misuhotita Thais Grigorio

Um crime aparentemente sem solução. Uma criança encontrada milagrosamente viva no local do crime. Mera coincidência? Ou o prelúdio de algo muito maior?


Suspense/Mistério Para maiores de 18 apenas.

#suspense #misterio #londres #assassinato #policial #detetive
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Prólogo: Um Assassinato Misterioso

“The Times, Londres, janeiro de 1865.

Na Mansão Hughes, uma das maiores e mais importantes da cidade aconteceu um assassinato chocante, onde Lorde e Lady Hughes foram encontrados mortos. De acordo com a Scotland Yard, os corpos foram encontrados sem as línguas e os corpos foram esquartejados. Milagrosamente o filho do casal foi encontrado vivo no local do crime e encaminhado aos assistentes sociais. O detetive Ricky Morgan foi encarregado do caso, mas afirma que ainda não existem suspeitos.”

Por baixo de seus óculos de leitura, Ricky fecha o jornal, irritado pelo seu mais novo caso estar sendo noticiado pelos jornais. Odeia este tipo de intervenção da mídia, pois às vezes pode deixar passar uma pista por conta dos curiosos que começam a aparecer só para saber como andam as investigações.

Alto, cerca de um metro e noventa centímetros de altura, cabelos negros e lisos em um corte perfeito, uma barba por fazer, olhos azuis claros, quase violetas, totalmente perspicazes, é um dos melhores detetives da Scotland Yard, resolve os casos aparentemente sem solução.

― Idiotas. – reclama o Morgan.

― Está irritado pelos jornais de novo, Ricky? – pergunta uma mulher.

Ela possui uma aparência tipicamente inglesa. Pele branca, olhos azuis, mais escuros que o de Ricky, cabelos lisos e loiros até a altura de sua cintura. Usa vestido marrom, enquanto observa com curiosidade o detetive sentado à sua frente.

― Você me conhece bem demais para saber que sim, Maeve. – responde Ricky.

― Querido, você encontrará uma solução para isso.

― Vou até a mansão Hughes. – anuncia Ricky.

― Posso ir com você? – pergunta Maeve, esperançosa.

― Óbvio que não, querida. Acha mesmo que deixaria minha esposa se arriscar em casos de polícia? Ainda não sei com quem estou lidando e não quero você em perigo.

― Você é precavido demais.

― Porque trabalho com o crime, tenho inimigos. E não quero que eles descubram você, não irei arriscar sua vida.

― Tolo! – diz Maeve, com um sorriso.

― Um tolo que ama você! Agora tenho que ir, infelizmente não tenho hora para voltar, portanto não me espere para o jantar.

― Cuide-se, Ricky!

― Eu sempre me cuido.

Ricky levanta-se de sua poltrona, caminha pela sala de seu pequeno apartamento até o hall de entrada, onde tira de um cabide seu chapéu, um sobre tudo preto e um guarda-chuva, para então deixar seu apartamento e descer as escadarias do terceiro andar, até o térreo, deixa seu prédio e, na porta de seu prédio uma carruagem da polícia o está esperando, para leva-lo até a mansão Hughes, onde examinará os corpos de Lorde e Lady Hughes.

Cumprimenta rapidamente o cocheiro e dá ordens para ele ir diretamente para o local do crime. Tem pressa em chegar lá e ver com seus próprios olhos o que o jornal noticiou. Tem absoluta certeza de que mesmo a polícia tendo lhe mostrado tudo o que tinham, devem ter deixado escapar algum detalhe no local do crime. Algum fato que para eles, é absolutamente sem importância, mas que para ele deve der fundamental.

Não demora nem vinte minutos e chega aos portões da mansão Hughes. O cocheiro abre a porta da carruagem e Ricky desce, percebendo, para sua total irritação, que os portões da casa estão cheios de curiosos.

Os portões da mansão estão trancados e sendo vigiados por um soldado de polícia, que, ao avistar Ricky, afasta a multidão e abre o portão para que o detetive possa entrar, e depois o trancando imediatamente.

O detetive tira do bolso de seu sobre tudo um lenço e, o deixa cair propositalmente no chão, se abaixando em seguida para pegá-lo e, sobre a grama dos jardins da mansão, encontra algo que chama sua atenção.

Tira do outro bolso de seu sobre tudo uma lupa e examina com atenção a marca de sapato arredondada deixada na grama, uma marca deixada por sapatos tipicamente femininos, mais especificamente por saltos de sapatos femininos. Franze as sobrancelhas, se concentrando e continua a observar a marca de sapatos, cada vez mais intrigado.

― Isso é muito interessante...! – sussurra para si mesmo.

― O que é exatamente interessante e porque está parado caído no chão feito um Ás de espadas ao invés de entrar e investigar crime? – pergunta um homem de baixa estatura e usando uniforme de polícia que acaba de chegar ao encontro de Ricky.

― Ao contrário do que pensa a meu respeito, estou exatamente investigando um crime, meu caro delegado Jerome. – responde Ricky, de forma seca.

O detetive simplesmente detesta o modo como o delegado da Scotland Yard se porta com ele, como se fosse um de seus empregados e não um detetive particular, um dos melhores que já existiu. Ricky levanta-se e guarda o lenço de volta no bolso de seu sobre tudo, mas, continua com a lupa nas mãos.

Sem dizer uma única palavra, Ricky acompanha Jerome para dentro da mansão, que está cercada por policiais. Os dois estão no hall de entrada, que leva diretamente a sala se seguir em linha reta, local onde aconteceu o crime. Os olhos do detetive passam por todo o aposento, das paredes ao chão e ao belo tapete, que logo chama sua atenção.

Com a lupa em mãos, o detetive se abaixa e começa a examinar as marcas deixadas no tapete. Fora as marcas exatamente iguais dos sapatos dos policiais da Scotland Yard, há também uma marca de sapatos femininos, idênticas a que encontrou o jardim. Um sorriso muito discreto ilumina seu rosto.

― Quer parar de examinar a tapeçaria, Morgan? – reclama Jerome – Os corpos estão na sala. O médico legista quer levá-lo para o necrotério porém eu só vou liberar quando você os examinar, e temos pressa em resolver o caso, algo que parece que você ainda não notou.

― É a sua pressa que faz com que eu resolva a maioria dos casos que a polícia considera insolúveis, meu caro Jerome. – retruca Ricky – Mas já encontrei o que procurava aqui, agora me leve até os corpos de Lorde e Lady Hughes.

Contrariado com as palavras de Ricky, Jerome o leva até a sala principal da mansão Hughes, onde os dois corpos jazem caídos e sem vida, exatamente no local onde foram assassinados, ninguém ousou tocá-los.

Esquecendo-se completamente da presença do delegado, o detetive se aproxima primeiro do corpo do Lorde, e o observa com atenção. Marcas de algum objeto cortante, provavelmente uma adaga, estão por todo o corpo dele. No pescoço, braços e pernas, abdômen... E também no coração. Com sua lupa, o detetive observa pacientemente uma a uma as marcas no corpo do homem, ele toca as marcas, sentindo a profundidade do corte, faz isso em todos eles, para então voltar sua atenção para o rosto do cadáver que em vida era Lorde Hughes. Percebe que o cadáver tem uma expressão facial de medo, mas, ainda não entende o que essa expressão quer dizer. Conforme lera no jornal, realmente o cadáver não tem língua, mas não é isso que lhe chama atenção, e sim a marca em forma estranha na testa dele. A marca parece ter a forma de uma asa, e, fora desenhada com o mesmo objeto com o qual o corpo fora esquartejado. O desenho da asa ainda era preenchido com o sangue do cadáver.

Tirando seu lenço do bolso de seu sobre tudo, o detetive o pressiona contra o desenho da asa, fazendo uma marca perfeita nele. Em seguida, o detetive começa a examinar o corpo da mulher, que, percebe, fora assassinada da mesma forma que o homem. Seu corpo possui as mesmas marcas e, nos mesmos lugares que o corpo de seu marido. Examina as marcas com atenção, e, percebe que elas têm a mesma profundidade, o que significa que foram feitas com a mesma arma. O rosto apresenta-se com um espanto e medo muito maior que o de seu marido e, em sua testa, a mesma marca desenhada com uma adaga, uma asa preenchida com o sangue da lady assassinada.

Tirando outro lenço de seu bolso, o detetive o pressiona sobre o desenho, da mesma forma como fez com Lorde Hughes, de forma a copiá-lo. Em seguida, volta a guardar os dois lenços em seu bolso. Em seguida, deixa os corpos e volta sua atenção para o delegado Jerome.

― Já terminei por aqui. – anuncia Ricky – O médico legista já pode remover os corpos para o necrotério.

― Já? – espanta-se Jerome, pois não vira o detetive fazer absolutamente nada.

― Parece espantado, não é? – ironiza Ricky – Mas já vi tudo o que precisava por aqui. Voltarei para minha casa e entrarei em contato com a Scotland Yard quando eu julgar necessário.

― Vai me procurar quando tiver alguma pista? – pergunta o delegado.

― Veremos. A propósito, o que foi feito da criança?

― O filho do casal? Levado para um orfanato, está aos cuidados das assistentes sociais.

― E imagino que já tenha alguma dama interessada na guarda da criança, ou por acaso estou enganado?

― E como eu vou saber? – responde o delegado, de forma áspera – Nosso problema é descobrir quem assassinou Lorde e Lady Hughes e não o que foi feito do filho deles.

― Meu caro Jerome, essa é a diferença entre nós dois. Agora adeus.

E, dizendo estas palavras, o detetive deixa a mansão, com peças de um enigma intrigante em sua mente. Tinha algumas peças, que, definitivamente não se encaixam em lugar algum. Nenhum suspeito e a probabilidade mínima de que o assassinato fora praticado por uma mulher.

Ao sair da mansão, avisa ao cocheiro que o aguarda de que está com vontade de caminhar e irá andando para casa. Tudo isso porque não quer o cocheiro da Scotland Yard contando a Jerome que não é para casa que vai agora.

Uma fina chuva começa a cair pelas ruas de Londres, abre seu guarda-chuva, veste seu sobre tudo e continua a caminhar tranquilamente, com a certeza de que encontrará uma pista no orfanato de Londres. Se suas suspeitas estiverem corretas, haverá uma dama muito interessada na criança deixada viva na mansão do crime...

19 de Abril de 2021 às 01:29 0 Denunciar Insira Seguir história
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