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MÁGOA

A gente demora a esquecer ou até mesmo nunca se livra de algo que nos magoou. É apanágio do ser humano guardar o que é ruim e portanto, deveria ser descartado. Assim como somos muitas vezes incapazes de nos desfazer de objetos ou bugigangas inúteis, acabamos também por carregar conosco recordações aflitivas, propiciadas por situações e pessoas pertencentes ao passado, mas que insistem em nos assombrar.


Tudo pelo qual passamos tem seu propósito. Aprendemos mais com os erros e derrotas, do que com a euforia fugaz das vitórias. Mesmo aqueles que nos magoaram, podem também nos ter trazido novas oportunidades de aprendizado e crescimento humano. A oportunidade de evolução do espírito está aí para todos; a diferença é que alguns a agarram, enquanto muitos perdem o trem do amadurecimento, enquanto ser único e ao mesmo tempo social.


Não estou aqui discorrendo sobre o perdão e suas nuances. Não somos perfeitos e muito menos santos e temos que aceitar o fato de que não seremos capazes de exercer esta nobre arte (a do perdão) com a frequência propalada. Falo porém, do discernimento que deveríamos cultivar, a fim de aprender com os erros, não os esquecendo, mas também não regando diariamente nossa alma com a água pútrida do rancor e da amargura. Envenenar o espírito com más lembranças nos faz sofrer duas vezes pelo mesmo motivo, ou tantas outras quantas se apresentarem.


Ouvi de pessoa próxima recentemente: “não se controla o pensamento, mas pode-se controlar a língua e a boca, não deixando escapar palavras relativas a fatos negativos”. Sábia orientação, que pode nos ajudar a deixar no limbo do esquecimento muitas aflições terrenas.


Vivamos a nossa existência, com seus altos e baixos, como uma dádiva de Deus e como oportunidade de busca da paz de espírito, ou como dizia Jorge Luís Borges (1899-1987): “ pero se pudiera volver atrás trataría de tener solamente buenos momentos”.

1 de Maio de 2021 às 16:07 0 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Max Rocha Um Fantasma literário ou alguém que apenas gosta de escrever... me interesso por ficção histórica e científica, suspense, misticismo e mistério com um toque de humor. Às vezes enveredo pelo tom crítico e motivacional do cotidiano. Escrevo ouvindo música instrumental relacionada com o tema no Spotify, ao lado da Duda, minha cadela australiana de 5 anos. The Phantom (O Fantasma) foi criado por Lee Falk, em 1936.

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