phaeltheo Raphael Theo

Durante a inquisição bruxas eram queimadas todos os dias. Com medo de que isso pudesse levar a sua aniquilação total, é criado um plano de fuga arriscado. Ir em busca de uma terra lendária que todo feiticeiro conhece desde pequeno, mas há muito perdido. Anos depois, estabelecidos e em paz. Os reinos de Eldur, Sjór, Blóm e Töframman, vivem em harmonia, governados por bruxos escolhidos através dos laços de união e amor acima de suas próprias ambições políticas como caminho para alcançar a prosperidade. Porém duas crianças, nascidas juntas num dia de tempestade, com um laço que seria quebrado apenas pela morte, surgem como um presságio para a continuidade da paz. Mas o laço entre os dois, pode ser o caminho para a destruição de toda Gelassenheit.


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Prólogo

200 anos antes…

Pude sentir o leve tremor do solo com os passos nervosos da multidão enfurecida carregando mais uma vítima em direção a fogueira.

— Hereges devem morrer! Queimem as bruxas! — gritavam e declaravam com um tom odioso na voz.

À frente da multidão ia o bispo e os padres carregando a santa cruz e as luzes das tochas iluminavam a via estreita de pedras. Eu observava de longe, sentindo o medo daquelas condenadas à morte em meio ao clamor enfurecido dos que se diziam fiéis. Me escondi na escuridão da esquina onde eu estava, cobri meu rosto esperando a multidão passar por completo por mim. E então senti o silêncio agonizante, uma oração e os gritos de dor que minha irmã soltava a plenos pulmões enquanto sua pele era consumida pelas chamas.
já não suportava ver aquela cena se repetindo quase todos os dias. As mulheres que eram levadas diariamente para o abraço frio da morte, todas aquelas pessoas, que eram como eu.
Esperei a confusão se dissipar para que pudesse recuperar o corpo de Conceição. Deitei seu corpo no chão de pedras e cobri o que restava de sua pele com seda branca, coloquei minhas mãos sob sua cabeça e iniciei o processo fúnebre ali mesmo.

— Que a magia de seu ser se espalhe e ilumine o mundo.

Conceição levitou e em pequenas partes sua alma se partiu cobrindo a região, com uma fumaça densa e branca. Ao se dissipar, a peguei em meus braços, o cheiro ainda era forte, abracei e agradeci por ela não sentir mais dor. Meus olhos marejaram e então Jurei que ela seria a última.

. . .
Quando os primeiros raios de sol tocaram a terra, me reuni com os Töframann que restaram.
Nossa taberna era grande, com um porão imenso onde as reuniões aconteciam. O primeiro piso era uma cervejaria, onde os homens que nos matavam se embebedavam e traiam suas famílias e crenças.
Era um recinto pequeno, de madeira, com cheiro de incenso e muitos livros.
Marcus, mago da ordem Merlin, estava sentado em frente a estante de magia proibida.
Sério, pensativo apreciando uma boa xícara de café.
Pensei por dois segundos em não falar nada, porém os gritos de Conceição vieram em meus ouvidos. Invadi o cômodo.

—Marcus, Temos que conversar!.
Ele ergueu as sobrancelhas e fechou o livro delicadamente.

— Fale.
—Nós estamos morrendo! Não podemos ficar aqui entre os não mágicos. Vai ser nosso fim!.

Puxei uma cadeira e sentei ao seu lado.

— Não tem o que fazer, Arlete! Não posso fazer nada!
— Como assim, Nada? Você é o nosso mestre, Cacete! Se tem alguém que pode fazer algo é você.
— Eu não tenho poder sobre isso. foi a resposta dele.
— Pelas barbas de Merlim! Tem que ter algo a se fazer. Marcus… por favor. - e essa foi a minha resposta.

— a não ser que...— o silêncio foi ensurdecedor.

—a não ser o que, Marcus?

Marcus levantou, um pouco desengonçado com aquelas roupas gigantes em seu corpo pequeno que ainda trazia traços femininos. Ri discretamente.
Aquele ambiente a meia luz se tornou sombrio e Marcus buscava algo de forma compulsiva.
—O que está fazendo?
—Caçando a maldita solução que tanto me pede, Arlete. - ele parecia irritado, me calei. suas mãos pequenas folheavam cada livro. E depois de um breve silêncio,

— Achei!Sabia que estava aqui - meu corpo estremeceu com sua voz e o sono que me consumia se foi rapidamente.
— Marcus, o que exatamente você achou?
— Sua,nossa, solução — ele me olhou de cima a baixo,sondava cada movimento. Em meio a um sorriso meia lua, seus olhos ficaram negros.

—Convoque todos os Töframann. Vamos fazer uma reunião.
—Todos?— perguntei confusa.
—Todos. — olhou em meus olhos, sorriu e sua capa o consumiu. Então eu estava sozinha naquele cômodo.
Peguei pergaminho, a pena e escrevi a mensagem a todos os töframann. "Irmãos e irmãs, estamos cansados de morrer nas mãos daqueles que dizem nos proteger. Encontre-me na taberna quando a lua tocar o mais alto céu." fazia tempo que não usava corujas para entregar mensagens, ainda funcionava bem. E ao enviar a última mensagem,uma paz me envolveu e me senti aliviada.
Adormeci.
. . .
A noite caiu, a lua semi coberta pelas nuvens dizia que poderíamos iniciar aquele conselho.
Marcus já estava ao centro do comodo, aguardando a chegada de nosso povos. Eu estava ao extremo do recinto escondendo-me nas sombras, observando o que poderia ser a grande revolução. Olhei para Marcus, que fez um movimento para que me aproximasse. Hesitei por um instante, ele insistiu batendo a mão na poltrona ao seu lado, indicando para que me sentasse.
O silêncio causava vertigem, como se sempre fosse ser sucedido de gritos de dor e agonia de alguma irmã sendo torturada antes da morte.
Em poucos minutos o cômodo estava lotado. Todos estavam ali. Bem, ao menos os trezentos que restavam.
— Jovens, sem muitas delongas apresento-lhes Gelassenheint!— Marcus diz e aponta para um mapa antigo.
Murmúrios ecoavam.

— Como assim? O antigo reino?— ouvi por alto.
Gelassenheint era uma história que foi passada a todos os töframann. Reza a lenda que este lugar era o único capaz de deter a mais poderosa magia. Onde os humanos jamais poderiam sobreviver por muito tempo. Uma terra protegida pelos vulcões e florestas, cercada por oceanos aos quatro extremos, ficava próximo à Islândia. Ao menos era o que eu sabia da história.
— Uma lenda? Essa é nossa salvação? Só pode estar de brincadeira!— gritou alguém que não importava o nome.
—Gelassenheint é a única salvação. Veja bem, não sejam burros! Uma terra mágica. Ouçam o plano atentamente!—
Marcus começou a falar, ainda me escondia nas sombras ouvindo atentamente. Ele era velho e louco, mas dessa vez poderia dar certo.
— Durante 6 meses vamos migrar sem chamar atenção. Nossas leis mudarão e seremos novos seres. Levaremos conosco crianças órfãs. Lembre-se: a magia é uma virtude, não um prêmio.
Agora, ninguém mais morrerá… -
Ouvimos atentamente o plano detalhado, nos dividimos em grupos. O primeiro grupo, liderado por bruxas jovens, responsável pela segurança e preparação de Gelassenheit, durante a migração. O segundo grupo, liderado por magos, é responsável pela migração das crianças em segurança. O terceiro, liderado por bruxas anciãs e Marcus, seria responsável por nossas novas leis. Ao fim, estalamos nossos dedos em agradecimento.
Ali, começaria nossa revolução.
. . .
O sol nascia mais cedo, era verão finalmente. O plano de Marcus estava a todo vapor. Todos nós trabalhávamos muito pesado, dedicando nossas energias para que aquilo desse certo.
Eu, que já não era tão jovem, fui designada ao grupo das novas leis.ficamos em uma sala, totalmente confinados, durante quatro meses. Eram exatamente três grandes livros com moral e ética, leis, proibições e permissões e uma espécie de mandamento, que dizia: a magia é uma virtude, usai para o bem e será abençoado. usai para o mal e queimará em próprio caos.
bem, essa foi a tradução mais próxima que consegui. e a cada linha, estávamos mais perto da liberdade.

Marcus fala:

Gelassenheint não era apenas um sonho ou lenda.

era um reino perdido. Muitos séculos atrás, antes da vinda de cristo na terra, eramos um reino feliz e unido. Tínhamos a magia e o amor como virtude.

Gelassenheint, era divida em 4 reinos base, que juntos formavam um reino maior e de paz. eram eles: Blóm, Eldur, Sjór e Töframann.

Sjór, era o reino das artes do gelo e neve. Neste reino, os jovens magos e bruxas, dominavam o tempo, clima e água. Eldur, era o reino da terra, fogo e oceanos. Mantinham em harmonia nossa ilha. Blóm era o reino das flores, agricultura e vida. Neste reino, viviam os magos que dominavam a medicina e a ciência. Por último, nós, os töframann. O reino mais poderoso, dominamos magia escura, uma magia proibida por mexer com as sombras e luz. além de tudo, éramos os únicos que conheciam as leis daquele lugar e a geografia por trás da ilha.

Os quatro reinos viviam bem. Ate que um pequeno grupo de magos sem magia, iniciaram uma revolução. Alegaram que os recursos iriam acabar, que o mundo la fora deveria ser conhecido. Com o tempo, uma guerra se iniciou e acabamos por concordar. os reis, maravilhados com o mundo la fora, queriam independência. Ignoraram todos os avisos que demos, de que era perigoso, que os humanos não entendem a magia e que morreríamos.

Bem, o resultados já sabemos.

Sempre acreditei que poderíamos voltar a ser Gelassenheint, era seguro, era o correto.

Vivi 116 anos sendo Alguém que não fui. E meu poder só foi liberado quando me batizei Marcus. Me tornei o mago mais poderoso da minha geração e, consequentemente, mestre dos Töframann. Sucessor de Carlos, rei de Eldur quando a guerra estourou. Tive que ter coragem.

Havia um preço a ser pago, com a revolução que estávamos fazendo. É como um jogo de xadrez, as vezes é necessário sacrificar uma peça de peso, como um bispo ou cavalo, pra realizar o xeque-mate com êxito e vencer.

assim como uma revolução, o xadrez poderia perdurar dias, apenas uma partida.

...

Reescrevemos cada lei.

agora, manteríamos os reinos bases, não ensinaríamos a guerra. Os reis seriam escolhidos por suas habilidades mágicas e não poderiam governar sozinhos.

O casamento te ensina a perder, por tanto, um governo em dupla seria regido por amor e cumplicidade.

A magia é Sempre uma virtude.

E Gelassenheint, seria outra vez, paz.

. . .

uma chuva fina e constante cobria a penúltima noite naquelas terras. Chamei Arlete para conversamos.

coloquei na mesa um tabuleiro de xadrez e a convidei para uma partida. Ela assentiu.

— porque estamos jogando xadrez, Marcus? — perguntou enquanto movia um peão.

— Querida, uma revolução é como o Xadrez. peças tem que ser sacrificadas.— movi meu bispo colocando-o em G5.

olhei fixamente aos olhos de Arlete, observando seus movimentos por seus olhos.

Ela moveu A rainha para G5 capturando meu bispo.

— veja bem, Arlete, Quando se move sem calcular os movimentos, você acaba dando espaço para o oponente vencer.

movi minha rainha para A4.

—Não sei onde quer chegar com esse jogo" seus olhos se prendiam ao tabuleiro.

— Veja, Precipitando, moveu teu cavalo para B7. contando que pegaria minha rainha em seguida, porém ao sacrificar meu bispo algumas jogadas atrás, armei a vitória. Assim também foi com Gelassenheint. tenho armado nossa saída a alguns anos. E só agora pude dominar totalmente o plano.

— onde que chegar?

— Xeque-mate! é aqui que quero chegar. Ao perceberem que estamos saindo, não Vão permitir tao fácil e Então precisamos de uma peça a ser sacrificada

— Marcus...— interrompi sua fala.

— Arlete, estou velho e minha meta de vida já foi cumprida. veja, agora, reescrevo uma proficia antiga — peguei meu diário de magia, um caderno preto, onde escrevi cada descoberta mágica.

— Arlete, Minha magia não será jogada ao mundo...— ela estava confusa.

— Marcus, como assim? —ela encarava o tabuleiro e meus olhos, em sequencias de olhares rápidos e inquietos.

— Tenho estudado essa técnica a anos. separarei minha magia em sombras e luz. E Então duas crianças receberam minha magia. não os separe, essas crianças se amarão e serão reis de Gelassenheit. Unirão os reinos e todas as geração conhecerão a paz. Caso os separe, poderão conhecer outra guerra, fome, instabilidade.

— Marcus, Porque está falando isso a mim?— sorri, segurei sua mão e olhei em seus olhos.

— Eu te nomeio a mestra dos töframann. Só você, junto de suas irmãs, pode concretizar nosso sonho de paz— ela estava muda. e Então o galo cantou. Estava na hora de concretizar o plano.

Entreguei meu cajado a Arlete. —não me decepcione — e sumi em minha capa.

o dia estava calmo e todos os töframann ajeitavam o que faltava para a fuga. A ilha estava restaurada. Nos restava aguardar o por do sol.

...

O céu estava com um tom alaranjado, o azul da noite se misturava pouco a pouco com o azul claro da tarde.

Estávamos postos, Marcus estava a frente, sorrindo com uma paz infantil. Não havia nenhum resquício de preocupação em seu semblante.

Ouvimos o som da fúria da inquisição. viam atrás de nós.

Marcus levantou o cajado que estava em sua mão direita, indicando que estava tudo certo para nossa partida. obedecemos sem pestanejar.

sorri ao ver todos os magos e bruxas voando e teleportando rumo a liberdade, centenas de seres mágicos formando uma densa camada de poeira e fumaça.

Marcus sorriu, seu rosto não apresentava preocupações, seu corpo não lutava para se movimentar rumo a Gelassenheint, ao contrário, ele se mantinha longe o suficiente de nós. Quando todos já sumiam ao horizonte, Marcus jogou o cajado em minhas mãos. Os inquisidores se aproximam e o agarraram pela bainha da capa. Ele nem sequer lutou.

— MARCUUUUSSSS!" gritei.

— A peça a ser sacrificada— disse se entregando.

suas roupas foram rasgadas e ele foi carregado pelos cristãos. Seu destino? a fogueira. Seu pecado? ser pouco diferente.

Olhei para trás e ouvi Marcus gargalhar enquanto queimava. sua magia saiu de seu pequeno corpo se dividindo em duas. diferente de tudo que vi. ambas seguiram seguiram caminhos opostos e se esconderam no céu escuro da noite. Me teleportei antes de ouvir seus gritos e suspiro.

eramos livres enfim.

O vento em minha face enxugava minhas lágrimas. E agora, tenho em meus ombros um reino, a morte de meu amigo e uma profecia.

19 de Agosto de 2021 às 10:51 0 Denunciar Insira Seguir história
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Leia o próximo capítulo Eldur, o reino do fogo.

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