tomasrohga Tomas Rohga

Um garoto aluado, um tacanho rabicho, um gaiato almofadinha e outro de despontada bravura. Ao completarem 11 anos, quatro meninos recebem suas cartas de admissão para Hogwarts, a Escola de Magia e Bruxaria da Grã-Bretanha. Quando Tiago, Sirius, Remo e Pedro caem no mesmo dormitório, uma forte amizade se forma entre eles, vínculo que teria implicações por todo o mundo bruxo, para o bem ou para o mal. Um deles, no entanto, guarda um segredo terrível e, na tentativa de ajudá-lo, os outros três bolam um plano mirabolante sem desconfiarem que algo sombrio estaria à espreita. Nota: Este é um projeto não-oficial. Através da minha própria história, pretendo contar o passado da série original sem me desviar do cânone oficial, ou seja, tentarei não criar incoerências cronológicas. Todos os direitos reservados à J. K. Rowling e a Warner Bros.


Fanfiction Livros Todo o público.

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Capítulo 1: A outra plataforma


O menino balançava as pernas finas.

Sentado num banquinho de praça, observava o ir e vir incessante dos adultos naquele dia ensolarado sob a entrada da estação King’s Cross.

Ao lado dele havia pousada uma caixinha curiosamente listrada da qual puxava, de quando em quando, algo parecido com feijões coloridos. Apanhou um feijãozinho cor de abacate e posicionou-o bem diante dos olhos. Ergueu a sobrancelha desconfiado, examinando-o contra o sol, até sacudir os ombros e jogá-lo para dentro da boca. Fez uma careta de repugnância um segundo mais tarde.

— Droga! — praguejou ele. — Meleca de nariz.

De repente, um grande labrador preto apareceu farejando, surgido de algum lugar além da entrada da estação. O animal se aproximou devagar, abanando o rabo felpudo de maneira amigável e tocando com o focinho gelado em sua canela. O menino se assustou, mas logo entendeu que o cão havia se interessado pela caixinha ao lado dele.

— Está perdido, garoto? — perguntou ele, afagando as orelhas do cachorro. — Quer um feijãozinho?

Ele latiu em resposta. Satisfeito, retirou outro doce e o jogou para cima. O animal o abocanhou ainda no ar e lambeu o focinho, latindo como se pedisse por mais um.

— Se gostou desse daí, deve ter pegado de tripa, não foi? — riu do próprio comentário.

— Jasper! — gritou uma voz esganiçada.

O garoto girou os olhos cinzentos na direção do barulho e notou que uma menina de vestido rosa e rabo-de-cavalo se aproximava aos pulinhos, correndo atarantada com uma coleira na mão.

— Desculpe — disse ela ao alcançá-lo. Ficou apoiada sobre os joelhos durante o tempo necessário para recuperar o fôlego. Deveria ter não mais que seis ou sete anos. — Jasper escapou da coleira e viu você comendo… — Ela apontou com o dedo para a caixinha listrada e parou de falar, arqueando uma sobrancelha. — Comendo isso daí. Que são essas coisas? Balinhas?

— Feijõezinhos de todos os sabores — corrigiu prontamente.

— Quêêê? — indagou, ao mesmo tempo divertida e intrigada. — Nunca ouvi falar.

— Cada feijão tem um sabor diferente.

— Nossa, que esquisito.

— Alguns são sim — concordou o menino, suspirando com resignação. — Acabei de comer um com gosto de catarro.

— Eca! — exclamou, botando a língua para fora.

Ambos romperam a gargalhar e o garoto notou faltar à menina dois dos dentes da frente.

— Você não tem vergonha? — disse de repente, apontando com o dedo para os próprios incisivos. — Você tá banguela, mas tá aí sorrindo pra todo mundo ver.

Ela pareceu momentaneamente ofendida. Botou a mão na cintura e fechou os olhos, dizendo em tom mandão:

— Mamãe sempre diz que a gente nunca deve ter vergonha de quem é.

— Queria que minha mãe também pensasse assim. Ela vive dizendo a mim e ao meu irmão que algumas pessoas são escórias…

— Nossa, não sei o que significa essa palavra, mas parece ser algo muito feio. Sua mãe deve ser bem chata, não é? — disse a menina, encaixando novamente a coleira no pescoço do labrador que tinha o dobro do tamanho dela. — Mas ao menos ela te deixa comer doces. A minha só me dá doces quando eu faço todas as tarefas da escola.

— Minha mãe pode ser bem desagradável às vezes, mas você é legal. Como se chama?

— Eu sou Anne e esse é o Jasper Glutão II — respondeu, dando um tapinha na cabeça do cachorro. — E você? Quem é?

— Me chamo Sirius.

— Sirius…? Que nome engraçado. Igual ao seu cabelo — disse ela, tocando-lhe uma mecha da cabeleira rebelde e crescida, que caía à altura dos ombros.

— Minha mãe vive querendo cortá-los.

— É por isso que está aqui sozinho? — Anne pareceu repentinamente alarmada, como se tivesse assimilado apenas naquele instante o fato de Sirius ser uma criança desacompanhada num lugar tão imenso. Era óbvio que os pais de Anne estavam por perto. — Você fugiu de casa para não cortar os cabelos?

Sirius sacudiu os ombros.

— Na verdade meu irmão comeu alguma coisa estragada. Meus pais foram ao banheiro com ele e me mandaram ficar aqui esperando. Daqui a pouco tenho de pegar um trem para conhecer minha nova escola, na plataforma nove e três quartos.

— Plataforma nove e três quartos? — riu ela. — Você é engraçado.

— SIRIUS BLACK! — gritaram de longe. — Venha já aqui.

As duas crianças se voltaram na direção do som, avistando a figura de uma mulher empertigada a alguns metros de distância; trajada num vestido preto elegante, tão escuro quanto os próprios cabelos apuradamente penteados sob um chapéu à moda vitoriana. Mantinha-se imóvel sob a entrada da estação, três passos à frente de um homem com semblante enfastiado cuja mãozorra repousava sobre o ombro de um garoto pálido e com aspecto de doente.

— É a minha mãe — disse Sirius em voz baixa, saltando do banquinho. — Tenho de ir. Pode ficar com os feijões para você. Jasper parece ter gostado deles.

— Obrigada, Sirius — agradeceu ela, acenando e mostrando outro sorriso banguela enquanto o garoto se afastava. — Cuide-se.

— Você também, Anne. Adeus.

Quando Sirius suprimiu a distância que o separava dos pais, soube que a bronca viria na hora. Sua mãe fuzilou-o com o olhar ao atravessar o hall de entrada da estação King’s Cross.

— Por que estava de papo com aquela trouxa nojenta? — perguntou Walburga Black, em tom autoritário.

Deu de ombros.

— Ela tinha um cachorro legal. Só estava me contando sobre ele.

— Ora! Um Black conversando com uma imunda por causa de um maldito pulguento. O que eu faço com esse menino, Órion? — A mulher soltou uma interjeição próxima ao desespero. — Se continuar com esse comportamento hora ou outra eu lhe deserdo, Sirius. Eu juro.

Órion Black ostentava uma bigodeira de respeito. Empacotado em seu terno preto e gravata verde-musgo, apenas grunhiu em resposta, sem olhar diretamente para o filho. Sirius, contudo, não esperava coisa mais elaborada se tratando do pai. Onze anos e nunca haviam tido uma conversa completa – uma verdadeira conversa de pai e filho. Órion só parecia ter olhos para seu irmão mais novo e para aquele seu grande anel de ouro cingido no indicador. Sirius, todavia, já se acostumara, e até achava as coisas mais fáceis daquele jeito. Voltou a sorrir.

— Tá com cara de quem comeu um pastelão de espinafre, Régulo — disse matreiro, quando se emparelhou ao garoto menor.

— Ainda assim, estou mais bonito que você — retrucou com dificuldade, forçando um sorriso amarelado.

Sirius deu um empurrão de brincadeira no ombro de Régulo e ambos sufocaram uma gargalhada.

— Sirius? — evocou Órion, em tom severo. — Respeite seu irmão e tenha compostura.

— Sim, senhor. Me desculpe.

O homem bufou e as crianças se encolheram, seguindo em silêncio até a barreira que ficava entre as plataformas nove e dez.

— Onde estão minhas malas e minha coruja? — quis saber Sirius, poucos minutos depois.

— Olhe o tom, mocinho — retrucou a sra. Black. — Monstro foi na frente e as levou. Está esperando na plataforma

— Monstro?! Ele vai jogar minhas coisas nos trilhos. Ele me odeia.

— Ele não te odeia — rebateu Régulo, prendendo um arroto. Ainda estava excepcionalmente pálido. — É que você não faz esforço nenhum para gostar dele.

— Por que eu iria me esforçar pra gostar daquele narigudo?

— Quieto os dois — ordenou a senhora Black. — Argh! Não suporto o odor nojento de mediocridade do lado trouxa dessa estação. Vamos, se apressem, se apressem.

A família Black ultrapassou a barreira sólida de tijolos entre os números nove e dez e ressurgiu magicamente em outra plataforma, ainda mais apinhada de gente que a anterior. A locomotiva a vapor erguia-se sobre os trilhos, expelindo nuvens de fumaça pela enorme chaminé do primeiro vagão. Havia um grande letreiro sob um arco acima, em que se lia a distinta identificação do número “9 ¾” grafado em nácar. Sirius abriu o sorriso ao encarar a placa.

Subitamente, sua até então tranquilidade foi substituída por um nervosismo que ele não sabia dizer de onde vinha, e perguntas começaram a fervilhar em sua cabeça: Em que casa cairia? Sairia-se bem nas primeiras aulas? Iriam gostar dele? Conseguiria fazer amigos?

Encontraram Monstro pouco depois, guardando os malões ao lado de uma garota de cabelos alourados que se despedia às lágrimas da família.

— Pode deixar que daqui eu assumo, Monstro — disse Sirius, tomando para si o carrinho abarrotado de malas e materiais escolares. Acima da pilha, jazia também uma grande gaiola de metal, guardando Beliscão, uma coruja cor de azeviche, que piava e bicava as grades de proteção.

— É claro, patrão — disse prontamente o elfo doméstico, uma criatura nanica, de pés e orelhas enormes e nariz adunco. Ele fez uma reverência exagerada para Sirius. — Monstro vive apenas para servir aos Blacks.

— Adeus, Régulo. Ano que vem será você — despediu-se ele, dando a mão ao irmão mais novo, que a apertou um tanto a contragosto. Curvou-se levemente em direção a Órion e à mulher. — Pai. Mãe.

E tomou caminho para adentrar no trem.

— Sirius! — gritou a sra. Black, quando ele estava a meio passo de embarcar na locomotiva. Eram quase onze da manhã. — Trate de entrar para a Sonserina, sim? Dê ao menos essa alegria para a sua mãe. Eu lhe imploro.

Ao escutá-la, a expressão que se formou na face de Sirius foi algo difícil de se decifrar, mas reuniu toda a coragem que existia dentro de si antes de respondê-la:

— Mãe, é o chapéu quem escolhe, não é?

E subiu para o trem.

3 de Junho de 2021 às 03:19 4 Denunciar Insira Seguir história
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Leia o próximo capítulo Capítulo 2: Encontros e encontrões

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Isís Marchetti Isís Marchetti
Olá, Tomas! Tudo bem com você? Faço parte do Sistema de Verificação e venho lhe parabenizar pela Verificação da sua história. Primeiro, vamos começar com essa sinopse, que de longe já tem um aviso enorme e escrito em neon as seguintes palavras “PERIGO”, está na cara que eles vão se meter em coisas que não deveriam, e isso é super instigante, a ponto de prender qualquer leitor que passe só de passagem e pense “com uma sinopse dessas, preciso ler o desenrolar dessa trama”, ai pronto, se for um fã de Harry Potter então, lascou se tudo! Bom, vamos lá. A coesão e a estrutura do seu texto estão simplesmente impecáveis. A narrativa trás a história de um ângulo diferente, o que é incrível para o leitor, e é tão recheada de detalhes na ambientação que além de fazer com que imaginássemos tudo perfeitamente, deixa aquela impressão que isso poderia ser de fato algo que aconteceu na obra original, o que é uma experiencia incrível, e diga-se de passagem surpreendente. Quanto aos personagens, eu gostei de mais a forma que foi retratada a certa “repulsa” que os pais tem pelos humanos, e até mesmo pelo Sirius, de alguma forma, pode até explicar quem ele é de fato na obra original. Mas nem um coração aguenta ver a forma com a qual ele é rechaçado dessa maneira, pelo menos, eu particularmente, tenho muito carinho por ele, e acho que foi um personagem muito injustiçado na trama. Gostaria de ter visto mais sobre os que ainda não apareceram nesse início, mas acredito convictamente de que essa aliança entre os colegas de quarto irá ser mais forte do que tudo! A gramática é outro ponto que precisa ser engrandecido, de fato, adoro ver como um texto simples, mas bem ortografado faz com a mente do leitor. É uma experiencia sem igual. No mais, acredito que daqui sairá uma história fantástica. Desejo a você sucesso e tudo de bom nessa jornada. Abraços.
June 21, 2021, 17:58

  • Tomas Rohga Tomas Rohga
    Muito obrigado pelo avaliação, Ísis! Seus comentários sempre enchem a gente de ânimo para prosseguir com a história. Explorar as lendas de Hogwarts sempre foi um desejo que tive, então darei o meu melhor para corresponder às expectativas. Grande abraço. June 21, 2021, 23:22
Diego Moura Diego Moura
Muito bom a descrição dos personagens e do início do enrredo , nem precisa ver filme algum sua o obra ja é um belo filme escrito, parabéns e que ele entre na casa que o convenha né; Bom.. sua obra tem um belo potencial de crescimento, os verbos, pronomes e artigos estão bem encaixados. VOCÊ ARASSOU NA LÍNGUA PORTUGUESA.
June 13, 2021, 03:02

  • Tomas Rohga Tomas Rohga
    Obrigado pelo comentário, Diego. Fico feliz que tenha curtido. June 14, 2021, 15:44
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