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Erick D


Os exploradores do reino de Rakam encontraram nas ruínas antigas um objeto muito peculiar bem poderoso. Seria esse artefato uma perdição ou a salvação da humanidade?


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A Reliquia Obscura

A Relíquia Obscura


Leona entrou na taverna mais famosa do bairro, apesar de seu modo de vestir esconder seu rosto e várias armas que guardava pelo corpo, nenhum dos seguranças prostrados na entrada se moveram para revistá-la nem impediram sua entrada, afinal todos a reconheciam. Com altura mediana e o corpo todo coberto de roupas escuras e uma capa negra com capuz que cobria uma máscara vermelha com um rosto feliz, causando uma sensação de psicopatia, todos conhecem essa figura como a Ladra Divina.

Poucos sabem da existência de Leona, mas quando veem a Ladra Divina alguns se escondem e outros a admiram, existem até aqueles que fazem suas preces em nome dela. Todos no Bairro Fantasma sabem que a Ladra é famosa por roubos impossíveis, então quando aparece pelas redondezas é dito que algo de grande valor e de extrema dificuldade vai ser roubado, também sabem que antes de se preparar para o roubo ela vai à sua taverna favorita. É como um ritual.

Alice Beltar estava na carruagem real que foi buscá-la até em casa, a carruagem era enorme, caberiam cinco pessoas além de Alice, o banco era estofado com veludo vermelho e emoldurado por fios de ouro, típico da realeza, pensou Alice. Apesar da garota não se importar com essas formalidades reais, sabia que teria que fingir, afinal a Universidade de Rakam estava pagando tudo, desde a carroça que se encontrava e o tempo e objetos necessários para realizar sua tarefa.

Há uns dias atrás foi anunciado na primeira capa em todos os jornais que os exploradores do rei encontraram uma relíquia muito especial, que fariam as pessoas repensar toda a vida de tanto conhecimento que obteria com esse objeto, e ele seria exposto à pessoas que gostariam de analisar, e claro, pessoas com dinheiro, mas somente aquelas que teriam um grande número de riquezas conseguiriam prestigiar dessa relíquia, afinal o valor que o rei estava pedindo era exorbitante.

Alice acordou com o cocheiro gritando para os cavalos pararem, esfregou os dedos em seus olhos para despertar, pela janela observou que o sol havia acabado de sumir, podendo ver apenas as luzes dos lampiões da carruagem. Abriu a porta da carruagem antes que alguém o fizesse quando desceu se assustou com o grande castelo à sua frente, construído em pedra brita composto por cinco torres, cada torre esbanjava três janelas pequenas retangulares, o portão de entrada era enorme, com a moldura de ouro e portas de prata que chegavam a dez metros de altura.

- Ola senhorita, me desculpe não recepcioná-la como o esperado, chegou mais cedo do que eu previa - o senhor baixo e gordo com bigode fino e careca fez uma reverência - Cláudio ao seu dispor.

- Imagina, eu que peço desculpas por não aguardar - Alice reverenciou tirando sua cartola se apresentando e dizendo quem estava representando - Podemos ir?

- Precisamos aguardar um momento, tem mais um convidado para chegar.

Alice imaginou que o rei havia convidado alguma Universidade de outro reino, mas logo sanou sua dúvida, o convidado indesejado havia chego. A carruagem que entrou pelo portal do castelo não era da nobreza, afinal era de um prata sem vida com uma cruz de bronze entalhada na porta com a inscrição INSR pequena mas visível aos olhos.O próximo visitante vinha representando a Igreja dos Nobres Santos Rakanianos.

Um homem extremamente magro em um terno branco comprido desceu da carruagem. Conforme caminhava em direção ao portão do castelo, Alice viu o rosto magro do rapaz composto por uma boca fina e um nariz fino e comprido, marcas pequenas de corte no queixo pareciam espinhas, provavelmente se cortou ao se barbear, com o cabelo penteado para trás e os olhos castanhos que exalavam deboche, toda a aparência do homem era de alguém que sofreu com brincadeiras de adolescentes no colégio, mas o seu olhar dizia que você se arrependeria se fizesse qualquer brincadeira. Ao fazer reverência ao Cláudio, uma pequena insígnia ficou amostra no bolso de seu terno. Se apresentou como Baltazar pedindo perdão pelo atraso, e beijou a mão de Alice para cumprimentá-la.

- Antes de entrarmos, irei pedir a vocês que entreguem as armas para mim - disse Claudio levando as mãos para frente - não se preocupem, estarão bem guardadas e estão seguros aqui.

Alice retirou sua katana da cintura com bainha e tudo e entregou ao homem, era uma espada com a lâmina prata e a empunhadura banhada em bronze com símbolos rúnicos em volta, a bainha também era de prata com alguns detalhes em bronze. Baltazar retirou da parte de baixo de seu terno sua arma, era uma rapieira com tudo banhado a ouro, desde a lâmina à empunhadura.

Claudio os guiou pelo castelo após deixar as armas com os guardas que estavam na entrada. O hall de entrada era composto por um grande tapete vermelho que iria até um outra porta mais à frente, nas extremidades havia escadas que te levariam ao segundo andar do castelo. O guia dos visitantes os levou até a porta da frente e pela surpresa dos dois, ali estava a sala do trono.

O tapete que começava na entrada ia até a três largos degraus que ocupavam um terço da sala, em cima desses degraus ficava o trono do rei. Era um trono simples de prata, emoldurado com ouro e pernas de ouro. O homem que estava sentado nele era alto e levemente gordo, era careca mas tinha uma barba negra volumosa, suas roupas eram casuais como se estivesse esperando um jantar de família, uma camisa de botões aberta até o peito e uma calça larga de feltro. O homem caminhou até as escadas e apontou para os visitantes.

- Bem vindos, meus caros, eu sou o Rei Denis. Você deve ser Alice Beltar, deve ser a mais inteligente para a Universidade ter te enviado e você, Baltazar deve ser o integrante da Igreja mais devoto, porque o que verão aqui pode abalar a fé, independente se for em algo divino eu em seu próprio conhecimento - disse descendo as escadas, se encaminhando para uma mesa no centro da sala com um aquário - venham, se aproximem e vejam com seus próprios olhos.

Enquanto Alice se encaminha para onde o rei os chamara, Baltazar e Cláudio fazem uma reverência exagerada. “Droga” pensou Alice “Bom, não vou me reverenciar agora se não vai ser embaraçoso”.

Todos estavam em volta do enorme aquário. Bem no centro estava uma pequena adaga de prata.

- Devem estar se perguntando o que é isso, uma enganação? Bom como devem saber eu tenho muitos exploradores trabalhando pesado em localizar objetos antigos nas ruínas de nossos antecessores, há alguns dias atrás um deles me trouxe essa pequena adaga afirmando que era uma relíquia poderosa. Eu tive a mesma reação de vocês, como uma simples adaga pode ser tão poderosa, peguei para jogá-la e foi quando me deparei com isso.

O Rei pegou a adaga do fundo do aquário com um pano, manuseou o objeto e o segurou com as duas mãos, quando retirou o pano e tocou com as mãos nuas a pequena adaga se transformou em uma espada longa de duas mãos, lâmina de prata e a empunhadura toda de ouro.

- Poderia segurá-la, meu senhor?

O grande homem abaixou a espada e entregou-a ao rapaz. Assim que Baltazar pegou, ela logo se transformou em uma réplica idêntica a sua rapieira, fez uns movimentos de esgrima com a espada e a passou para Alice, Assim que ela encostou na arma, se transformou em uma katana igual a sua.

- Bom, gostaria de entender como essa arma faz isso, é magia ou alta tecnologia de nossos ancestrais? É isso que quero de vocês e exatamente por isso que chamei duas pessoas de áreas divergentes, podem levar o tempo que for necessário.

- Tudo bem, mas como vamos trabalhar juntos, ela pode atrapalhar meus estudos.

Antes do rei começar a responder, um dos guardas entrou pedindo licença, cochichou para o Claudio e foi embora.

- Senhor, precisamos dar uma pausa, temos assuntos mais urgentes.

- Tudo bem, leve-os aos seus aposentos, suas roupas e objetos de estudo estão todos lá, por enquanto a relíquia fica aqui.


Assim que Baltazar chegou e viu a garota com uniforme da Universidade sabia que teria problemas para cumprir seu objetivo. Logo que entrou no quarto se despiu deixando à mostra cicatrizes em suas costas. Abriu uma das malas, pegou seu chicote e se ajoelhou na frente da cama olhando para o céu começou a sua oração.

- Senhor, lhe peço perdão pois pequei, encostei no objeto do Maligno mas precisava para cumprir sua missão dada a mim. Lhe rogo ajuda pois o Mal enviou um obstáculo preciso que o Senhor interceda por nós. Amém.

Assim que terminou sua rogatória começou sua punição por pecar. Como dito no Livro da Vida, qualquer filho de Deus que receba o toque do Maligno deve receber o devido castigo para ser absolvido do pecado. Pegou o chicote que havia apoiado no pé da cama e começou sua absolvição. Enquanto dava as chibatadas algumas de suas cicatrizes abriam e novas marcas eram feitas, a dor era grande mas Baltazar sabia que a dor não era nada comparado ao pecado, então precisava sentir essa dor para entender que apesar do que fez foi algo altruísta, mas ainda teve contato com criaturas malignas.

Logo que seu castigo foi finalizado pegou um de seus vários papéis para escrever uma carta para seu arcebispo.

"Santíssimo Senhor Krasiel, como pedido pelo senhor escrevo essa carta para lhe informar que nossas suspeitas estavam corretas. O objeto que foi acolhido pelos exploradores do rei é uma das relíquias amaldiçoadas pelo Maligno, assim que encostei na lâmina senti todo o poder e escutei a voz dele tentando me seduzir, mas minha fé foi muito maior e o venci, já fiz minha absolvição por ter contato com o Mal. Assim que possível vou quebrar a relíquia e libertar o Reino de mais uma das maldades do Maligno.”

Assinou no rodapé da carta e lacrou com o carimbo da INSR. Chamou um dos criados do rei para lhe guiar para os pombos-correios, mas antes fez alguns curativos em suas costas para o sangue não passar para seu terno. Assim que retornou se deitou para dormir.

Acordou no susto com dois guardas entrando em seu quarto, um deles começou a mexer em todas as suas malas e antes que pudesse protestar o outro se interpôs em seu caminho.

- O que está acontecendo?

- Silêncio

O guarda parou de mexer em suas malas e falou para o rapaz se vestir. Foi levado até a sala em que estava mais cedo, se deparando com o Rei que agora estava com seu manto vermelho e sua coroa toda feita de ouro com esmeraldas em cada ponta, estava com um ar de superioridade muito maior do que mais cedo. A garota estava de frente para o rei sendo segurada pelo seus guardas, com seu sobretudo preto com um grande U no peito esquerdo e sua cabeleira negra amarrada em um rabo de cavalo. Mesmo sendo segurada pelo braço encarava o Rei de cabeça erguida. “Garota irreverente” pensou Baltazar. Quando chegou mais perto conseguiu ouvir o que estavam falando.

- Confesso que estava louca para pôr as mãos na relíquia e começar a estudá-la logo e entendo que parece muito que foi um de nós mas não a roubei - a garota dizia de forma tranquila - Nenhum de nós saiu do quarto sem estar acompanhado pergunte aos brutamontes que você deixou em cada canto no corredor para nos observar

- Os únicos que sabiam onde a arma estava eram vocês e o Claudio que confio como um irmão - o Rei estava gritando - E os brutamontes eram para segurança de vocês.

- Segurança! Então está me dizendo que o seu próprio castelo não é seguro? E outra, nós não éramos os únicos nessa sala o tempo todo, um de seus guardas apareceu aqui e avisou algo a você...Senhor

- Chega! - olhou para os homens - Guardas levem-na daqui e prendam-na!

Mesmo sendo carregada com força pelo braço, seu tom de voz e seu olhar irreverente não mudavam.

- Não acha que queimar algum lugar do castelo não foi uma distração para poderem roubar algo de dentro?

- É por isso mesmo que estou te prendendo, se você sabe o que ocorreu então está trabalhando junto com quem me roubou.

- Na verdade eu sei porque quando o guarda avisou o Claudio ele fez uma expressão de espanto, diferente de você, senhor, que soube esconder. Também sei por que quando saímos para o corredor eu senti cheiro de fumaça. E como deixou guardas para nossa segurança, imaginou que alguém invadiria, até aí o Senhor estava certo até começar a acusar seus convidados de roubo..

- Esperem guardas, voltem.Deixem os dois aqui comigo. - assim que os guardas saíram o Rei voltou a falar - vejo que a Universidade mantém os melhores estudantes. Sim, você acertou tudo, peço desculpas pelas acusações indevidas.

Baltazar se curvou dizendo que não precisava se desculpar, mas pensando“Um Rei pedindo desculpas, que patético!"

- Senhorita Beltar tem alguma ideia de quem possa ter sido?

- Começo com duas perguntas meu Rei. Há uns duzentos anos o Rei Filipo, deve ter sido seu tataravô, pediu que todos que soubessem construir lhe ajudassem a fazer vários caminhos ocultos pelo castelo, ele desconfiava que alguém da Corte estava desejando lhe matar, até hoje isso não foi provado. O que o Rei não sabia é que uma parcela das pessoas que foram realizar a construção eram contratados de um reino que Rakam estava em guerra na época, por isso, quando a construção acabou, plantas do castelo foram espalhadas por toda a cidade. Muitas dessas plantas foram enviadas para esse reino e algumas permaneceram em Rakam, que foram guardadas cuidadosamente em muitas bibliotecas de fácil acesso.

“Bom, eu vi a planta e sei que um desses caminhos dá exatamente em um pequeno bairro que vive em escassez atrás de seu castelo, acho que o senhor não deve saber qual bairro, pois o senhor deve usá-lo apenas como latrina. O senhor sabia que essas plantas do castelo foram vazadas e o senhor sabia da existência desse bairro?”

- Sobre as plantas realmente estou surpreso, o bairro eu sei que existe mas não existem pessoas de bem, apenas ladrões e assassinos, a escória do reino, por isso é chamado de Bairro Fantasma.

- É aí que eu quero chegar.

- Está querendo dizer que uma escória desse bairro teve a capacidade de enganar seu Rei, acho que superestimei sua inteligência.

- O senhor sabe se guiar pelos caminhos ocultos? Se realmente foi isso, o ladrão deve ter deixado vestígios em um desses caminhos.

- Tenho alguns guardas que sabem, por enquanto você fica aqui.

- Isso vai demorar, enquanto ocorre a busca eu posso ir para o bairro investigar, se passar de um dia a relíquia já vai ter sido vendida no mercado negro.

- Tudo bem, mas o rapaz irá com você - se virou para Baltazar - garoto, promete perante a Deus trazer a Reliquia e caso ela falhe, a garota?

- Sim Senhor

- Muito bem, vocês têm três dias.


Saíram com o dia amanhecendo com uma carruagem real que os levaram até uma hospedaria próxima do bairro fantasma. Com os quartos locados e a bagagem armazenada Alice e Baltazar iam para uma taverna, como a rua do bairro era toda esburacada e estreita dificilmente se passaria com um cavalo muito menos com uma carruagem, então foram a pé.

No caminho viram e ouviram várias situações precárias em que as pessoas viviam ali. As poucas casas que tinha eram de madeira, muitas delas com madeira envelhecida há muito tempo, outras casas eram cobertas por musgo e mofo, outras mal tinham telhado. A estrada era de terra batida fazendo Baltazar imaginar como ficariam suas botas se chovesse. Viram pessoas magras andando pela rua pedindo dinheiro ou comida assiduamente, e quando conseguiam logo eram roubadas ou mortas por outro. Baltazar se apavorava com tudo o que acontecia enquanto Alice simplesmente seguia sem sequer virar o pescoço.

- Olha pra onde você me arrastou!

- Até onde eu lembre, eu não pedi para você vir comigo, você que não pode desobedecer ordens de um cara com uma coroa, ainda mais quando ele faz você prometer perante um ser imaginário.

- Como você é insuportável e irreverente, quando não blasfema para com o rei blasfema para com Deus.

- Apenas não suporto a ideia de me curvar e acatar ordens de alguém que não me conhece muito menos de alguém que fecha os olhos para coisas que acontecem atrás de seu trono, literalmente - apontou para o castelo enorme atrás.

- Essas pessoas merecem viver dessa forma, devem ter dado às costas a Deus.

- Se fosse assim eu e muitos alunos e professores da Universidade viveríamos todos aqui.

- Mas vocês têm apoio do Maligno, por isso conseguem viver com riquezas.

Alice revirou os olhos e acelerou o passo, não aguentava mais as baboseiras ditas pelo rapaz.

Chegaram na maior construção do bairro. Uma taverna feita da madeira da melhor árvore daquele lugar, tinha dois andares, o primeiro com uma varanda e dois pilares que sustentavam o segundo andar que era onde os donos da taverna moravam. Na entrada haviam dois brutamontes como guardas.

- Não vou entrar neste lugar.

- Ótimo, assim você cuida da minha espada.

Quando entrou na taverna recebeu todo o tipo de olhares tortos, afinal estava com o uniforme da Universidade e não era bem-vinda ali. Se aproximou do balcão e pediu um pão com bolinho e perguntou ao atendente se ele sabia sobre o paradeiro da Ladra Divina. O homem não lhe respondeu e a olhou como se tivesse com uma doença venérea.

- Garota, se eu fosse você não faria esse tipo de pergunta num momento como esse.

- Cassius, que surpresa!

- Quando pegar seu bolinho venha se juntar a mim - apontou para uma mesa sem ninguém próximo.

Cassius era um homem alto e forte com grandes cabelos castanhos lhe caindo sobre o ombro e uma barba por fazer lhe dando uma imagem desgrenhada e suja.

- “Cassius, que surpresa!” - disse o homem quando Alice se sentou fazendo uma imitação barata de Alice, com a voz esganiçada - como se você ter vindo aqui fosse um acaso, e um maior ainda você ter me encontrado, você já esperava por isso garota e eu sei disso.

- Que bom! Nada mais justo para o meu principal informante. Agora me diga o que aconteceu que a Associação de Assassinos e Ladrões está querendo a cabeça da melhor integrante deles?

- Ela recebeu um contrato ontem para roubar um objeto de valor no castelo do rei, como sabe, quando alguém rouba um objeto por um contrato da Associação recebe uma porcentagem, e alguém como a Ladra deve ter achado que iria receber pouco quando viu o real valor do objeto, e claro, saiu do bairro em busca de um comprador que pagaria mais. A Associação acionou os Caçadores e estão atrás dela nesse exato momento, só que tem um problema, ninguém sabe a real identidade da Ladra.

- Ninguém exceto o cara mais influente do Bairro Fantasma, não existe sequer um nome para essa pessoa, mas eu sei que ele está na minha frente. Por favor me diga quem é ela e onde ela está?

- Eu digo mas preciso de duas coisas. Quero saber o que é esse objeto, também preciso que você me prometa que não vai machucá-la e que irá protegê-la.

- Dou a minha palavra. Sobre o objeto posso falar apenas o que eu sei, é uma arma que se transforma no que você mais precisa no momento que a toca.

- Interessante. Ela está com a mãe, lá em cima no quarto de frente para a escada.

- Me diga uma coisa Cass, por que você sendo um associado a protege?

- Porque a decisão dos meus sócios é idiota, a Ladra é a colaboradora que trás mais dinheiro do que as demais, sem ela perderíamos muito.

- Pode deixar o garoto de deus entrar armado? Ele está comigo.

- Nunca imaginei você com alguém como ele.

- É um pé no saco.


Entraram no quarto e se depararam com uma senhora de cinquenta anos mas que aparentava ter quase cem.

- Dona Anacir - disse Cassius - Onde está Leona?

- Ela foi me ajudar - disse a senhora com a voz rouca - foi para a Floresta Antiga e já retornava com a minha cura.

Cassius e Alice se olharam.

- Preciso de dois cavalos, nós vamos atrás dela.


Baltazar e Alice conseguiram dois dos melhores alazões de Cassius e voltaram para a hospedaria para se prepararem para a viagem, comida enlatada e um cantil com água. A Floresta Antiga era desconhecida, apenas os exploradores do rei se aventuravam naquele lugar, mas como Alice estava sempre preparada, tinha um mapa das ruínas pois tinha certeza que era pra lá que Leona estava indo com a Relíquia.Custaram para sair pela demora de Baltazar. Saíram rapidamente do território de Rakam, Alice no alazão branco e Baltazar no negro.

Haviam entrado na floresta a quinze minutos, o sol do meio dia brilhava no céu. Alice havia deixado Baltazar à par da situação. Estavam em silêncio até que foi quebrado.

- Alice, aquela senhora tem uma doença terminal não é mesmo?

- Sim, só não entendo como Leona vai curar a doença da mãe indo para as Ruínas, ela deve saber de algo que não sabemos.

- Podemos confiar no que uma senhora debilitada diz?

- Ela não está debilitada, está apenas moribunda, essa doença afeta apenas o corpo. E eu também vi esperança no rosto dela, ou ela sabe o que a filha foi buscar ou é apenas fé.

- O que pretende fazer quando encontrar a relíquia?

- Quando estávamos no castelo iria persuadir o Rei a deixar eu levar para a Universidade ou a te despachar, assim estaria mais tranquilo para estudar. Mas agora ficou mais fácil, simplesmente vou levar para a Universidade.

- Saiba que pretendo te impedir, aquela coisa precisa ser destruída, o Maligno reside nela, sabe o que eu acho, que o Maligno está levando essa ladra para as Ruínas, pois lá deve ter alguma forma de sair do objeto.

- Você não está tão errado, acredito que ela esteja sendo manipulada por alguém, mas não pelo Maligno, isso não existe.


Assim que Leona recebeu o contrato para roubar um objeto de grande valor para o rei, rapidamente se preparou. Com seus contatos conseguiu uma planta do castelo mostrando todos os cômodos do palácio, até lugares que talvez nem o rei saberia. Depois de tanto estudar verificou que havia um local próximo ao bairro que daria exatamente em uma sala secreta, mas era um caminho pequeno, escorregadio e tortuoso. Se entrava pelo sistema de esgoto do castelo e percorria todo o caminho de saneamento, onde haveria uma bifurcação. Um caminho dava para o pátio do castelo e o outro para uma sala secreta, que de acordo com suas fontes, era pouco utilizada e poderia se esconder em vigas que sustentavam a estrutura, podendo escutar toda a movimentação do castelo. Como Leona trabalhava para a Associação há um tempo e sempre teve uma vida de perigo, podia ouvir e diferenciar sons à distância, então poderia fazer uma estratégia melhor.

Quando chegou no castelo, a primeira coisa que fez foi ir para o pátio. Num primeiro momento se assustou por ter se deparado com um céu apenas iluminado pelos lampiões da quadra, ela havia entrado no caminho quando o sol estava em seu ponto mais alto e agora havia acabado de anoitecer. Também reparou em uma garota alta que aparentava estar vestindo um uniforme da Universidade, havia chego em uma carruagem real e conversava com um homem baixo e gordo.

Leona aguardou até um rapaz da igreja chegar e eles darem as costas para as carruagens para se esgueirar por elas e ir até o estábulo que sabia muito bem onde estava.

Se espreitou até um punhado de feno, onde pegou dois frascos de álcool de sua bolsa e despejou um pouco nesse punhado. Foi onde havia mais feno empilhado e encharcou todo o caminho até um pequeno buraco que havia no estábulo, que foi por onde entrou, depois pegou um pequeno aparelho que fazia fogo e o jogou no álcool. Se esgueirando, voltou para o caminho oculto, chegando na sala secreta se deparou com o que desejava.

No Bairro Fantasma para a pessoa se dar bem ou trabalhava para alguém da cidade grande ou aprendia a se defender, roubar e matar. Alguns que sabiam roubar e matar entravam na Associação de Assassinos e Ladrões, que foi o caso de Leona. Quando tinha treze anos entrou para a Associação pois precisava juntar grana alta para poder pagar tratamento para sua mãe que tinha contraído uma doença rara, quando tentou entrar na taverna Cassius a tirou de lá e disse que se quisesse entrar precisaria de um pseudônimo e assim nasceu a Ladra Divina.

Faz quatro anos que Leona estava nessa vida e nem estava perto de conseguir o tratamento de sua mãe, então quando viu aquela arma que se modifica de acordo com quem a segurava. Pensou em enganar a Associação e vender essa arma no mercado negro, onde pagariam muito mais que a porcentagem que receberia.

Estava encostada em uma das vigas que estava acima do trono. Para esconder a relíquia, o rei recebeu seus convidados na sala secreta ao invés de ter sido na sala do trono, assim evitava futuros furtos. “Que pena pra ele” pensou Leona.

Aguardou uns minutos até um dos guardas avisar o rei do incêndio no estábulo, que nesse momento deveria estar infernal. aguardou até não ouvir mais nenhum passo por perto. Desceu de forma rápida e ágil e caminhou até o aquário onde estava a lâmina em forma de rapieira, não se deu ao trabalho nem de arrombar o cadeado, pois era só pegar. Assim que a pegou se transformou em duas adagas curvas, perfeita para se livrar de agressores altos.

No caminho para fora do castelo começou a ouvir uma voz, por um tempo achou que foi descoberta e se preparou para atacar, mas logo percebeu que a voz estava em sua mente e dizia seu nome. Devia estar ficando louca pelo caminho estreito e o fedor em suas narinas. Cnnn bbbbontinuou a andar até ouvir alguém lhe chamando novamente.

- Quem está aí? - falou baixinho.

“Finalmente alguém que me ouve”

- Onde você está que eu não te vejo?

“Por estar escuro devo estar em um de seus coldres”

- O que? Você é a relíquia?

“Se você está falando da arma que se adapta ao usuário, sim, sou eu mesmo”

- Como isso?

“Longa história. Pra resumir. Há alguns anos uns homens me colocaram em uma arma para me castigar, por eu ser um mago, eu consigo transmitir minha magia fazendo eu me adaptar com quem me impunha, acontece que todos morreram antes de meu castigo acabar e reverterem essa situação”

- Como você volta ao normal?

“Tem um lugar que eu preciso ir, com os feitiços certos consigo a ser como era antes. Pode me levar?”

- Não posso, preciso do dinheiro que vou ganhar te vendendo.

“É dinheiro que precisa se eu voltar ao normal posso conseguir muito dinheiro para você”

- Não posso confiar em você.

“Certo, e se eu dissesse que posso curar sua mãe?”

- Mentira

“Qual é, acha normal eu me transformar em qualquer arma e não acredita em uma cura. Eu só preciso recuperar meu corpo e faço, é um feitiço simples.

- Mas eu não sei onde você quer ir?

“Eu posso te guiar”

- Tudo bem, mas antes quero ver minha mãe.

Assim que saiu do castelo da forma menos convencional possível, em sua visão periférica do lado esquerdo viu um braço tentando agarrá-la, rapidamente se abaixou e girou na direção da perna do homem sacando uma das facas curvas e cortando a perna direita do seu agressor, o homem se revirou de dor e Leona aproveitou para dilacerar sua garganta. De costas colocou sua máscara de Ladra e sacou a outra faca, os dois homens que estavam atrás dela avançaram. Leona foi para cima deles pegando impulso na parede do castelo, o agressor da esquerda foi atingido no peito e o outro no braço derrubando seu cutelo. Seu erro foi ter abaixado para pegar a arma, foi atingido no pescoço.

Quando chegou em sua humilde casa encontrou apenas Cassius com seu cavalo negro.

- Onde está minha mãe?

- Está segura na minha taverna, entre em casa tire essa máscara e coloque uma roupa normal vou te levar também. Os Caçadores já foram acionados.

- Eu sei, enfrentei alguns deles.

- Não, o que você enfrentou foi ladrões invejosos, se fossem os Caçadores você não estaria tão inteira. Encontrou a relíquia?

- Sim, mas vou vender para o mercado negro.

- Você é tão previsível, tudo bem, vamos logo.

Assim que Cassius a deixou a sós com a mãe no quarto da taverna, a abraçou com delicadeza, com medo de quebrar algum osso dela. Ela estava muito mais velha e fraca do que há quatro anos, pareciam ter se passado quinze.

- Mamãe eu preciso ir, falta pouco para conseguir sua cura, só preciso ir para a Floresta Antiga.

- Tudo bem se não conseguir querida! O que importa é que você está tentando.

- Eu vou conseguir mamãe - disse a abraçando novamente com lágrimas nos olhos - dessa vez eu volto para te curar.

Desceu pela janela e foi andando para a floresta, pois seria muito arriscado tentar pegar um cavalo de Cassius.


Já caminhava há um tempo pela floresta quando decidiu parar pela segunda vez para comer. Sempre andava pegando frutinhas ou plantas para comer quando desse fome, afinal, não sabia o quanto andaria, seu guia não dava muitas informações, apenas comentava se estava perto só quando Leona perguntava.

Quando o pouco sol que via começou a descer mais para o oeste parou em um lugar com poucas árvores, há alguns metros podia-se ver uma parte do rio com sua forte correnteza Sentou-se em uma pedra grande o suficiente para lhe aguentar e ficou ouvindo o barulho de água absorta em seus pensamentos, imaginando como seria sua vida se sua mãe estivesse bem de saúde. De repente ouviu passos próximos e se levantou para fugir mas já era tarde, se virou com as mãos no bolso para ver quem eram seus inimigos, afinal se fossem Caçadores já teria sido atacada.

- Garotinha, tire as mãos do bolso e me entregue a relíquia.

- Espere Baltazar, você deve ser Leona não é mesmo - não esperou a resposta - essa coisa que você está carregando é perigosa, por favor, nos entregue ela e estará a salvo.

- Com ela eu consigo o impossível, algo que eu nunca achei que veria, mas logo estarei realizando. - seus olhos lacrimejaram.

- Sua mãe, certo? - Alice percebeu o olhar de desespero nos olhos da garota - não se preocupe, ela está com Cassius.Eu posso ajudar no tratamento da sua mãe, todas as despesas seriam pagas, você precisa apenas me entregar a relíquia.

- O Maligno reside naquela arma, se você não entregá-la ele irá possuir seu corpo - Baltazar falou chegando mais perto.

Leona tirou uma das mãos do bolso para lançar uma faca pequena e correu para cima de Baltazar, se o rapaz não fosse rápido em desviar a faca com sua espada teria um corte profundo para se preocupar. Assim que desviou a faca precisou fazer uma esquiva rápida para a esquerda para não ser atingido pela Ladra, aproveitou que ela estava de costa e preparou uma estocada mas sua rapieira foi aparada pela espada de Alice.

- Não percebeu, ela já foi tomada pelo Maligno, ela precisa ser parada!

- Não a mate.

- Não iria matá-la seria um golpe para ferí-la.

- Esperava mais de você Balt - uma voz grossa veio de trás das árvores - Precisa de uma ajuda.

Um homem grande e musculoso com as mesmas roupas de Baltazar, exceto por uma faixa vermelha atravessando o peito indicando que era um arcebispo da Igreja, saiu dentre as árvores.

- Foi bom você ter me informado onde estava depois que saiu do castelo assim sempre teve alguém pra cuidar da retaguarda - disse sacando seu machado de dois gumes das costas. Com cabo de prata e lâmina de ouro - não deixe essa herege se aproximar que eu cuido da portadora.

Alice iria se virar para trocar de lugar com Leona, mas foi impedida por uma estocada de Baltazar, não conseguiria defender então foi obrigada a desviar ficando mais longe da Ladra. A estocada foi seguida por vários outros golpes, que foram aparados consecutivamente pela katana da garota.

Leona começou a batalha dando piruetas ao redor do brutamontes e lançando seis facas em sua direção, o homem apenas girou seu machado rapidamente com as duas mãos e as aparou, avançou na direção da Ladra preparando um golpe de cima. Ao invés de Leona se esquivar, correu na direção de seu oponente e no momento certo deslizou no chão, passando por baixo das pernas do homem e realizando cortes em sua perna com suas facas curvas.

A Ladra sabendo que esse golpe não causaria o mesmo efeito que causou em outros inimigos lançou suas últimas três facas de arremesso que cravaram nas costas do grandalhão, e sequenciou com dois golpes de suas facas nos ombros do oponente, porém falhou pois o homem havia virado rapidamente e segurou um de seus braços, o outro braço do velho estava preparando um golpe com o machado, mas foi impedido pela faca na mão de Leona que se transformou em um sabre curto, se o arcebispo não tivesse soltado seu braço seria atingido no rosto.

Enquanto isso, Baltazar e Alice lutavam de igual para igual.

- Me deixe ajudá-la, esse cara vai matá-la.

- Não se preocupe, Krasiel tem os mesmos pensamentos que o meu.

- É isso que me preocupa, como ele vai apenas feri-la com um machado daquele tamanho.

Alice fez uma finta, fingiu que iria dar um golpe de espada e se abaixou dando uma rasteira em seu inimigo, Baltazar caiu e ela aproveitou para correr em direção ao rio, onde estava ocorrendo a outra luta.

A Ladra desviava e desvencilhava dos golpes rápidos e perigosos de Krasiel, e sempre que tinha oportunidade dava um golpe com seu sabre ou com a faca. Até que o arcebispo conseguiu lhe enganar e a pegou pelo pescoço, apertou até ela soltar suas armas. Depois a jogou um pouco a frente, passando perto de cair no rio com sua braba correnteza, pegou a relíquia com uma mão só e logo ela se transformou em um machado de dois gumes menor do que já possuía.

- Agora ele é meu!

Baltazar que estava próximo, ouviu a frase e se distraiu recebendo um golpe de saque no peito. Caiu de joelhos e apenas observava o que ocorria, era o que podia fazer, estava fora da batalha.

O que viu foi Alice falhando em impedir Krasiel de dar o golpe final em Leona. O golpe da espadachim acertou apenas a mão que segurava a relíquia fazendo-o soltar, porém o golpe do outro braço foi realizado com perfeição. O arcebispo da INSR finalizou a Ladra Divina enterrando seu machado em seu peito. Alice ficou desnorteada por um tempo, mas se recuperou a tempo de pegar a relíquia do chão, a arma se transformou em uma réplica de sua katana, o que surpreendeu Baltazar é que a garota deu três golpes fortes na relíquia até quebrá-la em pedaços e jogou os pedaços no rio.

Caminhou até ele.

- Não se preocupe - disse em voz alta - o corte não foi fundo o suficiente para te matar, logo você estará bem.

- Fez a coisa certa em destruir aquela coisa.

- Pena que você não fez!

Alice caminhou em direção a Leona, e Krasiel veio ajudar Baltazar a se levantar.

- Recuso a sua ajuda!

- Está louco Balt. Ela não tinha salvação.

- Mentira! - gritou - ela tinha, a mãe dela tinha, você tirou isso delas. E acha que eu não ouvi o que você disse quando pegou a relíquia.

- Se ela morreu pelas minhas mãos, foi a vontade de Deus. E eu pretendia pegar a relíquia para a Igreja, já imaginou o poder que teríamos.

- Isso vai contra tudo o que aprendi - disse arrancando a insígnia do peito - estou me restituindo da Igreja.

- Olha o que fala! Vou te dar a chance de se redimir, pense e depois venha falar comigo.

Krasiel foi embora com o machado sujo de sangue nas costas e sua mão enfaixada por ter perdido alguns dedos para o golpe de Alice.

Baltazar se levantou e andou até onde Alice estava ajoelhada chorando.

- Eu entendo porque está assim, não é apenas pela promessa que fez com seu irmão Cassius. Você se via nela, uma garota que viveu sua adolescência com as dificuldades de se viver no Bairro Fantasma, e mesmo com estas dificuldades conquistou o que queria e teve uma vida - Alice olhou para ele, e mesmo com os olhos inchados percebeu a surpresa em seu olhar - O que foi? Também tenho minhas fontes confiáveis.

- Se não fosse a família do Cassius ter me acolhido, eu não teria nada disso, acho que por isso ele quis ajudar essa garota - se levantou e disse - e agora? Vai ficar bem sem sua igreja.

- Posso me virar, sou rico. Mas e você? O rei não irá atrás de você?

- Não se preocupe, sei me cuidar.


Depois de Baltazar ter partido, Alice levou o corpo de Leona para Cassius, assim ela teria um enterro digno, quando deu a notícia para a mãe sobre sua filha e que se a ajudaria nas despesas do tratamento de sua doença, ela recusou com uma frase que foi um tapa na cara de Alice. “Uma filha faz de tudo para ajudar a mãe moribunda, quando ela morre sem alcançar seu objetivo, alguém surge para ajudar, do que me adianta viver agora, sem minha filha”. Dona Anacir logo morreu, talvez pelo choque de ter visto sua filha morta.

Um mês havia se passado e Alice Beltar estava em sua casa. Apesar de morar na cidade grande e rica, sua casa era pequena e humilde, afinal só usava para dormir. Estava se levantando para mais um dia, a primeira tarefa de sempre era ver sua correspondência, que em Rakam era posto por uma pequena porta que passava apenas uma mão, deixando as cartas no chão. Dessa vez haviam duas cartas.

“Cara Cliente Alice Beltar, venho por meio desta lhe informar que sua encomenda está pronta basta ir pegá-la na nossa loja mais próxima.

Produto: Katana média de lâmina de prata e empunhadura de bronze com arabescos rúnicos

Ferraria Johnson”

A próxima carta era amarelada e tinha um U grande com um a minúsculo quase invisível sinalizando que pertencia a Universidade Anônima.

“Ola, Alice Beltar, vejo que correu tudo bem, você se mostrou uma excelente profissional como diziam os rumores. Conseguiu tirar a Relíquia das mãos do rei, e mesmo com as dificuldades que a Igreja lhe fez passar ainda conseguiu nos enviar ela inteira. já estamos estudando a entidade cósmica que reside na arma e logo ela será guardada junto com as demais relíquias . Adoraríamos trabalhar com você mais vezes, o dinheiro deve ter ido junto, caso não tenha chego, nos avise.

Universidade de Rakam.”

Alice amassou a carta e pegou o saquinho de couro que veio pendurado na carta, contou as moedas e se deu por satisfeita com seus três milhões.


















19 de Junho de 2021 às 02:33 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

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