alexisrodrigues Alexis Rodrigues

Na escuridão, alguma coisa está observando. inspirado no jogo Don't Open Your Eyes e na creepypasta de mesmo nome.


Conto Impróprio para crianças menores de 13 anos.

#terror #desconhecido #Don't-Open-Your-Eyes #DOYE-jogo #DOEY-creepypasta #paralisia-do-sono?
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Único

Você não tem certeza do que lhe acordou.

É como se seu corpo reconhecesse automaticamente que tem alguém ali no quarto com você, por perto, observando.

Onde a coisa está? Você não tem como saber, a menos que abra os olhos.

Mas se você abrir e a coisa estiver te encarando bem de perto?

Um arrepio percorre sua nuca. Seu coração começa a se acelerar, as mãos e pés começam a suar frio.

Você tenta ser racional. É só a sua imaginação, certo?

Certo?

Porque você trancou a porta da entrada, e a porta dos fundos. As janelas também estão fechadas. Você aprendeu desde cedo a sempre trancar tudo antes de dormir, e sempre ter algo por perto para usar caso precise se defender, afinal de contas, morar sozinho significa que uma pessoa precisa se defender sozinha.

O que foi que deixou perto da cama com você?

Ah, é mesmo.

Nada.

Dessa vez você cometeu o grotesco erro de não levar nenhum tipo de arma para o quarto na hora de dormir. Nenhuma faca da cozinha, nem mesmo a droga de uma vassoura.

A coisa, seja lá o que for, está respirando e está por perto. Uma coisa, não uma pessoa, pois você não ouviu passos.

Você não tem o sono pesado, teria ouvido passos, certo?

Certo?!

Pode ser só a sua imaginação. Pode ser que ainda esteja sonhando.

É só um sonho estranho, não é nada além de um sonho estranho.

– Eu sei que está consciente. Abra os seus olhos.

Seu corpo se enrijece ao ouvir aquela voz.

Aquela... Voz?

Era realmente uma voz?

Era um sussurro ao pé do seu ouvido, que lhe manteve totalmente imóvel.

Você não arriscaria se mover de jeito nenhum.

– Não sabe que é falta de educação ignorar quem fala com você? Abra os seus olhos.

A coisa... Tem um hálito. Um hálito gelado, cheiro de menta.

– Não seja rude. Eu não gosto quando recebo tratamento indiferente.

Você ouve a coisa se afastar.

Então, um peso sobre a cama. A coisa se sentou?

Há... Dedos... Percorrendo o contorno de seu tornozelo, sob o lençol.

– O que preciso fazer para que abra seus olhos?

Nada. Nada lhe faria abrir os olhos. Você não queria saber o que estava lá.

O que, não quem.

Porque aqueles dedos... Não poderiam ser de uma pessoa...

Poderiam?

– Por favor, eu imploro...

O sussurro era ainda mais baixo agora.

– Abra os seus olhos. Eu não aguento mais ser ignorado. Tudo o que eu preciso é que olhe para mim.

Não.

Não.

De forma alguma.

Você não quer saber quem é a visita que apareceu ser receber convite. Não.

– Vai continuar negando a minha presença?

Sim, definitivamente você iria.

O peso sobre a cama desaparece. Seu tornozelo está livre.

Algo cai no chão e se quebra. Pelo barulho e pela proximidade, você julga ser o copo de água que deixou sobre a cômoda ao lado da cama.

– Abra os seus olhos.

Não.

A cômoda é lançada ao chão. Seus livros de estudo se espatifaram todos. Você espera que eles sobrevivam até que aquilo acabe.

– Abra os seus olhos.

A voz agora era mais urgente, mais autoriária.

Não.

A janela foi quebrada. O vidro fez um estardalhaço impossível de passar despercebido. Talvez os vizinhos percebam. Você espera que ninguém se aproxime para lhe chamar.

– Abra, abra, abra...!

Agora aquilo era desespero.

Outras coisas são jogadas no chão. Algumas se quebram, outros apenas são um baque. Gradativamente, a coisa se afasta, e o barulho continua fora de seu quarto, talvez no corredor, talvez na sala.

Por fim, o barulho para.

Você espera, impaciente, com medo, com receio. Não confia naquela quietude.

Então o tempo passa, talvez minutos, talvez horas.

Gradativamente a claridade retorna. Você percebe, mesmo através das pálpebras, que há bastante luz agora.

É dia, você pensou. É seguro agora.

Então você abre seus olhos.

E imediatamente se arrepende.

A claridade vem de velas.

Há olhos sobre si.

Um largo sorriso.

Seus olhos ficam bem abertos.

– Finalmente.

30 de Março de 2021 às 09:43 7 Denunciar Insira Seguir história
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Fim

Conheça o autor

Alexis Rodrigues Olá, turubem? Meu nome é Alexis (na verdade é pseudônimo), manauara de 25 anos (tô velha). Tenho graduação plena em Letras - Língua Inglesa pela UNINORTE e atualmente estou terminando minha pós-graduação em Criminologia pela Unyleya. Sou feia, mas não mordo ;) Fanfiqueira de carteirinha, mas posto originais aqui também. Faço parte do Time de Verificação do Inkspired. Em caso de quaisquer dúvidas com a plataforma, não hesite em nos perguntar ;) Estamos aqui para melhor atender vocês <3

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J Carreir J Carreir
Eu tola, pensando em final feliz? Porque gosto de me iludir ashuashua,, gostei muitíssimo do conto! Esta excelente! E que narrativa cativante! Deu para sentir o medo, tensão, pavor com perfeição. E esse final enganoso?? Haha me pegou! Eu bem que teria sido enganada ( como fui ) igual a ele ou seria ela rs, bjs adorei!

  • Alexis Rodrigues Alexis Rodrigues
    é, final feliz não é o meu forte kkkk fico feliz que tenha gostado <3 recomendo o jogo, ele dá muita tensão e_e 6 days ago
A Louca dos Cavalos A Louca dos Cavalos
Oiee ♡ Um conto em segunda pessoa?! Pqp. Menina tu tem coragem. Acho incrível quem consegue! Por acaso, aproveitando conhece algum livro nessa narrativa? Nunca vi ou cheguei a procurar. A música que eu falei é Eyes Wide Open da Sabrina Carpenter, a atriz da Disney. MENINA VOCÊ TEM NOÇÃO QUE SE EU TIVESSE LIDO ISSO NA MADRUGADA DO DIA 30 COM AQUELA SUPERSTIÇÃO BOBA. EU NÃO TERIA DORMIDO NEH? PQP. Amei esse conto por que da muito bem pra interpretar como um sucubo ou um incubo. E eu adoro eles. Uma das poucas coisas que eu acredito. Mano que agonia! Pqp cara. Imagino um cara com olhos vermelhos, sorriso distencido estilo Coringa. Algo bem sinistro. Adorei! Parabéns! Bjss de cavalinhos ♡
March 31, 2021, 19:50
Max Rocha Max Rocha
Aproveito para agradecer suas visitas aos meus textos. Vocês embaixadores fazem um trabalho muito interessante.
March 31, 2021, 13:50

Max Rocha Max Rocha
Olá Alexis. Aprecio este tipo de terror psicológico, sem apelo às banalidades do gore, como sangue e vísceras expostas. Seu texto fala mais à inteligência do leitor. Aplausos do Fantasma.
March 31, 2021, 13:49

~