alexxis_th Thomas Bittencourt

Ayla é uma garota que cresceu em um orfanato com um desejo e paixão enorme pela atuação, e usava seu talento a seu favor Ao crescer, ela foi chamada por uma produtora de filmes e alcançou seu maior sonho, porém foi demitida por seus chefes, por acharem que a mesma não tinha talento por ser mulher. Logo após ela entra pro mundo do crime, onde cria vários personagens para se livrar das suspeitas da polícia.


Crime Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#crime #lgbt #original #máfia #258 #orfanato #atuação
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Infância.

Toda história tem um começo, seja ele por conta de um conflito, por conta da convivência da personagem, por um recomeço em sua vida, ou o começo de uma nova.

O meu, é o começo de tudo. Nasci em outubro de 1996, e fui colocada em um orfanado porque meus pais não estavam prontos pra ser pais. Archie Montenegro, com problemas de raiva que se projetavam em bebida e agressão física, as quais ele colocava culpa na bebida, em minha mãe, Jeniffer Montenegro. Quando eu completei dois anos, meus vizinhos denunciaram os gritos da minha mãe que foi levada para o hospital e eu nunca mais ouvi falar dela. Eu fui tirada daquele lugar, que muitas pessoas chamam de inferno, mas eu chamava de casa mesmo sem conseguir formular uma frase simples.

Assim que cheguei no orfanato, fui recebida com duas mulheres me pondo no colo e me levando para um quarto, cheio de camas e berços rosas decorados com pelúcias, babados e almofadas recheadas de fofura.

Conforme fui crescendo minha vida foi se tornando uma loucura, comecei a me sentir em casa quando começou o bullying dentro do orfanato, as crianças me xingavam, apontavam e riam de mim quando eu passava sozinha, porque tinham medos das “tias” (assim como chamávamos). Comecei a me dedicar as aulas que eram dadas pelas tias dentro do orfanato, assim que percebi que não teria uma boa vida social naquele lugar, passei a andar com as piores inimigas das minhas inimigas.

- Ayla! Pode responder – ouvi risadas atrás de mim ao mesmo tempo que senti uma bolinha de papel bater em minhas costas.

- 56, tia Jéssica – sorri abaixei minha mão rapidamente enquanto as risadas se transformavam de forma lenta e sussurros, mas do mesmo jeito eu não parava de sorrir, de alguma forma, meu subconsciente me trazia um pensamento de “convença-os que você está feliz, você não liga, você não se importa” e vários outros pensamentos desse mesmo calibre.

Ao completar 16 anos, as tias não as assustavam mais de alguma forma, chegaram da fase rebelde, a qual não importam as consequências, saiam pra fumar, beber e transar com qualquer homem mais velho que viam pela rua, sem se importar com doenças, gravidez, consequências. Ao andar nos corredores do orfanato, elas colocavam o pé pra eu tropeçar, ao limpar os cômodos elas me empurravam e riam enquanto chutavam minha barriga e minha cabeça. Eu apanhava toda vez que ficava sozinha com elas, e quando alguém nos apanhava, uma delas assumia a culpa como uma puritana e dizia que nunca mais iria se repetir, elas sabiam que nunca seriam transferidas muito menos expulsas de um orfanato.

- Se chegar perto de abrir a boca, nós acabamos com você pior que da última vez sua puta – disse Clara cuspindo e jogando cigarro na metade encima de mim, que estava no chão com o estômago roxo e os braços ao redor da própria cintura. Elas e as duas amigas saíram e me deixaram no chão do banheiro. Depois de longos dois minutos deitada no chão frio e sujo, me apoiei na pia e na parede e olhei no espelho, tinha um grande roxo no meu olho e minhas bochechas estavam vermelhas de arranhões.

Tranquilamente, peguei minha bolsa próxima ao esfregão e procurei por uma pequena bolsinha roxa com algumas maquiagens dentro, fiquei na frente do espelho e comecei a me maquiar com o rosto sério, sereno.

Sempre me disseram pra parecer tranquila e feliz, minha personagem tinha que permanecer tranquila mesmo que me custasse a felicidade verdadeira, eu estava sentada no chão, ao lado do quarto masculino com o rosto maquiado para não parecer totalmente fodida e sem esperança, fechei os olhos por um simples momento e assim que os abri, dois garotos estavam na minha frente, agachados e me encarando de forma cuidadosa, como se procurassem alguma cirurgia plástica no rosto da Kendall Jenner.

- Algum problema? – Perguntei de forma educada e curiosa, não queria que estivesse aparecendo meus hematomas, tanto físicos quanto emocionais. – O que houve? – tentei me levantar, mas o garoto de cachos laranjas foi mais rápido e me puxou pra dentro do quarto e me empurra na cama de forro azul escuro, me fazendo ficar sentada enquanto ele o loiro me encaravam intrigados e sérios. – OQUE TEM NA MINHA CARA CARALHO? – eles se assustaram e olharam um pro outro ao mesmo tempo em que eu me levantava e procurava algum tipo de espelho. Achei um telefone e usei a tela bloqueada para olhar meu reflexo, não parecia ter nada que me entregasse tão descaradamente ao ponto de pararem em um corredor pra me encarar. Voltei a olhar pra eles com cara de confusa e os dois estavam se entreolhando com uma das mãos na boca, surpresos com algo que por mais que eu tentasse eu não sabia o que era.

- é a primeira vez que eu vejo alguém mudar de expressão tão rápido, e ainda não consigo decifrar seus pensamentos ou comportamento – disse ele sentando na cama onde eu deveria estar. Seu sentimento de balbúrdia parecia infatigável.

- De um sentimento falso de bonança pra um verdadeiro de curiosidade, raiva e pânico – diz o loiro abrindo a gaveta de uma cabeceira e pegando um bloco de notas pequeno e velho – quero fazer um personagem inteiro sobre sua personalidade. – Ele parecia animado com isso. Estranhamente animado.

- Por que me acham tão interessante? – indaguei com sinceridade verdadeira e me sentei ao lado do ruivo que encarava o chão desde sua última fala. – Pareço convincente? – precisava me abrir com alguém, não falava sobre minha paixão por atuação com ninguém, pelo menos não até o ponto de me abrir e me sentir vulnerável, eu não estava fingindo pela primeira vez na frente de alguém.

- Você atua tão bem que chega a desorientar um dos melhores psicólogos que eu já conheci – indaga o loiro escrevendo algo em seu bloco de notas. Olho pro cacheado e ele estava me encarando com seu olhar vazio novamente, procurando algum tipo de resposta pra uma pergunta que nem ele mesmo tinha.

- Não sou psicólogo Nathan, apenas estudo psicologia com os livros da biblioteca – Ele parecia envergonhado pelo elogio do loiro – e você nunca foi a um psicólogo! – ele diz sorrindo.

Pelo que eu reparei até aquele momento, os dois eram grandes amigos, um seria psicólogo e o outro algum tipo de escritor de livros ou coisa parecida, que se chama Nathan.

- Pra que eu iria pra um se eu tenho você? – Nathan disse sorrindo e por um segundo tirou os olhos do precioso bloco de notas quase cheio para olhar nos olhos do cacheado, que retribuía o sorriso e ficava corado como seu cabelo.

– Enfim querida, sim, você é tão convincente que me dá nos nervos, eu sei praticamente tudo sobre todo mundo neste orfanato, seja porque as pessoas vêm desabafar comigo e ter “consultas” ou eu consigo descobrir pelo seu comportamento em locais abertos, mas você... – ele disse se aproximando, ato o qual eu me afastei um pouco por não gostar de contato físico – você é tão convincente que eu venho que observando a semanas e não consigo saber um traço da sua personalidade que não seja falso. – ele virou o rosto e apoiou a cabeça em suas mãos e os cotovelos nos joelhos – Por exemplo, eu não sei se você se afastou de mim nesse momento porque sente medo de contato físico, ou se apenas está atuando como faz em todas as situações. – Ele indagou, gesticulando e apontando para mim. – Eu sei que você finge serenidade aqui, finge ser uma pessoa totalmente diferente e com uma convivência totalmente diferente, e é só isso que eu sei sobre você. É como uma agulha no palheiro. – Ele levantou a cabeça e voltou a encarar o chão.

– Poucos minutos antes de você abrir os olhos e me ver te encarando você junto com o Kael, eu estava tentando segura-lo pra não ir falar com você, porque o que ele queria era te fazer sentir alguma coisa verdadeira, custe o que custasse, pra saber seu parâmetro de verdadeiro e saber ler seu comportamento assim como todo mundo. – Nathan disse, revelando o nome do de cabelo alaranjado e curvo, que pendeu a cabeça pra trás e deitou na cama.

- Só pra sua informação querido, eu não ia machuca-la – Kael disse com o braço deitado acima dos seus olhos, molhando os lábios com a língua logo em seguida.

- Do jeito que você me empurrou poderia ter ME machucado – Nathan deu uma ênfase no “me”, pra mostrar que estava triste por ter sido jogado com tanta força pra longe do Kael.

Eu fiquei calada durante essa pequena declaração e discussão dos dois, que pareciam estar esperando algo de mim até aquele instante.

- Eu posso ensinar vocês – Soltei uma frase depois de um bom tempo de silencio continuo, onde apenas ouvia o rabiscar do lápis de Nathan na folha de papel velha. – Posso te ensinar a ler meu comportamento e posso te ajudar a fazer um personagem sobre mim – Kael se levantou e passou a me olhar atento, pronto pra aprender. Nathan passou para uma folha limpa do bloco e me olhou com os olhos tão arregalados quanto os do ruivo – com uma condição – eles perderam um pouco o entusiasmo, mas nada que os fizesse parar de me ouvir ou perder o interesse. – Eu vou te ensinar a fazer personagens pra mim – apontei pra Nathan – e te ensinar a ler meu comportamento, pra me ajudar a encobrir meu ato falho de quando estou mentindo e aprender controlar minhas emoções em situações de pânico – eles se entreolharam procurando uma resposta silenciosa no olhar um do outro.

- Pra que você precisa que ele controle suas emoções em situações de pânico? E como assim encobrir seu ato falho de mentira? – Nathan sentou ao nosso lado, me fazendo ficar no meio de uma pequena fileira na cama.

- Viu como eu entrei em desespero quando achei que tinha algo errado com a maquiagem?

- Achei que fosse só chilique de garota que borrou o rímel.

- Cala a boca, eu entrei em desespero porque achei que meu personagem estava comprometido de alguma forma, quando vocês olharam meu rosto eu entreguei meu jogo de bandeja pra vocês e eu não posso cometer esse erro de novo. – Nathan estava atento e parecia anotar tudo que eu falava até aquele momento - E quanto ao ato falho de mentira, é uma coisa, pode ser um gesto ou o a maneira que eu falo, que entrega quando eu estou mentindo, eu quero acabar com isso e fazer com que minha mentira seja imperceptível. – olhei pro Kael e ele estava mexendo a língua dentro da boca, fazendo atrito contra a parte interna da sua bochecha, estava pensando – E quanto a você... - apontei pro Nath que se assustou com a atenção repentina – vai me ajudar a montar personagens, pra cada situação, desde uma entrevista de emprego até pedir a hora pra um desconhecido na rua, a mais simples ocasião tem que ser planejada e precisa.

Eles se olharam, parecia que faziam isso a cada decisão importante, uma séria confiança um no outro. Eles me encararam com dúvida e permaneceu um silencio ensurdecedor no quarto.

- Tô dentro – Disse Nath me olhando sério e sem expressão, era a primeira vez que eu não via o Nath bonzinho e doce nele, por mais que o conhecesse em torno de 20 minutos. – E o Kael também, ele não é idiota de recusar uma proposta dessa, não é Kel? – Kael sorriu olhando pra Nath e logo em seguida me olhou ainda com o sorriso de canto em seu rosto.

- Topo, mas já vou dizendo, se me contar seu ato falho e eu começar a perceber, vai demorar muito até que me convença de algo estando atuando, e por conta disso vou começar a te conhecer melhor e é provável que nos tornemos amigos. – Nath deu um grande sorriso com a boca aberta, entusiasmado. - Mas não se preocupe, será totalmente mutuo, saberá bastante sobre nós também.

- É o que mais me preocupa. – Levantei da cama e sai do quarto, seguindo meu caminho pelos corredores, não sabia se tinha sido uma boa ideia.

18 de Maio de 2021 às 22:10 2 Denunciar Insira Seguir história
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𝙢𝙖𝙣𝙩𝙚𝙞𝙜𝙖 𝙙𝙤 𝙧𝙤𝙘𝙠 🤟 𝙢𝙖𝙣𝙩𝙚𝙞𝙜𝙖 𝙙𝙤 𝙧𝙤𝙘𝙠 🤟
Essa história vai viralizar..
May 18, 2021, 22:51

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