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RAIVA

A raiva não é boa conselheira! Não pode ser ouvida em momentos críticos, onde uma decisão estapafúrdia pode comprometer todo o resto. Melhor não negá-la, mas recolher-se temporariamente ao âmago do ser, ante a realidade que a fez brotar.


O homem é o único animal que sente raiva; na natureza as disputas territoriais, alimentares ou mesmo pelas fêmeas da espécie são movidas por instinto apenas. O derrotado recolhe-se, pagando às vezes até com a própria vida, mas disso não se sucedem comportamentos vingativos ou rancorosos. É a lei natural da sobrevivência, cruel, mas igualitária.


Sentir raiva é como desfrutar de outros sentimentos: amor, saudade, alegria, tristeza, euforia, medo, expectativa, angústia e tantos outros... todos são momentâneos e podem se revezar: afinal, o que é felicidade? Será apenas uma sucessão de momentos bons? Não conheço nenhum mortal “feliz” que não tenha passado por situações aflitivas. Eis aí o mistério da vida, e o motivo pelo qual as pessoas tomam caminhos diferentes: uns se acertam, enquanto que outros se perdem no limbo do existir.


Radicalismos podem parecer interessantes à mídia ou aos olhos de terceiros, mas nada trazem de produtivo: a ira é o cúmulo da raiva, assim como o pânico é o ápice do medo, ou a paixão é o amor elevado à irresponsável potência... mas nenhum deles é emoção duradoura, graças aos céus, ou este mundo se revelaria ainda mais conturbado, do que já o é.


Não negue nem se envergonhe de sua raiva, mas também não se deixe levar por ela. Ninguém é perfeito e todos acabamos por falhar. Não mergulhe para sempre nos recônditos obscuros da alma, pois tudo é momentâneo e o sol brilhará de manhã, assim como tem sido desde o início dos tempos, atropelando de forma avassaladora suas “absolutas verdades”...

4 de Abril de 2021 às 17:53 7 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Max Rocha Um Fantasma literário ou alguém que apenas gosta de escrever... me interesso por ficção histórica e científica, suspense, misticismo e mistério com um toque de humor. Às vezes enveredo pelo tom crítico e motivacional do cotidiano. Escrevo ouvindo música instrumental relacionada com o tema no Spotify, ao lado da Duda, minha cadela australiana de 5 anos. The Phantom (O Fantasma) foi criado por Lee Falk, em 1936.

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Alexis Rodrigues Alexis Rodrigues
ahh, super me identifiquei com o seu texto! na hora da raiva eu me isolo mesmo, rsrs, eu só processo bem as coisas ficando sozinha, o que é bom, já que não brigo com ninguém mas é, precisamos de educação emocional (o que me falta) mais um excelente texto <3

  • Max Rocha Max Rocha
    Precisamos contar até 10 (rsrsrsr). Obrigado Alexis, valeu! 4 weeks ago
Welington Pinheiro Welington Pinheiro
Só complementando algo que me veio à mente. Não é a toa que na ficção científica é o vírus da raiva que está por trás das multidões de zumbis.
April 05, 2021, 15:20

  • Max Rocha Max Rocha
    Emoção devastadora... April 05, 2021, 15:28
Welington Pinheiro Welington Pinheiro
Nossa! Que reflexão necessária para os dias de hoje! O pior, eu diria, é quando mentes maquiavélicas aprendem a usar isto para controlar as pessoas. A raiva, hoje em dia, mais que sentimento humano, é recurso natural vastamente explorado e conveniente.
April 05, 2021, 15:20

  • Max Rocha Max Rocha
    Quem sente raiva não pensa; não consegue discernir entre a prudência e a inconsequência. Por isso se deixa manipular e geralmente age intempestivamente. Valeu! April 05, 2021, 15:30
  • Welington Pinheiro Welington Pinheiro
    Isto me lembra quando eu lutava tae kwon do. Nosso mestre falava muito sobre este tema. Ele dizia que a raiva, tal como o luto, não se nega, mas se aceita e se espera passar. Dizia que era tudo uma questão de saber esperar a poeira dissipar, a superfície do lago se acalmar. Ele tinha verdadeiros excertos sobre a raiva. Dizia que muitas vezes a raiva excessiva era fruto de insegurança ou falta de autoconfiança. Tinha a ver com nosso tatame: alguns lutadores quando levavam um soco ou um chute guardavam rancores, não entendiam o fato como erro na defesa deles, mas ficavam arrumando um jeito de culpar os colegas. O mestre dizia que isso mostrava um ego frágil, inconsistente, que não conseguia lidar com a exposição de suas fraquezas. O mestre era campeão brasileiro, lutou até em Las Vegas e na Coréia. A luta está cheia de reflexões sobre a raiva. A energia reativa da raiva era fundamental pra gente. Mas como água de rio - mais uma dele - uma mente inteligente tinha que conter e canalizar April 05, 2021, 15:41
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