investigationman O Marceneiro

Existe um mistério que ronda o cadáver da mesa 8. O adorável jovem Brenno Marques está desaparecido, enquanto um antigo e respeitável funcionário do necrotério guarda um segredo.


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#misterio #morte #cadaver #necroterio #cheirodelivro
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Troca de Turno

(esta é uma fanfic baseada na novela "Perfume Cadavérico", cuja primeira parte consta neste site.)


Para quê preocuparmo-nos com a morte?

A vida tem tantos problemas que temos

de resolver primeiro.

estou Confúcio



Stairway to Heaven tocava nos autofalantes arredondados no canto superior da sala. Mais uma vez a música como a grande e única companheira do homem naquele ambiente mórbido. Uma música que trazia algo especial, uma memória.

E também uma ironia.

Albert passou pela pesada porta da sala de necropsia dirigindo-se ao laboratório. Tinha uma dúvida e precisava consultar alguns papéis, o som da canção do Led Zepelin ficando para trás como a lembrança de um tempo feliz. O homem continuou a música num canto qualquer na mente do qual nada além daquela canção tinha lugar. Olhou as escadas que levavam ao pavimento inferior. Sorriu e meneou a cabeça com a ironia da vida.

Solidão. Às vezes pensava sobre este aspecto de seu trabalho. Quase sempre ele gostava disso. Quando se tem mais de meio século de vida, as pessoas parecem repetição de filmes antigos que um dia foram interessantes, mas agora o máximo que podem conseguir é serem clássicos.

Clássico é algo velho que perdeu a capacidade de nos surpreender, mas nós respeitamos porque achamos digno de certa reverência. O homem se olhou no espelho do laboratório e não gostou do que viu. O queixo quadrado, os cabelos grisalhos, a aparência cansada e... os demônios... daqueles que cada um cuida do seu, ali, escondidinhos por detrás daqueles olhos. “Eu sei coisas sobre você, Albert...” – sussurrou aquela vozinha desgraçada que sempre estava lá; aquela voz que ele nunca conseguiria calar. O espelho nunca mentia. Fosse ele quem fosse, o espelho sempre diria a verdade.

O silêncio gélido que gritava entre as paredes brancas do local foi subitamente rompido pelo ranger de uma porta. E o toc toc toc dos calçados de alguém. Albert imediatamente se recompôs e saiu da frente do espelho. Gostou de ser salvo do pântano de seus pensamentos, quase se afogara ali, como o garotinho daquela lagoa, naquele caso que ele nunca esqueceu. Ele foi até as gavetas, pegou os papéis e conferiu as informações de que necessitava. O som dos passos foi gradativamente diminuindo e então ele se deu conta do perigo que aquilo representava. “A sala de necropsia... a mesa 8!” – precisava se apressar. Aquele era um problema dele, cedo ou tarde teria que enfrentar. Pior que isto, era se outra pessoa enfrentasse.

Correu até a porta do laboratório e olhou de um lado e de outro. Um vento frio lhe percorreu a nunca e os braços, como uma assombração. Não era definitivamente nada sobrenatural, ele sabia o que era e isto não era bom.

Estava sozinho. E o branco gelo do corredor pareceu até sorrir sadicamente dos segredos do homem.

Voltou para a sala de necropsia. Se você tem um fosso no quintal dos fundos da sua casa de onde você sabe que algo terrível sai toda madrugada, é melhor que você mesmo mantenha a guarda no local.

Se não todos vão saber do seu fosso. E dos cadáveres que você guarda lá.

***

O sempre prestativo jovem Breno Marques é um dos maiores exemplos de que bondade não é garantia de nada nesta vida. Um ringue, é isto que é a vida. “Fique de guarda”, diria o pai. Mas ele sempre ignorou. Achou que sorrisos ganhavam a luta da vida.

Naquele dia acordou cedo, pegaria no necrotério no turno da tarde para a noite, tirando o serviço do colega que teria uma entrevista importante – “Temos que ajudar uns aos outros a saírem daquela lama fedida de emprego! Tomara que o cara consiga”. Ele nunca teria aquela resposta.

Próximo dali, um homem velho com as costas cheia de dores e segredos desceu do ônibus, o coração carregado de mágoas e uma necessidade muito grande de ver Breno. Ele sabia o quanto precisava do rapaz.

Atravessou a rua quase sendo atropelado pela Palio azul, recebeu os xingamentos do motorista e ignorou a cena. Não havia espaço para o mundo ao redor, quando o interior gritava tão alto. Era a primeira vez naquele bairro, mas sabia exatamente onde o jovem Breno morava sozinho, longe da família e, apesar de muito querido pela vizinhança, ainda assim uma pessoa irremediavelmente solitária.

Breno saía do banho e se dirigia para o quarto quando a campainha tocou. Ele franziu o cenho, estranhando aquilo. Apesar de querido por todos, ninguém o visitava e ele até gostava disso. Passou pela porta da sala e atravessou o pequeno quintal de chão cheio de limo e ervas daninhas e chegou ao portão. Estranhou a visita:

- Albert? – inquiriu sobressaltado.

O homem não respondeu, parecia doente ou tomado por algum tipo de desespero. Breno abriu a porta e convidou o velho a entrar.

Algumas horas depois a polícia chegaria ao local. Um homem idoso e doente jazia no chão da sala daquela casa, o corpo murcho como uma uva passa, a carne do corpo transformada em água formando uma grande poça no piso verde.

O dono da casa, desapareceu desde então.

***

Não estava mais dando tão certo. E Albert sabia disso. Era como se com o decorrer do tempo o remédio fosse perdendo efeito, necessitando de doses cada vez maiores.

E a doença se tornando mais grave, mais voraz. Implacável em lhe devorar o corpo e a mente.

Ele voltou para a sala de necropsia. Agora não havia mais música, mas lá estava a caneta, outra vez, erguendo-se sobre o papel como um cadáver se levantando por debaixo do lençol e de repente mostrando sua face cadavérica para quem ainda dá o azar de estar vivo ali. Estava acontecendo de novo. Estava se tornando cada vez mais difícil manter os pés firmes no chão. A alma estava cada vez mais tênue no mundo, facilmente se dispersando no ambiente como gás fugindo de um balão. E agora ele não sabia mais onde olhar, sentia-se um polvo, havia vários pontos de vista, como se fosse mais de uma pessoa ao mesmo tempo.

Estava em pé, no meio da grande porta rangente da sala de necropsia, olhando as fileiras de corpos de um lado e de outro, quase todas as histórias contadas por eles lhe sobrevindo à mente como numa avalanche de possibilidades humanas bizarras.

Estava sentado, diante da mesinha, escrevendo as Guias de Encaminhamento de Cadáveres, anotando informações pontuais, frias e mecânicas, o mesmo trabalho que vem fazendo nas últimas três décadas.

Estava lá no fundo da sala... Diante do cadáver da mesa 8. O perfume ameaçando afogar a sanidade do homem. Ele tirou os olhos dali e virou na direção da porta. Teve a impressão de algo ter se movido sobre a mesa. E a lembrança de alguém pareceu uma mão apertando seu pescoço e o impedindo de respirar. Não olhou, saiu dali. Escolheu estar sentado na cadeira, escrevendo as sempre frias e seguras GECs.

Sumiu da porta, sumiu da mesa 8.

Mas não escreveu nenhuma GEC. “Não está mais funcionando e você será devorado pelo espelho”, dizia os garranchos tortos e intensos, que quase rasgavam o papel. Não conseguia controlar mais nada, nem o corpo, nem o espírito, que parecia querer de vez dissipar-se daquele corpo.

O susto fez Albert se jogar para trás, a cadeira desabando sobre o chão. Na sua descida ao inferno da insanidade, tentou se agarrar na mesa mais próxima, descobrindo o cadáver que sob o lençol se escondia do mundo. Ele achou ter visto a mão ossuda se estender para cumprimenta-lo. Bateu com a cabeça no ferro da cama, fechou os olhos. E buscou sanidade na escuridão.

Mas lá, encontrou outra coisa. Encontrou alguém.

***

Na porta da frente do necrotério uma moto parou e um rapaz retirou um lanche de dentro da mala. A cara de cansado de depois de um dia inteiro rodando por aquela cidade cheia de buracos e sujeira, ele olhou o lugar e pensou que um dia talvez ali fosse o ponto final de sua vida. Mais uma coisa ruim de estar vivo: ainda ter que morrer – pensou.

Buscando livrar-se daquele lugar tétrico o mais rápido possível, o rapaz foi até a guarita do vigilante e entregou o pacote. “O nome tá na nota, alguém daí pediu. Pede pra dar um joínha pra mim no aplicativo, pode ser?”

O vigilante apenas assentiu com a cabeça, não gostava muito de falar. Pegou a sacola de papelão, olhou o nome na nota e pôs-se a subir as escadarias do prédio, assobiando “O Mundo é um Moinho”, uma canção antiga do seu tempo de menino, se deliciando com o modo como ela ecoava no silêncio do local, preenchendo todo o vazio com o som da infância.

No último degrau que desembocava no interminável corredor que conduzia à sala de necropsia, o homem ainda tinha fôlego para continuar assoviando, mas não tinha vontade. Estava mal humorado. Era uma pessoa de idade avançada, não devia subir até ali para levar aquele lanche. “Mais uma das pequenas injustiças cotidianas, mais um desgraçado me explorando”. Dessa vez, contudo, ele não deixaria barato. Seria assertivo e diria a verdade.

Ele caminhou até o fim do corredor e empurrou a porta. Do outro lado, apenas uma grande bagunça, mesas e cadeiras tombadas, sacos mortuários pelo chão e papeis de GECs espalhados por toda parte. Das quatro lâmpadas que iluminavam o recinto, três estava queimadas – uma delas com o fio exposto e faiscando – e a quarta piscava frenética como alguém à beira de um surto. A quarta era a luz sobre a mesa 8. E alguma coisa fazia muito barulho por detrás do biombo, como se uma criatura buscasse se libertar de uma jaula. O vigilante estranhou, mas caminhou até lá.

- Senhor Albert!

E o ruído estancou.

O homem afastou a cortina que separava sua rotina monótona da cena que o roubaria o sono por quase uma semana. Albert estava jogado sobre o cadáver da mesa 8, o saco que envolvia o corpo rasgado de modo furioso, o instrumento cortante nas mãos pingando a substância viscosa que um dia foi um ser humano. Ele remexia o conteúdo, como que cavando em busca de algo que lhe pertencesse. Subitamente parou e olhou o homem que lhe interrompera a busca insana, os olhos côvados, o cabelo eriçado e a boca babando alguma coisa que o vigilante torceu para que fosse apenas a baba de um homem insano.

- O que é isso, Seu Albert? – perguntou o homem assustado.

E da escuridão daquela boca uma voz vinda de outra dimensão que não era a dos corpos que perecem em necrotérios, respondeu com ódio:

- Meu nome é Breno Marques. E eu quero meu corpo de volta.

21 de Abril de 2021 às 23:01 8 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

O Marceneiro Hoje apenas um autor que, na correria do dia a dia, se propõe a dar voz aos fantasmas que se debatem dentro de nossas mentes.

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Olá, Marceneiro! Primeiramente, gostaríamos de agradecer a sua participação no #cheirodelivro! Ter vocês, autores, nos apoiando com suas histórias incríveis e participando ativamente deste desafio nos deixou realmente felizes. Troca de Turno já nos intriga desde a sinopse. Um mistério, um cadáver, um desaparecimento e um segredo. Quando vemos o tamanho do conto, ficamos até surpresos com a quantidade de acontecimentos que você consegue desenvolver dentro dele e, devemos dizer, isso foi incrível e delicioso. Além da trama em si, gostaríamos de destacar o tom da sua narrativa, que já se inicia como um sussurro rouco dentro de nossas mentes, nos fazendo emergir por completo e rapidamente na trama. Controlar o tom da narrativa é essencial em todos os gêneros, mas sem dúvidas ainda mais necessário no terror e horror e você consegue fazer isso com maestria. O #cheirodelivro tinha uma proposta muito única: o personagem principal da trama tinha a obrigação de ir parar dentro de seu livro favorito, e deveriam estar explícitos os modos como entrou e saiu deste. Infelizmente, esses elementos não estavam evidenciados em Troca de Turno, que se classificaria facilmente como um spin-off da história em que se baseou. Por esse motivo, seu conto não está de acordo com os critérios requisitados na proposta do desafio. Contudo, não diminuímos os seus méritos ao construir sua obra, cuja atmosfera tensa nos infecta do outro lado da tela. É de senso comum imaginar que quando Albert se olha no espelho e é feito uma menção sobre seus demônios, de que ele não é um homem que diz ser, talvez uma vida que ninguém conhecesse, um mercenário no tempo livre ou qualquer outra coisa, mas jamais esperaríamos de que ele não fosse quem achamos que era, confuso, não é?! Mas muito intrigante. Agora sobre Breno, ah, esse, sim, é um mistério digno de esperar por respostas. Quanto à ambientação, sua história está maravilhosa e faz jus ao título e a imagem. Você trabalhou tão bem o ambiente que eu poderia dizer que foi impossível não se sentir dentro da trama. Gostaríamos, também, de parabenizar sua escrita, que possui um cuidado especial com a gramática-normativa da nossa língua. Isso não apenas torna a leitura do seu conto mais fácil, como também mais fluida. Logo na sinopse, não é difícil ficar arrepiado sabendo que vamos estar ambientados em um necrotério; um ambiente soturno, propenso aos efeitos de uma imaginação fértil. Troca de Turno se estende nesse mesmo tom conforme a trama se desenvolve, e nos deixa de queixo caído com seu final inesperado e macabro! Você, autor, entregou uma trama complexa, repleta de frustrações e introspecção, e nós torcemos para que muitos outros leitores alcancem seu conto, dando todo o reconhecimento que seu trabalho merece. Obrigada pela sua participação, foi muito bom poder contar com você neste desafio e esperamos que nos agracie com suas obras em outros. Os resultados serão divulgados em breve nas nossas mídias sociais. Fique de olho e boa sorte!
April 23, 2021, 23:18
Max Rocha Max Rocha
Preciso ler por completo sua obra original que inspirou esta fanfic, a fim de melhor tirar conclusões de minha imersão neste texto. Digo imersão com toda a propriedade, por literalmente me sentir dentro do necrotério; por ouvir Led Zepelin e o assobio estridente do vigia andando pelos corredores, à moda da incursão inicial na nave Nostromo, de Alien, o oitavo passageiro. Atmosfera de profunda apreensão, as GEC's funcionando como areia movediça a sugar a sanidade do protagonista. Se a intenção é suscitar inquietude, ponto para você, caro Marceneiro. Grande abraço!
April 23, 2021, 02:54
Isís Marchetti Isís Marchetti
Olá! Tudo bem com você? Que conto maravilhoso foi esse? Estou sem chão, sem ar e sem os meus remédios, haha. Muito bom, mesmo! Adorei o final que de alguma forma mudou toda a visão que eu tinha, ou na realidade não tinha direito, da história. Muito massa mesmo, parabéns!
April 23, 2021, 02:45
amy ᘛ 🦋 amy ᘛ 🦋
Olá, Marceneiro! Muito obrigada por ter participado do #cheirodelivro. ♡ Eu recentemente li um romance policial que envolvia necrotério, e estar nessa vibe, por assim dizer, me deixou muitíssimo interessada na premissa da história. A maneira como você desenvolveu o personagem Albert, atravessando o inferno da própria mente onde se guardam inúmeros segredos, foi excelente! O leitor é infectado pela agonia do personagem, e pensa incansavelmente no que poderia tê-la causado. Quais seriam esses segredos tão sombrios? O que acontece na sala 8? E que dizer desse final? Aterrorizante e surpreendente, sem dúvida, resumem bem. Novamente, muito obrigada por sua participação! Boa sorte com o desafio.
April 22, 2021, 12:35
Afonso Luiz Pereira Afonso Luiz Pereira
Grande Marceneiro, que bom vê-lo aqui no Ink também. Olha, acompanhei todo as 3 partes de Perfume cadavérico e gostei do mistério em torno da sala 8. Claro, que para quem já leu, consegue se situar melhor no contexto desta história. Embora, o final nos permita pensar que se trata de algo sobrenatural, mais uma vez a quantidade de remédios e noites mal dormidas pelo Dr. Albert podem ter levado a uma alucinação, ou coisa parecida. Penso ainda na última perspectiva por conhece-lo e de evitar algo do além, não sei. Não vou entrar em detalhes sobre Breno Marques para não dar spoilers de Perfume Cadavérico. De qualquer forma, como podemos encarar esta narrativa: o derradeiro final, uma continuação, um delírio ou sonho do próprio Albert por ter levado uma pancada na cabeça quando caiu da cadeira? Mistérios... De qualquer forma, uma coisa ou outra, o fato que sobre a certeza de se ler um texto bem escrito, como sempre.
April 22, 2021, 03:04
Janaína  Baraúna Janaína Baraúna
Jesus amado, como vou dormir agora? Gostei muito de sua história, principalmente pro se tratar de terror, amo demais. Esse final foi genial ❤❤❤
April 22, 2021, 02:46
Karimy Lubarino Karimy Lubarino
Consegui sentir a tensão do começo ao fim da história. Achei bem gostosa a sua escrita, inclusive, o que me ajudou a entrar com facilidade na história e temer as situações macabras nela relatadas. O ponto que mais gostei foi sem dúvidas o final. Caramba, até me arrepiei! Parabéns pela história.
April 22, 2021, 02:03
Welington Pinheiro Welington Pinheiro
Ahhhh eu conheço a obra em que esta fanfic se inspirou! Aliás, por que ela ainda não está aqui no Ink? Corre lá e coloca ela aqui. Grande "Perfume Cadavérico", com personagens icônicos como Brenno Marques e o filho da mãe do Pazzanesi, que você sabe que odeio ele. Aliás toda miserabilidade de alma daquele desgraçado aparece nesta fanfic. Legal que você construiu um argumento de extrema ambiguidade no final. O leitor não sabe ao certo se estamos diante da insanidade ou de um argumento mágico, o que, na minha opinião, é marca do "Perfume Cadavérico". As pessoas aqui no site precisam ler esta obra, Marceneiro. No mais, aquela condução sempre musical. A melhor pedida para ler teus textos é sempre ter um spotfy ao lado pra colocar boas trilhas sonoras pra rodar. Parabéns, meu amigo! Muito satisfeito de ver por aqui também. Traz seus textos pra cá pra mais gente conhecer as aterradoras histórias do necrotério e de Bosque dos Querubins.
April 21, 2021, 23:34
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