dayane-lima7144 Dayane Lima

Busquei rapidamente em minha mente o que tinha acontecido, como eu tinha vindo parar aqui? Em que circunstâncias no universo seria possível tal situação? Qual a probabilidade de sua perfeita imagem ser uma alucinação minha? Teria eu ingerido drogas ilícitas e estaria chapada agora? E a pergunta mais importante de todas, como raios eu tinha vindo parar sem roupa no quarto do meu vizinho, Kim Taehyung?


Fanfiction Celebridades Para maiores de 18 apenas.

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1 - Classudo e Vintage


— Com força! — A voz feminina angustiada e aguda rompeu, invadindo meu quarto.


Fechei meu livro abruptamente, a leitura estava agradável até segundos atrás, eu deveria ter previsto por causa do horário. Por alguns minutos, mantive-me em silêncio, apenas ouvindo o ranger de molas que certamente não eram as do meu colchão, mas que pareciam estar aqui dentro do cômodo onde eu estava.


— Mete tudo! — A voz feminina, que devia ser apenas mais uma aventura de muitas, exigiu com urgência. E eu ri, balançando minha cabeça negativamente.


Eu ri não porque era engraçado, mas porque eu reconhecia que aquela voz, eu nunca tinha ouvido antes. Sabia que pessoas jovens mantinham uma vida sexual ativa, mas a do meu vizinho estava longe de ser uma vida normal.


E, de certa forma, sentia-me fazendo parte da vida sexual dele.


Levantei de minha cama e caminhei preguiçosamente até a cozinha, essa era a hora em que eu fugia da constrangedora rotina de ouvir tudo o que meu vizinho fazia entre as quatro paredes do quarto ao lado. Maldito apartamento que era dividido apenas por uma parede e não tinha nenhum isolamento acústico.


Coloquei água em um copo vagarosamente, não tinha pressa, peguei uma banana e me dirigi para a sala, onde liguei a TV em um canal qualquer e aumentei o volume. Essa era minha rotina noturna de pelo menos cinco dias da semana, porque essa era a rotina noturna do meu vizinho.


Sempre, depois das onze horas da noite, ele chegava em casa acompanhado de alguma moça, que provavelmente tinha seduzido em seu trabalho de garçom, sempre às onze porque essa era a hora que ele chegava do trabalho, quando o turno era trocado entre os funcionários de lá. Do restaurante, a duas quadras daqui e que tinha um ótimo ravióli, porque, claro, era um restaurante italiano no coração de Hongdae.


Ele sempre era muito rápido, chegava e logo estava na cama com a pessoa e, bom, se eu estivesse em meu quarto ouviria absolutamente tudo, e eu sempre estava, não que não tivesse para onde ir... Quem eu estava tentando enganar? Eu estava sempre no meu quarto porque não tinha para onde ir e nem queria, ou tinha disposição. Estava na casa dos vinte e quatro anos com disposição de cinquenta anos e coluna de oitenta, acreditando que haviam oitentões por aí mais dispostos que eu.


No começo, quando mudei para cá, achava ultrajante os sons que eram emitidos no quarto do meu vizinho, era simplesmente a minha primeira vez morando sozinha, a tão sonhada liberdade, sem precisar depender da mesada dos meus pais, pagando aluguel do meu próprio salário, mas com o passar do tempo passei a achar excitante ouvir os gemidos do meu vizinho e de suas companheiras de cama, o som do ranger de molas da cama, o gemido rouco e contido que dava quando chegava em seu orgasmo, cheguei a me tocar ouvindo os sons, confesso, e não tinha vergonha nenhuma de confessar isso, para mim mesma, claro. Não era como se fosse crime, afinal, eu estava dentro da minha casa.


Só que, com o passar do tempo, tudo isso começou a me parecer incômodo demais.


Todos os dias.


Todos os dias malditos eram as mesmas coisas, os mesmo sons, os mesmos gemidos, os meus estalos de tapas, as mesmas exigências para foder mais e melhor. Comecei a distinguir as vozes e perceber que não era a mesma pessoa toda noite, percebi que meu vizinho geralmente levava pessoas diferentes.


E de excitante, comecei a achar chato. A porra do meu vizinho tinha uma vida sexual super ativa, enquanto eu não tinha beijado sequer uma boca nos último vinte e dois meses.


O mais engraçado de tudo é que levei seis meses para conhecê-lo. Quando eu saía para trabalhar, ele estava dormindo e, quando ele chegava do trabalho, eu já estava na cama, então, por mais que me sentisse curiosa sobre quem ele era, só vim descobrir seis meses depois de me mudar, quando a correspondência dos nossos apartamentos veio trocada e o vi comentando com o porteiro sobre.


Meu queixo encontrou o chão frio nesse dia. E eu acho que nunca vou esquecer da imagem.


Ele era jovem. Meu vizinho era muito jovem, não devia ter mais que vinte e cinco anos, era alto, bonito, tinha um cabelo escuro com um corte de mullet, que eu achava feio nos outros, porém nele ficou impecável. Usava umas estampas estranhas e roupas folgadas que lembravam pijamas de grife e andava com um cachorrinho pequeno e peludo.


Era um cara classudo e vintage, que não se parecia em nada com o que tinha idealizado em minha mente, claro, não devemos esteriotipar as pessoas, o modo como se vestem pode não refletir necessariamente quem são, mas porra! Ele não parecia o cara mais pegador e com a vida sexual super ativa que eu já vi, o rapaz falava manso, tinha um olhar profundo, mãos bonitas e era bem educado.


Por Deus!


Era o tipo de homem que levou apenas dois segundos olhando para ele, para que me ocorresse que ele era perfeito para casar. Sua figura exalava seguridade, ele por si só era o próprio convite para se iludir pensando que você seria feliz ao lado dele para sempre.


Só que...


Ele não era perfeito para casar. Não, um cara que não quer compromisso com ninguém, um cara que toda noite fode uma mulher diferente, não pode ser o tipo que gosta de casar. Foi um baque quando eu o vi pela primeira vez.


Desde aquele dia do porteiro onde ele passou a acordar cedo e sair com o cachorro, comecei a pensar que tinha sido porque ele adotou o peludo, que o ouvia chamar de Yeontan. Muitas vezes, nós cruzamos no hall do prédio, porém tinha convicção de que ele não sabia quem eu era, afinal nós nunca tínhamos trocado nenhuma palavra.


Mesmo quando fui no restaurante em que ele trabalha e acabei descobrindo esse fato, ele não pareceu me notar.


Veja bem, eu queria acabar com o infortúnio de ouvir suas intimidades, porém como você chega em um vizinho e conta que você ouve ele transando todas as noites nos últimos trezentos e sessenta e cinco dias e está incomodada com isso?


Carta? E-mail? Pessoalmente? Por telefone?


Eu não tinha coragem.


Era constrangedor, mesmo sabendo que o sexo faz parte da vida de todos os seres humanos, eu não precisava fazer parte da vida sexual dele, mesmo meu vizinho sendo o cara mais bonito que eu já tinha visto em toda a minha vida, e convenhamos, esse não era nem de longe um jeito divertido de participar da vida sexual de alguém. Já tinha visto reclamações porque o vizinho era barulhento, com música, com animais, até com obras, mas nunca com sexo.


Aproveitei que ele estava se divertindo com sua nova companhia e juntei as sacolas de lixo da minha casa para jogá-las no lixo do prédio. No final do corredor tinha uma rampa, era só jogar o lixo separado lá e pronto.


Abri a porta do meu apartamento depois de juntar o lixo e caminhei de pijama mesmo até o final do longo corredor de apartamentos familiares. O silêncio era ensurdecedor e achei até mesmo irônico. Só eu tinha tido esse azar todo mesmo?


Suspirei jogando as sacolas uma por uma na portinha e virei as costas depois de ter terminado, dando de cara com meu vizinho, caminhando na minha direção e até achei engraçado que, por um momento, ele parecia caminhar em câmera lenta, segurando uma caixa de pizza, usava um pijama de seda azul marinho e estava de óculos, seu cabelo castanho estava molhado e recaía sobre os olhos com certa graça. Ele caminhava preguiçosamente em minha direção olhando para baixo, passou por mim enquanto eu voltava para o meu apartamento e pareceu nem me notar.


Praticamente corri para meu apartamento, não queria que ele soubesse que eu era sua vizinha, era a primeira vez que cruzávamos no corredor, espiei pelo olho mágico da porta do meu apartamento ele passando com a mão no bolso da calça do pijama e a outra livre em seu mullet.


Soltei o ar, que nem sabia que tinha prendido. Cruzes, que homem bonito, como era alto e esguio, mas com ombros largos e bonitos!


Corri para o meu quarto para ver se ainda ouvia algo. Ele não era de falar alto, quase nunca o ouvia conversando, mas curiosamente esperei ouvir hoje. Recostei-me na parede com o ouvido atento.


Será que aquela história do copo era verdade? Corri na ponta dos pés para a cozinha, catei um copo de vidro e coloquei na parede quando voltei para o meu quarto. No início, apenas ouvi um ruído parecido com água do chuveiro caindo.


— Posso dormir aqui essa noite? — ouvi claramente uma garota falar. Ai que vergonha, ela estava pedindo para ficar? Não compreendi a resposta dele, ele murmurou algo muito baixo e tive que me esforçar para reconhecer que ao menos ele falava. — Taehyung... — ouvi ela falar. — Vai mesmo continuar me afastando?


Ok, eles estavam tendo uma espécie de D.R, mas um caso de um dia podia falar esse tipo de coisa? Ou estava errada esse tempo todo e não eram casos? Mas seria possível uma mesma mulher gemer de diferentes maneiras todos os dias?


Balancei minha cabeça. Eu estava pensando merda! Não era possível que estivesse me questionando sobre os gemidos de outra pessoa, eu tinha perdido claramente o bom senso. E a julgar pela minha atitude, invadindo (ainda mais) a privacidade do meu vizinho, eu não estava mesmo em perfeito estado.


Afastei-me da parede. O que eu estava fazendo afinal? Desde quando me interessava pelas conversas do meu vizinho? E desde quando me importava se eram uma, duas ou dezenas de mulheres?


Deitei na minha cama, olhando para o teto. O silêncio chegou a ser incômodo, mas no fundo era o que eu mais ansiava. Até que ouvi a porta do apartamento do meu vizinho fechar com força. Acho que a moça ficou com raiva por não poder dormir lá. Balancei a cabeça de novo, não era da minha conta e eu não deveria ficar pensando nisso.


ꕥꕥꕥ


Uma pessoa que busca a paz estará satisfeita quando alcançar seu objetivo? Quero dizer, a paz é o alvo, mas quando não se tem mais alvo, talvez torne-se normal sentir saudade da guerra, certo? Porque ao menos, na guerra, você tinha um sonho/objetivo, mas agora que a paz está alcançada, não há mais nada para se apegar.


Suspirei.


Podia parecer a coisa mais absurda do planeta terra, mas, depois de alcançar a paz, eu sentia falta da guerra.


Kim Taehyung, vulgo meu vizinho, não estava mais se divertindo depois das vinte e três.


Sem gemidos.


Sem ruídos de molas rangendo.


Sem barulhos de tapas.


Sem pedidos de mais e melhor.


Depois das vinte e três, o silêncio reinava e, vez ou outra, apenas ouvia-se o som do jazz suave que emanava da casa ao lado. Ele trocou sexo por jazz? Quem faz isso?


Comecei a pensar que a pessoa com quem meu vizinho dividia a intimidade, na verdade era uma espécie de namorada e que eles terminaram. Talvez a noite em que ouvi ela reclamar tenha sido a última noite. Já completava-se um mês desde aquele dia.


Perguntei-me se eu deveria conversar com ele. Perguntar se estava tudo bem, mas eu não podia chegar e dizer: "Oi, você terminou seu relacionamento? É porque, tipo, eu sinto falta de fazer parte da sua intimidade!".


O Kim me mandaria para a cadeia se eu fizesse isso. Eu mesma estava pensando em me internar para tratamento... Isso era um absurdo! Sentia-me no precipício da insensatez.


Kim Taehyung tinha mudado seus hábitos ao ponto de me afetar, tanto que obriguei a mim mesma a fazer algo por mim, ou eu enlouqueceria trancafiada nesse apartamento divagando sobre porque a vida sexual do meu vizinho tinha estagnado.


Reunindo toda a minha coragem, resolvi sair para beber, sentia-me à beira da insanidade com toda essa história e o álcool talvez me ajudasse a pensar com clareza ou ao menos embaralhasse tudo de uma vez.


E foi o que eu fiz. Procurei um bom lugar para beber e desfrutei de soju com cerveja até que meu corpo não aguentasse mais.


ꕥꕥꕥ


Minha cabeça doía e latejava, forcei meus olhos a abrirem e a claridade fez com que me arrependesse dessa decisão. Eu estava em uma cama macia, de lençóis brancos que eu não conhecia.


Levantei o lençol rapidamente percebendo que estava só de calcinha e sutiã. Cobri-me depressa sem entender o que porra estava fazendo ali, não lembrava de nada e forçar, nesse momento, só me dava mais dor de cabeça.


De repente, notei a presença de outra pessoa no cômodo. Meu coração veio parar na jugular, bombeava o sangue tão rápido que podia sentir minhas bochechas arderem.


Ele estava de costas, usava uma calça de pijama de seda azul marinho, estava sem camisa, seu braço recostado na soleira da janela, enquanto segurava uma xícara de algum líquido quente, porque eu via a fumaça emanar da xícara. O vento que entrava pela janela fazia o cabelo castanho escuro dele balançar e, com apenas o movimento de sua respiração, era possível ver os músculos de suas costas se movimentarem criando quase uma dança hipnótica para as pintinhas em sua pele morena, tão pretas que pareciam de mentira. Ele não precisou se virar para que eu soubesse quem era, pois o mullet que só combinava com ele estava ali para deixar claro a minha desgraça.


Busquei rapidamente em minha mente o que tinha acontecido, como eu tinha vindo parar aqui? Em que circunstâncias no universo seria possível tal situação? Qual a probabilidade de sua perfeita imagem ser uma alucinação minha? Teria eu ingerido drogas ilícitas e estaria chapada agora?


E a pergunta mais importante de todas: como raios tinha vindo parar sem roupa no quarto do meu vizinho, Kim Taehyung?

15 de Maio de 2021 às 12:22 0 Denunciar Insira Seguir história
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