kyelwtf Bianca Gonçalves

Até que ponto a sua realidade pode ser inalterada? Até onde estamos dispostos a ir para descobrir isto? Será que nossos sonhos são nada além de sonhos? Quais mistérios nosso universo esconde?


Conto Para maiores de 18 apenas.

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Mistério

Acordo mais um dia de semana para meu trabalho, é março e como de costume as manhãs ficam mais frias.


Me encaro no espelho, minha aparência está um caos. O sonho que eu tive me arrepia a espinha, aquele cenário horrendo de hospício preenche a minha mente e sinto que deve afastar tal imagem da minha cabeça no próximo instante, nenhum aluno meu pode perceber meu aspecto nada sadio, isso não é culpa deles.


Escovo meus dentes, olho para a pia e um lembrete mental se instala na minha mente: ainda não tomei meu remédio, preciso fazer isso agora.


Voltando ao meu quarto percebo que a roupa que coloquei não será o suficiente para me aquecer pela manhã, Araranguá é cruel demais para os friorentos quando março chega, então coloco um casaco extra e procuro minhas luvas com o remédio já em mãos.


Devidamente medicada e vestida eu pego minha biz, um presente singelo dos meus avós quando passei na autoescola, sinto saudade deles, outro país não deveria me afetar do jeito que me afeta, meu nariz já começa a doer com o choro de saudade que quer sair a todo custo pelo meu rosto.


Piloto com cuidado, a estrada e certos condutores veiculares não são gentis com motociclistas, pensam que comandam a rua e eu não posso me dar ao luxo de pensar o mesmo, ainda tenho lembranças do meu único acidente de moto.


Chegando no meu local de trabalho eu cumprimento alguns alunos, a mulher que esta lá recebendo todos com um sorriso por dentro da máscara facial e coloco meu papel do ponto na máquina, marcando que cheguei no horário rotineiro às 7:15 da manhã.


Já na sala ligo as luzes e abro as janelas, coloco minha mochila em uma das últimas cadeiras e tiro meu estojo e fichário, procurando em seguida o rolo de etiquetas para anotar o nome dos alunos no lanche que vai para a geladeira dentro de bandejas.


Cumprimento cada aluno com o costumeiro bom dia, já pedindo as lancheiras a fim de averiguar se tem algum lanche que precisa ir na geladeira.


Após todos os alunos chegarem junto da professora e todos os lanches já estarem devidamente separados eu levo as bandejas para a geladeira, sinto meu corpo levemente tremer e uma sensação obscura me dominar, olho para trás e o que parecia ser uma sombra logo se dissipa, rapidamente lembro do meu sonho e me arrepio inteira, pisco os olhos e penso “deve ser apenas uma coincidência infeliz, devo estar imaginando coisas.”.


Tirando isso o dia inteiro passa monótono demais, faço meu trabalho, almoço, volto a tarde para trabalhar de novo e quando termino pego minha biz e volto pra casa, o acontecimento da manhã já esquecido em minha mente.


Ou eu achava que tinha esquecido.


A noite eu janto, converso com meu noivo por celular, tomo banho e me medico pronta para dormir novamente.


E o mesmo sonho volta a minha mente.


Eu em um hospício extremamente sujo, corpos letárgicos em situações deploráveis e um único objetivo, escapar. Enquanto caminho e procuro locais para esconder meu corpo débil eu vejo enfermeiros e enfermeiras agulhando pacientes com líquidos estranhos que causam mutações esquisitas, uns tem seus ossos completamente quebrados, outro a língua vira o que parece ser um tentáculo enquanto seus olhos estão prestes a explodir e o ultimo não esboça mais nada, mosquitos voam sobre seu corpo e ele sequer pisca, acredito que já esteja morto.


Uma das enfermeiras me procura incansavelmente, e eu corro. Corro até chegar na parte mais horrenda do que parece um labirinto sem fim: pessoas desmembradas com rostos contorcidos em uma sala precária e esverdeada, onde o único vento que vem é o da janela mediana que se encontra em nível baixo que qualquer um poderia pular.

E é esse o pensamento que invade a minha mente quando escuto a voz da mulher chegando mais perto: eu quero pular.


E então eu acordo. Suada, com frio e o alarme informando que novamente são 6 horas da manhã e eu preciso me arrumar para mais um dia de trabalho.


No trabalho um dos meus alunos falta pela manhã, isso é estranho. O menino nunca falta, apenas chega levemente atrasado, o que não nos incomoda, apenas é um leve incomodo o fato de ele nunca parar de falar.


É uma criança muito empolgada.


E isso fez falta hoje.


Enquanto trabalho sinto leves arrepios, esta frio pela manhã e eu sento perto da janela, arrepio justificado.


Minha colega pediu para que eu fosse até o almoxarifado pegar algumas peças de E.V.A. e fazer alguns coelhos de Páscoa, seria mais fácil pedir para a coordenadora mas a mulher se encontra mais atolada de compromissos que o normal e isso atrasaria o nosso dia.


Então eu sigo ate a parte do almoxarifado, onde uma construção em encaminhamento esta a todo vapor em um dia nublado, barulho de máquinas e homens conversando enchem meus ouvidos enquanto sigo o caminho obstruído por eles até a única casa que permanece em pé.


Lá esta tudo escuro, sou a única no ambiente. Acendo as luzes e procuro os itens, não pretendo demorar, estar sozinha ali não é a melhor sensação do mundo. Me concentro em pegar as peças corretas no meio de uma pilha enorme de E.V.A.sque podem cair a qualquer momento.


Pego as peças e por conta da concentração eu não vejo a minha chefe na porta de entrada, levo um susto mas rapidamente explico a situação, ela então me informa que eu deveria ter pedido para a coordenação e eu apenas aceno com a cabeça, não adianta explicar para uma pessoa que não esta ali para saber motivos e sim para mostrar que tem razão.


Volto com as peças e pergunto para minha colega se ela precisa de ajuda além de eu fazer coelhos, ela nega agradecendo, dizendo que eu fazer os coelhos é uma grande ajuda considerando que estamos atrasadas com a produção de Páscoa, então começo o meu trabalho, passando o lápis, cortando e colando com tecbond as peças e deixando coelhos fofinhos em cima de outra mesa.


Isso dura o dia inteiro.


Na volta pra casa sigo a rotina noturna e me preparo para dormir, minha gata se aninha perto do meu corpo e rapidamente o sono invade minha mente, fico temerosa em pensar que o mesmo sonho possa invadir a minha mente mas isso não acontece, acho que meu cérebro sabe que tenho um limite com sonhos repetidos.


O outro dia eu acordo sem a feição caótica e me sinto extremamente feliz, vai ser um bom dia. Cumprimento meus cachorros, abraço minha irmã e dou bom dia para minha mãe, o dia lá fora está chuvoso então ganho uma carona para meu local de trabalho graças a minha mãe, tirando a chuva, sei que o dia será bom.


Já no meu local de trabalho vejo que o menino que faltou no dia anterior está lá, antes dos outros alunos e com uma feição cansada, bolsas arroxeadas embaixo dos olhos indicam que ele não teve uma boa noite de sono. Tento perguntar algo mas ele evita fazer qualquer comentário e isso me causa estranhamento, normalmente ele é tão falante.


Outras crianças chegam e eu comento sobre o que me causou estranheza para minha colega ela concorda e diz que eu não preciso me preocupar, talvez tenha sido apenas uma noite ruim ou foi acordado muito cedo, visto que hoje ele não chegou atrasado.


Nem perto do seu melhor amigo ele muda de comportamento e mesmo a contragosto sigo o conselho da minha colega, estou aqui para cuidar de todos e não de um só. Durante a manhã o melhor amigo dele tenta todo tipo de assunto para ter alguma resposta, apenas digo que talvez hoje não seja um bom dia para o pequeno colega, ele da de ombros e finalmente o menino olha para mim, puxando seu caderno de desenho da mochila e desenhando algo enquanto espera seus pais.


Recebo um desenho grande e dobrado na minha mesa, ele sorri para mim e diz para que eu abra em casa, pois tem vergonha da minha reação e possíveis elogios. Agradeço e estranho o repentino presente.


Ele não presenteia ninguém.

15 de Maio de 2021 às 13:55 2 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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Bianca Gonçalves To aqui pra postar minhas fics e ter um bom momento

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Lua ☾ Lua ☾
MDS CADÊ A CONTINUAÇÃO OQ TINHA NO DESENHO
May 16, 2021, 18:54

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