antonio-stegues-batista Antonio Stegues Batista

A ardilosa esposa de Arnie, pede para ele ir a um reino distante buscar o lendário velo de ouro. De boa vontade ele parte. No caminho seu cavalo é roubado, em seguida conhece uma senhora idosa que lhe dá alguns servicinhos em troca de comida, mais adiante encontra um ogro, guarnecendo uma ponte, finalmente o herói chega na Hileia e trava um duelo com o dragão Bruce Li. O que acontece depois? Só lendo pra saber...


Humor Sátira Impróprio para crianças menores de 13 anos.
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ARNIE

ARNIE E O VELOCINO DE OURO

Era uma vez, num país muito, muito distante chamado, Hasta La Vista.

Conan, o rei de Hasta, casou-se com Nefertiti, princesa egípcia.

Dois anos depois nasceu Arnie. O bebe era tão feio que ao vê-lo, a rainha ficou meio decepcionada. A criança era careca, enrugado, magrinho, de orelhas grandes e pernas cambotas.

Na infância, Arnie foi avoado, desengonçado, mas com o tempo se endireitou um pouco. Só um pouco. Para compensar aquela falta de harmonia física, o rei contratou os melhores professores para instruí-lo. Professor de matemática, geografia, física, artes marciais, e outros mestres, inclusive mestre de obras.

O rei queria que o filho se tornasse culto, forte, valente e guerreiro. Mas, o que Arnie queria mesmo, era ser pintor, talvez escritor. Ele ainda não tinha certeza do eu queria ser. Quando chegou à idade de casar, o rei e a rainha começaram a planejar o casamento dele.

─ Com aquela cara de pamonha, nenhuma garota de sangue nobre vai querer se casar com o nosso filho –disse o rei- Vamos ter que arranjar uma plebeia, oferecendo um título nobre de terceira categoria.

─ De jeito nenhum! - retrucou a rainha ─ Lembra de Minos, aquele conde que se perdeu no labirinto atrás de uma vaca? Você o resgatou de lá mais morto que vivo. Ele tem uma filha solteira, se não me engano o nome dela é Ariane.

─ É verdade! Minos me deve a vida. Vou mandar chamá-lo.

****

O conde Minos entrou no gabinete e encontrou Conan sentado atrás de uma escrivaninha.

─ Velho amigo! Como tem passado? Sente-se - cumprimentou o rei.

Minos achou a cordialidade e interesse do rei, fingidos, e respondeu no mesmo tom e com um sorriso cínico. ─ Me sinto bem, obrigado. E vossa majestade, como está?

─ Vamos indo como Deus quer.

Conan fez uma pausa. Fingindo examinar alguns papéis sobre a mesa. De repente cortou o silêncio assobiando, “Twisted Nerve”. (Para quem não sabe, essa música é assobiada, ou, assoviada, pela assassina, Elle Driver, quando ela entra armada com uma catana no hospital para matar Beatrix Kiddo, no filme, Kill Bill.) Minos remexeu-se na cadeira, inquieto. Ficou olhando uma catana, pendurada na parede.

Finalmente o rei parou de assobiar. ─ Caro amigo, já que ignoramos o protocolo, vamos pular os preâmbulos, esquecer as premissas e ir direto à conclusão de nossa conversa. Arnie vai se casar com sua filha. Fale com ela para marcarmos a data do casório. Faremos uma grande festa! Com feriado nacional, é claro.

Minos pensou em dar uma desculpa, pois sabia que o príncipe não era muito benquisto pelas garotas, mas não teve como recusar. Devia favores ao rei. Com certeza Ariane não iria gostar nem um pouco.

***

De fato, a princesa bateu o pé ─ Casar com aquele feioso? Nem morta! Nem amarrada! Nem que a vaca tussa! Nem...

─ Pare! - ordenou o pai ─ Pense um pouco. Arnie é um príncipe e um dia será rei de Hasta e você, casada com ele será quem? A rainha!

Ariane refletiu alguns instantes e por fim disse ─ Se é para o bem da nação, farei esse sacrifício.

Arnie não fez objeção quando soube quem seria sua esposa. Ariane era bonita e ele tinha esperança de que ela o amaria com o tempo. Mas ele estava enganado. Dois meses depois do casamento, Ariane estava tão chateada que resolveu dar um passei no mercado, sozinha.

E foi naquele mesmo dia que ela conheceu Ali Baba, comerciante de especiarias. Ariane passou a se encontrar com Ali, ali na praça, toda vez que Arnie se trancava no gabinete para desenhar.

Os encontros eram rápidos, ela tinha que voltar logo antes que o marido notasse a sua falta. Para ficar mais tempo com a amante, Ali Baba planejou afastar o príncipe da cidade por alguns dias. Ele contou o plano para Ariane e naquela mesma noite a princesa começou a pô-lo em execução. Disse ao marido que queria um velocino de ouro para fazer um acolchoado. Que era a última moda da nobreza.

─ E onde tem esse troço?

─ Na Hileia.

─ Hileia?!

─ Acabei de dizer.

─ Mas é longe pra chuchu!

─ Que nada! Fica logo ali, na ponta do beiço.

─ Beiço do mundo, isso sim!

─ Eu quero! Eu quero! - teimou Ariane, fazendo beicinho.

Arnie acabou concordando e na manhã seguinte, montou em seu cavalo e partiu.

Da sacada do palácio a jovem esposa acenou para ele, dando adeus.

- Hasta lá vista, baby!

Mal o príncipe sumiu na curva da estrada, Ariane correu para se encontrar com Ali lá na praça.

***

Depois de dois dias de viagem, Arnie chegou a uma taverna na beira do caminho. Uma placa num poste ao lado, dizia; Última Chance.

Entrando num ambiente enfumaçado, cheirando a suor, vinho e linguiça frita, o príncipe dirigiu-se ao balcão e pediu ao taverneiro uma refeição. Pegando a tigela com sopa de legumes, pão e uma caneca de vinho, foi sentar-se a uma mesa num canto. Dali a pouco um velhote com sinais de estar embriagado, se aproximou e apontou para a cadeira vazia.

─ Posso me sentar? – perguntou, numa voz anasalada.

─ Claro! − respondeu Arnie e o homem despencou na cadeira com um baque surdo.

─ Me chamo Hermes.

─ Eu sou Arnie. Estou indo para Hileia. O senhor sabe se ainda está longe?

─ Logo ali, depois das montanhas.

Três homens entraram na taverna conversando em voz alta e rindo. Se sentaram a uma mesa e pediram cerveja.

─ São uns vermes! ─ murmurou o velhote. ─ Pensam que são donos do mundo.

─ Quem são eles?

─ O de cota de malha se chama Aníbal. O vândalo com gorro de pele de iaque, talhando o nome com o punhal na mesa, se chama Genserico e o baixinho coçando a barriga é o Napoleão. Nunca se sabe o que podem fazer esses bárbaros!

Hermes fez uma pausa e continuou: ─ Falando em saber, antigamente a gente consultava o oráculo para saber os desígnios dos deuses. As respostas eram dadas através de uma mulher chamada Pitonisa. Vai chegar o dia em que todo mundo vai se conectar a uma pitonisa de qualquer lugar e perguntar qualquer coisa. Inclusive se vai chover amanhã.

O velhote meteu a mão no bolso, pegou dois objetos colocando sobre a mesa ─ Tome, leve isso com você, para dar sorte na sua jornada.

Um dos objetos era um pedaço de rocha com um trevo de quatro folhas incrustrado. O outro parecia um figo seco.

─ A pedra é um fóssil e isso o que é?

- Um talismã muito forte! Até logo! Boa sorte!

Hermes se ergueu e saiu cambaleando. Depois de comer e pagar pela refeição, Arnie saiu, procurou pelo cavalo e não o encontrou. Alguém tinha roubado sua montaria junto com a espada, embornal e roupas. Mas ele não desanimou. Seguiu viagem a pé mesmo, penetrando no ermo.

Nas montanhas a estrada se transformou numa trilha estreita à beira de precipícios. Naquela noite Arnie dormiu entre duas rochas para se proteger do vento e do frio. Arrependido, jurou para si mesmo que no futuro pensaria duas vezes antes de ceder aos caprichos da esposa.

No quarto dia de viagem, Arnie atravessava uma floresta quando chegou a uma cabana na beira do caminho. Da chaminé saia um rolo de fumaça. Com fome, ele bateu na porta. Surgiu uma velhinha simpática vestida de preto, com um lenço preto na cabeça.

─ Quem é? O que quer? − perguntou, estreitando os olhos.

─ Bom dia! A senhora não teria um pedaço de pão?

─ O que? Seu nome é João? - a velha era meio surda.

─ Não senhora, meu nome não é João!

─ Ah! Quer pão? Meu filho vai demorar a chegar e a lenha para o fogo acabou. Pode cortar lenha, para eu colocar no fogão e acabar o almoço? O machado está ali, no canto.

Arnie achou que era justo a mulher cobrar pela comida. Pegou o machado e encontrando uma árvore seca, dividindo-a em toras e levou para a cabana empilhando ao lado do fogão de pedra. Sentiu o agradável odor da comida que saía de uma panela sobre a chapa de ferro. Ele chegou perto da mulher que tricotava e falou alto:

─ Já cortei a lenha.

A idosa, sem mesmo erguer o rosto do tricô, apontou um dedo torto para cima.

─ Conserte o telhado. Tem goteira quando chove.

Arnie soltou um suspiro e subiu no telhado para colocar a telha no lugar e fechar os buracos. Acabando o serviço, desceu e entrou na cabana, julgando que as tarefas tinham terminado, mas a mulher tinha outra. Mandou pegar água. Resignado, ele pegou um balde e saiu. Logo depois chegou ao regato. Ao inclinar-se na margem, viu a sua imagem refletida na água. Ficou espantado com o que viu. Estava barbudo, de cabelos compridos, as roupas em frangalhos. E só naquele instante é que notou as botas arrebentadas, com um dedão para fora, as mãos calejadas e cheias de cicatrizes.

Resolvendo ignorar a velha, ele largou o balde, se afastou e tomou a trilha, seguindo para o Oriente. Saindo da floresta, chegou a uma ponte de tábuas e cordas que atravessava um profundo desfiladeiro. Havia uma placa que dizia; Ponte do Ogro. Pague o pedágio.

No meio da ponte estava um ogro esverdeado armado com uma longa espada. ─ Alto lá! Se quiseres passar, tens que pagar.

─ E quanto é? − indagou Arnie, pegando a bolsinha com as moedas.

─ Não é bem assim− disse o ogro sacudindo a cabeçona ─ Eu vou pedir qualquer coisa que me vier à cabeça. Se vosmecê tem, passa. Caso contrário, se não tem, volta por aonde veio.

─ E o que vosmecê quer?

O Ogro pensou, pensou e pensou. Finalmente disse: ─ Uma flor de pedra.

Arnie achou que teria de voltar, mas lembrou-se do fóssil que Hermes havia lhe dado. Procurando nos bolsos e o encontrando, entregou ao ogro. O ogro olhou, examinou e sacudiu a cabeça dando espaço para Arnie passar.

Arnie atravessou a ponte e do outro lado seguiu por um Canyon até sair num vale. Por uma estrada passava uma carroça com um letreiro gravado nos lados; Ave César. Arnie correu atrás ─ Ei, senhor! Por favor. Pode me dar uma informação?

O homem, que conduzia a carroça cheia de gaiolas com galinhas, puxou as rédeas fazendo o cavalo estacar. – Ooooaa! Para, Incitatus!

As galinhas carcarejaram, protestando.

─ Amigo, sabe onde posso comprar um velocino de ouro? -perguntou Arnie. O homem olhou-o por alguns instantes.

─ O único que ainda existe está na caverna do dragão, mas ele só vai dar a quem ganhar o jogo das adivinhações.

─ Que adivinhações?

─ O que é o que é? Coisas desse tipo, e olha que faz anos que ele acerta todas.

─ E onde posso encontrar esse dragão?

O homem apontou para o morro do outro lado.

─ Numa caverna, lá em cima. O nome dele é Bruce Li.

Arnie agradeceu e subiu o morro. Chegando na entrada da caverna, bateu palmas.

─ Oi! Ó de casa! Senhor Dragão! Seu Bruce Li?

O Dragão, já idoso e desdentado, saiu da caverna esfregando os olhos. Bocejou, encolheu as asas e sentou-se no chão.

─ Manda lá!

─ O quê?

─ Não veio cá me desafiar com perguntas de adivinhação? Para ganhar o velocino?

─ Sim. Eu faço uma pergunta e se o senhor não souber ou responder errado eu ganho o velocino? Quantas perguntas eu posso fazer?

─ Tantas quantas você quiser. Teve gente que desistiu depois de um mês.

─ Vamos lá então. O que é que cai em pé e corre deitado?

─ Essa é fácil! Chuva.

─ O que é que se joga para cima é branco e quando cai no chão é amarelo?

─Todo mundo sabe. Ovo. Manda outra!

─ O que é que entra na água e não se molha?

─ Sombra. Outra!

Arnie percebeu que o Dragão sabia todas as respostas. Era um fanático pelo jogo de adivinhações e parecia que ele estava disposto a ficar ali por longo tempo naquele jogo. Arnie resolveu trapacear.

─ O que é que, de manhã anda com quatro pés, meio dia com dois e de tarde com três?

O Dragão ficou pensando e por fim, disse:

─ O ser humano! Quando nasce ele engatinha, anda com quatro pés, quando fica adulto anda com dois e quando fica velho usa bengala, anda com três!

─ Errado.

─ Errado? Como assim?

─ É o meu vizinho Ariovaldo que saiu de casa numa carroça, carroça tem quatro rodas, ao meio dia o eixo da carroça quebrou e ele teve que andar a pé. No caminho machucou o pé e teve que voltar para casa à tarde usando bengala.

O Bruce Li não gostou. Apertou os olhos, retraiu os lábios e tentou soltar um jorro de fogo, mas não saiu nada. Dragão velho não tem mais fogo.

─ Não acho que seja assim! Acho que estais me enganando!

─ Sois sábio, mas nem tudo sabeis, senhor Dragão. De qualquer maneira farei uma nova pergunta. Tenho um olho que brilha na escuridão. Todo mundo me vê, mas eu não enxergo. O que é?

─ Essa é fácil! Farol - respondeu Bruce com um sorriso de vencedor.

─ Não senhor! É uma lanterna no mastro do navio do capitão Gancho.

─ Droga. Mais uma, mais uma e se eu não responder, pode levar o velocino.

─ Ok! Então me diga; O que é um morto sorrindo na escuridão?

Bruce Li se pôs a pensar. Meia hora depois continuava a pensar e a coçar a cachola. Arnie apontou para a caverna.

─ Posso?

─ Vá. Não me atrapalhe.

Arnie entrou na caverna. Havia ali uma estante cheia de livros sobre jogos de adivinhações, um catre com colchão encardido, um espelho quebrado, mesa, mochinho, um pôster da Rachel Welch enfeitando a parede, uma talha de água e a pele de carneiro dourada que estava pendurada no chifre de um cervo. Arnie pegou o velocino e procurou se afastar rápido antes que o Dragão conseguisse responder à pergunta.

─ Espere um instante. Eu desisto! Não sei. O velocino é seu, mas antes de ir me diga a resposta. O que é um morto sorrindo na escuridão?

─ É a caveira na bandeira no mastro do navio do capitão Gancho, o pirata da perna de pau, de olho de vidro e cara de mau, que tem aquela lanterna amarrada no mesmo mastro que está a bandeira.

Enquanto o Dragão pensava e raciocinava, Arnie se afastou rápido.

Quando chegou na ponte, lá estava o ogro.

─ Pare! Pague o pedágio.

─ O que quer agora?

O Ogro pensou, pensou, pensou e afinal disse ─ O prepúcio de Sansão.

Arnie vasculhou os bolsos da calça rota e pegou um objeto que parecia um figo. Deu ao ogro que examinou, examinou, e depois o deixou passar.

Quando o príncipe chegou a Hasta, ninguém o reconheceu por que estava completamente mudado. Com os cabelos compridos, barbudo, musculoso, bronzeado e esfarrapado. Ele viu Ariane atravessando a praça. Ela, mal olhou para ele, pensando que era um mendigo com uma pele de carneiro sobre os ombros. Passou por Arnie e entrou na tenda de um mercador. Arnie foi atrás e ficou chocado quando viu a esposa e o homem da tenda se abraçando e se beijando.

Decepcionado e arrasado, o príncipe seguiu para o castelo. Os guardas não quiseram deixa-lo entrar, mas depois o reconheceram quando ele mostrou as orelhas. Arnie foi direto aos aposentos dos pais e se apresentou. O rei e a rainha estavam almoçando quando ele entrou no salão. A princípio eles ficaram alarmados achando que era um assaltante. Arnie atirou o velo a um canto.

─ Sou eu Arnie! Acabei de chegar do oriente.

A rainha correu para abraça-lo ─ Meu filho!

─ Pensamos que estavas morto! − disse o rei, roendo uma coxinha de galinha assada. Ele limpou os dedos gordurosos na túnica e abraçou o príncipe. ─ Não tivemos mais notícias tuas. Mandei procurá-lo diversas vezes e ninguém encontrou pistas na Hileia. Esses seis meses foram de tristeza para nós!

─ Seis meses? Então passei esse tempo trabalhando para uma bruxa!

─ Que bruxa, meu filho? − indagou a mãe.

─ Por falar em bruxa. Ainda há pouco, vi Ariane abraçada a outro homem na praça do mercado.

A rainha bateu no ombro do marido.

─ Eu te disse que ela estava aprontando!

Ariane chegou naquele momento. Ao ver aquele homem estranho, sujo e roto, junto à mesa do almoço, julgou que os sogros estavam ficando caducos, convidando os mendigos para almoçar no palácio real.

─ Não reconhece mais o teu marido? -perguntou a rainha, ríspida. Ariane olhou novamente e cobriu a boca com as mãos.

─ Arnie! -exclamou e foi abraçar Arnie, mas estacou, fazendo uma careta. ─ Vá tomar um banho primeiro. Você está horrível, fedendo!

─ Quem vai tomar um banho é você, traidora. Vá para bem longe daqui. Pegue tuas coisas e vá embora. Eu te vi ainda a pouco na praça, abraçada a um árabe. Vai, te manda pras arábias!

Ariane tentou dar uma desculpa, mas não teve jeito. Foi obrigada a voltar para a casa dos pais. Quando chegou, teve que ajudar Minos, que tinha se perdido no labirinto atrás de um boi.

***

Alguns dias depois.

Arnie resolveu contratar uma professora de redação. Ela chegou cedo no dia seguinte e se sentou num banco de pedra no jardim interno, sob os ramos de uma romãzeira e ali ficou à espera do aluno. Dali a pouco chegou Arnie.

─ Bom dia! Como está?

─ Estou ótima. E o senhor, majestade?

─ Não me chame de senhor que me sinto um velho. Pode me chamar de Arnie.

Ela sorriu.

─ Está bem. Então me chame de Morgana, simplesmente. Então, você quer ser escritor?

─ Sim. Pretendo escrever as aventuras que passei na Hileia.

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Crônica de Arnie, Príncipe do Reino de Hasta La Vista


Poys, estando ocioso e sem fazer nada, eu Arnie de Hasta, de profição principe, filio de Conan, o Báraro et Nefertiti, a Megera, decidi escrever pella primeira veiz una chrônica. Mio pae, Conan, rei de Hasta La Vista, saiuo para andar de cavalo e o bicho derrubou ele. Meo pae ficou furioso pra cachorro, ele é mui forte, pegou o cavalo e atirou pro outro lado da montanha e o coitadinho devi de ter caído na beirada da terra plana.

Pois, meo pae é um philósofo. Ele diz que quem tem corasão batento et purque ta vivo, et quem é sego ve tudo invisível. Disse que na terra de sego quem tem um olho é caolho.

Mudando de asuntho; Certa noiti, sonhei que tava eu na janela cano apareceu uma bruxa voando numa vassora numa noite de lua gorda, et ella me perguntou se eu queria conocer uma bela princesa et eu respondi, sim, et pedi pra me transformar numm bello princepe et a desgraçiada meh transformou num sapo! Ainda bem que foi um sonho, né?

Outro dia, de noite, sonhei que o sol dormiu demais e não apareceu, o dia virou noite, fiquei com medo me cagueei todo. Era noite cano a terra parou et a noite ficou escura pelo dia todo. Tudo ficou estrebuliçado, mia mãe ficou com medo rezou até babar, meo pai aborrecido saiu pra rua e gritou; acorda Sol! E o sol acordou o galo cantou a noite foi embora e eu fui ao banheiro.

Vou terminando por aki, porque já tá me doendo minha bunda sentado nesse banco de pedra no jardim. Escrevi tanto que cresceu um pelotão no meo polegar.

Ofereço essa crônica em homenagim a minha professora Morgana. Agora tenho que terminar de súbito porque pensando nas canelas da Morgana me deo vontade de tocar ponieta.

Fini
( Em homenagem a Umberto Eco)






29 de Abril de 2021 às 16:50 0 Denunciar Insira Seguir história
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