unicornsjungle Caroline Jungles

"Ter o azul violeta brotando da pele significava ser marcado tanto pelo inóspito quanto pelo letal, e era assim que o Imperador-roxo se tornou conhecido, e também temido em seu império e além. Com todo o mistério que rondava as majestosas e belas Apaturi Iris, devido a recusa da espécie a convívio social, flertando com a repugnância e hostilidade, mesmo após os acordos com outros híbridos, humanos sempre tentaram obter qualquer prova de sua magnífica beleza e existência, forçando a harmonia já frágil entre os mundos, a se quebrar. Um deles desaparecendo nos domínios das borboletas. Em busca de esclarecimentos, o diplomata Jeon Jungkook é designado a ir ao impiedoso e fascinante Imperador-roxo Namjoon, confrontando suas diferenças ao ponto de acharem inúmeras semelhanças entre as intensas cores que os definem." Aviso: esta história contém violência gráfica, sangue, morte, vore, cenas de sexo explícitas, monsterfuck, e linguajar inadequado. Não é recomendada para menores de 18 anos. Capa: equipe Fantasminhas (Fantasminhaswtt no twitter) Sinopse feita por Éris (triviapam no twitter), do projeto #ResumeAiFics.


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 21 anos apenas (adultos).

#romance #fantasia #aventura #borboleta #kimnamjoon #jeonjungkook #abo #ação #namkook #vore #monsterfuck
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O Imperador-roxo

A linda imagem diante dos seus olhos fazia tudo valer a pena. Quando seus pés deram os últimos passos, e finalmente teve a deslumbrante visão, tudo ficara claro. Era perfeito, exatamente como tinha sonhado durante todos aqueles anos. Lentamente, se agachou, retirando a mochila das costas. Abriu o zíper, buscando por sua "isca", até que encontrou o pote azulado. O cheiro não era nem um pouco bom, porém ele já não ligava, havia muito tempo que simplesmente esquecera de como era nojento.

Com cuidado, retirou o generoso pedaço de carne de peixe, o colocando delicadamente no chão. Engoliu a pouca saliva acumulada, e olhou para cima. As copas densas das árvores se expandiam como enormes fios, conectando umas às outras, e lá em cima sabia que era onde eles estavam, uma das espécies mais magníficas e raras do mundo. Era um momento único, raro, e que talvez nem mesmo trouxesse os resultados que desejava. Porém, ali estava, pacientemente esperando pelo instante que finalmente aconteceria.

Respirando fundo, fechou a mochila, a recolocando nas costas, e a passos lentos, foi se afastando de onde tinha deixado sua pequena oferta de paz. Andou até um tronco caído, se sentando, pegando a garrafa d'água, e tomando generosos goles. Estava quente, mas não se importava, ainda ajudava a se hidratar. Retirou o boné, ajeitando levemente os cabelos que estavam longos demais. Não se lembrava da última vez que tinha cortado, ou mesmo se barbeado direito.

Por um instante, se permitiu fechar os olhos e apenas respirar. Estava tão cansado. Era como se seu corpo inteiro colapsasse naquele instante, e cada músculo fosse se desprendendo. Horas de sono negligenciado, e até mesmo a alimentação nem um pouco regulada, certamente tinham uma causa direta naquele resultado. Mas não se arrependia de nada, na verdade, se sentia vitorioso por chegar até ali.

Minutos — ou talvez horas — se passaram, e seu cérebro esgotado fora despertado no susto. O coração acelerou ao ouvir os barulhos, e atentamente olhou à sua volta, ainda zonzo de sono, procurando pela origem do ruído. Sobressaltara ao ver uma copa de árvore se movendo furiosamente. Puxou o ar pela boca, e antes mesmo que pudesse levantar, vira asas enormes, majestosas, infinitamente mais belas do que jamais poderia imaginar.

Como se fosse uma pluma, o híbrido pousou no chão de terra, e suas asas tremelicaram suavemente. Ele prendeu a respiração, não conseguindo nem mesmo dar um passo adiante. Observara com cuidado como elas eram azuladas, mas conforme a luz do sol batia, um tom levemente violeta aparecia. Os desenhos brancos que se espalhavam de forma uniforme até sua base escura, eram extremamente perfeitos, e quando as asas batiam, sumiam em meio a cor violeta que predominava naquele estado. Na parte inferior de dentro, uma penugem subia por toda lateral, chegando até aquilo que seria a coluna vertebral do híbrido. Ele queria tirar uma foto, queria tocar na sua pele, porém, tudo o que conseguia fazer era encarar.

Respirar se tornara ainda mais difícil quando viu as belas asas se encolhendo, mostrando todos os ossos trabalhando em conjunto, e então lentamente a figura alta se virou, revelando sua parte humana. A pele tinha um tom mel, e era como se estivesse coberta por um óleo. Sua estatura era alta, forte, com músculos torneados, porém não de uma forma humana. Era difícil explicar, mas tudo que vinha à sua cabeça era que aquela criatura era perfeita, mais perfeita do que qualquer outra coisa que pisara na terra. Aparentemente, era um macho, pois seu membro se encontrava amostra. A ausência de roupas parecia não lhe causar nenhuma vergonha.

O rosto era ainda mais belo, com maxilar e nariz pequenos, lábios carnudos, e olhos incisivos. Tinha heterocromia, e o olho direito era castanho escuro, enquanto o esquerdo, tinha a cor violeta das suas asas. Os cabelos em tom preto estavam desarrumados, caindo sobre os olhos, e deles, antenas grandes e levemente azuladas surgiam. Elas se moviam constantemente, captando cada pequena variação no ambiente. Em sua cintura, veios escuros se enrolavam na pele, como se fossem raízes cravadas em seus músculos, formando desenhos aleatórios por toda região, subindo em direção ao peito.

Por um instante, não soubera nem mesmo o que dizer, e ficara apenas ali, observando a criatura, que parecia lhe avaliar também. O olhar era sério, e quando moveu uma de suas longas pernas, o fez arfar em surpresa. Um cheiro adocicado que podia jurar nunca ter sentido na vida, se espalhava pela floresta. Inebriado por aquele odor, ele queria apenas fechar os olhos e se deleitar com a sensação, porém a figura a poucos metros de distância era hipnotizante demais, sendo assim, incapaz de desviar o olhar.

Ficara estático enquanto o híbrido caminhava lentamente, primeiramente lhe encarando e em seguida olhando para baixo, onde sua "isca" estava. Repentinamente, viu seu rosto suavizar, e os olhos que antes pareciam ferozes, agora eram grandes e curiosos. Suas antenas se moviam, enquanto se aproximava mais do peixe podre. O viu se agachar, inclinando a cabeça para o lado. Tinha ouvido alguns casos onde era possível se comunicar com eles, e conforme seu cérebro começava a religar, tomara coragem para tentar.

— Olá...

O Imperador-roxo imediatamente erguera o olhar, o fitando com um misto de hesitação, e talvez algo como curiosidade.

— Pode... Pode comer, trouxe pra você.

As asas do macho se mexeram suavemente, e as antenas voltaram a balançar. Sua atenção retornara para a "refeição", e lentamente aproximara a mão da carne, a pegando e levando até a boca. Mordeu com força, arrancando um pedaço, o fitando em seguida. O coração dele batia acelerado ao ver aquela cena tão esplêndida. Engolindo seco, arriscou dar um passo adiante, e pareceu que o híbrido não se incomodou, apenas continuou comendo o generoso pedaço de carne podre.

— Você é magnífico... — sussurrou sorrindo para a criatura, que pareceu não lhe dar bola.

Aquela seria uma ótima oportunidade para tirar uma foto. Com cuidado para não fazer movimentos bruscos, levou a mão ao bolso da lateral da mochila, onde sua câmera se encontrava. Ouvia o Imperador-roxo comendo tranquilamente, e ironicamente, sentiu borboletas voarem em seu estômago enquanto erguia o aparelho em suas mãos meio trêmulas. Tinha que ficar calmo, ou não conseguiria tirar uma foto nítida. Levou o dedo ao botão, e no instante que o apertou, o híbrido virou o rosto.

Um grito esganiçado soou pela floresta, e a câmera se espatifou no chão. Ele sentiu uma mão firme lhe erguendo pelo pescoço. Engasgara, e tentara se soltar do aperto de ferro da criatura. O cheiro doce ficava mais e mais forte, o sufocando. Seus pés já não tocavam o chão, e tudo o que podia fazer era observá-lo, enquanto as veias da sua cintura se desprendiam agilmente da pele, se tornando pernas longas de inseto, que agarraram com enorme força seu torso. O rosto belo do Imperador-roxo era feroz, porém, em questão de instantes, se tornou suave. Ele o viu sorrir, e lindas covinhas surgiram em suas bochechas. Aquilo fora a última coisa que vira. Seu pescoço fora apertado com tamanha violência, que simplesmente se partira ao meio.

Um homem tinha um sonho, e de alguma forma, tinha o realizado.



"Apatura iris — mais conhecido como Imperador-roxo —, é uma borboleta da família Nyamphalidae. São insetos que vivem nas copas de grandes árvores, na específica região norte. Os híbridos são extremamente raros, e muito difíceis de se ter acesso. Sua parte humanóide se funde com a de borboleta, criando uma bela imagem, que é ao mesmo tempo intimidadora. A espécie — ao contrário de outros híbridos —, nunca fora integrada à sociedade. No início das colonizações, e integração de híbridos com humanos de forma harmônica, houveram algumas espécies que foram resistentes à mudança, e uma delas foi a imponente Imperador-roxo. Infelizmente, por conta da exploração do território onde não apenas eles viviam, mas também outros híbridos, houve um enorme desequilíbrio ecológico, causando conflito entre algumas espécies. No fim, o Imperador-roxo acabou tendo algumas perdas, e se isolando ainda mais na densa floresta. Na época, até mesmo outras raças, como de mamíferos por exemplo, se juntaram aos humanos em uma tentativa de tratado, porém as borboletas foram irredutíveis. O governo decidiu dar um passo atrás por pressão de alguns ativistas, e parar a exploração em massa. Algumas espécies decidiram participar do programa de integração, ficando para trás poucos híbridos que ainda viviam no seu habitat natural, e um deles é o Apatura Iris."


— O que tá fazendo?

Jungkook erguera o olhar da tela do notebook, fitando Yoongi. Suspirou, se espreguiçando na cadeira.

— Só uma matéria sobre um híbrido.

— Hm. Que híbrido?

— Imperador-roxo.

Os olhos de felino dele se arregalaram em curiosidade.

— Não foi esse que um dia desses um cara foi até onde eles moram, e nunca mais voltou?

— É, esse mesmo.

— Puta merda, JK! — ele o fitou. — Espera, você...?

— Fui designado para cuidar do caso.

— Oh... — Yoongi ficou em silêncio por alguns instantes. — Você tá fodido.

Suspirando, largou a caneta que tinha em mãos.

— É o meu trabalho, Yoonie. Além do mais, a família do cara precisa de uma resposta, um corpo, qualquer coisa.

— Olha... Não querendo bancar o advogado do diabo, mas já bancando, no fim das contas, o cara sabia que era perigoso ir se meter numa floresta atrás de uma das espécies de híbridos mais fechadas do planeta. Então... ele meio que sabia onde tava se metendo, e principalmente, sabia dos riscos.

— Queria que fosse simples assim. — murmurou retirando o olhar da tela do notebook, onde se encontrava uma imagem da borboleta originária do híbrido. — Mas, existe um tratado entre ambas as partes. E isso pode causar uma enorme revolta.

— Tá, senhor diplomata, mas esse tratado acredito que também tem uma lei onde diz que humanos não podem invadir a àrea deles.

— Você estaria certo, se um dia antes da entrada do homem na floresta, ele não tivesse recebido uma autorização para estar lá.

— Alguém comunicou os híbridos sobre essa "autorização"?

Jungkook não tinha resposta para aquilo, portanto apenas tomou um gole do café.

— Olha, tudo que estou dizendo é que a corda costuma sempre arrebentar pro lado "mais fraco", e é óbvio que humano sempre vai querer proteger humano. Posso falar disso com certeza. Não importa quem esteja certo ou errado.

Yoongi o deixou sozinho na sala, e Jungkook mais uma vez virou o olhar para a foto da bela borboleta na sua tela. Passando a mão pelos cabelos, apenas se ajeitou na cadeira, e voltou ao trabalho. Era uma situação delicada, e infelizmente a bucha tinha ficado com ele para resolver.

Depois de incontáveis horas em frente ao computador, planejando uma ação que acreditava que mesmo com todo cuidado, ainda seria extremamente perigosa, Jungkook se sentia pronto para enfrentar os chefes que diriam um monte de merdas que no fim não serviriam de nada para quando estivesse naquela floresta. Por isso, tirou as últimas horas do dia para arrumar sua mala, tomar um vinho, e ouvir música, desligando um pouco seu cérebro do trabalho que começaria amanhã.

— Você tá aí parado tem uns dez minutos. Quer alguma coisa, Yoon?

Conhecia bem seu amigo híbrido de Leão, sabia que quando queria dizer alguma coisa, mas não sabia se seria muito invasivo, ficava o rodeando, até chegar o momento certo de falar.

— Nada... — murmurou e suspirou, sentando direito na poltrona. — Só...

— Só? — o fitou, enquanto enfiava uma blusa na mala. — Anda, desembucha.

— Você acha que isso tudo pode causar uma comoção gigante contra os Imperador-roxo?

Suspirando, tomou um gole do vinho, voltando a dobrar as roupas.

— Não sei, é uma incógnita. Tudo vai depender da postura dos híbridos quando a gente chegar lá.

— E o que poderia aliviar as coisas pra eles?

— Sei lá... Não terem matado o cara? Seria ótimo...

— Mas você acha que mataram.

Jungkook parou no meio do movimento, olhando para o nada, antes de enfiar a calça de qualquer jeito na mala.

— Eu acho que as chances são bem altas. — murmurou a resposta. — Mas não sei se vou conseguir trazer o corpo.

Ambos ficaram em silêncio, e por um instante, acreditou que o assunto tinha acabado, até ouvir a voz de Yoongi, dessa vez mais firme.

— Espero que consiga apaziguar os ânimos. Muitos de nós já morreram, e ninguém nunca se deu ao trabalho de ir buscar os corpos.


O dia tinha começado ruim. Jungkook pela primeira vez sentia de fato o peso daquela missão nos seus ombros. Enquanto pegava o metrô que o levaria até o aeroporto, abriu seu antigo livro sobre híbridos. Não era o mais completo, porém tinha algumas coisas básicas, e no caso do Apatura Iris, havia menos informação de fato, afinal, tudo o que os estudiosos conseguiram registrar sobre eles fora extremamente raso. Não havia muito sobre costumes, crenças, ou mesmo idioma. O livro focava grande parte do seu parágrafo falando sobre os problemas de integração, e a recusa da raça em viver dentro da sociedade humana. Sua vida de diplomata acabara de ficar ainda mais difícil.

Porém, não era de tudo ruim. Existia algumas poucas informações sobre sua aparência, e era óbvio que talvez fosse considerado um dos híbridos mais belos, e mais "ferozes". Ainda sim, Jungkook preferiu ir além, se quisesse ao menos ter uma chance, precisava sair do trivial, daquilo que livros humanos tinham a dizer sobre a espécie. Pensando nisso, ao deixar o metrô, ligou para um velho amigo da faculdade, que acreditava que poderia lhe ajudar. Enquanto subia a escadaria para o lado de fora, ouvia o telefone chamando do outro lado da linha.

Alô?

— Hobi! Que bom que me atendeu!

E aí, JK, como você tá?

— Bem, estou bem. Cara, eu preciso de um favorzinho, se não tiver muito ocupado, é claro.

Uh... Eu tenho um tempinho agora, do que você precisa?

— Ah, que bom! A gente pode se encontrar em um café perto do metrô?

Claro, manda o endereço.


O garçom servira os dois cafés junto com pães, e se retirou. Jungkook sorriu, tomando um gole do líquido quente e amargo, se sentindo bem melhor.

— Então, do que precisa, JK?

— Acho que você viu todo o caso do cara que foi procurar pelos Imperadores-roxo, e desapareceu, certo? — Hoseok assentiu, então prosseguira. — Eu fui designado pro caso.

— Puts...

— É, minha missão é trazer respostas, ou sei lá, um corpo. Qualquer coisa.

Hoseok tinha uma feição bem menos relaxada do que antes. Aquilo não era um bom sinal.

— Preciso saber mais sobre eles, e sei que não é sua especialidade, mas achei que poderia ajudar.

— Não, não é minha especialidade. — levou o pedaço de pão à boca. — Mas como médico especializado em híbridos, aprendi muitas coisas sobre o Apatura Iris. Não é nem de perto algo aprofundado, mas já é mais do que os livros.

— Sim, e vou precisar de tudo que tiver ao meu alcance.

— Ok, vou te ajudar. — fitou seus olhos. — Mas cara... Um conselho como amigo: apenas pula fora.

— O problema é: se eu pulo fora, outra pessoa vai no meu lugar, e essa pessoa, provavelmente, não vai tá aberta ao diálogo como eu estou.

Hobi cruzou os braços, suspirando. Sabia que dizia a verdade.

— Faz tempo que existe uma tensão entre o governo e os Imperador-roxo. — murmurou. — Isso poderia ser o estopim para começar um ataque em massa.

— Exato, então preciso fazer isso, porque ao menos eu vou dar o benefício da dúvida para eles.

Viu o amigo pegar a xícara de café, tomando um gole generoso.

— Ok, vou te ajudar como eu puder. — fez uma pausa. — Vamos começar pelo básico. Os Apatura Iris são muito fechados, e desconfiados. Meu primeiro conselho é não tentar os atrair para baixo com comida, isso já é algo muito associado a caçadores, ou visitantes que acham que o habitat deles é um zoológico, onde podem entrar e os observar quando e como quiserem.

— Mas, como vou atrair eles pra baixo? Preciso me comunicar de alguma forma, e não se sabe nem mesmo se eles falam a nossa língua moderna.

— Bem, existem maneiras mais respeitosas de pedir pela presença de um Imperador-roxo. Como por exemplo, o chamar.

Jungkook o fitou, esperando que aquilo fosse uma brincadeira, mas aparentemente aquele era sim, o conselho que tinha para lhe dar.

— Você tá falando sério?

— Sim. Olha, eles vem lidando com humano curioso por anos, sempre tem alguém trazendo comida, os atraindo para baixo, e daí começando a tirar fotos, querer tocar neles. Eles sabem todos esses truques. Por isso, a melhor decisão é apenas tentar se comunicar, sem "iscas", sem rodeios.

Mesmo se sentindo um pouco inseguro, conseguia entender o que Hoseok falava.

— Certo, o que mais você pode me dizer?

— Bem, eles são muito organizados e territorialistas. Não se aproxime demais das árvores, isso pode ser considerado um desafio ao território deles. Provavelmente, quem vai descer vai ser o alfa, que pode ser tanto um homem, como uma mulher. Acredite, você não quer que seja uma mulher, as fêmeas Apatura Iris costumam num geral ser bem ferozes, mas quando são alfas, isso é ainda pior.

— Ok, não se aproximar demais das árvores, e rezar pra ser um macho.

— Sim. Outra coisa muito importante é o cheiro deles. Eu tive um professor na faculdade que trabalhou por algum tempo na equipe responsável pela integração dos híbridos, e ele teve um breve contato com um Imperador-roxo. Em uma das aulas, ele contou como o híbrido era magnífico, e uma das características principais era o cheiro. A gente tá acostumado com os híbridos que costumam ter cheiros diferentes, porém segundo ele, o do Imperador-roxo era uma coisa que nunca tinha sentido na vida. Talvez fosse incapaz de descrever, mas nas poucas palavras que encontrou, disse que era um cheiro doce, mas de um jeito que nunca sentira na vida, nem mesmo em híbridos de outras espécies. O x da questão é: o odor tem relação direta com a caça. Existem substâncias que inebriam o humano ou mesmo híbrido que sente o odor, e faz a pessoa ficar basicamente chapada. Por isso, verifique no seu equipamento se tem uma máscara, ela vai ser extremamente importante para filtrar um pouco desse cheiro, diminuindo o efeito.

Jungkook anotava tudo e ouvia com atenção. Sabia que híbridos mudavam o cheiro conforme a situação, e alguns tinham realmente um odor que atraía outras pessoas, porém nunca naquele nível.

— Tudo bem, eu vou me certificar de ter uma máscara no meu kit. — murmurou escrevendo no seu caderninho.

— Por último, você vai notar que na cintura dele vão ter veios pretos, formando desenhos aleatórios. É muito bonito, pra falar a verdade, ao menos pela forma com a qual ouvi relatos de alguns pesquisadores. Porém, aquilo não é apenas algo que tá ali de enfeite. Quando eles atacam, os veios se desprendem da pele, e se revelam como as pernas da parte borboleta do híbrido. Não se engane, não é porque são finas, que são frágeis ou delicadas. Na verdade, tem uma força gigantesca tanto na parte humana, como na de borboleta.

Os olhos dele se arregalaram. Aquela era definitivamente uma informação que não tinha em nenhum lugar, nenhum livro, nada.

— Isso é... No mínimo interessante.

— Pois é, então qualquer sinal de que aquelas lindas coisas desenhadas na cintura deles estejam se desprendendo, fique em alerta.

Jungkook largou o caderno na mesa, passando as mãos pelos cabelos, suspirando pesadamente.

— Às vezes me pergunto porque caralhos decidi seguir essa profissão.

Hoseok riu fraco.

— Talvez seja porque você tenha algo parecido comigo. Você enxerga os híbridos. Só que enquanto eu decidi seguir o caminho de curar eles, você foi pelo de tentar os entender. Mas meu amigo, se existe um último conselho que eu posso te dar, ele é: se prepare para qualquer coisa, porque talvez esse seja o trabalho mais difícil de toda sua carreira.


Após a esclarecedora conversa com Hoseok, ele seguiu para o aeroporto. Não conseguia parar de pensar nas coisas que o amigo lhe dissera, e mais e mais se tornava até mesmo curioso em relação ao que enfrentaria dali algumas horas. Seu trabalho sempre fora ser diplomata entre as espécies, principalmente quando pequenos problemas aconteciam, mas que se não fossem resolvidos, acabariam se tornando uma enorme bola de neve. Não era a profissão mais reconhecida do mundo, até porque a maioria das pessoas sempre queriam ser radicais, porém, entendia a sua importância em casos como aqueles.

Um pouco antes de entrar no avião, recebera algumas imagens de um livro que Hoseok lhe enviara. Era um pequeno guia para entender o básico do básico da língua dos Apatura Iris. Segundo ele mesmo, não conseguiria ter de longe uma conversa profunda com um dos híbridos, mas ao menos já era alguma coisa com que podia começar, e demonstrar respeito em relação a eles.

Basicamente, a estrutura inicial das palavras mudava um pouco quando se falava. As vogais eram trocadas, portanto palavras com letras "a" eram substituídas por "e", já "o" substituía por "i", e o "u" era a única vogal que se mantinha. Uma frase simples como: bom dia, se tornaria bim doe.

Bim doe. B-bim doe... — murmurou a frase simples, tentando pronunciar da maneira como o antigo livro dizia. — Bim doe.

Suspirando, se ajeitou na cadeira, esperando a hora do seu voo, e em momento algum seus olhos desgrudaram da tela, estudando exaustivamente cada pequeno detalhe que podia. Era cansativo, porém, ao mesmo tempo, despertava ainda mais curiosidade dentro do seu subconsciente.

Cerca de quatro horas mais tarde, desembarcara no destino final, sem ter conseguido descansar nem por um minuto. Tudo bem que sua atenção ficara totalmente em estudar o pouco que podia da língua dos Apatura Iris, mas teria sido bom ter dormido ao menos uma hora. De qualquer forma, ali estava, prestes a encontrar sua equipe, esperando não ter nenhum babaca carregando um fuzil.

Assim que entrara na sala, viu sua equipe, que consistia em três pessoas. Hang-ju, Cho, e a gerente da operação: Chung-Ae. Sua presença, por sinal, dava a Jungkook um pouco mais de confiança que as coisas funcionassem de uma forma mais maleável. Já tinha trabalhado com ela algumas vezes, e sabia que apesar do pulso firme, também conseguia dialogar, e ouvir.

— Bom dia. — murmurou, cumprimentando todos na sala, se sentando na mesa.

— Bom dia, JK. — Chung-Ae respondeu. — Como você está?

— Bem, estou bem.

— Quer café? — Cho perguntou, já colocando uma caneca à sua frente.

— Obrigado. — tomou um gole, estava horrível. — Podemos começar?

— Sim, vamos. O que tem de informações sobre o Imperador-roxo?

— Não vai ser uma missão fácil, mas consegui informações com um médico especializado em híbridos. Inclusive aprendi um pouco do idioma. Obviamente, não chega nem perto da complexidade da língua deles, mas ao menos ajuda a iniciar uma conversação.

Hang-ju bufou, cruzando os braços. Jungkook o fitou do outro lado da mesa. Ali estava o babaca de fuzil da vez.

— Algum problema?

— A questão aqui é: todo mundo sabe que aquelas coisas mataram o cara. Eu não sei porque "iniciar um diálogo", com uma coisa como aquela, é a solução que você tá achando mais eficiente?

— Qual a sua solução?

A sala ficou em silêncio.

— Eles mataram um humano.

— Não tem como ter certeza disso.

— Eles mataram um humano. E você quer conversar?

Jungkook suspirou, colocou ambas as mãos na mesa.

— Hang-ju, sabe quantos híbridos foram mortos por causa de ações humanas no habitat natural deles? — o viu afastar os lábios para responder, porém apenas continuou. — Cerca de um milhão. Ou foram mortos por causa de desequilíbrio ambiental, por doenças que humanos passaram para eles, ou até mesmo assassinados. Sabe como eles lidaram com a situação? Com diálogo. E através de uma conversa, uma espécie decidiu não aderir a integração. Muitos deles nunca nem tiveram um corpo para se despedir, mas ainda sim, trataram humanos com respeito. Portanto, respondendo sua pergunta, sim, eu quero conversar, porque é o mínimo que podemos fazer depois de matar um milhões de híbridos.

Os dois se encararam por longos segundos, até que Jungkook o viu rir com deboche.

— Você é um daqueles não é? Um daqueles lunáticos...

— Já chega. — Chung-Ae interrompeu com firmeza. — Nossa missão é descobrir o que aconteceu com o homem, e é isso que vamos fazer. Não me interessa o que cada um pensa sobre híbridos, sobre direitos ou deveres. Se atenham a missão.

Ninguém a retrucou, o que pareceu deixá-la satisfeita.

— Muito bem. Voltando ao assunto que importa, por favor JK, preciso que me envie a sua fonte sobre o idioma do Imperador-roxo. Todos nós vamos estudar um pouco.

Hang-ju grunhiu, porém não disse nada. Jungkook tomara aquilo como uma vitória.


Do lado de fora da sala de reunião, se aproximou de Chung-Ae, porque ainda tinha uma dúvida, e provavelmente ela poderia ter respostas.

— Do que você precisa, JK? — a ouviu perguntar, enquanto servia uma caneca de café. — Quer?

— Não, obrigado.

— Hm, é horrível mesmo.

Rindo fraco, cruzou os braços, antes de entrar no assunto.

— Quando recebi os relatórios, tinha uma parte que dizia que ele teve uma autorização pra entrar na floresta. O que é um pouco estranho.

Suspirando, Chung-Ae apoiou a lateral do corpo na bancada, deixando a caneca entre suas mãos.

— Kim Jun-seo é um homem que teoricamente não tem importância, apenas um cidadão comum, mas ele tinha muitos contatos. O meu palpite é que conseguiu a autorização através de um amigo de um amigo, de outro amigo.

Jungkook assentira com a cabeça, olhando para o chão pensativo.

— Os híbridos sabiam disso, concordaram?

Apenas fitando o rosto dela, teve sua resposta.

— Olha, JK, o que posso te dizer é: eles conversaram com os híbridos? Não existe registro. Eles vão revelar o poderoso que conseguiu enfiar o cara na floresta? Não. A razão de eu ter te escolhido para o caso, é exatamente porque sei que existe uma linha fina nos separando de algo catastrófico, e preciso de alguém que se importe em não arrebentar ela.



Por volta da uma da tarde, todos estavam dentro de um jipe, indo em direção a área próxima da floresta onde o Apatura Iris vivia. Assim que chegassem o mais perto possível, seguiriam a pé, com as orientações de Chung-Ae pelo rádio. Jungkook se sentia nervoso e ansioso a cada minuto que se aproximavam mais do destino final. Sua cabeça pensava nas milhares de possibilidades, e se preocupava com elas também. Sabia que dentro da equipe havia uma divergência de ideias, e que Hang-ju provavelmente iria querer controlar a situação ao máximo, porém após a conversa com Hoseok, entendia que para as coisas funcionarem direito, sem ninguém se machucando, força bruta não seria o melhor caminho.

No fim, ficara definido que Hang-ju cuidaria da segurança, mas teria que ouvir o que Jungkook lhe dizia. A verdade era que já esperava pelo pior naquele momento. Como tudo o que podia fazer era tentar ao máximo prever possíveis incidentes, decidira apenas se concentrar em aprender o básico do idioma, porque se tivesse uma chance de conversar, a agarraria com todas as forças.

— Uh, você falou que a gente não ia usar, mas eu trouxe iscas. — Cho que estava sentado ao seu lado disse. — Sabe, só por precaução.

Ele ergueu o olhar do tablet, e assentiu.

— Eu entendo o receio, mas antes de sair jogando iscas no Imperador-roxo, vamos só tentar chamar, de igual pra igual.

Hang-ju deu um riso carregado com sarcasmo no banco da frente. Jungkook o ignorou, fitando a janela. A floresta densa começava a se formar nos arredores da estrada, e junto a ela, um sentimento angustiante surgia no seu peito. Talvez aquele fosse um sinal, ou seu medo falando mais alto. Tudo que sabia era que estavam fodidos.

No instante que colocou os pés para fora do jipe, uma sensação estranha viera. Estavam ali, o momento se aproximava de forma lenta, e ao mesmo tempo, rápida. Respirando fundo, deu o primeiro passo, sendo seguido pelos outros dois. Seria uma caminhada tecnicamente longa, e ele não sabia se agradecia por aquilo, ou se sentia irritado.

Durante o trajeto, não houve muita conversa, até porque não valia a pena fazer aquilo quando existiam dois polos tão distantes sobre uma mesma situação. Jungkook na verdade se sentira muito confortável apenas ouvindo os barulhos da floresta que se erguia imponente ao seu redor, e sua mente — tentava o máximo que podia —, captar os pequenos detalhes. Vez ou outra, se sentia observado, e no fim, provavelmente estava, afinal estavam em uma floresta, existiam vários animais por toda parte.

Havia se passado aproximadamente duas horas de caminhada, quando tecnicamente alcançaram a localização de onde Jun-seo tinha dado sinal antes de desaparecer. Passando a mão pelo rosto, Jungkook tomou vários goles de água, descansando por um instante.

— Ele deve ter andado mais um pouco... — Cho comentou após lavar o rosto suado.

— Pra mim é tudo mato. — resmungou Hang-ju.

Ele ignorou os dois debatendo se estavam ou não no lugar certo, e se concentrou à sua volta, procurando por algo, qualquer coisa que mostrasse uma pista de onde poderia ter ido, ou mesmo se era ali o ponto onde sumira em primeiro lugar. Até que a sensação de ser observado ficara mais urgente. Alguém estava por perto, muito perto.

Girou nos calcanhares, porém só conseguia ver a vegetação. Nada além do verde da folhagem, o marrom da terra, o suave amarelo de algumas flores... Jungkook sentira o estômago congelar ao ouvir um barulho atrás de si. O coração martelava contra o peito, e literalmente seu cérebro tivera um apagão de tudo que tinha estudado insistentemente até ali. Podia não ser nada, porém, no instante que viu os rostos dos dois soldados mudar para espanto, teve certeza.

Lentamente, se virou, por instinto, curiosidade, angústia, ou talvez uma combinação de tudo. Asas em um tom azulado violeta estavam abertas, perto, e ao mesmo tempo longe. Eram enormes, ou talvez porque seu cérebro ainda processava o que acontecia, as via maior do que realmente eram. Sua textura era tão bela, aparentando ser macia ao toque. Sem perceber, tinha erguido a mão para alcançá-las, mas sua consciência despertara assim que elas se fecharam bruscamente, quase como duas lâminas se encontrando.

Dera um pulo para trás, e sentira alguém lhe puxando, enfiando algo no seu rosto. A máscara de segurança. Ele sentia vontade de se bater. O cheiro que Hoseok tanto comentara, como não percebera antes? Ajeitou o objeto no rosto, se equilibrando como podia, e captara o exato momento que o híbrido se virou. Os olhos eram sérios, parecendo até mesmo furiosos. Sua estrutura forte e imponente, de alguma forma também demonstrava delicadeza. Era difícil explicar, e Jungkook se sentia estúpido demais naquele momento para tentar processar direito. Tudo que vinha à sua cabeça, era a palavra magnífico.

Assim que o vira se movendo, percebera ser um macho, o que era uma boa notícia, se é que poderia considerar algo bom naquela circunstância. Simplesmente não conseguia desviar o olhar, era até mesmo irritante. Antes que pudesse impedir, Cho dera um passo adiante, colocando o pedaço de carne de peixe podre no chão. As antenas do Apatura Iris se moveram, e seus lindos olhos heterocromáticos se voltaram para a "isca". Lentamente sua feição fora suavizando. Suas pernas longas andaram devagarinho até a carne, se agachando em frente a ela. Jungkook finalmente conseguira ligar seu cérebro.

Dasculpa pir onvedor sau tarrotiroi essom.

O híbrido erguera o olhar no mesmo instante, lhe encarando com interesse. Suas antenas se moviam furiosamente, e os olhos pareciam semicerrados.

— O que tá fazendo? — Cho sussurrou amedrontado.

O ignorou, dando um passo adiante, tentando lembrar das frases que tinha decorado, da regra.

Astemis equo pere cinvarser, Apatura Iris.

Não tinha ideia se estava fazendo aquilo direito, nem se sem querer estava o ofendendo, mas não tinha como voltar atrás.

O lindo Imperador-roxo inclinara a cabeça para o lado, com sua atenção ainda totalmente em Jungkook. Ele era talvez, de fato, o híbrido mais belo que já vira na vida. Cada pequeno movimento parecia forte, e ao mesmo tempo gracioso. Se permitira descer o olhar por seu dorso, vendo os veios pretos que se fundiam com a pele de cor mel.

Sibra i qua quar cinvarser, humeni?

Fora impossível conter o arfar de surpresa ao ouvir a voz do Apatura Iris. Era baixa, grave, porém de alguma forma, suave. Estava tão impressionado, que demorara alguns instantes para assimilar o que ele dissera.

— Ah, sim... Som. — sua cabeça começava a embaralhar as coisas, e podia jurar que vira algo próximo a divertimento passar rapidamente pelo rosto do híbrido. — Um humeni fio dedi cimi... cimi daseperacodi... carce da ume samene etres...

A?

Jungkook ficara surpreso ao ser interrompido. Notara sua asa se mover suavemente, enquanto as pernas longas davam pequenos passos para o lado, nunca desviando o olhar.

— Você vai continuar com essa conversinha? — Hang-ju dissera irritado.

O Apatura Iris no mesmo instante voltara a atenção para ele, seu rosto demonstrando curiosidade quase inocente. As antenas se moviam de forma frenética, o que lhe dava um ar fofo e gentil.

Doge ei sau emogi pere asparer e vaz dala.

Jungkook arregalara os olhos, e usara todas as forças que tinha para não rir. Era extremamente contrastante como o híbrido dissera algo afiado como aquilo, com o rosto tão doce e suave.

— O que ele disse? — Hang-ju perguntara imediatamente.

— Uh... Espera um minuto. — voltou a atenção para o Imperador-roxo. — Dasculpa, tudi a muoti nivi...

Nei peraca nivi pre vica.

Diante da resposta, sentira mais uma vez seu cérebro perder o fio da meada, e quase explodir. O híbrido dera um risinho fraco, desviando a atenção para atrás de Jungkook.

Sai emogi nei seba asparer. — murmurou.

Ala epanes aste narvisi. — respondeu rapidamente.

Pre qua sarva asses cioses ne sue cere?

Ele engoliu seco, o encarando.

Pir ceuse di sau chaori.

Assim que ouvira a resposta, suas asas tremeram suavemente, e os olhos cintilaram. Um arrepio subira pela espinha, enquanto o via dar mais um passo adiante. Instintivamente, andou para trás. O rosto bonito do híbrido demonstrava ainda certa inocência, e curiosidade.

— HEY, pra trás sua coisa!

Jungkook olhara por cima do ombro, vendo Hang-ju apontando o rifle em direção a ele. Por isso não queria um babaca de rifle na equipe.

— Calma! Abaixa essa coisa, Hang-ju!

— Cansei desse papinho, é melhor essa coisa começar a falar o que interessa!

Aquilo era um desastre, e podia se transformar em uma tragédia sem tamanho. Sem pensar direito, se enfiou na frente da mira do idiota com a arma, e fitou diretamente os olhos do híbrido, com as mãos erguidas. Suava demais, e seus cabelos soltavam do coque que fizera, fazendo algumas mechas caírem em seus olhos. Lentamente, levou uma das mãos à máscara, puxando o fecho, a retirando. Seu peito subia e descia ritmicamente, e o cheiro doce, nunca sentido antes, invadia suas narinas, fazendo seu corpo inteiro acender, e ao mesmo tempo ficar inebriado, quase anestesiado.

Engolira a saliva acumulada, piscando com força, tentando manter o foco. O rosto do Apatura Iris estava ainda mais belo, e seus olhos pareciam levemente arregalados, curiosos. As anteninhas se moviam com rapidez, e as mãos estavam unidas em frente aos lábios cheinhos. Era tão lindo que Jungkook queria chorar.

E ganta... Au cinfoi am vica.

Não sabia se as palavras saíram certo, pois seu cérebro a cada minuto ficava mais e mais inebriado. Já estivera com outros híbridos, sentira seus cheiros deliciosos, mas nada se comparava a aquilo. Provavelmente dissera algo errado, porque a feição do Imperador-roxo começara a mudar. Sua face se transformara em algo fechado e rígido, e as enormes asas se abriram.

Antes que Jungkook pudesse formular alguma frase, qualquer coisa, o híbrido já avançava. Se lembrava de ter gritado para não fazer aquilo. Lembrava do barulho das asas, do cheiro doce, do rifle atirando, da pancada na sua perna, do chão frio da floresta. Ele se lembrava...

Caído no chão de lado, sua visão turva vira o exato momento que Hang-ju levara um tapa com tamanha força do híbrido, que o fizera voar para longe. As longas pernas de borboleta estavam totalmente desgrudadas do seu torso, e se moviam de forma bela e agoniante. Em instantes o Apatura Iris estava em cima de Hang-ju, onde os olhos pareciam que saltariam da cara a qualquer instante. As finas pernas agarraram a parte inferior do corpo dele, enquanto as mãos humanas o seguravam logo abaixo da axila. Jungkook estremeceu, inutilmente tentando se mexer.

Ele vira o começo, o instante onde o híbrido torcera o corpo como se fosse um pedaço de trapo molhado. Fechara os olhos sentindo um nó se formando na garganta, ouvindo o grito agonizante do homem, acompanhado do barulho dos ossos se quebrando, e a carne rasgando. O cheiro doce começava a se misturar com o metálico de sangue, formando um bolo na sua garganta. Um líquido quente atingira seu rosto e parte do seu corpo, e ele sabia o que era.

Minutos se passaram após o barulho cessar. Jungkook tremia, agarrando a terra com as mãos. Os olhos estavam fechados com força, e parecia mais e mais difícil respirar. Quando teve coragem de abri-los, primeiramente viu pés em meio a terra escura, a pele cor mel parecendo banhada a óleo, e sangue. Erguendo o olhar, encontrou o corpo esbelto do híbrido, agachado à sua frente, com as pernas de borboletas ainda soltas. Notara também seu pau levemente ereto. O rosto tinha linhas de sangue, e os olhos demonstravam mais uma vez aquele mesmo olhar inocente, até mesmo doce. Vira os lábios carnudos sorrirem, revelando lindas covinhas em suas bochechas. Ele apagou antes que o pior acontecesse, porque tinha certeza que era o próximo, e talvez fosse melhor assim, não sentir nada a partir dali.

Seus olhos se abriram com urgência, e sentia muito calor. Piscara várias vezes, tentando se mexer, mas assim que tentou sentar, uma vertigem o abateu, fazendo capotar exatamente onde estava antes. Grunhiu, levando uma das mãos ao rosto. No mesmo instante, parou o movimento, entrando em modo alerta. Estava sendo observado. Hesitante, virou suavemente a cabeça para o lado, encontrando o híbrido deitado. Captara o exato momento em que ele fechou os olhinhos, talvez tentando fingir que dormia. Por algum motivo, achara aquilo adorável.

— Olá... — engoliu seco, ainda meio grogue.

Ile.

Aquilo definitivamente lhe despertou por completo. Não tinha usado a língua dele, mas aparentemente o Apatura Iris entendera. O observou, agora com os olhos abertos, deitado de lado, ombros encolhidos, e mãos unidas abaixo da cabeça. As anteninhas se moviam lentamente, e dali de perto, podia ver que ele tinha duas pupilas dentro da íris, uma era bem pequenininha. Era tão doce a imagem, que até mesmo parecia inofensivo.

Ile... — respondeu sentindo a garganta secar.

O híbrido piscou algumas vezes, e suas antenas moveram com mais rapidez. Jungkook não conseguia desviar o olhar.

— Pode...? — respirou fundo, fechando os olhos, tentando lembrar a regra do idioma. — Pida... ma der egue?

Não fazia ideia se tinha dito certo, e ao vê-lo arregalar os olhos, começando a levantar, se perguntava o que caralhos tinha pedido. O viu andar pelo cômodo que parecia pequeno, mas ao mesmo tempo, o comportava muito bem. Suas asas fechadas se arrastavam no assoalho, enquanto o Imperador-roxo pegava um jarro, e voltava para onde estava. Ele sentou nos calcanhares perto do que era aparentemente um colchão, e ofereceu o jarro de barro.

Babe.

Com certa dificuldade, sentou e segurou o objeto que era mais pesado do que parecia, levando o gargalo até a boca, tomando um generoso gole. Sentia os olhos atentos do híbrido em cada gesto que fazia, parecendo não vigiar, mas sim curioso. Quase se engasgou com a bebida que parecia levemente doce, e tossiu algumas vezes. O Apatura Iris ainda lhe fitava, parecendo esperar por algo.

— Porra... — murmurou se sentindo cem vezes melhor. — Que alívio.

Ao voltar a atenção para o seu lado, viu o híbrido com a cabeça inclinada, asas suavemente tremendo, e antenas mexendo.

Bim?

— Uhm... — assentira com a cabeça. — Bom... Bim.

O Imperador-roxo abriu o mais lindo dos sorrisos, e começou a engatinhar até a cama. Jungkook sentiu o coração acelerar, e borboletas voarem no estômago. O híbrido parou perto o suficiente do seu rosto, e era capaz de ver cada detalhe da linda criatura. De repente, um leve corado surgiu nas suas bochechas, e pontinhas das orelhas.

— E-eu... Namjoon... E-eu... — apontou para si mesmo. — Namjoon!

Ele soltou o ar pela boca, que nem mesmo sabia que estava segurando. Seus olhos viram o rosto fofo, até mesmo tímido, e se fixaram nos lábios cheinhos. Tão bonito.

Au ma chemi Jungkook.

Jun... Jung?

— Jung Kook.

Kook! Jungkook!

Sem perceber, acabou rindo fraco ao ver o imponente Apatura Iris pulando no lugar, alegre ao conseguir dizer seu nome. No fundo da sua mente, secretamente enterrava todas as imagens horrendas que vira Namjoon fazer. Alguém tão doce, não podia ser capaz de tamanha violência, certo?

— Namjoon?

O híbrido que parecia concentrado em fazer alguma coisa, ergueu o olhar no instante que ouvira seu nome sendo chamado, piscando com curiosidade. Era até mesmo bizarro como cada singelo movimento parecia fascinante. Jungkook fungou, passando a mão pela ponta do nariz, e se mexeu suavemente. Fazia algum tempo que estava ali, naquela cama, olhando ele fazer algo que não sabia o que era.

Ai pracosi... — limpou a garganta, e o viu começar a se aproximar. — Mojer?

— Oh!

Ele arregalara os olhos, e em seguida assentiu com a cabeça. Um sorriso surgiu em seus lábios, e Jungkook começava a se perguntar se realmente tinha o feito entender que precisava urgentemente fazer xixi. Antes que pudesse pensar, Namjoon já estava muito perto, lhe pegando da cama.

— Wow! Espera...

O Imperador-roxo parecia não ouvir, e apenas lhe erguera, começando a caminhar pelo cômodo. Ansiedade começava a bater na porta, e Jungkook não pode fazer mais nada a não ser se agarrar aos ombros do Apatura Iris, e fechar os olhos. Ao menos seu cérebro se concentrava no toque quase aveludado da pele do híbrido, ou no cheiro doce, em vez da situação onde se encontrava.

Os pés tinham deixado o chão, e simplesmente agora voava, ou estava em queda livre. Ouvia o barulho das asas, e sua mente curiosa repetia de novo e de novo para abrir os olhos. Puxara o ar pela boca, o prendendo no instante que decidiu deixar sua curiosidade vencer. O momento realmente era de tirar o fôlego. Asas enormes e violeta batiam freneticamente pelo céu azulado. Era magnífico, até mesmo perfeito. Sem perceber, Jungkook cravara as unhas na pele dos ombros dele, em uma tentativa não apenas de se agarrar a alguma coisa que teoricamente não o deixaria cair em queda livre, mas também que aliviasse um pouco da adrenalina que sentia.

Facha is ilhis.

Ouvira a voz gentil de Namjoon falando, porém seu cérebro não conseguia processar com rapidez. Feche os olhos.

— O que?

De repente, seu corpo começou a mergulhar, indo em direção ao chão. Jungkook sentia a boca seca, os olhos lacrimejando, o coração martelando no peito, e borboletas no estômago, lhe causando até mesmo náuseas. Felizmente seu cérebro processara a mensagem, e fechara os olhos, instantes antes do impacto, ou ao menos era o que esperava.

O pouso fora como uma pluma, suave e delicado. Ele continuava agarrado ao Imperador-roxo como se sua vida dependesse daquilo. Quando sentiu os pés descalços tocarem a grama, soltou o ar que prendia em seus pulmões, começando quase a hiperventilar. Seus olhos fitaram sua volta, enxergando a bela paisagem, até que se voltou para Namjoon, que sorria inocentemente.

— Eu acho que me mijei nas calças...

Ouviu o risinho fraco dele, e franziu o cenho, se perguntando se entendia ou não o que dizia. Alguns instantes se passaram, e ele ainda encarava o rosto do híbrido.

Vica aste saguri, Jung-kook.

— Oh!

Limpando a garganta, lentamente ele descravara as unhas da pele macia de Namjoon, se soltando. Sua perna incomodava um pouco, mas acreditava que conseguiria andar sozinho. Respirou fundo, acalmando a própria respiração, e olhou em volta, ainda encantado com a paisagem. Dera alguns passos para frente, abrindo a calça, começando a mijar. Era um milagre mesmo não ter feito aquilo enquanto voava por aí.

Suspirou aliviado por finalmente sentir sua bexiga vazia, e logo em seguida ajeitou as calças no lugar, se virando para onde se lembrava que Namjoon estava anteriormente, porém não o encontrou ali. Varreu o espaço da clareira onde estavam, até a imagem das belas asas se movendo suavemente. Começara a segui-lo, intrigado de onde poderia estar indo.

Jungkook umedecera os lábios ao notar que se tratava de uma lagoa, com a vegetação talvez ainda mais bonita lhe cercando. Seus olhos tentavam captar tudo que lhe rodeava, porém sempre voltavam para o Apatura Iris, que lentamente entrava na água de onde saía um leve vapor. Sem problema algum, vira as pontas das asas começarem a mergulhar junto ao seu corpo. Era de tirar o fôlego.

Quar sa benher?

Piscou algumas vezes, só então percebendo que estava lhe perguntando algo.

— Uh... Som.

Estava definitivamente se sentindo sujo, e se livrar um pouco do suor ajudaria a fazê-lo se sentir melhor, na medida do possível. Namjoon se virara de frente, e em suas mãos um besouro reluzente caminhava livremente, passeando de uma para a outra. Da metade das coxas para baixo estava submersa, e ele não conseguira resistir a tentação de o fitar, passando por cada pequeno detalhe.

Lentamente, levou as mãos à camisa, desabotoando, e por fim retirando. Em seguida veio as calças, e logo estava nu. Conseguia sentir o olhar dele com curiosidade, e ao fitá-lo de relance, vira um leve corado surgindo em suas bochechas. Antes que pudesse analisar melhor, o viu se virar de costas, continuando o caminho para a parte mais funda da lagoa. Unindo as mãos em talvez um gesto de nervosismo, avançou também.

Quando seus pés tocaram no primeiro filete de água, a sensação morna para fria subiu por suas pernas. Continuou com cuidado, seguindo mais adentro, nunca tirando os olhos do híbrido, que agora estava da cintura para baixo totalmente submerso.

Nei tam priblame milher sues eses?

Namjoon se virou, encostando nas pedras.

Nei... Ales sai muoti rasostantas. — sorriu, e passou o besouro de uma mão para a outra. — Nei sa praicupa.

Jungkook assentira com a cabeça, indo mais para dentro, sentindo a água encostar na sua pele, causando pequenos arrepios. Parou do outro lado, e com as mãos em concha, pegou um pouco da água cristalina, a levando ao rosto. Conseguia sentir o olhar dele em cada movimento que fazia. penteou os cabelos para trás, e o fitou no momento exato que esticava a mão para uma roxa, deixando o besouro andar livremente.

Pir qua astiu equo, Namjoon?

O Imperador-roxo não respondera imediatamente, porém vira suas antenas se moverem rapidamente. Ergueu uma sobrancelha, esperando por alguma resposta, que aparentemente não viria.

Pir qua nei faz i masmi cimogi?

Involuntariamente, começara a avançar na sua direção, sentindo certa agonia pela falta de resposta dele. Apertara o maxilar, enquanto as mãos deslizavam pela superfície da água, a cortando até chegar perto o bastante. Parou logo em frente ao híbrido, que não parecia intimidado, tão pouco assustado, mas sim tímido.

Ma doge.

Os olhos de Namjoon cintilaram, e os lábios se separaram levemente. Jungkook não sentia seu cheiro forte como antes, porém ainda sim estava ali o aroma doce irresistível. Se aproximara mais, e quando se dera por si, estava entre suas pernas, o prensando contra a roxa. Não houve resistência alguma, pelo contrário, sentiu suas coxas envolverem seu quadril, lhe prendendo ali. Suas mãos estavam na cintura dele, sentindo a pele misturada com os veios escuros que eram suas pernas de borboletas. O relevo era interessante ao toque, e parecia ser sensível naquela região, já que o ouviu arfar baixo quando os dedos passaram suavemente ali.

Tomado por uma força maior do que qualquer consciência que pudesse ter naquele momento, ele apenas fez aquilo que tinha tanta vontade de fazer desde o primeiro instante que seus olhos recaíram sobre o Apatura Iris. O envolveu em seus braços, e tocou a curva do seu pescoço com a ponta do nariz, se embriagando com aquele maldito cheiro. As mãos de Namjoon agarraram seus cabelos, e o ouvira arfar, expondo ainda mais seu belo e longo pescoço. Jungkook experimentou lamber a pele quente e aveludada, e a ponta da sua língua imediatamente formigara com o toque e o sabor.

Namjoon começava a proferir palavras que não entendia, mas a melodia da sua voz era arrastada e manhosa. Ao ter um breve vislumbre do seu rosto, pudera ver os olhos fechados, e a boca aberta, puxando o ar para os pulmões. Soubera naquele momento que estava completamente fodido. Enterrou os dentes na carne do pescoço dele, ouvindo seu grito e as coxas estremecerem ao redor do seu quadril. O mordia enquanto saboreava ainda mais o sabor que sua pele tinha, era praticamente incontrolável. Algo extremo havia sido despertado dentro dele, que não sabia mais o que fazer a não ser aceitar sem reclamações.

Quando seus cabelos foram puxados, se obrigara a soltar, porém logo sua boca tinha outra coisa na qual trabalhar. O Imperador-roxo agora devorava seus lábios, e a sensação de formigamento tinha se espalhado por toda sua língua, céu da boca e até mesmo maxilar. Era algo que nunca sentira na vida, e provavelmente nunca mais sentiria com qualquer outra pessoa, híbrido ou humano. Apertou sua cintura, e devolveu o beijo com a mesma intensidade, violentamente chupando a língua dele, que fazia barulhinhos entredentes, parecendo desesperado. Porém o que fez Jungkook simplesmente perder qualquer tipo de filtro fora o sentir começar a mover o quadril, se esfregando violentamente contra seu pau.

Desceu as mãos para sua bunda, a abrindo enquanto grunhia e mordia o lábio cheinho dele. As pernas fortes apertaram ainda mais em torno do seu quadril, e sentia que a qualquer momento seria estrangulado, mas estava pouco se fodendo para aquilo. O incentivou a continuar a se esfregar, apertando com força suas nádegas. Estava tão duro que acreditava que poderia gozar sem mesmo ter se tocado direito. Subiu uma das mãos para a lateral do rosto dele, e o afastou com o máximo de força que tinha. Sabia que Namjoon talvez fosse infinitamente mais forte, mas estava lhe permitindo ter o controle, e por algum motivo, aquilo lhe excitava.

Um fio de saliva ainda os conectava, e os olhos dele pareciam enevoados. Era bom saber que não era o único afetado, levado ao limite. Lambeu seus lábios, mordendo o inferior com força até demais, cortando a pele sensível. O ouvira arfar, e um gosto agridoce invadira sua boca. Com a respiração instável, o encarou, vendo lamber o próprio sangue levemente azulado.

— Porra...

Au quari vica...

Jungkook sentiu o corpo inteiro arrepiar, e sem pensar demais, o virou de costas, o colocando contra a roxa cheia de musgo. A visão dele parcialmente debruçado, as asas quase abertas por completo, e sua bunda levemente para fora da água, era a coisa mais linda e excitante que vira na vida. Namjoon começara a se esfregar de novo no seu pau, e o atrito fizera um gemido arrastado escapar por seus lábios. Era como se implorasse, sem dizer uma palavra. Queria o fazer pedir, porém não conseguiria brincar por mais tempo, precisava dele.

Passou a cabecinha do seu pau pelo buraquinho, provocando, e o ouviu gemer quase irritado, mas soando mais manhoso do que qualquer outra coisa. Era adorável! Se empurrara para dentro dele, ouvindo os barulhos manhosos ficarem mais altos, mais intensos. Xingou enquanto apalpava sua bunda, o fazendo se alargar para lhe receber. Grunhiu quando chegou no limite, e levou o quadril para trás, antes de entrar com tudo de novo. Namjoon gritara, e o ouvira choramingar, voltando a falar palavras que não entendia, e que mesmo que fosse do idioma básico, seu cérebro estava longe de querer tentar traduzir. Tudo que queria era o foder tanto que nem mesmo lembraria do próprio nome.

Começara a entrar e sair com força, o segurando pelo quadril, sentindo o corpo inteiro dele reagir com suas investidas. As belas asas que naquele momento pareciam mais violeta do que nunca, tremiam a cada momento que era penetrado, e Jungkook queria as tocar, sentir cada pedacinho delas. Subiu uma das mãos pelas costas dele, sentindo a coluna espinhal que era levemente saltada, de onde saíam suas asas, e as pernas de borboleta. Apertara a região com força, e no mesmo instante Namjoon reagira. Suas costas se curvaram de um jeito que se fosse apenas humano, provavelmente teria quebrado a coluna, inclinando a cabeça para trás, gemendo alto.

Seu pau era apertado com dentro do cuzinho dele, o que lhe fez foder com mais velocidade ainda, chocando seu corpo contra o dele. Fora naquele momento que começara a ser inundado por tantas sensações e estímulos, que achara que explodiria em meio ao caos e bagunça que se encontrava. Se debruçou sobre o corpo esbelto do híbrido, deslizando a mão até chegar aos cabelos da sua nuca, puxando com força. Apoiou a bochecha no ombro dele, começando a respirar com ainda mais urgência, enquanto começava a masturbar seu pau.

Namjoon se encolhera, tensionando inteiro, e Jungkook soubera naquele momento que ele estava gozando. Pegou uma das suas pernas, e o fez a apoiar na rocha para que pudesse ir mais fundo dentro dele. O ouviu choramingar por causa da hiper estimulação, e continuou o fodendo, até que o formigamento passou por todo seu corpo, fazendo o abdômen comprimir, e no mesmo instante o mais intenso dos orgasmos lhe atingir.

Já era noite lá fora, porém Jungkook mal percebia o tempo passar a sua volta. Deitado na cama do pequeno cômodo, tudo o que fazia era se manter grudado ao corpo do Apatura Iris, O tocara por inteiro, e beijara suas belas curvas, fascinado com cada pequena reação que lhe causava. Fora descobrindo os lugares mais sensíveis do seu corpo, e cada textura diferente que abrangia. Entre beijos e carícias, fora explorado por Namjoon com a mesma intensidade, assim descobrindo algo que ninguém nunca soubera. A saliva do alfa dos Imperador-roxo tinha substâncias que aceleravam o processo de cicatrização, portanto, além de receber prazer através da língua levemente áspera dele, teve seus ferimentos praticamente fechados por causa da saliva que deixava escorrer enquanto lhe explorava.

— Você é tão lindo... — sussurrou em seus lábios, passando as mãos por seu cabelo, em meio a suaves beijos. — Tão lindo...

Namjoon apenas se aconchegou no seu toque, fechando os olhos, sorrindo suavemente. Jungkook começara a beijar sua bochecha, descendo para o pescoço, onde já haviam várias pequenas marcas de mordidas e chupões. Riu suavemente consigo mesmo, se perguntando desde quando era tão agressivo. No fim, nada naquele momento era normal, muito menos como uma transa qualquer que tivera anteriormente.

Vica ma eche binoti?

A voz suave e rouca lhe tirou de seus devaneios, e voltou a fitar seus olhos, que agora estavam mais abertos. Sorrira suavemente, levando a mão até uma das antenas, que imediatamente se moveu com o toque, assim como Namjoon, que estremeceu suavemente.

Vica a e ciose meos londe qua vo ne monhe vode...

Mantorisi. — murmurou rindo. — Nei ecradoti am vica.

Por um instante, não respondera, apenas fitou o rosto do híbrido. Ele era uma mistura intrigante entre doçura, sensualidade e força. Ao mesmo tempo que parecia incapaz de machucar um pequeno besouro, sabia bem do que era capaz de fazer. Apertando o maxilar, desviou o olhar por um instante. Estava tão fodido, e fazendo algo totalmente errado, mas simplesmente não conseguia parar.

Respirou aliviado quando sentiu Namjoon lhe empurrar suavemente, deixando suas costas no colchão. Ao menos um deles tinha a capacidade de se afastar minimamente, ou ao menos era o que acreditava. Incapaz de deixar de olhá-lo, seguiu seu corpo bonito e cheio de marcas, observando tudo que fazia, o que aparentemente, agradava o grande Imperador-roxo. Ele desfilava pelo quarto, com toda sua graça e nudez. O viu pegar uma pequena caixinha, antes de voltar para a cama, se deitando de bruços, apoiando os cotovelos no colchão.

Pagua.

Sentando lentamente, ergueu uma sobrancelha enquanto observava a caixinha que Namjoon tinha empurrado na sua direção. Lentamente, a pegou e abriu, curioso demais para fazer suspense. Dentro dela, em meio a várias folhas de coloração amarelada, havia um lindo cordão com um pingente azulado preso à ponta. Jungkook o pegou, impressionado com a linda pedra presa ao colar.

Em instantes, o Apatura Iris estava perto, sentado nos calcanhares, com os olhos grandes lhe fitando com expectativa.

Pre mom?

Ele o viu assentir com veemência, e suas anteninhas — assim como as asas —, tremelicaram com a ansiedade que sentia.

Au... — não sabia o que dizer. — Au...

As mãos do híbrido pegaram o cordão de sua mão, e em seguida o prendera no seu pescoço. Ele apenas o olhava, vendo o rosto tão doce, tão inocente, parecendo simplesmente extasiado com o singelo presente que lhe dava.

A verdade era que estava tão envolto naquelas sensações, que tudo o que queria era ficar para sempre naquela cama, naquele lugar, com aquele híbrido. E foi assim, que segurou seu rosto em suas mãos, voltando a beijar aquela boca. Tinha o deitado de novo, ficando por cima do seu corpo, e tudo que conseguia pensar era em como queria se afogar nos seus beijos.

Enquanto o fodia de novo, agora de frente, sentia suas pernas finas de borboleta acariciando suas costas. Causava às vezes arrepios, ou cócegas, por isso riu fraco nos seus lábios, estremecendo, entrando e saindo lentamente. Namjoon beijava seu maxilar, descendo para o pescoço, enquanto as pernas seguiam por sua espinha. Jungkook grunhiu, entrando com mais força nele, fechando os olhos em deleite. Porém, gemeu alto de verdade, quando sentiu a ponta de uma das pernas afastando sua nádega, e lentamente começando a estimular seu cuzinho.

Se agarrou ao que viu na frente, apertando com força enquanto movia o quadril com mais desespero. Respirou fundo, voltando a fazer um chupão no pescoço dele, ouvindo seu choramingar manhoso. Os dois se moviam juntos, se encaixando perfeitamente, como se tivessem sido feitos um para o outro. Jungkook arfou alto, apertando os olhos, até que por um instante uma imagem surgira na sua cabeça. Como Namjoon usara as pernas para partir ao meio Hang-ju. O pensamento repentino lhe trouxe uma avalanche de sentimentos, enquanto no mesmo instante ia tão fundo dentro dele que conseguia ouvir seus gemidos intensos quase sufocantes. O barulho do corpo sendo rasgado veio com tudo, no momento em que o sentiu entrar com a ponta da perna no seu cuzinho, e gozou intensamente dentro dele.

A noite tinha ido, dado lugar ao dia, e depois de algumas horas de sono, Jungkook despertara com o calor do Imperador-roxo junto ao seu. Ainda meio sonolento, olhara para baixo, vendo Namjoon deitado parcialmente em cima do seu corpo, de bruços, com uma das asas lhe cobrindo levemente. Fechando os olhos, passou uma das mãos nos cabelos, os tirando do rosto. A noite passada parecia ao mesmo tempo que real, apenas um sonho.

O gosto do híbrido ainda estava grudado na sua língua, seu cheiro impregnado em cada cantinho da sua pele, impossível de ignorar ou não sentir. No fim, a pior parte era que achava adorável tudo aquilo. Suspirando, levou a mão até o cordão com a linda pedra presa na ponta. Era um pingente delicado, porém forte, exatamente como o Apatura Iris. Girou o objeto em seus dedos, vendo as nuances do azul, e o brilho bonito, que remetia ao híbrido.

Deixando a pedra cair sobre o seu peito, suspirou sentindo Namjoon se mover suavemente. Fitou seu rosto, vendo os olhos preguiçosamente se abrindo, enquanto as antenas se mexiam em alerta, uma delas encostando suavemente no rosto de Jungkook. Sem nem mesmo perceber, levara a mão até os cabelos do híbrido, acariciando suavemente antes de tocar as anteninhas, que reagiram no mesmo instante, lhe fazendo rir suavemente.

— Bom... Bim doe.

Namjoon abrira um suave sorriso, bocejando.

Bim doe.

Ele murmurou, sentando na cama, começando a se espreguiçar. Ao mesmo tempo que seus longos braços se esticavam, as asas se abriram, e conseguira ouvir suaves estalos dos ossos provavelmente dormentes.

Dirmou bam?

Som.

O viu sorrir, e se levantar, caminhando pelo cômodo. Lentamente, deixou a cama, caçando suas roupas, as colocando enquanto o seguia. Com o auxílio do híbrido, descera pela enorme árvore, e teve a impressão que ele se divertia com a sua dificuldade, afinal poderia apenas voar lá para baixo, porém aparentemente queria lhe fazer sofrer um pouquinho.

Quando estavam no solo, se surpreendera ao encontrar outros Apatura Iris, andando em direções diferentes, começando o dia. Na descida tinha visto alguns, mas agora a cada segundo, um híbrido diferente descia das árvores, tanto machos como fêmeas. Nenhum deles tinha asas grandes como as de Namjoon, o que acreditava ser porque ele era o alfa. Outra coisa peculiar, era que na sua maioria, machos não tinham as asas azul meio violeta, mas sim marrom. Apenas fêmeas apresentavam a coloração chamativa nas asas, e aparentemente, o líder deles.

Falando nele, se voltara para o alfa do grupo, que andava poucos passos adiante, e os outros Imperador-roxo lhe cumprimentavam, parecendo sempre gentis. Jungkook não sentira nenhuma hostilidade em sua direção, porém, ao mesmo tempo, era como se fosse invisível. Ninguém notava sua presença, ou ao menos era o que parecia para ele. De qualquer forma, não era algo que lhe incomodava, sentia que passar despercebido era bom naquela situação.

Distraído demais com seus próprios pensamentos, mal percebera quando o ambiente mudara. A primeira coisa que lhe veio à mente, fora o cheiro. Era forte, e podre. Parou onde estava, vendo Namjoon seguir adiante no lugar que era abaixo de uma árvore curvilínea. Imediatamente a garganta se fechou. Corpos, haviam três corpos ali.

— O... O que...?

O híbrido pegara um pedaço da carne humana podre, a colocando na boca, mastigando. Jungkook arregalara os olhos, levando a mão à boca, dando passos para trás. O Apatura Iris se virou, e os olhos eram inocentes, gentis, doces. As bochechas cheias com a carne, e as anteninhas se movendo... Ele não sabia para onde olhar, não sabia o que fazer. Talvez a pior parte, era que sabia quem eram aqueles. Imagens horríveis de como Hang-ju havia sido rasgado ao meio vieram a sua mente, os barulhos, o desespero... Antes que pudesse se conter, estava curvado para frente, vomitando aquilo que nem mesmo tinha no estômago.

Enquanto tossia com força, e lágrimas escorriam pelas bochechas, vira Namjoon dar sinal de se aproximar, porém ergueu a mão.

Nei!

Gritara entredentes, e o vira parar onde estava no mesmo instante, os olhos pulando da inocência para arregalados, e em seguida para tristeza.

Nei... — repetiu mais baixo, sem saber se era para ele ou para si mesmo.

Dera alguns passos para trás, se virando, e desnorteado, começara a caminhar. Precisava sair dali, precisava respirar. O cheiro parecia invadir suas narinas, e embrulhava ainda mais o seu estômago. Os pés andavam tontos pela terra, e nem mesmo sabia para onde ia, apenas precisava se afastar. Não via nada à sua frente, era tudo apenas um borrão coberto por suas lágrimas. Respirar se tornara difícil, por mais que já estivesse razoavelmente afastado daquele lugar sombrio.

Ele andou por horas, ou talvez minutos, e em determinado momento, não sabia se andava em círculos, ou se simplesmente tudo parecia igual aos seus olhos cansados. Jungkook nem mesmo percebera o momento em que caiu na grama alta, nem quando o corpo cansado demais apenas revivia de novo e de novo cenas misturadas do último dia. Hora estava segurando Namjoon em seus braços, hora o via matar outras pessoas, ou se alimentar delas.

Em meio às lágrimas, alucinava com o Apatura Iris deitado ao seu lado naquele gramado, com o sol batendo suavemente em suas asas, as deixando violeta. Os olhos pareciam tão puros, e ao mesmo tempo frios.

— A-achei... que poderia... entender...

Riu fraco, fechando os olhos levemente. O ouvir falar sua língua com toda certeza confirmava a alucinação. Sua voz era tão melódica, e triste.

— Você os matou... e depois...

— E-eles... eles eram maus... Um tinha oferecido carne envenenada... O outro apontado uma arma... E o terceiro... Apenas queria... Usar... Me usar. — antes que pudesse dizer qualquer coisa, o ouviu continuar. — E então... veio você. Jung-kook... Um humano que falou comigo... que não... me tratou como uma coisa... ou como um objeto feito para se tirar fotos e exibir por aí como uma conquista... Apenas... me enxergou. Achei que... achei que você entenderia... Achei que... era o meu escolhido.

— Você... Isso é... — não conseguia encontrar palavras para descrever. — Não consigo...

Ainda de olhos fechados, sentia que vomitaria de novo, em uma mistura de horror com tristeza. Era como se fosse inundado, de novo e de novo, e nunca conseguisse escapar. A última coisa que se lembrava, era dos lábios de Namjoon tocando suavemente sua testa. Aquela fora sua última memória do híbrido, em muito tempo.

Sua boca se escancarou, e em som agonizante, puxara o ar com força, arregalando os olhos. Onde estava? Estava morto? Seu corpo parecia não ter acordado ainda, porém a mente jogava milhares de imagens diante dos seus olhos. Ficara por longos minutos ali, apenas olhando para aquele teto, sem saber direito o que tinha acontecido.

— Você tá acordado?

Virou o rosto, enxergando Yoongi saindo de uma poltrona, largando a manta no assento, e se aproximando. Seus olhos pareciam ter uma mistura de alívio e medo.

— Caralho! Você acordou!

Antes que pudesse dizer qualquer coisa, o vira correr para fora do quarto. Seus olhos ainda meio dormentes fitaram tudo à sua volta, entendendo que estava em um hospital. Olhando para baixo, movera as mãos, vendo um acesso no antebraço. Haviam alguns curativos espalhados por toda parte. Subiu o olhar pelo tubinho, chegando ao suporte onde o soro estava preso. Como tinha ido parar ali?

A porta do quarto se abrira, e além de Yoongi, mais duas pessoas entraram, uma delas era Hoseok.

— Seu puto! — exclamou se aproximando da cama. Definitivamente não estava ali como médico. — Quase me matou de susto!

A verdade era que Jungkook nem mesmo conseguia dizer alguma coisa, estava ainda em estado talvez de choque, ou anestesiado. Tudo aquilo de alguma forma não parecia real.

Parado em frente a janela, ele bebia um pouco de café, e observava a vista da cidade. Fazia duas semanas que deixara o hospital, porém ainda sentia certa estranheza, como se não tivesse voltado para o mundo real. Ao fundo, conseguia ouvir Yoongi mexendo em alguma coisa que não se importava no momento, e sabia que estava tentando conversar, mas ainda que quisesse, não conseguia.

— Dormiu bem?

Ouviu sua voz baixa e calma perguntar casualmente. Eram amigos fazia alguns anos, desde que se conheceram na faculdade para ser mais exato. Era fácil conviver com Yoongi, porque o híbrido de Leão era bem calmo e sereno, apesar de ter seus pequenos momentos de fúria, e alguns hábitos peculiares. No fim não era nada que Jungkook não conseguisse lidar.

— Mais ou menos. — respondeu honestamente. — Minha cabeça tá me matando.

— Hm. — fez uma pausa. — Os remédios não ajudam?

— É, ajudam.

Silêncio. Aquilo se tornara comum nas conversas entre eles. Poucas palavras trocadas antes de cada um ir para seu lado. Porém, naquele dia, algo seria diferente.

— Pode me contar... contar de novo sobre como me acharam?

Yoongi suspirou, parando de fingir afofar a almofada, sentando no sofá.

— Aparentemente te encontraram na entrada da floresta. Não se sabe direito como você foi parar lá.

Jungkook assentira com a cabeça, olhando para o café escuro na caneca. Sentia o corpo ansioso com alguma coisa, com alguém.

— Vou dar uma volta.

— Agora?

— Uhm.

Simplesmente deixara a caneca na mesinha de centro, pegando a chave do carro. Sabia que Yoongi lhe fitava com preocupação, mas precisava sair um pouco, respirar.

Os dias foram passando, e mais e mais ele se sentia sufocado. Sua insônia piorava a cada noite que passava, e começava a se sentir extremamente cansado, esgotado. De noite, começara a sair para pequenas corridas pelas ruas vazias, o que lhe dava um pouco de respiro, mas a sensação de que estava preso a alguma coisa inflava a cada minuto que passava. E em momentos como aquele, sua mão involuntariamente ia direto para o cordão, que nunca fora capaz de tirar do pescoço, por mais que quisesse.

Quando estava deitado na cama, rolava de lá para cá, e quando conseguia dormir, sonhava com ele. O cheiro doce inconfundível, seu rosto bonito e inocente, o corpo bronzeado forte e ao mesmo tempo delicado. Era como se lhe perseguisse em seus sonhos, nunca permitindo que descansasse.

Revivia de novo e de novo a cena onde Hang-ju fora simplesmente rasgado ao meio, e em seguida imaginava sua mão tocando as asas grandes e azuis do Apatura Iris, sentindo sua textura, que era exatamente como imaginava, macia, delicada. Sonhava com elas viajando pelos ossos estruturados das asas, seguindo até a pele, que era quente, aveludada, coberta pelo óleo, que facilitava suas mãos deslizarem por seus braços, costas, torso, quadril... Se imaginava tocando seu pau, e como seu corpo reagiria, quais barulhos faria, e como ele mesmo ficava excitado apenas com a pequena fantasia.

Enquanto seus lábios subiam pelas pernas, sentindo a ponta da língua formigar ao provar seu gosto — que combinava perfeitamente com o cheiro hipnotizante —, se deliciava com as sensações que se espalhavam por seu estômago, arrepiando a espinha. Era a coisa mais bela que seus olhos viram na sua vida, até que a imagem abaixo dele mudava. O chão onde as mãos estavam apoiadas, era invadido por um líquido viscoso, e o cheiro doce se misturava com o metálico. Sangue.

Era como se o Imperador-roxo estivesse em uma piscina de sangue. Suas belas asas abertas mergulhavam no líquido, e o rosto demonstrava a inocência, enquanto os lábios mastigavam um pedaço de carne como se fosse a melhor coisa do mundo. Jungkook arregalara os olhos, sentando nos calcanhares. Erguera as mãos trêmulas ensopadas com sangue, e então vira os corpos de Hang-ju e Cho, despedaçados pelo quarto que agora parecia estar afundando em sangue.

— Não...

Os olhos voltaram para o Apatura Iris, que engatinhava na sua direção, com os lindos olhinhos lhe fitando com curiosidade. As asas pingavam o líquido vermelho, e era gracioso como se aproximava, além de inocente.

Começara a ir para trás, até suas costas estarem contra uma parede. O coração disparava, medo e talvez ainda tesão corriam por suas veias. Fechou os olhos com força, com o rosto dele muito perto. Conseguia sentir a respiração quente contra seus lábios.

Jungkook...

Seus olhos se abriram imediatamente com a doce voz chamando por seu nome, mas tudo que encontrara fora o teto do quarto. O corpo tremia sem parar, e suava como se tivesse acabado de sair de uma sauna. Respirando fundo, se permitiu se esparramar pela cama, sentindo o pau duro entre as pernas, e o peito esmagado por tantos sentimentos contraditórios.

Ele não conseguia tirá-lo da cabeça. Não havia nada que fizesse com que seu foco ficasse preso por tempo suficiente. Sentia que estava enlouquecendo lentamente. Por isso, em uma manhã onde Yoongi já tinha saído para trabalhar, enquanto passava aspirador de pó pela sala, se pegou pesquisando sobre alguma notícia dos híbridos de borboleta. Estava distante do trabalho, e na verdade evitava perguntar ou ir atrás de qualquer coisa, exatamente por ter medo do que poderia encontrar como resposta. Porém, naquele dia, fora mais forte do que qualquer outro medo que existisse no seu subconsciente.

Desligou o aspirador, e sentando no sofá, se sentindo um pouco atônito com o que vira na tela do celular. Uma notícia dizia que há dois dias uma nova equipe fora levada a região do Imperador-roxo, em mais uma tentativa de conversa. O coração de Jungkook acelerou no mesmo instante. Porém, aparentemente o rumo das negociações se elevaram até chegar ao ponto de conflito. Tanto humanos como híbridos saíram feridos, ou mortos.

Um nó se formara na sua garganta ao ler aquilo. A primeira coisa que fizera, fora levar a mão até o pingente pendurado no seu pescoço, se perguntando se ele estaria bem. Nunca desejara por um conflito violento, na verdade toda sua carreira de diplomacia entre humanos e híbridos era dedicada exclusivamente a apaziguar ânimos, resolver problemas através de diálogo. Porém, lhe assustou que sua primeira preocupação fosse com Namjoon, não com os humanos.

Por impulso, abrira o chat com Chung-Ae. Os dedos digitavam freneticamente uma mensagem que esperava que ao menos soasse coerente. Poucos minutos depois, recebera uma resposta que aliviava, e ao mesmo tempo preocupava. Os híbridos tinham perdido o conflito, e alguns foram levados para a cidade, mas não se sabia do paradeiro do alfa, nem dos seus principais protetores.

Jungkook largara o celular no sofá, e suas pernas simplesmente começaram a andar em círculos no tapete da sala. Respirava fundo, enquanto massageava as têmporas. Sentia lágrimas surgindo nos olhos, em uma mistura de agonia e alívio. Era extremamente contraditório. Apesar de tudo, apesar de não se sentir pronto para enfrentar aquele mundo outra vez, não fora capaz de se negar a ir até o escritório quando Chung-Ae dera a entender que sua ajuda com um dos híbridos capturados seria bem-vinda.

Enquanto cruzava o escritório onde não aparecia há mais de um mês, e já parecia estranho aos seus olhos, sentia a boca seca. Fechava as mãos em punhos, as abrindo lentamente, tentando se livrar minimamente do nervosismo. Não tinha se dado ao trabalho de vestir o uniforme, porque saíra apressado demais de casa para ao menos cogitar trocar de roupa.

Se aproximou da porta da sala de Chung-Ae, batendo com os nós dos dedos, andando inquieto enquanto esperava. Instantes depois, ouviu o barulho da fechadura, e se virou, vendo a mulher que parecia um pouco abatida.

— Oi, JK. Vem, entra.

Passou por ela, acenando com a cabeça, e em seguida sentou na cadeira em frente a sua mesa. Os dois ficaram em silêncio por alguns instantes.

— Como...

— O que tá acontecendo?

Ambos falaram ao mesmo tempo, e Jungkook mordeu o lábio, olhando para baixo. Chung-Ae suspirou pesadamente, inclinando levemente a cadeira para trás.

— Honestamente, por mais que pareça uma "vitória", tudo aqui tá a porra de uma bagunça. Híbridos presos, alfa solto, gente morta dos dois lados...

Assentiu, brincando com a própria unha. Sabia que ela também não queria que a violência fosse a resposta para tudo, não era atoa que sempre aceitava trabalhos na sua equipe.

— Algum... Algum sinal dele? — murmurou a pergunta baixo, erguendo o olhar para ela.

— Não. Nenhum dos híbridos capturados quer falar. — apoiou a cabeça na mão, aparentando cansaço. — Tenho certeza que ninguém vai abrir o bico. Eles vão o proteger até a morte.

— Não... seria mais fácil apenas deixar pra lá? Agora já não importa mais onde ele foi. A merda já foi feita, e ele não tem mais casa.

— Eu queria que fosse simples assim. — respondeu suavemente. — Mas a verdade é que não sabemos o que ele pode fazer a seguir, e nesse momento, tudo que estou tentando fazer é evitar uma guerra.

Jungkook ficou em silêncio, olhando pela janela, com os cotovelos apoiados nos joelhos.

— Você... sabe o motivo de ter escalado para um conflito tão violento?

— Pelo que consta nos relatórios, foi descoberto que eles estavam mantendo os corpos do Hang-ju, Cho, e Jun-seo, próximo a casa deles, se alimentando.

Apertando o maxilar, olhou novamente para as mãos, sem dizer nada. Conseguia sentir o olhar de Chung-Ae no seu rosto.

— O que aconteceu naquela floresta, JK? — finalmente perguntou suavemente. — Como você tá aqui, vivo?

Jungkook sentiu os olhos se enchendo com lágrimas, e tomou coragem para encará-la.

— Já não importa mais. Só me diz o que posso fazer pra tentar ajudar.

Ouvindo o barulho da cela sendo destrancada, sentira um leve arrepio subir pela espinha. Puxou as mangas da camisa xadrez um pouco para baixo, e respirou fundo, vendo o guarda acenar. Lentamente, empurrou a porta, entrando no espaço que dava para uma das celas, onde um híbrido se encontrava sentado na cama, com os joelhos encolhidos contra o peito. As asas estavam fechadas, mas conseguia ver que uma delas parecia rasgada. Sentiu pena ao vê-lo naquela situação.

Ile, Taehyung. — disse suavemente, se aproximando da grade. — Ma chemi Jungkook.

Lentamente, o viu erguer o olhar, lhe encarando com os olhos cortantes. Os lábios pressionados em uma linha, e suas antenas movendo freneticamente, porém sem responder nada.

Sao qua e sotueçei a muoti cimplocede, mes pracosi qua ma ejuda.

— Ajude com o que, humano?

Se surpreendera ao ouvi-lo falar na sua língua, não esperava por aquilo.

— A encontrá-lo.

O híbrido riu sem humor.

— A matá-lo.

— Não, eu não vou...

— Ele tava te cortejando.

Jungkook arregalou os olhos, repentinamente sentindo o pingente pesar em seu pescoço.

— Ele tinha te escolhido. — prosseguiu. — Acreditava que você o entenderia, entenderia nosso povo. Idiota estúpido. Eu disse tantas vezes pra deixar pra lá, pra te matar e se alimentar, igual os outros humanos idiotas.

Era difícil de acompanhar, primeiro por causa do choque, segundo porque apesar do híbrido falar bem o idioma, às vezes ficava um pouco enrolado, principalmente quando começava a falar muito rápido. No fim, sua mente apenas ficara presa à palavra cortejando. Conhecia aquele hábito um tanto quanto antigo entre híbridos, onde começavam a dar presentes, e agradar a pessoa que tinha descoberto ser seu parceiro. Levou a mão ao peito, sentindo a pedra abaixo do tecido da camiseta.

— Onde ele está? — seu sussurro saiu grave, urgente.

Ele mais uma vez riu, talvez com deboche, e se levantou, andando até perto da grade.

— Eu nunca vou te contar, humano. Porque mesmo que eu morra, ao menos sei que ele estará vivo. — lágrimas começaram a surgir nos seus olhos. — Porque eu o amo de verdade, e não o quero nessas jaulas imundas!

— Não vamos o prender. Na verdade, estou procurando pela melhor solução no meio desta situação.

— Mentira. — cuspiu a palavra. — Nenhum humano quer resolver nada.

Por um instante, os dois apenas se encararam.

— Você o odeia tanto assim depois de saber uma parte dele que não te agradou, ao ponto de o querer morto?

Jungkook dera um passo para trás, sentindo o corpo começar a pesar uma tonelada. se virou lentamente, respirando fundo. Não, estava longe de odiá-lo, porém, não sabia como lidar com aquela parte.

— Por que você tá aqui, se não pra isso, humano? Por que razão iria o querer aqui, nesse lixo de lugar? — riu sem humor. — Vocês são todos iguais. Todos perversos, e egoístas.

— Eu não quero a morte dele! Não quero que fique em uma jaula. — respirou fundo, passando as mãos pelos cabelos. — Não quero que sofra...

Ambos ficaram em silêncio, até que Taehyung voltou a falar.

— Então apenas o deixe ir.

Aquela fora a última vez que vira um Apatura Iris, fora a última vez que estivera envolvido em assuntos diplomáticos relacionado a híbridos, fora a última vez que tocara no nome, e na memória de Namjoon.

A vida seguiu para Jungkook, de uma forma no começo automática, até que lentamente com a ajuda do seu melhor amigo, Yoongi, conseguira lentamente reencontrar algo que gostasse dentro daquela sua curta passagem pela Terra. Ele seguira em frente. Encontrara outro emprego, como gerente de uma livraria, conhecera uma pessoa que lhe fizera se abrir para o amor, e lentamente, fora se transformando naquilo que sou hoje.

Tenho 38 anos, e quase uma década se passou desde tudo que acontecera na floresta do Imperador-roxo. Algumas coisas mudaram, outras estavam exatamente do mesmo jeito. Até onde sei, os Apatura Iris que foram capturados, em sua maioria acabaram se entregando ao sistema, se integrando à sociedade. Era óbvio que não fora a solução mais satisfatória, e não fora bondade do governo. Houve uma pressão popular muito forte dos outros híbridos para que fosse feita a integração deles ao convívio com humanos e outras raças, e por mais que nunca conseguiram uma resposta sobre a localização do alfa, sabiam que executar uma espécie inteira não seria nem um pouco bom para a imagem pacífica que tentavam passar.

Durante os oito anos seguintes, quase nunca trombei com um Apatura Iris. Eles eram muito discretos, por causa do preconceito que enfrentavam diante uma sociedade tão distinta das deles. Em minhas poucas pesquisas, descobri que o hábito de comer carne podre fora estritamente proibido, além de obviamente, carne humana. Meu amigo Hoseok, vez outra me contara que atendera um ou dois deles, e como tinha que montar uma dieta balanceada para que os híbridos de borboleta não ficassem desnutridos, ou propícios a doenças.

Minha cabeça sempre acabava voltando para o alfa deles, e vez ou outra tinha sonhos com ele. A verdade era que sentia muito a sua falta, mesmo que fosse orgulhoso demais para admitir para mim mesmo. No fim, tudo aquilo que vivi ao seu lado, se tornara um segredo íntimo apenas meu e dele, onde quer que estivesse. Nem mesmo o meu marido sabia daquilo, tão pouco perguntava, afinal sempre fui muito superficial sobre o motivo de nunca tirar aquele colar, que por sinal, ainda não conseguia desapegar.

Havia um mito em torno do desaparecimento do temido Imperador-roxo alfa, e rolavam pelas bocas de contos noturnos, que um dia ele retornaria pelo seu povo, e os salvaria da desgraça humana. Eu sempre ria quando ouvia algo assim, porém no meu íntimo, às vezes me pegava esperando, parado na varanda da minha casa, como agora, enquanto termino de escrever este pequeno relato de uma história nunca contada.

Suspirando, larguei a caneta, e beberiquei o café que estava apoiado na mesa. Recostando na cadeira, observei a bela paisagem, enquanto minha mão ia até o pingente em meu peito. Brincando com ele por alguns instantes, revivi as memórias que ele guardava, desejando poder senti-las uma última vez. Olhando para baixo, senti meu coração martelando no peito, e puxei o cordão para cima, o retirando pela primeira vez desde que o ganhara. Respirei fundo, parecendo que tinha segurado o ar por todos aqueles anos. Ao mesmo tempo que sentia alívio, era doloroso.

Ainda hesitante, coloquei a delicada pedra em cima do caderno onde escrevia a pouco, observando como se transformava violeta conforme a luz do sol de fim de tarde batia. Expirei pela boca, limpando a garganta, e passando os dedos nos olhos, antes de ajeitar os óculos.

— Kookie!! A gente não ia assistir a série?

— Uh... É, sim vamos!

Respondi meu marido, e rapidamente me recompus, levantando da cadeira, indo para dentro, junto com a minha caneca de café. Passei o início da noite me divertindo, assistindo uma coisa qualquer com meu marido, ou talvez apenas o beijando, o amando. Quando passava da meia-noite, voltei para o lado de fora, meio grogue por causa da cerveja. Levando uma das mãos aos cabelos, andei a passos lentos até a mesinha. O cheiro doce que senti apenas uma vez na vida invadira minhas narinas com uma lufada.

Meu coração disparou contra o peito, e corri até a mesinha, ainda encontrando o caderno, porém o cordão tinha sumido. Olhei ao meu redor, desesperado, enxergando apenas o gramado. Antes que pudesse pensar direito, comecei a correr, não sabendo direito o que seguia.

— Namjoon!

Gritei seu nome, seguindo em direção às árvores. O desespero crescia no meu peito a cada passo que avançava.

— Namjoon! — proferi mais uma vez aquele nome que não dizia em voz alta há tanto tempo.

De repente, parei no meio do gramado alto, girando para todos os lados, buscando por qualquer coisa, qualquer sinal da sua presença. Apertei uma mão contra a outra, começando a respirar pesado pela boca, fechando os olhos. Lágrimas escorreram por minha bochecha, e fui incapaz de impedi-las. Porém, meus olhos se abriram assim que ouvi um barulho atrás de mim, e o cheiro doce aumentando gradativamente. Estava com medo de virar, ao mesmo tempo que sentia a ansiedade me sufocando.

Ile, Jungkook.

10 de Maio de 2021 às 22:21 0 Denunciar Insira Seguir história
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