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Os antigos contadores de histórias, quando contavam a história de um herói... de um símbolo, eles escolhiam uma alma banhada no novo e no intocável, alguém com qual o mundo não havia corrompido... O imaculado privilegiado. Nessas configurações, as almas ruins, destruídas pelo mundo no qual o Imaculado Privilegiado ainda não pisou, elas permanecem em um estado de inércia. Mergulhando cada vez mais fundo... Essa é uma história de uma alma corrompida, buscando a sua redenção...


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#san-francisco #japão #história #magia #quadrinhos #comic #regentes
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Capítulo 1 - Sileo (Reinício)

Os antigos contadores de histórias, quando contavam a história de um herói... de um símbolo, eles escolhiam uma alma banhada no novo e no intocável, alguém com qual o mundo não havia corrompido... O imaculado privilegiado. Nessas configurações, as almas ruins, destruídas pelo mundo no qual o Imaculado Privilegiado ainda não pisou, elas permanecem em um estado de inércia.

Mergulhando cada vez mais fundo...

Essa é uma história de uma alma corrompida, buscando a sua redenção...


[Sacramento, San Francisco - 21h]


Um homem observava a chuva se dissipar na janela do seu pequeno apartamento. Aos seus pés, um conjunto de três malas, duas médias e uma grande, juntamente com algumas mochilas de viagem. A solidão do quarto vazio era, de certa forma, aconchegante, pois, nada poderia entrar ou sair dali além dos seus pensamentos.


Quebrando o silêncio do quarto, a fechadura destranca repentinamente e, no quarto, entra duas pessoas. Uma mulher vestindo um blazer preto como a noite, carregando pastas e organizadores em mãos. O outro era um rapaz jovem, aparentando ter os seus vinte e três, vinte e quatro anos, roupa preta despojada, corte militar e tristeza em seu olhar. Esse era o seu colega de trabalho, Arno Palmer, e dono do apartamento que Dean morava.


A mulher de Terno, com toda a sua postura profissional e fria, começou a falar:


- Você é Dean, estou correta? Dean Lincoln?

- Sim.

- Então, senhor Lincoln. Meu nome é Antonieta Méndez, responsável pela Divisão de Heranças do seu pai.

- Ele não é o meu pai, Méndez.


Arno que estava ao lado de Antonieta interviu na resposta de Dean:


- Lincoln... Deixa ela terminar.


Assim, Antonieta continuou:


- Segundo o laudo da perícia, tudo consta como suicídio. Antes do ato, ele deixou duas coisas, uma carta de duas páginas escrita à mão.


No momento, Antonieta tirou de uma das pastas uma carta manuscrita protegida por um plástico. Ela se aproximou de Dean e deixou em cima de uma das malas. E continuou:


- A segunda coisa é uma quantia em dinheiro, 31.000 dólares, com o seguro de vida incluso. Só preciso que você assine os papeis para que o dinheiro passe para a sua conta sem nenhuma complicação a partir de amanhã e...

Dean a interrompeu mais uma vez:


- Eu recuso. Pode jogar fora a carta também, não quero nenhum tipo de vínculo, nenhum fragmento.


Arno confrontou Dean:


- Aceite pelo menos o dinheiro, Lincoln. San Francisco é uma cidade para poucos, se você não for preparado...

- Eu estou preparado.

- Quanto você tem?

- O suficiente para me manter vivo por muito tempo.

- E esse dinheiro, Lincoln? O que vai fazer com ele?


Dean então se levantou, pegou a carteira do bolso, um adesivo aleatório preso na banda de uma das janelas e colocou em um cartão que havia tirado da carteira. Logo em seguida, ele entregou para Arno dizendo:


- Toma, tira a sua família de Marselha, na França. Você sempre vive dizendo que esse era o seu maior sonho. Retribuir o que os seus pais fizeram para que você pudesse estar aqui na América.

- Mas Lincoln..


Dean perguntou diretamente a Antonieta:


- O dinheiro cai amanhã, né?

- Se o documento for assinado, sim. Assim que o banco for aberto, o depósito acontece.

- Posso?

- Claro.

Com uma assinatura rápida, ele assinou os papeis e disse para Arno:


- Me ajuda a levar isso lá para baixo?

- Claro.


Arno pegou as duas malas grandes enquanto Dean ficou com as mochilas e a mala pequena e ambos desceram as escadas. Apressadamente, Dean e Arno colocaram as duas maletas na mochila na parte de trás do carro, junto com alguns móveis que estavam guardados. Quando Dean entrou no carro, ele falou para Arno:


- A senha tá no outro lado do cartão, se tiver dúvida sabe qual é o meu número, não sabe? Seria um desperdício deixar esse dinheiro congelado na mão da justiça, seria egoísmo. Você pode usar melhor do que eu, Arno.

- E você... Vai voltar?

- Eu... Não consigo voltar pra esse lugar, precisaria de tempo.

- Nem para comemorar a volta da família? Sabe que você também faz parte.

- Desculpe.

- Entendo, as despedidas fazem parte da vida, certo?. E agora como se chama essa nova fase da sua vida?

- Um recomeço...


Assim, com um adeus sincero, Dean se despede da sua vida antiga de trabalhos, tentativas erradas e memórias ruins e segue em direção ao seu recomeço. Sacramento agora é apenas uma peça prateada em sua estante de memórias, uma peça enferrujada com memórias ruins.


[Caminho dos Patriotas, 2ª Divisa para San Francisco - 02:55AM]


Caminho dos Patriotas. Uma região que serve de atalho para vários caminhoneiros chegarem mais rápido no porto de San Francisco, escondida por pequenas montanhas e florestas densas, um parque diversão para os "rednecks", presos no tempo e na ignorância do mundo, caçarem animais à vontade e falar mal do mundo moderno.

A chuva do meio do caminho fez com que Dean fosse obrigado a parar em uma pousada de estrada. Era um bom lugar para passar a noite, não era muito frequentado e os donos, mesmo sendo pessoas simples, tinham muito cuidado com o local. A parte ruim é que bem ao lado, literalmente dividindo o último centímetro da pousada, havia um bar, O Icarus's Bar.


Tão inverso quanto o filho de Morpheus em Sandman, O Icarus's era muito frequentado, ao ponto de não haver espaço e os homens e mulheres terem que beber ao redor de suas caminhonetes e picapes, trazendo todo o caos para quem estava de fora. Gerando alguns copos quebrados, mulheres embriagadas chorando de raiva e garçons separando a briga e falhando miseravelmente no processo.


E a madrugada de hoje não foi diferente:


- CAI FORA DAQUI, SEU MERDA! TÁ AFASTANDO A CLIENTELA!


Assim grita Ditko, um homem gordo e alto e usando trajes sujos de fazenda enquanto expulsa um andarilho, aparentemente perdido, do bar juntamente com um saco de roupas e algumas tralhas que ele carregava. Seu irmão, Don, uma cópia estranhamente exata de Ditko e supostamente o mais velho, dá um chute no andarilho e persiste na ameaça.


- Ditko, pega aquele taco de basebol lá no balcão, hoje é noite de Home Run*.


- Pode deixar, Don! – falou Ditko


Dean estava à duas vagas de estacionamento distante da briga, arrumando separando os documentos para mostrar na faculdade e guardando as chaves da antiga casa no carro, tudo isso enquanto escutava algumas músicas no celular. Parte dele não queria se meter na briga, já não bastasse tudo que aconteceu, todas as situações. Era desnecessário. Entretanto, acompanhando a briga, ele viu Ditko voltar para o lado de fora do bar com um taco de Basebol preto com alguns danos na ponta e dar para o seu irmão, Don, que estava prestes a machucar o Andarilho.

- Não, esses caras vão matá-lo. Não vou deixar.


Don, com todo o orgulho e ódio, começou a ameaçar o andarilho batendo o taco no chão e ameaçando golpeá-lo na cabeça. Até que ele o chutou na costela, fazendo o andarilho gemer de dor e pedir misericórdia, apenas para ser zoado e ameaçado novamente. Preparado para finalizar o andarilho, Don ergueu o taco acima da cabeça e disse:


- Quero ver você pedindo esmola no inferno, agora.


No último segundo, Dean surgiu do nada dando um soco na cara de Don. Ameaçado, Don bradou contra Dean perguntando:


- TÁ QUERENDO LEVAR UMA TAMBÉM, SEU MALUCO DE MERDA?!


- Primeiro você tem que conseguir levantar, gordão.


- Merda! Vou quebrar tua cara, eu juro que vou!


Don partiu pra cima de Dean e tentou dar um golpe com o taco de basebol, mas Dean se esquivou e revidou com um gancho no rosto de Don, que caiu sentado no chão novamente. Para completar, Dean o chutou no rosto, apagando Don. As pessoas que viram o breve conflito no local estavam catatónicas, pois, ninguém se atrevia a mexer com os irmãos Don e Ditko. O sentimento de um estranho livre de uma terra distante estava claro como água.


Ditko, irmão de Don, tirou um revolver da cintura e disparou próximo aos pés de Dean gritando:


- SE VOCÊ NÃO QUISER UMA BALA NO MEIO DA CABEÇA, MELHOR PEGAR O TEU RUMO


- Não farei nada com o seu irmão gordo, mas não sairei daqui sem ajudar o andarilho.


- LEVE ESSE LIXO DAQUI TAMBÉM, CÊS SE MERECEM MESMO! SE EU TE VER NO ICARUS NOVAMENTE, VAI LEVAR UMA BALA NESSA SUA CABEÇA!


Ele andou mais um pouco e carregou o andarilho, o apoiando em seu ombro e levando até a sua caminhonete.


- Você quer que eu te leve para um hospital aqui perto? – disse Dean ao Andarilho.


- Não. Me deixe na pousada mesmo, eu me viro. Obrigado por me ajudar, Deus vai te dar em dobro.

Dean deixou o homem sentado na recepção da pousada, onde a dona cuidou dele. Logo depois, ele entrou no carro, ligou a música e disse para si mesmo:


- "Deus vai te dar em dobro"... Que besteira.


Ele ligou o carro e o som da rádio isolou o ambiente dos berros e dos disparos de Ditko comemorando a debandada de Dean, como se tivesse o derrotado ou algo do tipo.


[Próximo da Golden-Gate - 06am]


Pouco a pouco, a madrugava azulada dava lugar ao amanhecer alaranjado de cada dia, o tráfego de carros aparecia timidamente entrando e saindo de San Francisco, em sua maioria, caminhonetes e carretas com baús enormes, algumas transportando carros e até algumas menores transportando cimento ou coisa parecida.


Dean estava acordado há algumas horas na estrada, o cansaço estava dando os seus primeiros sinais claros, porém, a música o mantinha acordado, além dos perigos da estrada marcados em todo motorista. Repentinamente, o rádio começa a reproduzir uma voz feminina e robótica:

  • Sinal de Rádio Registrado com Sucesso pela Agência Nacional de Segurança. SACRAMENTO-SAN FRANCISCO. Voltando a programação normal.

Ele achou aquilo estranho, mas não ligou muito, porém, quando o trânsito deu uma pausa por conta de um engarrafamento, ele pega uma fita pendurada no suporte do retrovisor interno, remove a corrente e coloca no porta luvas e a primeira música a tocar é "Wish you Were Here", Pink Floyd.


Ao ouvir a melodia passando, se construindo no início da música junto com um som estático de fundo, ele colocou o banco um pouco mais para trás e ficou mais relaxado. A sua mente, nesse exato momento, lembrava de uma pessoa, a vida que te deu a vida, a pessoa que apresentou essa música.


[Flashback - Dean & Suki]


- Dean, meu filho, quer ouvir uma coisa legal?

- Quero! O que é?

- Música! Eu tenho uma fita... Criei ela quando tinha uns dezesseis anos.

- Wooow

- As músicas podem ser muitas coisas, mas, na maioria das vezes, elas são âncoras criativas. Elas podem ancorar em uma lembrança ou podem dissolver. Criando algo maior... Qualquer coisa.

- Eu também posso, mamãe?

- Não tenha dúvida disso.


[Realidade]


Uma voz surge no carro, bem ao lado de Dean, despertando-o de suas lembranças e o fazendo voltar a realidade, ainda preso no engarrafamento que andava lentamente. Essa voz que ele ouvia era de Yamazaki, um Alter-Ego criado por ele na infância em uma partida de RPG de mesa. Diferente do Dean, ele é uma alma curiosa, tentando entender o mundo à sua perspectiva.


Yamazaki percebeu que uma das mãos de Dean estava roxa e então comentou:


- Cara, você tem muito ódio...

- Eu precisava extravasar, e ele mereceu.

- É o que cê sempre diz...


O trânsito começou a andar mais rápido.


- Quer dizer que ele se foi, né?

- É, ele se suicidou. O Covarde se suicidou, a existência dele não fazia muita diferença já que... Enfim.

- Enfim.

- Foram nove anos, comprando um carro, comprando uma casa aqui, estudando para entrar na faculdade. Nove anos sofridos, tensos e sem esperanças, para que enfim eu possa recomeçar do jeito certo.


- Você entrou pra faculdade? Vai fazer o quê.

- História, quero pegar a licenciatura e virar um professor.

- Você? Professor de HISTÓRIA?! Puta merda, cara! Com essa cara de mau ai, os alunos terão medo de você! Mó cara de Pitbull raivoso!

- Também não precisa ser assim, né? Os alunos não terão medo de mim!

- Tenta dar um sorriso.


Dean tenta forçar um sorriso no espelho do carro, mas apenas sai uma careta amedrontadora.


- Tá vendo? Você dá medo, cara. Além de ser feio que dói.

- Vou até aumentar a música e fingir que não ouvir essa besteira...

- Mas é claro que cê vai fazer isso.


[Biblioteca Viajante - Icognita]


Numa biblioteca isolada, uma voz feminina ecoava entre as enormes prateleiras da grande sala, passando pelos livros de vários idiomas e atravessando as portas velhas pintadas de verniz. Se tratava de uma mulher de cabelos castanhos e de vestes em vermelho escuro segurando um livro empoeirado tentando romper uma pequena fenda que estava sob um círculo alquímico.


Ela dizia algumas palavras estranhas, soavam como códigos de tão distante que eram, seguidos de um feixe de luz que se apagava rapidamente. O idiomas estranhos logo foram substituídos por um clamor triste e derrotado:


- Não é possível, Pietra. O que você está errando?


[Floresta das Cinzas - Icognita]


No outro lado, em um antigo templo japonês em ruínas, um homem trajando uma armadura manchada de cinzas permanece sentado em frente a uma katana, meditando em silêncio, imóvel. Como se fosse uma estátua. Enquanto do lado fora, um outro homem sem rosto e com uma armadura mais simples e segurando um arco longo e escarlate o observava, pronto para atacá-lo à qualquer momento.


O homem sem rosto entra no templo e diz:


- Daisuke Hasegawa, o Ronin Andarilho. Você não é mais uma lenda, uma peça esquecida e jogada aqui na Floresta das Cinzas. Lutando e atrasando a sua morte. A Kitsune Escarlate...


Ele joga o arco no chão.


- ... Ela não existe mais, não há motivos para você lutar.


[Biblioteca Viajante - Icognita]


Em uma nova tentativa, Pietra conjura as palavras novamente, fazendo com que o Círculo Alquímico brilhe em vermelho. Como parte do processo que ela repetia várias e várias vezes, as suas mãos se cobriam de cinzas e as lágrimas de sangue caíam dos seus olhos. A fenda, aos poucos, começou a romper cada vez mais, Pietra a segurou e começou a tentar abrir ainda mais, revelando uma imagem distorcida de dois homens em uma sala em ruínas.

A exata sala onde estava O Ronin Andarilho...


- DAISUKE! EU ESTOU AQUI, RONIN! VOCÊ ME ESCUTA!?


Uma fenda abre na sala em ruínas, atrás da Katana onde Daisuke estava meditando. Daisuke percebeu a fenda e, surpreso com a voz de Pietra, ele diz:


- Alquimista...


Entretanto, o Samurai sem rosto também percebeu a fenda e logo avançou contra Daisuke. Ele então saiu da postura de meditação, pegou a Katana em na sua frente e deu um golpe certeiro no Samurai sem rosto, afastando-o. Ele então correu até a fenda e a atravessou e, por intermédio de Pietra, a mesma se fechou sozinha. Tirando o Ronin da Floresta das Cinzas. Exausta, a Alquimista se sentou na cadeira, colocando as mãos em seu rosto enquanto respirava ofegante.


Vendo que Pietra estava exausta, Daisuke foi até uma bancada próxima, onde tinha uma pequena bacia com um pouco de água com alguns panos dobrados ao lado da mesma. Ele pegou desses panos, molhou com água e se aproximou de Pietra para limpar o seu rosto:


- Você está bem?


Pietra pega o tecido das mãos de Daisuke e limpa o rosto lentamente com as próprias mãos:


- Vou ficar. É que esse sangue nos olhos foi algo novo para mim, senti a morte diante de mim por um momento.


- O que você estava fazendo para custar tanto a sua vida?


- Você não lembra, não é? Houve um dia onde todas as lendas de todo o mundo foram apagadas. Deuses sobreviventes, Lendas... Regentes. foi como um estalo divino. Muitos foram jogados em várias partes da Floresta das Cinzas, onde foram condenados e mortos pelas suas próprias sombras. Ao mesmo tempo, vários demônios de várias mitologias começaram a serem libertados. As poucas lendas que sobraram estavam de tempos contados. E eu usei esse pequeno espaço de tempo para tentar resgatar alguns de nós.


Daisuke começou a caminhar até a porta da Biblioteca dizendo:


- Então, por onde começamos?

- Procurando um legado, alguém que possui o seu nome e que ainda está vivo nesse mundo moderno. É o que nos sobrou, não podemos interagir.


Pietra vai em direção a Daisuke, pegando um livro azul que estava na frente dele. Ela abre em uma página certeira onde possui a imagem de um garoto segurando uma caixa de madeira com alguns escritos em Kanji:


- O seu antigo legado era uma moça chamada Suki Hasegawa, mas ela foi morta brutalmente. Sobrando apenas o seu filho, Dean Lincoln. Você o encontrará mais rápido se procurar pelo seu Alter-Ego, Yamazaki. Saberá o que fazer ao chegar lá.


- Eu o encontrarei. Entretanto, queria informar.

- O que deseja informar, Ronin?

- A Kitsune Escarlate, ela não está mais entre nós.

- A-Asuna...


Ao pronunciar o seu nome, a sua voz embargou e ela falou:


- Você a viu? Não é possível que não tenha dado tempo!

- O seu arco, objeto inseparável... Ele foi encontrado. Sinto muito.

- Vá! Antes que não sobre tempo acabe para mais um de nós!


[Norte de San Francisco - Apartamento do Dean, Final de Tarde]


Era final de tarde, as luzes da cidade apareciam aos poucos e dava para ver os carros engarrafando algumas ruas e até mesmo a ponte para voltar pra casa. No humilde apartamento de Dean, a mudança estava quase pronta, alguns móveis ainda estavam desarmados e ainda faltavam algumas outras peças para tirar da caminhonete.


No momento, ele havia acabado de montar a estante da sala e estava tirando alguma coisas da caixa e colocando no móvel. Yamazaki apenas observava encostado na janela. Até que algo que Dean retirou da caixa de mudança chamou a atenção de Yamazaki, um caixa de madeira, com alguns símbolos em Kanji.


- Achei que nunca mais veria essa caixa. Onde encontrou?

- Eu encontrei em uma venda de garagem perto da casa... De você sabe quem. Comprei por oito dólares.

- Ela vale bem mais, tipo uns...

- Isso não tem valor, Yamazaki. Eu não venderia algo dado por minha mãe.


Ele se aproximou de Yamazaki com a caixa em mãos, abrindo as trancas de ferro que tinha nas laterais da caixa. Ao abrir a caixa por inteiro, ele se deparou com um pequeno conjunto de quatro adagas com a lâmina protegida por um protetor preto com alguns Kanjis em vermelho:

  • É a primeira vez que você abre? – Pergunta Yamazaki.
  • Ela pediu para abrir em um momento específico, mas ela nunca falou.

Yamazaki tentou pegar uma das adagas, mas Dean o advertiu:

  • Nem pense em tocar nelas.
  • Porquê?
  • Os Kanjis. Em cada uma das facas possui um kanjis, certo? Isso significa que cada um dos Kanji possui a alma de 10 dos 47 Ronin, porém, existe um que não está aqui, que escolheu não cometer o Seppuku perante a justiça, esse era justamente o que pertencia ao clã Hasegawa.
  • Sobrenome da sua mãe...
  • Sim. Eles o caçaram, mas nunca conseguiram achá-lo. Algumas histórias dizem que o espirito dele ainda está sendo caçado. Minha mãe dizia que ele percebeu que a história dele não poderia terminar ali, que ele tinha a escolha de buscar a própria redenção. Recriar a sua própria história.
  • Caramba...
  • Ela disse que só ele poderia tocar nessas adagas e algum dia ele iria buscá-las.

Assim que terminou de falar, Dean fechou a caixa e colocou as trancas novamente e colocou a caixa em um lugar alto da estante e voltou a arrumar as coisas na estante. Observando a noite de lua crescente, Yamazaki disse para si mesmo:

  • Talvez esse dia esteja mais próximo do que você imagina, Dean. Eu sinto isso.

[Continua.]

8 de Abril de 2021 às 22:25 2 Denunciar Insira Seguir história
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Luana Borges Luana Borges
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