magali-silva1617647561 Magali Rossito

Em 1985, a colisão do Apophis, transformou a Terra num mundo frio e sombrio, que foi tomado por civilizações extraterrestres. Algumas vem para estudos e outras, com intenções não tão amigáveis... Annya, uma mulher híbrido vem para a Terra para uma importante e inadiável missão.


Pós-apocalíptico Todo o público.

#terra #nave
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O dia estava nublado como sempre no mundo sombrio, como a Terra era chamada após a catastrófica colisão do Apophis. Frio e escuro. Annya sentia seu coração pular de ansiedade. Depois de meses sozinha naquela pequena casa na periferia de São Paulo, finalmente ia ter com quem conversar, pessoas para chamar de família.
A ordem era superior, iria para uma nova casa e um novo trabalho.
Trabalhar em um hospital era empolgante para ela, era PhD em anatomia humana e a ordem era estudar e meticulosamente se aprofundar na fisiologia dos humanos.
Mas o que a alegrava mais era saber que teria com quem conviver, ela ansiava por carinho, sentia falta de companhia, de amizade. Naqueles meses reclusa, a única companhia que teve foi de um gato amarelo que uma certa noite saiu e nunca mais voltou.
Conferiu as roupas na mochila, estava tudo lá inclusive o inseparável caderno de anotações que as vezes funcionava como um diário. Tinha pouca coisa, Annya não usava perfumes, nem jóias, nem qualquer adorno. Somente usava um delineado negro marcante nos olhos, artifício que aprendeu com as paulistanas quando chegou. Achou bonito e adotou para sua aparência.
Lembrou das palavras do Nirhons:
—"São pessoas boas, um casal de idosos e 2 soldados."
Soldados era modo de dizer, Nirhons queria dizer que eram 2 policiais. Estrategicamente para protege-la se fosse necessário.
Tinha o formato de uma família e ela estava ansiosa por conhece-los!
Quando se viu pronta, olhou demoradamente para o quarto e relembrou todas as emoções vividas alí. Veio-lhe na mente a imagem do amigo Paulo, que passou com ela alguns dias, exatamente nos dias de escuridão total, 3 dias e 3 noites.
Ela sabia que o Paulo era apaixonado por ela, mas foi de um delicado respeito, ou talvez um pouco de assombro! Ela notava que ele arregalava os olhos toda vez que se aproximava.
Paulo pensou, naqueles dias, que era o fim do mundo, que estava próxima a vinda de Jesus mas Annya sabia que Sananda ainda não viria, que era apenas as colossais naves extraterrestres se locomovendo e se posicionando na órbita da Terra.
Lágrimas brotaram dos seus oblíquos olhos amarelos quando relembrou a sua morte num confronto.

Visitou todos os cômodos e sentiu que sua passagem por ali estava encerrada.
Na saída, olhou-se no espelho e viu o reflexo de uma bela mulher, talhe perfeito dentro de um pesado casaco. Olhou mais uma vez a fachada da casa, ficou nostálgica mas decididamente colocou a mochila nas costas e se foi.
No caminho até a nova casa ela não conseguia esconder o sorriso. Nas ruas desertas ela era um pequeno sol que iluminava tudo ao redor. Com as mãos escondidas nos bolsos do casaco ela caminhava a passos apressados, com os ombros contraídos pelo frio.
Os olhos e os cabelos dourados dançantes ao sabor do vento, conferiam um belo contraste a paisagem cinzenta e fria do mundo sombrio.

***

A casa era um antiga construção dos anos 1920, adaptada para abrigar pessoas que haviam perdido suas famílias na tragédia do Apophis. Annya se apressou pois a hora de escurecer se aproximava e o frio estava intenso naquele fim de tarde.
Ao deparar-se com a porta, fitou por instantes o vidro embaçado e pensou:
"Acho que aqui vou encontrar meu destino."
Bateu, e pelas luzes e vultos, percebeu que havia algumas pessoas lá dentro. Talvez umas oito.
Esperou e logo veio um homem atender.

— Oláaa

— Olá, procuro pelo delegado Oliveira, ele está?

— Tá sim. Entra aqui, sai do frio. Vou avisar ele, espera só um instantinho.

Quando Annya entrou, havia sete homens sentados à mesa jogando cartas. Todos pararam para olha-la. Cumprimentou a todos com um tímido "boa noite" que foi respondido com um alto e uníssono bem mais acalorado! Ela abaixou a cabeça envergonhada.
Ficaram em silêncio, apenas contemplando a beleza daquela jovem mulher desconhecida. E muitíssimo curiosos.
Eram todos policiais e somente dois deles eram seus supostos " irmãos". O primeiro homem não demorou e veio todo sorridente, pegou a mochila e conduziu-a até a sala do delegado.

— Vamos lá que ele já tá te esperando. — disse ele, não escondendo a satisfação em acompanhar a moça, sob os olhares entusiasmados e atentos dos outros.
Um deles, o Adriano Gil, procurou ver o rosto de perto, sem conseguir,contorceu-se todo para acompanhar a entrada da moça na sala até que sumiu.
Ele que há tempos tinha os olhos azuis tristes, agora estavam cintilando como estrelas! A moça havia despertado-lhe fascínio e curiosidade.

25 de Maio de 2021 às 14:00 0 Denunciar Insira Seguir história
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