salosana Ana Luz

O que todo adolescente tem que saber para conseguir passar pelo ensino médio sem muitos problemas é: nunca faça partes de jogos quando estiver bêbado. Ou de apostas. Ou melhor ainda: não beba. Mas não é como se falar isso fosse impedir qualquer um deles de deixar as inconsequências de lado, afinal, só se vive uma vez. E é com esse tipo de coisa em mente que tudo começou a sair dos trilhos. Era para ser apenas uma noite divertida, mas acabou revelando segredos e criando discórdia e, ainda por cima, fazendo coisas que não podiam ser desfeitas. Nada mais seria como antes, não tinha como voltar atrás. Seja por que beijou seu melhor amigo ou mandou um nude sem pensar no depois. Sempre sem pensar no depois. Afinal, só se vive uma vez.


Ficção adolescente Para maiores de 18 apenas.

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Verdade ou consequência

Joane


Eu te desafio… a beijar o seu melhor amigo.

Assim que Joey terminou de falar ele sorriu diabólico e nem tentei impedir minha vontade de fazer uma careta para ele e Hana, afinal, era óbvio que os dois estavam mancomunados. Mas o que poderia ser tão desagradável nesse desafio? Claro, tirando o fato de beijar meu melhor amigo. Bem, acho que posso explicar isso melhor se voltar um pouco na história.

Era bem comum nosso grupo de amigos se reunir numa sexta-feira após as aulas, fazer todo o tema de casa juntos para, logo depois, fazer uma espécie de festa do pijama e (quando estávamos sem a supervisão de pais) surrupiar algumas bebidas para encher a cara enquanto comíamos porcaria. Normalmente nos reuníamos na casa de Violet e Olivia, tudo porque o pai delas conseguiu convencer a mãe delas em algum momento de nossa infância a fazer uma sala de jogos no porão com a condição de que as filhas pudessem usar sempre que quisessem. Como tem espaço o suficiente (diferente da casa na árvore) para largarmos colchões por ai para podermos todos dormirmos juntos a casa delas se tornou nosso ponto de encontro. E, nessa bendita sexta-feira não foi diferente, todos nos reunimos no porão/sala de jogos e como os pais das meninas saíram começamos a beber.

Agora para explicar a parte do melhor amigo, bom… eu nunca fui de escolher amigo e ficar exclusivamente só com um, porque encontrei todos eles em momentos diferentes da minha vida e temos conexões e tipos de amizade diferente (no caso eu com cada um deles).

Por exemplo minha amizade com Joey, ficamos amigos por causa de nossas mães serem amigas e por causa disso praticamente crescemos juntos e as vezes parece que eu quem sou a irmã dele em vez de John, só pela maneira que brigamos, nos estapeamos e declaramos guerra um com outro para logo depois estamos agindo como se não importasse, ou o modo protetor que agimos um com o outro do tipo que só eu posso falar mal dele, mas espera só alguém falar mal do meu benzinho pra ver se não leva um socão. Talvez grande parte dessa união que tivemos tem a ver com nós dois termos origem coreana e por conta de várias desavenças por ai com crianças malvadas em nossa infância onde eramos só nós dois contra o mundo (como seu irmão é mais velho ele não ficava com a gente).

E era eu e Joey, muitas vezes com o irmão dele junto até que Travis entrou na jogada. Quando nós tínhamos nove ou dez anos, Travis e a mãe dele se mudaram para a cidade e foi um fuzuê que só vendo (quem que é louco de vir se mudar pra uma cidade pequena dessas?). Para alegria do destino eles se mudaram para a casa ao lado da minha. Lembro desse dia como se fosse na semana passada e não anos atrás. Eu e Joey estávamos juntos no quintal da minha casa observando um formigueiro e todas as formigas indo pra lá e pra cá trabalhando.

— Toma, formiguinha, pega essa folha aqui — disse enquanto largava uma folha que tinha catado para elas do lado da fileira de formigas.

— Acho que elas não gostam de você — Joey sussurrou.

— É da sua cara feia que elas não gostam, boboca.

Tirou a língua para mim e eu não pude deixar de fazer o mesmo de volta para ele. Nós dois começamos uma disputa de mostrar a língua até ver quem desistia primeiro (que normalmente era ele, já que eu dava soco nele se demorasse demais, infelizmente as vezes ele conseguia desviar e era eu quem perdia). Então o barulho do caminhão da mudança chamou nossa atenção e percebemos que pararam na casa ao lado da minha. Nem precisamos falar nada, apenas arrumamos um jeito de espiar sobre a cerca e ficamos observando as pessoas do caminhão levando móveis para dentro da casa.

— Mas e o fantasma? — Joey perguntou.

— Acho que vão botar ele ‘pra fora.

— Tadinho! Onde que ele vai ficar dai?

— Podemos levar ‘pra sua casa — sugeri.

— Johnny vai ficar com medo — sussurrou.

— E se falarmos ‘pra ele se esconder lá em cima? — Aponto para o sótão da casa dos vizinhos.

Fizemos som de concordância em conjunto e foi quando vimos Travis junto com a mãe dele perto da casa, a mãe dele conversava com um cara de uniforme que parecia explicar alguma coisa para ela enquanto apontava e Travis estava parado ao lado dela segurando sua mão. Ele parecia pequeno e mais novo que a gente e foi isso o que eu comentei.

— Mas ele é muito bonito — Joey disse baixinho e quando olhei para a cara dele percebi que ele tinha os olhos arregalados e a boca aberta enquanto observava o vizinho novo.

— Nem dá ‘pra ver a cara dele direito — protestei. E era verdade, mal e mal podíamos ver a lateral do rosto dele. Mas eu meio que entendia o que Joey queria dizer, já que eu achei ele fofo, os cabelos dele eram bem loirinhos e parecia usar uma roupa grande demais para ele, mas que só ajudava a deixá-lo mais adorável.

Então Travis pareceu notar nosso olhar insistente sobre ele e olhou na nossa direção com aqueles olhos de um azul intenso. Acenei para ele sorrindo, mas ele continuou olhando para nós de cara fechada, talvez tivesse algo a ver com o olho roxo que ficou visível quando nos olhou, parecia doer. Logo depois passou a nos ignorar e não saiu do lado da mãe, depois de mais um tempo encarando eu decidi jogar uma bola nele, quando a mãe começou a levar ele para dentro da casa e isso acabou atraindo a atenção deles, mesmo que eu não tivesse chegado perto deles com meu arremesso.

— Quer brincar com nós? — perguntei e voltei a sorrir. Só depois de olhar para Joey de novo eu percebi que eles estava vermelho que nem um pimentão e nem abriu o bico para falar nada, o que é estranho, já que nós dois somos conhecidos por não parar de falar nunca. A mãe dele se aproximou da gente e dava para ver que Travis não estava nenhum pouco feliz com isso e quase se escondia atrás da mãe quando chegou perto da cerca.

— O que diz, querido, quer brincar com eles? — Ela soltou a mão dele para acariciar seus cabelos e isso o fez abraçar a perna da mãe com a mão que foi solta. Então eu comecei a falar:

— A gente ‘tá vendo as formigas trabalhando, mas Joey acha que elas não gostam da minha ajuda daí a gente pode fazer outra coisa, tipo jogar bola, mas Joey é muito ruim jogando bola então não tem graça. Podemos fazer um castelo ‘pro fantasma ter uma casa nova ou…

— Fantasma? — Ele perguntou parecendo estar um pouco com dúvida, outro pouco de medo e o resto de curiosidade.

Concordei com a cabeça sorrindo.

— Ele é bonzinho, só dá susto as vezes.

E graças ao fantasma despejado, a gente começou a brincar juntos. Como era eu quem era a vizinha dele, nos vemos com muita frequência e acabamos cada vez mais próximos, mas de um jeito diferente do que eu era com Joey, do tipo que eu sabia que Joey teve uma quedinha por Travis por um tempo e não sei se eu e Travis já chegamos a conversar sobre coisas desse tipo sem ser… bem, isso é história para outro dia.

Por último, mas não menos importante, Pat. Eu passei a andar com ele na época que ele e John começaram a ficar amigos e, por conta dele, acabamos juntando o nosso grupo de amigos com o dele. O meu era só menino e eu a única menina e com ele era o contrário, deve ser por isso que ele parecia tão satisfeito de se tornar amigo de John e se livrar daquele bando de menina louca, como ele mesmo falou (mas dava pra ver que ele não queria dizer isso mesmo, ele gostava das meninas mesmo falando o contrário).

Minha amizade com Pat é… diferente, não sei explicar exatamente como, apenas é diferente.

Como eram ele e John quem ficavam juntos por mais tempo, eu confesso que passei a me grudar nos dois e apenas com a desculpa de querer amigar. Acabou que eu e Pat ficamos mais juntos e, provavelmente, sem ele querer já que ele estava tentando ter amigos do mesmo gênero que o dele e eu fui lá e me meti e virei outra das suas amigas meninas. Não é como se ficássemos divididos em grupinhos por causa disso, mas…

Eu e Pat trocamos segredos, confidenciamos um ao outro os nossos maiores desejos e sonhos e parece que completamos um ao outro. E é por isso que se fosse para escolher, como estávamos discutindo sobre isso no meio de nossa festinha do pijama, que eu falaria que Pat é meu melhor amigo. Talvez também ajudasse o fato de eu e Joey estarmos discutindo no momento e uma grande parte minha queria apenas implicar com ele quado falei isso, mas a merda já estava feita, não tem muito o que querer arrumar desculpa.

Nós tínhamos deixado apenas as luzinhas coloridas que colocamos no porão ligadas e tinha música tocando, mas baixinho já que sempre fazemos barulho demais por não conseguir conversar direito por causa da música. Tínhamos nos reunido em uma espécie de círculo e com isso deu a oportunidade de Hana sugerir jogarmos verdade ou desafio e eu, ingênua, aceitei de bom grado.

Violet, Hana e Olivia estavam sentadas como um trenzinho, com Violet mexendo no cabelo de Hana e ela no de Olivia que vez ou outra soltava um reclamação por não poder se mexer direito já que Hana é malvada.

— Estou deixando seu cabelo lindo! — Hana disse e deu uma puxada “leve” no cabelo de Liv. — Para de se mexer que fica feio.

Assim que Olivia viu John rindo baixinho dela, por ele estar do lado dela no nosso “círculo”, ela estendeu a mão e puxou o cabelo dele.

— Você cale boca.

John apenas franziu o nariz e pegou a cerveja dele dando um gole e fingindo ignorar ela. Apenas fingindo porque todo mundo sabe que ele é cadelinha dela, todo apaixonadinho. Começou a conversar com Pat que estava do seu outro lado, mas eu via que de tempo em tempo ele voltava a olhar na direção de Olivia (que começou a fazer alguma coisa no celular e parecia não notar). Eu e Joey ao lado de Pat e Travis, nós dois juntos, já que eu aconchegava Joey em meus braços e fazia carinho no cabelo dele, afinal, ele é meu bebezinho (meu bebê de quase dois metros, mas não vem ao caso).

— Teu irmão é muito cadela — sussurrei no ouvido de Joey, o fazendo rir e John olhou para nós dois como se soubesse que era dele de quem falávamos.

— ‘Tá olhando o que, pintor de rodapé?

— ‘Cê deve ser só um ou dois centímetros mais alto que eu? — John reclamou para o irmão.

— Salva-vidas de aquário. — Joey continuou meio que cantarolando e infelizmente isso foi o suficiente para fazer ele parar de ficar nos encarando, que pena, as ofensas do Joey sempre são ótimas.

Até esse momento, eu e Joey estávamos sendo amorzinho um com o outro, o que sempre é bom, mas nunca dura por longos períodos de tempo. E o que desencadeou nossa briguinha do dia foi quando as meninas começaram a falar de Violet e o namorado dela (que joga no time de futebol junto de Travis) e ela disse que ele era o melhor amigo dela.

— Não acredito que ‘cê ‘tá me trocando por homem! — Hana falou indignada e isso fez até mesmo ela soltar o cabelo de Olivia, que largou o celular para prestar atenção na briga.

— Ué, ele é meu melhor amigo homem.

Hana olhava para ela indignada.

— Isso não é desculpa, a gente se conhece desde que nasceu, sua mocreia!

— ‘Cê fala isso como se não fosse grudada no Travis e já me trocou por ele sim! — Violet a acusou.

— Minha deusa, cadê a pipoca? — Joey perguntou para mim e nós dois rimos observando e tomando mais de nossa mistura de vinho com coca cola. Infelizmente isso fez a ira das duas se voltar para nós, e nem sei como elas escutaram se estavam gritando uma com a outra.

— É a mesma coisa com a Jo e o Joey, eles se conhecem desde sempre, mas ele não é o melhor amigo dela. — Violet, eu te detesto!

— Como assim? — Joey sentou direito e me encarou. — O que ela sabe que eu não sei?

— E vou lá eu saber — reclamo e cruzo os braços. — Ela ‘tá só querendo parar de brigar com a Hana porque ela nunca ganha.

— Mentira! — Violet ralhou.

Joey ainda me olhava feio e agora também tinha os braços cruzados. Provavelmente era uma cena engraçada, já que estávamos os dois de pijamas combinando de estampa das meninas super poderosas e aparentemente prontos pra trocar uns socos (se dependesse de mim, pois em toda discussão que eu entro tenha a tendência de ficar violenta, mas nunca bateria em um neném). Tive a confirmação de que estávamos ridículos quando Travis começou a rir e isso acabou contagiando os outros também.

— ‘Cê ‘tá rindo só porque você é outro que ela fica trocando segredinhos pelas minhas costas — Joey acusou. Travis ergueu os braços em rendição e disse:

— Não faço ideia do que ‘cê ‘tá falando, cara.

— Ah, não faz é? Fica aí fazendo a egípcia então enquanto eu explano vocês dois pra todo mundo.

Eu não disse nada, até porque nem sabia o que falar e fiquei pensando no que é que Joey poderia ter para explanar.

— Ih! Ela ‘tá fazendo uma cara… — Hana falou chegando mais perto e ficando atrás de Joey enquanto escorava a cabeça no ombro dele.

— Acho que é dor de barriga — Olivia sugeriu brotado no outro ombro dele e isso me fez rir.

— Não, eu ‘tô só pensando.

— No que?

— Ué, no que o Joey tem pra explanar, eu não sei nada — confessei.

— Olha aí, a outra fã de Cleópatra — Joey acusou nos fazendo rir.

— Minha vida é um livro aberto — declaro por fim.

— Claro que é — desdenhou. — Então posso falar? Já que todo mundo já sabe mesmo…

Dei de ombros.

— Não vejo porquê não.

— Talvez ‘cê não tem medo ‘deu falar porque sabe que não me conta nada — acusou-me.

— Besteira!

— Tipo você e o Travis, eu só sei porque eu entrei no quarto na hora.

Olhei para ele confusa, sem realmente me lembrar de alguma situação que pudesse ser a que ele se referia.

— O que tem eles dois? — Violet surgiu atrás de Hana e acabou empurrando ela sem querer para o lado, eu acho.

— É! O que tem eles? — Hana não pareceu se importar de ser empurrada, já que aparentemente tinha fofoca na área.

Joey se inclinou na direção delas e sussurrou alguma coisa.

— Não acredito! — As duas gritaram em conjunto.

Violet parecia estasiada e abriu um sorriso enorme no rosto antes de rir e Hana olhou para Travis de cara feia. Aparentemente elas não acreditavam em coisas diferentes.

— E você não me disse nada? Que bosta de amigo que ‘cê é, hein? — reclamou.

— Viu só! Vocês dois aí de amiguinhos e depois quer reclamar de mim e Trent. — Violet disse chamando a atenção de Hana por um momento.

— É diferente — rebateu.

— Diferente teu cu!

As duas começaram a brigar de novo, então aproveitei a oportunidade para me esgueirar para perto de Pat e John.

— Não vou preparar nenhuma bebida para você — Pat já foi logo avisando. Fiz uma careta.

— Deixa de ser mal amado, nem ia pedir. — Peguei meu copo e tomei um gole. — Até porque nem terminou ainda, espera mais um pouco pra começar com as desculpas.

Ele revirou os olhos.

— Do que ‘cês ‘tão falando? — questionei.

— Eu vou tatuar ele — John disse apenas e continuou a tomar a cerveja dele como se não fosse nada demais.

— O que? Como assim? E desde quando ‘cê tatua? Pode ir abrindo o jogo que que quero saber — ordenei.

— Desde agora, ué — ele disse. — E é por isso que vou tatuar ele, pra isso que serve os amigos, servir de cobaia.

— E nem pensou em mim? — reclamei fazendo manha.

— ‘Pra que? ‘Pra ‘cê reclamar ‘pro resto da vida que eu fiz merda? Não obrigado.

Mostrei a língua, mas não neguei. Eu ia reclamar mesmo.

— O que ‘cê fez? — Olivia perguntou se aproximando.

— Como assim? — questionei confusa.

— Eu tentei descobrir pelo Joey, mas ele ‘tá aproveitando a briga das duas. — Ela bufou. — E agora eu quero saber, ele fez parecer que era o fim do mundo, sei lá.

Ri e então disse:

— Pior que eu nem sei do que ele ‘tá falando.

Ela me olhou desacreditada.

— Depois ainda quer achar ruim que ele ‘tá reclamando que vocês não são melhores amigos, ‘cê nem sabe o que ‘tá rolando — acusou-me.

— Em minha defesa — comecei. — Desde quando eu sei?

Olivia estreitou os olhos, mas, por fim, suspirou e acabou concordando.

— Bom ponto.

— John vai tatuar um pinto no Pat — disse.

Ela me olhou confusa antes de olhar para eles.

— E se ele fazer merda?

Ri, e eu achando que ela fosse falar para tatuar outra coisa.

— Vai ser um pinto, o que pode ser pior? — Pat perguntou.

— Espera um pouco, vai ser um pinto mesmo? — perguntei chocada e isso o fez rir.

Consegui ouvir John dizendo para Olivia:

— Sua confiança em mim é tocante.

— Oras, desenhar no papel e desenhar no corpo é diferente — rebateu.

— E é por isso que ele vai ser minha cobaia.

Ficamos mais um tempo discutindo sobre John tatuar Pat e se deveria ser um pinto ou não até que minha coca com vinho acabou e comecei a fazer manha para Pat completar meu copo de novo com a mistura. Isso apenas fez com que a atenção dos outros viesse para nós quando eu joguei minhas costas no chão e declarei que ia morrer se ele não fizesse mais para mim. Infelizmente eu acabei ficando sem coca com vinho e Joey voltou ao assunto quando Hana o lembrou disso.

— Ela também fica escondendo as coisas, devemos nos unir e largar esses dois — disse se referindo a mim e Travis.

— Até agora eu não sei o que é — Olivia reclamou.

Olhei para Travis em busca de respostas. Ele me olhou parecendo exitante e olhou para Pat e John que estavam ao meu lado e falou movendo só a boca, acho que entendi algo como “primeira vez”, mas nem tive tempo para pensar se era isso mesmo ao escutar a exclamação surpresa de Olivia.

— Isso é sério? Que nojo!

Hana e Violet começaram a rir muito da reação dela enquanto Joey apenas olhava para ela, confuso.

— Nojento por quê?

Ela fez careta e apontou para nós dois fazendo barulho de nojo. Confesso que tive que rir junto das outras, principalmente porque agora eu já tinha uma ideia do que eles estavam falando.

— Muita heterossexualidade, né? Concordo — Joey falou acariciando o ombro dela.

— Só se for dele, ela quer me apalpar — Olivia respondeu fazendo ele gargalhar.

— Ela não é a única, né amada?

Olivia olhou para ele chocada.

— ‘Cê também quer?

— Não ‘tô falando de mim, coisa linda.

E olhou por sobre o ombro dela, na direção do irmão, mas acho que ela não percebeu. Provavelmente para nem dar chance de Olivia perceber o que Joey estava sugerindo (falando a verdade, apenas), John perguntou:

— Então os dois se pegaram, é isso?

— Ah, isso? — exclamei. — A gente transou. — Abanei a mão no ar. — Nada demais.

Sim, eu estava tentando desviar do assunto e fingir que nada aconteceu, até porque, realmente não foi nada demais, porém, o modo que eu decidi fazer isso apenas os deixou mais inquietos ainda.

— Como assim nada demais? Pode ir contando o que aconteceu, como, onde e porquê — Hana sentenciou. — Abre o bico, já que aquele lá não é mais meu amigo e não me conta as coisas.

Travis até abriu a boca para refutar, mas ela logo olhou para e ele e o mandou calar a boca, o que me fez rir.

— Outra coisa que prova que eu não sou seu melhor amigo é que você não me contou isso daí — Joey reclamou.

— Contei sim.

— Contou nada.

— Contei sim!

— Contou na… ah! Lembrei.

— Viu só! — acusei e ele apenas fez careta.

— ‘Tá bom, ‘tá bom, chega de DR e agora faz o favor de contar ‘pra gente também — Violet interveio.

Voltei a me atirar no chão e ergui o copo vazio.

— Eu até falava, mas ‘tô com sede demais… — Um draminha básico não pode faltar, né?

— Se eu colocar mais você conta ‘pra gente? — Hana perguntou.

— Ai linda, eu faço o que você quiser, linda, sua linda — disse enquanto balançava o copo em sua frente. Ela bufou e pegou o copo levantando em seguida e reclamando baixinho que eu era muito abusada. Quando ela trouxe o copo agora cheio da minha coca com vinho eu logo comecei: — muito obrigada, coisa mais linda da minha vida…

Hana me interrompeu.

— Chega de papo furado e pode ir contando, bajulação não vai funcionar hoje.

Sorri antes de me sentar e tomar um longo gole enquanto as meninas ficaram me encarando com intensidade.

— Meu Jesus Cristinho, mulher! Até eu que já lembrei o que aconteceu ‘tô morrendo com a sua enrolação — Joey grunhiu. Gargalhei e assim que consegui recuperar o ar decidi parar de enrolar antes que ele decidisse partir para a violência, afinal, é amigo meu, né?

— Eu perguntei se ele queria, dai foi.

Violet me olhou feio.

— Acha que isso é informação suficiente?

— Ué, o que mais tem ‘pra saber? Quer saber o tamanho do pau dele?

Joey riu da careta que Violet fez.

— Não fala de pau perto dela, tadinha — ele me repreendeu e então abraçou ela passando a fazer carinho na cabeça dela. — Não sabe que ela gosta de um só? Os outros assustam.

Isso nos fez rir, principalmente pela cara de irritação que Violet tinha, mas não negou nada também, até porque não é mentira que ela é toda caidinha pelo namorado dela e deve ser bem verdade que só quer saber do corpinho dele.

— Agora que ‘cê comentou... — Hana fez uma cara pensativa. — Fiquei curiosa, fala ai.

— ‘Cê já não ‘tava curiosa o tempo todo? — questionei.

— Oxi, mas agora é do pau dele — defendeu-se.

— Sério, Hana? — Travis questionou ao lado dela, ele também havia se aproximado do nosso embolo.

— A gente não é mais amigo, dai eu fico curiosa, ué.

Ele olhou indignado para ela.

— ‘Cê ‘tá falando sério?

— Lógico que sim, abaixa a calça ai.

— O que? — ele perguntou confuso. — Não! Eu nem ‘tava falando disso, mulher.

Foi a vez dela de ficar confusa.

— Do que então?

— De não ser mais minha amiga.

— Own… — Hana segurou o rosto dele e disse fazendo voz de bebê: — Mas é um neném, ficou tristinho foi? Tudo bem eu ainda sou amiga, neném.

Travis fez careta, mas não disse nada. Os dois ficaram abraçadinhos e então ela me olhou e perguntou:

— Porque você pediu?

— ‘Tava todo mundo falando e eu fiquei curiosa, uai.

— Falando do que? Do pau dele? — Ri.

— Tipo isso. — Dei de ombros. — Na verdade é porque eu tinha cabaço e ficavam falando “nossa, muito bom dar!” e essas coisas, dai eu fiquei curiosa.

— E como que foi?

Travis e eu nos olhamos e só tinha uma coisa possível de responder a essa pergunta, tanto que falamos na mesma hora:

— Estranho.

— Talvez porque você goste… de meninas? — Violet sugeriu, parecendo meio incerta, o que me fez rir.

— Não era essa parte que era estranha — expliquei.

— Certeza? — Olivia perguntou estreitando os olhos.

— Parando ‘pra pensar, hmmm… — Levei a mão que não segurava meu copo ao queixo e comecei a acariciá-lo com os dedos enquanto fingia pensar. — Não, acho que o problema era o Travis mesmo.

— O que ele fez?

— Ah, não isso, é que era ele, a gente é amigo dai foi meio esquisito. O que? Não me olha assim que você achou a mesma coisa.

— Acho que a maior parte do problema foi você mesmo — Travis ponderou.

— Ei! — reclamei, não sei deixar de dar um soco nele.

— Ei! — reclamou de volta, apenas sorri. — Viu? O problema. — Gesticulou para mim.

— ‘Cê fala isso, mas tem a maior cara de que gosta de apanhar de mulher bonita — Hana murmurou fazendo todo mundo rir.

— Tem certeza que ‘tá falando de mim? Pode ‘tá pensando na Jo enquanto diz isso.

Ela abanou a mão.

— Vocês dois têm, ué, para de reclamar.

— Não era os socos o problema… — recomeçou.

— Ahá!

Travis continuou, tentando não rir dela.

— Até porquê ela nem me bateu.

— ‘Cê deve ter ficado triste com isso — sussurrou e fez carinho nele. — Coitadinho, meu neném só queria levar uns tapas…

— ‘Tô falando da parte que ela começou a rir.

— É que ‘cê tirou a cueca eu tive que rir — justifiquei-me e ele riu.

— Não, você não riu, você gargalhou, parecia que ‘cê ‘tava morrendo de tanto rir.

— Porque ‘cê tirou a cueca? — Violet perguntou desconfiada e não teve outra, comecei a rir de novo.

— Quando foi isso? — Olivia perguntou do nada.

— O que? Que ele tirou a cueca? — questionei.

— A coisa toda. É que eu ‘tô pensando num negócio… — explicou.

— Hmmm, ano passado? — disse sem muita certeza. Olhei para Joey. — Quando foi?

— Agora ‘cê quer saber de mim, né? E porque eu saberia das suas coisas? — Empinou o nariz e jogou o cabelo para trás para logo depois ficar admirando suas unhas.

— Tsc! ‘Cê mesmo falou que entrou no meio do bagulho — lembrei-o. Deu de ombros, mas suspirou por fim e falou:

— Mais de um ano, acho que no verão retrasado.

— Ah! Agora faz sentido — Olivia parecendo satisfeita. — Sabia que isso era estranho demais — disse gesticulando para mim e Travis enquanto fazia careta.

— O que faz sentido? — perguntei meio desconfiada.

— Isso tem cara de que ‘cê pediria ‘pro Pat, mas ele ‘tava namorando — explicou.

— ‘Cê também acha? — Joey perguntou. — Sabia que não ‘tava ficando louco.

Mas nenhum de nós pareceu entender sem ser eles dois, então Violet ordenou:

— Explica.

Os dois olharam em volta e perguntaram se era sério que mais ninguém entendeu.

— Ignora eles, Joe, eles acharam normal os dois se pegarem — Olivia sussurrou fazendo-o rir. — É que Pat é o melhor amigo dela, por isso é coisa que ela pediria ‘pra ele.

— ‘Cê diz isso na minha cara, Olivia sua traíra! — Joey a acusou.

— Você também é, mas ‘cê gosta de pau ela nunca pediria ‘pra você.

— Hmm, verdade.

Então as meninas começaram a debater com Joey sobre como eu pedir essas coisas para Pat fazia todo o sentido. Não sei direito o porquê, mas comecei a me sentir irritada com isso, não disse nada, apenas continuei a beber minha coca com vinho e até pensei em me escorar em Pat, mas parecia estranho fazer isso agora que estavam discutindo como fazia todo o sentido eu transar com ele.

— Se ele não ‘tivesse namorando, ‘cê ia pedir ‘pra ele? — Violet perguntou.

— Não! Para com isso! — reclamei.

— ‘Cê ‘tá negando porque é isso mesmo ou só pra discutir com a gente? — Hana questionou me fazendo bufar.

— Ah, cala boca, não tem sentido nenhum isso.

— A mas ‘cê ‘tá braba? — Joey falou com um tom divertido e segurei a vontade de dar um soco nele. Optei por outra estratégia.

— Melhor amigo, olha ele me incomodando — disse com a voz manhosa e jogando meus braços em volta do pescoço de Pat para o abraçar. Consegui ver Joey me olhando indignado e nem tentei esconder meu sorriso de satisfação.

— Isso vai ter volta — ameaçou-me, apenas mostrei a língua e tirei um braço do pescoço de Pat para poder pegar a bebida que larguei de lado.

Acabamos conseguindo sair desse tópico e eu até consegui convencer Pat a encher meu copo, outra vez e ainda pegar um dos cobertores que já tínhamos deixado juntos dos colchões para quando fossemos dormir ali. Então como muitas vezes acontece, foi sugerido jogarmos verdade ou consequência e isso fez Olivia começar a reclamar.

— Toda hora isso, gente? Daqui a pouco vai ser só consequência porque todo mundo vai saber todas as verdades.

— Exatamente — Hana retrucou, fazendo-a bufar. Então Olivia me imitou e pegou uma coberta para se cobrir.

— Vira — mandei para Pat, apontando para a garrafa de cerveja que ele tinha na mão. Arqueou as sobrancelhas e fiz cara feia. — ‘Tá esperando o que, seu bostinha? — Revirou os olhos e deu o último gole na cerveja me entregando a garrafa em seguida. — Quem começa? — perguntei ao colocar a garrafa no centro.

Hana, que agora se encontrava entre Olivia e Joey, bem na minha frente, sorriu e se inclinou para frente girando a garrafa. Violet, que acabou parando do meu lado com a mudança de lugares, se inclinou na minha direção ao ver que a garrafa estava parando nela. Todo mundo sempre quer evitar Hana, já que ela consegue ter as piores perguntas e desafios. Para a felicidade de Violet ela consegui desviar, mas para infelicidade de Travis acabou parando nele.

— Verdade ou consequência?

Deve ter sido o sorriso diabólico de Hana que o fez dizer:

— Verdade?

Mas provavelmente era o que ela queria, ou ela já tinha várias coisas em mente para ele de qualquer jeito, pois nem exitou em perguntar:

— É verdade que você e a Margo ‘tão se pegando?

— Ahn? De onde tirou isso?

— Tenho minhas fontes — disse apenas, ela sorria sem mostrar os dentes.

— É mentira.

— Hm. — Isso não pareceu abalar nenhuma pouco a ela, já que manteve com a mesma expressão no rosto.

— ‘Cê ‘tá me assustando e nem é ‘pra mim que ‘tá olhando — Joey sussurrou.

— Ele ainda vai abrir o bico. — Foi tudo que disse.

Aparentemente ela estava certa, já que depois de mais algumas rodadas e ela ser boazinha demais com Joey na vez dele, ela conseguiu voltar ao assunto. Mas, primeiro, acho importante dar destaque para a resposta de Joey para a pergunta “qual a parte que você acha mais bonita em Travis?”, ele disse sem nem exitar:

— A bunda.

E isso levantou a todo um debate de como a bunda de Travis é bonita. Até John entrou na conversa depois de Violet falar que nunca tinha reparado.

— Como que ‘cê notou e eu não? — ela questionou.

— Sabe quando eu tenho que ficar com vocês vendo os treinos e ‘cê ‘tá ocupada demais olhando ‘pro Trent? Então, eles ficam comentando sobre a bunda de todos eles comigo — John explicou.

— Vocês olham ‘pra bunda do Trent? — Violet perguntou perplexa para Hana e Joey, o que os fez gargalhar.

— ‘Cê ‘tá mais interessada nisso do que no John assumindo que olha ‘pra bundinha do Travis? — perguntei.

— ‘Tô — respondeu.

— Então John, como se sente ao sair do armário? — mudei de assunto.

— Não saí — rebateu.

— Acabou de afirmar que avaliou a bunda dele. — Apontei para Travis. — E se recusa a falar que ‘teve sua sexualidade abalada? Tem certeza que olhou direito?

Ele franziu o cenho.

— ‘Cê me pagou cinco reais ‘pra avaliar a bunda dele, se não se lembra.

— Isso não quer dizer nada. Não precisa ter medo de assumir, meu querido — assegurei.

— Cara, homossexualidade não é contagiosa ou genética que só porque meu irmão gosta de chupar pau eu também vou gostar.

— John! — Joey exclamou surpreso antes de cair na gargalhada com todos nós.

E não muito tempo depois disso Hana voltou a falar com Travis sobre Margo.

— Cara, ainda não sei de onde ‘cês tiram essas coisas — ele reclamou.

— Ué, desde que vocês se beijaram aquela vez, todo mundo fica falando do casalzão que seriam juntos. Só não vejo sentido que é porque vocês dois são lindos e maravilhosos, devia ter outras coisas, por isso eu acho que vocês se pegam. É a única resposta.

Essa vez que Hana se referiu, é o dia que fizemos o jogo da garrafa quando tínhamos doze anos, nesse mesmo porão, mas com mais gente e alguns dos nossos amigos não estavam presentes, Hana era uma delas. Só não acho estranho que Hana saiba disso, mesmo sem ter estado lá, porque foi fofoca na escola por um tempão naquela época.

— Tenho que lembrar que eu a Jo nos beijamos esse dia também?

— E treparam depois — lembrou.

— Mas também tem… ah! Esquece.

— O que?

Travis suspirou.

— Ia falar do Pat, mas ele acabou até namorando Nikki.

— Viu só, todo mundo se pegou de novo depois daquele dia.

Acho que foi meio inevitável, já que todo nós olhamos para Joey que examinava as unhas parecendo nenhum pouco interessado no assunto. O que é até estranho já que ele sempre gosta de uma fofoca. Ele ergueu os olhos para nós e perguntou “o que?”, mas sem realmente parecer se importar.

— ‘Cê pegou o Ezra depois do jogo da garrafa?

Ele arqueou as sobrancelhas.

— Não sabia que era a minha vez de responder de novo.

— Só quero provar meu ponto ‘pro Travis, então fala logo que sim.

Travis fez um barulho de descontentamento com a boca.

— Dá ‘pra mudar de assunto?

Hana sorriu.

— Por quê?

— ‘Cê adora colocar esse cara nos assuntos, é impressionante — Travis reclamou.

Todo mundo sabe que Travis não se dá nenhum pouquinho bem com Ezra, o que é meio engraçado se levar em conta que ele é primo de Margo, a suposta peguete dele. Joey riu e provocou:

— Ok, a gente para de falar no Ezra. — Inclinou-se na direção de Travis, que estava entre ele e Violet. — Mas ‘cê não acha estranho que você odeia o primo de Margo? — perguntou fingindo inocência.

— Por que a gente não fala do seu mal gosto em beijar esse cara?

— Quem disse que eu beijei de novo? — Travis pareceu sem saber o que responder nessa hora, mas nem precisou pois Joey logo adicionou: — E quem disse que não beijei?

— Ah, fala sério. ‘Cê consegue coisa melhor — desdenhou e isso fez Joey arquear as sobrancelhas.

— Tipo quem? Ele é ‘mó bonitão.

Travis bufou e depois de um momento sem saber o que responder disse:

— Eu vou arrumar alguém ‘pra ti.

— Vai, é? — perguntou segurando a risada, não pareceu levar nenhum pouco a sério o que Travis disse.

Após mais algumas rodadas e Violet questionar John se ele queria verdade ou consequência, chegamos a outro momento que é de relevância mencionar. John acabou escolhendo consequência, pois Violet não parecia que se conteria em falar da paixão dele por Olivia e ele quis evitar isso.

— Hmm, eu te desafio… — Ela não parecia ter muita certeza do que fazer, mas então sorriu e continuou: — a beijar a garota mais próxima de você.

O que levava outra vez a Olivia, já que era ela quem estava de um lado e Pat de outro. Não duvido que se Violet não tivesse dito ‘garota’ ele beijaria Pat apenas para evitar isso. O que não tem nada a ver com ele odiar a ideia de beijar Olivia, afinal, já sabemos de sua paixonite por ela, não é? Talvez seja estranho pensar em beijar a pessoa que você gosta por causa de um desafio, ainda mais com o tipo de reação que ela teve com isso.

— Mas não é nem minha vez, por que fica me colocando nos desafios dos outros? — Olivia reclamou para a irmã.

— Shhh, calada! Eu decido meu desafio, você o seu.

Talvez para evitar uma briga demorada das duas, John interrompeu-as:

— Ninguém precisa discutir sobre isso, até porque não vou beijar ninguém, principalmente a Olivia.

Hmmm, acho que alguém está nervoso para falar coisas desse tipo. Levei meu copo a boca para esconder que estava sorrindo da desgraça de John e consegui observar com clareza Olivia primeiramente parecendo satisfeita com o que ele disse, depois franziu o cenho e olhou para ele irritada.

— O que você quer dizer com principalmente a Olivia?

Acho que ele nem tinha reparado no que falou, pois pareceu surpreso com a pergunta e sem saber o que falar.

— Antes de vocês começarem a brigar como sempre. — Violet interrompeu. — Se você recusar, você não vai ter só que beber — disse se referindo a John. — Vai ter que beber… isso! — Então estendeu a lata de cerveja que ele odeia. Ele franziu o cenho e perguntou:

— Sério? — Ela concordou com a cabeça. — Isso nem deveria ser considerado cerveja — reclamou.

E ficando do lado dele, cerveja que eles dizem ser boa, eu já acho que é água de salsicha, mas essa daí é a água da salsicha dormida e cuspida dos quintos dos infernos.

— Por que você tem isso? — Pat perguntou parecendo horrorizado, e não era o único.

— Exatamente para esse momento — respondeu calma.

— Você tem problemas — John sussurrou.

— Ei! — Olivia deu um tapa nele. — Não fala mal da minha irmã, só eu posso.

— Só estou constatando fatos — rebateu.

— Ah, é? E você gostaria que eu “constatasse fatos”. — Fez aspas no ar antes de continuar: — sobre seu irmão também?

— Fala — disse simples e eu vi que Joey pareceu ofendido e logo começaria a brigar com ele junto de Olivia, mas ela falou antes:

— Ele… ele… — John sorriu sem mostrar os dentes, parecendo satisfeito. — Argh! Joey, me fala um defeito seu — ordenou desviando a atenção para ele que agora estava bem feliz.

— Ah, sinto muito, eu sou perfeito — falou ao mesmo tempo que jogava seu cabelo longo imaginário para trás. Olivia se voltou para John.

— Joey se acha demais.

Infelizmente não obteve o resultado que ela queria, já que John continuou impassível.

— Não é verdade. — Ela estava pronta para rebater, mas ele foi mais rápido: — ele tem certeza.

Joey parecia maravilhado ao falar, pausadamente:

— Melhor. Irmão. Do mundo.

— Depois ele quer ficar irritado que eu digo que ele não tem certeza da sexualidade — reclamei baixinho, mas alto o suficiente para ele ouvir e rebater:

— Cara, ‘cê anda dois minutos com Travis e os outros do futebol e fica falando cara, bro, mano e sei lá mais o que por dias.

— Foda-se seu… seu… encubadinho.

— Gente espera ai! — Hana falou alto, interrompendo tudo e chamando a atenção de todo mundo. — Eles vão se beijar, brigar ou ele vai beber?

Violet soltou uma exclamação surpresa, claramente tinha esquecido do desafio. Então se voltou para ele e perguntou se ele já havia se decidido e de muito mal gosto ele pegou a cerveja dela. Todo mundo fez barulho de nojo enquanto ele abria e dava o primeiro gole.

— Ugh! Isso tem gosto de lixo.

— Garanto que a Olivia não tem gosto de lixo — Hana cantarolou, mas não obteve nenhuma resposta dele sem ser um revirar de olhos.

— Meninas, vocês estão vendo isso da perspectiva errada — comecei e consegui ouvir John murmurar um “ih, lá vem” e não é mentira. — Se a Violet tivesse dado a opção, ele beijava o Pat sem pensar duas vezes.

Eu não esperava, mas John foi o primeiro a comentar.

— Tenho ‘pra mim que ‘cê tem fantasias sexuais comigo com outros caras, por que não é normal isso.

Levei a mão ao peito fazendo uma expressão surpresa.

— Como ‘cê descobriu? — Virei o rosto para o lado. — Ah, como poderei dormir a noite agora? — Estava quase me jogando no chão para continuar a dramatizar, mas então me sentei de supetão e perguntei: — espera, isso quer dizer que eu posso assistir?

Ele riu.

— ‘Cê parece feliz demais para eu não ‘tá certo — apontou.

Mostrei a língua.

— Posso assistir também? — Violet perguntou ao meu lado, o que causou um coro de:

— Violet?!

— Não! Saí dai, ‘cê não me deixou assistir ‘cê também não vai ver — reclamei.

— Você acha mesmo que eu ia deixar você ver meu namorado sem roupa? Ainda mais uma safada feito você — acusou-me.

Levei uma mão ao peito e fingi indignação.

— Você está me ofendendo em tanto níveis — murmurei de olhos fechados, fazendo cara de dor. — Primeiro que nem seria ‘pro corpinho dele que eu ia olhar, né linda? — disse estendendo a mão na direção dela e fazendo carinho em seus cabelos.

— ‘Cê ainda é uma safada, ia olhar sim.

— Ué, eu ia ‘tá lá ‘pra assistir, lógico que ia olhar — disse o óbvio e isso a fez me dar um tapa.

— Viu, só? Sua safada! — acusou-me e só consegui gargalhar em resposta. — E ainda quer tentar enganar, sendo que acabou de pedir ‘pra assistir o John e outro cara, lá não ia ter mulher então é lógico que ‘cê quer olhar rola — disse tudo em um tom sério e acusativo, o que só tornou tudo mais engraçado e não fui a única a rir.

— Mas voltando ao ponto principal… — Olhei para John. — Posso?

Ele tinha acabado de dar mais um gole na cerveja de água de salsicha dormida, então não sei se a careta dele foi por causa disso ou do que eu perguntei.

— Posso te assistir também?

Ah, meu filho, se está tentando virar o jogo já te adianto que não vai conseguir, não.

— Sozinha, em dupla ou de trio?

— De quatro.

— Quatro pessoas ou eu de quatro? — ele suspirou.

— Não importa o que eu diga sempre vai ter outra pergunta, né?

— Depende, você acha melhor assistir na surpresa ou já ter uma ideia do que vai acontecer?

— Meu deus, Joane, cala boca.

— Isso é porque você gosta de xingamento ou de mordaça?

— Alguém faz ela parar, faz o favor.

— Ah, então você…

— ‘Tá bom! Eu deixo, pode ver, mas cala boca!

Fiz uma dancinha da vitória cantarolando e deu um gole na minha bebida.

— Ah! A vitória é tão satisfatória — comentei.

— Não acho que isso tenha sido uma boa ideia — Joey comentou para o irmão. — Ela tem cara de quem fica fazendo cometários a cada coisa enquanto come pipoca.

Não posso nem negar…

— Vou me preocupar o dia que eu arrumar um homem ‘pra fazer isso.

— É lógico que eu vou comentar, é tipo uma séria ou filme ao vivo, mas dai quado o personagem faz algo que você não quer e fica gritando ‘pra tela, dessa vez eles podem me ouvir e fazer direito, ué. — E faz todo o sentido, não sei porque ninguém me entende. — E sobre achar alguém… — comecei.

— Nem pense nisso — John me cortou. — Eu vou arrumar, não quero dedo seu no meio.

Bufei.

— Vai arrumar quando?

— Um dia.

— Se você acha que eu vou esquecer… — ameacei cerrando os olhos.

— Não se preocupa, eu também não vou esquecer, estou traumatizado em descobrir que você fica se masturbando pensando em mim pegando um cara. — Tentei segurar a risada mordendo o lábio, mas não funcionou muito bem.

— Nunca disse que masturbava, eu só fico… imaginando — expliquei.

— Minha deusa, agora eu ‘tô traumatizado — Joey falou. — E porquê ele e não eu? Eu que sou o irmão bonito — reclamou, antes de continuar baixinho: — Nem nas fantasias sexuais da Joane eu pego homem gostoso, vê se pode.

— Espera! Espera ai! — Hana ordenou. — Então ‘cê realmente fica imaginado? Não era zoeira?

— Depende, algumas coisas sim outras não… — murmurei.

— O que você imagina? —Ah! Nunca gostei tanto de uma pergunta dela…

— É assim.

— Ah, não! — John me cortou. — Faça o favor, né?

— Shhh! Deixa ela falar — Hana disse olhando feio para ele.

— O John e ele. — Ri. — Dai eles fazem lá. — Ri mais. Hana bufou.

— Conta direito! — reclamou.

— ‘Cê imagina o outro cara? — Joey perguntou. Concordei. — Quem é?

— Ah! Isso eu não posso falar, o John não ia conseguir suportar essa informação — falei levando meu copo aos lábios tentando evitar a risada. Infelizmente depois disso meu copo se esvaziou.

— Graças a deus. — Consegui escutar ele murmurar.

— Então outra coisa, eu ‘tô muito curioso ‘pra saber — Joey começou com um tom de suspense que, até mesmo, me deixou tensa. — Meu irmão dá a bunda?

As meninas começaram a rir falando que pensaram ser alguma coisa mais séria pelo tom dele e reclamando “ah, é isso?” enquanto John suspirava e levava a água de salsicha para a boca. Permaneci séria e confessei:

— Só ‘pra mulher.

Até John começou a rir e chegou a cuspir daquele projeto de cerveja. Consegui ouvir Joey falar um “eu sabia” em meio a nossas risadas.

— Quando eu penso que ‘cê não consegue surpreender me mais… — Pat comentou para mim, ao inclinar-se levemente na minha direção.

— Eu sou uma caixinha de surpresas — respondi.

— John — Hana chamou ele. — É verdade?

— Por que não seria? — perguntou sorrindo divertido.

— Amado, por que não disse antes? A Violet podia usar seus motivos ‘pra convencer Trent a liberar ‘pra ela também.

Tive que me intrometer.

— Ah, mas é só ela pedir.

— ‘Cê acha que homem libera fácil assim? — rebateu.

— Minha filha, a única outra pessoa que é mais cadela pela pessoa amada do que a Violet. — Intencionalmente olhei na direção de John ao falar isso e sorri. — É Trent. É só ela pedir que ele faz, qualquer coisa, seja o cu dele, deixar eu assistir os dois ou sei lá o que.

— Não posso nem discutir com um argumento desses — Hana disse e logo suspirou dramaticamente. — Voltando ao jogo, é a vez de quem?

John logo se precipitou para girar a garrafa, que parou em Joey.

— Eu te odeio. —Foi tudo que Joey murmurou antes de olhar para o irmão de braços cruzados. — Verdade. — John sorriu. — Não! Espera! Desafio, desafio — falou rápido antes que o irmão pudesse se quer abrir a boca.

— Ah, eu vou ter que usar esse jogo ‘pra minha vantagem — disse satisfeito. — Te desafio, por uma semana, toda manhã você usar o banheiro por apenas uma hora.

— O que? Não pode fazer isso! E como eu vou fazer as minhas coisas? Isso é contra as regras, huyng — protestou e ainda usando “hyung” que ele só usava quando estava querendo alguma coisa nesse tipo de situação e agora ele estava querendo se livrar do desafio.

— Não quero saber, eu ‘tô bebendo esse troço então você vai usar o banheiro só por uma hora. É só bater uma outra hora, não quando eu tenho que usar o banheiro também.

— Seu escroto, eu nem faço isso. — Levou as mãos aos cabelos. — Eu arrumo meu cabelo, acha que nasci lindo assim? — Antes que ele pudesse responder, continuou: — Na verdade nasci, sim, mas isso não quer dizer que não preciso ficar mais lindo.

Depois da discussão dos dois e de Joey não conseguir provar que John estava roubando e fazendo coisas que eram contra as regras ele se rendeu e acabou girando a garrafa. Então riu irônico ao ver em quem tinha parado.

— Ha! Ha! Ha! — fingiu uma risada pausadamente enquanto me olhava. — Eu disse que ia ter volta. — Apenas ergui a mão e mostrei o dedo para ele. — Verdade ou desafio?

Tinha me preparado para falar o que eu escolhia, mas ele perguntou antes, deve ter visto o “v” se formando na minha boca.

— ‘Cê ‘tá com medo? — Sorriu provocativo.

— Preguiça, na verdade — disse sem deixar me abalar, ou quase isso já o tom gozador dele me irritada, querendo insinuar coisas. Tenho certeza que era proposital porque ele sabe o quanto odeio isso. — Desafio.

Hana se inclinou na direção dele e disse algo baixinho no ouvido dele.

— Ah, não se preocupa, eu já pensei em algo. O prazer que vou tirar disso vai ser quando ela negar.

Revirei os olhos.

— ‘Cê só sabe fazer drama e faz tudo parecer maior do que é, fala logo, vai querer o que? Uma retratação pública? — desdenhei.

E é aqui que nós voltamos para o início de tudo. Ou apenas o início da narração desse drama todo.

— Eu te desafio… a beijar seu melhor amigo.

Franzi o cenho.

— Ahn?

— Isso que você ouviu.

Lógico que por conta de toda essa discussão ele estava se referindo a Pat, mas não deixo de ter essa sensação de seria estranho. E não é só por causa da discussão, ou por que eles assistiriam. O estranho é o fato de beijar Pat, ele especificamente. Tudo bem, eu até cheguei a transar com Travis e disse que foi estranho, mas é um estranho… diferente?

— Pelo seu silêncio e a sua cara, imagino que isso quer dizer que não vai.

Faz anos que eu e Joey não brigamos de dar socos ou tapas um no outro, parei com isso por volta dos dez anos ao perceber que eu tinha ficado mais forte e machucava ele de verdade e isso sempre me fazia sentir mal depois. Mas eu juro, se ele continuar com esse sorrisinho…

— Eu vou te fazer parar de sorrir no soco — ameacei.

— Não precisa recorrer a violência, é só falar: eu não consigo.

— Ora seu viadinho. — Isso o fez rir, mas eu continuei irritada.

— A parte engraçada é que todo mundo sabe que ele só ‘tá falando isso ‘pra te irritar, inclusive você mesma, mas ‘cê ‘tá se irritando mesmo assim — Pat disse ao meu lado.

— ‘Cê ‘qué brigar também? — perguntei entredentes.

— Todo o prazer que estou sentindo agora deve ser o suficiente para rejuvenescer minha pele por toda aquela irritação desnecessária de antes — Joey comentou sorrindo satisfeito. Quando ele viu que eu voltei minha atenção para ele, ainda irritada, ele provocou: — Você desiste?

Isso foi a gota d’água. Eu me pus de joelhos ainda segurando a coberta e isso fez ele dar um gritinho e ir se esconder atrás da Hana, mas ele não era meu foco. Virei-me para Pat e o segurei pela gola da camiseta, ainda sentindo meu sangue borbulhar.

— Posso?

— Ahn… ‘cê ainda ‘tá falando do beijo ou…

— Não foi isso que eu perguntei — reclamei. — E o que mais seria?

— É que parece que você vai me bater. — Respirei fundo tentando me acalmar pronta para acusar todos eles de estarem só testando a minha paciência, mas quando ele percebeu que eu estava ficando mais irritada e pronta para discutir, o maldito sorriu, relaxado, antes de (finalmente) dizer: — Pode.

Ainda segurando a gola da camisa dele, inclinei-me em sua direção enquanto meus olhos se fechavam devagar. Percebi que ele parou de sorrir quando fiquei perto o suficiente para nossos narizes se tocarem.

Consegui sentir que a raiva começou a deixar meu corpo (o que é estranho, já que isso só acontece quando eu soco alguma coisa ou depois de gritar), só sei que fui me acalmando. Não sei dizer ao certo o que foi que fez isso acontecer, se foi o sorriso calmo daquele filho da puta, se foi (por eu ter me aproximado dele de joelhos) ele ter começado a fazer um carinho leve na parte da minha coxa perto do joelho ou se foi apenas a iminência do beijo.

Finalmente meus olhos se fecharam por completo quando minha boca tocou a dele. Foi um leve roçar de lábios, nossas bocas apenas se encostaram por alguns segundos antes de eu começar a me afastar. Mas ainda assim foi estranho, aquele estranho que já expliquei, o estranho diferente de Travis, como se…

— Ugh! — Nós dois olhamos para John que fazia cara feia, quando ele percebeu que olhávamos para ele logo se explicou: — não vocês, esse troço aqui — disse se referindo a cerveja. — Não acaba nunca.

— Não pode ser tão ruim — Olivia comentou.

E enquanto eles discutiam eu olhei para os outros e percebi que tinham até se movido para poder enxergar nós dois de um ângulo melhor. Perguntei o que foi e Hana disse:

— Tira o cabelo da frente, não consegui ver nada.

— Eu vi — falou Joey. — Foi um beijinho mixuruca.

— Você acabou de se esconder atrás de mim com medo de apanhar dela e continua.

— É mais forte do que eu.

Revirei os olhos e me sentei no chão outra vez. Olivia começou a tossir e isso chamou nossa atenção.

— Argh! Que horror, por que você me deixou experimentar esse troço, você me odeia? — perguntou entregando a lata da cerveja para John que parecia se divertir com a reação dela. — Isso é pior do que se eu ‘tivesse no lugar do Joey e visse esses dois se pegando — completou fazendo barulho de novo.

Quando todos começamos a bocejar decidimos ver que horas eram e percebemos que estava tarde demais para continuar de pé. Enquanto alguns arrumavam todos os colchões juntos depois de afastar um sofá do caminho, outros desligavam a música e colocavam as bebidas juntas separando as fechadas e abertas e revezamos o trabalho como sempre entre idas ao banheiro para escovar os dentes antes de finalmente todos se deitarem em seu lugar.

Como sempre, os colchões estavam em fileiras de quatro unidas e todos os travesseiros no centro para podermos continuar numa rodinha de conversa (que é mais uma linha) mesmo estando deitados. Como eu e Joey estávamos sentados em dois colchões da ponta vendo algo no Twitter antes de deitar, Pat acabou deitando no do meio ao meu lado e Travis no de Joey.

Na mesma fila de colchão dos dois, Hana e Violet se empoleiraram juntas também mexendo no celular, praticamente deitadas em apenas um colchão. Isso acabou me dando uma ideia, então assim que larguei o celular (ainda enrolada na minha coberta) me deitei por cima de Pat o acusando de pegar o meu lugar e quase cai em cima de John no colchão ao lado quando ele se remexeu embaixo de mim.

— Qual é o problema de deitar onde você ‘tava? — questionou.

— Eu não vou deitar na beirada, o demônio vai puxar meu pé — respondi séria.

Pat apenas revirou os olhos.

— Ei, eu também não quero a beirada — Hana disse para Violet passando por cima dela para ficarem no mesmo colchão.

— Não vai ser o meu pézinho que ele vai puxar, não — Joey disse se colocando entre Hana e Travis.

Todos olhamos para Olivia, do lado de John e na beirada, que parecia pronta para cair no sono. Ela bufou e então começou a rolar no colchão enquanto reclamava e abraçava o travesseiro até se deitar ao meu lado.

— Achei que ‘tava todo mundo com sono — John falou enquanto se ajeitava para deixar mais espaço para Olivia ao lado dele. O que apenas a fez puxar a coberta dele o deixando sem nada já que ela estava deitada em cima da outra parte. — Sério, Olivia? — Ela murmurou alguma coisa que só consegui entender um “não me apalpa” o que o fez olhar para ela perplexo. — ‘Cê que passou se arrastando por cima de mim e eu que vou te apalpar?

— Não você. — Negou com a cabeça. — Ela.

E senti o olhar de todos sobre mim.

— Ei! Eu não vou apalpar ninguém — defendi-me.

John deu um jeito de pegar a outra parte da coberta que dividia com o amor da vida dele e deitou virado para o outro lado dizendo que ia aproveitar para dormir agora que o Joey estava de boca fechada.

— Ei! O que ‘cê quer dizer com isso?

— Que nem morrendo de sono ‘cê cala boca.

— Ah, é? Pois fique sabendo que eu vou dormir antes de você — sentenciou. John riu e disse “claro, claro” e logo depois Joey se arrumou entre as meninas e Travis, deitando de cara feia e provavelmente fazendo muito esforço para não reclamar enquanto o fazia, não pude deixar de rir com a cena.

— Ah, coitadinho — Travis provocou sorrindo. — Seu irmão não te entende, né? Pode falar ‘pra mim. — Assim que Travis aproximou a mão dele para cutucar o rosto de Joey e importunar ele, o mesmo lhe deu um soco, mas não pareceu surtir nenhum efeito em Travis, já que ele apenas riu. — Você ‘tá falando alguma coisa? Ei, não me morde! — Joey puxou a coberta para cima da cabeça para evitar que ele voltasse a cutucá-lo, mas isso só fez Travis levar a mão por baixo dela para implicar com ele.

— Vamos fazer panqueca amanhã? — Hana perguntou deitando em seu lugar. Violet se ajeitou ao lado dela e disse que também queria então as duas nos fizeram concordar em ajudar a fazer. A única sortuda é a Olivia que já estava dormindo e conseguiu se livrar.

— Joe, morde o Travis uma vez ‘pra falar não e duas ‘pra sim — Violet pediu nos fazendo rir.

— Acho que ele já dormiu — Travis disse. Então tirou a coberta de cima do rosto para checar e eu achei muito fofo que ele estava fazendo carinho no cabelo dele e não cutucando ou perturbando.

— ‘Tá nada, ele não dorme rápido — John o entregou. — ‘Tá só querendo se livrar de ajudar.

— Joey — Travis o chamou e levou seus dedos para a orelha dele puxando de leve, mas ele nem se mexeu. — Te pago sorvete depois da aula se responder — ofereceu, mas continuamos sem resposta. Até eu estava achando estranho, já que ele realmente dormiu muito rápido, John até chegou a se virar na nossa direção para ver ele mesmo enquanto se escorava no cotovelo.

— Fala que ‘cê vai morder fronha ‘pra ele. — sugeri e Travis riu.

— De onde ‘cê tira essas expressões? — Então se inclinou na direção dele. — Eu vou morder fronha ‘pra você — disse de qualquer jeito. Soprou ar no ouvido dele quando continuou quieto, mas isso apenas o fez murmurar alguma coisa e se remexer, ainda dormindo. — É, ele ‘tá dormindo.

— Cara — John disse, claramente surpreso. — Quer começar a dormir na minha casa? Eu deixo ‘cê ficar com a cama — ofereceu nos fazendo rir. — Eu ‘tô falando sério, não é ‘pra rir.

— Não se preocupa, eu vou, mas pode ficar com a cama. Já que ‘cê ‘tá me oferecendo seu irmão eu durmo agarradinho com ele mesmo.

— E mesmo depois de ‘cê falar isso, ainda sou eu que a Jo quer tirar do armário — falou suspirando antes de voltar a se deitar.

— Ahá! Então tem um armário mesmo — apontei, mas ele só respondeu:

— Boa noite, Joane.




_____________________

criei uma playlist pra história (vou deixar o link nos comentários), vou ir adicionando as músicas conforme a progressão da história (pois ainda não sei toda a trilha sonora hahaha)


músicas:

Sour Candy — Lady Gaga feat. BLACKPINK

Friends — BTS (V e Jimin)

So Am I— Ava Max feat. NCT 127

16 de Maio de 2021 às 21:32 1 Denunciar Insira Seguir história
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Ana Luz Ana Luz
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June 13, 2021, 22:00
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