miriam-santos1620477285 Mirah Flor

Júlia e Rafael são amigos desde bem pequenininhos, e cresceram melhores amigos, Juntos eles vivem grandes aventuras acompanhados de seu cãozinho Greg. Eles adoram brincar no quintal da casa de Júlia, eles sempre ganham roupas especiais feitas por dona Zefa, avó de Rafael, para usarem nas suas aventuras. Júlia e Rafael gostam de imaginar que o quintal é um mundo cheio de aventuras, esperando para serem vividas. Uma das brincadeiras preferidas desses dois é fingir que no quintal existe uma passagem secreta para outra dimensão. Nessa história eles irão aprender que A verdadeira aventura começa no coração.


Infância Todo o público.
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O Reino Cinza

Júlia e Rafael estavam brincando normalmente no quintal.
— Rafael vamos explorar o jardim? — pergunta Júlia.
— É claro, vamos pela passagem secreta — diz Rafael.
— Isso, vamos lá — Júlia diz empolgada.
Júlia e Rafael passaram por um vão que havia no jardim, o vão sempre saía na casa de Rafael.
Mas dessa vez alguma coisa mágica aconteceu.
Os dois entraram e saíram em um lugar muito estranho, parecia outro mundo.
— Nós finalmente conseguimos, estamos em outra dimensão! — diz Rafael.
— Uau! Que lugar esquisito! É tudo cinza! — comenta Júlia.
— É assustador! Nós já tivemos nossa ventura, agora vamos embora... — Rafael fala assustado.
— Espera, seu medroso, Você não queria viver uma aventura?
Agora nós vamos viver — diz Júlia
— Xiii isso não vai dar certo.
— Deixe de bobagens, já está dando certo, vamos — fala Júlia.
Os dois caminharam pelo lugar para ver o que havia de errado.
Tudo era sem cor, e os moradores, não sorriam, nem brincavam, e não havia árvores, nem flores, até o céu estava cinza.
— Alguma coisa está muito errada nessa cidade — comenta Rafael.
— Olha lá, vem vindo alguém — fala Júlia.
Era Cliverton um menino que morava cinzópolis.
— Olá, quem são vocês? Não são daqui, não é? Que roupas estranhas são essas? — pergunta Cliverton.

Júlia e Rafael ainda estavam vestindo as fantasias de pirata que dona Zefa tinha feito para eles.
— Calma, uma pergunta de cada vez fala Júlia.
— Olá, eu me chamo Rafael, e esta é minha amiga Júlia, nós chegamos aqui pela passagem no nosso jardim, e essas roupas são fantasias de piratas — responde Rafael.
— Por que a cidade não tem cores? E ninguém sorri? — pergunta Júlia curiosa.
— Que cores? A única cor que conheço é cinza, e o que é esse tal de sorriso? — fala Cliverton.

— Você nunca sorriu? — pergunta Rafael.
— Acho que não, desde que eu nasci, mamãe diz, que quem der esse tal de sorriso morre. Aqui é proibido sorrir. Por isso ninguém na cidade faz isso — comenta Cliverton.

— Mas que bobagem! Sorrir não mata ninguém! — exclama Júlia.
— É sorrir faz muito bem, minha avó sempre diz que quem sorri vive mais — fala Rafael.
— Mas e as árvores? E as flores? Onde estão? — pergunta Júlia.
— Eu não sei o que são estas coisas. Aqui na cidade muitas coisas já não existem mais, algumas coisas morreram, e tudo foi ficando cinza, e nenhuma das crianças conhece outra cor — comenta Cliverton.

Julia e Rafael ficaram muito tristes com o que Cliverton contou, ninguém merecia tanta tristeza, como conseguiam viver sem sorrir, sem sentir o perfume das flores, e sem ver o céu azulzinho?
Juntos eles decidiram que precisavam ajudar Cinzópolis a ser feliz.
— Nós vamos ajudar vocês! — fala uma Júlia empolgada.
— Mas precisamos saber o que ainda sobrou da natureza — comenta Rafael.
— Mamãe sempre diz que a velha sábia, conhece tudo — Cliverton diz.
— Velha sábia? Porque vocês falam desse jeito, não seria melhor dizer idosa? — pergunta Júlia.
— Não, este é o nome que deram a ela, ela é muito velha, tem os cabelos brancos e longos, e a pele toda enrugadinha. Nós a chamamos de velha sábia porque ela conhece tudo — comenta Cliverton.

— E como nós podemos encontrá-la? — indaga Júlia.
— Ela mora na montanha morta — responde Cliverton.
— Montanha Morta? Eu acho melhor ficar aqui com o Greg, nós vamos procurar as cores, enquanto vocês vão falar com a dona Sábia — fala Rafael.
— Rafael! Você está com medo? — pergunta Júlia.
— Eu? Não, eu sou um Pirata! E piratas não tem medo! — diz Rafael firme.
— Que bom porque, dizem que a montanha é amaldiçoada — fala Cliverton.
— Pensando bem, eu estou com medo sim! Piratas são humanos, eles podem sentir medo às vezes — Rafael fala.
— Mas se você ficar aqui sozinho, pode ser preso — comenta Cliverton.
— Preso? Mas por quê? — pergunta Rafael.
— Porque o prefeito o Tonico Cinza, detesta coisas de outras cores, e detesta piratas, ele mandaria te prender na hora — fala Cliverton.
— Como é que vocês elegeram esse homem tão mau? — pergunta Júlia.
— Ninguém sabia que ele era tão mau ele conseguiu enganar a todos disse que mudaria nossa cidade, e mudou para pior — diz Cliverton.
— Mas isso não vai ficar assim, nós vamos dar uma lição nesse prefeito malvado! — fala Júlia.
— É vamos encontrar a dona Sábia, e salvar a cidade! — completa Rafael.
Os três seguiram pela estrada cinzenta, que era o caminho mais próximo para a montanha morta.
Mas para chegarem à montanha, eles precisavam passar perto da prefeitura.
Antes que eles conseguissem passar, foram cercados pelos guardas, que não deixavam ninguém chegar à montanha.
Os guardas levaram as crianças para a prefeitura.
O Prefeito ficou muito bravo quando viu Júlia e Rafael vestidos de piratas, e com uma blusa toda colorida.
Ele mandou os guarda buscarem roupas cinzas para as crianças e o cãozinho vestirem.

— Como vocês entraram na cidade? — pergunta o prefeito Tonico.
— Por uma passagem secreta no nosso jardim — responde Rafael.
— Por que vocês estão desobedecendo as minhas ordens? Essa é minha cidade e ninguém é colorido, nem brinca ou sorri — fala Tonico.
— Não é sua cidade! A cidade é de todos! — diz Júlia.
— O Senhor não pode nos proibir de sorrir, e nem proibir as cores — fala Rafael.
— Ninguém é feliz aqui, eu queria saber sorrir — comenta Cliverton.
— Mas eu não quero que ninguém sorria, vocês não vão atrapalhar os meu planos, e agora que existe essa passagem secreta, eu vou descolorir o planeta — fala o prefeito.
— Se você descolorir, você vai morrer, porque sem cores não há vida — fala Júlia.
O prefeito não era muito esperto, ele não notou, que sem as plantas, o ar era poluído, e todos morreriam.
— Mas agora é tarde demais, eu não sei como colorir — diz o prefeito Tonico.
— Nós sabemos, você só precisa nos deixar ir em busca da velha sábia — fala Rafael.
— Está bem, guardas soltem as crianças — ordena o prefeito Tonico.
Os três correram para chegar à montanha.
Na entrada da montanha existiam três portas.
Uma porta cinza, uma porta verde e uma porta azul.
— E agora? Qual a porta certa? — pergunta Cliverton.
— Vamos pensar, azul é a cor do céu que nós queremos ter de volta, verde são as árvores que nos dão o ar puro, e cinza é toda a cidade Já sei! Se nós viemos até aqui para colorir que porta nós vamos escolher? — fala Júlia.

—A porta cinza— responde Rafael.
—Mas por que a cinza? — pergunta Cliverton
—Porque é a única que precisa de outra cor — responde Rafael.
Os três passaram pela porta cinza.
E lá estava uma linda casinha verde, cercada de margaridas.
As crianças ficaram maravilhadas com todas as cores que havia na pequena casa.
— Esta deve ser a casa da velha sábia — diz Júlia.
— Vamos até lá — fala Rafael.
As crianças correram animadas até a linda casinha e bateram na porta.
Toc toc toc.
De dentro da casa alguém gritou:
— Quem bate?
— Somos visitantes queremos falar com a dona Sábia — responde Rafael.
A porta se abriu, e na porta estava uma senhora bem velhinha, com o cabelo todo branquinho, e um rosto bem enrugadinho.
— A senhora é a dona Sábia? — pergunta Júlia.
A velhinha riu e respondeu:
— Sou eu sim, mas não me chamo assim — diz ela.
—Ué? Mas então como a senhora se chama? — pergunta Cliverton
— Me chamo Flora — respondeu a velhinha.
— Flora, ah que lindo nome, assim é bem melhor, adorei o seu nome dona Flora — diz Júlia.
— Agora me digam, por que vocês vieram me procurar? — pergunta Flora.
— Nós viemos, porque disseram que a senhora, sabe porque as cores sumiram, e porque não existem mais árvores — fala Rafael.
— Sinto muito, mas vocês perderam o seu tempo — diz Flora.
— Se a senhora não sabe, então por que a sua casa é toda colorida? E por que a senhora tem um jardim de margaridas? — pergunta Júlia.
Flora sorriu, surpresa com tantas perguntas.
— Realmente e usei onde as flores estão, mas ninguém pode trazê-las de volta — responde Flora.
— Por favor, nos diga onde as cores estão, e nós vamos buscar — pede Rafael.
— Vocês não podem buscar, porque não foram você que sumiram com as cores — diz Flora.
— Então quem pode? — pergunta Júlia
— Os adultos — responde Flora.
— Os adultos? Como assim? — Rafafel pergunta sem entender.
— As flores sumiram, porque os adultos estavam preocupados demais com outras coisas, e se esqueceram de brincar, esqueceram de plantar, não sorriem mais, e não ensinaram os filhos a sorrirem, os adultos não cuidavam mais da natureza, então as flores e as plantas sumiram, porque ninguém mais se importava com ela, e a natureza foi ficando, muito, mas muito velhinha, e está morrendo — explica Flora.
— Mas o que nós podemos fazer para ajudar? — pergunta Rafael.
— Vocês não podem fazer nada, a natureza irá morrer até o fim do dia — diz Flora.
— Não! A natureza não pode morrer! Nós vamos encontrar as cores e salvar a natureza! — comenta Júlia.
— É isso mesmo! Mas como? — diz Rafael.
— Muito simples, você se lembra do que a professora de ciências nos ensinou, sobre as plantas? — comenta Júlia.
— Sim, sobre plantar uma árvore? — fala Rafael.
— Isso — diz Júlia.
— O que temos que fazer? — pergunta Cliverton.
— A professora nos ensinou, que, quando se corta uma árvore, é preciso plantar uma mudinha em seu lugar, como nós não temos mudinhas, vamos plantar sementinhas — explica Júlia.
— Isso, e quando as plantas crescerem, as cores vão voltar, todos ficarão felizes, e a natureza vai melhorar — fala Rafafel.
Flora sorriu, e voltou para a casinha verde.
— Vamos pegar sementes dos girassóis para plantarmos — fala Júlia..
— Vamos entregar uma semente para cada criança da cidade plantar — comenta Rafael.
Os três pegaram todas as sementes que podiam carregar, e voltaram para a cidade, antes passaram pela prefeitura, e deixaram uma sementinha com o prefeito Tonico.
Cada um foi para um lado distribuindo as sementes.
Todas as crianças ficaram animadas e correram para plantar as sementes.
As sementes se acabaram, não havia mais nada para plantar, e levaria muito tempo par regar todas as sementes.
— E agora? Como faremos para regar todas essas sementes? — pergunta Rafael.
— É impossível, a cidade é muito grande, não vai dar tempo — fala Cliverton.
Cliverton e Rafael ficara tristes e desanimados, porque a natureza estava morrendo.
— Ei meninos, por que vocês estão desanimados? Tenham fé! A natureza não vai morrer! — diz Júlia

— Só um milagre para conseguirmos regar todas essas sementes — comenta Rafael desanimado.
De repente Cliverton sentiu um pinguinho bem na ponta do nariz.
— Gente! O milagre está acontecendo agora! — fala Cliverton.
— Do que você está falando? —pergunta Rafael.
De repente começou a chover.
—Ele está falando da chuva!!! Eu sabia! — Júlia diz vibrando.
— Que maravilha! Agora a natureza não vai morrer! Vamos contar para a dona Flora! — Rafael comemora.

—Vamos sim — fala Júlia.
Os três correram par voltar para a montanha.
— Vocês perceberam que as cores ainda existiam na casa da dona Flora? — pergunta Júlia.
— Sim, é estranho, porque só a natureza, tinha as cores — comenta Rafael.
— Esperem, vocês não entenderam? — pergunta Cliverton.
— Sim, a Dona Flora é a natureza! — exclama Rafael.
— Isso estava na nossa cara o tempo todo — fala Júlia.
Os três chegaram e a casinha verde estava aberta.
As crianças gritaram, por dona Flora.
— Dona Flora! Dona Flora! Onde a senhora está?
Ninguém a casa estava vazia.
Rafael------— Será que chegamos tarde demais? — pergunta Rafael.
As crianças se sentaram de cabeça baixa, tristes.
Quando uma moça muito bonita com lindos cabelos pretos entrou na casa bem devagarinho.
— Quem é você? — pergunta Júlia.
— Não está me reconhecendo? —perguntaa moça.
— Você mora na cidade? — pergunta Rafael.
— É amiga da dona Flora? — fala Cliverton.
A moça sorriu e respondeu:
— Sim, sou amiga dela e moro na cidade.
— Eu sinto muito moça, mas a dona Flora morreu — fala Júlia triste.
— Quem disse? pergunta a moça?
— Ninguém, nós sabemos, porque ela era a natureza — diz Rafael.
— É e nós não conseguimos impedir — fala Cliverton.
A moça sorri abrindo a janela, e fala:
— Vocês têm certeza? Então porque lá fora tem um lindo jardim com flores de todas as cores, e por que a cidade está colorida?

— Espera, como você sabe tantas coisas — fala Júlia.
A moça sorriu.
— A flora me contou — diz a moça.
— Não ela não te contou! Você é a Flora! — exclama Rafael.
— É o seu rosto é igualzinho, só que está mais jovem — fala Cliverton.
Flora sorriu.
— É porque agora, eu não estou mais morrendo. Vocês conseguiram crianças, salvaram a natureza, e devolveram a alegria para a cidade — diz Flora.

— Mas dona Flora, tem mais uma coisa que nós queremos — fala Júlia.
— O que? — Flora pergunta.
— Voltar para casa — fala Rafael.
— Mais por quê? Eu pensei que vocês fossem ficar aqui para sempre — comenta Cliverton.
— Não podemos, precisamos voltar para a nossa cidade, para nossa família — diz Júlia.
— Quando quiserem voltar basta dizerem as palavrinhas mágicas “o portal se abrirá, se de coração você desejar”. Sempre que disserem essas palavras voltarão para casa — fala Flora.
— Muito Obrigada dona Flora — diz Júlia.
— Obrigada, agora precisamos ir, vamos Greg — Rafael fala chamando seu cachorrinho Greg.
As crianças se despedem de Cliverton e dona Flora com abraço.
E Juntos disseram as palavras mágicas: “o portal se abrirá, se de coração você desejar”.
Aos poucos os Três foram sumiram, e logo apareceram no jardim da casa de Júlia
— Voltamos! — fala Rafael
— Ah que saudade da minha casinha, das minhas flores coloridas — diz Júlia.
— Agora eu vou para casa, vovó deve estar preocupada, até amanhã Júlia — comenta Rafael.
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— Até amanhã — se despede Júlia.

Fim

8 de Maio de 2021 às 12:56 0 Denunciar Insira Seguir história
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