ellahbella Elah Bella

Um jovem sonha em ser um pintor mundialmente famoso, porém não é esse futuro que seus avós desejam. A única pessoa que consegue diminuir um pouco dessa pressão é a sua amiga Brenda, que fará o possível para ajudar.


Romance Suspense romântico Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#drama #pintura #AsSeteCoresdaVida # #romance #Arte
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Aquelas discussões

2007


O sol atravessa a janela em vários feixes de luz, era difícil se acostumar com essa claridade logo cedo. cubro o rosto com o travesseiro, tentando miseravelmente se esconder do amanhecer.

— Por que diabos cortaram aquela árvore?

Há uma semana os meus avós cortaram a árvore que tampava grande parte da janela, foi uma forma de me castigar, após deixar claro que eu não iria cursar medicina.

Em passos quase inexistentes, me levanto para ir em direção a casa principal, infelizmente em meu pequeno barracão não contém cozinha, coisa que se depender de mim, mudará em poucas semanas.

— Já está atrasado, não quero que você perca suas aulas.

Assim que entro na casa, minha avó me recebe com um abraço.

— Dormi mal a noite— digo me jogando em uma das cadeiras.

— Para a sua sorte, eu preparei ovos mexidos com queijo. Vai te deixar mais animado pra estudar!

— Já conversamos sobre isso, vó. Medicina não é pra mim…

— Não vamos discutir sobre isso novamente, no futuro, você vai nos agradecer— o meu avô se pronuncia, pela primeira vez nessa manhã.

— Eu sei que vocês querem o meu bem, mas eu não quero perder a minha vida trabalhando em algo que não gosto— Me levanto com um suspiro— Vou ir me arrumar.

E sem tocar na comida volto para o meu pequeno cafofo, no fundo do quintal. Não me sinto confortável em ter que discutir todas as manhãs por algo que já estava decidido e esse é um dos motivos para construir uma cozinha própria.

Pensava em matar aula, enquanto me apronto, mas ao lembrar dos olhos castanhos brilhantes que me esperam, essa ideia sai de cogitação num instante, ela é a única coisa que o motiva a ir para a aula.


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Chuto as pedrinhas do chão, enquanto caminho com todo o desânimo que tenho. Eles não conseguem simplesmente entender que costurar corpos não é meu hobby?

— Mais uma daquelas discussões?

Levo um susto ao notar que já cheguei na universidade e mais ainda ao notar Brenda parada em minha frente.

— Não…

— Olha essa sua careta, seria possível alguém conseguir mentir pior?

— Estou falando a verdade, nada me aconteceu…

— Certo, certo. Acredito em você — sua cabeça balança em negação.— E como vai seu novo projeto?

Deixo a pergunta no ar, enquanto caminhamos em direção ao campus, ela é a única com quem falo tudo que sinto, as vezes sinto medo de estar criando uma imagem falsa sobre ela… Dou um tapa na minha testa, nunca mais vou pensar assim dela.

— Que isso? Tentou acertar um mosquito?

— Nada, esquece.

— Você não respondeu minha outra pergunta.

— O meu novo projeto? Está ótimo, preciso comprar algumas tintas novas…

— Ei!— Ela segurou pelos ombros, me forçando a encará-la — Você vai me falar o que está acontecendo ou quer que eu arranque a força?

O rosto dela fica tão lindo quando está preocupada, os seus cabelos caramelos parecem ficar ainda mais anelados e a pele morena fica com um tom rosado tão sedutor…

— Eu juro que não respondo por mim se você não parar de me olhar com essa cara.

Resmungo baixo antes de responder:

— Eu só estou estressado, eles não conseguem entender que não medicina não é pra mim…

— Então teve mais discussão?!

— É claro que teve, não existe outro assunto além desse lá em casa…

— Você deveria entender seus avós também, tipo, eles não querem te ver pedindo esmola.

— Então você acha que meu futuro é pedir esmola? — Volto a caminhar sem deixar ela responder, agora até ela vai ficar contra mim?

— Você sabe que não foi isso que eu quis dizer!

— Eu sei.

— Então por que você está agindo assim?

Passo a mão no cabelo, meus pensamentos estão totalmente fora de ordem e não é certo descontar nela.

— Eu estou com a cabeça cheia.

— Não é desculpa para descontar sua raiva em mim… — Ela se senta na grama e bate a mão no lugar ao seu lado.

— Eu não deveria ter sido tão idiota com você — digo aceitando o seu convite.

— Você sempre é — Olho para ela espantado — Brincadeira! Sabe, você deveria sair para esfriar a cabeça, o que acha de uma volta hoje a noite?

— Eu não acho que… — Sou interrompido antes de terminar a frase.

— Você acha sim! Passo na sua casa às 19:30!

— Não sei se…

— Ih, olha as horas — novamente ela não me permite falar — esteja arrumado!

Sem me dar tempo para respostas, ela corre em direção ao prédio. Fico parado por tempo suficiente até ela estar fora da minha vista, parecem que raios de luz saem dela, como alguém pode ser tão perfeita? Se recomponha Enzo, ela é uma amiga de longa data, nada desses pensamentos perversos. Me ponho a fazer o percurso em direção às salas, já me atrasei o suficiente.

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— Como foi à aula? — Minha avó me recebe assim que chego em casa.

— Muito bem, e a senhora como vai?

— Que notícia maravilhosa! Então o meu menino está começando a se interessar?

— Não chega nem perto disso…

— Você vai ver, não falta muito para você se apaixonar por medicina!

Bato na madeira assim que ela fala, nem em sonho isso vai acontecer e na verdade, esse é um dos meus piores pesadelos. Jogo a mochila no sofá e vou até a cozinha.

— Acabei de assar alguns biscoitos, são aqueles de canela que você adora!

— Sério? Eu estou morto de fome!

— Me diz se essa não é a mulher mais perfeita do mundo!? — o meu avô fala com os olhos brilhando.

— E você é o mais galanteador!

Fico apenas observando os dois trocarem elogios, eu nunca vi um casal tão apaixonado quanto esses dois, ver essa cena quase compensa a chatice deles mais cedo.

— Os biscoitos ficaram deliciosos! — os dois finalmente saem do transe — Eu vou sair com uma amiga mais tarde.

— É isso, garoto, eu na sua idade não ficava um dia em casa — ele engole seco ao ver o olhar da esposa. — Que isso, minha velha? Eu não ficava um dia em casa porque trabalhava muito!

— E eu não sei que horas volto, não precisam me esperar acordados.

— Contando que você descanse para ir à faculdade amanhã.

— Não se preocupe com isso, vó.

Volto para a minha casa antes que esse assunto venha à tona, encontro no fundo da minha gaveta de cabeceira os pincéis, que fazem conjunto com uma paleta de madeira clara e é na tela que se apoia ao cavalete que as cores se misturam, o pincel desliza dentre a imensidão de cores que aos poucos criam forma. Não consigo me imaginar em qualquer outro lugar, esse é o meu presente e vai ser o meu futuro.

2 de Junho de 2021 às 02:14 0 Denunciar Insira Seguir história
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