kaka_leda Kaka Léda

Como um verdadeiro nerd, fã de histórias em quadrinhos e gamer, Park Jimin não sabe o que fazer com a sua irmã fujoshi. A menina, fascinada por romances gays, sonha em juntá-lo com algum garoto tão perfeito quanto os personagens que ela encontra em fanfics BL. Certo dia, após adentrar o quarto da pestinha, Park Jimin encontra um livro super erótico que se baseia no estranho e peculiar "Universo ABO". Decidido a ir atrás da garota para saber mais sobre aquela história, ele acaba sofrendo um pequeno acidente no meio do caminho e acorda no intrigante Reino de Adaman, bem na noite da Lua de Sangue! Após confusões e mal entendidos, Jimin é considerado pelo povo do local como uma entidade divina que lendas antigas descreviam. Ele agora era um Ômega, e, para o rei de Adaman, ele era o seu Ômega de Prata. ⇝ ABO (omega¡jm x alfa¡jk) (sope!alfa x alfa) | Monarquia | Fantasia ⇝ Tag da fic: #LoboDePrata


Fanfiction Bandas/Cantores Para maiores de 18 apenas.

#jikook #kookmin #abo #medieval #bl #bts #sope #pjmjjk #jjkpjm #omegaverse #btsfanfic #btsfic
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|1|♛|O “Era uma Vez…” Não Existe!|

Sejam bem-vindos à minha fic ABO Jikook!

• Para acessar o Trailer, a playlist e as informações da história, entre outras coisas bem legais, procure pelo meu carrd no meu perfil, pois elas tudo está lá 💜

Boa Leitura!


~♛🌕🌖♛🌘🌑♛~


Para Park Jimin, poucas coisas são piores do que ser um garoto gay numa sociedade conservadora. Definitivamente não é fácil ter que se reprimir o tempo todo, até mesmo quando se está gostando de alguém. Gostando de verdade.

No entanto, no caso dele, um pouco pior do que isso é ser um garoto gay numa sociedade conservadora e, contraditoriamente, ter uma irmã mais nova que é viciada em ler romances… Gays!

“Ah, mas isso não deveria deixar a vida de Park Jimin mais fácil?” O rapaz às vezes também pensava exatamente assim, porque, afinal de contas, ele acabava tendo alguns privilégios, como o apoio e a aceitação de um membro próximo da família. Porém, ser irmão mais velho de uma pirralha maluca e fujoshi¹ como Park Yeseo lhe dava nos nervos o tempo todo, 24/7, desde o dia em que ela descobriu sobre a homossexualidade de seu querido oppa².

Daquele momento em diante, Yeseo passou a formular uma tabela de garotos que seriam perfeitos para Park Jimin, traçando metas de como juntar o seu irmão com o vizinho, ou com o cantor do bar da esquina. Qualquer homem que parecesse minimamente gay perto de Jimin, Yeseo ia lá e shippava os dois, criava fanfics, desenhava-os aos beijos e etc.. Era realmente problemático.

Eu não deveria ter me assumido para ela ainda, Park Jimin pensava a todo instante, sentindo o gosto do arrependimento.

Ainda que, no meio dessa loucura arquitetada por sua irmã caçula, Jimin tenha conhecido alguns rapazes legais, tais envolvimentos sempre acabavam rapidamente, porque Yeseo simplesmente não parava de se intrometer nos encontros e passeios que aconteciam entre esses caras e o seu irmão mais velho. A garotinha era curiosa demais e, digamos, sonhadora em demasia, pois sempre tentava trazer para a realidade os casais homossexuais que ela encontrava nos romances que lia e impor tais narrativas à vida amorosa de Park Jimin.

— Entenda, pela milésima vez, nenhum daqueles caras vai atravessar aquela porta e gritar que está apaixonado por mim, porque, primeiro: Você não me deixa namorar em paz; segundo: A vida real não é esse conto de fadas que você imagina; e terceiro: Ninguém em sã consciência faz isso, Yeseo-ah — disse o jovem Park, bagunçando a cabeleira da irmã caçula, que estava sentada ao lado dele no sofá.

Os dois discutiam sobre mais um dos quase relacionamentos de Park Jimin que iam por água abaixo.

— Quem está apaixonado não fica com a consciência sã, oppa… Eu sei que aquele surfista com quem você saiu por último estava tãaao na sua. Ele vai voltar, eu sei que vai! — a menina Yeseo deu pulinhos, fazendo as almofadas do sofá se agitarem.

Jimin então passou uma mão no rosto e revirou os olhos. Ele só queria que aquela menina desistisse de uma vez por todas daquela história de namoro gay e o deixasse sozinho, lendo a sua HQ preferida de Morbius, um super vilão vampírico pouco conhecido se comparado a outros vilões. Não que isso fosse ruim, Park Jimin adorava coisas nerds exclusivas e raras.

Porém, Park Yeseo tinha 12 anos de muita teimosia. Ela afastou a HQ das mãos de Jimin e se deitou sobre ele, choramingando.

Jimin então suspirou fundo e continuou a ler, mas parte de seus pensamentos continuaram naquela discussão.

— Olhe, Yeseo… Você tem que ser um pouco mais realista, porque daqui a pouco será uma adulta. Para pessoas como eu, as coisas não são como naquelas séries BL’s³ tailandesas que você assiste. Tipo, eu não vou encontrar o amor da minha vida só batendo o olho em alguém. É difícil se aproximar de outro cara, porque eu não sei se ele também vai se interessar por mim ou se vai ser um imbecil homofóbico comigo, entende? — o rapaz dizia calmamente enquanto encarava a imagem do vampiro Morbius desenhado na capa da HQ.

— Eu sei… — Yeseo murmurou, tristonha — Desculpa… E desculpa por eu ser tão intrometida, é que é tão difícil ver um casal de meninos aqui onde moramos… E eu acho tão bonitinho…

Park Jimin acabou sorrindo, achando a irmã caçula uma gracinha.

É, eu tenho sorte de ter a Yeseo… Ele concluiu naquele momento.

A menina então se afastou, finalmente deixando o seu irmão sozinho no sofá, lendo a HQ. Mas antes de sair para se trancar no quarto e ler uma ótima fanfic, Yeseo fez o pequeno comentário:

— O mundo seria bem mais interessante e simples se o universo ABO fosse real, humpf... — ela bufou, lamentosa, e subiu para o segundo andar da casa.

Quando Park Jimin escutou aquilo, ele contraiu as sobrancelhas, exibindo um semblante confuso.

“Universo ABO”? O que é isso…? É um desenho? … Eu só espero que seja infantil, a Yeseon anda vendo muita coisa imprópria pra idade dela… Jimin pensou consigo mesmo e passou a página da HQ para ler a seguinte.


🌕🌖♛🌘🌑


Mais tarde, naquele mesmo dia, Jimin fazia as atividades de seus colegas do curso de química, pois ganhava uma boa grana por cada página respondida. O rapaz usava esse dinheiro para juntar fundos que futuramente pagariam novas HQ's, mangás, videogames e etc..

Enquanto respondia às questões – fáceis demais para o seu intelecto promissor –, ele debatia, através do celular, com o seu amigo do grupo de RPG de um jogo online.

— Aigoo, Taehyung! Como você espera que eu defina as posições da próxima partida? O nosso grupo tem pouca gente, sempre vai sobrar uma vaga. A gente precisa achar alguém bom pra fazer parte dos Wolf — esse era o nome do quarteto que se reunia todo final de semana para uma competição online. Jimin tinha perseverança o bastante para sonhar que um dia levaria os seus amigos a um campeonato oficial.

Quando o jovem gamer e estudante se distraiu para girar a cadeira de rodinhas onde estava sentado, a senhora Park, sua mãe, adentrou o quarto lhe trazendo um sanduíche com um copo de leite quente.

— Ma-mãe! — Jimin inconscientemente ficou tenso e fechou o site do notebook onde respondia às questões das outras pessoas de sua turma, pois ele não queria que os seus pais soubessem sobre as suas pequenas trapaças. Jimin também desligou a ligação com Taehyung, num ato acidental.

— Fazendo trabalho da faculdade, querido? — claro que a senhora Park não descobriria tudo com somente uma olhada. Ela apenas sentia muito orgulho de seu filho inteligente.

— Claro, ma-mãe, hehe... — ele disse enquanto pegava o copo e o prato de comida das mãos da mulher — O que foi? A senhora sempre me manda ir buscar o lanche na cozinha…

— Hmm, é que eu preciso que você faça algo pra mim — ela disse, com um sorriso maroto.

— Ah, entendi… E o que é?

— A sua irmã foi à casa de uma amiga da escola para fazer um trabalho. Parece que hoje também é o aniversário dessa menina, e a Yeseo se esqueceu de levar o presente. Pode ir entregá-lo? A casa da garota fica a três quadras daqui. O seu pai já saiu para o trabalho, e eu tenho que terminar de fazer os bolos que a vizinha encomendou... — a senhora Park disse.

— Hmm, tá bem… Vou aproveitar pra dar uma corrida no caminho — Jimin decidiu.

Depois de comer o sanduíche e beber o leite, e de trocar as roupas folgadas de ficar em casa pelas de academia, Park Jimin andou até o quarto de Yeseo para pegar o tal presente que a garotinha havia se esquecido de levar.

“A Yeseo disse que tinha deixado o pacote em cima do guarda-roupa”, a senhora Park havia falado para ele.

Quando entrou no quarto da irmã caçula, ele se deparou com muitos arco-íris espalhados pelo cômodo, um forte cheiro de perfume doce, vários bichinhos de pelúcia sobre a cama e dezenas de pôsteres de animes e séries BL’s.

Aquele lugar era bem diferente do quarto do jovem Park, que tinha um cheiro mais cítrico e ameno, com action-figures decorando a sua estante de livros e HQ’s, e uma parede ilustrada com algumas artes oficiais do jogo Destiny.

Park Jimin atravessou o recinto fofo e colorido até chegar ao guarda-roupa de Yeseo. Já avistando o presente acima das colchas de cama dobradas, bem no topo do móvel, o rapaz se inclinou para alcançá-lo, erguendo a mão até tocar o pacote brilhante. Quando conseguiu, Jimin o puxou e, sem querer, acabou trazendo junto algo que estava guardado bem atrás.

Tratava-se de um livro que, infelizmente, tinha uma capa dura e muitas páginas. O puxão dado por Park fez aquele objeto voar para cima dele, atingindo em cheio a sua cabeça. Jimin caiu no chão com tudo e viu estrelas durante um minuto inteiro por causa da pancada.

— Meu Deus do céu, mas que porr… — o jovem Park olhou para o lado e viu o livro escancarado sobre o tapete do quarto. Uma figura peculiar chamou a sua atenção e o fez se esquecer momentaneamente do hematoma latejante em sua testa.

Na figura continha dois homens aos beijos.

Okay, isso não era algo incomum de se encontrar no quarto de Park Yeseo, e nem era realmente problemático; porque, afinal, desde pequenos somos acostumados a ver casais héteros se beijando, então casais LGBT’s também deveriam ser tratados da mesma maneira.

Acontece que o beijo não era apenas um beijo… Os dois homens estavam nus, e um deles parecia estar se transformando numa fera, com garras, pelos, olhos vermelho-incandescentes e um rabo lupino. Era um desenho bastante erótico e intenso para estar num livro de uma garotinha de 12 anos.

— Park Yeseo, o que você anda lendo…!? — Jimin começou a folhear as páginas, passando os olhos pelos desenhos que decoravam os parágrafos.

Alguns eram comuns e bem bonitos, como a figura de um reino imenso e de um castelo majestoso que tomava duas folhas inteiras daquele livro. Já outros eram tão reveladores e de arregalar os olhos que Jimin ficou boquiaberto.

Onde foi que ela arranjou esse livro??? O jovem Park estava perplexo.

Ele então foi atraído pelo título do capítulo chamado “Introdução ao Universo ABO”.

— “Universo ABO” — Jimin se lembrou do comentário que Yeseo havia feito horas atrás naquele mesmo dia.

Quando ele leu algumas linhas daquela página, os seus olhos praticamente saltaram das órbitas:

“Quando o cio do indivíduo alfa se inicia, ele vai atrás de seu ômega como uma fera sedenta, podendo chegar a matar se isso for necessário para alcançar o seu parceiro. Quando o encontra, o alfa toma para si o ômega por uma semana inteira, na qual se envolvem em profundas noites de amor, luxúria e instinto. O anseio da carne queima principalmente entre os casais predestinados, atados para sempre com o vínculo.”

— Jesus… — Park Jimin estava perplexo.

Então existiam esses tipos de leitura?? Jimin achou a coisa mais estranha do mundo. E não só isso, ele ficou em choque com o fato de que a sua irmã de 12 anos estava lendo um livro tão… Adulto.

— Park Yeseo, você está frita! — Jimin disse e se levantou num salto, colocando nos braços o presente e aquele livro absurdo.

O rapaz iria até a casa da amiga de Yeseo e questionaria à sua irmã sobre a existência daquele exemplar infame e erótico que ele havia encontrado entre as suas coisas. Como irmão mais velho, ele tinha o dever de prezar pela inocência e infância daquela pirralha fujoshi.

Park Jimin então saiu do quarto com aquela carga e atravessou a casa parecendo um caminhão desgovernado. Ele aproveitou os tênis que estava calçando para fazer uma ligeira corrida pelo atalho que o levaria diretamente até a quadra onde se localizava a casa da amiga de Yeseo. Tal caminho passava pelo meio de um parque que havia no centro do bairro. Lá era bonito, cheio de árvores com folhas coloridas, arbustos podados, bancos para socializar e brinquedos infantis.

O parque sempre era bastante movimentado, e Park Jimin gostava muito da presença de tantas pessoas enquanto fazia os seus exercícios por ali. No entanto, curiosamente, naquela tarde o lugar estava completamente deserto.

— Ué… Que esquisito — Jimin disse enquanto se movia por um caminho de pedras que adentrava uma área cercadas por plantas e árvores robustas. Ali, ele notou, parecia ainda mais silencioso e vazio, nem o som das cigarras podia ser ouvido, e uma neblina úmida começou a envolvê-lo.

Com o cenho franzido, o garoto pensou em dar meia volta e seguir por um caminho diferente. Não que Jimin fosse medroso, longe disso, mas ele se sentia apreensivo de alguma maneira.

Foi então que, quando Park Jimin se virou para retornar, ele tropeçou numa raiz exposta e foi direto ao chão. O rapaz apagou logo em seguida.

🌕🌖♛🌘🌑

Já era noite quando ele acordou, e, curiosamente, nenhum transeunte havia passado por ali e visto o garoto adormecido e machucado entre os arbustos do parque.

A neblina parecia mais densa e o frio atravessava as suas roupas, lhe arrepiando os pelos do corpo inteiro. Park Jimin tremeu enquanto se erguia para sentar-se na grama coberta por orvalho.

Aish… — ele resmungou, sentindo a testa latejar por causa do corte fresco que havia nela.

Jimin tateou os seus bolsos atrás do celular, para ver que horas já eram. Quando o encontrou e pressionou a tela para ligá-la, o aparelho brilhou e o relógio foi exibido. Para a sua completa surpresa, já passava das dez horas da noite.

— Co-como assim…? Eu apaguei esse tempo todo!? — o rapaz exclamou, e logo foi atingido por outra dor na cabeça. A pancada provocada pela queda havia sido forte, Jimin concluiu que a sua testa devia ter atingido a ponta de uma das pedras espalhadas pela relva verde.

Ótimo, ele pensou ironicamente, ao se lembrar de todas as coisas que deveria ter feito naquela tarde.

Já está tarde, é melhor eu voltar para casa, depois discuto sobre esse livro com a Yeseo… Jimin decidiu, levantando-se da grama com um pouco de desequilíbrio.

Assim que colocou o pacote de presente e o grosso livro nos braços, o garoto saiu andando, pegando o caminho de volta para casa.

Depois de vários passos pela trilha que surgia em sua frente, Park Jimin começou a achar algo completamente estranho, bem mais do que antes de ele desmaiar. A trilha agora se desfazia, o calçamento aos poucos sendo substituído por pedras comuns dispostas de maneira aleatória, como se estivessem ali pela ação da natureza, e não pela da humana. As árvores também pareciam maiores e com copas densas, como se jamais tivessem sido podadas. Aquela travessia agora mais poderia ser considerada como uma trilha através da mata selvagem do que por um parque no meio de um bairro civilizado.

Jimin então ligou a lanterna de seu celular com a intenção de obter uma melhor visão do cenário diante de si. Ele notou, já assustado, que não havia banquinhos e nem brinquedos infantis, apenas floresta, floresta e floresta. A Lua cheia estava acima dele, iluminando o céu noturno com um brilho esquisito, quase vermelho.

— Uma Lua de Sangue nesta época? — Jimin se perguntou, referindo-se ao fenômeno natural que vez ou outra tornava a Lua um pouco avermelhada. Mesmo sendo um cara da ciência, o jovem Park gostava de usar esse termo dramático para se referir ao evento.

Depois de muito andar, sem conseguir sair daquela mata escura e ostil, o garoto decidiu recorrer ao GPS do celular.

— Ei, Mobiu — Jimin chamou o androide assistente de seu celular. Ele o havia batizado com esse nome em homenagem, é claro, a Morbius das HQ’s.

Boa Noite! — a tela do aparelho se acendeu ao mesmo tempo em que a voz artificial dele cumprimentou o jovem Park.

— Me diz onde estou… — o garoto fez o comando.

Em dois segundos o celular vibrou em sua mão.

Sem conexão com a internet. Procure um ponto de acesso. Gostaria de ouvir as suas músicas salvas enquanto isso? — o assistente sugeriu com o seu cavalheirismo pré-programado.

Jimin não respondeu, ele apenas encarou a barrinha vazia no canto superior do smartphone e se deu conta de que realmente não havia sinal nenhum naquele lugar.

Estranho. Estranho demais!

Poderia ele ter sido arrastado para aquele lugar por alguém com más intenções? Ou que teve vontade de lhe pregar uma peça? Jimin não conseguia pensar em nada mais lógico.

Foi então que os seus sentidos atormentados captaram um som a alguns metros de onde ele estava. Jimin apressou o passo para tentar se aproximar e ver se encontraria alguém que pudesse ajudá-lo.

Nessa hora, um grande vulto surgiu das sombras da floresta. Park Jimin não estava preparado para visualizar a aparição de um jovem homem montado num enorme lobo cinzento. A fera quadrúpede corria à toda velocidade, mas o homem sobre ela não se desequilibrava. Além disso, ele parecia estar segurando algo em seus braços enquanto olhava para trás com um semblante tenso, como se estivesse fugindo de algo.

Aquela dupla esquisita e apressada passou na frente de Park Jimin na velocidade do som. Por um nanosegundo, ele e o jovem homem trocaram olhares assustados e surpresos.

Park Jimin, com a sua lanterna e bagagem, ficou ali paralisado com a cena. Ele nunca antes havia visto alguém montar num lobo, e nem um lobo tão absurdamente grande!

Em seguida, vindo da mesma direção em que o cavaleiro do lobo tinha surgido, apareceram dezenas de pessoas vestindo roupas de batalhas medievais que fariam jus a um episódio de Game of Thrones. Elas carregavam lanças e espadas cujas lâminas refletiam a Lua Cheia. Por um instante, Park Jimin hesitou.

Não podem ser armas reais, não é? Hahaha… Ele pensou, um tanto nervoso.

O garoto então imaginou que, de alguma maneira, ele havia adentrado um set de filmagens no meio de Seoul. Pela qualidade das roupas e por estarem usando, inclusive, um lobo real para as cenas de ação, aquilo devia ser uma grande produção.

Quando as dezenas de pessoas trajando vestes de guerreiro chegaram alguns metros próximo a Park Jimin, elas paralisaram e o encararam confusas, mas sem abaixar as armas.

— Oi! Boa noite! Desculpa estar interrompendo a gravação do filme de vocês, mas estou perdido. Alguém sabe me dizer que bairro é este? — o jovem disse, inocentemente.

Os guerreiros se entreolharam, franzindo o cenho, e então um deles gritou.

— Não percam tempo! PERSIGAM-NO!

Aquela multidão irada voltou a correr no mesmo instante, erguendo as suas lâminas, dispostas a passar por Jimin sem nenhuma hesitação.

Com isso, o garoto ergueu os braços, numa atitude corporal automática de defesa, e, assim, ergueu também a mão que segurava o celular com a lanterna ligada. A luz branca e forte do aparelho atingiu em cheio os olhos dos guerreiros, que gritaram assustados e deram vários passos para trás.

— É um demônio!?

— Não, não! Hoje é a Lua de Sangue, então só pode ser ele!

— O ser das lendas??

— Será que é ele mesmo!? — aquelas pessoas falavam de Jimin. Mesmo segurando lanças e espadas, elas pareciam bastante intimidadas.

Do que esses caras estão falando? Park Jimin pensou, engolindo em seco. Ninguém ali parecia ser mentalmente normal para o rapaz.

Até que um deles começou a se aproximar dele, dando um passos de cada vez, como se estivesse chegando perto de um leão esfomeado.

Quando ficou a um braço de distância de Jimin, o homem exibiu um sorriso trêmulo que tentava ser confiante.

— Se-se fosse mesmo ele, um exército de seres da floresta te-teria sido i-invocado. O rei de Adaman deve estar querendo nos de-despistar — ele disse, nessa hora Park Jimin até abriu a boca para questionar sobre aquela loucura toda, mas o guerreiro maluco elevou o tom de voz para falar com o garoto, como se faz quando se está desesperado — VOLTE PARA ONDE VOCÊ VEIO!

O grito estridente assustou o jovem Park e acionou o sistema do celular mais uma vez, o qual reconheceu a palavra “volte” da fala do homem e buscou entre as músicas da playlist de Jimin uma cujo título continha algo referente ao verbo “voltar”.

Em dois segundos a música Back in Black, do AC/DC, ressoou em último volume no meio da floresta, para o assombro de todos, exceto de Park Jimin. O som da guitarra, na cabeça daqueles guerreiros, se assemelhava a rugidos de animais ferozes, a bateria era como trovões vindos do além e a cantoria do vocalista Brian Johnson era como uma invocação poderosa e cheia de ira.

As dezenas de guerreiros então saíram correndo, fugindo de Park Jimin e da ameaça que viam nele. Alguns ainda gritaram: “É ele!”, “Ele surgiu!”, “Ele veio nos matar!”.

Quando sumiram na mata e tudo ficou em silêncio novamente, Jimin piscou, atordoado, e contraiu as sobrancelhas.

— Que merda acabou de acontecer…? — a cabeça dele girava como um carrossel.

O garoto parou a música do celular e suspirou fundo, se dando conta de que teria que encontrar o caminho de casa sozinho. Mas como? Ele se perguntou. Estava tarde e a noite era fria demais. Não havia sinais de casas por perto, aquele lugar quase parecia ser uma floresta sem fim.

Enquanto Jimin se remoía em pensamentos atrás de uma solução para o seu grande problema, a figura que tinha surgido mais cedo, aquele jovem homem montado sobre o lobo, estava escondido atrás de um arbusto coberto pela neblina da noite, e observava Park Jimin com um ímpeto crescendo em seu peito.

Acontece que, desde o momento em que cruzou olhares com o garoto, aquele jovem homem sentiu a necessidade de se manter por perto para ver o que aconteceria. Ele assistiu a tudo, desde o momento em que a lanterna iluminou os soldados até quando AC/DC balançou os tímpanos de todos. E, assim como os corações dos guerreiros que saíram correndo, o dele também bateu mais forte.

A Lenda… Então ela é real…? O jovem pensou, com um misto de euforia e nervosismo queimando em suas veias.

Um minuto depois, Park Jimin escutou os passos e olhou para trás. Com isso, ele viu a desconhecida figura masculina sair detrás do arbusto. O garoto saltou para longe, levando um susto, e levantou os braços numa pose de defesa que ele viu personagens de jogos fazerem várias vezes quando iam lutar.

— O-olá... — Jimin usou um tom cauteloso para falar com o jovem desconhecido que saiu das sombras — Você sabe que lugar é este? Eu preciso achar a minha casa…

— Casa...? — o desconhecido falou, e, logo em seguida, arregalou os olhos em júbilo, como se tivesse entendido algo — Lar!?

— An? É… Lar. Sim, o meu “lar”. Quero encontrar o meu lar — Jimin tentou usar a palavra para se comunicar melhor com o outro rapaz, pois ele parecia entender melhor dessa forma.

No entanto, para a sua completa confusão, aquele estranho ficou com uma expressão ainda mais estranha no rosto, a qual era um misto de compreensão, assombro e agitação.

— A Lenda é real… Ela é real! — o jovem homem arfou, passando a mão nos cabelos, tirando o suor da testa. Ele então olhou para cima e encarou a Lua vermelha, que, naquele momento, saiu detrás de uma nuvem e iluminou aquele canto da floresta com o seu brilho escarlate.

Nessa hora, Park Jimin viu mais detalhes do jovem em sua frente. Ele, assim como as pessoas que haviam aparecido antes, usava trajes medievais de batalha, mas com diferenças um tanto gritantes. A armadura delineava melhor o corpo – ou seria o corpo robusto e forte dele que fazia a vestimenta parecer mais anatômica? –, e era bem mais elegante, com a superfície preta sendo decorada por detalhes padronizados e revestidos com uma camada cinza, cheia de pedras vermelhas. Era tudo tão brilhante que fez Park Jimin se perguntar se aquilo poderia ser prata e rubi de verdade.

Além das roupas, a aparência dele definitivamente era distinta. A sua pele clara acabou rosada devido à cor da Lua, e os seus cabelos negros refletiram aquela luminosidade carmesim em algumas mechas, as quais desciam até alcançar o maxilar e flutuavam ao redor de sua cabeça pela ação do vento noturno. Enquanto o jovem desconhecido encarava o satélite natural acima deles, Park Jimin também não deixou de reparar no fato de que os olhos daquele indivíduo eram belos, grandes, escuros e pareciam maravilhados com algo. Estavam felizes até.

— Er… Com licença… — Jimin teve que chamar a atenção do outro, pois parecia que aquela situação iria durar a noite toda se ninguém se dispusesse a tomar a palavra.

De imediato, o jovem homem voltou a encarar Park Jimin, dessa vez um tanto desconcertado por ter se distraído há poucos segundos.

Já certo de que eles teriam, enfim, uma conversa produtiva, Park levou um susto quando viu o rapaz em sua frente se ajoelhar, num só joelho, abaixar a cabeça, numa reverência, e colocar a mão sobre o peito, no lugar onde fica o coração.

— Esperamos por Vossa Magnificência há três gerações lupinas. Fu-fui preparado a minha vida inteira para este momento tão surreal, mas as palavras me fogem no momento, pois o meu coração salta de minha boca — aquele estranho falou, sem erguer a cabeça.

— O quê? Espera aí… — Jimin deu um passo para trás, se dando conta de que estava lidando com outro maluco.

— Assim como as tábulas dizem: “Ele virá sob a luz vermelha da noite, trazendo consigo o brilho da Lua e as vozes de seu exército espiritual. Ele virá para deixar a sua sabedoria celestial aos desprovidos e encontrar o seu lar. Ele virá para proteger, fortalecer, guiar e se unir ao Alpha soberano nos dias de tempestade que abraçarão Adaman” — o outro falou, contendo a emoção da fala.

O jovem homem então se levantou, quase num salto, e sorriu para Jimin, exibindo dentes branquíssimos e esticando lábios sedosos.

— É você… Os céus lhe trouxeram para mim — ele disse, em júbilo — … É o meu Ômega de Prata.


Tag da fic: #LoboDePrata

~♛🌕🌖♛🌘🌑♛~


¹Fujoshi: Garotas que adoram shippar homens, amam yaoi, shounen ai, BL, romances gays em geral. Resumindo: eu.

²Oppa: Maneira de meninas tratarem homens mais velhos, geralmente irmãos ou garotos próximos, como amigos ou namorados.

³BL: Boys Love, romances entre garotos.


🌖♛🌘


Olá, pessoal, aqui é a Kaka.


Sou nova nesta plataforma, vim aqui atrás de um pouco mais de segurança para as minhas fics depois de presenciar algumas sendo excluídas injustamente no site laranjinha ao lado (W). Tentarei atualizar esta fic ao mesmo tempo em que atualizo lá, já peço desculpas por qualquer erro que eu cometer por aqui, pois ainda estou aprendendo a mexer no Inkspired sksksksksks.

Por favor, deixe seu VOTO (é só clicar naquele coraçãozinho, eu acho kkkk) e comente para ajudar esta escritora. Obrigada!!

8 de Maio de 2021 às 15:11 6 Denunciar Insira Seguir história
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Leia o próximo capítulo |2|♛|Mas ele não é um Ômega|

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Alex Evans Alex Evans
Eu passei tanto tempo enrolando pra ler a fic lá no laranjinha, me arrependi demais quando baniram ela e não achei mais notícias de ti, fiquei muito feliz agora que te encontrei aqui, sério, sua escrita é perfeita!
September 12, 2021, 21:50
Mia Mia
Adoreii, com certeza vou continuar
August 04, 2021, 11:41
Jd Joana dArc
Já tinha ela na minha biblioteca do outro aplicativo mas nunca tinha lido . Fiquei bem feliz de ter dado uma chance a essa estória , adorei sua escrita e também adorei a personalidade do jimin , ele ainda vai se meter em cada coisa 😆
May 31, 2021, 20:25
Amy Vante Amy Vante
Vou continuar apoiando você em outras plataformas também
May 15, 2021, 09:02

jM jprecious Mendes
Primeiro capítulo muito bom, seguirei lendo
May 14, 2021, 21:21

  • Kaka Léda Kaka Léda
    Obrigada, e obrigada pelo comentário❤❤ May 15, 2021, 02:50
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