.

-Eles não são muito inteligentes. Provavelmente ninjas que estavam de passagem e resolveram aprontar uma. – ele disse para a moça. – Você está bem?

-Sim. Graças a você. – o rapaz sorriu.

-Então... Quer que eu a acompanhe até em casa?

-Sai, eu tenho vinte anos, sei me cuidar sozinha.

-Não foi o que pareceu. – sorriram.

-Okay. Eu deixo você me acompanhar até em casa.

-Me sinto honrado.

Caminharam juntos. Ino estava a todo tempo abraçando a si mesma. Sai deduziu que ela estava com frio. Ele usava um casaco e o tirou colocando-o na garota. Ela sorriu dizendo que não precisava, mas acabou aceitando após a insistência do rapaz. Havia muito tempo que não sentia isso. Essa sensação de gostar de alguém. De querer ficar próxima. Só sentia isso quando Sasuke vivia na vila e, mesmo assim não era nessa intensidade.

-Ino. – chamou. – Eu preciso te falar algo. – Ino estremeceu.

-Fale.

-Eu... Gostei bastante do jantar dessa noite. – não conseguiu falar o que queria, mas ouviu uma risada feminina.

-Eu também. Fazia muito tempo que não jantava com os amigos.

Sai não sabia explicar. Nunca houvera sentido isso antes. Estava confuso. Geralmente sempre falava o que vinha na cabeça, mas agora não conseguia. Respirou o mais fundo que conseguia e criou coragem.

-Ino, eu não tenho certeza disso, mas acho que gosto de você. – ele disse evitando olhar para a loira. Ela parou de andar, o que fez o garoto repetir o ato.

-Sai... Eu acho que também gosto de você. – ela falou com o rosto meio corado. Isso não era muito fácil de acontecer, já que Ino geralmente era bastante segura de si e até durona. Sai a olhou nos olhos e sorriu de leve.

O clima pareceu ter esquentado, embora as noites de outono fossem geralmente frias. Ino, pela primeira vez, viu Sai corado. A vermelhidão das bochechas se destacava na pele branca como papel. Os rostos começaram a se aproximar de uma maneira automática e, quando menos esperavam, seus lábios já estavam colados, perfeitamente encaixados um no outro. A mão do garoto foi parar na cintura definida da jovem, enquanto que as dela foram parar em seu pescoço. Era um beijo calmo que emanava paixão. Separaram-se por culpa da maldita falta de ar. Os olhos azulados com um estranho contorno preto se encontraram com os olhos ônix fazendo ambos corarem – corarem muito mesmo, viu?

Sorriram desconsertados e deram mais uma olhada profunda em ambos os olhos. Aquele beijo ficaria na memória para o resto da vida. Foi como uma explosão de cores em um buquê de flores.

Deram as mãos e continuaram a caminhada para a casa da loira.

A noite não parecia mais tão fria. As flores não pareciam mais as mesmas de sempre e as cores haviam ganhado vida.

11 de Junho de 2021 às 05:50 1 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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Artemísia Jackson Artemísia Jackson
Eu primeiramente devo dizer que vim pela capa, porque nem shippo muito esse casal em questão mas essa capa me atraiu como uma flor atrai um beija-flor. E que sorte a minha de ser atraída para essa lindeza, esse conto tão leve e doce que fez eu sorrir boba aqui. Parabéns pelo conto, mana, tá uma delicinha de ler, e inclusive obrigada por compartilhar conosco essa obra de arte <3
June 17, 2021, 21:00
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